Depois de tratar, em 8:2–8:3, de quem é confiável e sobre que produtos, esta quarta halachá do Perek Chet passa ao tema das medidas: quanto, no mínimo, não se pode deixar de dar ao pobre na eira. A Mishná fixa os pisos: meio kav de trigo e um kav de cevada — Rabi Meir diz meio kav; um kav e meio de espelta e um kav de figos secos ou um maneh de bolo de figo prensado — Rabi Akiva diz um peras; meio log de vinho — Rabi Akiva diz um quarto; um quarto de azeite — Rabi Akiva diz um oitavo; e, quanto aos demais frutos, disse Abba Shaul, o suficiente para que o pobre os venda e compre com o valor alimento para duas refeições. A guemará acrescenta medidas para outros produtos — arroz, temperos, verdura, alfarroba, nozes, pêssegos, romãs e etrog —, ancora tudo no versículo "e comerão em tuas cidades e se saciarão", registra a pergunta de Chizkiyah a Avoi sobre a origem dessas medidas e o episódio de Rabi Chananya diante de Rabi Ilai sobre construir em vez de refutar; e, por fim, discute a mesma medida de alimento para duas refeições aplicada ao eruv, detalhando o que serve para compô-la.
Mishná: Não se reduz, para os pobres, na eira, menos de meio kav de trigo e um kav de cevada (esta é a medida mínima que se deve dar de leket, esquecimento ou peá a cada pobre que vem à eira, sem se poder dar menos). Rabi Meir diz: meio kav (de cevada, e não um kav inteiro). Um kav e meio de espelta e um kav de figos secos, ou um maneh de bolo de figo prensado. Rabi Akiva diz: um peras (meio maneh, quanto ao bolo de figo prensado). Meio log de vinho — Rabi Akiva diz: um quarto (revi'it, metade do meio log). Um quarto de azeite — Rabi Akiva diz: um oitavo (shemini't, metade do quarto). E quanto a todos os demais frutos, disse Abba Shaul: o suficiente para que ele os venda e compre, com o valor, alimento para duas refeições (a medida-padrão de sustento usada em toda esta Mishná, e que a guemará agora vai fundamentar e estender a outros produtos).
Foi ensinado: um quarto (rova, medida de capacidade) de arroz; uma libra (litra) inteira de temperos; três kabin de verdura; três kabin de alfarroba; meio log de vinho; um quarto de azeite. Dez nozes, cinco pêssegos, duas romãs e um etrog (todas essas, medidas mínimas que não se pode reduzir na doação ao pobre na eira, somando-se ao que a Mishná já fixara para trigo, cevada, espelta, figo, vinho e azeite). Qual é a razão (escritural para essas medidas)? "E comerão em tuas cidades, e se saciarão" (Deuteronômio 26:12, dito a respeito do dízimo do pobre) — dá a ele o suficiente para sua saciedade (e essas medidas específicas representam, para cada produto, o que basta para saciar quem o recebe). Chizkiyah perguntou a Avoi: de onde vêm essas medidas? Ele lhes disse: este pacote se apoia nesta corda (dito popular de sentido obscuro, citado aqui para indicar que a origem exata dessas medidas específicas não repousa sobre uma dedução escritural explícita, mas sobre uma tradição recebida e presa a um fio tênue, tal como um pacote amarrado que se sustenta pela corda que o prende, e não por si mesmo). Rabi Chananya estava sentado diante de Rabi Ilai, e ele (Chananya) dizia razões (propunha explicações e fundamentos para essas medidas), e ele (Ilai) as refutava. Ele dizia razões, e ele as refutava. Disse-lhe: não fomos feitos para refutar, mas para construir (a função do estudo não é apenas derrubar as propostas do outro, mas também erguer explicações válidas em seu lugar).
Rabi Mana disse: foi ensinado (em outra versão da baraita): quatro libras (e não uma libra, quanto à medida mínima de temperos que se deve dar ao pobre na eira).
Rabi Elazar disse: e o mesmo vale para o eruv (a medida de alimento para duas refeições, fixada acima para a doação ao pobre, é também a medida mínima que se deve reunir para compor o eruv). Disse Rabi Chinena: isso que se disse — meio log — foi dito quanto ao vinho; mas quanto ao azeite, faz-se o eruv com ele somente na medida de alimento para duas refeições (o azeite não recebe a redução que o vinho recebe, exigindo-se dele a medida plena). Foi ensinado: faz-se o eruv com vinagre na medida de alimento para duas refeições. Foi ensinado: faz-se o eruv com azeite na medida de alimento para duas refeições. Rabi Yirmeya, em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak: o suficiente para mergulhar em verdura amarrada (em maço) por duas refeições é a medida do eruv feito com verdura. Rabi Yitzchak Atoshaya disse diante de Rabi Ze'eira, em nome da casa de Rabi Yanai: ervilhas cruas — faz-se o eruv com elas na medida de alimento para duas refeições. Para quem isso era necessário dizer? Para Rabi Meir (que discorda em outro contexto) — para que não se diga que, uma vez que elas deixam mau odor na boca, não se faz o eruv com elas (mas a lei é que se faz, apesar do mau odor). Peixe salgado — faz-se o eruv com ele. Carne salgada — faz-se o eruv com ela. Carne crua também serve, pois ensinamos: os babilônios a comem crua, porque seu juízo quanto a isso é corrompido (sendo comestível a seu costume, ainda que cru, serve para o eruv). Rabi Yudan pergunta: esta erva chamada kalkira (planta não identificada com certeza) — e estes samaritanos a comem crua — será que, sendo comestível a eles, faz-se o eruv com ela? Shmuel bar Shilat, em nome de Rav: pe'afu'in, gudgedaniyot e chalugloglot (esta última, identificada com a beldroega ou verdolaga; as duas primeiras, ervas silvestres não identificadas com certeza) — faz-se o eruv com elas. Perguntaram diante de certos sábios: quais são elas? Ele lhes disse: kakulei, hindekukei e parpachineih (nomes locais dessas mesmas ervas silvestres, dados em resposta à pergunta sobre sua identidade).
Esta quarta halachá do Perek Chet passa do tema de quem é confiável (8:2–8:3) para o tema de quanto, no mínimo, não se pode deixar de dar ao pobre na eira. A Mishná fixa os pisos para trigo, cevada, espelta, figo, vinho e azeite — com as reduções propostas por Rabi Meir e Rabi Akiva — e remete os demais frutos ao princípio geral de Abba Shaul: o suficiente para vender e comprar alimento para duas refeições.
A guemará estende essas medidas a arroz, temperos, verdura, alfarroba, nozes, pêssegos, romãs e etrog, fundamentando tudo no versículo "e comerão em tuas cidades e se saciarão" — dar ao pobre o suficiente para sua saciedade. Registra a pergunta de Chizkiyah a Avoi sobre a origem exata dessas medidas, respondida com um dito popular que sugere tratar-se de tradição recebida e não de dedução escritural direta; e o episódio de Rabi Chananya diante de Rabi Ilai, que o repreende por apenas refutar razões sem propor as suas — pois o estudo deve também construir, não só destruir. Por fim, por analogia com a medida de alimento para duas refeições, a guemará discute o mesmo padrão aplicado ao eruv, detalhando o que serve para compô-lo: vinho, vinagre, azeite, verdura amarrada, ervilhas cruas, peixe salgado, carne salgada, carne crua e diversas ervas silvestres, encerrando com uma lista de nomes locais para identificá-las.