Talmud Yerushalmi · Massechet Sheviit · Perek Alef · Halachá 5
שְׁבִיעִית

Dez mudas espalhadas num bet-seá, o salgueiro e a libação da água como halachá dada a Moisés no Sinai, e a distinção entre muda e árvore velha

Perek Alef, Halachá 5, no Talmud Yerushalmi, Massechet Sheviit

Quinta halachá de Massechet Sheviit, abrindo uma nova Mishná: dez mudas espalhadas dentro de um bet-seá — lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas, até Rosh Hashaná; mas se estavam dispostas em fileira, ou cercadas por uma auréola (formação circular), não se lavra por causa delas senão o que lhes é necessário. A guemará abre com Rabi Zeirá, Rabi Lá e Rabi Yasá em nome de Rabi Yochanan, discutindo se o salgueiro de Sucot e a libação da água no altar são halachá dada a Moisés no Sinai ou palavra da própria Torá — posição de Abá Shaul e de Rabi Akivá, respectivamente. Traz a pergunta de Rabi Chiya bar Abá a Rabi Yochanan sobre por que ainda se lavra por causa de árvores velhas, e Rabi Abá bar Zavdi em nome de Rabi Chonia, do Vale de Chavrán, atribuindo o salgueiro, a libação e as dez mudas à instituição dos primeiros profetas. Rabi Yochanan aponta dois costumes vindos da Babilônia através de Rabi Chiya bar Vá, e a guemará fecha esclarecendo a diferença entre muda e árvore velha segundo as regras de dez e de três, e comparando um campo de canas a um campo de cereal.

A Mishná · מַתְנִיתִין

עֶשֶׂר נְטִיעוֹת מְפוּזָּרוֹת לְתוֹךְ בֵּית סְאָה חוֹרְשִׁין כָּל בֵּית סְאָה בִּשְׁבִילָן עַד רֹאשׁ הַשָּׁנָה. הָיוּ עֲשׂוּיוֹת שׁוּרָה וּמוּקָּפוֹת עֲטָרָה אֵין חוֹרְשִׁין לָהֶן אֶלָּא צוֹרְכָן.

Mishná: Dez mudas espalhadas dentro de um bet-seá, lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas, até Rosh Hashaná. Se estavam dispostas em fileira, ou cercadas por uma auréola (isto é, plantadas em formação circular), não se lavra por causa delas senão o que lhes é necessário (apenas o espaço próximo a cada uma, e não o bet-seá inteiro).

A Halachá · הֲלָכָה ה

01O salgueiro e a libação da água: halachá dada a Moisés no Sinai, contra Abá Shaul e Rabi Akivá
Yerushalmi · Sheviit 1:5
עֶשֶׂר נְטִיעוֹת כו׳. רִבִּי זְעִירָא רִבִּי לָא רִבִּי יָסָא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן עֲרָבָה הֲלָכָה לְמֹשֶׁה מִסִּינַי וּדְלֹא כְאַבָּא שָׁאוּל דְּאַבָּא שָׁאוּל אָמַר עֲרָבָה דְּבַר תּוֹרָה. וְעַרְבֵי נַחַל שְׁתַּיִם. חַד עֲרָבָה לְלוּלָב וַעֲרָבָה לְמִקְדָּשׁ. רִבִּי בָּא רִבִּי חִיָיא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן עֲרָבָה וְנִיסּוּךְ הַמַּיִם הֲלָכָה לְמֹשֶׁה מִסִּינַי וּדְלֹא כְרִבִּי עֲקִיבָה דְּרִבִּי עֲקִיבָה אָמַר נִיסּוּךְ הַמַּיִם דְּבַר תּוֹרָה. בְּשֵׁינִי וְנִסְכֵּיהֶם. בְּשִׁישִׁי וּנְסָכֵיהָ. בִּשְׁבִיעִי כְּמִשְפָּטָם. מֵ״ם יוֹ״ד מֵ״ם מַיִם. רִבִּי חִיָיא בַּר אַבָּא בָּעָא קוֹמֵי רִבִּי יוֹחָנָן וְעַכְשָׁיו לָמָּה הֵן חוֹרְשִׁין בִּזְקֵינוֹת. אָמַר לֵיהּ בְּשָׁעָה שֶׁנִּיתְּנָה הֲלָכָה נִיתְּנָה שֶׁאִם בִּקְּשׁוּ לַחֲרוֹשׁ יַחֲרוֹשׁוּ.

(Citando a Mishná:) "Dez mudas..." etc. Rabi Zeirá, Rabi Lá e Rabi Yasá, em nome de Rabi Yochanan: o salgueiro (usado no rito de Sucot) é halachá dada a Moisés no Sinai — e isso não é conforme Abá Shaul, pois Abá Shaul disse que o salgueiro é palavra da própria Torá. E "salgueiros do ribeiro" (no versículo, no plural) indica dois: um salgueiro para o lulav, e um salgueiro para o Templo.

Rabi Abá e Rabi Chiya, em nome de Rabi Yochanan: o salgueiro e a libação da água (derramada sobre o altar durante Sucot) são halachá dada a Moisés no Sinai — e isso não é conforme Rabi Akivá, pois Rabi Akivá disse que a libação da água é palavra da própria Torá. No segundo dia (da festa, o versículo diz): "e suas libações" (no plural). No sexto dia: "e sua libação". No sétimo dia: "segundo seu costume". (As letras adicionais desses termos, lidas em sequência,) mem, iud, mem, (formam a palavra) "água" (indicando por alusão a libação da água).

Rabi Chiya bar Abá perguntou diante de Rabi Yochanan: e agora (sem o Templo em pé), por que ainda se lavra por causa de árvores velhas (já que essa permissão visava facilitar o serviço do Templo em Sucot)? Disse-lhe: no momento em que a halachá foi dada, foi dada de tal modo que, se quisessem lavrar, pudessem lavrar (isto é, a permissão foi estabelecida de forma incondicional, valendo mesmo quando o Templo não está de pé).

02Rabi Abá bar Zavdi: instituição dos primeiros profetas, e como se harmoniza com o Sinai
Yerushalmi · Sheviit 1:5
רִבִּי בָּא בַּר זַבְדִּי בְּשֵׁם רִבִּי חוֹנִיָה דִּבִקְעַת חַוְורָן עֲרָבָה וְנִיסּוּךְ הַמַּיִם וְעֶשֶׂר נְטִיעוֹת מִיסוֹד הַנְּבִיאִים הָרִאשׁוֹנִים הֶם. מַה וּפְלִיג. רִבִּי יוֹסֵי בֵּי רִבִּי בּוּן בְּשֵׁם לֵוִי כָּךְ הָיְתָה הֲלָכָה בְּיָדָם וּשְׁכָחוּהָ וְעָמְדוּ הַשְּׁנִיִים וְהִסְכִּימוּ עַל דַּעַת הָרִאשׁוֹנִים. לְלַמְּדָךְ שֶׁכָּל דָּבָר שֶׁבֵּית דִּין נוֹתְנִין נַפְשָׁם עָלָיו סוֹפוֹ לְהִתְקַיֵים בְּיָדָם כְּמַה שֶׁנֶּאֱמַר לְמֹשֶׁה מִסִּינַי. וְאַתְיָא כַּיי דָּמַר רִבִּי מָנָא כִּי לֹא דָּבָר רֵק הוּא מִכֶּם. וְאִם רֵק הוּא מִכֶּם. לָמָּה שֶׁאֵין אַתֶּם יְגֵיעִין בּוֹ. כִּי הִיא חַיֵּיכֶם. אֵימָתַי הִיא חַיֵּיכֶם בְּשָׁעָה שֶׁאַתֶּם יְגֵיעִין בּוֹ.

Rabi Abá bar Zavdi, em nome de Rabi Chonia, do Vale de Chavrán: o salgueiro, a libação da água, e as dez mudas são instituição dos primeiros profetas (e não halachá dada a Moisés no Sinai). Acaso discordam (da opinião anterior — teriam essas leis sido, de fato, apenas instituídas pelos profetas, sem remontar ao Sinai)?

Rabi Yossei bei Rabi Bun, em nome de Levi: assim era a halachá que já tinham em mãos (desde o Sinai), e a esqueceram; e levantaram-se os posteriores (os primeiros profetas) e concordaram com a opinião dos primeiros (reafirmando o que já fora dado no Sinai) — para te ensinar que toda coisa à qual o tribunal se dedica de coração acaba por se firmar em suas mãos, como se tivesse sido dito a Moisés no Sinai. E isso está de acordo com o que disse Rabi Maná: "porque não é coisa vazia, da parte de vós" — e, se é vazia, é da parte de vós, porque não vos esforçais nela; "porque ela é vossa vida" — quando é ela vossa vida? No momento em que vos esforçais nela.

03Rabi Yochanan: dois costumes vindos da Babilônia através de Rabi Chiya bar Vá
Yerushalmi · Sheviit 1:5
רִבִּי יוֹחָנָן אָמַר לְרִבִּי חִיָיה בַּר וָוא בַּבְלַיָיא תְּרֵין מִילִּין סַלְקוֹן בְּיֶדְכּוֹן מַפְשׁוּטִיתָא דְּתַעֲנִיתָא וַעֲרָבְתָא דְיוֹמָא שְׁבִיעִיָיא. וְרַבָּנִין דְּקֵיסָרִין אָמְרִין אַף הָדָא מַקְזְתָה.

Disse Rabi Yochanan a Rabi Chiya bar Vá: Babilônio, duas coisas subiram em vossas mãos (dois costumes que vieram através de vós, da Babilônia, para a Terra de Israel): o prostrar-se estendido nos dias de jejum, e o salgueiro do sétimo dia (de Sucot). E os sábios de Cesareia dizem: também este (costume) — o adiantamento (do cálculo do calendário, para resguardar o rito do salgueiro quando o sétimo dia de Sucot cairia num Shabat).

04A muda segundo a regra de dez, e a árvore velha segundo a regra de três
Yerushalmi · Sheviit 1:5
תַּנֵּי נְטִיעָה מֵעֵין עֶשֶׂר וּזְקֵינָה מֵעֵין שָׁלֹשׁ. אִתָא חֲמֵי נְטִיעָה שֶׁהִיא נִרְאֵית כִּזְקֵינָה אַתְּ נוֹתֵן לָהּ כִּזְקֵינָה וְאַתְּ אָמַר נְטִיעָה מֵעֵין עֶשֶׂר. אָמַר רִבִּי חוּנָה מַהוּ מֵעֵין עֶשֶׂר שֶׁאֵין נְטִיעָה מֵעֵין שָׁלֹשׁ. שֶׁלֹּא תֹאמַר שָׁלֹשׁ נְטִיעוֹת שֶׁהֵן עוֹשׂוֹת כְּעֶשֶׂר שֶׁאֵינָן עוֹשׂוֹת. וְדִכְוָותָהּ שָׁלֹשׁ זְקֵינוֹת שֶׁהֵן עוֹשׂוֹת כְּעֶשֶׂר שֶׁאֵינָן עוֹשׂוֹת לְפוּם כֵּן צָרִיךְ מֵימַר נְטִיעָה מֵעֵין עֶשֶׂר.

Foi ensinado: "uma muda segundo a regra de dez, e uma árvore velha segundo a regra de três." Vem e vê: uma muda que aparenta ser uma árvore velha (por já produzir frutos como uma árvore adulta), tu a tratas como árvore velha — e ainda dizes "uma muda segundo a regra de dez"?

Disse Rabi Chuná: o que significa "segundo a regra de dez"? Que a muda não segue a regra de três. Para que não digas: três mudas que produzem (frutos como árvore adulta) são como dez que não produzem (e por isso passariam a seguir a regra de três); e de modo semelhante, três árvores velhas que produzem (pouco, como uma muda) são como dez que não produzem (e passariam a seguir a regra de dez) — por isso é necessário dizer "uma muda segundo a regra de dez" (isto é, mesmo a muda que já produz permanece sob a regra de dez, e não passa a ser tratada pela regra de três reservada às árvores velhas).

05O campo de canas julgado como campo de cereal, e a objeção a partir de Shmuel
Yerushalmi · Sheviit 1:5
שְׂדֵה קָנִים נִידּוֹנוֹת כִּשְׂדֵה תְבוּאָה. רִבִּי אַבָּהוּ בְשֵׁם רִבִּי יוֹסֵה בַּר חֲנִינָה בְּסָאתִים שָׁנוּ. לֵית הָדָא פְלִיגָא עַל שְׁמוּאֵל דִּשְׁמוּאֵל אָמַר בַּעֲשׂוּיִין שׁוּרָה. תַּמָּן עַל יְדֵי שֶׁהֵן מְפוּזָּרוֹת בְּתוֹךְ בֵּית סְאָה אַתְּ רוֹאֶה אוֹתָהּ כְּאִילּוּ מְלֵאָה בְּרַם הָכָא כּוּלָּן נְתוּנִין בְּמָקוֹם אֶחָד.

"Um campo de canas é julgado como um campo de cereal" (isto é, pode-se lavrar por sua causa somente até a Páscoa, e não até Rosh Hashaná, como no caso das árvores). Disse Rabi Abahu, em nome de Rabi Yossê bar Chanina: isso foi ensinado a respeito de canas dispersas (plantadas de modo espalhado, e não em fileira).

Acaso isso não contradiz Shmuel? Pois Shmuel disse que a regra vale mesmo quando (as árvores) estão dispostas em fileira. Ali (no caso de Shmuel, sobre as três árvores), por estarem espalhadas dentro do bet-seá, tu consideras o bet-seá como se estivesse cheio delas; mas aqui (no caso das canas), todas estão colocadas num só lugar (e por isso não se aplica a mesma leniência).

Nota

Esta é a quinta halachá de Massechet Sheviit, abrindo uma nova Mishná: dez mudas espalhadas dentro de um bet-seá — lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas, até Rosh Hashaná; mas se estavam dispostas em fileira, ou cercadas por uma auréola, não se lavra por causa delas senão o que lhes é necessário.

A guemará desenvolve um longo excurso a partir da menção às dez mudas: se o salgueiro de Sucot e a libação da água no altar são halachá dada a Moisés no Sinai — contra Abá Shaul e Rabi Akivá, que os tratam como palavra da própria Torá —, traz a pergunta de Rabi Chiya bar Abá sobre por que ainda se lavra por causa de árvores velhas mesmo sem o Templo em pé, e a posição de Rabi Abá bar Zavdi de que essas três instituições vêm dos primeiros profetas, harmonizada por Rabi Yossei bei Rabi Bun com a origem sinaítica. Rabi Yochanan aponta dois costumes trazidos da Babilônia por Rabi Chiya bar Vá. Fecha esclarecendo a diferença entre a regra de dez, aplicada às mudas, e a regra de três, aplicada às árvores velhas, e comparando o campo de canas ao campo de cereal, com a objeção a partir da opinião de Shmuel sobre árvores dispostas em fileira.