Quarta halachá do Perek Dalet de Massechet Sheviit: a Mishná ensina as regras de "desbastar" oliveiras — a Casa de Shamai diz que se deve cortá-las rente, a Casa de Hilel diz que se deve desenraizá-las, mas ambas concordam que quem "aplaina" deve apenas cortar rente; define "desbastar" como tirar uma ou duas árvores, e "aplainar" como tirar três seguidas, uma ao lado da outra, distinguindo ainda entre o próprio campo e o campo do próximo. Ensina também que quem derruba oliveiras ou o tronco de um sicômoro não deve cobrir o toco com terra, mas com pedras ou palha; que não se corta o sicômoro virgem no ano sabático, por ser trabalho agrícola, exceto na forma que Rabi Yehuda permite — cortando acima de dez palmos, ou rente ao chão. A guemará esclarece o que é "desbastar", discutindo se se tira uma árvore e deixam-se duas, ou se tiram duas e deixa-se uma, e distinguindo desbastar pela primeira vez de desbastar quando já se desbastou antes. Traz o ensino de que não se acende fogo em canaviais, por ser trabalho agrícola, mas Rabán Shimon ben Gamliel permite, e o mesmo permite plantar árvore estéril e ensinar a vaca a lavrar mesmo no campo do próximo, contanto que não se faça sulco reto. Traz o ensino de Abba Shaul sobre limpar bosques, cortando rente ao chão sem machado; sobre testar sementes em vaso com esterco, mas não com terra; sobre manter o aloé no telhado sem regá-lo; e sobre pendurar um ramo de figos bravos numa figueira, dizendo-lhe "esta produziu, e tu não produziste", comparando com o costume de pintar de vermelho e carregar de pedras a árvore que deixa cair seus frutos, para envergonhá-la a produzir. Fecha proibindo enxertar tamareiras, por ser trabalho agrícola, e esclarecendo que a mishná fala de três até nove árvores.
Mishná: Aquele que desbasta oliveiras — a Casa de Shamai diz: que corte rente; e a Casa de Hilel diz: que desenraíze. Mas concordam quanto ao que "aplaina", que apenas corte rente. E o que é "desbastar"? Uma ou duas árvores. "Aplainar" é três, uma ao lado da outra. Quando isso foi dito? A partir do próprio campo. Mas a partir do campo do próximo, mesmo quem aplaina deve desenraizar.
Aquele que derruba oliveiras não deve cobrir o toco com terra, mas cobre-o com pedras ou com palha. Aquele que corta o tronco de um sicômoro não deve cobrir o toco com terra, mas cobre-o com pedras ou com palha. Não se corta o sicômoro virgem no ano sabático, porque isso é trabalho agrícola. Rabi Yehuda diz: da forma costumeira é proibido; mas ou se corta acima de dez palmos, ou se decepa rente ao chão.
Halachá: (Citando a Mishná:) "Aquele que desbasta oliveiras..." etc. O que é "desbastar"? Tira uma árvore e deixa duas, ou tira duas e deixa uma? Ensinaram na escola de Rabi: tira uma e deixa duas. Mas não ensinamos: "aquele que aplaina entre as videiras, três, uma ao lado da outra"? Eis que "desbastar", então, é tirar duas e deixar uma. Disse Rabi Yoná: a mishná fala de desbastar pela primeira vez; e o que ensinaram na escola de Rabi fala de quando já se desbastou antes.
Halachá: Não se ateia fogo num canavial, porque isso é trabalho agrícola. Rabán Shimon ben Gamliel permite. E também dizia Rabán Shimon ben Gamliel: planta-se árvore estéril no ano sabático. E não se ensina a vaca a lavrar senão em terreno de areia; Rabán Shimon ben Gamliel diz: é permitido mesmo dentro do campo do próximo, contanto que não se faça o sulco reto.
Halachá: Ensinaram: Abba Shaul diz: limpa-se em bosques, decepando rente ao chão, contanto que não se corte com machado. Não se testam as sementes na terra, num vaso, mas testam-se em esterco, num vaso; e as deixam de molho no ano sabático para depois do ano sabático; e mantém-se o aloé no topo do telhado, mas não se rega. Não se pendura um ramo de figos bravos numa figueira. Como se faz? Traz-se um ramo de figos bravos, amarra-se, pendura-se nela, e diz-se a ela: "esta produziu, e tu não produziste?" E não foi assim que se ensinou: "a árvore que deixa cair seus frutos, pinta-se com tinta vermelha, carrega-se com pedras, e a envergonham para que produza"? Disseram: ali é para que ela não solte seus frutos; aqui é para que ela comece a produzir.
Halachá: Não se enxertam tamareiras, porque isso é trabalho agrícola. Para que não digas: já que ela pode produzir mesmo assim, isso é permitido — por isso é necessário dizer: é proibido.
De três até nove árvores fala a mishná.
A Mishná desta halachá ensina as regras de "desbastar" oliveiras: a Casa de Shamai diz que se deve cortá-las rente ao chão, deixando a raiz, e a Casa de Hilel diz que se deve desenraizá-las; mas ambas concordam que quem "aplaina" — remove três árvores seguidas, uma ao lado da outra — deve apenas cortar rente, nunca desenraizar, ao passo que "desbastar" é remover apenas uma ou duas árvores. A distinção entre o próprio campo e o campo do próximo também se aplica: no próprio campo o que aplaina pode cortar rente, mas no campo do próximo mesmo quem aplaina deve desenraizar. Ensina ainda que quem derruba oliveiras ou o tronco de um sicômoro não deve cobrir o toco com terra — o que estimularia novo crescimento, trabalho vedado no ano sabático — mas pode cobri-lo com pedras ou palha; e que não se corta o sicômoro virgem, salvo na forma restrita que Rabi Yehuda permite.
A guemará começa esclarecendo o próprio sentido de "desbastar": se significa tirar uma árvore e deixar duas, ou tirar duas e deixar uma, concluindo, a partir da definição paralela de "aplainar" nas videiras, que desbastar é remover duas e deixar uma — e que a diferença entre o ensino da mishná e o da escola de Rabi está em desbastar pela primeira vez ou desbastar quando a oliveira já havia sido desbastada antes. Discute em seguida outros trabalhos agrícolas vedados no ano sabático que Rabán Shimon ben Gamliel permite em certas condições: acender fogo em canaviais, plantar árvore estéril, e ensinar a vaca a lavrar mesmo no campo do próximo, contanto que não se trace um sulco reto, o que daria à ação a aparência de lavoura profissional. Traz o ensino de Abba Shaul sobre limpar bosques sem usar machado, sobre testar a germinação de sementes em esterco num vaso, mas não em terra, sobre manter o aloé no telhado sem regá-lo, e sobre o costume de pendurar um ramo de figos bravos numa figueira cultivada, dizendo-lhe que o ramo bravo produziu e ela não — prática comparada à de pintar de vermelho e sobrecarregar de pedras a árvore que deixa cair seus frutos antes do tempo, para envergonhá-la a produzir; a guemará distingue os dois casos, notando que num se busca impedir a queda dos frutos, e no outro, provocar a primeira produção. Fecha proibindo enxertar tamareiras, esclarecendo que a permissão não decorre do fato de a árvore ainda poder produzir por si mesma, e concluindo que a medida de "três a nove" árvores refere-se ao ensino da mishná sobre o desbaste e o aplainamento.