Primeira halachá do Perek Heh de Massechet Sheviit: a Mishná ensina que o ano sabático das bnot shuach (figueiras brancas) é tratado como o segundo ano do ciclo, pois seus frutos só amadurecem completamente depois de três anos. Rabi Yehuda diz que o ano sabático das figueiras persas é tratado como o pós-sabático, pois elas amadurecem em dois anos — ao que lhe responderam que isso só foi dito das bnot shuach. A guemará identifica as bnot shuach como os figos "pedregosos" e discute se produzem todo ano ou uma vez a cada três, concluindo que produzem todo ano mas amadurecem só depois de três, com os sinais dados por Rabi Yona e por Shmuel para saber quando o fruto começou a se formar; traz o ensino de Rabán Shimon ben Gamliel sobre a árvore que floresce antes ou depois do dia quinze de Shevat, a ressalva de Rabi Nechemia de que isso vale apenas para árvores de duas colheitas anuais, e a objeção de Rabi Shimon a Rabi Yochanan sobre as alfarrobeiras e as bnot shuach, resolvida por Rabi Bun bar Cahana; apresenta a disputa babilônica sobre o Rosh Hashaná do mundo como marco, a objeção de Rabi Yudan bar Pelaya sobre as alfarrobeiras, a opinião de Rabi Yasa sobre o terço de maturação e a objeção de Rabi Zeira sobre os anos tardios, a comparação com o etrog, e o ensino sobre as fases de crescimento do figo segundo Rabán Shimon ben Gamliel e Rebbi; e fecha com a réplica de Rabi Yehuda de que, em Tiveria, as figueiras persas produzem num só ano, mas em Tzipori precisam de dois.
Mishná: As bnot shuach (figueiras brancas): o ano sabático delas é (tratado como) o segundo (ano do ciclo), pois elas amadurecem em três anos. Rabi Yehuda diz: as (figueiras) persas — o ano sabático delas é (tratado como) o pós-sabático, pois elas amadurecem em dois anos. Disseram-lhe: não disseram isso senão das bnot shuach.
Halachá: "Bnot shuach..." etc. O que são as bnot shuach? (Figos) "pedregosos". (Pergunta-se:) produzem (fruto) a cada ano, ou apenas uma vez a cada três anos? Produzem a cada ano, mas seus frutos só amadurecem completamente depois de três anos. Como se sabe (quando o fruto começou a se formar)? Disse Rabi Yona: desde que se amarre um fio nele. Foi ensinado, (em nome de) Shmuel: espeta-se lascas de madeira neles.
Halachá: Foi ensinado, Rabán Shimon ben Gamliel diz: uma árvore que floresceu antes do dia quinze de Shevat é dizimada para o ano anterior; depois do dia quinze de Shevat, é dizimada para o ano seguinte. Foi ensinado, disse Rabi Nechemia: a que se referem essas palavras? A uma árvore que produz duas eiras (duas colheitas completas) por ano. Mas uma árvore que produz apenas uma eira por ano — como as oliveiras, as tamareiras e as alfarrobeiras — ainda que tenham florescido antes desse momento, pertencem ao ano seguinte. Disse Rabi Yochanan: praticaram, quanto às alfarrobeiras, conforme Rabi Nechemia. Objetou Rabi Shimon diante de Rabi Yochanan: e não aprendemos que "o ano sabático das bnot shuach é (tratado como) o segundo, pois elas amadurecem em três anos"? Segundo o teu raciocínio, o que produziram no ano sabático deveria (continuar a ser considerado) sabático! E ele aceitou (a objeção) dele. Disse Rabi Bun bar Cahana: e eu me admiro de como Rabi Shimon pôde objetar diante de Rabi Yochanan, e ele aceitou dele. Ele poderia ter-lhe respondido: eu falo das alfarrobeiras, e tu falas das bnot shuach; eu falo de costume, e tu falas de halachá; eu falo de Rabi Nechemia, e tu falas dos sábios (a opinião anônima da Mishná)! Mas, na verdade, é a mesma coisa: as alfarrobeiras são as bnot shuach, o costume é a halachá, Rabi Nechemia são os sábios.
Halachá: Lá (na Babilônia) dizem: uma árvore que floresceu antes do Rosh Hashaná do mundo (o primeiro de Tishrei) é dizimada para o ano anterior; depois do Rosh Hashaná do mundo, é dizimada para o ano seguinte. Objetou Rabi Yudan bar Pelaya diante de Rabi Yona: mas eis as alfarrobeiras — elas florescem antes do Rosh Hashaná do mundo, e ainda assim são dizimadas para o ano seguinte! (Ele) não tinha ouvido o que disse Rabi Chinena bar Papa: nas alfarrobeiras, o seu pendurar em cacho é a sua formação de fruto.
Halachá: Disse Rabi Yasa: se (o fruto) trouxe um terço (de sua maturação) antes do Rosh Hashaná do mundo, é dizimado para o ano anterior; depois do Rosh Hashaná do mundo, é dizimado para o ano seguinte. Objetou Rabi Zeira diante de Rabi Yasa: há vezes em que os anos são tardios (o Rosh Hashaná cai cedo no ano solar), e as tamareiras lançam seiva depois do Rosh Hashaná do mundo, e ainda assim são dizimadas para o ano anterior! Disse Rabi Zeira: não foi de seu próprio entendimento que Rabi Yasa disse essa coisa, mas a partir daquilo que Rabi Yochanan (disse) em nome de Rabi Shimon ben Lakish. Rabi Yaakov bar Acha, em nome de Shmuel bar Aba: se (o fruto) trouxe um terço antes do dia quinze de Shevat, é dizimado para o ano anterior; depois do dia quinze de Shevat, é dizimado para o ano seguinte. Disse Rabi Zeira: e está certo — eis o etrog: eliminou-se, quanto a ele, a sua formação de fruto, mas não o seu ano (sua tributação segue o ano da colheita, e não o da formação do fruto); e aqui (quanto às demais árvores), eliminou-se o seu ano, mas não a sua formação de fruto.
Halachá: Rabi Bun bar Chiya perguntou diante de Rabi Zeira: então, (segundo essa lógica), o primeiro terço (do tempo de amadurecimento conta) para o ano anterior, e o segundo terço para o ano seguinte? Disse-lhe: o primeiro terço é lento para vir (demora a se formar); a partir do momento em que vem, cresce depressa. Disse Rabi Ba: Rabi Zeira aprendeu isso de um meeiro experiente. Disse Shmuel: sessenta dias para seis folhas, seis dias para sessenta folhas. Foi ensinado, Rabán Shimon ben Gamliel diz: do aparecimento das folhas até os pagim (figos verdes, ainda não maduros), cinquenta dias; dos pagim até os shitin novalot (figos que murcham e caem antes de amadurecer), cinquenta dias; dos shitin novalot até os figos (maduros), cinquenta dias. Rebbi diz: todos eles, quarenta dias cada. (Se alguém) colheu uma figueira e não sabe quando ela floresceu, disse Rabi Yona: conta-se cem dias para trás; se o dia quinze de Shevat cair dentro deles, ele sabe quando ela floresceu.
Halachá: Disseram-lhe (a Rabi Yehuda, sobre as figueiras persas): mas eis que, contigo, em Tiveria, elas produzem num só ano! Disse-lhes: mas eis que, convosco, em Tzipori, elas produzem em dois anos!
Esta é a primeira halachá do Perek Heh de Massechet Sheviit, que abre um novo tema dentro do tratado: depois de o Perek Dalet tratar da recolha de lenha, pedras e ervas e de quando não se corta mais a árvore, o Perek Heh volta-se para a questão de a que ano do ciclo sabático se atribui o fruto de árvores cujo amadurecimento se estende por mais de um ano. A Mishná ensina que o ano sabático das bnot shuach (figueiras brancas) é tratado como o segundo ano do ciclo, pois seus frutos só amadurecem completamente depois de três anos; Rabi Yehuda diz que o ano sabático das figueiras persas é tratado como o pós-sabático, pois amadurecem em dois anos — mas responderam-lhe que essa regra especial só foi dita a respeito das bnot shuach.
A guemará identifica as bnot shuach como os figos "pedregosos" e esclarece que produzem fruto todo ano, mas que esse fruto só amadurece por completo depois de três anos, com os sinais dados por Rabi Yona (amarrar um fio) e por Shmuel (espetar lascas de madeira) para saber quando cada fruto começou a se formar. Traz o ensino de Rabán Shimon ben Gamliel de que a árvore que floresce antes do dia quinze de Shevat é dizimada para o ano anterior, e depois dessa data, para o ano seguinte, com a ressalva de Rabi Nechemia de que isso vale apenas para árvores de duas colheitas por ano, e não para as de colheita única, como oliveiras, tamareiras e alfarrobeiras. Relata a objeção de Rabi Shimon a Rabi Yochanan, que praticava conforme Rabi Nechemia quanto às alfarrobeiras, e a resolução de Rabi Bun bar Cahana, mostrando que alfarrobeiras e bnot shuach, costume e halachá, Rabi Nechemia e os sábios anônimos da Mishná, tratam-se da mesma regra. Apresenta a tradição babilônica, que toma o Rosh Hashaná do mundo como marco em vez do dia quinze de Shevat, a objeção de Rabi Yudan bar Pelaya sobre as alfarrobeiras e a resposta de que seu pendurar em cacho já conta como formação de fruto; a opinião de Rabi Yasa sobre o terço de maturação como critério, a objeção de Rabi Zeira sobre os anos tardios, e a comparação com o etrog, cuja tributação segue o ano da colheita e não o da formação do fruto — o inverso das demais árvores. Fecha com a pergunta de Rabi Bun bar Chiya sobre se os dois primeiros terços do amadurecimento se dividiriam entre os dois anos, respondida com a explicação de que o primeiro terço é lento e o restante cresce depressa, o ensino de Rabán Shimon ben Gamliel e de Rebbi sobre as fases sucessivas de crescimento do figo, o método de Rabi Yona para descobrir retroativamente a data de floração, e a réplica final de Rabi Yehuda de que, em Tiveria, as figueiras persas produzem num só ano, mas em Tzipori precisam de dois — mantendo, assim, em aberto a disputa da Mishná entre as diferentes localidades.
Com esta halachá, abre-se o Perek Heh de Massechet Sheviit, que tem quatro halachot no total.