Terceira e última halachá do Perek Bet de Massechet Terumot — capítulo com três halachot no total. A Mishná ensina que se separa azeitonas de azeite como teruma (a porção da colheita separada para o cohen) sobre azeitonas de conserva, mas não azeitonas de conserva sobre azeitonas de azeite; que se separa vinho não cozido sobre o cozido, mas não do cozido sobre o não cozido. Esta é a regra: tudo que é kilaim (mistura proibida de espécies) com seu companheiro não se separa de um sobre o outro, mesmo do melhor sobre o pior; e tudo que não é kilaim com seu companheiro separa-se do melhor sobre o pior, mas não do pior sobre o melhor — e se separou do pior sobre o melhor, sua teruma é teruma, exceto o joio sobre o trigo, porque não é alimento. E o pepino e o melão são uma só espécie; Rabi Yehuda diz: duas espécies. A guemará traz o ensinamento de Rabi Yochanan de que a Mishná segue a opinião de Rabi Yehuda, a disputa entre Rabi Yochanan e Rabi Elazar sobre se a posição de Rabi Yehuda se inverte, e a razão entre reduzir o número de bebedores ou o volume, segundo Rabi Yehuda ben Rabi Imi em nome de Reish Lakish, com uma baraita discordante negada por Rabi Imi. Traz o ensinamento de Rabi Bun bar Cahana em nome de Rabi Hila sobre o versículo de Bamidbar 18:32, de que o que foi feito é válido, e a conclusão de que algo que é alimento é permitido. Segue com o ensinamento de que a Mishná sobre vinho e vinagre é de Rabi Yishmael bei Rabi Yosei em nome de seu pai, a posição contrária de Rabi de que são duas espécies, e a leitura de Rabi Yehoshua ben Levi sobre a concordância de Rabi quanto à lei bíblica. Fecha com a disputa sobre pepino e melão, confirmando que Rabi Yehuda e os sábios seguem, cada um, sua própria opinião já conhecida da Mishná de Kilayim 1:2. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Bet de Massechet Terumot.
Mishná: E separa-se azeitonas de azeite como teruma sobre azeitonas de conserva, mas não azeitonas de conserva sobre azeitonas de azeite. E vinho não cozido sobre o cozido, mas não do cozido sobre o não cozido. Esta é a regra: tudo que é kilaim com seu companheiro não se separa de um sobre o outro, mesmo do melhor sobre o pior.
E tudo que não é kilaim com seu companheiro separa-se do melhor sobre o pior, mas não do pior sobre o melhor; e se separou do pior sobre o melhor, sua teruma é teruma — exceto o joio (zunim — uma planta parecida com o trigo, mas cujos grãos não são comestíveis) sobre o trigo, porque não é alimento. E o pepino (kishut) e o melão (melafefon) são uma só espécie. Rabi Yehuda diz: duas espécies.
Halachá: Disse Rabi Yochanan: esta Mishná é a opinião de Rabi Yehuda — pois ensinamos alhures (Mishná 11:1): "Rabi Yehuda permite, porque isso o aperfeiçoa" (referindo-se a não se cozinhar o vinho de teruma, porque isso diminui seu volume, exceto segundo Rabi Yehuda, que permite, por considerar que cozinhar o aperfeiçoa). E disse Rabi Yochanan: a posição de Rabi Yehuda se inverte (entre esta halachá e a Mishná 11:1, pois aqui ele aceitaria a proibição de dar vinho cozido em lugar do não cozido, mas ali permite cozinhar o próprio vinho de teruma). Rabi Elazar disse: ela não se inverte; ali trata-se do cohen, e aqui dos donos (o cohen pode fazer o que quiser com seu próprio vinho de teruma já recebido, mas o proprietário, ao separar a teruma, deve seguir a regra geral).
Rabi Elazar e Rabi Yochanan — um disse: porque isso reduz o número de seus bebedores; e o outro disse: porque isso diminui seu volume — e não sabemos quem disse isto, e quem disse aquilo. A partir do que disse Rabi Yochanan, que a posição de Rabi Yehuda se inverte, e do que disse Rabi Elazar, que ela não se inverte, pois ali trata-se do cohen e aqui dos donos, segue-se que é Rabi Yochanan quem disse: porque isso reduz o número de seus bebedores (pois só essa razão explicaria por que o caso do cohen, que bebe sozinho, seria diferente do caso do proprietário, que vende a muitos). Rabi Yehuda ben Rabi Imi em nome de Reish Lakish: porque isso reduz o número de seus bebedores.
Uma baraita discorda de Rabi Yochanan: "mesmo é permitido separar do não cozido sobre o cozido, e tanto mais do cozido sobre o não cozido" (contrariando a Mishná, que proíbe justamente o inverso). Disse Rabi Imi: Rabi Yochanan não ensinou essa baraita, isto é, ela não é confiável.
Halachá: Disse Rabi Bun bar Cahana em nome de Rabi Hila: "e não carregareis pecado por causa disso" (Bamidbar 18:32, referindo-se a separar do pior sobre o melhor) — a partir do fato de que ele está sujeito a carregar pecado por essa separação, sabes que o que ele fez é válido (pois só se pode falar em "pecado" quanto a algo que, de fato, se realizou como teruma; caso contrário, não haveria transgressão alguma a carregar). Eis que isto vale apenas para algo que é alimento que é permitido, mas não para o joio, que a Mishná excetua por não ser alimento.
Halachá: Nossa Mishná (o princípio de que se separa do melhor sobre o pior, mas não do pior sobre o melhor) é a opinião de Rabi Yishmael bei Rabi Yosei. Pois disse Rabi Yishmael bei Rabi Yosei, em nome de seu pai: separa-se teruma do vinho sobre o vinagre, mas não do vinagre sobre o vinho (pois o vinho é o melhor, e o vinagre, o pior). Se transgrediu e separou do vinagre sobre o vinho, sua teruma é teruma. Rabi diz: vinho e vinagre são duas espécies; não se separa nem se dizima de um sobre o outro de modo algum, em nenhuma direção, por serem espécies distintas e não apenas melhor e pior da mesma espécie.
Disse Rabi Yehoshua ben Levi: é razoável que Rabi concordaria quanto à lei bíblica (de'oraita — isto é, que por lei da Torá seria de fato permitido separar do vinho sobre o vinagre, sendo a proibição de Rabi apenas de instituição rabínica). Qual é a razão de Rabi para proibir mesmo assim? Que, se disseres assim — que é permitido separar do vinho sobre o vinagre —, ele quem ouvir isso também pensará dizer que é permitido separar vinagre sobre o vinho (temendo que a permissão de uma direção leve à confusão com a outra, Rabi proíbe ambas).
Halachá: "O pepino e o melão são uma só espécie. Rabi Yehuda diz: duas espécies." Rabi Yehuda segue sua própria opinião, e os sábios seguem a sua, pois ensinamos ali (Mishná Kilayim 1:2): "o pepino e o melão não são kilaim um com o outro. Rabi Yehuda diz: são kilaim" (a mesma disputa entre Rabi Yehuda e os sábios sobre se pepino e melão são a mesma espécie ou duas espécies distintas já aparece ali, e aqui apenas se aplica ao caso da teruma).
Esta é a terceira e última halachá do Perek Bet de Massechet Terumot. A Mishná ensina que se separa azeitonas de azeite como teruma sobre azeitonas de conserva, mas não o inverso; que se separa vinho não cozido sobre o cozido, mas não o inverso; a regra geral de que tudo que é kilaim com seu companheiro não se separa de um sobre o outro, mesmo do melhor sobre o pior, e tudo que não é kilaim separa-se do melhor sobre o pior, mas não do pior sobre o melhor — e se assim se fez, a teruma é válida, exceto o joio sobre o trigo, por não ser alimento; e que o pepino e o melão são uma só espécie, segundo Rabi Yehuda, duas espécies.
A guemará traz o ensinamento de Rabi Yochanan de que a Mishná segue a opinião de Rabi Yehuda, a disputa entre Rabi Yochanan e Rabi Elazar sobre se a posição de Rabi Yehuda se inverte, e a razão entre reduzir o número de bebedores ou o volume, segundo Rabi Yehuda ben Rabi Imi em nome de Reish Lakish, com uma baraita discordante negada por Rabi Imi. Traz o ensinamento de Rabi Bun bar Cahana em nome de Rabi Hila sobre o versículo de Bamidbar 18:32, de que o que foi feito é válido, e a conclusão de que algo que é alimento é permitido. Segue com o ensinamento de que a Mishná sobre vinho e vinagre é de Rabi Yishmael bei Rabi Yosei em nome de seu pai, a posição contrária de Rabi de que são duas espécies, e a leitura de Rabi Yehoshua ben Levi sobre a concordância de Rabi quanto à lei bíblica. E fecha com a disputa sobre pepino e melão, confirmando que Rabi Yehuda e os sábios seguem, cada um, sua própria opinião já conhecida da Mishná de Kilayim 1:2. Esta halachá trata de regras técnicas sobre kilaim e sobre a prioridade entre o melhor e o pior produto na separação da teruma, sem paralelo temático genuíno no Talmud Bavli, Massechet Shabat.
Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Bet de Massechet Terumot.