Segunda halachá do Perek Guimel de Massechet Terumot. A Mishná ensina que, quando sócios separam teruma (a porção da colheita separada para o cohen) um após o outro (sem designar quem faria a separação por todos), Rabi Akiva diz que a teruma de ambos é teruma; mas os sábios dizem que somente a teruma do primeiro é teruma. Rabi Yosei diz: se o primeiro separou na medida devida, a teruma do segundo não é teruma; mas se o primeiro não separou na medida devida, a teruma do segundo é teruma. Isso vale quando nenhum deles disse nada; mas se um sócio autorizou um membro de sua casa, seu escravo, ou sua escrava a separar teruma, a teruma deles é teruma. Se ele revogou essa autorização — revogando antes de a teruma ser separada, sua teruma não é teruma; mas se revogou depois de a teruma ser separada, sua teruma é teruma. Os trabalhadores não têm autorização para separar teruma, exceto os que pisam as uvas (no lagar), porque eles tornam impuro o lagar. A guemará pergunta sobre o que exatamente Rabi Akiva e os sábios discordam — se, ao ficarem em silêncio, os sócios se designam um ao outro como representante —, e, na opinião de Rabi Akiva, como se divide o se'ah (medida) do primeiro e do segundo entre tevel (produto ainda não dizimado) e teruma; traz o caso de Ariston, que trouxe frutos, deixou parte no saco e separou teruma, levado diante de Rabi Yosei. Discute o que é a "medida devida" de que fala Rabi Yosei — a medida da Torá, ou a medida fixada pelos colegas —, e se a Mishná, ao permitir a revogação por palavras, discorda do ensinamento de Reish Lakish de que ninguém revoga sua designação de representante por meras palavras. Traz o ensinamento de Rabi Yochanan de que o lagar se torna impuro assim que se pisam as uvas em cruz, a contradição aparente com o ensinamento sobre os trabalhadores que separam teruma do poço, e a distinção entre vinho e azeite quanto à frequência da impureza. Traz a disputa entre a Casa de Shamai e a Casa de Hilel sobre quando se separa teruma das uvas e quando o poço se torna impuro, com as posições de Rabi Yosei, Rabi Shimon e os sábios; o ensinamento correspondente sobre as azeitonas — se a teruma é separada quando são moídas ou quando são colocadas sob o peso da prensa —, com a distinção de Rabi Chiya bar Ada entre a frequência da impureza no vinho e no azeite; e fecha com o ensinamento de Rabi Yosei bei Rabi Yehuda sobre pisar azeitonas sob a pedra, e a resposta de que as uvas são macias e soltam o vinho, enquanto as azeitonas são duras e não soltam o azeite. Massechet Terumot tem onze perakim; o Perek Guimel tem cinco halachot ao todo.
Mishná: Sócios que separaram teruma um após o outro (sem que um designasse o outro para separar em nome de ambos): Rabi Akiva diz que a teruma de ambos é teruma; mas os sábios dizem que a teruma do primeiro é teruma. Rabi Yosei diz: se o primeiro separou na medida devida, a teruma do segundo não é teruma; e se o primeiro não separou na medida devida, a teruma do segundo é teruma.
Em que caso se disse isto? Quando ele não falou nada. Mas se ele autorizou um membro de sua casa, seu escravo, ou sua escrava a separar teruma em seu nome, a teruma deles é teruma. Se ele revogou essa autorização — se revogou antes de a teruma ser separada, sua teruma não é teruma; mas se revogou depois de a teruma ser separada, sua teruma é teruma. Os trabalhadores não têm autorização para separar teruma, exceto os que pisam as uvas (no lagar), porque eles tornam impuro o lagar.
Halachá: Sobre o que estamos tratando (na disputa da Mishná entre Rabi Akiva e os sábios)? Se eles se designaram expressamente um ao outro como representante, até Rabi Akiva concorda (que só a teruma de um deles é válida); e se eles expressamente não se designaram, também os sábios concordam (que a teruma de ambos é válida). Mas estamos tratando de quando ficaram em silêncio (sem declarar nada a respeito). Rabi Akiva diz: quando ficam em silêncio, não se consideram designados um ao outro; e os sábios dizem: quando ficam em silêncio, consideram-se designados um ao outro.
Halachá: Na opinião de Rabi Akiva (segundo a qual a teruma de ambos é teruma), o se'ah (medida) do primeiro é metade tevel (produto ainda não dizimado) e metade teruma ainda sujeita aos dízimos; o se'ah do segundo é metade teruma e metade tevel total, sujeita a tudo (dízimos e teruma, pois depois dele não vem mais teruma). Não é necessário dizer isto: acaso a metade do se'ah do segundo isenta a metade do se'ah do primeiro (dos dízimos, unindo-se as duas metades)?
Ouçamos isto do seguinte caso: Ariston trouxe frutos, deixou parte deles dentro do saco, e separou teruma. O caso veio diante de Rabi Yosei, e ele disse: há uma presunção de que ele separou teruma sobre tudo (inclusive o que ficou no saco, pois todos costumam ter em mente separar sobre a totalidade do que possuem).
Halachá: O que é a "medida devida" (de que fala Rabi Yosei na Mishná) — a medida da Torá (um grão bastaria para todo o monte), ou a medida fixada por seus colegas (a medida rabínica costumeira de teruma)? Se a tomares como a medida da Torá, Rabi Yosei não estaria de acordo com os sábios. Se a tomares como a medida fixada por seus colegas, Rabi Yosei está de acordo com os sábios.
Halachá: E não discorda isto (o ensinamento da Mishná, de que a revogação da autorização antes da separação a invalida) do que disse Reish Lakish? Pois Reish Lakish disse: ninguém revoga sua designação de representante por meras palavras. Explica-se a Mishná: trata-se de quando ele lhe disse "vai e fixa a teruma ao norte", e ele foi e fixou ao sul (desviando-se da instrução, o que por si só encerra a designação, sem que seja preciso revogá-la por palavras).
Halachá: Disse Rabi Yochanan: as pisas (de uvas no lagar), assim que se andou sobre elas de um lado a outro (em cruz), tornam impuro o poço (do lagar) imediatamente (pois o suco que escorre delas já as prepara para receber impureza). Mas não se ensinou: os trabalhadores que separaram teruma do poço, sua teruma não é teruma (implicando que o poço ainda não estava impuro); e se o poço era pequeno, ou se os donos, ou outros, o agitavam, a teruma deles é teruma, porque outros o agitavam — eis que, se outros não o agitavam, sua teruma não seria teruma (contradizendo o que disse Rabi Yochanan, de que o poço já estaria impuro desde que se pisaram as uvas em cruz)?
O que é isto (como se resolve a contradição)? Aqui trata-se de vinho, e ali trata-se de azeite. Mas não são o vinho e o azeite a mesma coisa? A impureza do vinho é frequente; a impureza do azeite não é frequente (por isso os trabalhadores que lidam com azeite não têm autorização para separar teruma antes de o poço estar certamente impuro).
Halachá: Ensinou-se: a partir de quando se separa teruma das uvas? A partir de quando se andou sobre elas de um lado a outro (em cruz). A partir de quando se torna o poço impuro por elas? A Casa de Shamai diz: a partir de quando se retira o segundo dízimo. E a Casa de Hilel diz: a partir de quando se retira o primeiro dízimo. Disse Rabi Yosei: a halachá é conforme a Casa de Shamai, mas a maioria costuma agir conforme a Casa de Hilel.
Disse Rabi Shimon: as palavras da Casa de Shamai parecem corretas no tempo do Templo, e as palavras da Casa de Hilel, no tempo presente. Mas os sábios dizem: nem conforme as palavras deste, nem conforme as palavras daquele; mas retira-se a teruma e a teruma do dízimo, e torna-se o poço impuro imediatamente.
Halachá: A partir de quando se separa teruma das azeitonas? Há tanaítas que ensinam: a partir de quando forem moídas. E há tanaítas que ensinam: a partir de quando forem colocadas sob o peso (da prensa). Está bem segundo quem diz "a partir de quando forem colocadas sob o peso". Mas segundo quem diz "a partir de quando forem moídas" — não disse assim Rabi Yochanan, que as pisas, assim que se andou sobre elas de um lado a outro, tornam impuro o poço imediatamente (e as azeitonas moídas já teriam liberado líquido antes de serem prensadas, o que deveria bastar para permitir a teruma já ali)?
Mas aqui trata-se de vinho, e ali trata-se de azeite. Mas não são o vinho e o azeite a mesma coisa — qual é a diferença entre o vinho e o azeite? A impureza do vinho é frequente; a impureza do azeite não é frequente. Disse Rabi Chiya bar Ada: aqui e ali a impureza é frequente, mas a impureza é mais frequente no vinho do que no azeite.
Halachá: Ensinou-se: Rabi Yosei bei Rabi Yehuda diz: se quiser, traz azeitonas e as coloca sob a pedra de pisar, e vai e volta sobre elas (pisando-as como se pisam uvas, sem esperar que sejam moídas). Disseram-lhe: não se comparam as azeitonas às uvas — as uvas são macias e soltam o vinho (ao serem pisadas); as azeitonas são duras e não soltam o azeite (dessa forma, sendo necessário moê-las antes).
Esta é a segunda halachá do Perek Guimel de Massechet Terumot, capítulo com cinco halachot no total. A Mishná trata de sócios que separam teruma um após o outro: Rabi Akiva diz que a teruma de ambos é teruma; os sábios dizem que só a do primeiro é teruma; e Rabi Yosei distingue conforme o primeiro tenha ou não separado a medida devida. Trata também da autorização dada a um membro da casa, escravo ou escrava para separar teruma, da revogação dessa autorização, e da falta de autorização dos trabalhadores para separar teruma, exceto os que pisam uvas no lagar.
A guemará discute sobre o que exatamente discordam Rabi Akiva e os sábios, como se divide o se'ah do primeiro e do segundo segundo Rabi Akiva, o caso de Ariston perante Rabi Yosei, o que é a "medida devida" de Rabi Yosei, e a relação com o ensinamento de Reish Lakish sobre a revogação da designação de representante. Traz o ensinamento de Rabi Yochanan sobre a impureza do lagar assim que se pisam as uvas em cruz, a distinção entre vinho e azeite quanto à teruma dos trabalhadores, a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre quando se separa teruma das uvas e quando o poço se torna impuro, o ensinamento correspondente sobre as azeitonas, e fecha com o ensinamento de Rabi Yosei bei Rabi Yehuda sobre pisar azeitonas sob a pedra, e a distinção entre a maciez da uva e a dureza da azeitona. Esta halachá trata de casos técnicos sobre a designação de representantes para separar teruma e sobre o momento em que se pode separá-la das uvas e azeitonas em processamento, sem paralelo temático genuíno no Talmud Bavli, Massechet Shabat.