O daf responde à pergunta com que terminou 11a: quais são as duas bênçãos que precedem o Shemá pela manhã. A Guemará identifica "Yotzer Or uVorê Choshech" e explica, por meio de uma sequência de perguntas e respostas, por que se usa a linguagem do próprio versículo (Isaías 45:7) e não um eufemismo mais suave, e por que a bênção menciona a "medida do dia" também à noite e vice-versa. Em seguida identifica a segunda bênção, "Ahavá Rabá", e discute uma série de leis sobre a obrigação de recitar a bênção da Torá antes de estudar Mikrá, Midrash, Mishná e Talmud — trazendo quatro opiniões amoraicas cada vez mais abrangentes — e o texto exato dessa bênção segundo Rav Yehudá, Rabi Yochanan e Rav Hamnuna. O daf fecha com uma baraita sobre a "bênção única" que o encarregado do Templo mandava recitar antes da leitura diária dos Dez Mandamentos e do Shemá, e a discussão amoraica sobre qual bênção era essa.
"Formador da luz e Criador das trevas" (conforme Isaías 45:7).
"Formador da luz e Criador das trevas, faz a paz e cria o mal" — mais adiante se explica qual é a outra (bênção); pois a bênção de "Yishtabach" não entra na conta, já que ela vem depois dos versículos de louvor (Pessukê deZimrá), como a bênção do Halel, e a recitam antes do horário do Shemá, se quiserem.
Completando a frase interrompida ao final de 11a, Rabi Yaakov, em nome de Rabi Oshaia, identifica a primeira das duas bênçãos que precedem o Shemá pela manhã: "Yotzer Or uVorê Choshech", que retoma quase literalmente a linguagem de Isaías 45:7 ("Formador da luz e Criador das trevas, Fazedor da paz e Criador do mal"). Rashi esclarece de passagem que a bênção "Yishtabach", recitada após os salmos de louvor da manhã, não é uma das duas bênçãos contadas pela Mishná, pois pode ser dita antes do horário fixo do Shemá.
Que se dissesse (então): "Formador da luz e Criador do resplendor"!
A Guemará objeta: já que "trevas" é um termo relativamente negativo, e a linguagem litúrgica costuma preferir expressões mais suaves, seria de esperar que a bênção substituísse "trevas" por um termo mais brando, como "resplendor" (nogah), tal como se faz noutro ponto do mesmo versículo.
Conforme está escrito, dizemos.
"Conforme está escrito, dizemos" — está escrito no versículo: "Formador da luz e Criador das trevas, Fazedor da paz e Criador do mal."
A resposta inicial é simples: a bênção segue exatamente a formulação do versículo de Isaías, sem alteração — "trevas" permanece "trevas", tal como está escrito, sem que se substitua por um sinônimo mais ameno.
Mas então, "Fazedor da paz e Criador do mal" — acaso dizemos conforme está escrito?! Pois está escrito "mal" e nós lemos "o Todo" (nesta bênção), uma expressão mais elevada; também aqui, então, que se diga "resplendor" (nogah), uma expressão mais elevada!
A objeção retorna com mais força: a própria bênção já demonstra que não segue sempre o versículo ao pé da letra — pois na sua parte final, onde o versículo diz "Criador do mal", a liturgia substitui por "Criador de tudo" (hakol), justamente para evitar a palavra "mal". Se essa substituição foi feita ali por razões de linguagem elevada, por que não se fez o mesmo com "trevas", trocando-a por "resplendor"?
Mas disse Rava: (a palavra "trevas" se mantém) a fim de mencionar o atributo do dia durante a noite, e o atributo da noite durante o dia.
Rava oferece a explicação definitiva: a palavra "trevas" não é mantida por acaso ou por apego literal ao texto, mas com um propósito próprio — fazer com que, na bênção da manhã, se mencione também o atributo da noite (trevas), e, presumivelmente, na bênção da noite se mencione o atributo do dia (luz), unificando a experiência do dia inteiro em cada uma das bênçãos.
Está bem quanto ao atributo da noite mencionado durante o dia, conforme dizemos "Formador da luz e Criador das trevas"; mas o atributo do dia mencionado durante a noite, onde o encontramos?
A Guemará aceita a metade da explicação de Rava — a bênção da manhã, ao mencionar "trevas", de fato recorda o atributo da noite durante o dia — mas pede o paralelo inverso: onde, na bênção da noite, se menciona o atributo do dia (a luz)?
Disse Abaye: (na bênção da noite se diz) "Que enrola a luz perante as trevas e as trevas perante a luz".
Abaye responde citando o texto da bênção noturna ("HaMaariv Aravim"), que já contém, em sua própria formulação, a menção conjunta da luz e das trevas — completando o paralelo buscado por Rava: assim como a bênção da manhã menciona a noite, a bênção da noite menciona o dia.
E a outra (bênção), qual é? Disse Rav Yehudá, disse Shmuel: "Amor Grande" (Ahavá Rabá). E assim também instruiu Rabi Elazar a Rabi Pedat, seu filho: "Ahavá Rabá".
Retomando a pergunta original ("o que exatamente se abençoa", de 11a, unidade 26), a Guemará agora identifica a segunda das duas bênçãos matinais que precedem o Shemá: "Ahavá Rabá" ("Com grande amor nos amaste"), confirmada tanto por Rav Yehudá em nome de Shmuel quanto por Rabi Elazar, que assim instruiu seu próprio filho.
Ensinou-se também assim numa baraita: não se diz "Amor Eterno" (Ahavat Olam), mas "Ahavá Rabá". E os sábios dizem: "Ahavat Olam" — e assim também ele (o versículo) diz: "E com amor eterno te amei, por isso te atraí com bondade" (Jeremias 31:2).
Uma baraita confirma a posição de que a bênção deve se chamar "Ahavá Rabá" e não "Ahavat Olam" (a formulação usada, no rito de muitas comunidades, para a bênção equivalente à noite); mas traz também a opinião discordante dos sábios, que preferem "Ahavat Olam", apoiando-se no versículo de Jeremias sobre o "amor eterno" de D-us por Israel. A disputa entre as duas fórmulas — que subsiste até hoje entre diferentes ritos litúrgicos — permanece aqui sem resolução expressa.
Disse Rav Yehudá, disse Shmuel: aquele que se levanta cedo para estudar, antes de recitar a leitura do Shemá — precisa abençoar (a bênção da Torá). Depois de ter recitado a leitura do Shemá — não precisa abençoar, pois já se desobrigou com "Ahavá Rabá".
"Pois já se desobrigou com Ahavá Rabá" — porque nela há algo semelhante à bênção da Torá: "e coloca em nosso coração entender e discernir, escutar, aprender e ensinar, guardar e cumprir, e realizar todas as palavras do ensino de Tua Torá com amor" — e a ensinam a seus decretos e vontade.
A Guemará passa a discutir a obrigação de recitar uma bênção antes de se dedicar ao estudo da Torá. Rav Yehudá, em nome de Shmuel, estabelece que quem se levanta antes do horário do Shemá para estudar precisa recitar essa bênção especificamente para esse fim; mas quem já recitou o Shemá está dispensado, pois a bênção "Ahavá Rabá" — que contém, como Rashi observa, uma passagem pedindo compreensão e capacidade de estudar e ensinar a Torá — já cumpre essa função.
Disse Rav Huna: para (o estudo de) Mikrá (o texto bíblico) precisa abençoar; e para Midrash — não precisa abençoar.
"Midrash" — é próximo ao Mikrá, como a Mechilta, o Sifra e o Sifrê, que são exposições exegéticas dos versículos.
Abre-se uma sequência de quatro opiniões amoraicas, cada uma ampliando o âmbito da obrigação de abençoar antes do estudo. Rav Huna sustenta a posição mais restrita: só o estudo direto do texto bíblico (Mikrá) exige bênção prévia; o Midrash — as exposições exegéticas próximas ao texto bíblico, como a Mechilta, o Sifra e o Sifrê — não a exige, por já estar coberto, no entender de Rav Huna, pela bênção anterior.
E Rabi Elazar disse: para Mikrá e para Midrash precisa abençoar; para Mishná — não precisa abençoar.
Rabi Elazar amplia a exigência: tanto o Mikrá quanto o Midrash requerem a bênção prévia; apenas o estudo da Mishná — a lei já formulada e codificada, sem o aparato exegético do Midrash — fica isento, na visão de Rabi Elazar.
E Rabi Yochanan disse: também para Mishná precisa abençoar; mas para Talmud não precisa abençoar.
"Para o Talmud não precisa abençoar" — mesmo antes de recitar "Ahavá Rabá" diz isso, e assim se demonstra a questão no segundo capítulo.
Rabi Yochanan avança mais um passo: também o estudo da Mishná requer bênção prévia; apenas o Talmud — o raciocínio dialético que fundamenta e discute a própria Mishná — ficaria isento, segundo esta opinião, mesmo antes de se ter recitado qualquer outra bênção naquele dia.
E Rava disse: também para o Talmud precisa abençoar.
"Também para o Talmud precisa abençoar" — pois ele é a essência da Torá, dele é que sai a instrução prática (horaá). "Talmud" é o raciocínio das razões da Mishná, as resoluções de Mishnaiot que se contradizem entre si, e os textos incompletos que precisam ser completados.
Rava encerra a sequência com a posição mais abrangente: também o estudo do Talmud — o raciocínio dialético que explica as razões da Mishná, resolve suas contradições internas e completa passagens elípticas — exige bênção prévia, precisamente por ser dele que emerge a instrução halachica prática, tornando-o a essência mesma da Torá.
Pois disse Rav Chiya bar Ashi: muitas vezes eu estava diante de Rav para estudar nosso capítulo no "Sifra da Escola de Rav", e ele, antecipando-se, lavava suas mãos, abençoava, e nos ensinava o capítulo.
"E abençoava" — a bênção da Torá.
Rava traz apoio para sua posição no testemunho de Rav Chiya bar Ashi: repetidas vezes, ao se preparar para ensinar um capítulo do Sifra (uma obra de Midrash halachico), Rav tinha o cuidado de lavar as mãos e recitar a bênção da Torá antes de começar — prática que Rava entende demonstrar que a bênção é necessária mesmo para o ensino de textos do nível do Talmud e do Midrash.
O que abençoa (qual é o texto exato)? Disse Rav Yehudá, disse Shmuel: "...que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou a ocupar-nos com as palavras da Torá."
Estabelecida a obrigação de abençoar antes do estudo, a Guemará passa a fixar o texto exato dessa bênção. Rav Yehudá, em nome de Shmuel, transmite a fórmula central: "...que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou a ocupar-nos com as palavras da Torá" — a mesma fórmula usada até hoje como a primeira das bênçãos da Torá.
E Rabi Yochanan a conclui assim: "Torna doces, por favor, Eterno nosso D-us, as palavras de Tua Torá em nossa boca e na boca de Teu povo, a Casa de Israel; e sejamos nós, nossos descendentes, e os descendentes de Teu povo, a Casa de Israel, todos nós conhecedores de Teu nome e ocupados em Tua Torá. Bendito sejas Tu, Eterno, que ensina Torá a Seu povo Israel."
"E Rabi Yochanan a conclui assim" — pois (a bênção) precisa de abertura com "bendito" e de fechamento com "bendito". "Torna doces, por favor, Eterno nosso D-us" — que nos seja doce ocupar-nos delas (as palavras da Torá) por amor. "Bendito sejas Tu, Eterno, que ensina Torá a Seu povo Israel" — assim lemos (o fechamento); e não lemos "ensina-me Teus decretos", pois isso não é uma bênção e agradecimento pelo que já passou, mas uma linguagem de pedido; e Davi, quando a disse (em Salmos 119:12), não a disse como forma de bênção, mas como linguagem de pedido; e o sentido é: Eterno, que és bendito, ensina-me Teus decretos.
Rabi Yochanan acrescenta a conclusão da bênção, que deve abrir e fechar com a fórmula "bendito": um pedido para que as palavras da Torá sejam doces na boca de Israel, de geração em geração, selado com "Bendito sejas Tu, Eterno, que ensina Torá a Seu povo Israel". Rashi observa a distinção cuidadosa entre essa fórmula de bênção e agradecimento, e a linguagem de simples pedido usada por Davi em Salmos 119:12 ("ensina-me Teus decretos"), que não constitui uma bênção formal.
E Rav Hamnuna disse: "...que nos escolheu dentre todos os povos e nos deu Sua Torá. Bendito sejas Tu, Eterno, que dá a Torá." Disse Rav Hamnuna: esta é a mais excelente das bênçãos.
"Esta é a mais excelente das bênçãos" — a da Torá, porquanto nela há agradecimento ao Onipresente e louvor à Torá e a Israel.
Rav Hamnuna transmite uma terceira formulação, hoje conhecida como a terceira das bênçãos da Torá: "...que nos escolheu dentre todos os povos e nos deu Sua Torá", concluindo "que dá a Torá". Ele a qualifica como a mais excelente de todas as bênçãos, pois reúne, segundo Rashi, agradecimento a D-us, louvor à Torá, e reconhecimento da eleição de Israel.
Portanto, que se digam todas elas.
Diante das três formulações transmitidas por Rav Yehudá em nome de Shmuel, por Rabi Yochanan e por Rav Hamnuna, a Guemará conclui, na prática, que nenhuma exclui a outra: recitam-se todas em sequência, como de fato se faz até hoje na liturgia — as três bênçãos da Torá antes do estudo matinal.
Ensinamos lá (na Mishná de Tamid): disse-lhes o encarregado: "abençoem uma bênção!" E eles abençoaram; e leram os Dez Mandamentos, o "Shemá", o "E será se ouvirdes" (segundo parágrafo do Shemá) e o "E disse" (terceiro parágrafo). E abençoaram o povo com três bênçãos: "Verdadeiro e Firme" (Emet veYatsiv), e (a bênção) da Avodá (o serviço do Templo), e a bênção sacerdotal. E no Shabat acrescentam uma bênção a mais para o turno (sacerdotal) que sai.
"Ensinamos lá" — na Massechet Tamid. "Disse-lhes o encarregado" — este é o vice dos sacerdotes, como se explica em Yomá: "vice" e "encarregado" são a mesma coisa. "Abençoem uma bênção" — mais adiante se explica qual é ela, e é uma das bênçãos que antecedem o Shemá; pois ali se ordena toda a sequência do serviço da manhã, dizendo-se que depois de arranjarem os membros (do sacrifício) sobre a rampa e o combustível, desciam e vinham à Câmara de Pedra Lavrada para ler o Shemá; e então se ensina: disse-lhes o encarregado "abençoem uma bênção", e eles abençoaram e leram os Dez Mandamentos. "E abençoaram o povo" — com o povo. "E (a bênção) da Avodá" — por causa do serviço que realizaram, abençoavam depois dele: "Aceita, Eterno nosso D-us, o serviço de Teu povo Israel e os sacrifícios de fogo de Israel, e aceita com vontade sua oração; bendito o que aceita com vontade o serviço de Seu povo Israel" — ou, alternativamente, "a Ti somente com temor serviremos". "E a bênção sacerdotal" — para abençoar o povo; e do resto da oração (a Amidá completa) não tinham tempo, pois nem sequer havia chegado o horário do Shemá, como se diz na Massechet Yomá (37b): "aquele que lê o Shemá com os homens do turno e com os homens da estação não cumpriu sua obrigação, pois os homens do turno se adiantam" etc. "Acrescentam uma bênção" — mais adiante se explica. "Para o turno que sai" — pois os turnos (sacerdotais) se revezam no dia de Shabat, como dizemos na Massechet Sucá (56b): o turno que sai realiza o sacrifício perpétuo da manhã e os sacrifícios adicionais, e o turno que entra realiza o sacrifício perpétuo da tarde e as oferendas de recipientes.
A Guemará traz uma Mishná da Massechet Tamid, que descreve o serviço matinal no Templo: antes da leitura diária dos Dez Mandamentos e das três seções do Shemá pelos sacerdotes de plantão, o encarregado (o vice-sumo-sacerdote) ordenava que se recitasse "uma bênção". Depois da leitura, os sacerdotes abençoavam o povo com três bênçãos adicionais (Emet veYatsiv, a bênção do serviço do Templo, e a bênção sacerdotal), e aos sábados acrescentava-se uma bênção a mais para o turno sacerdotal que terminava sua semana de serviço. Rashi detalha o contexto: os sacerdotes, tendo já arranjado o sacrifício sobre o altar, não tinham tempo para a Amidá completa antes do horário do Shemá, e por isso recitavam apenas essa bênção resumida.
O que é "uma bênção"? Como aquele caso de Rabi Aba e Rabi Yossei bar Aba, que chegaram a certo lugar; perguntaram-lhes: o que é "uma bênção"? Não estava em suas mãos (não souberam responder). E foram perguntar a Rav Matná — não estava em suas mãos. Foram perguntar a Rav Yehudá. Disse-lhes: assim disse Shmuel: "Ahavá Rabá".
"O que é uma bênção" — que se ensinou no início (da Mishná), qual das bênçãos ele dizia.
A Guemará pergunta qual bênção específica é essa "bênção única" mencionada na Mishná de Tamid, ilustrando a dificuldade da pergunta com um episódio: Rabi Aba e Rabi Yossei bar Aba, ao serem questionados sobre isso num certo lugar, não souberam responder; nem Rav Matná soube; até que Rav Yehudá, citando Shmuel, esclareceu que se tratava de "Ahavá Rabá".
E disse Rabi Zerika, disse Rabi Ami, disse Rabi Shimon ben Lakish: "Formador da luz" (Yotzer Or). Quando chegou Rav Yitzchak bar Yossef, disse: aquilo de Rabi Zerika não foi dito explicitamente, mas foi dito por inferência. Pois disse Rabi Zerika, disse Rabi Ami, disse Rabi Shimon ben Lakish: isto ensina que as bênçãos não se impedem mutuamente.
"Não foi dito explicitamente" — (Rav Yitzchak bar Yossef) não ouviu da boca de Reish Lakish que ele tivesse dito explicitamente "o que é a bênção única? Yotzer Or"; "isto ensina" — pois se ensinou "abençoem uma bênção". "As bênçãos não se impedem mutuamente" — se abençoou uma e não abençoou a outra, cumpriu sua obrigação com aquela que abençoou, e a companheira não a impede, isto é, não se diz que esta não é válida sem aquela. E daqui inferiu Rabi Zerika que Reish Lakish sustentava que essa "bênção única" é "Yotzer Or".
Uma segunda tradição, transmitida por Rabi Zerika em nome de Rabi Ami e de Reish Lakish, identifica a "bênção única" como "Yotzer Or" — em aparente contradição com a resposta anterior de Rav Yehudá ("Ahavá Rabá"). Rav Yitzchak bar Yossef esclarece que essa atribuição a Reish Lakish não foi ouvida diretamente dele, mas inferida de outro ensinamento seu: que os sacerdotes do Templo, ao recitarem apenas uma bênção (em vez das duas completas), cumpriam sua obrigação de qualquer forma, pois as bênçãos "não se impedem mutuamente" — uma pode ser dita sem a outra sem invalidar-se.
Se dizes, com razão, que diziam "Yotzer Or", (então) é exatamente por isso que as bênçãos não se impedem mutuamente — pois não diziam "Ahavá Rabá".
Rav Yitzchak bar Yossef reconstrói o raciocínio de Rabi Zerika: se a "bênção única" recitada no Templo era de fato "Yotzer Or", isso explicaria perfeitamente por que Reish Lakish concluiu que as duas bênçãos "não se impedem mutuamente" — pois ali se recitava apenas a primeira ("Yotzer Or") e se omitia inteiramente a segunda ("Ahavá Rabá"), e ainda assim os sacerdotes cumpriam sua obrigação. O daf termina neste ponto, com a questão de qual é exatamente a "bênção única" ainda sendo esclarecida por inferência, e a discussão prossegue no início de 12a.
O Talmud Yerushalmi, na Mishná 1:5 de Berachot, trata da estrutura das bênçãos ao redor do Shemá e da regra de abrir com "Baruch" — o mesmo tema central deste daf.
Ver também no Talmud Yerushalmi →