Talmud Bavli · Massechet Berachot · Perek Alef
חִתּוּם

A bênção única do Templo se resolve, os Dez Mandamentos abolidos por causa dos hereges, o dilema do vinho e da cerveja, e a regra de que tudo segue o final da bênção

Berachot 12a

O daf abre concluindo o debate de 11b: a Guemará refuta a tentativa de provar, por inferência, que a "bênção única" recitada pelos sacerdotes era "Yotzer Or", e explica que a expressão "as bênçãos não se impedem mutuamente" trata apenas da ordem de recitação. Em seguida, retoma a Mishná de Tamid sobre a leitura diária dos Dez Mandamentos no Templo e relata como essa leitura foi abolida também fora dele por causa da queixa dos hereges, com três tentativas frustradas de restabelecê-la. Identifica a bênção extra do Shabat para o turno sacerdotal que sai. A partir daí, a Guemará explora um princípio central da lei das bênçãos — "tudo segue o final" — por meio do caso de quem começa a bênção pensando em vinho e termina em cerveja (ou o inverso), e do paralelo com "Yotzer Or" e "Maariv Aravim". O daf fecha com ensinamentos de Rav sobre o texto exato de "Emet veYatsiv" e "Emet veEmuná", e sobre o momento certo de curvar-se e erguer-se durante a Amidá.

Conclusão: qual era a bênção única do Templo · בָּרְכָה אַחַת

01Objeção: se diziam "Ahavá Rabá", por que concluir que uma bênção não impede a outra?
Bavli · 12a
אֶלָּא, אִי אָמְרַתְּ ״אַהֲבָה רַבָּה״ הֲווֹ אָמְרִי, מַאי ״בְּרָכוֹת אֵין מְעַכְּבוֹת זוֹ אֶת זוֹ״? דִּלְמָא הַאי דְּלָא אָמְרִי ״יוֹצֵר אוֹר״ מִשּׁוּם דְּלָא מְטָא זְמַן ״יוֹצֵר אוֹר״, וְכִי מְטָא זְמַן ״יוֹצֵר אוֹר״ הֲווֹ אָמְרִי.

Mas, se dizes que diziam "Ahavá Rabá", qual é o sentido de "as bênçãos não se impedem mutuamente"? Talvez o fato de não dizerem "Yotzer Or" fosse porque ainda não havia chegado o horário de "Yotzer Or"; e quando chegasse o horário de "Yotzer Or", eles o diriam.

Nota

A Guemará retoma, do fim de 11b, a tentativa de Rav Yitzchak bar Yossef de reconstruir o raciocínio de Reish Lakish. Ela objeta: se de fato os sacerdotes recitavam apenas "Ahavá Rabá" (e não "Yotzer Or"), isso não prova nada sobre bênçãos que "não se impedem mutuamente" — pois pode ser, simplesmente, que ainda não tivesse amanhecido o suficiente para "Yotzer Or", e que a recitassem mais tarde, quando chegasse seu horário próprio.

02E se for por inferência, e daí?
Bavli · 12a
וְאִי מִכְּלָלָא מַאי?

E se (for) por inferência, e daí?

Nota

A Guemará insiste: mesmo concedendo que a atribuição a Reish Lakish não foi dita explicitamente, mas inferida de seu outro ensinamento, isso não resolve a objeção anterior — a inferência continua vulnerável à mesma dúvida.

03Resposta: "não se impedem" se refere apenas à ordem das bênçãos
Bavli · 12a
דְּאִי מִכְּלָלָא, לְעוֹלָם ״אַהֲבָה רַבָּה״ הֲווֹ אָמְרִי. וְכִי מְטָא זְמַן ״יוֹצֵר אוֹר״ הֲווֹ אָמְרִי לֵיהּ. וּמַאי ״בְּרָכוֹת אֵין מְעַכְּבוֹת זוֹ אֶת זוֹ״ — סֵדֶר בְּרָכוֹת.

Pois, se (for) por inferência, na verdade sempre diziam "Ahavá Rabá", e quando chegava o horário de "Yotzer Or" o diziam. E o que significa "as bênçãos não se impedem mutuamente"? A ordem das bênçãos.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
סדר ברכות – אם הקדים המאוחרות:

"A ordem das bênçãos" — (refere-se a) se antecipou (a bênção) que deveria vir depois.

Nota

A Guemará conclui que a dedução de Reish Lakish, ainda que feita por inferência, não pretendia identificar qual era a "bênção única" do Templo. Na verdade, os sacerdotes sempre recitavam "Ahavá Rabá" e, no seu devido horário, também "Yotzer Or"; a expressão "as bênçãos não se impedem mutuamente" refere-se apenas à ordem de recitação — mesmo que se inverta a sequência esperada entre elas, cumpre-se a obrigação de qualquer forma, como Rashi esclarece.

Os Dez Mandamentos abolidos da liturgia diária · עֲשֶׂרֶת הַדִּבְּרוֹת

04Recordando a Mishná: liam os Dez Mandamentos e as três seções do Shemá
Bavli · 12a
וְקוֹרִין עֲשֶׂרֶת הַדִּבְּרוֹת ״שְׁמַע״, ״וְהָיָה אִם שָׁמוֹעַ״, ״וַיֹּאמֶר״, ״אֱמֶת וְיַצִּיב״, וַעֲבוֹדָה, וּבִרְכַּת כֹּהֲנִים.

E liam os Dez Mandamentos, o "Shemá", o "E será se ouvirdes", o "E disse", "Verdadeiro e Firme" (Emet veYatsiv), e (a bênção) da Avodá, e a bênção sacerdotal.

Nota

A Guemará repete o trecho da Mishná de Tamid já citado em 11b, como base para a discussão que se segue sobre a leitura diária dos Dez Mandamentos no Templo — leitura que, como se verá, não se estendeu à liturgia fora dele.

05Rav Yehudá em nome de Shmuel: quiseram lê-los também fora do Templo, mas os aboliram por causa dos hereges
Bavli · 12a
אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר שְׁמוּאֵל: אַף בִּגְבוּלִין בִּקְּשׁוּ לִקְרוֹת כֵּן, אֶלָּא שֶׁכְּבָר בִּטְּלוּם מִפְּנֵי תַּרְעוֹמֶת הַמִּינִין.

Disse Rav Yehudá, disse Shmuel: também nas regiões fronteiriças (fora do Templo) quiseram ler assim (os Dez Mandamentos todos os dias), mas já os aboliram por causa da queixa dos hereges.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
בקשו – לקבוע עשרת הדברות בקריאת שמע: מפני תרעומת המינין – שלא יאמרו לעמי הארץ אין שאר תורה אמת ותדעו שאין קורין אלא מה שאמר הקדוש ב"ה ושמעו מפיו בסיני: המינין – עכו"ם:

"Quiseram" — fixar os Dez Mandamentos na leitura do Shemá. "Por causa da queixa dos hereges" — para que não dissessem ao povo simples: "o resto da Torá não é verdadeiro; e sabei que não se lê senão o que disse o Santo, Bendito Seja, e ouvistes de Sua boca no Sinai" — (referindo-se apenas aos Dez Mandamentos). "Os hereges" — os idólatras.

Nota

Rav Yehudá, em nome de Shmuel, revela que a leitura diária dos Dez Mandamentos, praticada no Templo, quase se estendeu também à liturgia das sinagogas fora dele — mas essa iniciativa foi abandonada por causa da queixa dos hereges. Rashi explica o temor: se apenas os Dez Mandamentos fossem lidos todos os dias, isso poderia sugerir ao povo simples que só eles — ouvidos diretamente da boca de D-us no Sinai — são verdadeiramente sagrados, e que o resto da Torá não teria a mesma origem divina.

06Confirmação de uma baraita: Rabi Natan ensina o mesmo
Bavli · 12a
תַּנְיָא נָמֵי הָכִי, רַבִּי נָתָן אוֹמֵר: בִּגְבוּלִין בִּקְּשׁוּ לִקְרוֹת כֵּן, אֶלָּא שֶׁכְּבָר בִּטְּלוּם מִפְּנֵי תַּרְעוֹמֶת הַמִּינִין.

Ensinou-se também assim (numa baraita): Rabi Natan diz: nas regiões fronteiriças quiseram ler assim, mas já os aboliram por causa da queixa dos hereges.

Nota

Uma baraita, transmitida em nome de Rabi Natan, confirma exatamente o mesmo ensinamento de Rav Yehudá e Shmuel, dando-lhe respaldo tanaítico.

07Rabá bar bar Chaná quis restabelecê-los em Sura; Rav Chisda o deteve
Bavli · 12a
רַבָּה בַּר בַּר חַנָּה סְבַר לְמִקְבְּעִינְהוּ בְּסוּרָא, אֲמַר לֵיהּ רַב חִסְדָּא: כְּבָר בִּטְּלוּם מִפְּנֵי תַּרְעוֹמֶת הַמִּינִין.

Rabá bar bar Chaná pensou em fixá-los (os Dez Mandamentos na leitura diária) em Sura; disse-lhe Rav Chisda: já os aboliram por causa da queixa dos hereges.

Nota

A Guemará relata um episódio concreto: gerações depois, Rabá bar bar Chaná pensou em restabelecer a leitura diária dos Dez Mandamentos na cidade de Sura, mas Rav Chisda o deteve, recordando-lhe que a prática já havia sido abolida precisamente por causa do temor da queixa dos hereges.

08Ameimar quis restabelecê-los em Neharde'a; Rav Ashi o deteve do mesmo modo
Bavli · 12a
אֲמֵימַר סְבַר לְמִקְבְּעִינְהוּ בִּנְהַרְדְּעָא, אֲמַר לֵיהּ רַב אָשֵׁי: כְּבָר בִּטְּלוּם מִפְּנֵי תַּרְעוֹמֶת הַמִּינִין.

Ameimar pensou em fixá-los em Neharde'a; disse-lhe Rav Ashi: já os aboliram por causa da queixa dos hereges.

Nota

O mesmo episódio se repete numa geração ainda posterior: Ameimar tenta restabelecer a prática em Neharde'a, e Rav Ashi o detém com a mesma razão. As duas tentativas frustradas mostram que a preocupação com os hereges permaneceu válida ao longo de gerações, apesar do apreço evidente dos sábios pela leitura diária dos Dez Mandamentos.

A bênção do turno sacerdotal no Shabat · מִשְׁמָר הַיּוֹצֵא

09Rabi Chelbo: "Aquele que fez habitar Seu Nome nesta Casa, Ele faça habitar entre vós amor e fraternidade"
Bavli · 12a
וּבְשַׁבָּת מוֹסִיפִין בְּרָכָה אַחַת לַמִּשְׁמָר הַיּוֹצֵא. מַאי בְּרָכָה אַחַת? אָמַר רַבִּי חֶלְבּוֹ: מִשְׁמָר הַיּוֹצֵא אוֹמֵר לַמִּשְׁמָר הַנִּכְנָס: ״מִי שֶׁשִּׁכֵּן אֶת שְׁמוֹ בַּבַּיִת הַזֶּה, הוּא יַשְׁכִּין בֵּינֵיכֶם אַהֲבָה וְאַחְוָה וְשָׁלוֹם וְרֵיעוּת״.

E no Shabat acrescentam uma bênção a mais para o turno que sai. O que é essa "uma bênção"? Disse Rabi Chelbo: o turno que sai diz ao turno que entra: "Aquele que fez habitar Seu Nome nesta Casa, Ele faça habitar entre vós amor e fraternidade, paz e amizade".

Nota

A Guemará volta a outro detalhe da Mishná de Tamid mencionado em 11b — a bênção extra acrescentada no Shabat para o turno sacerdotal que termina sua semana de serviço — e identifica seu texto exato pela tradição de Rabi Chelbo: uma saudação fraternal do turno que sai para o turno que entra, pedindo que D-us, que fez Sua presença habitar no Templo, faça habitar entre eles amor, fraternidade, paz e amizade.

Tudo segue o final da bênção · הַכֹּל הוֹלֵךְ אַחַר הַחִתּוּם

10Onde disseram para alongar; o caso óbvio: começou pensando em cerveja e terminou em vinho
Bavli · 12a
מָקוֹם שֶׁאָמְרוּ לְהַאֲרִיךְ. פְּשִׁיטָא הֵיכָא דְּקָא נָקֵיט כָּסָא דְחַמְרָא בִּידֵיהּ וְקָסָבַר דְּשִׁכְרָא הוּא, וּפָתַח וּמְבָרֵךְ אַדַּעְתָּא דְשִׁכְרָא, וְסַיֵּים בִּדְחַמְרָא — יָצָא. דְּאִי נָמֵי אִם אָמַר ״שֶׁהַכֹּל נִהְיֶה בִּדְבָרוֹ״ — יָצָא. דְּהָא תְּנַן: עַל כּוּלָּם אִם אָמַר ״שֶׁהַכֹּל נִהְיֶה בִּדְבָרוֹ״ — יָצָא.

"Onde disseram para alongar" (citação da Mishná). É óbvio: onde alguém segurava um copo de vinho em sua mão e pensava que era cerveja, e começou e abençoou com a intenção de (a bênção da) cerveja, e terminou com (a bênção) do vinho — cumpriu sua obrigação. Pois, mesmo se tivesse dito "Por cuja palavra tudo veio a ser", teria cumprido sua obrigação; pois ensinamos: sobre todos (os alimentos), se disse "Por cuja palavra tudo veio a ser" — cumpriu sua obrigação.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
פתח בדשכרא וסיים בדחמרא – תחלת הברכה אמר ע"מ שהכל וכיון שהגיע למלך העולם נזכר שהוא יין ואמר פרי הגפן פשיטא לן דיצא דהא אפילו סיים כל הברכה כדעת פתיחתה ואמר שהכל יצא על היין דתנן וכו':

"Começou (com a intenção) de cerveja e terminou de vinho" — no início da bênção disse com a intenção de "shehakol", e ao chegar a "Rei do universo" lembrou-se de que era vinho e disse "fruto da videira"; é óbvio para nós que cumpriu sua obrigação, pois, mesmo se tivesse concluído toda a bênção conforme sua intenção inicial e dito "shehakol", teria cumprido sua obrigação quanto ao vinho, como ensinamos.

Nota

Citando a frase final da Mishná mencionada em 11b sobre "onde disseram para alongar" a bênção, a Guemará introduz uma nova discussão sobre o princípio "tudo segue o final da bênção". Ela começa pelo caso mais simples: quem pega um copo de vinho pensando ser cerveja, começa a bênção com a fórmula genérica "shehakol" (destinada a bebidas como a cerveja) e, ao perceber o engano, conclui corretamente com a bênção do vinho — evidentemente cumpre sua obrigação, já que mesmo a fórmula genérica "shehakol", dita por engano sobre qualquer alimento ou bebida, é válida após o fato.

11O caso difícil: começou pensando em vinho e terminou em cerveja
Bavli · 12a
אֶלָּא הֵיכָא דְּקָא נָקֵיט כָּסָא דְשִׁכְרָא בִּידֵיהּ וְקָסָבַר דְּחַמְרָא הוּא, פְּתַח וּבָרֵיךְ אַדַּעְתָּא דְחַמְרָא, וְסַיֵּים בִּדְשִׁכְרָא, מַאי?

Mas onde segurava um copo de cerveja em sua mão e pensava que era vinho, e começou e abençoou com a intenção do vinho, e terminou com (a bênção) da cerveja — o que (é a lei)?

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
אלא – קא מבעיא לן פתח אדעתא דחמרא כדי לסיים בפה"ג וכשהגיע למלך העולם נזכר שהוא שכר וסיים שהכל מהו:

"Mas" — perguntamo-nos: começou com a intenção do vinho, a fim de concluir com "fruto da videira", e, ao chegar a "Rei do universo", lembrou-se de que era cerveja e concluiu com "shehakol" — qual é a lei?

Nota

A Guemará apresenta agora o caso inverso e mais difícil: alguém começa a bênção com a intenção específica do vinho (destinada apenas ao vinho, e não válida, a princípio, para outras bebidas), mas ao perceber que segura cerveja, conclui com a fórmula correta e genérica. Aqui o problema é real, pois o início da bênção foi dirigido a um alimento específico que não corresponde ao que realmente se está bebendo.

12O dilema: seguimos a essência da bênção ou seu final?
Bavli · 12a
בָּתַר עִיקַּר בְּרָכָה אָזְלִינַן, אוֹ בָּתַר חֲתִימָה אָזְלִינַן?

Seguimos a essência da bênção, ou seguimos o (seu) final?

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
בתר עיקר ברכה אזלינן – ועיקר ברכה אדעתא דיין נאמרה והוי כמו שסיים ביין ואין ברכת היין מוציאה ידי ברכת שכר שאין השכר מן הגפן:

"Seguimos a essência da bênção" — e a essência da bênção foi dita com a intenção do vinho, e é como se tivesse concluído com o vinho; e a bênção do vinho não desobriga a bênção da cerveja, pois a cerveja não provém da videira.

Nota

A Guemará formula o dilema com precisão: a bênção tem duas partes — a "essência" (a intenção inicial, específica ao vinho) e o "selo" ou conclusão (a fórmula final, que corresponde à cerveja). Se seguimos a essência, a bênção seria inválida, pois foi pensada para o vinho e a cerveja não deriva da videira; se seguimos a conclusão, ela seria válida, já que terminou corretamente.

13Prova de uma baraita: quanto à manhã, quem começa em "Yotzer Or" e termina em "Maariv Aravim" não cumpre; o inverso cumpre
Bavli · 12a
תָּא שְׁמַע: שַׁחֲרִית, פָּתַח בְּ״יוֹצֵר אוֹר״ וְסִיֵּים בְּ״מַעֲרִיב עֲרָבִים״ — לֹא יָצָא. פָּתַח בְּ״מַעֲרִיב עֲרָבִים״ וְסִיֵּים בְּ״יוֹצֵר אוֹר״ — יָצָא.

Venha e ouça: (na oração da) manhã, se começou em "Formador da luz" (Yotzer Or) e terminou em "Que traz as tardes" (Maariv Aravim) — não cumpriu sua obrigação. Se começou em "Maariv Aravim" e terminou em "Yotzer Or" — cumpriu sua obrigação.

Nota

A Guemará tenta resolver o dilema trazendo uma baraita paralela, sobre um erro análogo nas bênçãos que abrem a leitura do Shemá: se, pela manhã, alguém confunde as fórmulas e começa com a abertura de "Yotzer Or" (correta para a manhã) mas termina com o fechamento de "Maariv Aravim" (da noite), não cumpre sua obrigação; mas se começa por engano com "Maariv Aravim" e termina corretamente com "Yotzer Or", cumpre — sugerindo que "tudo segue o final".

14O mesmo se aplica, invertido, à noite
Bavli · 12a
עַרְבִית, פָּתַח בְּ״מַעֲרִיב עֲרָבִים״ וְסִיֵּים בְּ״יוֹצֵר אוֹר״ — לֹא יָצָא. פָּתַח בְּ״יוֹצֵר אוֹר״ וְסִיֵּים בְּ״מַעֲרִיב עֲרָבִים״ — יָצָא.

(À) noite, se começou em "Maariv Aravim" e terminou em "Yotzer Or" — não cumpriu sua obrigação. Se começou em "Yotzer Or" e terminou em "Maariv Aravim" — cumpriu sua obrigação.

Nota

A baraita apresenta o caso simétrico: à noite, quem começa corretamente com "Maariv Aravim" mas termina com "Yotzer Or" não cumpre; quem começa por engano com "Yotzer Or" mas termina corretamente com "Maariv Aravim" cumpre sua obrigação.

15A regra geral: tudo segue o final
Bavli · 12a
כְּלָלוֹ שֶׁל דָּבָר: הַכֹּל הוֹלֵךְ אַחַר הַחִתּוּם.

A regra geral do assunto é: tudo segue o final (da bênção).

Nota

A baraita resume seu próprio ensinamento com esse princípio, que a Guemará esperava usar para resolver o dilema do vinho e da cerveja: se tudo segue o final, também no caso do copo de cerveja tomado por vinho, a conclusão correta ("shehakol") deveria bastar para validar a bênção.

16Rejeição da prova: ali o caso é diferente, pois há um selo próprio, "Formador das luminárias"
Bavli · 12a
שָׁאנֵי הָתָם דְּקָאָמַר ״בָּרוּךְ יוֹצֵר הַמְּאוֹרוֹת״.

Diferente é o caso ali, pois se diz "Bendito... Formador das luminárias".

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
שאני התם וכו' – כלומר דלמא פתיחה אינה כלום והא דקתני יצא לפי שחוזר וחותם בה בברוך יוצר המאורות וע"י חתימתה קאמר דיצא אלא שהכל שאין חותם בה בברוך ופתיחתה אדעתא דבורא פרי הגפן הוא אימא דלא יצא:

"Diferente é o caso ali" — ou seja, talvez a abertura não valha nada, e o fato de se ensinar que cumpriu se deve a que a bênção volta e se sela com "Bendito... Formador das luminárias", e é por causa dessa conclusão que se diz que cumpriu; mas quanto a "shehakol", que não se sela com "Bendito" (uma bênção independente), e sua abertura tem a intenção de "Criador do fruto da videira" — talvez se diga que não cumpriu.

Nota

A Guemará rejeita a prova: a bênção de "Yotzer Or" é longa e possui, em seu meio, uma conclusão intermediária própria e completa — "Bendito... Formador das luminárias" — que constitui uma bênção autônoma com o Nome de D-us; por isso o final resgata todo o texto anterior. Já a bênção "shehakol" é curta, sem um selo independente equivalente, de modo que talvez ali o começo errado realmente invalide tudo, e não se possa comparar os dois casos.

17Isso funciona para Rav, mas como explicar segundo Rabi Yochanan, que exige menção da soberania?
Bavli · 12a
הָנִיחָא לְרַב דְּאָמַר כָּל בְּרָכָה שֶׁאֵין בָּהּ הַזְכָּרַת הַשֵּׁם אֵינָהּ בְּרָכָה — שַׁפִּיר. אֶלָּא לְרַבִּי יוֹחָנָן דְּאָמַר כָּל בְּרָכָה שֶׁאֵין בָּהּ מַלְכוּת אֵינָהּ בְּרָכָה, מַאי אִיכָּא לְמֵימַר?

Isso está bem segundo Rav, que disse: toda bênção que não contém a menção do Nome não é uma bênção — está bem. Mas segundo Rabi Yochanan, que disse: toda bênção que não contém (a menção d)a soberania não é uma bênção, o que há para se dizer?

Nota

A distinção proposta pressupõe que "Bendito... Formador das luminárias" é, por si só, uma bênção completa e válida. Isso funciona bem segundo Rav, para quem basta a menção do Nome divino para constituir uma bênção — e "Formador das luminárias" o contém. Mas Rabi Yochanan exige também a menção da soberania de D-us ("Rei do universo"), ausente nesse selo intermediário; segundo ele, como explicar que essa conclusão por si só valida a bênção inteira?

18Resposta: a abertura já menciona ambos, dia e noite, o Nome e a soberania
Bavli · 12a
אֶלָּא כֵּיוָן דְּאָמַר רַבָּה בַּר עוּלָּא: כְּדֵי לְהַזְכִּיר מִדַּת יוֹם בַּלַּיְלָה וּמִדַּת לַיְלָה בַּיּוֹם, כִּי קָאָמַר בְּרָכָה וּמַלְכוּת מֵעִיקָּרָא — אַתַּרְוַיְיהוּ קָאָמַר.

Mas, uma vez que disse Rabá bar Ula: a fim de mencionar o atributo do dia à noite e o atributo da noite de dia, quando disse a bênção e a soberania no início — sobre ambos (dia e noite) o disse.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
ה"ג אלא כיון דאמר כו' – אלא לא תימא משום חתימתה יצא אלא פתיחתה נמי מעלייתא היא ולא תפשוט מיניה לחמרא ושכרא דלגבי ברכות ערבית ושחרית הוא דמצי למימר דכי פתח בזו וסיים בזו יצא דהא כי פתח בשחרית אדעתא דמעריב ערבים הוה דעתיה לאדכורי בה מדת היום בלילה כגון גולל אור וכי פתח ערבית אדעתא דיוצר אור הוה דעתיה לאדכורי בה מדת לילה כגון ובורא חשך הלכך אדעתא דתרוייהו הויא:

Esta é a versão correta: "mas, uma vez que disse..." — ou seja, não digas que cumpriu apenas por causa de seu final, mas também sua abertura já é excelente; e não se pode resolver daqui o caso do vinho e da cerveja, pois quanto às bênçãos da noite e da manhã pode-se dizer que, ao começar numa e terminar noutra, cumpriu, já que ao começar de manhã com a intenção de "Maariv Aravim" já tinha em mente mencionar o atributo do dia à noite, como "que enrola a luz"; e ao começar à noite com a intenção de "Yotzer Or" já tinha em mente mencionar o atributo da noite, como "e cria as trevas"; portanto (a abertura) já tinha em mente ambos.

Nota

A Guemará responde, citando o ensinamento já conhecido de Rava (aqui atribuído a Rabá bar Ula) de 11b: como o propósito de mencionar "trevas" de dia e "luz" de noite é justamente unir os dois atributos em cada bênção, a própria abertura da bênção — seja qual for a fórmula com que se começa — já contém, em sua intenção, tanto o Nome quanto a soberania relativos aos dois períodos. Por isso, mesmo para Rabi Yochanan, não se pode usar este caso como prova para o dilema do vinho e da cerveja, pois ali a situação é estruturalmente diferente.

19Nova tentativa: o que vem incluir a expressão "regra geral"?
Bavli · 12a
תָּא שְׁמַע מִסֵּיפָא: ״כְּלָלוֹ שֶׁל דָּבָר: הַכֹּל הוֹלֵךְ אַחַר הַחִתּוּם״. כְּלָלוֹ שֶׁל דָּבָר לְאֵתוּיֵי מַאי? לָאו לְאֵתוּיֵי הָא דַּאֲמַרַן?

Venha e ouça do final (da baraita): "a regra geral do assunto é: tudo segue o final". O que vem incluir "a regra geral do assunto"? Acaso não vem incluir aquilo que dissemos?

Nota

A Guemará faz uma segunda tentativa de provar o princípio a partir da própria linguagem da baraita: a expressão "regra geral do assunto" parece indicar que o ensinamento vai além do caso específico (Yotzer Or/Maariv Aravim) já detalhado, servindo para incluir também outros casos — como, supostamente, o dilema do vinho e da cerveja mencionado antes.

20Rejeição: vem incluir pão e tâmaras, não vinho e cerveja
Bavli · 12a
לָא, לְאֵתוּיֵי נַהֲמָא וְתַמְרֵי. הֵיכִי דָמֵי? אִילֵּימָא דַּאֲכַל נַהֲמָא, וְקָסָבַר דְּתַמְרֵי אֲכַל, וּפְתַח אַדַּעְתָּא דְתַמְרֵי וְסַיֵּים בִּדְנַהֲמָא — הַיְינוּ בַּעְיָין!

Não; vem incluir pão e tâmaras. Como é o caso? Se dizes que comeu pão e pensava que comia tâmaras, e começou com a intenção de tâmaras e terminou com (a bênção) do pão — isso é exatamente nossa dúvida (a mesma que já formulamos)!

Nota

A Guemará rejeita essa segunda tentativa: a expressão "regra geral" não se refere ao caso do vinho e da cerveja, mas a um caso análogo envolvendo pão e tâmaras. Ela então testa uma primeira hipótese de como seria esse caso — mas percebe que, formulada dessa maneira, ela seria idêntica ao dilema já levantado (começar com a intenção do alimento "mais específico" e terminar com o "mais genérico"), não acrescentando nada de novo.

21Resposta: trata-se de comer tâmaras pensando em pão, e terminar com a bênção das tâmaras
Bavli · 12a
לָא צְרִיכָא: כְּגוֹן דַּאֲכַל תַּמְרֵי, וְקָסָבַר נַהֲמָא אֲכַל, וּפְתַח בִּדְנַהֲמָא, וְסַיֵּים בִּדְתַמְרֵי [— יָצָא].

Não, é necessário (o ensinamento) para o caso em que comeu tâmaras e pensava que comia pão, e começou com (a bênção) do pão e terminou com (a bênção) das tâmaras — cumpriu sua obrigação.

Nota

A Guemará esclarece: o caso realmente novo é o inverso — alguém come tâmaras pensando ser pão, começa com a bênção completa do pão ("HaMotzi", que exige lavagem das mãos e outras condições específicas), mas percebe o engano e termina corretamente com a bênção das tâmaras. Aqui há uma novidade real, já que a bênção do pão é qualitativamente diferente da das tâmaras.

22E mesmo que tivesse terminado com a bênção do pão, também cumpriria — pois as tâmaras também sustentam
Bavli · 12a
דַּאֲפִילּוּ סַיֵּים בִּדְנַהֲמָא — נָמֵי יָצָא. מַאי טַעְמָא — דְּתַמְרֵי נָמֵי מֵיזָן זָיְינִי.

Pois mesmo que tivesse terminado com (a bênção) do pão, também teria cumprido sua obrigação. Qual é o motivo? Que as tâmaras também nutrem e sustentam.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
היינו בעיין – דהא ברכת התמרים על העץ ועל פרי העץ אינה עולה לברכת הלחם ואי בהא פשטת דהכל הולך אחר חתום ברכות הוא הדין לחמרא ושכרא:

"Isso é exatamente nossa dúvida" — pois a bênção das tâmaras, "sobre a árvore e sobre o fruto da árvore", não substitui a bênção do pão; e se daqui resolvesses que tudo segue o final da bênção, o mesmo se aplicaria ao vinho e à cerveja.

Nota

A Guemará explica por que, no caso de comer tâmaras pensando em pão, mesmo terminando com a bênção errada do pão a pessoa cumpriria sua obrigação: porque as tâmaras, sendo alimento substancial e nutritivo, podem ser cobertas pela bênção do pão de forma satisfatória após o fato — algo que não se aplicaria, por exemplo, se a bênção final não correspondesse de modo algum ao alimento consumido. O caso do vinho e da cerveja, porém, permanece sem solução explícita neste ponto, e a Guemará passa a outro assunto.

O texto exato de "Emet veYatsiv" e as leis de curvar-se na oração · אֱמֶת וְיַצִּיב

23Rabá bar Chinaná, o Ancião, em nome de Rav: quem não disser "Emet veYatsiv" de manhã e "Emet veEmuná" à noite não cumpre sua obrigação
Bavli · 12a
אָמַר רַבָּה בַּר חִינָּנָא סָבָא מִשְּׁמֵיהּ דְּרַב: כָּל שֶׁלֹּא אָמַר ״אֱמֶת וְיַצִּיב״ שַׁחֲרִית, וֶ״אֱמֶת וֶאֱמוּנָה״ עַרְבִית — לֹא יָצָא יְדֵי חוֹבָתוֹ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״לְהַגִּיד בַּבֹּקֶר חַסְדֶּךָ וֶאֱמוּנָתְךָ בַּלֵּילוֹת״.

Disse Rabá bar Chinaná, o Ancião, em nome de Rav: todo aquele que não disse "Verdadeiro e Firme" (Emet veYatsiv) pela manhã, e "Verdadeiro e Fiel" (Emet veEmuná) à noite, não cumpriu sua obrigação; pois está dito: "Para anunciar de manhã Tua bondade, e Tua fidelidade nas noites" (Salmos 92:3).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
כל מי – שלא אמר ברכת אמת ויציב כמו שתקנוה וכן אמת ואמונה בערבית לא יצא: שנא' להגיד בבקר חסדך – וברכת אמת ויציב כולה על חסד שעשה עם אבותינו היא שהוציאם ממצרים ובקע להם הים והעבירם וברכת אמת ואמונה מדבר בה אף על העתידות שאנו מצפים שיקיים לנו הבטחתו ואמונתו לגאלנו מיד מלכים ומיד עריצים ולשום נפשנו בחיים ולהדריכנו על במות אויבינו כל אלה הנסים התדירים תמיד:

"Todo aquele" — que não disse a bênção "Emet veYatsiv" tal como a instituíram, e da mesma forma "Emet veEmuná" à noite, não cumpriu. "Pois está dito: para anunciar de manhã Tua bondade" — a bênção "Emet veYatsiv" trata inteiramente da bondade que fez com nossos pais, que os tirou do Egito, e fendeu para eles o mar, e os fez atravessar; e a bênção "Emet veEmuná" fala também das coisas futuras, que esperamos que Ele cumpra Sua promessa e Sua fidelidade, para nos redimir da mão dos reis e da mão dos tiranos, e para colocar nossa alma na vida, e para nos guiar sobre as alturas de nossos inimigos — todos esses milagres que se renovam continuamente.

Nota

A Guemará passa a fixar o texto exato da bênção da redenção, que se segue ao Shemá. Rav ensina que a fórmula deve variar conforme o horário: "Emet veYatsiv" pela manhã e "Emet veEmuná" à noite, apoiando-se no versículo de Salmos 92:3, que distingue "Tua bondade" (associada à manhã) de "Tua fidelidade" (associada à noite). Rashi explica a razão da distinção: a bênção matinal celebra os milagres já realizados no passado (o Êxodo do Egito, a travessia do Mar), enquanto a noturna aponta também para as redenções futuras, que dependem da fidelidade contínua de D-us às Suas promessas.

24Rabá bar Chinaná em nome de Rav: quando se curva, curva-se em "Bendito"; quando se ergue, ergue-se ao Nome
Bavli · 12a
וְאָמַר רַבָּה בַּר חִינָּנָא [סָבָא] מִשְּׁמֵיהּ דְּרַב: הַמִּתְפַּלֵּל, כְּשֶׁהוּא כּוֹרֵעַ כּוֹרֵעַ בְּבָרוּךְ, וּכְשֶׁהוּא זוֹקֵף — זוֹקֵף בַּשֵּׁם.

E disse Rabá bar Chinaná, o Ancião, em nome de Rav: aquele que reza, quando se curva, curva-se (ao dizer) "Bendito"; e quando se ergue, ergue-se (ao dizer) o Nome.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
כשהוא כורע – באבות ובהודאה כורע בברוך וזוקף את עצמו כשהוא מזכיר את השם על שם ה' זוקף כפופים (תהילים קמ״ו:ח׳):

"Quando se curva" — nas bênçãos de Avot e de Hodaá, curva-se ao dizer "Bendito", e se ergue ao mencionar o Nome, conforme o versículo "o Eterno endireita os curvados" (Salmos 146:8).

Nota

Rav ensina uma regra prática sobre o momento correto de curvar-se e erguer-se durante a Amidá (nas bênçãos de Avot e Hodaá, que têm essa exigência): deve-se curvar exatamente ao pronunciar a palavra "Bendito" (Baruch) e erguer-se de volta ao pronunciar o Nome divino — não antes, nem depois.

25Shmuel: o motivo de Rav é o versículo "o Eterno endireita os curvados"
Bavli · 12a
אָמַר שְׁמוּאֵל: מַאי טַעְמָא דְרַב — דִּכְתִיב: ״ה׳ זוֹקֵף כְּפוּפִים״.

Disse Shmuel: qual é o motivo de Rav? Porque está escrito: "O Eterno endireita os curvados" (Salmos 146:8).

Nota

Shmuel explica o fundamento bíblico da regra de Rav: se é D-us quem "endireita os curvados", convém que a pessoa se erga precisamente ao pronunciar o Nome divino, encenando na própria oração a ideia de que é D-us quem a levanta de sua posição curvada.

26Objeção de um versículo sobre o sacerdote: "diante de Meu nome ele se atemorizava"
Bavli · 12a
מֵתִיבִי: ״מִפְּנֵי שְׁמִי נִחַת הוּא״.

Objetaram: "diante de Meu nome ele se atemorizava (curvava-se)" (Malaquias 2:5).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 12a
נחת – לשון הכנעה:

"Nichat" — expressão de humilhação, de curvar-se.

Nota

A Guemará levanta uma objeção a partir de um versículo sobre o elogio ao sacerdote fiel (Malaquias 2:5): "diante de Meu nome ele se humilhava (curvava-se)" — sugerindo, ao contrário da regra de Rav, que é justamente diante do Nome divino que se deve curvar, e não erguer-se.

27Resposta: não está escrito "em Meu nome", mas "diante de Meu nome"
Bavli · 12a
מִי כְּתִיב ״בִּשְׁמִי״? ״מִפְּנֵי שְׁמִי״ כְּתִיב.

Acaso está escrito "em Meu nome"? "Diante de Meu nome" está escrito.

Nota

A Guemará resolve a objeção com uma leitura cuidadosa do versículo: ele não diz que o sacerdote se curvava "ao mencionar" o Nome, mas "diante" dele — ou seja, antes de chegar ao Nome, precisamente como ensina Rav: curva-se ao dizer "Bendito", que precede o Nome, e ergue-se somente ao pronunciá-lo.

28Shmuel a Chiyá bar Rav: "Filho da Torá, vem que te direi algo excelente que disse teu pai"
Bavli · 12a
אֲמַר לֵיהּ שְׁמוּאֵל לְחִיָּיא בַּר רַב: בַּר אוֹרְיָאן, תָּא וְאֵימָא לְךָ מִלְּתָא מְעַלַּיְיתָא דְּאָמַר אֲבוּךְ. הָכִי אָמַר אֲבוּךְ: כְּשֶׁהוּא כּוֹרֵעַ — כּוֹרֵעַ בְּ״בָרוּךְ״, כְּשֶׁהוּא זוֹקֵף — זוֹקֵף בַּשֵּׁם.

Disse Shmuel a Chiyá bar Rav: filho da Torá, vem e te direi uma coisa excelente que disse teu pai. Assim disse teu pai: quando se curva — curva-se (ao dizer) "Bendito"; quando se ergue — ergue-se (ao dizer) o Nome.

Nota

O daf fecha com uma cena pessoal e afetuosa: Shmuel se dirige a Chiyá bar Rav, filho de Rav, chamando-o carinhosamente de "filho da Torá", e lhe transmite, como algo precioso, o mesmo ensinamento de seu próprio pai sobre o momento de curvar-se e erguer-se na oração — confirmando, com a autoridade do testemunho familiar direto, a regra já estabelecida anteriormente.