O daf abre concluindo o debate de 11b: a Guemará refuta a tentativa de provar, por inferência, que a "bênção única" recitada pelos sacerdotes era "Yotzer Or", e explica que a expressão "as bênçãos não se impedem mutuamente" trata apenas da ordem de recitação. Em seguida, retoma a Mishná de Tamid sobre a leitura diária dos Dez Mandamentos no Templo e relata como essa leitura foi abolida também fora dele por causa da queixa dos hereges, com três tentativas frustradas de restabelecê-la. Identifica a bênção extra do Shabat para o turno sacerdotal que sai. A partir daí, a Guemará explora um princípio central da lei das bênçãos — "tudo segue o final" — por meio do caso de quem começa a bênção pensando em vinho e termina em cerveja (ou o inverso), e do paralelo com "Yotzer Or" e "Maariv Aravim". O daf fecha com ensinamentos de Rav sobre o texto exato de "Emet veYatsiv" e "Emet veEmuná", e sobre o momento certo de curvar-se e erguer-se durante a Amidá.
Mas, se dizes que diziam "Ahavá Rabá", qual é o sentido de "as bênçãos não se impedem mutuamente"? Talvez o fato de não dizerem "Yotzer Or" fosse porque ainda não havia chegado o horário de "Yotzer Or"; e quando chegasse o horário de "Yotzer Or", eles o diriam.
A Guemará retoma, do fim de 11b, a tentativa de Rav Yitzchak bar Yossef de reconstruir o raciocínio de Reish Lakish. Ela objeta: se de fato os sacerdotes recitavam apenas "Ahavá Rabá" (e não "Yotzer Or"), isso não prova nada sobre bênçãos que "não se impedem mutuamente" — pois pode ser, simplesmente, que ainda não tivesse amanhecido o suficiente para "Yotzer Or", e que a recitassem mais tarde, quando chegasse seu horário próprio.
E se (for) por inferência, e daí?
A Guemará insiste: mesmo concedendo que a atribuição a Reish Lakish não foi dita explicitamente, mas inferida de seu outro ensinamento, isso não resolve a objeção anterior — a inferência continua vulnerável à mesma dúvida.
Pois, se (for) por inferência, na verdade sempre diziam "Ahavá Rabá", e quando chegava o horário de "Yotzer Or" o diziam. E o que significa "as bênçãos não se impedem mutuamente"? A ordem das bênçãos.
"A ordem das bênçãos" — (refere-se a) se antecipou (a bênção) que deveria vir depois.
A Guemará conclui que a dedução de Reish Lakish, ainda que feita por inferência, não pretendia identificar qual era a "bênção única" do Templo. Na verdade, os sacerdotes sempre recitavam "Ahavá Rabá" e, no seu devido horário, também "Yotzer Or"; a expressão "as bênçãos não se impedem mutuamente" refere-se apenas à ordem de recitação — mesmo que se inverta a sequência esperada entre elas, cumpre-se a obrigação de qualquer forma, como Rashi esclarece.
E liam os Dez Mandamentos, o "Shemá", o "E será se ouvirdes", o "E disse", "Verdadeiro e Firme" (Emet veYatsiv), e (a bênção) da Avodá, e a bênção sacerdotal.
A Guemará repete o trecho da Mishná de Tamid já citado em 11b, como base para a discussão que se segue sobre a leitura diária dos Dez Mandamentos no Templo — leitura que, como se verá, não se estendeu à liturgia fora dele.
Disse Rav Yehudá, disse Shmuel: também nas regiões fronteiriças (fora do Templo) quiseram ler assim (os Dez Mandamentos todos os dias), mas já os aboliram por causa da queixa dos hereges.
"Quiseram" — fixar os Dez Mandamentos na leitura do Shemá. "Por causa da queixa dos hereges" — para que não dissessem ao povo simples: "o resto da Torá não é verdadeiro; e sabei que não se lê senão o que disse o Santo, Bendito Seja, e ouvistes de Sua boca no Sinai" — (referindo-se apenas aos Dez Mandamentos). "Os hereges" — os idólatras.
Rav Yehudá, em nome de Shmuel, revela que a leitura diária dos Dez Mandamentos, praticada no Templo, quase se estendeu também à liturgia das sinagogas fora dele — mas essa iniciativa foi abandonada por causa da queixa dos hereges. Rashi explica o temor: se apenas os Dez Mandamentos fossem lidos todos os dias, isso poderia sugerir ao povo simples que só eles — ouvidos diretamente da boca de D-us no Sinai — são verdadeiramente sagrados, e que o resto da Torá não teria a mesma origem divina.
Ensinou-se também assim (numa baraita): Rabi Natan diz: nas regiões fronteiriças quiseram ler assim, mas já os aboliram por causa da queixa dos hereges.
Uma baraita, transmitida em nome de Rabi Natan, confirma exatamente o mesmo ensinamento de Rav Yehudá e Shmuel, dando-lhe respaldo tanaítico.
Rabá bar bar Chaná pensou em fixá-los (os Dez Mandamentos na leitura diária) em Sura; disse-lhe Rav Chisda: já os aboliram por causa da queixa dos hereges.
A Guemará relata um episódio concreto: gerações depois, Rabá bar bar Chaná pensou em restabelecer a leitura diária dos Dez Mandamentos na cidade de Sura, mas Rav Chisda o deteve, recordando-lhe que a prática já havia sido abolida precisamente por causa do temor da queixa dos hereges.
Ameimar pensou em fixá-los em Neharde'a; disse-lhe Rav Ashi: já os aboliram por causa da queixa dos hereges.
O mesmo episódio se repete numa geração ainda posterior: Ameimar tenta restabelecer a prática em Neharde'a, e Rav Ashi o detém com a mesma razão. As duas tentativas frustradas mostram que a preocupação com os hereges permaneceu válida ao longo de gerações, apesar do apreço evidente dos sábios pela leitura diária dos Dez Mandamentos.
E no Shabat acrescentam uma bênção a mais para o turno que sai. O que é essa "uma bênção"? Disse Rabi Chelbo: o turno que sai diz ao turno que entra: "Aquele que fez habitar Seu Nome nesta Casa, Ele faça habitar entre vós amor e fraternidade, paz e amizade".
A Guemará volta a outro detalhe da Mishná de Tamid mencionado em 11b — a bênção extra acrescentada no Shabat para o turno sacerdotal que termina sua semana de serviço — e identifica seu texto exato pela tradição de Rabi Chelbo: uma saudação fraternal do turno que sai para o turno que entra, pedindo que D-us, que fez Sua presença habitar no Templo, faça habitar entre eles amor, fraternidade, paz e amizade.
"Onde disseram para alongar" (citação da Mishná). É óbvio: onde alguém segurava um copo de vinho em sua mão e pensava que era cerveja, e começou e abençoou com a intenção de (a bênção da) cerveja, e terminou com (a bênção) do vinho — cumpriu sua obrigação. Pois, mesmo se tivesse dito "Por cuja palavra tudo veio a ser", teria cumprido sua obrigação; pois ensinamos: sobre todos (os alimentos), se disse "Por cuja palavra tudo veio a ser" — cumpriu sua obrigação.
"Começou (com a intenção) de cerveja e terminou de vinho" — no início da bênção disse com a intenção de "shehakol", e ao chegar a "Rei do universo" lembrou-se de que era vinho e disse "fruto da videira"; é óbvio para nós que cumpriu sua obrigação, pois, mesmo se tivesse concluído toda a bênção conforme sua intenção inicial e dito "shehakol", teria cumprido sua obrigação quanto ao vinho, como ensinamos.
Citando a frase final da Mishná mencionada em 11b sobre "onde disseram para alongar" a bênção, a Guemará introduz uma nova discussão sobre o princípio "tudo segue o final da bênção". Ela começa pelo caso mais simples: quem pega um copo de vinho pensando ser cerveja, começa a bênção com a fórmula genérica "shehakol" (destinada a bebidas como a cerveja) e, ao perceber o engano, conclui corretamente com a bênção do vinho — evidentemente cumpre sua obrigação, já que mesmo a fórmula genérica "shehakol", dita por engano sobre qualquer alimento ou bebida, é válida após o fato.
Mas onde segurava um copo de cerveja em sua mão e pensava que era vinho, e começou e abençoou com a intenção do vinho, e terminou com (a bênção) da cerveja — o que (é a lei)?
"Mas" — perguntamo-nos: começou com a intenção do vinho, a fim de concluir com "fruto da videira", e, ao chegar a "Rei do universo", lembrou-se de que era cerveja e concluiu com "shehakol" — qual é a lei?
A Guemará apresenta agora o caso inverso e mais difícil: alguém começa a bênção com a intenção específica do vinho (destinada apenas ao vinho, e não válida, a princípio, para outras bebidas), mas ao perceber que segura cerveja, conclui com a fórmula correta e genérica. Aqui o problema é real, pois o início da bênção foi dirigido a um alimento específico que não corresponde ao que realmente se está bebendo.
Seguimos a essência da bênção, ou seguimos o (seu) final?
"Seguimos a essência da bênção" — e a essência da bênção foi dita com a intenção do vinho, e é como se tivesse concluído com o vinho; e a bênção do vinho não desobriga a bênção da cerveja, pois a cerveja não provém da videira.
A Guemará formula o dilema com precisão: a bênção tem duas partes — a "essência" (a intenção inicial, específica ao vinho) e o "selo" ou conclusão (a fórmula final, que corresponde à cerveja). Se seguimos a essência, a bênção seria inválida, pois foi pensada para o vinho e a cerveja não deriva da videira; se seguimos a conclusão, ela seria válida, já que terminou corretamente.
Venha e ouça: (na oração da) manhã, se começou em "Formador da luz" (Yotzer Or) e terminou em "Que traz as tardes" (Maariv Aravim) — não cumpriu sua obrigação. Se começou em "Maariv Aravim" e terminou em "Yotzer Or" — cumpriu sua obrigação.
A Guemará tenta resolver o dilema trazendo uma baraita paralela, sobre um erro análogo nas bênçãos que abrem a leitura do Shemá: se, pela manhã, alguém confunde as fórmulas e começa com a abertura de "Yotzer Or" (correta para a manhã) mas termina com o fechamento de "Maariv Aravim" (da noite), não cumpre sua obrigação; mas se começa por engano com "Maariv Aravim" e termina corretamente com "Yotzer Or", cumpre — sugerindo que "tudo segue o final".
(À) noite, se começou em "Maariv Aravim" e terminou em "Yotzer Or" — não cumpriu sua obrigação. Se começou em "Yotzer Or" e terminou em "Maariv Aravim" — cumpriu sua obrigação.
A baraita apresenta o caso simétrico: à noite, quem começa corretamente com "Maariv Aravim" mas termina com "Yotzer Or" não cumpre; quem começa por engano com "Yotzer Or" mas termina corretamente com "Maariv Aravim" cumpre sua obrigação.
A regra geral do assunto é: tudo segue o final (da bênção).
A baraita resume seu próprio ensinamento com esse princípio, que a Guemará esperava usar para resolver o dilema do vinho e da cerveja: se tudo segue o final, também no caso do copo de cerveja tomado por vinho, a conclusão correta ("shehakol") deveria bastar para validar a bênção.
Diferente é o caso ali, pois se diz "Bendito... Formador das luminárias".
"Diferente é o caso ali" — ou seja, talvez a abertura não valha nada, e o fato de se ensinar que cumpriu se deve a que a bênção volta e se sela com "Bendito... Formador das luminárias", e é por causa dessa conclusão que se diz que cumpriu; mas quanto a "shehakol", que não se sela com "Bendito" (uma bênção independente), e sua abertura tem a intenção de "Criador do fruto da videira" — talvez se diga que não cumpriu.
A Guemará rejeita a prova: a bênção de "Yotzer Or" é longa e possui, em seu meio, uma conclusão intermediária própria e completa — "Bendito... Formador das luminárias" — que constitui uma bênção autônoma com o Nome de D-us; por isso o final resgata todo o texto anterior. Já a bênção "shehakol" é curta, sem um selo independente equivalente, de modo que talvez ali o começo errado realmente invalide tudo, e não se possa comparar os dois casos.
Isso está bem segundo Rav, que disse: toda bênção que não contém a menção do Nome não é uma bênção — está bem. Mas segundo Rabi Yochanan, que disse: toda bênção que não contém (a menção d)a soberania não é uma bênção, o que há para se dizer?
A distinção proposta pressupõe que "Bendito... Formador das luminárias" é, por si só, uma bênção completa e válida. Isso funciona bem segundo Rav, para quem basta a menção do Nome divino para constituir uma bênção — e "Formador das luminárias" o contém. Mas Rabi Yochanan exige também a menção da soberania de D-us ("Rei do universo"), ausente nesse selo intermediário; segundo ele, como explicar que essa conclusão por si só valida a bênção inteira?
Mas, uma vez que disse Rabá bar Ula: a fim de mencionar o atributo do dia à noite e o atributo da noite de dia, quando disse a bênção e a soberania no início — sobre ambos (dia e noite) o disse.
Esta é a versão correta: "mas, uma vez que disse..." — ou seja, não digas que cumpriu apenas por causa de seu final, mas também sua abertura já é excelente; e não se pode resolver daqui o caso do vinho e da cerveja, pois quanto às bênçãos da noite e da manhã pode-se dizer que, ao começar numa e terminar noutra, cumpriu, já que ao começar de manhã com a intenção de "Maariv Aravim" já tinha em mente mencionar o atributo do dia à noite, como "que enrola a luz"; e ao começar à noite com a intenção de "Yotzer Or" já tinha em mente mencionar o atributo da noite, como "e cria as trevas"; portanto (a abertura) já tinha em mente ambos.
A Guemará responde, citando o ensinamento já conhecido de Rava (aqui atribuído a Rabá bar Ula) de 11b: como o propósito de mencionar "trevas" de dia e "luz" de noite é justamente unir os dois atributos em cada bênção, a própria abertura da bênção — seja qual for a fórmula com que se começa — já contém, em sua intenção, tanto o Nome quanto a soberania relativos aos dois períodos. Por isso, mesmo para Rabi Yochanan, não se pode usar este caso como prova para o dilema do vinho e da cerveja, pois ali a situação é estruturalmente diferente.
Venha e ouça do final (da baraita): "a regra geral do assunto é: tudo segue o final". O que vem incluir "a regra geral do assunto"? Acaso não vem incluir aquilo que dissemos?
A Guemará faz uma segunda tentativa de provar o princípio a partir da própria linguagem da baraita: a expressão "regra geral do assunto" parece indicar que o ensinamento vai além do caso específico (Yotzer Or/Maariv Aravim) já detalhado, servindo para incluir também outros casos — como, supostamente, o dilema do vinho e da cerveja mencionado antes.
Não; vem incluir pão e tâmaras. Como é o caso? Se dizes que comeu pão e pensava que comia tâmaras, e começou com a intenção de tâmaras e terminou com (a bênção) do pão — isso é exatamente nossa dúvida (a mesma que já formulamos)!
A Guemará rejeita essa segunda tentativa: a expressão "regra geral" não se refere ao caso do vinho e da cerveja, mas a um caso análogo envolvendo pão e tâmaras. Ela então testa uma primeira hipótese de como seria esse caso — mas percebe que, formulada dessa maneira, ela seria idêntica ao dilema já levantado (começar com a intenção do alimento "mais específico" e terminar com o "mais genérico"), não acrescentando nada de novo.
Não, é necessário (o ensinamento) para o caso em que comeu tâmaras e pensava que comia pão, e começou com (a bênção) do pão e terminou com (a bênção) das tâmaras — cumpriu sua obrigação.
A Guemará esclarece: o caso realmente novo é o inverso — alguém come tâmaras pensando ser pão, começa com a bênção completa do pão ("HaMotzi", que exige lavagem das mãos e outras condições específicas), mas percebe o engano e termina corretamente com a bênção das tâmaras. Aqui há uma novidade real, já que a bênção do pão é qualitativamente diferente da das tâmaras.
Pois mesmo que tivesse terminado com (a bênção) do pão, também teria cumprido sua obrigação. Qual é o motivo? Que as tâmaras também nutrem e sustentam.
"Isso é exatamente nossa dúvida" — pois a bênção das tâmaras, "sobre a árvore e sobre o fruto da árvore", não substitui a bênção do pão; e se daqui resolvesses que tudo segue o final da bênção, o mesmo se aplicaria ao vinho e à cerveja.
A Guemará explica por que, no caso de comer tâmaras pensando em pão, mesmo terminando com a bênção errada do pão a pessoa cumpriria sua obrigação: porque as tâmaras, sendo alimento substancial e nutritivo, podem ser cobertas pela bênção do pão de forma satisfatória após o fato — algo que não se aplicaria, por exemplo, se a bênção final não correspondesse de modo algum ao alimento consumido. O caso do vinho e da cerveja, porém, permanece sem solução explícita neste ponto, e a Guemará passa a outro assunto.
Disse Rabá bar Chinaná, o Ancião, em nome de Rav: todo aquele que não disse "Verdadeiro e Firme" (Emet veYatsiv) pela manhã, e "Verdadeiro e Fiel" (Emet veEmuná) à noite, não cumpriu sua obrigação; pois está dito: "Para anunciar de manhã Tua bondade, e Tua fidelidade nas noites" (Salmos 92:3).
"Todo aquele" — que não disse a bênção "Emet veYatsiv" tal como a instituíram, e da mesma forma "Emet veEmuná" à noite, não cumpriu. "Pois está dito: para anunciar de manhã Tua bondade" — a bênção "Emet veYatsiv" trata inteiramente da bondade que fez com nossos pais, que os tirou do Egito, e fendeu para eles o mar, e os fez atravessar; e a bênção "Emet veEmuná" fala também das coisas futuras, que esperamos que Ele cumpra Sua promessa e Sua fidelidade, para nos redimir da mão dos reis e da mão dos tiranos, e para colocar nossa alma na vida, e para nos guiar sobre as alturas de nossos inimigos — todos esses milagres que se renovam continuamente.
A Guemará passa a fixar o texto exato da bênção da redenção, que se segue ao Shemá. Rav ensina que a fórmula deve variar conforme o horário: "Emet veYatsiv" pela manhã e "Emet veEmuná" à noite, apoiando-se no versículo de Salmos 92:3, que distingue "Tua bondade" (associada à manhã) de "Tua fidelidade" (associada à noite). Rashi explica a razão da distinção: a bênção matinal celebra os milagres já realizados no passado (o Êxodo do Egito, a travessia do Mar), enquanto a noturna aponta também para as redenções futuras, que dependem da fidelidade contínua de D-us às Suas promessas.
E disse Rabá bar Chinaná, o Ancião, em nome de Rav: aquele que reza, quando se curva, curva-se (ao dizer) "Bendito"; e quando se ergue, ergue-se (ao dizer) o Nome.
"Quando se curva" — nas bênçãos de Avot e de Hodaá, curva-se ao dizer "Bendito", e se ergue ao mencionar o Nome, conforme o versículo "o Eterno endireita os curvados" (Salmos 146:8).
Rav ensina uma regra prática sobre o momento correto de curvar-se e erguer-se durante a Amidá (nas bênçãos de Avot e Hodaá, que têm essa exigência): deve-se curvar exatamente ao pronunciar a palavra "Bendito" (Baruch) e erguer-se de volta ao pronunciar o Nome divino — não antes, nem depois.
Disse Shmuel: qual é o motivo de Rav? Porque está escrito: "O Eterno endireita os curvados" (Salmos 146:8).
Shmuel explica o fundamento bíblico da regra de Rav: se é D-us quem "endireita os curvados", convém que a pessoa se erga precisamente ao pronunciar o Nome divino, encenando na própria oração a ideia de que é D-us quem a levanta de sua posição curvada.
Objetaram: "diante de Meu nome ele se atemorizava (curvava-se)" (Malaquias 2:5).
"Nichat" — expressão de humilhação, de curvar-se.
A Guemará levanta uma objeção a partir de um versículo sobre o elogio ao sacerdote fiel (Malaquias 2:5): "diante de Meu nome ele se humilhava (curvava-se)" — sugerindo, ao contrário da regra de Rav, que é justamente diante do Nome divino que se deve curvar, e não erguer-se.
Acaso está escrito "em Meu nome"? "Diante de Meu nome" está escrito.
A Guemará resolve a objeção com uma leitura cuidadosa do versículo: ele não diz que o sacerdote se curvava "ao mencionar" o Nome, mas "diante" dele — ou seja, antes de chegar ao Nome, precisamente como ensina Rav: curva-se ao dizer "Bendito", que precede o Nome, e ergue-se somente ao pronunciá-lo.
Disse Shmuel a Chiyá bar Rav: filho da Torá, vem e te direi uma coisa excelente que disse teu pai. Assim disse teu pai: quando se curva — curva-se (ao dizer) "Bendito"; quando se ergue — ergue-se (ao dizer) o Nome.
O daf fecha com uma cena pessoal e afetuosa: Shmuel se dirige a Chiyá bar Rav, filho de Rav, chamando-o carinhosamente de "filho da Torá", e lhe transmite, como algo precioso, o mesmo ensinamento de seu próprio pai sobre o momento de curvar-se e erguer-se na oração — confirmando, com a autoridade do testemunho familiar direto, a regra já estabelecida anteriormente.