O daf abre com a resposta de Rabi Akiva a Rabi Eliezer, trazendo o versículo que prova que toda a seção do Shemá — e não apenas seu primeiro parágrafo — requer intenção do coração; a Guemará confirma essa opinião como lei e discute variantes tanaíticas sobre até onde exatamente se estende a exigência de caváná dentro das duas primeiras seções. Seguem-se ensinamentos sobre o alongamento da palavra "Echad", a postura de pé exigida na primeira seção, o costume de Rabi Yehudá HaNassi de recitar apenas um versículo do Shemá, o caso de quem adormece no meio da leitura, e a proibição de recitar o Shemá deitado de bruços. O daf se encerra com a análise final da Guemará sobre a Mishná de Rabi Meir e Rabi Yehudá a respeito de saudar e responder a saudações durante as pausas e no meio da leitura do Shemá.
"Que eu te ordeno hoje, sobre teu coração" (Devarim 6:6). Daqui tu aprendes que toda a seção requer intenção.
Completa-se aqui o argumento deixado em suspenso ao final de 13a: contra Rabi Eliezer, que limitava a exigência de intenção apenas ao primeiro versículo do Shemá, Rabi Akiva traz o mesmo versículo ("estas palavras... sobre teu coração") em sentido oposto — não para restringir, mas para incluir: a palavra "hoje" ensina que os mandamentos devem ser recebidos como novos a cada dia, com pleno coração, ao longo de toda a seção, e não apenas em sua abertura.
Disse Rabá bar bar Chaná, disse Rabi Yochanan: a lei é como Rabi Akiva.
A Guemará decide a disputa a favor de Rabi Akiva: toda a seção do Shemá, e não apenas seu primeiro versículo, requer intenção consciente do coração.
Há quem ensine esta (lei de Rabi Yochanan) a respeito daquilo que foi ensinado (em outra baraita): aquele que lê o Shemá precisa dirigir seu coração. Rabi Achá, em nome de Rabi Yehudá, diz: uma vez que dirigiu seu coração no primeiro parágrafo, já não precisa mais. Disse Rabá bar bar Chaná, disse Rabi Yochanan: a lei é como Rabi Achá, que disse em nome de Rabi Yehudá.
"Há quem ensine isto" — esta (lei) de Rabá bar bar Chaná. "No primeiro parágrafo" — toda a seção do "Shemá" (Devarim 6:4-9).
A Guemará apresenta uma segunda versão de como a decisão de Rabi Yochanan foi transmitida: em vez de vinculá-la à disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Akiva, alguns a vinculam a uma baraita paralela, na qual Rabi Achá, em nome de Rabi Yehudá, ensina que basta dirigir o coração durante o primeiro parágrafo do Shemá (a seção "Shemá Yisrael" propriamente dita), sem necessidade de renovar a intenção no restante. Como esclarece Rashi, esta segunda versão chega, na prática, à mesma conclusão da primeira.
Foi ensinado em outra (baraita): "e serão" — (ensina) que não se leia em ordem inversa. "Sobre teu coração" — Rav Zutrá diz: até aqui há o mandamento da intenção; daqui em diante, o mandamento da leitura. Rabi Yoshiyá diz: até aqui há o mandamento da leitura; daqui em diante, o mandamento da intenção.
"Até aqui, o mandamento da intenção etc." — a Guemará prossegue explicando (esta baraita) por completo. "Rabi Yoshiyá diz: até aqui" — o primeiro parágrafo. "Mandamento da intenção etc." — ocorre-nos (a princípio) que seja intenção sem leitura. "Daqui em diante" — a seção "Vehayá Im Shamoa".
A Guemará traz uma nova baraita, que primeiro confirma — a partir da palavra "vehayu" ("e serão") — a regra já conhecida de não ler o Shemá em ordem inversa, e então registra uma disputa entre Rav Zutrá e Rabi Yoshiyá sobre como dividir, dentro do primeiro parágrafo, as exigências de "intenção" (caváná) e "leitura" (keriá): para Rav Zutrá, a intenção vale até "sobre teu coração" e a leitura (sem necessidade de intenção plena) domina dali em diante; para Rabi Yoshiyá, é o inverso.
Em que é diferente (o texto), que dali em diante há o mandamento da leitura — porque está escrito "para falar delas" (na segunda seção)? Também aqui (na primeira seção) está escrito "e falarás delas"!
A Guemará questiona a base de Rav Zutrá: se ele deduz o "mandamento da leitura" na segunda parte a partir da expressão "ledaber bam" ("para falar delas") na seção "Vehayá Im Shamoa", essa mesma expressão — em forma quase idêntica, "vedibartá bam" — também aparece já na primeira seção, tornando a distinção aparentemente infundada.
Isto é o que ele quer dizer: até aqui há o mandamento da intenção e da leitura; dali em diante, (apenas) leitura sem intenção.
A Guemará reformula a posição de Rav Zutrá: não se trata de que a primeira parte exija só intenção e a segunda só leitura, mas de que a primeira parte exige ambas — intenção e leitura —, enquanto a partir de "sobre teu coração" em diante basta a leitura, sem exigência de intenção consciente.
E em que é diferente (dizer que) até aqui há o mandamento da intenção e da leitura, porque está escrito "sobre teu coração... e falarás delas"? Ali também está escrito "sobre vosso coração... para falar delas".
A Guemará pressiona ainda mais: se a dupla exigência na primeira seção se baseia na combinação de "sobre teu coração" com "e falarás delas", a mesma combinação de expressões — "sobre vosso coração" e "para falar delas" — também está presente na segunda seção, o que deveria produzir ali a mesma dupla exigência.
Aquele (versículo) é necessário para o que ensinou Rabi Yitzchak, que disse: "e colocareis estas Minhas palavras" — requer-se que a colocação seja em frente ao coração.
"Que a colocação seja em frente ao coração" — pois o "e colocareis" que está escrito ali não trata de leitura e intenção, mas sim da colocação do tefilin do braço, que deve ser posto na parte superior do braço, em frente ao coração, sobre o músculo do braço (bíceps).
A Guemará resolve a dificuldade: a expressão "sobre vosso coração" na segunda seção não trata de intenção na leitura do Shemá, mas serve a outro propósito — ensinar, segundo Rabi Yitzchak, que o tefilin do braço deve ser colocado na altura do braço voltada para o coração. Por isso essa expressão não gera ali a mesma dupla exigência de caváná e keriá.
Disse o Mestre: Rabi Yoshiyá diz: até aqui há o mandamento da leitura; dali em diante, o mandamento da intenção. Em que é diferente (dizer que) dali em diante há o mandamento da intenção — por causa de estar escrito "sobre vosso coração"? Também aqui está escrito "sobre teu coração"!
Pelo raciocínio simétrico e inverso, a Guemará agora desafia a posição de Rabi Yoshiyá: se ele deriva a exigência de intenção na segunda parte a partir de "sobre vosso coração", a mesma expressão — "sobre teu coração" — já aparece na primeira seção, o que tornaria a distinção igualmente infundada.
Isto é o que ele quer dizer: até aqui há o mandamento da leitura e da intenção; dali em diante, (apenas) intenção sem leitura.
Como no caso de Rav Zutrá, a Guemará reformula também a posição de Rabi Yoshiyá: a primeira parte exige ambas, leitura e intenção; a partir dali, basta a intenção, sem que a leitura (em sentido pleno) seja mais exigida.
E em que é diferente (dizer que) até aqui há o mandamento da leitura e da intenção, porque está escrito "sobre teu coração", "e falarás delas"? Ali também está escrito "sobre vosso coração... para falar delas"!
A mesma objeção anterior é repetida em espelho para a posição de Rabi Yoshiyá: as expressões que fundamentam a dupla exigência na primeira seção também estão presentes na segunda.
Aquele (versículo) está escrito a respeito de palavras de Torá (em geral). E isto é o que o Misericordioso quer dizer: ensinai vossos filhos a Torá, para que eles a estudem.
Assim é a versão correta (do texto): "aquele (versículo) está escrito a respeito de palavras de Torá" — como se prova pelo versículo "e as ensinareis a vossos filhos etc." (Devarim 11:19).
A Guemará responde, no caso de Rabi Yoshiyá, de modo análogo ao que fez para Rav Zutrá: a expressão "para falar delas" na segunda seção não se refere à leitura do Shemá, mas ao dever geral de ensinar Torá aos filhos, de modo que dela estudem — não gerando ali a mesma dupla exigência.
Ensinaram os sábios: "Ouve, Yisrael, o Eterno é nosso D-us, o Eterno é Um" — até aqui requer-se intenção do coração — palavras de Rabi Meir. Disse Ravá: a lei é como Rabi Meir.
Traz-se ainda outra baraita, agora especificando com precisão o limite mínimo da exigência de intenção: apenas o único versículo "Shemá Yisrael..." — e não necessariamente toda a seção — requer com certeza a intenção consciente do coração, segundo Rabi Meir; Ravá decide a lei conforme esta opinião.
Foi ensinado: Sumchos diz: todo aquele que alonga (a pronúncia da palavra) "Echad" (Um) — alongam-se seus dias e seus anos. Disse Rav Achá bar Yaakov: e (isso vale) com o (letra) dálet. Disse Rav Ashi: contanto que não abrevie o chet.
"E com o dálet" — e não com o chet; pois, por mais que se diga "ach" sem o dálet, isso nada significa — que proveito há em alongá-lo? Mas com o dálet, alonga-se na medida em que, em seu coração, o proclame Único nos céus e na terra e nos quatro pontos cardeais, como se explica adiante. "Contanto que não abrevie o chet" — por causa do alongamento do dálet, não apresse sua leitura, de modo a lê-lo abreviado, sem o (som pleno da vogal) patach, pois isso não vale nada.
A Guemará passa a tratar de detalhes da pronúncia da palavra "Echad" no versículo do Shemá: Sumchos promete recompensa a quem a alonga; Rav Achá bar Yaakov especifica que o alongamento deve recair sobre a letra final, o dálet (para proclamar a unicidade divina), e não sobre o chet; Rav Ashi acrescenta que, ao alongar o dálet, não se deve apressar ou engolir o chet no início da palavra.
Rabi Yirmeyá estava sentado diante de Rabi Chiyá bar Aba; viu que ele alongava demais, e disse-lhe: uma vez que já O coroaste em cima, embaixo e nos quatro pontos cardeais dos céus — já não precisas mais.
"Que já O coroaste em cima etc." — pois já alongaste na medida suficiente para pensares em teu coração que o Eterno é Um nos céus, na terra e em Seus quatro pontos cardeais.
A Guemará relata um episódio prático que ilustra a medida correta do alongamento: Rabi Chiyá bar Aba corrige Rabi Yirmeyá por exagerar, esclarecendo que o propósito do alongamento — proclamar mentalmente a unicidade de D-us em todas as direções do universo — já se cumpre em uma extensão limitada, sem necessidade de prolongá-la ainda mais.
Disse Rav Natan bar Mar Ukvá, disse Rav Yehudá: "sobre teu coração" — de pé (parado num só lugar). "Sobre teu coração" — ocorre-te (pensar que apenas esta frase)?! Mas dize: até "sobre teu coração", de pé; dali em diante, não. E Rabi Yochanan disse: toda a seção (inteira), de pé.
"De pé" — mesmo segundo Beit Hilel, que disseram (acima, Berachot 11a) que se pode estar ocupado no trabalho e ler, ou caminhar e ler, eles concordam que é preciso permanecer parado num só lugar até este versículo, porque até aqui há o mandamento da intenção.
A Guemará traz um novo requisito para a leitura do Shemá: a exigência de permanecer parado, num só lugar (sem caminhar ou trabalhar), durante ao menos o trecho em que se exige intenção plena. Após uma correção textual, fica estabelecido que Rav Yehudá exige essa postura apenas até "sobre teu coração", enquanto Rabi Yochanan a estende a toda a primeira seção do Shemá — coerente com sua posição anterior de que toda ela requer intenção.
E Rabi Yochanan segue seu próprio critério, pois disse Rabá bar bar Chaná, disse Rabi Yochanan: a lei é como Rabi Achá, que disse em nome de Rabi Yehudá.
A Guemará observa a coerência interna da posição de Rabi Yochanan: já que ele havia decidido, anteriormente neste mesmo daf, que a lei segue a opinião de que basta dirigir o coração durante todo o primeiro parágrafo do Shemá, é consistente que exija também a postura de pé durante toda essa mesma extensão.
Ensinaram os sábios: "Ouve, Yisrael, o Eterno é nosso D-us, o Eterno é Um" — esta era a leitura do Shemá de Rabi Yehudá HaNassi. Disse Rav a Rabi Chiyá: eu não vejo Rabi aceitar sobre si o Reino dos Céus! Disse-lhe: filho de nobres, no momento em que ele passa as mãos sobre o rosto, ele aceita sobre si o jugo do Reino dos Céus.
"Eu não vejo (Rabi) aceitar sobre si o Reino dos Céus" — pois ele ensinava a seus discípulos antes do horário da Keriat Shemá, e, quando chegava o horário, eu não o via interromper (o ensino para lê-lo formalmente).
A Guemará relata o costume peculiar de Rabi Yehudá HaNassi: ele se contentava, no horário do Shemá, em recitar apenas o primeiro versículo — o mínimo estabelecido acima por Rabi Meir —, sem interromper suas aulas para uma leitura completa. Rav estranhava não vê-lo aceitar formalmente o jugo do Reino dos Céus, mas Rabi Chiyá explica que o gesto de passar as mãos sobre o rosto no meio da aula já era, para Rabi, sua forma discreta de recitar aquele versículo.
Ele voltava a completá-la (depois, sozinho), ou não voltava a completá-la? Bar Kapará diz: não voltava a completá-la. Rabi Shimon bar Rabi diz: voltava a completá-la. Disse-lhe Bar Kapará a Rabi Shimon bar Rabi: está bem, segundo a minha (opinião), que digo que ele não voltava a completá-la — por isso Rabi buscava (ensinar) uma questão que contivesse (menção) ao Êxodo do Egito. Mas, segundo a tua (opinião), que dizes que ele voltava a completá-la, por que precisaria buscar (tal questão)?
"Voltava a completá-la" — depois que os discípulos se retiravam. "Que ele buscava" — ensinar aos discípulos, todos os dias, um assunto que contivesse (menção) ao Êxodo do Egito, em lugar da seção das tzitzit e (da bênção) "Emet VeYatziv".
A Guemará registra uma disputa sobre se Rabi, depois de dispensar seus discípulos, completava sozinho a leitura integral do Shemá que havia abreviado durante a aula. Bar Kapará argumenta a partir do costume conhecido de Rabi de sempre incluir em seu ensino diário algum tema relacionado ao Êxodo do Egito: se ele já completava o Shemá depois — que inclui a menção ao Êxodo na terceira seção —, não haveria necessidade de buscar esse tema também na aula.
Para mencionar o Êxodo do Egito em seu (devido) horário.
"Em seu horário" — no horário da Keriat Shemá.
Rabi Shimon bar Rabi responde: mesmo que Rabi completasse o Shemá mais tarde (e assim mencionasse o Êxodo naquele momento posterior), ele ainda buscava incluir o tema já durante a aula, no horário próprio e fixado para a Keriat Shemá — cumprindo assim a menção do Êxodo "em seu tempo", e não apenas depois.
Disse Rabi Ilá, filho de Rav Shmuel bar Marta, em nome de Rav: aquele que disse "Ouve, Yisrael, o Eterno é nosso D-us, o Eterno é Um" e foi forçado pelo sono — cumpriu a obrigação. Disse Rav Nachman a Daru, seu servo: no primeiro versículo, incomoda-me (para acordar); mais do que isso, não me incomodes. Disse Rav Yossef a Rav Yossef, filho de Rabá: como fazia teu pai? Disse-lhe: no primeiro versículo, ele se esforçava (para ficar acordado); mais do que isso, não se esforçava.
"No primeiro versículo, incomoda-me" — se me vires cochilando, incomoda-me até que eu desperte completamente para (recitar) o primeiro versículo.
A Guemará traz três tradições que reforçam a suficiência do primeiro versículo do Shemá como cumprimento mínimo da obrigação: quem o recitou e em seguida foi vencido pelo sono já cumpriu seu dever; e tanto Rav Nachman quanto o pai de Rav Yossef (Rabá) tinham o cuidado de garantir plena vigília apenas para esse primeiro versículo, sem se preocupar em permanecer acordados para o restante da leitura.
Disse Rav Yossef: aquele que está deitado de bruços (de costas, com o rosto para cima) não deve ler a Keriat Shemá (nessa posição). (Seria de concluir que) apenas a leitura ele não deve (fazer assim), mas dormir (nessa posição) é permitido? Mas Rabi Yehoshua ben Levi amaldiçoava aquele que dorme deitado de bruços!
"De bruços" — deitado sobre suas costas, com o rosto voltado para cima. "Amaldiçoava aquele que dorme deitado de bruços" — pois talvez seu membro se enrijeça durante o sono e seja visto por outros, o que é vergonhoso.
A Guemará passa a tratar da postura corporal proibida para a leitura do Shemá: Rav Yossef proíbe recitá-lo deitado de costas, com o rosto voltado para o teto. A Guemará então questiona se essa proibição se limita à leitura, permitindo dormir nessa posição — mas isso contradiz o costume relatado de Rabi Yehoshua ben Levi, que condenava até mesmo dormir de bruços, por razões de pudor, como explica Rashi.
Disseram: dormir, quando (o corpo está) inclinado (de lado), é permitido; ler (o Shemá), mesmo quando (o corpo está) inclinado, também é proibido.
"Dormir" — para dormir. "Quando inclinado, é permitido" — quando está levemente inclinado de lado, é permitido; mas para a leitura da Keriat Shemá, mesmo inclinado, também é proibido, pois se estaria aceitando o Reino dos Céus de modo arrogante e soberbo (deitado, como um senhor).
A Guemará resolve a aparente contradição, distinguindo dois graus de postura: para dormir, basta inclinar-se levemente de lado para evitar o problema apontado por Rabi Yehoshua ben Levi; mas para a leitura do Shemá, mesmo essa inclinação leve não é suficiente — a recitação exige uma postura mais digna, pois, como nota Rashi, aceitar o jugo do Reino dos Céus deitado transmitiria uma atitude de arrogância.
Mas Rabi Yochanan se inclinava e lia!
A Guemará traz uma dificuldade da prática conhecida de Rabi Yochanan, que aparentemente lia o Shemá enquanto reclinado de lado — contradizendo a proibição que acaba de ser estabelecida.
Diferente é o caso de Rabi Yochanan, pois ele era corpulento.
A Guemará resolve a dificuldade explicando que o caso de Rabi Yochanan era excepcional: por ser fisicamente corpulento, não lhe era possível permanecer completamente ereto de modo confortável, de modo que sua leitura inclinada não constituía a mesma atitude de soberba que a proibição visa evitar em pessoas comuns.
"Entre as seções, saúda-se etc." (citação da Mishná, para análise).
A Guemará volta à Mishná do início do capítulo (unidades 16-19 de 13a) para analisar em detalhe a formulação de Rabi Meir e de Rabi Yehudá sobre saudar e responder durante a Keriat Shemá.
"E responde" — por causa de quê? Se dirás que por respeito — ora, se ele já saúda (por respeito), seria necessário (dizer) que também responde?! Mas sim: saúda por respeito, e responde a saudação de paz a qualquer pessoa. Dize a última parte: "e no meio, saúda-se por temor, e responde".
"A qualquer pessoa" — mesmo que não seja respeitável.
A Guemará examina com precisão a cláusula da Mishná de Rabi Meir sobre "responder" entre as seções: se o motivo fosse o mesmo respeito já mencionado para "saudar", a menção seria redundante (pois quem pode iniciar por respeito certamente pode responder por respeito). Conclui-se, portanto, que "responder" ali se refere a algo mais amplo — responder a saudação de qualquer pessoa, respeitável ou não, como esclarece Rashi.
"E responde" — por causa de quê? Se dirás que por temor — ora, se ele já saúda (por temor), seria necessário (dizer) que também responde? Mas sim: por respeito. Mas isso é (a opinião) de Rabi Yehudá! — pois ensinamos: Rabi Yehudá diz: no meio, saúda-se por temor e responde-se por respeito; e entre as seções, saúda-se por respeito e responde-se a saudação de paz a qualquer pessoa?
A Guemará aplica o mesmo raciocínio à cláusula sobre o "meio" das seções (segundo Rabi Meir): pelo mesmo argumento de redundância, "responder" no meio não pode significar apenas responder por temor, mas por respeito — só que essa formulação coincidiria exatamente com a posição já atribuída a Rabi Yehudá, tornando as duas opiniões idênticas, o que é uma dificuldade, já que a Mishná as apresenta como disputa.
(A Mishná) está deficiente (em sua formulação), e assim ela ensina: entre as seções, saúda-se por respeito, e nem é necessário dizer que se responde (por respeito); e no meio, saúda-se por temor, e nem é necessário dizer que se responde (por temor) — palavras de Rabi Meir. Rabi Yehudá diz: no meio, saúda-se por temor e responde-se por respeito.
"Está deficiente" — pois deveria ter ensinado, em ambos os casos, a expressão "nem é necessário dizer"; e assim não resta mais nenhuma dificuldade.
A Guemará resolve definitivamente a dificuldade com o recurso interpretativo de que a Mishná está "deficiente" (chissurei mechassera) e deve ser lida de modo reformulado: segundo Rabi Meir, tanto entre as seções quanto no meio delas, a permissão de "responder" é óbvia demais para ser mencionada como regra separada — decorre naturalmente da permissão de "saudar" — enquanto Rabi Yehudá, por distinguir os motivos (temor para saudar, respeito para responder, no meio), realmente introduz uma regra nova e distinta. Com esta reformulação, a disputa entre os dois tanaítas fica clara, e encerra-se a análise da Mishná sobre saudações durante a Keriat Shemá.