O daf completa a razão de Rabi Yehudá para não interromper entre a última palavra do Shemá e a bênção "Emet veYatsiv", citando o versículo de Yirmeyahu que se une a ela, e discute se a palavra "emet" deve ser repetida ao início dessa bênção. Segue-se uma análise do costume de Eretz Yisrael de abreviar a seção dos tzitzit na leitura noturna, e depois um retorno à Mishná para expor as razões de Rabi Yehoshua ben Korchá e de Rabi Shimon bar Yochai quanto à ordem dos três parágrafos do Shemá. Na segunda metade do daf começa uma extensa sugya nova, dedicada à ordem correta entre colocar os tefilin, ler o Shemá e orar — trazendo o costume de Rav, o caso do coveiro isento das mitzvot, e os ditos de Ulá e Rabi Yochanan sobre a gravidade de ler o Shemá sem tefilin.
"E o Eterno D-us é verdade" (Yirmeyahu 10:10) — a fonte da razão de Rabi Yehudá, deixada em suspenso ao final de 14a.
"E o Eterno D-us é verdade" — por isso não se interrompe entre "Eu sou o Eterno, vosso D-us" e "verdadeiro" (Emet).
O daf 14b abre completando exatamente a frase iniciada ao final de 14a: a razão de Rabi Yehudá para proibir a interrupção entre a última palavra do Shemá e a bênção "Emet veYatsiv" está neste versículo de Yirmeyahu, que declara "e o Eterno D-us é verdade" — unindo, em sentido, a afirmação "Eterno, vosso D-us" à palavra "verdadeiro" que abre a bênção seguinte, como se fossem uma só expressão contínua que não admite interrupção.
Repete-se e diz-se "verdadeiro" (ao início da bênção "Emet veYatsiv"), ou não se repete e não se diz "verdadeiro"?
Uma vez que a palavra "vosso D-us" do Shemá já se une, em sentido, à palavra "verdadeiro" da bênção seguinte, surge a dúvida prática: ao efetivamente recitar a bênção "Emet veYatsiv", deve-se pronunciar novamente a palavra "emet" como sua primeira palavra formal, ou essa repetição seria redundante, já tendo sido dita em conjunto com o final do Shemá?
Disse Rabi Abahu, disse Rabi Yochanan: repete-se e diz-se "verdadeiro". Rabá disse: não se repete e não se diz "verdadeiro". Houve um certo homem que desceu para conduzir o serviço de oração diante de Rabá. Rabá o ouviu dizer "verdadeiro", "verdadeiro", duas vezes. Disse Rabá: a expressão "verdadeiro, verdadeiro" capturou o coração deste homem.
"A expressão 'verdadeiro, verdadeiro' capturou este" — o ímpeto da palavra "verdadeiro" o arrebatou (fazendo-o repeti-la por hábito ou entusiasmo, e não por exigência da lei).
A dúvida é resolvida com uma divergência aberta: Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan, sustenta que se deve repetir "emet"; Rabá sustenta o oposto. A Guemará ilustra a posição de Rabá com um episódio: um oficiante que rezava diante dele disse "emet, emet" duas vezes seguidas, e Rabá comentou, com certo tom crítico, que o próprio ritmo sonoro da palavra "verdadeiro" arrastou o homem a repeti-la, sugerindo que tal repetição não tem base na lei, mas é mero hábito da língua.
Disse Rav Yossef: quão excelente é este ensinamento, que, quando veio Rav Shmuel bar Yehudá (de Eretz Yisrael para a Babilônia), disse: dizem no ocidente (em Eretz Yisrael), à noite (recita-se apenas): "fala aos filhos de Israel e dize-lhes... Eu sou o Eterno, vosso D-us (pulando o restante da seção)... verdadeiro".
"Este ensinamento" — o que Rav Shmuel bar Yehudá disse: "dizem no ocidente etc." Na Keriat Shemá da noite não se lê a seção dos tzitzit por inteiro, pois não há mandamento de tzitzit à noite; mas começa-se a recitá-la, interrompe-se e pula-se, dizendo-se "Eu sou o Eterno, vosso D-us, verdadeiro".
A Guemará passa a um novo tema, ligado ao anterior pela palavra "emet": o costume trazido de Eretz Yisrael, segundo o qual, na leitura noturna do Shemá — quando a mitzvá dos tzitzit não se aplica, por ser diurna —, não se recita a terceira seção por inteiro, mas apenas seu início e seu fim, unindo diretamente "Eu sou o Eterno, vosso D-us" à palavra "verdadeiro" da bênção seguinte. Rav Yossef elogia esse costume como particularmente elegante.
Disse-lhe Abaie: o que há de excelente nisso? Mas eis que disse Rav Cahana, disse Rav: não se começa a seção dos tzitzit à noite, mas, se começou, completa-se. E se disseres que "e dize-lhes" não é considerado o começo da seção — mas eis que disse Rav Shmuel bar Yitzchak, disse Rav: "fala aos filhos de Israel" não é considerado o começo, mas "e dize-lhes" é considerado o começo!
"Não se começa" — não há necessidade de começar a seção dos tzitzit e dizê-la à noite.
Abaie desafia o elogio de Rav Yossef: já existe uma regra estabelecida de Rav segundo a qual, à noite, não se deve sequer começar a recitar a seção dos tzitzit; mas, se alguém já começou, deve completá-la por inteiro — não interrompê-la a meio, como sugere o costume de Eretz Yisrael. E, quanto à objeção de que "e dize-lhes" ainda não seria propriamente o "começo" da seção, Abaie cita outra tradição de Rav definindo precisamente onde esse começo se dá.
Disse Rav Papa: consideram no ocidente (Eretz Yisrael) que também "e dize-lhes" não é considerado o começo, até que se diga "e farão para si franjas".
Rav Papa resolve a contradição explicando que os sábios de Eretz Yisrael definiam o "começo" da seção de modo ainda mais restrito do que a tradição de Rav citada por Abaie: para eles, mesmo as palavras "e dize-lhes" ainda não constituem o início efetivo da seção dos tzitzit — este só se dá na frase "e farão para si franjas", que vem depois. Por isso, dizer apenas "Eu sou o Eterno, vosso D-us" antes dela não obriga a completar o resto.
Disse Abaie: portanto, nós também começamos a recitar a seção dos tzitzit até "Eu sou o Eterno, vosso D-us", pois assim começam no ocidente; e, uma vez que começamos, também completamos a seção inteira, pois eis que disse Rav Cahana, disse Rav: não se começa, mas, se começou, completa-se.
"Nós também começamos" — pois assim começam no ocidente.
Abaie tira a conclusão prática de toda a discussão: como o costume de Eretz Yisrael já considera que dizer "Eu sou o Eterno, vosso D-us" ainda não é "começar" a seção, quem o faz seguindo esse costume já se enquadra na regra geral de Rav — não se começa a recitar, mas, tendo começado, completa-se por inteiro. Assim, a leniência de Eretz Yisrael citada por Rav Yossef se harmoniza plenamente com a regra estabelecida.
Chiya bar Rav disse: se disse "Eu sou o Eterno, vosso D-us" (mesmo abreviando o restante da seção), precisa dizer "verdadeiro" logo em seguida, sem interromper. Se não disse "Eu sou o Eterno, vosso D-us" (omitindo a seção dos tzitzit por completo), não precisa dizer "verdadeiro" de imediato, podendo inserir outra fórmula antes.
"Se disse 'Eu sou o Eterno, vosso D-us'" — isto é, a seção dos tzitzit. "Precisa dizer 'verdadeiro'" — conforme está escrito "e o Eterno D-us é verdade".
Chiya bar Rav estabelece a regra formal decorrente de tudo isso: a obrigação de emendar diretamente a palavra "verdadeiro" à frase do Shemá depende de ter sido pronunciada a frase "Eu sou o Eterno, vosso D-us" — pois é exatamente essa frase que o versículo de Yirmeyahu une à palavra "verdadeiro". Quem, à noite, dispensou inteiramente a seção dos tzitzit não tem essa obrigação de união imediata.
Mas não é preciso mencionar a saída do Egito também à noite, o que aconteceria por meio da bênção "Emet veEmuná", cuja recitação completa ficaria comprometida se ele pulou a seção dos tzitzit?
A Guemará objeta contra a segunda parte da regra de Chiya bar Rav: mesmo aquele que dispensou completamente a seção dos tzitzit ainda tem a obrigação de mencionar a saída do Egito na bênção seguinte — obrigação que se cumpre normalmente através da bênção completa "Emet veEmuná". Como resolver essa exigência se ele pulou diretamente para a bênção sem passar pela seção dos tzitzit?
A obrigação se cumpre porque ele diz assim: "agradecemos a Ti, Eterno, nosso D-us, que nos fizeste sair da terra do Egito e nos resgataste da casa da servidão, e fizeste por nós milagres e feitos poderosos junto ao mar, e cantamos a Ti".
"E cantamos a Ti" — continua-se com "quem é como Tu entre os poderosos" etc., "teu reinado viram teus filhos", até "que redime Israel" e "e faze-nos deitar em paz".
A Guemará responde que existe uma fórmula abreviada, específica para quem omite a seção dos tzitzit e sua bênção completa, que ainda assim cumpre a exigência de mencionar a saída do Egito: um breve trecho de agradecimento que recorda a libertação da escravidão egípcia e os milagres junto ao Mar de Suf, ligando-se, segundo Rashi, à continuação usual da liturgia noturna.
"Disse Rabi Yehoshua ben Korchá: por que precedeu a seção 'Shemá' à seção 'Vehayá im Shamoa'? Para que a pessoa aceite primeiro sobre si o jugo do Reino dos Céus, e só depois aceite sobre si o jugo das mitzvot" etc. (citação da Mishná, para nova análise).
A Guemará retoma outra cláusula da Mishná estudada nos dafim anteriores, na qual Rabi Yehoshua ben Korchá explica a ordem dos três parágrafos do Shemá: a seção "Shemá" precede "Vehayá im Shamoa" para que se aceite primeiro o jugo do Reino dos Céus — a proclamação da unidade de D-us — e só então o jugo das mitzvot, contido na segunda seção.
Foi ensinado: Rabi Shimon bar Yochai diz: por justiça (por lógica) deve preceder "Shemá" a "Vehayá im Shamoa", pois este (Shemá) é para aprender, e aquele (Vehayá im Shamoa) é para ensinar. E deve preceder "Vehayá im Shamoa" a "Vayomer" (a terceira seção), pois este (Vehayá im Shamoa) é para aprender e ensinar, e aquele (Vayomer) é para praticar.
"Este é para aprender" — como está escrito "e falarás delas". "E aquele é para ensinar" — "e as ensinareis a vossos filhos"; e se ele não aprendeu primeiro, como ensinaria a seus filhos? "E aquele é para praticar" — em "Vayomer" (a seção dos tzitzit) não há senão prática.
Rabi Shimon bar Yochai oferece uma explicação distinta da de Rabi Yehoshua ben Korchá para a mesma ordem: cada seção do Shemá corresponderia a uma etapa progressiva — a primeira, "Shemá", ao aprendizado; a segunda, "Vehayá im Shamoa", ao ensino, que pressupõe já ter aprendido; e a terceira, "Vayomer" (a seção dos tzitzit), à prática efetiva, que pressupõe já ter aprendido e ensinado.
Acaso é correto dizer que a seção "Shemá" contém apenas o mandamento de aprender, e não contém os de ensinar e praticar? Mas eis que está escrito nela "e as ensinarás com diligência", "e as atarás", "e as escreverás" (referindo-se ao ensino aos filhos, aos tefilin e à mezuzá)! E além disso: acaso "Vehayá im Shamoa" contém apenas o mandamento de ensinar, e não contém o de praticar? Mas eis que está escrito nela "e as atareis", "e as escrevereis" (também referindo-se a tefilin e mezuzá)!
A Guemará questiona a formulação exata da explicação de Rabi Shimon bar Yochai: ela parece implicar que cada seção contém apenas um único elemento (aprender, ensinar ou praticar), quando na verdade tanto o "Shemá" quanto "Vehayá im Shamoa" contêm explicitamente mandamentos de prática, como colocar os tefilin e afixar a mezuzá, além dos elementos de aprendizado e ensino.
Mas sim, é isto o que Rabi Shimon bar Yochai quis dizer: por justiça deve preceder "Shemá" a "Vehayá im Shamoa", pois este (Shemá) serve para aprender, ensinar e praticar. E deve preceder "Vehayá im Shamoa" a "Vayomer", pois este (Vehayá im Shamoa) tem nele os mandamentos de ensinar e praticar; já "Vayomer" não tem nele senão o mandamento de praticar apenas.
A Guemará corrige o entendimento da explicação: não se trata de exclusividade de cada elemento em cada seção, mas de acúmulo progressivo — "Shemá" contém os três elementos (aprender, ensinar, praticar); "Vehayá im Shamoa" contém dois (ensinar e praticar, mas já pressupõe o aprendizado anterior); e "Vayomer", a seção dos tzitzit, contém apenas o elemento de praticar, sem novo mandamento de aprender ou ensinar.
Mas que se derive isso (a ordem das seções) já do ensinamento de Rabi Yehoshua ben Korchá! Rabi Shimon bar Yochai disse uma razão, e mais outra: uma, para que a pessoa aceite sobre si o jugo do Reino dos Céus primeiro, e depois aceite sobre si o jugo das mitzvot (a razão de Rabi Yehoshua ben Korchá); e mais outra, por causa de haver nela (nesta ordem) estes outros elementos (a progressão de aprender, ensinar e praticar).
A Guemará esclarece que a explicação de Rabi Shimon bar Yochai não vem substituir a de Rabi Yehoshua ben Korchá, mas somar-se a ela: ambas as razões são válidas simultaneamente, uma centrada na aceitação progressiva do jugo do Céu e das mitzvot, e outra na progressão pedagógica de aprender, ensinar e praticar.
Rav lavava as mãos, e lia a Keriat Shemá, e só depois colocava os tefilin, e orava (nessa ordem: Shemá antes dos tefilin). Mas como ele fazia assim? Não foi ensinado em uma baraita: aquele que cava um nicho sepulcral para um morto, na sepultura, está isento da Keriat Shemá, e da oração, e dos tefilin, e de todas as mitzvot mencionadas na Torá. Quando chega o horário da Keriat Shemá, ele sobe da cova e lava as mãos, e coloca os tefilin, e lê a Keriat Shemá, e ora (nessa ordem: tefilin antes do Shemá)!
"Rav lavava as mãos" — certa vez o viram fazer assim. "Como ele fazia assim?" — que antepôs a Keriat Shemá aos tefilin. "Nicho" — sepultura que se cava nas paredes de uma caverna, de quatro côvados de comprimento e sete palmos de largura. "Está isento da Keriat Shemá" — pois quem está ocupado com uma mitzvá está isento de outra mitzvá, como dizemos no primeiro capítulo (11a): "quando estiveres sentado em tua casa" exclui quem está ocupado com uma mitzvá.
Inicia-se aqui uma nova e extensa sugya, dedicada à ordem correta entre a colocação dos tefilin e a leitura do Shemá. A Guemará relata que Rav costumava ler o Shemá antes de colocar os tefilin, e questiona essa prática à luz de uma baraita sobre alguém ocupado em cavar um túmulo — isento de todas as mitzvot enquanto ocupado nessa tarefa —, que, ao terminar, primeiro coloca os tefilin e só depois lê o Shemá, sugerindo que a ordem correta seria a oposta à de Rav.
Esta mesma baraita é difícil (contraditória): a cláusula inicial disse "isento", e a cláusula final diz que ele está obrigado a subir e cumprir as mitzvot?!
Antes de resolver a questão sobre a ordem de tefilin e Shemá, a Guemará nota uma dificuldade interna na própria baraita citada: sua primeira parte declara que o coveiro está isento de todas as mitzvot, mas sua parte final parece obrigá-lo a interromper o trabalho, subir e cumpri-las assim que chega o horário do Shemá.
Isso não é difícil: a cláusula final trata do caso de dois coveiros trabalhando juntos, e a cláusula inicial trata do caso de um só.
"E a cláusula final trata de dois" — e isto é o que ela diz: se são dois, um deixa o companheiro cavando e ele sobe e cumpre a mitzvá da Keriat Shemá, dos tefilin e da oração, e volta ao trabalho; e seu companheiro sobe, e coloca os tefilin, e lê a Keriat Shemá, e ora.
A Guemará resolve a contradição interna: quando há apenas um coveiro trabalhando sozinho, ele permanece isento por completo, pois não há quem o substitua; mas quando são dois trabalhando juntos, um pode se revezar e subir para cumprir as mitzvot enquanto o outro continua o trabalho, e por isso, nesse caso, ele está obrigado a fazê-lo.
De todo modo, isso (a ordem tefilin antes do Shemá, na baraita) é difícil para Rav (que fazia o contrário). Resposta: Rav sustenta como Rabi Yehoshua ben Korchá, que disse: primeiro aceita-se sobre si o jugo do Reino dos Céus, e só depois aceita-se o jugo das mitzvot.
"De todo modo" — na baraita, a ordem é que os tefilin precedem a Keriat Shemá. "O jugo das mitzvot" — pois colocar os tefilin é um exemplo do jugo de uma mitzvá.
Mesmo depois de resolvida a contradição interna da baraita, permanece o problema original: ela ensina que se colocam os tefilin antes de ler o Shemá, contrariando a prática de Rav. A Guemará responde que Rav se baseava precisamente no princípio de Rabi Yehoshua ben Korchá — aceitar primeiro o jugo do Reino dos Céus (pela leitura do Shemá) e só depois o jugo das mitzvot (como a colocação dos tefilin).
Diz-se que Rabi Yehoshua ben Korchá ensinou apenas a antepor uma leitura a outra leitura (o "Shemá" a "Vehayá im Shamoa"); mas ensinar a antepor uma leitura a uma prática, onde ouviste isso dele?!
A Guemará contesta a resposta anterior: o ensinamento de Rabi Yehoshua ben Korchá tratava apenas da ordem interna entre as próprias seções do Shemá — todas elas atos de "leitura" —, e não estabelece necessariamente que uma leitura (como o Shemá) deva preceder um ato de prática distinto, como a colocação dos tefilin.
E mais: será que Rav de fato sustentava como Rabi Yehoshua ben Korchá? Mas não disse Rav Chiya bar Ashi: muitas vezes eu estava de pé diante de Rav, e ele se antecipava e lavava as mãos, e abençoava (a bênção da Torá), e nos ensinava nosso capítulo (de Mishná), e colocava os tefilin, e só então lia a Keriat Shemá (ordem inversa à do relato anterior)! E se disseres que isso ocorria quando ainda não havia chegado o horário da Keriat Shemá (por isso ele colocava os tefilin primeiro, sem contradição) — se assim for, qual seria o valor de o testemunho de Rav Chiya bar Ashi?
"E se antecipava" — madrugava. "E abençoava" — sobre a Torá. "E nos ensinava nosso capítulo" — logo, ele se antecipava a ocupar-se com a Torá, que é a prática de uma mitzvá, antes de aceitar sobre si o Reino dos Céus.
A Guemará traz um segundo testemunho, agora de Rav Chiya bar Ashi, que contradiz diretamente a suposição de que Rav seguia a ordem "Shemá antes dos tefilin": ele relata ter visto Rav, repetidas vezes, colocar os tefilin antes de ler o Shemá. A tentativa de explicar isso como tendo ocorrido antes do horário do Shemá é rejeitada, pois nesse caso o testemunho perderia todo o seu valor probatório.
O testemunho vem excluir a opinião daquele que disse que para o estudo da Mishná não é necessário abençoar; o testemunho nos ensina que também para a Mishná é necessário abençoar.
A Guemará reinterpreta a finalidade do relato de Rav Chiya bar Ashi: ele não pretendia estabelecer a ordem entre tefilin e Shemá, mas apenas demonstrar, contra uma opinião divergente, que a bênção sobre o estudo da Torá deve ser recitada mesmo antes de estudar Mishná — e não apenas antes de estudar Torá Escrita.
De todo modo, isso é difícil para Rav (pois ele colocou os tefilin antes do horário do Shemá, mas isso ainda não explica por que noutra ocasião ele leu o Shemá antes de colocar os tefilin)! Resposta: foi o mensageiro que errou (atrasando-se em lhe trazer os tefilin).
"Foi o mensageiro que errou" — o mensageiro estragou o costume habitual, pois atrasou-se em trazer-lhe os tefilin desde o início, e chegou o horário da Keriat Shemá, e ele foi obrigado a ler o Shemá sem os tefilin, para que o horário não passasse; e quando o mensageiro dos tefilin chegou, ele os colocou.
A Guemará conclui a sugya com uma resposta pontual e definitiva: o costume normal e habitual de Rav era, de fato, colocar os tefilin antes de ler o Shemá, como testemunhou Rav Chiya bar Ashi. O episódio isolado em que ele leu o Shemá antes dos tefilin ocorreu apenas por uma circunstância acidental — o atraso de um mensageiro em lhe entregar os tefilin —, e não representa sua prática regular nem uma posição legal deliberada.
Disse Ulá: todo aquele que lê a Keriat Shemá sem tefilin é como quem testemunha falsamente contra si mesmo (pois declara, na leitura, o mandamento de usá-los, e não o cumpre). Disse Rabi Chiya bar Aba, disse Rabi Yochanan: é como quem oferece uma oferenda de subida sem sua oferenda de farinha, e um sacrifício sem suas libações.
"É como quem testemunha falsamente contra si mesmo" — expressão suavizada, no lugar de dizer que ele mesmo é o falso testemunho. "É como quem oferece uma oferenda de subida sem sua oferenda de farinha" — pois a Escritura obriga a oferecê-la junto, como está dito: "e um décimo de efá" etc. (Bamidbar 28:5); também aquele que lê o Shemá e não cumpre o mandamento dos tefilin não completa a mitzvá. "Libações" — é o vinho que se derrama sobre o altar após a oferenda de subida e o sacrifício, conforme está escrito: "e suas libações, metade de um hin" etc. (ali); e o mesmo se poderia dizer "como quem oferece uma oferenda de subida sem farinha e sem libações", pois a oferenda de subida também requer libações — mas o sábio usou a linguagem do versículo: "oferenda de subida e farinha, sacrifício e libações".
Encerrada a sugya sobre a ordem entre tefilin e Shemá, a Guemará traz dois ditos que enfatizam a gravidade de ler o Shemá sem os tefilin colocados. Ulá compara essa omissão a um falso testemunho, pois o próprio texto do Shemá contém o mandamento de usar os tefilin ("e as atarás por sinal em tua mão"), e quem o lê sem cumpri-lo proclama, com sua própria boca, algo que sua ação desmente. Rabi Yochanan, em nome de Rabi Chiya bar Aba, compara-a a um sacrifício oferecido de forma incompleta — tecnicamente válido, mas privado de sua plenitude.
E disse Rabi Yochanan: aquele que deseja aceitar sobre si o jugo completo do Reino dos Céus (a frase prossegue no início do daf 15a, descrevendo a sequência ideal: aliviar-se, lavar as mãos, colocar os tefilin, ler a Keriat Shemá e orar — "e esse é o jugo completo do Reino dos Céus").
O daf 14b termina no meio de um ensinamento de Rabi Yochanan, que descreve a sequência ideal e completa dos atos preparatórios para a oração — culminando na expressão "jugo completo do Reino dos Céus". A frase e sua lista de atos (aliviar-se, lavar as mãos, colocar os tefilin, ler o Shemá e orar) se completam já na primeira linha do daf 15a.
Ver também no Talmud Yerushalmi. A partir da unidade 16 acima, este daf inicia a extensa sugya sobre a ordem entre tefilin, Shemá e oração — o mesmo tema central da halachá 2:3 do Yerushalmi, que trata em detalhe do uso dos tefilin.
Yerushalmi Berachot 2:3 →