O daf abre completando a frase cortada ao final de 15b: por que a Torá justapõe "tendas" a "rios", ensinando que as casas de estudo elevam o homem da culpa ao mérito. Em seguida, um episódio sobre o casamento de Rabi Elazar leva a um ensinamento de Rabi Yochanan sobre reler o Shemá quando se erra e não sabe onde. A Mishná então introduz os artesãos que podem ler o Shemá — mas não orar a Amidá — no alto da árvore ou da construção; a Guemará distingue essa permissão conforme a árvore e o capítulo do Shemá, debate se a leitura exige concentração plena (episódio de Rav Marí e Rava), e detalha as regras para trabalhadores contratados quanto à Keriat Shemá, à Amidá e ao Birkat Hamazon abreviado. O daf fecha com a lei do noivo isento da Keriat Shemá na primeira noite, e a leitura midráshica de "estando sentado em tua casa" e "andando pelo caminho".
(Completando a pergunta de Rabi Chama bar Chanina, deixada em suspenso ao final de 15b: "por que foram justapostas...") "Tendas" a "rios" (Bamidbar 24:6, no oráculo de Bilam), pois está escrito: "como riachos que se estendem, como jardins junto ao rio, como tendas que o Eterno plantou, etc." — isso vem dizer-te: assim como os rios fazem subir o homem da impureza à pureza (pela imersão), também as tendas (as casas de estudo) fazem subir o homem do prato de culpa ao prato de mérito.
"Também as tendas" — são as casas de estudo. A expressão "tendas" é usada com o verbo "plantar" porque essa linguagem se aplica a elas, como está dito: "e plantará as tendas de seu palácio" (Daniel 11:45).
O daf abre completando exatamente a frase interrompida ao final de 15b. Rabi Chama bar Chanina explica por que o versículo de Bilam justapõe "tendas" a "rios": assim como o rio purifica quem nele se imerge, tirando-o do estado de impureza, as casas de estudo — chamadas "tendas" porque nelas se "planta" a Torá — elevam o homem que nelas se dedica, fazendo-o passar da condição de culpado à de merecedor, por mérito do estudo e do arrependimento ali gerados.
A Mishná ensinou: "quem lê a Keriat Shemá de trás para diante (fora da ordem correta) não cumpriu a obrigação, etc."
A Guemará retoma outra cláusula da Mishná já citada, sobre a invalidade de ler o Shemá fora da ordem correta dos parágrafos e versículos, para introduzir, a seguir, um episódio ilustrativo sobre esse tema por meio de um relato envolvendo Rabi Elazar.
Rabi Ami e Rabi Assi estavam preparando o dossel nupcial para Rabi Elazar (organizando seu casamento). Disse-lhes Rabi Elazar: enquanto isso, irei e ouvirei algum ensinamento da casa de estudo, e virei e vos direi o que ouvi. Foi, e encontrou o tanaíta (o repetidor de baraitot) que ensinava diante de Rabi Yochanan:
"Estavam preparando para ele o dossel" — armavam-lhe a chupá para casá-lo com uma mulher.
Inicia-se um episódio narrativo: enquanto seus colegas Rabi Ami e Rabi Assi cuidavam dos preparativos de seu casamento, Rabi Elazar preferiu ir ouvir um ensinamento na casa de estudo, mostrando a prioridade do estudo da Torá mesmo em meio às preocupações pessoais mais alegres. Lá, ele encontra um tanaíta recitando uma baraita diante de Rabi Yochanan, cujo conteúdo será revelado a seguir.
Aquele que leu a Keriat Shemá e errou, e não sabe onde errou: se estava no meio do capítulo — deve voltar ao início desse capítulo; se estava entre um capítulo e outro (sem saber se terminou o primeiro ou já começou o segundo) — deve voltar ao início do primeiro capítulo; se estava entre uma seção da Torá escrita nos tefilin ou mezuzá e outra — deve voltar ao início da primeira seção.
A baraita estabelece a regra prática para quem, ao ler a Keriat Shemá, comete um erro e perde o lugar sem saber exatamente onde errou: em cada caso, aplica-se o princípio da dúvida, exigindo retornar ao ponto anterior mais seguro — o início do capítulo em curso, ou o início da sequência de capítulos, ou o início da sequência de seções escritas — para garantir que toda a leitura seja cumprida corretamente.
Disse-lhe Rabi Yochanan ao tanaíta: não ensinaram isso (a necessidade de voltar ao início) senão quando o leitor ainda não começou as palavras "para que se multipliquem os vossos dias" (Devarim 11:21, do terceiro parágrafo do segundo capítulo); mas, se já começou "para que se multipliquem os vossos dias" — a boca dele segue a sequência habitual e prossegue naturalmente, sem necessidade de voltar.
"E disse Rabi Yochanan" — ao tanaíta, corrigindo o alcance da baraita, etc. "A boca dele segue a sequência habitual" — não há risco de errar daqui até a bênção "Emet veYatsiv" (verdadeiro e firme, que segue o Shemá), e não precisa voltar senão até essa bênção "Emet", pois a passagem já está fluente em sua boca (por repetição, e o hábito o conduz corretamente sem risco real de confusão).
Rabi Yochanan limita o alcance da regra anterior: a exigência de recomeçar do início só se aplica à parte inicial da leitura, ainda pouco automatizada; uma vez alcançada a passagem final e bastante repetida — "para que se multipliquem os vossos dias" — a familiaridade da boca com o texto torna improvável um erro real, de modo que a pessoa pode simplesmente prosseguir a leitura habitual sem voltar atrás.
Rabi Elazar veio e disse-lhes a Rabi Ami e Rabi Assi o que ouvira. Disseram-lhe: se não tivéssemos vindo a este mundo senão para ouvir esta coisa — já nos bastaria.
O episódio se encerra com Rabi Elazar retornando aos preparativos de seu casamento e relatando aos colegas o ensinamento que ouvira. A reação entusiasmada deles — "já nos bastaria" — expressa o valor supremo atribuído ao aprendizado de uma única halachá prática e precisa, mesmo em meio às ocupações festivas do casamento, encerrando assim toda a sugya sobre a leitura do Shemá iniciada em 15a.
Mishná. Os artesãos — leem o Shemá no alto da árvore e no alto da fileira de pedras em construção; o que não lhes é permitido fazer assim na oração (a Amidá, que exige posição estável).
"Mishná. Os artesãos" — que estão ocupados em seu trabalho no alto da árvore ou no alto da fileira de pedras, e chegou o horário da Keriat Shemá — leem ali mesmo, imediatamente. "Fileira de pedras" — é uma construção de pedras, como em "fileiras de pedra bruta" (Ezra 6:4).
Uma nova Mishná abre uma nova sugya, dedicada às leis da Keriat Shemá para quem está ocupado em trabalho físico no alto de uma árvore ou de uma construção. A permissão de lá mesmo ler o Shemá — sem descer — contrasta com a exigência, quanto à Amidá, de descer ao chão, por essa oração exigir maior estabilidade e concentração. Este é precisamente o tema paralelo tratado no Talmud Yerushalmi, Berachot 2:5.
O noivo é isento da Keriat Shemá na primeira noite, e essa isenção pode estender-se até o fim do Shabat, se não realizou o ato (a consumação do casamento — pois, se casou perto do Shabat e ainda está tenso, a isenção persiste). E houve um caso com Rabán Gamliel, que se casou e leu o Shemá na primeira noite. Disseram-lhe seus discípulos: não nos ensinaste tu, nosso mestre, que o noivo é isento da Keriat Shemá? Disse-lhes: não vos dou ouvidos para anular de mim o jugo do Reino dos Céus nem sequer por uma hora.
A segunda cláusula da Mishná trata de um caso muito diferente: o noivo, que está mentalmente perturbado pelas preocupações do casamento e não consegue concentrar-se devidamente, é isento da obrigação da Keriat Shemá — isenção que pode se estender por vários dias, até o fim do Shabat seguinte, caso ainda não tenha consumado a união. O relato sobre Rabán Gamliel ilustra que, apesar da isenção legal, um sábio pode optar por cumprir a mitzvá mesmo assim, por seu amor pessoal ao jugo do Reino dos Céus, recusando abrir mão dela mesmo por uma hora.
Guemará. Ensinaram os sábios: os artesãos — leem o Shemá no alto da árvore e no alto da fileira de pedras; e oram a Amidá no alto da oliveira e no alto da figueira (árvores de copa firme, onde se sustentam bem). E quanto às demais árvores, todas — descem para baixo e oram. E o dono da casa, de um modo ou de outro (mesmo na oliveira ou na figueira), desce para baixo e ora, porque sua mente não está serena sobre ele para orar no alto, já que não tem a urgência do trabalhador contratado.
"Guemará. E oram no alto da oliveira e no alto da figueira" — quando estão ocupados colhendo nelas, porque seus ramos são numerosos e podem ficar ali sem aperto, e não há ali medo de cair; por isso oram no alto delas; mas nas demais árvores não oram lá em cima. "De um modo ou de outro" — ou seja, seja na figueira, seja nas demais árvores.
A baraita citada pela Guemará precisa e amplia a Mishná: enquanto a leitura do Shemá é permitida no alto de qualquer árvore ou construção, a oração da Amidá — que exige mais estabilidade física e mental — só é permitida no alto de árvores especialmente firmes e amplas como a oliveira e a figueira; nas demais, é preciso descer. Mesmo assim, o próprio dono da propriedade (que não está sob pressão de tempo como o trabalhador contratado) deve sempre descer para orar, pois sua mente não estaria serena o suficiente lá em cima sem essa urgência. Este trecho corresponde exatamente à baraita citada no Talmud Yerushalmi, Berachot 2:5, §2 (ver a halachá paralela).
Contrapôs Rav Marí, filho da filha de Shmuel, a Rava: aprendemos na Mishná: os artesãos leem o Shemá no alto da árvore e no alto da fileira de pedras — logo, não se exige concentração plena, já que estão ocupados no trabalho. E contraponho: aquele que lê a Keriat Shemá precisa concentrar o seu coração, pois está dito: "ouve, ó Israel"; e adiante a Torá diz: "cala-te e ouve, ó Israel" (Devarim 27:9) — assim como ali é com "cala-te" (silêncio total e atenção plena), também aqui é com "cala-te".
Rav Marí levanta uma contradição entre duas fontes: a Mishná parece indicar que os artesãos podem ler o Shemá enquanto trabalham, sem exigência de concentração plena; mas uma analogia verbal (gezerá shavá) entre "Shemá Israel" e "cala-te e ouve, ó Israel" sugere que a Keriat Shemá exige silêncio e atenção total, análogos aos exigidos no estudo da Torá — o que pareceria incompatível com continuar trabalhando durante a leitura. Esta mesma contradição aparente é discutida no Talmud Yerushalmi, Berachot 2:5, §8, quanto à concentração exigida na leitura do Shemá e na oração.
Rava ficou em silêncio. Disse-lhe Rav Marí: ouviste algo sobre isso? Disse-lhe Rav Marí, respondendo ele mesmo: assim disse Rav Sheshet: e isso, quanto à Mishná dos artesãos, refere-se apenas a quando eles cessam de seu trabalho e então leem.
Diante do silêncio de Rava — que não soube resolver de imediato a contradição —, o próprio Rav Marí revela a solução que já conhecia em nome de Rav Sheshet: a permissão da Mishná para os artesãos lerem o Shemá no alto da árvore ou da construção pressupõe que eles interrompam totalmente o trabalho durante a leitura, preservando assim a concentração exigida; não se trata, portanto, de ler enquanto se continua a trabalhar.
Mas não foi ensinado em uma baraita: Beit Hilel diz: podem permanecer ocupados em seu trabalho e ler o Shemá ao mesmo tempo!
Levanta-se uma objeção contra a resposta de Rav Sheshet: existe uma baraita — já citada anteriormente na Mishná do primeiro capítulo (Berachot 11a) — segundo a qual Beit Hilel permite explicitamente continuar trabalhando enquanto se lê o Shemá, contradizendo a exigência de interromper totalmente o trabalho.
Não é difícil: esta (a permissão de Beit Hilel de continuar trabalhando) refere-se ao primeiro capítulo do Shemá — que exige concentração plena, mas é curto e não impede o trabalho manual; esta (a exigência de cessar o trabalho) refere-se ao segundo capítulo ou aos demais, onde a concentração já não é tão exigida, mas por outros motivos requer maior atenção.
"Primeiro capítulo" — a seção do "Shemá" (o primeiro parágrafo) exige concentração plena, por isso Beit Hilel, que ali permite trabalhar, deve referir-se a um trabalho leve, compatível com essa concentração; a exigência de Rav Sheshet de cessar totalmente aplica-se ao segundo capítulo, "Vehayá im shamoa", que não exige a mesma concentração do coração, mas ainda assim requer atenção suficiente para não haver equívocos.
A Guemará resolve a contradição distinguindo entre os capítulos do Shemá: a permissão de Beit Hilel para continuar trabalhando refere-se ao primeiro capítulo, e a exigência de Rav Sheshet de cessar todo trabalho refere-se ao segundo capítulo — harmonizando, assim, as duas fontes sem contradição real.
Ensinaram os sábios: os trabalhadores que estavam fazendo trabalho para o dono da casa — leem a Keriat Shemá e abençoam as bênçãos que a envolvem, antes dela e depois dela. E comem seu pão e abençoam antes dele e depois dele, e rezam a oração de dezoito bênçãos, completa. Mas não descem diante da arca (para servir de chazan, oficiante público), e não levantam as suas mãos (para a bênção sacerdotal, caso sejam cohanim).
"Leem a Keriat Shemá e abençoam antes dela e depois dela" — conforme sua forma estabelecida completa; e assim também no que se refere ao horário da oração (a Amidá completa). "Mas não descem diante da arca" — não têm permissão para se ausentar de seu trabalho e descer diante da arca para servir de emissário público, pois isso implicaria uma ausência do trabalho excessiva demais.
Esta baraita estabelece o padrão geral: os trabalhadores contratados devem cumprir integralmente a Keriat Shemá (com suas bênçãos), o Birkat Hamazon (com suas bênçãos) e a Amidá completa de dezoito bênçãos — sem qualquer abreviação —, mas não podem assumir funções públicas adicionais, como servir de chazan ou levantar as mãos na bênção sacerdotal, pois isso implicaria uma ausência excessiva do trabalho, prejudicando indevidamente o patrão. Corresponde ao início da halachá paralela no Talmud Yerushalmi, Berachot 2:5, §5, sobre os trabalhadores horistas.
Mas não foi ensinado em outra baraita: rezam apenas uma versão semelhante às dezoito bênçãos, abreviada! Disse Rav Sheshet: não é difícil: esta (a que exige a Amidá completa) é a posição de Rabán Gamliel; esta (a que permite a versão abreviada) é a posição de Rabi Yehoshua.
Surge uma contradição com outra baraita, que permite aos trabalhadores rezar apenas uma versão abreviada — "Havinenu", que resume o conteúdo das dezoito bênçãos numa só. Rav Sheshet resolve atribuindo cada baraita a um sábio diferente da conhecida disputa sobre a Amidá: Rabán Gamliel, que exige as dezoito bênçãos completas para todos, e Rabi Yehoshua, que permite a versão abreviada.
Se a baraita que permite a versão abreviada é a posição de Rabi Yehoshua, por que haveria de mencionar especificamente os trabalhadores? Segundo Rabi Yehoshua, até mesmo qualquer pessoa poderia rezar a versão abreviada!
A Guemará questiona a solução de Rav Sheshet: se Rabi Yehoshua permite a todos rezar a versão abreviada, independentemente de sua ocupação, não haveria razão para a baraita mencionar especificamente os trabalhadores — a lei se aplicaria igualmente a qualquer pessoa, o que sugere que a distinção não é, de fato, sobre a disputa geral entre Rabán Gamliel e Rabi Yehoshua.
Mas antes, esta baraita e aquela baraita são a posição de Rabán Gamliel, e não é difícil a contradição entre elas: aqui (a versão abreviada aplica-se a trabalhadores) que trabalham por seu salário (pagos em dinheiro, e por isso mais apressados); aqui (a Amidá completa aplica-se a trabalhadores) que trabalham por sua própria refeição (pagos em comida, com menos pressa).
A Guemará abandona a distinção anterior e propõe uma nova: ambas as baraitot seguem Rabán Gamliel (que, em geral, exige a Amidá completa), mas se aplicam a situações diferentes — o trabalhador pago em salário, mais apressado por seu tempo ser mais precioso ao patrão, pode abreviar a Amidá; já o trabalhador pago com sua própria refeição, com menos pressão de tempo, deve rezá-la por completo.
Mas não foi ensinado em outra baraita: os trabalhadores que estavam fazendo trabalho para o dono da casa — leem a Keriat Shemá e rezam a Amidá, sem detalhar se completa ou abreviada. E comem seu pão — e não abençoam antes dele, mas abençoam depois dele duas bênçãos apenas. Como assim? A primeira bênção conforme sua forma estabelecida; a segunda bênção abre com a bênção da terra, e incluem "que constrói Jerusalém" dentro da bênção da terra (fundindo a segunda e a terceira bênçãos numa só).
Surge uma nova dificuldade: esta baraita ensina que os trabalhadores nem sequer abençoam antes de comer o pão, e que, depois de comer, recitam apenas duas bênçãos em vez de quatro — fundindo a segunda e a terceira num só texto —, o que parece contradizer a primeira baraita citada, que exigia todas as bênçãos completas. Esta é exatamente a mesma lei detalhada no Talmud Yerushalmi, Berachot 2:5, §5.
Em que caso se disseram estas palavras (sobre a abreviação do Birkat Hamazon)? Quando os trabalhadores trabalham por seu salário; mas se trabalham por sua própria refeição, ou se o dono da casa estava reclinado à mesa com eles (comendo junto) — abençoam conforme a forma estabelecida completa.
"Trabalham por seu salário" — que recebem pagamento por seu trabalho, além de sua refeição; precisam apressar o trabalho, e por isso rezam a versão semelhante às dezoito bênçãos, abreviada. "E não abençoam antes dele" — porque essa bênção prévia não é obrigação vinda da Torá. "Mas se trabalham por sua refeição" — trabalhando apenas em troca da comida, rezam as dezoito bênçãos completas.
A Guemará harmoniza as duas baraitot com a mesma distinção já estabelecida: o trabalhador pago em salário, sob maior pressão de tempo, abrevia tanto a Amidá quanto o Birkat Hamazon; já o trabalhador pago apenas com sua refeição — ou que come junto com o próprio patrão, situação em que não há pressa excessiva — recita todas as bênçãos por completo, sem abreviação alguma. Com isso, encerra-se a sugya sobre os trabalhadores, cujo conteúdo corresponde integralmente à halachá paralela do Talmud Yerushalmi, Berachot 2:5 (ver comparação completa).
Trilha comparada: O Yerushalmi (Berachot 2:5) traz a mesma Mishná dos artesãos e desenvolve o mesmo conjunto de leis sobre trabalhadores, Birkat Hamazon abreviado, o carregador de fardos e a concentração exigida na leitura — com detalhes adicionais como a proibição de fazer sinais com os olhos e o cuidado com moedas na mão durante a oração.
Ver Yerushalmi 2:5 →A Mishná ensinou: o noivo é isento da Keriat Shemá. Ensinaram os sábios: "estando tu sentado em tua casa" (Devarim 6:7 e 11:19) — isso exclui aquele que está ocupado no cumprimento de um mandamento (que fica isento de outros deveres enquanto o realiza). "E andando tu pelo caminho" — isso exclui o noivo (cuja mente está voltada para outra preocupação, análoga a estar "fora de casa"). Daqui disseram: aquele que desposa a virgem (pela primeira vez) — é isento; mas aquele que desposa a viúva — é obrigado.
A Guemará retoma a última cláusula da Mishná — a isenção do noivo — e busca sua fonte bíblica: o versículo que introduz a obrigação da Keriat Shemá descreve situações cotidianas ("sentado em casa", "andando pelo caminho") que, lidas de forma exclusiva, servem para isentar quem está ocupado com outro mandamento, ou o noivo, cuja mente está naturalmente distraída pela novidade e pela responsabilidade do casamento — mas apenas quando desposa uma virgem, situação de maior tensão emocional do que ao desposar uma viúva.
De onde se infere isso (que "andando pelo caminho" exclui especificamente o noivo)? Disse Rav Papa: a expressão indica uma situação como a de "caminho" (uma viagem comum): assim como o caminho é uma atividade facultativa, também aqui (a situação do noivo) é uma situação facultativa — e não obrigatória como o cumprimento de outro preceito.
Rav Papa explica por que o versículo sobre "andar pelo caminho" foi interpretado especificamente como referência ao noivo, e não a qualquer viajante genérico: a comparação implícita é de que, assim como uma viagem comum é uma atividade facultativa (não uma mitzvá), a preocupação do noivo com seu casamento também é, tecnicamente, algo facultativo, e não o cumprimento direto de um mandamento — distinguindo-o, assim, de quem está genuinamente ocupado com uma mitzvá.
Acaso não tratamos também do caso de alguém que vai pelo caminho a caminho de cumprir um mandamento, e, mesmo assim, disse o Misericordioso (a Torá): que leia o Shemá?
Levanta-se uma objeção contra a explicação de Rav Papa: mesmo alguém que viaja especificamente para cumprir um mandamento — portanto, em uma situação não meramente facultativa — ainda assim é obrigado a ler o Shemá durante a viagem, segundo o próprio versículo "e andando pelo caminho". Isso parece contradizer a ideia de que o versículo se refere apenas a situações facultativas.
Se assim (se a Torá quisesse incluir toda viagem, mesmo a de mandamento), que o versículo dissesse "andando" (belechet, forma impessoal); por que então "em teu andar" (belechtechá, com o pronome possessivo "teu")? Disso se aprende: apenas quanto ao teu próprio andar (facultativo, pessoal) és obrigado a ler o Shemá; mas quanto ao andar a caminho de cumprir um mandamento — estás isento.
A Guemará resolve a dificuldade com uma leitura precisa do texto: o versículo usa a forma pessoal "em teu andar" (com o sufixo possessivo), e não a forma impessoal "andando". Isso ensina que a obrigação de ler o Shemá durante o caminho aplica-se apenas a uma viagem facultativa e pessoal do próprio indivíduo; quem viaja especificamente a caminho de cumprir um mandamento está isento da leitura, pois já está ocupado com outro preceito — confirmando, assim, a explicação original de Rav Papa e encerrando o daf.