O daf abre com uma objeção final sobre a isenção do noivo, comparando-a à situação do endoentado, o que traz à tona um novo tema por meio da Mishná: Rabán Gamliel banhou-se na primeira noite após a morte de sua esposa, e depois aceitou condolências pela morte de seu escravo Tevi, justificando ambos os atos por sua condição especial e pela integridade excepcional de Tevi. A Guemará examina essa Mishná, traz a baraita sobre não se aceitarem condolências por escravos e o episódio marcante da escrava de Rabi Eliezer, que recusou consolo dos discípulos e fugiu deles pela casa. Segue-se a regra de que só três patriarcas e quatro matriarcas recebem esse título, e uma baraita sobre os escravos de Rabán Gamliel sendo chamados por títulos honoríficos. O daf fecha com o ensinamento de Rabi Elazar sobre o versículo "assim te abençoarei em minha vida" e uma extensa coletânea de orações pessoais (tefilot) que os sábios — Rabi Elazar, Rabi Yochanan, Rabi Zeirá, Rabi Chiya, Rav, Rabi Yehudá HaNassi e Rav Safra — costumavam recitar após concluir a Amidá, texto que se estende até 17a.
Se assim (se a isenção do noivo decorre apenas de estar "andando pelo caminho" de forma facultativa), por que haveria de mencionar apenas aquele que desposa a virgem como isento? Até mesmo aquele que desposa a viúva deveria ser isento também! Responde-se: aqui (com a virgem) ele está preocupado intensamente, e aqui (com a viúva) ele não está preocupado da mesma forma.
A Guemará levanta uma nova objeção contra a explicação de que a isenção do noivo decorre de sua situação ser "facultativa": se assim fosse, essa lógica também deveria isentar quem desposa uma viúva, situação igualmente facultativa. A resposta desloca o critério: a isenção depende do grau real de perturbação mental — o homem que desposa uma virgem enfrenta uma tensão e um nervosismo muito maiores do que aquele que desposa uma viúva, cuja experiência prévia reduz a ansiedade.
Se a isenção decorre apenas de preocupação, então até mesmo aquele a quem afundou seu navio no mar deveria ser isento também! Ora, disse Rabi Abá bar Zavdá, disse Rav: o endoentado é obrigado em todos os mandamentos ditos na Torá, exceto os tefilin, pois neles foi dito o termo "esplendor" (peer), como está dito: "teu esplendor, ata sobre ti, etc." (Yechezkel 24:17, dito a Yechezkel no dia da morte de sua esposa — e o esplendor é incompatível com o luto)!
A Guemará amplia a dificuldade: se a mera "preocupação" bastasse para isentar de mandamentos, isso valeria para qualquer aflição grave, como a perda de um navio no mar — mas isso não é assim, pois o próprio endoentado, aflito pela perda de um ente querido, é obrigado em quase todos os mandamentos, com a única exceção dos tefilin, isentos por comparação textual explícita ao "esplendor" incompatível com o luto. Isso mostra que a preocupação sozinha não gera isenção geral.
Disseram: ali (no caso do navio afundado, e mesmo no do endoentado quanto aos demais mandamentos) é uma preocupação facultativa (não gerada pelo cumprimento de um preceito); aqui (no caso do noivo) é uma preocupação de mandamento (pois o casamento e a construção de um lar em Israel são, eles próprios, um preceito, e essa preocupação especial com uma mitzvá em curso é o que gera a isenção).
A Guemará resolve a dificuldade com uma distinção final: não é qualquer preocupação que isenta da Keriat Shemá, mas apenas aquela gerada pelo próprio cumprimento de um mandamento — como o casamento, que constitui em si uma mitzvá. A perda de um navio, ou mesmo o luto (quanto aos demais preceitos), é uma preocupação de ordem facultativa, sem relação com o cumprimento de um preceito, e por isso não isenta. Com esta distinção, encerra-se a sugya do noivo, aberta ainda em 15b, e a Guemará passa a expor uma nova Mishná, centrada na figura de Rabán Gamliel.
Mishná. Rabán Gamliel banhou-se na primeira noite em que morreu sua esposa. Disseram-lhe seus discípulos: não nos ensinaste tu, nosso mestre, que o endoentado está proibido de banhar-se? Disse-lhes: eu não sou como as demais pessoas; sou delicado (de constituição frágil, incapaz de suportar a privação do banho mesmo por um dia).
"Mishná. Banhou-se na primeira noite em que morreu sua esposa" — e ela foi sepultada nesse mesmo dia; e, ainda que o endoentado esteja proibido de banhar-se, ele se banhou, como diz a razão: "sou delicado" — e ele era um homem habituado ao conforto e mimado por natureza, incapaz de suportar a sujeira do corpo mesmo durante o luto.
Uma nova Mishná introduz o tema seguinte, aparentemente desconectado da Keriat Shemá: as leis do luto, ilustradas por dois episódios envolvendo Rabán Gamliel. No primeiro, ele se banha na própria noite da morte de sua esposa — quando o luto é mais rigoroso —, contrariando a norma geral, e justifica a exceção por sua constituição pessoal excepcionalmente sensível, que tornaria a abstinência do banho um sofrimento desproporcional. Esta Mishná tem paralelo direto no Talmud Yerushalmi, Berachot 2:8, que traz a mesma tradição sobre Rabán Gamliel.
E quando morreu Tevi, seu escravo, aceitou sobre si condolências. Disseram-lhe seus discípulos: não nos ensinaste tu, nosso mestre, que não se aceitam condolências pelos escravos? Disse-lhes: meu escravo Tevi não era como todos os demais escravos; era íntegro (quase como uma pessoa livre em conduta e sabedoria).
O segundo episódio da mesma Mishná espelha exatamente a estrutura do primeiro: Rabán Gamliel novamente age de modo aparentemente contrário à norma — aceitando condolências pela morte de um escravo, quando a regra geral é não as aceitar, já que o vínculo com um escravo não gera o mesmo dever de luto que com um parente. A justificativa é o caráter excepcional de Tevi, íntegro a ponto de merecer tratamento quase equivalente ao de uma pessoa livre. O caso de Tevi tem paralelo exato no Talmud Yerushalmi, Berachot 2:8 (ver a Mishná e a halachá correspondentes), onde a mesma tradição é citada como abertura daquela halachá.
O noivo, se quiser ler a Keriat Shemá na primeira noite — pode ler; Rabán Shimon ben Gamliel diz: nem todo aquele que quer tomar para si o bom nome (de piedoso, ao ler mesmo estando isento) pode tomá-lo (sem primeiro ter reputação estabelecida de piedade genuína).
A terceira cláusula da Mishná retoma o tema do noivo isento, abordado ao final de 16a, acrescentando que a isenção é facultativa: quem desejar ler mesmo assim, pode fazê-lo — situação análoga à de Rabán Gamliel, que optou por cumprir a mitzvá apesar de isento. Mas Rabán Shimon ben Gamliel adverte contra o exibicionismo religioso: tomar sobre si voluntariamente um comportamento mais estrito, quando isento, pode parecer — a quem não é reconhecidamente piedoso — um ato de vaidade e ostentação, e não de devoção sincera.
Guemará. Qual é a razão de Rabán Shimon ben Gamliel quanto ao banho na noite do luto — retomando o primeiro episódio da Mishná? Ele entende: o luto agudo (aninut) da noite do dia da morte é apenas uma instituição dos sábios, como está escrito: "e seu fim será como dia amargo" (Amós 8:10 — indicando que só o dia, e não necessariamente a noite seguinte, é de luto pleno por Torá); e no caso de alguém delicado como Rabán Gamliel, os sábios não decretaram essa proibição sobre ele.
"Guemará. Ele entende: o luto agudo da noite é apenas dos sábios" — ainda que fosse a noite do dia da morte, e o luto agudo esteja escrito na própria Torá, como está dito: "não comi dele em meu luto agudo" (Devarim 26:14); mas o luto agudo por menos de um dia inteiro não é considerado luto agudo pleno, pois os sábios o aprendem do versículo "e seu fim será como dia amargo" — daí Rabán Gamliel entende que a noite seguinte ao dia da morte não se junta ao dia anterior como luto agudo pleno, senão que é proibição apenas dos sábios, como os demais dias de luto; e quanto ao delicado, os sábios não decretaram sobre ele. A disputa sobre se o luto agudo da noite é da Torá ou dos sábios é uma controvérsia entre tanaítas, em Zevachim (99b).
A Guemará explica o fundamento de Rabán Gamliel quanto ao banho: o luto mais rigoroso (aninut), que normalmente proibiria o banho até o sepultamento, aplica-se por lei da Torá apenas ao próprio dia da morte; a noite seguinte já é regida apenas por decreto rabínico, e os sábios, ao instituí-lo, dispensaram dele quem tem constituição delicada — como o próprio Rabán Gamliel se descreveu. A Guemará remete a uma controvérsia tanaítica paralela em Zevachim 99b sobre a natureza exata desse luto agudo noturno.
Ensinaram os sábios: por escravos e escravas não se fica em fila (a formação de condolência ao voltar do enterro), e não se dizem por eles a bênção dos endoentados nem as condolências dos endoentados.
"Não se fica em fila por eles" — quando as pessoas voltam do cemitério, costumavam fazer filas ao redor do endoentado e consolá-lo, e não há fila com menos de dez pessoas. "A bênção dos endoentados" — é a bênção ampla que se recita quando as pessoas alimentam o endoentado na primeira refeição após o enterro, feita com pão e vinho de outros, e ali se abençoa essa bênção dos endoentados; e ela está explicada no tratado de Ketubot, primeiro capítulo (8a).
Esta baraita estabelece a regra geral de fundo da Mishná: por escravos, não se realizam os ritos formais de consolação reservados a parentes — nem a fila de consolação ao retorno do cemitério, nem as bênçãos e fórmulas litúrgicas específicas do luto. É essa regra que os discípulos de Rabán Gamliel invocaram ao questioná-lo sobre Tevi, e é a mesma regra que estará no centro do episódio seguinte, envolvendo Rabi Eliezer. Corresponde à mesma baraita citada no Talmud Yerushalmi, Berachot 2:8.
Houve um caso em que morreu a escrava de Rabi Eliezer. Entraram seus discípulos para consolá-lo. Assim que os viu, subiu ao sótão, e eles subiram atrás dele. Entrou no vestíbulo (o pequeno cômodo diante do salão principal), e eles entraram atrás dele. Entrou no salão (triclínio, a sala principal da casa), e eles entraram atrás dele.
"No vestíbulo" — é um cômodo pequeno que fica diante do salão grande.
Inicia-se o episódio central desta parte do daf: quando morre a escrava de Rabi Eliezer, seus discípulos, desconhecendo — ou ignorando de propósito — a norma de não consolar por escravos, tentam consolá-lo mesmo assim. Rabi Eliezer, evitando aceitar essas condolências indevidas, foge deles por diferentes cômodos da casa, um a um, numa sequência quase cômica que evidencia sua determinação silenciosa em não infringir a halachá, até finalmente ser obrigado a confrontá-los verbalmente. Este é precisamente o episódio citado, quase palavra por palavra, no Talmud Yerushalmi, Berachot 2:8.
Disse-lhes: eu supunha que vos queimáveis apenas com água morna (bastaria uma indicação sutil, como afastar-me em silêncio, para que entendêssseis); agora vejo que nem sequer vos queimais com água fervente (nem mesmo minha fuga clara pela casa toda vos deteve)! Não vos ensinei assim: por escravos e escravas não se fica em fila, e não se dizem por eles a bênção dos endoentados nem as condolências dos endoentados? Mas então o que se diz por eles? Assim como se diz a um homem, sobre seu boi ou seu jumento que morreram: "que o Onipresente preencha a tua falta" — assim também se diz a ele, sobre seu escravo ou sua escrava: "que o Onipresente preencha a tua falta".
"Vos queimáveis com água morna" — ou seja: eu supunha que entendêsseis a coisa por uma leve indicação, ao verdes-me afastar-me de vós para entrar no vestíbulo e nos demais cômodos, sem que fosse necessário dizer-vos nada.
Ao ser finalmente alcançado, Rabi Eliezer repreende seus discípulos com uma imagem vívida: sua fuga silenciosa por três cômodos sucessivos já deveria ter servido de indicação clara e inequívoca — mais forte ainda que "água fervente" —, mas mesmo assim eles insistiram em segui-lo. Ele então reafirma a halachá que já lhes ensinara: por um escravo não se recita a fórmula de consolação reservada aos parentes, mas apenas a fórmula genérica usada até para a perda de um animal de trabalho — "que o Onipresente preencha a tua falta" —, pois, do ponto de vista dessas leis específicas de luto, o vínculo com o escravo equipara-se ao vínculo com um bem material, e não ao de parentesco.
Foi ensinado em outra baraita: por escravos e escravas não se faz elogio fúnebre. Rabi Yossei diz: se é um escravo íntegro — diz-se sobre ele: "ai, homem bom e fiel, que se beneficiava do fruto de seu próprio labor (e não roubava seu patrão)!" Disseram-lhe os sábios a Rabi Yossei: se assim, o que deixaste de elogio a mais para as pessoas íntegras livres, já que atribuis ao escravo o mesmo elogio que se faria a um homem livre virtuoso?
Uma baraita adicional estende a proibição ao elogio fúnebre formal (hesped), vedado inteiramente para escravos. Rabi Yossei propõe uma exceção limitada para o escravo íntegro, permitindo uma frase de elogio moderada — louvando sua honestidade no trabalho, sem roubar de seu senhor. Mas os sábios rejeitam mesmo essa concessão, argumentando que tal elogio, se usado também para escravos, esvaziaria o que resta como elogio distintivo para pessoas livres verdadeiramente virtuosas — mantendo, assim, uma distinção categórica entre os dois status.
Ensinaram os sábios: não se chama "patriarcas" senão a três (homens), e não se chama "matriarcas" senão a quatro (mulheres).
A Guemará introduz, um tanto abruptamente — ligada ao tema anterior pela questão de títulos honoríficos aplicados a pessoas —, uma baraita sobre o uso restrito dos termos "patriarcas" (avot) e "matriarcas" (imahot) exclusivamente para as figuras fundadoras do povo de Israel, sem estendê-los a outras gerações de ancestrais bíblicos.
Quanto aos patriarcas (Avraham, Yitzchak e Yaacov), qual é a razão de limitar o título a apenas três, e não incluir também as doze tribos? Se dissermos que é porque não sabemos se descendemos de Reuven ou se descendemos de Shimon (cada judeu descende de uma tribo específica, não de todas, por isso não se chamam "pais" a todas as doze) — se assim, quanto às matriarcas também não sabemos se descendemos de Rachel ou se descendemos de Leá (pois cada um descende apenas de uma das quatro esposas, e ainda assim todas as quatro são chamadas "matriarcas")! Mas, na verdade, a razão é outra: até aqui (os três patriarcas e as quatro matriarcas) são importantes o bastante para receber o título; mais além disso (as doze tribos), não são tão importantes a ponto de merecerem o título de "pais".
A Guemará examina e rejeita uma explicação baseada na linhagem biológica direta, pois ela não explicaria por que todas as quatro matriarcas recebem o título, mesmo sabendo que cada judeu descende apenas de uma delas. A explicação final é de ordem qualitativa: os três patriarcas e as quatro matriarcas possuem uma estatura espiritual e fundacional única, superior à das doze tribos, o que justifica reservar-lhes esses títulos honoríficos exclusivos.
Foi ensinado em outra baraita: escravos e escravas — não se chamam por títulos como "pai fulano" e "mãe fulana" (termos de respeito usados por membros da casa). Mas os escravos e escravas de Rabán Gamliel eram chamados "pai fulano" e "mãe fulana".
"Pai fulano, mãe fulana" — não se refere a serem chamados assim por seus próprios filhos (o que seria natural), mas sim pelas demais pessoas (estranhas à casa); assim como hoje costumamos chamar alguém de "senhor fulano" ou "senhora fulana", assim naquela época costumavam dizer "pai fulano" e "mãe fulana" como título honorífico de respeito.
Uma nova baraita traz outra restrição relativa a escravos: o costume de conferir-lhes títulos honoríficos de respeito, como "pai fulano" ou "mãe fulana" — usados então como hoje se usa "senhor" ou "senhora" — normalmente não se aplicava a eles. A exceção explícita dos escravos da própria casa de Rabán Gamliel prepara a objeção seguinte: como conciliar essa prática com o caráter especial de Tevi, já apresentado na Mishná?
Um caso concreto trazido para refutar a própria regra recém-ensinada — pois se não se chamam assim os escravos em geral, como então os de Rabán Gamliel eram chamados assim?! Responde-se: é porque eram importantes (íntegros e dignos, como Tevi, e por isso mereciam esse título honorífico excepcionalmente).
A Guemará resolve a aparente contradição interna da própria baraita — que primeiro proíbe o costume e depois relata uma exceção — explicando que a exceção dos escravos de Rabán Gamliel não invalida a regra geral, mas confirma-a: precisamente por serem excepcionalmente íntegros, como o próprio Tevi da Mishná, mereciam ser tratados com esse título de respeito normalmente reservado a pessoas livres — fechando, assim, o círculo temático iniciado com o episódio de Tevi.
Disse Rabi Elazar: o que significa o que está escrito: "assim te abençoarei em minha vida, em teu nome erguerei as minhas mãos" (Tehilim 63:5)? "Assim te abençoarei em minha vida" — esta é a Keriat Shemá. "Em teu nome erguerei as minhas mãos" — esta é a oração (a Amidá). E se a pessoa faz assim (cumpre ambas devidamente), sobre ela diz o versículo: "como de gordura e sebo se saciará minha alma" (Tehilim 63:6). E não só isso, mas herda dois mundos — este mundo e o mundo vindouro, como está dito: "e com lábios de júbilo louvará minha boca" (Tehilim 63:6, continuação).
Encerrada a sugya sobre luto e títulos honoríficos, a Guemará retorna ao tema geral da Keriat Shemá e da oração para introduzir um ensinamento homilético de Rabi Elazar: o versículo de Tehilim, que fala de bendizer "em vida" e erguer as mãos "em teu nome", é lido como referência dupla à leitura do Shemá pela manhã e à noite ("em minha vida") e à Amidá ("erguerei as mãos"); quem cumpre ambas com regularidade recebe uma recompensa dupla, descrita nos versículos seguintes do mesmo salmo — satisfação espiritual plena e herança tanto neste mundo quanto no mundo vindouro. Este ensinamento serve de ponte para a extensa coletânea de orações pessoais que os sábios recitavam após a Amidá, iniciada a seguir.
Rabi Elazar, depois de concluir sua oração (a Amidá), dizia assim: "seja de vontade diante de Ti, Eterno, nosso D-us, que estabeleças em nosso destino (ou: em nossa sorte) amor, fraternidade, paz e companheirismo; que multipliques nossa fronteira (nossa comunidade) com discípulos, e faças prosperar nosso fim, com bom destino final e esperança; que ponhas nossa porção no Jardim do Éden, e nos firmes com bom companheiro e boa inclinação em teu mundo; e que nos levantemos cedo e encontremos nosso coração anelando temer o teu nome, e que chegue diante de Ti a satisfação de nossa alma para o bem".
"Assim te abençoarei" — e também "como de gordura e sebo" (Tehilim 63:5-6) são dois versículos contíguos entre si. "Lábios de júbilo" — note-se que estão no plural, dois tipos de louvor. "Em nosso destino" — em nossa sorte. "Fim e esperança" — que nosso fim seja bom, e vejamos cumprido aquilo que esperamos. "E nos firmes" — expressão relacionada a firmeza. "E que nos levantemos cedo e encontremos nosso coração anelando temer o teu nome" — que a inclinação má não prevaleça sobre nós com pensamentos impuros durante a noite, levando-nos a desviar-nos de Ti de dia; mas que, ao nos levantarmos cedo todas as manhãs, encontremos nosso coração anelando por Ti. "E que chegue diante de Ti a satisfação de nossa alma" — ou seja, o suprimento de nossas necessidades e a satisfação de nosso espírito.
Abre-se aqui a longa coletânea de orações pessoais (tefilot privadas) que diversos sábios amoraítas costumavam acrescentar, por iniciativa própria, ao final da Amidá obrigatória — um costume que perdura até hoje na liturgia judaica, sob a forma de súplicas adicionais após a "Amidá silenciosa". A de Rabi Elazar pede harmonia comunitária, multiplicação de discípulos, um bom destino final, porção no Paraíso, boas companhias e disposição constante para o temor a D-us.
Rabi Yochanan, depois de concluir sua oração, dizia assim: "seja de vontade diante de Ti, Eterno, nosso D-us, que olhes para nossa vergonha, e vejas nossa desgraça; e que te revistas de tua misericórdia, e te cubras com teu poder, e te envolvas em tua piedade, e te cinjas de tua graça, e chegue diante de Ti o atributo de tua bondade e de tua humildade".
"E vejas nossa desgraça" — que saibas e voltes teu coração para a desgraça que vem sobre nós.
Rabi Yochanan formula sua súplica pessoal numa série de imagens de investidura — pedindo que D-us "se revista" e "se cinja" de Seus próprios atributos de misericórdia, poder, piedade, graça e bondade, como quem se veste para agir — a fim de que essas qualidades divinas se manifestem concretamente diante do sofrimento e da humilhação do povo.
Rabi Zeirá, depois de concluir sua oração, dizia assim: "seja de vontade diante de Ti, Eterno, nosso D-us, que não pequemos, e não nos envergonhemos, e não nos humilhemos diante de nossos antepassados (por não estarmos à altura de sua conduta)".
A oração de Rabi Zeirá é a mais breve da série: um pedido simples para não pecar e para não sentir vergonha ou humilhação ao comparar-se, na posteridade, com a conduta exemplar dos patriarcas e sábios anteriores.
Rabi Chiya, depois de orar, dizia assim: "seja de vontade diante de Ti, Eterno, nosso D-us, que a tua Torá seja nosso ofício, e que nosso coração não desfaleça, e que nossos olhos não se escureçam".
Rabi Chiya pede que o estudo da Torá se torne verdadeiramente a ocupação central e permanente de sua vida — não uma atividade acessória — e que nem o desânimo emocional nem o enfraquecimento físico da visão (necessária ao estudo dos textos) o impeçam de persistir nesse ofício.
Rav, depois de sua oração, dizia assim: "seja de vontade diante de Ti, Eterno, nosso D-us, que nos dês vida longa; vida de paz; vida de bem; vida de bênção; vida de sustento; vida de vigor dos ossos (saúde física); vida em que haja temor do pecado; vida em que não haja vergonha nem humilhação; vida de riqueza e honra; vida em que haja em nós amor à Torá e temor aos Céus; vida em que preenchas para nós todos os pedidos de nosso coração para o bem".
A oração de Rav é a mais longa e abrangente da série, estruturada como uma sucessão de dez pedidos, cada um introduzido pela palavra "vida", cobrindo simultaneamente bem-estar material (sustento, saúde, riqueza), bem-estar espiritual (temor do pecado, amor à Torá, temor aos Céus) e bem-estar emocional (paz, ausência de vergonha) — um modelo de súplica holística que viria a influenciar, em versões adaptadas, orações posteriores da liturgia judaica, como a bênção do novo mês (Birkat HaChodesh).
Rabi (Yehudá HaNassi), depois de sua oração, dizia assim: "seja de vontade diante de Ti, Eterno, nosso D-us e D-us de nossos antepassados, que nos salves de gente de rosto insolente e da própria insolência, de homem mau, de encontro mau, de má inclinação, de mau companheiro, de mau vizinho, do satã destruidor, de juízo severo e de litigante severo, seja ele um filho do pacto (judeu), seja ele não filho do pacto (gentio)". E ele dizia assim ainda que houvesse guardas armados postados sobre Rabi vigiando-o.
"De gente de rosto insolente" — que não me provoquem. "E da insolência" — que não espalhem sobre mim calúnia de bastardia. "Que não é filho do pacto" — que não é circuncidado. "E ainda que houvesse guardas postados sobre Rabi" — pois havia guardas postados por ordem de Antonino (o imperador romano, amigo de Rabi) para golpear e vingar-se de todos os que se levantassem contra ele — e, mesmo protegido por essa guarda poderosa, Rabi ainda assim rezava para ser salvo de litigantes severos, judeus ou gentios.
A oração de Rabi Yehudá HaNassi — o editor da Mishná, figura de grande prestígio político e social, amigo do imperador romano Antonino — pede proteção contra adversários humanos e espirituais de toda ordem: pessoas insolentes, más companhias, vizinhos hostis, o "satã destruidor" e litigantes severos, tanto judeus quanto gentios. Rashi nota que essa súplica era recitada mesmo quando Rabi já contava com proteção armada pessoal, mostrando que nem o poder político mitigava sua sensação de vulnerabilidade e sua confiança última apenas na proteção Divina.
Rav Safra, depois de sua oração, dizia assim: "seja de vontade diante de Ti, Eterno, nosso D-us, que estabeleças paz (o texto do daf termina aqui, interrompido; a oração completa de Rav Safra prossegue no início do próximo daf, 17a, com uma súplica pela paz entre as diferentes assembleias e escolas de sábios que discutem a Torá)".
O daf 16b termina de modo abrupto, no meio da oração de Rav Safra — um corte de página comum no layout tradicional do Talmud impresso, que não corresponde a uma pausa de conteúdo. A frase será concluída logo no início de 17a, com uma súplica pela paz entre as academias de estudo, e a coletânea de orações pessoais dos sábios prosseguirá com outros nomes, incluindo Mar, filho de Ravina, e Rava.
Trilha comparada: O Yerushalmi (Berachot 2:8) traz a mesma Mishná de Rabán Gamliel e Tevi, e o mesmo episódio da escrava de Rabi Eliezer, quase palavra por palavra — ainda que ali a sugya prossiga para uma extensa coletânea de elogios fúnebres (hespedim) que o Bavli não desenvolve neste ponto.
Ver Yerushalmi 2:8 →