O daf abre concluindo o episódio de Rabi Yochanan iniciado no fim de 23a: Rava explica que ele preferia guardar os tefilin consigo mesmo, "pois os sábios já os permitiram" — mantendo, assim, o cuidado com sua guarda pessoal. Segue-se uma baraita proibindo segurar tefilin, sefer Torá ou objetos de valor equivalente durante a oração, e uma discussão que tenta e rejeita identificar essa baraita com a disputa de Beit Shamai e Beit Hilel sobre banheiro fixo e provisório, revelando que ela trata, na verdade, da medida de exposição do corpo ao fazer as necessidades — diferente para homens e mulheres. O daf então trata de quando entrar numa refeição fixa (afastando-se antes para as necessidades), de retirar os tefilin antes de comer, de amarrar os tefilin junto ao dinheiro no lenço da cabeça, e termina com a questão de depositar os tefilin sob a cabeceira da cama à noite — permitido por Shmuel, mas refutado por uma baraita, ainda que Rava mantenha a prática por um motivo próprio, cuja explicação segue em 24a.
Continuação direta da frase interrompida ao final de 23a, no relato de Rabba bar bar Chana sobre Rabi Yochanan: "...que os guardem eles mesmos, junto a mim" (concluindo a explicação de Rabi Yochanan sobre por que não confiava os tefilin a um discípulo). Disse Rava (relatando um costume paralelo, de seu próprio mestre): quando andávamos atrás de Rav Nachman (acompanhando-o como discípulos), quando ele estava segurando um livro de agadá, entregava-o a nós (para que o segurássemos enquanto ele entrava no banheiro); mas quando estava segurando tefilin, não os entregava a nós. Disse ele: visto que os sábios já os permitiram (que se entre com eles seguros na mão), que fiquem guardados comigo mesmo.
"Que os guardem" — que me guardem a mim: eu os levo comigo, e eles me protegem dos espíritos nocivos (que se teme encontrar em banheiros e lugares escusos).
A palavra que abre o daf, "נִינְטְרַן" (que me guardem), completa a frase cortada ao final de 23a: Rabi Yochanan preferia manter os tefilin sempre junto a si — não apenas por cuidado com o objeto sagrado, mas, segundo Rashi, porque os próprios tefilin lhe serviam de proteção espiritual contra forças nocivas em locais como o banheiro. Rava relata um costume idêntico observado em seu mestre Rav Nachman: um livro de agadá podia ser confiado a um discípulo, mas os tefilin, mesmo com a permissão de segurá-los apenas na mão, cada mestre preferia manter consigo mesmo.
Ensinaram os sábios numa baraita: não deve uma pessoa segurar tefilin em sua mão nem um sefer Torá em seu braço e rezar. E não deve urinar enquanto os usa, nem dormir enquanto os usa — nem sono fixo, nem sono provisório. Disse Shmuel: uma faca, moedas, uma tigela e um pão — eis que estes são equiparáveis a eles (também não devem ser segurados na mão durante a oração, pelo mesmo motivo).
"Não deve segurar em sua mão... e rezar" — porque sua mente não está serena durante a oração, pois seu coração está sempre voltado para eles, com receio de que não caiam de sua mão. "Nem dormir enquanto os usa" — pelo receio de que venha a soltar gases. "Eis que estes são equiparáveis a eles" — quanto à oração, pois também aqui a pessoa se preocupa com eles: que a faca não caia e o machuque, que a tigela não se derrame, que as moedas não se percam, e que o pão não se suje.
Esta baraita estabelece um princípio geral sobre a concentração devida durante a oração: qualquer objeto que exija atenção e preocupação constante — mesmo que valioso ou sagrado, como os tefilin ou um sefer Torá — compromete a serenidade mental exigida na Amidá, e por isso não deve ser segurado na mão nesse momento. Shmuel estende o princípio a objetos comuns do dia a dia, cuja perda ou dano também geraria a mesma distração preocupada.
Disse Rava em nome de Rav Sheshet: não é assim a halachá quanto a esta baraita (a que proíbe urinar com os tefilin), pois ela reflete a posição da Casa de Shamai. Pois, se fosse a posição da Casa de Hilel — ora, se no banheiro fixo já permitem segurá-los na mão e entrar, no banheiro provisório, seria mesmo necessário perguntar se é permitido?! Certamente sim, com ainda mais razão.
"Não é assim a halachá quanto a esta baraita" — que ensina que não se deve urinar com os tefilin. "Pois ela é da posição da Casa de Shamai" — que disseram acima (23a) que se depositam na janela próxima à via pública, e não se deve entrar com eles segurados na mão. "Pois, se fosse a posição da Casa de Hilel" — ora, disseram acima que eles os seguram na mão e entram (mesmo no banheiro fixo, para as necessidades maiores). "Banheiro provisório" — como para urinar, caso em que ninguém vai a esse local especificamente por causa disso, e é esta própria vez que faz daquele lugar um banheiro pela primeira vez.
Rava, em nome de Rav Sheshet, rejeita a baraita que proíbe urinar com os tefilin na mão, identificando-a como refletindo a posição minoritária e mais rigorosa de Beit Shamai (que exige depositá-los à distância mesmo no banheiro fixo). Segundo Beit Hilel — cuja posição prevalece como halachá — se já é permitido segurá-los na mão no banheiro fixo (para as necessidades maiores), com muito mais razão seria permitido no banheiro provisório, usado apenas para urinar, que é uma necessidade menos grave. A unidade seguinte desafia essa identificação.
A Guemará objeta de outra baraita: "as coisas que te permiti aqui, proibi-te ali (numa outra baraita cuja formulação exata a Guemará já conhece)". Pergunta a Guemará: isto não seria a respeito de tefilin? Se dizes, muito bem, que é a posição de Beit Hilel: "permiti-te aqui" — no banheiro fixo; "proibi-te ali" — no banheiro provisório (faz sentido perfeitamente, pois Beit Hilel permite no fixo e proíbe no provisório). Mas, se dizes que é a posição de Beit Shamai, ora, eles já não permitem nada em nenhum dos dois casos! Então como poderiam ter "permitido" algo "aqui"?
"Que te permiti aqui" — no banheiro fixo. "Proibi-te ali" — no banheiro provisório. "Isto não seria a respeito de tefilin?" — pois foi isto que disse a Casa de Hilel: que se os segura na mão e entra no banheiro fixo, mas para urinar com eles no provisório proibiram, como se explicará o motivo adiante. "Ora, eles já não permitem" — no banheiro fixo.
A Guemará traz uma baraita adicional cuja formulação — "permiti-te aqui, proibi-te ali" — soa como uma referência precisa às leis de tefilin: Beit Hilel permite segurá-los na mão no banheiro fixo, mas proibiria usá-los apenas para urinar no provisório. Essa leitura faria sentido perfeito para Beit Hilel, mas seria incompreensível para Beit Shamai, que nunca chegou a "permitir" nada, em nenhum dos dois casos — criando uma dificuldade para a posição de Rava/Rav Sheshet, que identificou a baraita anterior justamente com Beit Shamai.
Responde a Guemará: quando aquela baraita foi ensinada, foi a respeito da medida de expor um tefach e dois tefachim (não sobre tefilin). Pois foi ensinado numa baraita: quando a pessoa se alivia, expõe por trás de si um tefach, e pela frente de si, dois tefachim. E foi ensinado noutra: por trás, um tefach, e pela frente, nada (não precisa expor nada).
"Quando aquela baraita foi ensinada" — não foi ensinada a respeito de tefilin, mas sim a respeito da medida de expor um tefach e dois tefachim: pois, para as necessidades maiores, a pessoa não expõe senão um tefach; e, para as menores, expõe dois tefachim; e é sobre isto que se refere: "permiti-te expor dois tefachim aqui, proibi-te expor mais que um tefach ali". "Por trás, um tefach" — e não mais, por causa do pudor. "E pela frente, dois tefachim" — por causa do jato da urina, que se espalha para longe.
A Guemará resolve a dificuldade: a baraita "permiti-te aqui, proibi-te ali" não trata de tefilin, mas de uma questão completamente diferente — a medida de exposição do corpo ao fazer as necessidades fisiológicas. Uma versão da baraita estabelece que se expõe um tefach por trás (por pudor) e dois tefachim pela frente (por causa do jato da urina, que precisa de mais espaço para não respingar nas roupas); outra versão restringe ainda mais a exposição frontal.
Propõe a Guemará: isto não seria que ambas as versões falam de um homem, e não há dificuldade alguma entre elas: aqui (a que menciona dois tefachim) é a respeito das necessidades maiores, ali (a que não exige nada pela frente) é a respeito das menores?
Uma primeira tentativa de conciliar as duas versões da baraita: talvez ambas se refiram ao homem, e a diferença esteja no tipo de necessidade — dois tefachim de exposição frontal para as necessidades maiores (evacuação), e nenhuma exposição frontal necessária para as menores (urinar). Essa harmonização é refutada na unidade seguinte.
A Guemará rejeita: e é assim mesmo que tu pensas que se possa entender?! Se a versão que não exige exposição frontal fosse a respeito das necessidades menores, por que haveria de exigir um tefach por trás? Não há razão para exigir pudor por trás numa simples urinada. Mas, sim, ambas as versões falam das necessidades maiores, e não há dificuldade alguma entre elas: esta é a respeito do homem, aquela é a respeito da mulher.
A Guemará rejeita a primeira tentativa de harmonização: se a versão sem exigência frontal tratasse de necessidades menores (urinar), não haveria razão para exigir sequer um tefach de exposição por trás — pois ao urinar não há necessidade de expor a parte traseira. A explicação correta é que ambas as versões tratam das necessidades maiores, mas uma se refere ao homem (que expõe dois tefachim pela frente) e a outra à mulher (que, por se agachar de modo diferente, não precisa expor nada pela frente).
Objeta a Guemará: se assim é (que a diferença é entre homem e mulher), esta parte final da baraita, que ensina a seu respeito, "este é um kal vachomer (argumento a fortiori) que não tem resposta" — o que significaria "não tem resposta" neste contexto, se não há sequer um verdadeiro kal vachomer entre homem e mulher? Responde a Guemará: é simplesmente assim que costuma ser a coisa na prática (não se trata de um argumento lógico formal, mas de uma simples descrição do costume observado).
A Guemará levanta uma dificuldade textual: se a distinção é apenas entre homem e mulher, por que a baraita chamaria isso de "kal vachomer sem resposta" — uma expressão técnica que normalmente indica um argumento lógico irrefutável? A resposta esclarece que a expressão, neste caso, não denota um verdadeiro argumento a fortiori, mas apenas descreve como a prática efetivamente costuma ocorrer.
Conclui a Guemará: mas, sim, a baraita é mesmo a respeito de tefilin, e isto é uma refutação da posição de Rava em nome de Rav Sheshet (que identificara a baraita anterior com Beit Shamai). É de fato uma refutação.
Apesar da tentativa de reinterpretar a baraita como tratando da medida de exposição corporal, a Guemará conclui, ao final desta linha de raciocínio, que a explicação alternativa não se sustenta plenamente, e que a baraita original "permiti-te aqui, proibi-te ali" trata mesmo de tefilin — refutando definitivamente a posição de Rava em nome de Rav Sheshet, que a identificara com Beit Shamai. O termo técnico "תְּיוּבְתָּא" (refutação, sem qualificação) indica que a Guemará considera este ponto encerrado contra aquela posição.
De qualquer modo (mesmo aceitando que a baraita fala de tefilin e reflete Beit Hilel), permanece a dificuldade: ora, se no banheiro fixo já é permitido segurá-los e entrar, no banheiro provisório, não seria isto tanto mais evidente que também deveria ser permitido?!
Mesmo tendo estabelecido que a baraita se refere a tefilin e à posição de Beit Hilel, subsiste a dificuldade lógica original: por que Beit Hilel permitiria segurar os tefilin no banheiro fixo (a situação mais grave, por seu caráter permanentemente impuro) mas proibiria fazê-lo no provisório, usado apenas para urinar — uma situação em princípio menos problemática? A resposta vem na unidade seguinte.
Assim se deve entender o que a baraita diz: no banheiro fixo, onde não há respingos (pois já há fezes acumuladas ali, que absorvem o jato da urina), permitiram segurar os tefilin na mão e entrar. No banheiro provisório, onde há respingos (pois o chão está limpo e seco, fazendo a urina espirrar de volta sobre os pés), proibiram usá-los, por receio de que os respingos alcancem e sujem os tefilin.
"Onde não há respingos" — que exijam que a pessoa precise esfregá-los com sua mão direita, tirando-os de cima dos pés. "Banheiro provisório" — usado para as necessidades menores. "Onde há respingos" — os que saltam sobre os pés; e dizemos no tratado Yoma (30a) que é um preceito esfregá-los (os respingos), pois é proibido a uma pessoa sair com respingos sobre os pés, para que não pareça que sua esposa é "de fluxo derramado" (expressão eufemística que sugeriria promiscuidade), e assim acabe difamando seus próprios filhos, fazendo-os parecer bastardos; por isso, é impossível segurar os tefilin na mão nesse momento, pois ambas as mãos são necessárias para o cuidado de esfregar os respingos.
A Guemará resolve a dificuldade de forma inteiramente prática: a diferença entre banheiro fixo e provisório não está na gravidade da necessidade, mas num detalhe físico — no banheiro fixo, o chão já sujo evita respingos de urina sobre os pés; no provisório, o chão limpo faz a urina respingar de volta, exigindo que a pessoa use as duas mãos para se limpar adequadamente (por um motivo grave, explicado por Rashi a partir do tratado Yoma), tornando impossível segurar os tefilin com firmeza ao mesmo tempo.
Objeta a Guemará: se assim é (que há um motivo técnico claro, o dos respingos), por que diria a baraita "não tem resposta"? Pelo contrário, esta é uma resposta muito boa (há, sim, uma resposta razoável para a aparente inconsistência)!
Uma nova dificuldade textual: se a explicação dos respingos resolve satisfatoriamente a aparente inconsistência entre banheiro fixo e provisório, a baraita não deveria ter descrito isso como um "kal vachomer sem resposta" — pois, ao contrário, há sim uma resposta perfeitamente razoável e técnica para a diferença entre os dois casos.
Assim se deve entender o que a baraita diz: que esta lei venha a ser explicada por razão técnica (o motivo concreto dos respingos), e não venha a ser explicada por kal vachomer (argumento lógico a fortiori); pois, se viesse a ser deduzida por kal vachomer (argumentando que, se o mais grave é permitido, o menos grave certamente também seria), este seria um kal vachomer que não tem resposta possível (pois a lógica pura levaria exatamente à conclusão oposta à lei estabelecida).
"Esta lei" — a respeito dos tefilin no banheiro provisório e no fixo. "Venha a ser explicada por razão técnica" — para permitir no banheiro fixo o que é proibido no provisório, por causa do motivo dos respingos. "Pois, se viesse a ser deduzida por kal vachomer" — seguindo a lógica de dizer que é justo ser mais leniente no banheiro provisório, que é o caso mais leve, e mais rigoroso no banheiro fixo, que é o caso mais grave, e não se deveria seguir apenas pela razão técnica, mas sim pelo grau de rigor e leniência de cada caso — e nós fazemos exatamente o oposto disso (permitindo no caso mais grave e proibindo no mais leve) — não tenho, quanto a isso, o que te responder, pois não consigo achar situação em que haja, em nenhum lugar, um caso de banheiro provisório mais grave que o fixo, de modo que eu pudesse te responder: "se permiti no banheiro fixo, que é leve quanto a tal ponto, permitirei no banheiro provisório, que é grave quanto a ele". Mas há, sim, uma razão técnica para o que fazemos: aqui há respingos e ali não há, e esta coisa não é kal vachomer nem leve nem grave (é simplesmente um dado técnico e concreto, alheio à lógica proporcional do kal vachomer).
A Guemará conclui esta longa sugya esclarecendo a expressão "kal vachomer sem resposta": a lei correta (permitir no fixo, proibir no provisório) deve ser entendida como decorrente de um motivo técnico concreto — a presença ou ausência de respingos —, e não de uma lógica proporcional de gravidade. Se alguém tentasse justificá-la por kal vachomer (lógica pura de "mais grave permite, menos grave também deveria permitir"), chegaria à conclusão oposta à lei real, sem resposta possível — precisamente porque a verdadeira razão nada tem a ver com graus de gravidade, e sim com um detalhe físico concreto. Com isso, encerra-se toda a sugya sobre banheiro fixo e provisório, e o daf passa a um novo tema.
Ensinaram os sábios numa baraita: quem quer entrar numa refeição fixa (um banquete formal e prolongado) deve caminhar dez vezes a distância de quatro amot, ou quatro vezes a distância de dez amot (o mesmo total, percorrido de duas formas possíveis, para estimular o corpo), e fazer suas necessidades, e só depois entrar (na refeição).
Esta baraita retoma, num novo contexto, o cuidado com a preparação física antes de um evento importante — aqui, uma refeição fixa e prolongada, na qual seria embaraçoso ou desconfortável precisar interromper para fazer as necessidades. A caminhada de ida e volta, num total equivalente, serve para estimular fisicamente a evacuação antes de se sentar à mesa.
Disse Rabi Yitzchak: quem entra numa refeição fixa retira seus tefilin, e só depois entra. E discorda disto Rabi Chiya, pois disse Rabi Chiya: ele os deposita sobre sua mesa, e assim é o comportamento adequado para ele (mantendo-os à vista e ao alcance, com o devido respeito, sem precisar retirá-los para um local separado).
Uma disputa direta sobre o procedimento adequado ao entrar numa refeição prolongada: Rabi Yitzchak exige a retirada completa dos tefilin, presumivelmente por receio de que, durante a refeição — especialmente se houver bebida —, o comportamento se torne menos decoroso. Rabi Chiya permite depositá-los sobre a própria mesa da refeição, mantendo-os visíveis e honrados, sem necessidade de guardá-los em outro lugar.
E até quando pode a pessoa manter os tefilin postos antes de retirá-los, segundo a posição que exige retirá-los? Disse Rav Nachman bar Yitzchak: até a hora da bênção (do Birkat Hamazon, a bênção final após a refeição — só então é necessário tê-los já retirado).
Rav Nachman bar Yitzchak esclarece o momento-limite da questão levantada por Rabi Yitzchak: não é preciso retirar os tefilin já no início da refeição, mas apenas antes do momento da bênção final (Birkat Hamazon), que marca o encerramento formal da refeição fixa.
Foi ensinado numa baraita: pode uma pessoa amarrar seus tefilin junto com seu dinheiro em seu lenço de cabeça. E foi ensinado noutra: não deve amarrá-los assim.
"Em seu lenço" — refere-se ao lenço de sua cabeça. "Junto com seu dinheiro" — não literalmente junto com o dinheiro em si mesmo, misturados, mas sim dois nós separados, um ao lado do outro no mesmo lenço.
Duas baraitot aparentemente contraditórias sobre uma prática comum: guardar os tefilin junto com moedas, amarrados no mesmo lenço usado na cabeça. Rashi já esclarece que não se trata de misturar fisicamente os tefilin com o dinheiro num único nó, mas de dois nós distintos, lado a lado, no mesmo pano — o que já reduz, mas não elimina, a tensão entre as duas versões.
Não há dificuldade entre as duas baraitot: esta (a que proíbe) é sobre o lenço que já foi designado para os tefilin; aquela (a que permite) é sobre o lenço que não foi designado. Pois disse Rav Chisda: este lenço de tefilin, que a pessoa designou para amarrar nele os tefilin, e amarrou nele os tefilin de fato — é proibido amarrar nele depois moedas simples (pois já adquiriu a santidade do uso sagrado). Mas se designou o lenço para os tefilin e não chegou a amarrar neles de fato, ou se amarrou neles os tefilin de fato mas não o havia designado antes com essa intenção formal — é permitido amarrar nele depois moedas (zuzim).
Assim é a versão correta do texto: "esta é sobre o lenço que foi designado, aquela é sobre o lenço que não foi designado" — referindo-se àquele lenço destinado aos tefilin, pois, uma vez que a pessoa o designou com essa intenção, torna-se depois proibido amarrar nele moedas, visto que já o separou para aquele fim. "Amarrou nele" — se o havia designado, sim (permanece proibido depois); se não o havia designado, não se santificou, e é permitido amarrar nele moedas depois, pois assim foi ensinado explicitamente em Sanhedrin (48b): "quem depositou nele seus tefilin sem designação prévia formal pode depositar nele depois dinheiro".
Rav Chisda resolve a contradição introduzindo o conceito de "hazmaná" (designação formal prévia): o fator decisivo não é se os tefilin já foram fisicamente amarrados no lenço, mas se o dono formalmente designou aquele lenço, com intenção verbal ou mental clara, para esse uso sagrado específico. Uma vez feita essa designação — mesmo sem uso efetivo ainda — o lenço adquire santidade dedicada e não pode mais ser usado para guardar dinheiro comum. Sem essa designação formal, mesmo o uso efetivo anterior não impede o uso posterior para dinheiro.
E, segundo Abaye, que sustenta que a mera designação já é uma coisa eficaz por si só (basta a intenção formal, mesmo sem uso efetivo): se a pessoa designou o lenço, ainda que não tenha chegado a amarrar nele os tefilin de fato, já fica proibido usá-lo depois para dinheiro. Se amarrou nele os tefilin, então: se o havia designado antes — é proibido usá-lo depois para dinheiro; se não o havia designado — não é proibido.
"E, segundo Abaye, que sustenta que a designação já é uma coisa eficaz por si só" — este princípio é discutido a respeito de quem tece uma roupa destinada para um morto, no tratado Sanhedrin, no capítulo "Nigmar Hadin" (Sanhedrin 47b).
Esta unidade aplica ao nosso caso um princípio geral debatido em outro lugar do Talmud (Sanhedrin 47b): Abaye sustenta que a mera designação formal de um objeto para um uso específico já lhe confere o status correspondente, mesmo sem uso efetivo. Aplicado aqui, isso significa que basta a pessoa designar o lenço para os tefilin — mesmo sem tê-los amarrado nele ainda de fato — para que já fique proibido usá-lo depois para dinheiro comum.
Perguntou Rav Yossef, filho de Rav Nechunia, a Rav Yehuda: qual é a lei quanto a uma pessoa depositar seus tefilin sob sua cabeceira (ao dormir)? Sob seus pés não me é necessário perguntar, pois isso equivaleria a tratá-los de modo desonroso. Quando eu de fato pergunto, é: sob sua cabeceira, o que é a lei? Disse-lhe Rav Yehuda: assim disse Shmuel: é permitido, mesmo que sua esposa esteja com ele (na mesma cama).
"Qual é a lei quanto a depositar seus tefilin sob sua cabeceira" — à noite, quando a pessoa está dormindo.
Rav Yossef bar Rav Nechunia formula sua dúvida com cuidado: sob os pés é claramente desonroso e nem merece pergunta; a dúvida real é sobre depositá-los sob a cabeceira da cama, um local relativamente mais honroso, mas ainda assim delicado por causa da proximidade do corpo durante o sono — e, especialmente, pela possível presença da esposa na mesma cama. Rav Yehuda transmite a posição permissiva de Shmuel, que permite mesmo nessa circunstância mais delicada.
A Guemará objeta de uma baraita: não deve uma pessoa depositar seus tefilin sob seus pés, porque isso equivale a tratá-los de modo desonroso; mas pode depositá-los sob sua cabeceira. E, se sua esposa estivesse com ele (na mesma cama), é proibido. Mas se havia um lugar separado, na mesma cama, que fosse elevado três tefachim acima do colchão comum, ou rebaixado três tefachim abaixo dele, é permitido ainda que a esposa esteja presente, pois esse desnível já constitui uma separação suficiente.
"Se havia um lugar que fosse elevado três tefachim" — acima de sua cabeceira, e sobre ele deposita os tefilin; ou abaixo de sua cabeceira, um lugar que se projeta para fora da cama (um saliência ou reentrância que constitui um espaço distinto do leito comum).
Esta baraita contradiz diretamente a posição permissiva de Shmuel: segundo ela, depositar os tefilin sob a cabeceira é permitido apenas quando a esposa não está presente na cama; havendo-a, é proibido — a menos que exista um desnível de três tefachim (para cima ou para baixo) que separe fisicamente o local dos tefilin do espaço comum do casal, constituindo uma barreira suficiente.
Conclui a Guemará: é uma refutação da posição de Shmuel. É de fato uma refutação.
A baraita, que restringe explicitamente a permissão de Shmuel ao caso em que a esposa não está presente, refuta diretamente sua posição irrestrita ("mesmo que sua esposa esteja com ele"). A Guemará confirma que esta é, de fato, uma refutação válida e conclusiva.
Disse Rava: ainda que se tenha ensinado numa baraita algo que constitui uma refutação de Shmuel, a halachá é como ele (mantendo-se a posição permissiva original, apesar da objeção formal). Qual é a razão disso? — a resposta é dada logo no início do próximo daf.
O daf termina em pleno raciocínio, com Rava afirmando — de modo surpreendente, dado que a unidade anterior já havia declarado a refutação de Shmuel como definitiva ("תְּיוּבְתָּא", sem qualificação) — que a halachá prática segue mesmo assim a posição original de Shmuel. A pergunta retórica "qual é a razão" fica em suspenso, e sua resposta abre imediatamente o daf seguinte, Berachot 24a.