O daf conclui a frase iniciada em 24a: Rabi Chanina relata que, ao apalpar sua roupa e bocejar, Rabi mantinha o decoro. Uma baraita então enumera comportamentos que comprometem a oração — voz alta, arroto e bocejo por soberba, espirro como mau sinal, cuspir como desrespeito ao Rei — e a Guemará resolve cada aparente contradição, trazendo o episódio de Rav Zeira em Bei Rav Hamnuna sobre o espirro, o costume de engolir o cuspe segundo Rav Yehuda e o episódio de Ravina atrás de Rav Ashi, além do relato de Rabi Abba que quase deixou de subir à Terra de Israel por causa de um ensinamento de Rav Yehuda sobre o espirro na oração. Segue-se a lei de dormir com a cabeça coberta pelo talit e ainda assim recitar o Shemá, e a extensa discussão sobre caminhar por becos sujos — se é permitido recitar o Shemá ou pensar em palavras de Torá ali, com a disputa entre Rav Huna e Rav Chisda, o episódio de Rabi Abahu atrás de Rabi Yochanan, e baraitot que corroboram cada posição. O daf fecha com a lei do talit amarrado à cintura, que permite a recitação do Shemá mesmo estando parcialmente descoberto.
Continuando o relato de Rabi Chanina, iniciado em 24a: eu vi Rabi que arrotou, e bocejou, e espirrou, e cuspiu, e apalpava sua roupa (para afastar algum piolho que o incomodasse), mas não se envolvia nela (caso o talit lhe caísse enquanto rezava, não o recolhia para se cobrir de novo, a fim de não interromper a oração). E, quando bocejava, colocava sua mão sobre o queixo (para que a abertura da boca não ficasse à mostra).
"E apalpava sua roupa" — para afastar o piolho que o picava. "Mas não se envolvia nela" — se seu talit caísse enquanto orava, não o tomava para se envolver de novo, a fim de não interromper. "Sobre seu queixo" — em francês antigo, menton: para que não se visse a abertura de sua boca.
Este verso completa a frase que ficara suspensa no fim de 24a. Rabi Chanina relata mais dois detalhes do comportamento decoroso de Rabi Yehuda HaNassi: ao sentir um piolho incomodando, apalpava a própria roupa sem, contudo, interromper a oração para se reenvolver caso o talit escorregasse; e, ao bocejar, cobria o queixo com a mão para não expor a boca aberta. Esses gestos discretos servem de modelo prático de decoro corporal durante a oração, e abrem caminho para a baraita seguinte, que examina com mais rigor os limites desse mesmo decoro.
A Guemará objeta a partir de uma baraita: quem faz ouvir sua voz durante sua oração (ao rezar em silêncio, elevando a voz o suficiente para ser ouvido por outros), eis que este é dos "pequenos de fé" (pois age como se o Santo, bendito seja, não ouvisse a oração sussurrada, sendo necessário gritar). Quem levanta ainda mais a voz durante sua oração, eis que este é dos "falsos profetas" (imitando o comportamento característico deles).
"Eis que este é dos pequenos de fé" — é como se pensasse que o Santo, bendito seja, não ouve a oração sussurrada, por isso levanta tanto a voz. "Eis que este é dos falsos profetas" — pois está escrito a respeito deles (I Reis 18:28): "e clamaram em voz alta".
A Guemará traz uma baraita que parece contradizer o costume de Rabi Chanina, que aprovava certos comportamentos corporais na oração. Esta baraita, na verdade, aborda um tema distinto — o volume da voz —, mas a Guemará a usará como ponto de partida para uma coletânea mais ampla sobre condutas censuráveis durante a oração: aqui, fazer ouvir a própria voz na Amidá (que deve ser sussurrada) é equiparado à falta de fé de que D-us ouve orações silenciosas, e levantá-la ainda mais é comparado ao comportamento dos profetas de Baal.
Continua a baraita: quem arrota e boceja durante sua oração, fazendo-o de propósito, por soberba — eis que este é dos "grosseiros de espírito". Quem espirra durante sua oração — é mau sinal para ele. E há quem diga: é notório que ele é repugnante (por interromper com um ato desprezível). Quem cospe durante sua oração — é como se cuspisse diante do Rei.
Nota-se que a leitura "quem arrota e boceja, eis que este é dos grosseiros de espírito; e há quem diga: é notório que ele é repugnante" é a versão que se lê nesta baraita.
A baraita prossegue enumerando quatro comportamentos corporais problemáticos durante a oração: arrotar e bocejar deliberadamente (atribuído à soberba, ao contrário do costume de Rabi, que fazia isso apenas por necessidade involuntária e com decoro); espirrar (considerado mau agouro, ou, segundo outra versão, sinal de repugnância); e cuspir (equiparado à falta de respeito perante um monarca terreno). Esta baraita parece contradizer diretamente o relato de Rabi Chanina em 24a, que descrevia Rabi arrotando, bocejando, espirrando e cuspindo sem qualquer censura — abrindo a série de resoluções que se seguem.
Está bem quanto a arrotar e bocejar — não há dificuldade alguma entre o relato de Rabi Chanina sobre Rabi e a censura da baraita: aqui (o caso de Rabi, que não é censurado), trata-se de quando isso ocorre por força maior (involuntariamente); aqui (o caso censurado pela baraita), trata-se de quando isso ocorre por vontade própria (deliberadamente, por soberba). Mas o espirro relatado sobre Rabi contra o espirro censurado pela baraita é uma verdadeira dificuldade — pois espirrar não depende da vontade da pessoa, sendo sempre involuntário!
"Mas o espirro contra o espirro é uma verdadeira dificuldade" — pois não há espirro que não seja por força maior (sempre involuntário, de modo que a distinção usada para arroto e bocejo não se aplica aqui).
A primeira resolução da Guemará distingue arroto e bocejo conforme sejam involuntários (como no caso de Rabi, aceitável) ou deliberados, por afetação de grandeza (censurado pela baraita). Mas essa mesma distinção não pode resolver a contradição quanto ao espirro, pois — ao contrário do arroto e do bocejo, que podem ser contidos ou provocados por vontade — o espirro é sempre um ato involuntário; não há, portanto, como distinguir o espirro "aceitável" de Rabi do espirro "censurável" da baraita pela mesma via.
O espirro relatado sobre Rabi contra o espirro censurado pela baraita, também este caso não tem dificuldade: aqui (o caso censurado), trata-se do espirro que sai por cima (pelo nariz, com ruído); aqui (o caso de Rabi, aceitável), trata-se do que sai por baixo (discretamente). E isto se apoia no que disse Rav Zeira: esta coisa me foi absorvida (aprendida a fundo) na casa de estudo de Rav Hamnuna, e ela pesa para mim como todo o meu Talmud (tanto quanto todo o resto de meu conhecimento): quem espirra durante sua oração — é bom sinal para ele; assim como se lhe proporciona satisfação por baixo (o alívio físico do espirro), do mesmo modo se lhe proporciona satisfação por cima (dos Céus, atendendo ao seu pedido).
"Por baixo" — refere-se a expelir gases com ruído. "E ela pesa para mim como todo o meu Talmud" — pois esta coisa é para mim tão equivalente em valor e querida quanto todo o resto, porquanto ele (Rav Zeira) costumava espirrar com frequência, e isso o consolava. "Assim como se lhe proporciona satisfação" — pois o espirro traz satisfação física à pessoa. "Do mesmo modo se lhe proporciona satisfação por cima" — dos Céus, ao completar lhe atendendo seu pedido.
A verdadeira resolução distingue não pela vontade, mas pela direção física do espirro: quando sai "por cima", pelo nariz, com ruído perceptível, é o caso censurado pela baraita; quando sai "por baixo", de modo discreto, é o caso de Rabi, aceitável. Rav Zeira reforça essa distinção citando um ensinamento que aprendeu na casa de estudo de Rav Hamnuna, ao qual atribui valor equivalente a todo o seu conhecimento acumulado: espirrar durante a oração é, na verdade, um bom sinal — sinal de que, assim como o corpo obteve alívio físico, também o pedido feito na oração obterá satisfação nos Céus.
Mas o cuspir relatado sobre Rabi contra o cuspir censurado pela baraita é uma verdadeira dificuldade (pois cuspir é sempre um ato de desrespeito, sem uma distinção óbvia)! Responde a Guemará: o cuspir contra o cuspir também não tem dificuldade: é possível resolver conforme Rav Yehuda. Pois disse Rav Yehuda: se alguém estava de pé em oração e lhe sobreveio saliva que precisava expelir — absorve-a em seu talit (sem cuspir de fato no chão). E se seu talit é fino e elegante (e ele não quer sujá-lo) — absorve-a em seu manto de sobre a cabeça. Ravina estava de pé atrás de Rav Ashi (rezando); sobreveio-lhe saliva; ele a lançou para trás de si (cuspindo diretamente no chão, atrás). Rav Ashi lhe disse: o mestre não segue o ensinamento de Rav Yehuda, de que se deve absorvê-la em seu manto? Ravina lhe disse: eu tenho a mente sensível ao mau cheiro (e prefiro não sujar minha própria roupa com saliva).
"É possível resolver conforme Rav Yehuda" — ou seja, absorvê-la em seu manto — refere-se ao lenço que se traz sobre a cabeça, com duas pontas penduradas diante do rosto. "Ele a lançou" — isto é, jogou-a fora, cuspindo no chão diretamente.
A última dificuldade — o cuspir de Rabi contra a censura da baraita — é resolvida de modo distinto: não há uma forma "aceitável" de cuspir diretamente no chão durante a oração; o que Rabi (e outros sábios cuidadosos) faziam era absorver a saliva discretamente no próprio talit ou manto, evitando o ato desrespeitoso de cuspir perante o "Rei". O episódio de Ravina, que preferiu cuspir para trás de si a sujar sua própria roupa, e a repreensão gentil de Rav Ashi, ilustram esse mesmo princípio na prática cotidiana das casas de estudo.
Retomando a primeira cláusula da baraita: "quem faz ouvir sua voz durante sua oração, eis que este é dos pequenos de fé." Disse Rav Huna: não se ensinou isto como regra absoluta, senão quando se trata de alguém que consegue concentrar seu coração rezando em sussurro (silenciosamente); mas quem não consegue concentrar seu coração em sussurro — é permitido a ele levantar a voz. E isto vale apenas quando reza sozinho; mas em público — se levantar a voz, vem a perturbar o público (atrapalhando a concentração alheia).
Rav Huna qualifica a censura da baraita: ela se aplica apenas a quem, sendo capaz de se concentrar rezando em silêncio, opta por levantar a voz sem necessidade — demonstrando falta de fé, como se D-us não ouvisse a oração sussurrada. Mas quem genuinamente não consegue manter a concentração devida sem articular em voz audível tem permissão para fazê-lo, pois a concentração da oração é mais importante que o volume. Essa permissão, contudo, aplica-se apenas quando se reza sozinho; num contexto público, levantar a voz perturbaria a concentração dos demais que rezam ao redor, e por isso permanece proibido mesmo a quem dele necessitaria.
Rabi Abba se esquivava de encontrar Rav Yehuda, porquanto Rabi Abba desejava subir (emigrar) à Terra de Israel (e temia que Rav Yehuda o proibisse pessoalmente), pois disse Rav Yehuda: todo aquele que sobe da Babilônia para a Terra de Israel (antes da vinda do Messias) — transgride um mandamento positivo, como está dito (Jeremias 27:22): "para a Babilônia serão trazidos, e ali permanecerão até o dia em que Eu os visitar, diz o Eterno". Rabi Abba disse para si mesmo: irei apenas e ouvirei dele alguma coisa (algum ensinamento) da casa de estudo, e depois sairei (partindo em seguida para a Terra de Israel, sem que ele saiba de minha intenção e me proíba diretamente).
"Se esquivava dele" — não se deixava aparecer diante de Rav Yehuda, porquanto Rabi Abba desejava subir à Terra de Israel, e Rav Yehuda lho proibia; por isso Rabi Abba não entrava na casa de estudo. "E ouvirei dele alguma coisa" — ficando do lado de fora. "Da casa de estudo" — refere-se à casa de estudo de Rav Yehuda.
A Guemará abre um episódio narrativo que servirá de moldura para outro ensinamento sobre o espirro na oração. Rabi Abba, desejoso de subir à Terra de Israel, evitava encontrar-se pessoalmente com seu mestre Rav Yehuda, que sustentava — a partir de um versículo de Jeremias — que emigrar da Babilônia para a Terra de Israel antes da era messiânica constituiria transgressão de um mandamento positivo. Para não ser confrontado diretamente, Rabi Abba planejava apenas escutar de longe algum ensinamento na casa de estudo antes de partir, sem se expor ao mestre.
Rabi Abba foi, e encontrou o tanaíta (o repetidor de baraitot) ensinando diante de Rav Yehuda: se alguém estava de pé em oração e espirrou — aguarda até que cesse o sopro (o cheiro que dele emana), e volta a rezar (retomando). Há quem diga a versão seguinte: se alguém estava de pé em oração e desejou espirrar — afasta-se para trás de si próprio quatro amot, e espirra, e aguarda até que cesse o sopro, e volta a rezar, e diz: "Senhor do Universo, Tu nos formaste com orifícios sobre orifícios, cavidades sobre cavidades; revelada e conhecida é diante de Ti nossa vergonha e nossa humilhação em nossa vida, e em nosso fim, verme e larva (reconhecendo a fragilidade e o caráter corruptível de nosso corpo)", e recomeça do lugar onde parou.
"E espirrou" — refere-se ao espirro que sai por baixo. "Até que cesse o sopro" — proveniente de seu corpo, que se espalha o odor daquele sopro. "E volta à oração" — ao lugar onde parou. "E diz" — esta fórmula, inserida no meio da oração, pois esta já está interrompida e parada por causa do sopro; por isso pode também interromper mais um pouco para dizer esta coisa no meio.
Rabi Abba encontra exatamente o ensinamento que buscava: uma baraita detalhada sobre a conduta correta ao espirrar durante a oração — aguardar que o odor se dissipe antes de prosseguir, ou, segundo outra versão, afastar-se quatro amos para trás e recitar uma breve fórmula de humildade reconhecendo a fragilidade corpórea humana diante de D-us, antes de retomar a oração do ponto exato onde foi interrompida. Esta fórmula, "Ribono Shel Olam", tornou-se posteriormente parte do costume de recitação após uma interrupção corporal na oração.
Rabi Abba lhe disse (a Rav Yehuda, revelando-se afinal): se eu não tivesse vindo senão para ouvir esta coisa — este único ensinamento — já me bastaria (valeu a pena todo o risco de me aproximar da casa de estudo).
O episódio se fecha com a exclamação de Rabi Abba, que reconhece o valor imenso do único ensinamento que ouviu — a fórmula de humildade a ser recitada após o espirro na oração —, ainda que tivesse ido apenas escutar de passagem antes de partir para a Terra de Israel, evitando o confronto direto com seu mestre sobre a proibição de emigrar da Babilônia.
Ensinaram os sábios numa baraita: se alguém estava dormindo envolto em seu talit (despido por baixo), e não consegue tirar sua cabeça para fora dele, por causa do frio (temendo se resfriar ao expor a cabeça) — ele faz uma separação com seu talit sobre seu pescoço (dobrando o tecido de modo a criar uma barreira entre a nudez do corpo e a cabeça), e recita o Shemá (mesmo permanecendo envolto e nu por baixo). E há quem diga: sobre seu coração (o ponto de separação deve ficar ao nível do coração, e não apenas do pescoço).
"Faz uma separação com seu talit sobre seu pescoço" — a parte do talit que fica acima de seus ombros, ele cola e ajusta firmemente junto ao seu pescoço; e a baraita fala do caso de quem dorme nu por baixo do talit.
Abre-se uma nova unidade temática: alguém que dorme envolto no talit, sem roupa por baixo, e que ao acordar não pode expor a cabeça por causa do frio intenso, ainda assim deve recitar o Shemá — desde que separe, com o próprio talit, a região do corpo nu (abaixo) da cabeça (acima), criando uma barreira que impede que "o coração veja a nudez". A opinião divergente localiza essa barreira especificamente ao nível do coração, e não apenas do pescoço, tema que a próxima unidade discute.
Objeta a Guemará: mas, segundo o tanaíta primeiro (a opinião que basta a separação no pescoço), eis que seu coração ainda vê a nudez (pois entre o pescoço e o coração o corpo permanece exposto, dentro do próprio talit)! Responde a Guemará: ele (o tanaíta primeiro) entende que, embora o coração veja a nudez — isso, neste caso, ainda assim é permitido (pois a exposição ocorre apenas dentro do talit, coberto externamente, e não diretamente diante de outra pessoa).
A Guemará questiona a opinião mais leniente: se a barreira criada pelo talit está apenas no pescoço, o próprio coração do orante continua, tecnicamente, "vendo" a nudez do corpo abaixo, dentro do envoltório do talit — o que normalmente invalidaria a recitação do Shemá. A resposta esclarece que o primeiro tanaíta sustenta uma posição mais permissiva quanto a esse princípio específico: quando a nudez está coberta externamente por uma vestimenta (ainda que o próprio coração, por dentro dela, tecnicamente a "veja"), isso não constitui o impedimento que a halachá busca evitar.
Disse Rav Huna, disse Rabi Yochanan: se alguém estava caminhando por becos sujos (com sujeira ou excremento) — coloca sua mão sobre sua boca (cobrindo-a) e recita o Shemá (mesmo ali, pois a mão serve de barreira suficiente contra o mau cheiro). Rav Chisda lhe disse a Rav Huna: por D-us (juramento enfático)! Se o próprio Rabi Yochanan em pessoa me dissesse isto com sua própria boca — eu não lhe obedeceria (recusaria aceitar tal permissão).
Abre-se nova discussão: é permitido recitar o Shemá enquanto se caminha por um beco imundo, coberto de sujeira ou excrementos? Rav Huna, em nome de Rabi Yochanan, permite — desde que se cubra a boca com a mão, criando uma barreira que atenua o problema do mau cheiro. Rav Chisda reage com veemência excepcional, jurando que rejeitaria tal permissão mesmo ouvindo-a diretamente do próprio Rabi Yochanan — sinalizando uma discordância de princípio que a Guemará examinará a seguir.
Há quem diga uma versão distinta desta tradição: disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yehoshua ben Levi: se alguém estava caminhando por becos sujos — coloca sua mão sobre sua boca e recita o Shemá. Rav Chisda lhe disse: por D-us! Se o próprio Rabi Yehoshua ben Levi em pessoa me dissesse isto com sua própria boca — eu não lhe obedeceria.
A Guemará registra uma segunda tradição da mesma controvérsia, atribuindo o ensinamento permissivo a outra dupla de sábios — Rabá bar bar Chana em nome de Rabi Yehoshua ben Levi — mas preservando idêntica reação enfática de Rav Chisda. A existência de duas versões paralelas, com a mesma reação, reforça a centralidade e a intensidade dessa discordância na tradição oral, e prepara o terreno para a análise da consistência das próprias posições de Rav Huna e Rabi Yochanan nas unidades seguintes.
Objeta a Guemará: e foi mesmo Rav Huna quem disse isto (permitindo recitar o Shemá em beco sujo)? Mas não disse Rav Huna o contrário: a um erudito é proibido ficar parado em lugar de sujeira, porquanto lhe é impossível ficar parado ali sem pensamento de Torá (pois a mente do erudito volta-se automaticamente ao estudo, e pensar em palavras de Torá em local imundo é proibido)! Responde a Guemará: não há dificuldade: aqui (o caso proibido), trata-se de estar parado; aqui (o caso permitido, do Shemá), trata-se de estar caminhando (e ao caminhar, não se detém o pensamento da mesma forma constante).
A Guemará traz uma aparente contradição interna nas próprias palavras de Rav Huna: em outro contexto, ele havia ensinado que um erudito não pode sequer permanecer parado num local sujo, pois sua mente inevitavelmente se voltará a pensamentos de Torá — o que é proibido nesse ambiente. Como, então, permitir a recitação do próprio Shemá (que envolve pensamento consciente e deliberado de palavras sagradas) num beco sujo? A primeira resolução distingue: permanecer parado gera uma associação mental contínua e involuntária com o estudo, enquanto caminhar, sendo uma atividade mais dinâmica, não produz esse mesmo efeito automático — permitindo, assim, a recitação deliberada do Shemá enquanto se caminha.
Objeta ainda a Guemará: e foi mesmo Rabi Yochanan quem disse isto? Mas não disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: em todo lugar é permitido pensar em palavras de Torá, exceto na casa de banho e na casa do banheiro (sem menção alguma de exceção para becos sujos, que deveriam ser tão proibidos quanto)! E se dissesses: também aqui vale a mesma distinção: aqui (a proibição), trata-se de estar parado; aqui (a permissão do Shemá), trata-se de estar caminhando (assim resolvendo também esta contradição) — a isso a Guemará replica: não é assim (esta distinção não pode se sustentar aqui), pois eis que Rabi Abahu estava andando atrás de Rabi Yochanan (seu mestre), e estava recitando o Shemá enquanto caminhava. Quando chegou aos becos sujos, emudeceu (interrompeu sua recitação, mesmo estando em movimento). Depois, ao sair, disse a Rabi Yochanan: para onde devo voltar (a que ponto devo retomar a leitura)? Rabi Yochanan lhe disse: se te demoraste ali dentro tempo suficiente para terminar toda a leitura completa do Shemá — volta ao início (pois a interrupção foi longa demais)!
Uma segunda objeção, ainda mais direta: Rabi Yochanan, em outra tradição, havia ensinado que é permitido pensar em palavras de Torá em qualquer lugar, com exceção apenas do banho e do banheiro — sem mencionar becos sujos como uma terceira exceção. Isso sugere que, na visão de Rabi Yochanan, seria permitido até mesmo pensar em Torá (não apenas recitar o Shemá) em becos sujos, contradizendo a suposição de que ali há alguma restrição. A tentativa de aplicar a mesma distinção entre parado e caminhando é rejeitada pelo episódio decisivo de Rabi Abahu: mesmo caminhando atrás de seu mestre e recitando o Shemá em movimento, Rabi Abahu interrompeu-se completamente ao passar pelos becos sujos — evidenciando que, na prática, mesmo Rabi Yochanan reconhecia alguma restrição real ali, e não apenas quando parado.
Esclarece a Guemará: isto é o que Rabi Yochanan lhe disse de fato, a Rabi Abahu: eu mesmo não sustento esta opinião (não penso que seja necessário interromper a recitação nos becos sujos); mas, segundo a tua opinião, visto que tu sustentas que se deve interromper: se te demoraste ali tempo suficiente para terminar toda a leitura — volta ao início.
A resposta de Rabi Yochanan a Rabi Abahu revela-se, na verdade, condicional: Rabi Yochanan esclarece que ele próprio não concorda que seja necessário interromper a recitação do Shemá ao passar por becos sujos — mantendo, assim, coerência com seu ensinamento de que é permitido pensar em Torá em qualquer lugar exceto banho e banheiro. Mas, uma vez que foi o próprio Rabi Abahu quem, por sua própria convicção, interrompeu-se espontaneamente, Rabi Yochanan lhe orienta conforme essa premissa: se a demora foi longa o suficiente para ter concluído toda a leitura, deve recomeçar do início, dado o tempo decorrido.
Ensina-se uma baraita conforme Rav Huna, e ensina-se outra baraita conforme Rav Chisda (a controvérsia entre eles reflete, na verdade, uma disputa tanaítica preexistente). Ensina-se conforme Rav Huna: quem caminha por becos sujos — coloca sua mão sobre sua boca e recitará o Shemá. Ensina-se conforme Rav Chisda: se alguém estava caminhando por becos sujos — não recitará o Shemá; e não só isso, mas ainda: se estava recitando e neles entrou — interrompe-se completamente.
A Guemará conclui que a disputa entre Rav Huna e Rav Chisda não é uma inovação amoraica isolada, mas reflete duas baraitot tanaíticas paralelas e opostas: uma permite recitar o Shemá em becos sujos, cobrindo a boca com a mão; a outra proíbe terminantemente, exigindo inclusive a interrupção total caso a pessoa já estivesse no meio da recitação ao entrar no beco. Isso valida ambas as posições como tendo raízes legítimas na tradição tanaítica, sem que uma simplesmente refute a outra.
Pergunta a Guemará: e se a pessoa que já estava recitando, ao entrar no beco sujo, não se interrompeu — o que se diz a respeito dele? Disse Rabi Meyasha, filho do filho de Rabi Yehoshua ben Levi: a respeito dele o versículo diz (Ezequiel 20:25): "e também Eu lhes dei estatutos não bons, e leis pelas quais não viverão (referindo-se, por analogia severa, a quem trata com desprezo a santidade da recitação, continuando-a num lugar impróprio)".
A Guemará examina a consequência de quem, seguindo a opinião mais rigorosa de Rav Chisda, deveria ter se interrompido ao entrar no beco sujo mas não o fez. Rabi Meyasha aplica a essa pessoa um severo versículo de Ezequiel, que, em seu contexto original, descreve estatutos punitivos dados a Israel por sua rebeldia — sugerindo que continuar a recitação sagrada num ambiente impróprio, sem interrompê-la, é equiparável a um desprezo grave pela santidade do próprio ato.
Rav Assi disse que se aplica, no lugar disso, outro versículo (Isaías 5:18): "ai dos que puxam a iniquidade com cordas de vaidade (referindo-se a quem se engana com raciocínios frágeis para justificar seu pecado, como quem continuaria a recitação em local impróprio sob pretextos leves)". Rav Ada bar Ahavá disse que se aplica um terceiro versículo, derivado daqui (Números 15:31): "porque desprezou a palavra do Eterno (referindo-se a quem trata com leviandade a santidade do próprio ato de recitar as palavras sagradas)".
Dois outros sábios oferecem versículos alternativos para descrever a mesma pessoa que, devendo interromper sua recitação do Shemá ao entrar num beco sujo, não o fez: Rav Assi cita Isaías, que descreve os que se enganam com justificativas frágeis e vãs para persistirem no erro; Rav Ada bar Ahavá cita Números, associando o comportamento ao desprezo pela própria palavra divina. A multiplicação de fontes bíblicas reforça a severidade com que a Guemará trata essa conduta.
Pergunta a Guemará, em contraste: e se a pessoa se interrompeu de fato, conforme a opinião rigorosa, qual é sua recompensa? Disse Rabi Abahu: a respeito dele o versículo diz (Deuteronômio 32:47): "e por esta coisa (guardando com cuidado as palavras da Torá) prolongareis vossos dias na terra".
Em contraponto à severidade das unidades anteriores, a Guemará também reconhece a recompensa de quem age corretamente: quem interrompe sua recitação ao entrar num local impróprio, por respeito à santidade das palavras sagradas, recebe a bênção associada a esse mesmo versículo de Deuteronômio, que promete longevidade a quem guarda fielmente as palavras da Torá.
Disse Rav Huna: se seu talit (ou qualquer peça de vestimenta que cubra sua cintura) estava amarrado a ele sobre seus quadris (cobrindo a parte inferior de seu corpo, embora esteja nu da cintura para cima) — é permitido a ele recitar o Shemá. Ensina-se também assim numa baraita, confirmando este ensinamento: se seu talit, seja de pano, seja de couro, seja de saco (qualquer material), estava amarrado sobre seus quadris — é permitido a ele recitar o Shemá.
O daf se encerra com uma lei complementar sobre a medida mínima de cobertura necessária para recitar o Shemá: mesmo que a pessoa esteja nua da cintura para cima, se ao menos a região dos quadris — considerada a parte de maior pudor — estiver coberta por qualquer vestimenta amarrada à cintura, seja de pano, couro ou saco, isso já é suficiente para permitir a recitação, pois a nudez propriamente dita (a região genital) está protegida. Uma baraita paralela confirma esse mesmo princípio, generalizando-o para qualquer material de vestimenta.