Talmud Bavli · Massechet Berachot · Perek Dalet, Tefilat HaShachar
שָׁכְחָהּ

O esquecimento de Shmuel HaKatan e a lei de tirar o chazan que erra na bênção dos hereges, o número de bênçãos de Shabat, Rosh HaShaná e Ta'anit, a oração "Havinenu" e suas exceções, e as leis de quem erra e esquece Guevurot Guechamim, She'elá ou Havdalá

Berachot 29a

O daf abre continuando diretamente o relato de 28b: no ano seguinte à composição da bênção dos hereges, Shmuel HaKatan esqueceu seu próprio texto e ficou tentando recordá-lo por duas ou três horas sem que o tirassem da função de chazan — episódio que a Guemará usa para discutir o princípio de que quem erra nessa bênção específica é suspeito de heresia, exceto o próprio autor, e para investigar se um justo pode de fato "reverter-se" ao mal. Segue-se um breve excurso sobre a origem numérica das bênçãos de Shabat, Rosh HaShaná e Ta'anit, e a longa sugya sobre "Havinenu", a oração abreviada de Shmuel que resume as treze bênçãos intermediárias em uma só — incluindo quando ela não pode ser usada (nas saídas de Shabat e Festas, e nos dias de chuva) e como inserir She'elá e Havdalá nela sem causar confusão. O daf fecha com as leis práticas de repetir a Amidá para quem, por engano, esqueceu de mencionar Guevurot Guechamim, She'elá na bênção dos anos, ou Havdalá em Chonen HaDaat.

O esquecimento de Shmuel HaKatan · לְשָׁנָה אַחֶרֶת שְׁכָחָהּ

1E olhou por ela duas e três horas, e não o tiraram
Bavli · 29a — Guemará
וְהִשְׁקִיף בָּהּ שְׁתַּיִם וְשָׁלֹשׁ שָׁעוֹת, וְלֹא הֶעֱלוּהוּ.

Continuando o relato de 28b: no ano seguinte à composição da bênção dos hereges, Shmuel HaKatan esqueceu-a, e olhou atentamente, tentando recordá-la, por duas e três horas enquanto servia de chazan diante da congregação, e não o tiraram de sua função, apesar da longa demora.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
והשקיף – חשב לזכור אותה לשון סוכה כדמתרגמינן וישקף ואסתכי (בראשית יט):

"E olhou" — isto é: pensava em esforçar-se para recordá-la; é a mesma expressão usada no tratado Sucá, como traduzimos o versículo "e olhou" por "e esperou atentamente" (Gênesis 19).

Nota

O relato retoma exatamente onde 28b o deixou: Shmuel HaKatan, autor da bênção contra os hereges, esquece no ano seguinte o próprio texto que compusera, e passa longos minutos tentando recordá-lo diante da congregação, sem que ninguém o interrompesse ou o substituísse — um silêncio comunitário que a unidade seguinte questiona, pois a halachá geral determina que um chazan que erra justamente nessa bênção deveria, em princípio, ser removido por suspeita de heresia.

2Por que não o tiraram? E não disse Rav Yehuda, disse Rav: quem erra em todas as bênçãos, não o tiram; na bênção dos hereges, o tiram — receamos que seja um herege!
Bavli · 29a — Guemará
אַמַּאי לֹא הֶעֱלוּהוּ? וְהָאָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב: טָעָה בְּכָל הַבְּרָכוֹת כֻּלָּן — אֵין מַעֲלִין אוֹתוֹ, בְּבִרְכַּת הַמִּינִים — מַעֲלִין אוֹתוֹ. חָיְישִׁינַן שֶׁמָּא מִין הוּא?

Por que não o tiraram de sua função como chazan, apesar da longa demora? E não disse Rav Yehuda, disse Rav: quem erra em todas as bênçãos (qualquer uma das outras dezoito), não o tiram (pois um simples erro não é motivo de suspeita); na bênção dos hereges, o tiram (imediatamente, sem esperar que se corrija) — receamos que seja um herege (que o próprio erro, ou hesitação, ao pronunciar exatamente essa bênção, seja sinal de que ele próprio compactua com a heresia e por isso a evita ou a esquece)?!

Nota

A Guemará levanta a contradição esperada: se existe uma regra severa segundo a qual o chazan que erra especificamente na bênção dos hereges deve ser removido de imediato, por suspeita de que sua própria hesitação denuncie simpatia pela heresia, por que a congregação permitiu que Shmuel HaKatan continuasse tentando recordá-la por horas, sem substituí-lo?

3Diferente é Shmuel HaKatan, que ele mesmo a compôs
Bavli · 29a — Guemará
שָׁאנֵי שְׁמוּאֵל הַקָּטָן דְּאִיהוּ תַּקְּנַהּ.

Diferente é o caso de Shmuel HaKatan, que ele mesmo a compôs (sendo o próprio autor da bênção, não há razão para suspeitá-lo de heresia por hesitar ou esquecer seu texto — ao contrário, sua autoria é prova de sua piedade e de sua fidelidade).

Nota

A resposta resolve a contradição distinguindo o caso concreto: a regra de suspeita aplica-se a um chazan qualquer que hesite nessa bênção específica, mas não a Shmuel HaKatan, cuja própria autoria da bênção é evidência inequívoca de que seu esquecimento nada tinha de suspeito — tratava-se de um lapso de memória comum, sem qualquer conotação de simpatia pela heresia que ele mesmo havia formulado para combater.

4E receemos que talvez tenha se revertido dela! Disse Abaye: é tradição recebida: o bom não se torna mau
Bavli · 29a — Guemará
וְנֵיחוּשׁ דִּלְמָא הֲדַר בֵּיהּ. אָמַר אַבָּיֵי: גְּמִירִי, טָבָא לָא הָוֵי בִּישָׁא.

E receemos que talvez tenha se revertido dela (que, apesar de ter sido o autor original, Shmuel HaKatan teria, com o tempo, se afastado de sua própria posição e passado a simpatizar com os hereges — o que explicaria seu esquecimento)! Disse Abaye: é tradição recebida (um princípio transmitido pelos sábios): o bom não se torna mau (quem é justo desde a origem não se converte, mais tarde, em ímpio).

Nota

A Guemará propõe uma nova objeção, ainda mais sutil: mesmo sendo o autor original da bênção, não haveria de se temer que Shmuel HaKatan tivesse, no intervalo de um ano, mudado de posição e se tornado ele mesmo simpatizante da heresia? Abaye resolve com um princípio geral e otimista sobre a natureza humana: aquele que é fundamentalmente justo não se converte, subsequentemente, em um ímpio — preparando o terreno para a discussão seguinte, que testa esse princípio contra exceções bíblicas e históricas.

5E não?! Mas não está escrito: "E quando o justo se desviar de sua justiça e fizer iniquidade"! Aquele era ímpio desde a origem, mas o justo desde a origem — não
Bavli · 29a — Guemará
וְלָא?! וְהָכְתִיב: ״וּבְשׁוּב צַדִּיק מִצִּדְקָתוֹ וְעָשָׂה עָוֶל״. הָהוּא רָשָׁע מֵעִיקָּרוֹ, אֲבָל צַדִּיק מֵעִיקָּרוֹ — לָא.

E não é assim?! Mas não está escrito: "E quando o justo se desviar de sua justiça e fizer iniquidade" (Ezequiel 18:24 — um versículo que descreve explicitamente um justo tornando-se ímpio, aparentemente contradizendo o princípio de Abaye)! Responde a Guemará: aquele de quem fala o versículo era ímpio desde a origem (sua justiça anterior era apenas aparente ou temporária, mas sua natureza fundamental já era corrompida), mas o justo desde a origem (cuja retidão é genuína e original) — não se torna ímpio.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
רשע מעיקרו – ושב מרשעתו פעמים שחוזר ונעשה רשע:

"Ímpio desde a origem" — e que se arrependeu de sua maldade: este é o único caso em que às vezes ele reverte e volta a se tornar ímpio.

Nota

A Guemará traz uma objeção escritural direta ao princípio de Abaye, citando o versículo de Ezequiel que descreve explicitamente um justo revertendo à iniquidade. A resolução introduz uma distinção fundamental entre dois tipos de "justo": aquele cuja retidão é uma conquista posterior sobre uma natureza originalmente má (que pode, de fato, recair), e aquele cuja justiça é constitutiva desde o início (que jamais se converte).

6E não?! E não ensinamos: não confies em ti mesmo até o dia de tua morte, pois eis que Yochanan, o Sumo Sacerdote, serviu no sumo sacerdócio oitenta anos, e ao final se tornou saduceu!
Bavli · 29a — Guemará
וְלָא?! וְהָא תְּנַן: אַל תַּאֲמִין בְּעַצְמְךָ עַד יוֹם מוֹתְךָ, שֶׁהֲרֵי יוֹחָנָן כֹּהֵן גָּדוֹל שִׁמֵּשׁ בִּכְהוּנָּה גְּדוֹלָה שְׁמֹנִים שָׁנָה וּלְבַסּוֹף נַעֲשָׂה צָדוֹקִי.

E não é assim?! E não ensinamos numa Mishná, em Avot: não confies em ti mesmo até o dia de tua morte (não presumas que tua retidão presente garante que permanecerás justo até o fim), pois eis que Yochanan, o Sumo Sacerdote (figura de grande piedade e autoridade), serviu no sumo sacerdócio oitenta anos (uma vida inteira de devoção exemplar), e ao final se tornou saduceu (aderiu à seita que rejeitava a Torá Oral — um caso claro e citado de um justo, aparentemente desde a origem, que reverteu ao mal)!

Nota

Nova objeção, ainda mais forte: a própria Mishná de Avot cita o caso concreto de Yochanan, o Sumo Sacerdote, que serviu justamente por oitenta anos antes de se desviar para o saduceísmo — um exemplo histórico e nomeado de alguém que parecia ser um justo "desde a origem" e, ainda assim, reverteu. Este caso desafia diretamente a distinção proposta na unidade anterior.

7Disse Abaye: ele é Yanai, ele é Yochanan. Rava disse: Yanai é uma pessoa e Yochanan é outra; Yanai era ímpio desde a origem, e Yochanan era justo desde a origem. Está bem para Abaye, mas para Rava é difícil
Bavli · 29a — Guemará
אָמַר אַבָּיֵי: הוּא יַנַּאי, הוּא יוֹחָנָן. רָבָא אָמַר: יַנַּאי לְחוּד וְיוֹחָנָן לְחוּד, יַנַּאי — רָשָׁע מֵעִיקָּרוֹ, וְיוֹחָנָן — צַדִּיק מֵעִיקָּרוֹ. הַנִּיחָא לְאַבָּיֵי, אֶלָּא לְרָבָא קַשְׁיָא.

Disse Abaye: ele é Yanai, ele é Yochanan (são a mesma pessoa, referida por dois nomes diferentes — e portanto ele já era, na verdade, ímpio desde a origem, apenas dissimulado, o que resolve a objeção sem contradizer o princípio). Rava disse: Yanai é uma pessoa e Yochanan é outra (são duas figuras históricas distintas); Yanai era ímpio desde a origem, e Yochanan era justo desde a origem (mantendo, portanto, o caso de Yochanan como um verdadeiro justo original que reverteu). Está bem para Abaye (cuja resolução elimina a dificuldade), mas para Rava é difícil (pois sua distinção deixa o caso de Yochanan como contra-exemplo direto ao princípio que ele mesmo, implicitamente, deveria sustentar).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
הוא ינאי – ששנינו בקידושין (פ"ג דף סו.) שהרג חכמי ישראל: ינאי רשע מעיקרו – ונעשה צדיק וחזר לרשעתו:

"Ele é Yanai" — como ensinamos no tratado Kidushin (66a), a respeito daquele que matou os sábios de Israel. "Yanai era ímpio desde a origem" — e depois se tornou justo, e ao final retornou à sua maldade.

Nota

Duas resoluções divergentes são propostas: Abaye identifica Yanai e Yochanan como a mesma pessoa, cuja aparente justiça inicial já escondia, na verdade, uma natureza corrompida original — preservando assim o princípio intacto. Rava, ao contrário, os trata como pessoas distintas, mantendo Yochanan como um genuíno justo original que reverteu ao mal — o que deixa sua própria posição vulnerável à objeção, exigindo uma explicação adicional na unidade seguinte.

8Disse-te Rava: também o justo desde a origem, talvez se reverta dele. Se assim é, por que não o tiraram?
Bavli · 29a — Guemará
אָמַר לָךְ רָבָא: צַדִּיק מֵעִיקָּרוֹ נָמֵי דִּלְמָא הָדַר בֵּיהּ. אִי הָכִי, אַמַּאי לָא אַסְּקוּהוּ?

Disse-te Rava, em sua própria defesa: também o justo desde a origem, talvez se reverta dele (Rava, afinal, não sustenta o princípio absoluto de Abaye de que "o bom não se torna mau"; ele admite que até um justo original pode, em certos casos raros como o de Yochanan, reverter). Se assim é (se mesmo um justo original pode reverter), por que não o tiraram Shmuel HaKatan de sua função, já que, segundo Rava, também ele, apesar de autor da bênção, poderia ter revertido e se tornado herege?

Nota

Rava esclarece sua própria posição: ele não subscreve o princípio de que um justo original jamais reverte — pelo contrário, o caso de Yochanan prova o oposto. Mas isso reabre a pergunta original sobre Shmuel HaKatan: se até um justo genuíno pode, em teoria, se corromper, por que a congregação não temeu essa possibilidade e não o removeu de sua função quando ele hesitou na bênção dos hereges?

9Diferente é Shmuel HaKatan, que já a havia começado. Pois disse Rav Yehuda, disse Rav, e alguns dizem Rabi Yehoshua ben Levi: não ensinaram isso senão quando não a começou, mas se já a começou, ele a termina
Bavli · 29a — Guemará
שָׁאנֵי שְׁמוּאֵל הַקָּטָן דְּאַתְחֵיל בַּהּ. דְּאָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב, וְאִיתֵּימָא רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי: לֹא שָׁנוּ, אֶלָּא שֶׁלֹּא הִתְחִיל בָּהּ, אֲבָל הִתְחִיל בָּהּ — גּוֹמְרָהּ.

Diferente é o caso de Shmuel HaKatan, que já a havia começado (ele já havia iniciado a recitação da bênção dos hereges, apenas hesitando no meio de seu texto exato). Pois disse Rav Yehuda, disse Rav, e alguns dizem Rabi Yehoshua ben Levi: não ensinaram isso (a regra de removê-lo) senão quando não a começou (quando o chazan hesita antes mesmo de abrir a bênção, o que é sinal mais grave de possível heresia), mas se já a começou (demonstrando, com o próprio início, sua intenção de recitá-la), ele a termina (pode prosseguir e completá-la, sem necessidade de ser substituído).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
דאתחיל בה – התחיל לאומרה וטעה באמצעיתה: לא שנו – הא דאמר רב יהודה מעלין אותו:

"Que já a havia começado" — isto é: começou a recitá-la e errou em seu meio. "Não ensinaram isso" — refere-se a isto que disse Rav Yehuda: "o tiram de sua função".

Nota

A resolução final distingue entre dois momentos possíveis do erro: a hesitação antes de sequer começar a bênção (sinal grave, que justifica remoção imediata) e o erro cometido já no meio de sua recitação (sinal mais leve, pois o próprio início demonstra boa intenção, permitindo que o chazan simplesmente prossiga e a conclua). Este princípio encerra toda a sugya sobre a bênção dos hereges e a suspeita de heresia, aberta ainda em 28b.

O número de bênçãos de Shabat, Rosh HaShaná e Ta'anit · הָנֵי שֶׁבַע דְּשַׁבְּתָא כְּנֶגֶד מִי

10Estas sete de Shabat, correspondem a quê? Disse Rabi Chalafta ben Shaul: correspondem às sete "vozes" que disse David sobre as águas
Bavli · 29a — Guemará
הָנֵי שֶׁבַע דְּשַׁבְּתָא כְּנֶגֶד מִי? אָמַר רַבִּי חֲלַפְתָּא בֶּן שָׁאוּל: כְּנֶגֶד שִׁבְעָה ״קוֹלוֹת״ שֶׁאָמַר דָּוִד עַל הַמַּיִם.

Estas sete bênçãos da Amidá de Shabat, correspondem a quê? Disse Rabi Chalafta ben Shaul: correspondem às sete menções da palavra "vozes" que disse David sobre as águas (no Salmo 29, "Voz do Eterno sobre as águas", que contém sete ocorrências da palavra "kol" — voz).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
שבעה קולות – במזמור קול ה' על המים (תהילים כ"ט:ג'):

"Sete vozes" — encontram-se no salmo "voz do Eterno sobre as águas" (Salmos 29:3).

Nota

Retomando o padrão de correspondências numéricas simbólicas já visto em 28b para as dezoito (e dezenove) bênçãos da Amidá diária, a Guemará passa agora a explicar o número de bênçãos das Amidot especiais: sete para Shabat, correspondendo às sete menções da palavra "voz" no mesmo Salmo 29 já citado anteriormente.

11Estas nove de Rosh HaShaná, correspondem a quê? Disse Rabi Yitzchak de Cartagena: correspondem às nove menções que disse Chaná em sua oração, pois disse o mestre: em Rosh HaShaná foram lembradas Sara, Rachel e Chaná
Bavli · 29a — Guemará
הָנֵי תֵּשַׁע דְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה כְּנֶגֶד מִי? אָמַר רַבִּי יִצְחָק דְּמִן קַרְטִיגְנִין: כְּנֶגֶד תִּשְׁעָה אַזְכָּרוֹת שֶׁאָמְרָה חַנָּה בִּתְפִלָּתָהּ, דְּאָמַר מָר: בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה נִפְקְדָה שָׂרָה רָחֵל וְחַנָּה.

Estas nove bênçãos, no acréscimo de Malchuyot, Zichronot e Shofarot na Amidá de Rosh HaShaná, correspondem a quê? Disse Rabi Yitzchak de Cartagena: correspondem às nove menções do Nome Divino que disse Chaná em sua oração (I Samuel 2, o Cântico de Chaná), pois disse o mestre: em Rosh HaShaná foram lembradas (e atendidas em sua súplica por um filho) Sara, Rachel e Chaná (as três matriarcas e profetisas estéreis cuja lembrança divina ocorreu, segundo a tradição, precisamente em Rosh HaShaná — vinculando assim esse dia à oração de Chaná).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
שאמרה חנה – בפרשת עלץ לבי (שמואל א ב):

"Que disse Chaná" — na passagem "exultou meu coração" (Samuel I 2).

Nota

A segunda correspondência numérica trata das nove bênçãos da Amidá de Rosh HaShaná, vinculando-as às nove menções do Nome Divino no Cântico de Chaná — conexão reforçada pela tradição de que a própria lembrança divina de Chaná, junto com Sara e Rachel, ocorreu nesse mesmo dia, tornando seu cântico uma fonte apropriada para a liturgia da data.

12Estas vinte e quatro de Ta'anit, correspondem a quê? Disse Rabi Chelbo: correspondem às vinte e quatro "canções" que disse Shlomo quando trouxe a Arca à Casa do Santo dos Santos. Se assim é, todo dia também as digamos! No dia em que as disse Shlomo — em dia de misericórdia; nós também, em dia de misericórdia as dizemos
Bavli · 29a — Guemará
הָנֵי עֶשְׂרִים וְאַרְבַּע דְּתַעֲנִיתָא כְּנֶגֶד מִי? אָמַר רַבִּי חֶלְבּוֹ: כְּנֶגֶד עֶשְׂרִים וְאַרְבַּע ״רְנָנוֹת״ שֶׁאָמַר שְׁלֹמֹה בְּשָׁעָה שֶׁהִכְנִיס אָרוֹן לְבֵית קׇדְשֵׁי הַקׇּדָשִׁים: אִי הָכִי, כׇּל יוֹמָא נָמֵי נֵמְרִינְהוּ! אֵימַת אַמְרִינְהוּ שְׁלֹמֹה — בְּיוֹמָא דְרַחֲמֵי, אֲנַן נָמֵי בְּיוֹמָא דְרַחֲמֵי אָמְרִינַן לְהוּ.

Estas vinte e quatro bênçãos de Ta'anit (o dia de jejum público decretado por falta de chuva, cuja Amidá acrescenta seis bênçãos às dezoito habituais), correspondem a quê? Disse Rabi Chelbo: correspondem às vinte e quatro "canções" que disse Shlomo quando trouxe a Arca à Casa do Santo dos Santos (I Reis 8, na dedicação do Templo). Objeta a Guemará: se assim é (se essas vinte e quatro expressões de súplica correspondem em geral às bênçãos de jejum), todo dia também as digamos (por que restringi-las apenas aos dias de Ta'anit)! Responde a Guemará: no dia em que as disse Shlomoera em dia de misericórdia (um dia de súplica especial, pois as portas do Templo haviam se colado e não se abriam, exigindo oração intensa); nós também, em dia de misericórdia (o próprio dia de jejum, dedicado à súplica) as dizemos.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
כ"ד רננות – בפרשת ויעמוד שלמה (מלכים א ח׳:כ״ב) רנה תפלה תחנה כלהון כ"ד איכא: ביומא דרחמי – שהוצרך לבקש רחמים שדבקו שערים זה בזה ולא היו מניחין להכניס ארון לבית קדשי הקדשים כדאמרי' במועד קטן (דף ט.):

"Vinte e quatro canções" — na passagem "e pôs-se de pé Shlomo" (Reis I 8:22): contando as palavras "canção", "oração" e "súplica" em todo o trecho, há vinte e quatro. "Em dia de misericórdia" — pois foi necessário pedir misericórdia, porque as portas do vestíbulo se colaram uma à outra e não permitiam que se trouxesse a Arca à Casa do Santo dos Santos, como dissemos no tratado Moed Katan (9a).

Nota

A terceira e última correspondência trata das vinte e quatro bênçãos de um dia de jejum público, vinculadas às vinte e quatro expressões de súplica na oração de Shlomo na dedicação do Templo. A objeção lógica — por que não aplicar esse número todos os dias — é resolvida distinguindo a natureza excepcional daquele momento (quando as portas do Templo, coladas por milagre, exigiram súplica intensificada) como paralela à natureza igualmente excepcional do dia de jejum, encerrando assim o breve excurso sobre a origem numérica das bênçãos especiais.

A oração abreviada Havinenu · מֵעֵין שְׁמוֹנֶה עֶשְׂרֵה

13Rabi Yehoshua diz: algo semelhante às dezoito. O que é "algo semelhante às dezoito"? Rav disse: algo semelhante a cada bênção. E Shmuel disse o texto completo de "Havinenu"
Bavli · 29a — Guemará (Mishná citada)
רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר: מֵעֵין שְׁמֹנֶה עֶשְׂרֵה. מַאי ״מֵעֵין שְׁמוֹנֶה עֶשְׂרֵה״? רַב אָמַר: מֵעֵין כׇּל בְּרָכָה וּבְרָכָה. וּשְׁמוּאֵל אָמַר: ״הֲבִינֵנוּ ה׳ אֱלֹהֵינוּ לָדַעַת דְּרָכֶיךָ, וּמוֹל אֶת לְבָבֵנוּ לְיִרְאָתֶךָ, וְתִסְלַח לָנוּ לִהְיוֹת גְּאוּלִים, וְרַחֲקֵנוּ מִמַּכְאוֹבֵינוּ, וְדַשְּׁנֵנוּ בִּנְאוֹת אַרְצֶךָ, וּנְפוּצוֹתֵינוּ מֵאַרְבַּע תְּקַבֵּץ, וְהַתּוֹעִים עַל דַּעְתְּךָ יִשְׁפְּטוּ, וְעַל הָרְשָׁעִים תָּנִיף יָדֶיךָ, וְיִשְׂמְחוּ צַדִּיקִים בְּבִנְיַן עִירֶךָ וּבְתִקּוּן הֵיכָלֶךָ, וּבִצְמִיחַת קֶרֶן לְדָוִד עַבְדֶּךָ וּבַעֲרִיכַת נֵר לְבֶן יִשַׁי מְשִׁיחֶךָ, טֶרֶם נִקְרָא אַתָּה תַעֲנֶה. בָּרוּךְ אַתָּה ה׳ שׁוֹמֵעַ תְּפִלָּה״.

Retoma-se a Mishná já citada em 28b: Rabi Yehoshua diz: quem não domina a Amidá completa reza apenas algo semelhante às dezoito. O que é "algo semelhante às dezoito"? Rav disse: algo semelhante a cada bênção (um breve resumo do conteúdo de cada uma das dezoito bênçãos, mencionando-as todas de forma condensada). E Shmuel disse que se trata do texto completo de "Havinenu" (uma oração única e curta, que Shmuel formulou substituindo por completo as treze bênçãos intermediárias): "Faze-nos entender, Eterno nosso D'us, a conhecer teus caminhos, e circuncida nosso coração para teu temor, e perdoa-nos para sermos redimidos, e afasta-nos de nossas dores, e enriquece-nos nos pastos de tua terra, e nossos dispersos dos quatro cantos do mundo reúne, e os que erram quanto ao teu conhecimento sejam julgados, e sobre os ímpios ergue tua mão, e se alegrem os justos na construção de tua cidade e na restauração de teu templo, e no brotar do chifre de David teu servo e no preparo da candeia para o filho de Yishai, teu ungido; antes que clamemos, tu responderás. Bendito és Tu, Eterno, que ouve a oração".

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
מעין כל ברכה – אומר בקוצר ומברך על כל אחת ואחת: הביננו – ואינו מברך אלא שומע תפלה בכל הברכות שבין שלש ראשונות לשלש אחרונות הביננו כנגד אתה חונן ומול את לבבנו כנגד השיבנו לסלוח לנו כנגד סלח לנו להיות גאולים כנגד גאולה וכן כולם: בנאות ארצך – לשון נוה כמו בנאות דשא ירביצני (תהילים כ״ג:ב׳) והוא כנגד ברכת השנים: והתועים על דעתך – העוברים על דבריך: ישפטו – כנגד צדקה ומשפט. לשון אחר והתועים במשפט על דעתך ישפטו השיבם ללמדם לשפוט כדבריך וכן עיקר נראה לי וכן בה"ג:

"Algo semelhante a cada bênção" — diz o resumo abreviadamente, e abençoa sobre cada uma delas individualmente, mantendo dezoito conclusões de bênção. "Havinenu" — e não abençoa ao final de cada uma, senão a única conclusão de "que ouve a oração", substituindo todas as bênçãos que há entre as três primeiras e as três últimas: "Faze-nos entender" corresponde a "Tu que agracias com conhecimento"; "e circuncida nosso coração" corresponde a "faze-nos voltar"; "perdoa-nos" corresponde a "perdoa-nos"; "para sermos redimidos" corresponde a "redenção" — e assim todas as demais frases correspondem, na mesma ordem, às treze bênçãos intermediárias que substituem. "Nos pastos de tua terra" — expressão de morada, como "em pastos de erva verde me faz repousar" (Salmos 23:2), e esta frase corresponde à bênção "dos anos". "E os que erram quanto ao teu conhecimento" — isto é, os que transgridem tuas palavras. "Sejam julgados" — corresponde a "justiça e julgamento". Outra explicação: "e os que erram no julgamento quanto ao teu conhecimento sejam julgados" — isto é: faze-os voltar, para ensiná-los a julgar segundo tua palavra; e assim me parece ser o principal sentido, e assim também consta em Halachot Guedolot.

Nota

A Guemará apresenta duas interpretações concorrentes para a Amidá abreviada de Rabi Yehoshua: Rav entende que se trata de um resumo de cada uma das dezoito bênçãos, preservando dezoito conclusões separadas; Shmuel, por outro lado, identifica-a com "Havinenu", uma composição única e mais curta, na qual cada frase corresponde, em ordem, a uma das treze bênçãos intermediárias entre as três primeiras (louvores) e as três últimas (agradecimentos) da Amidá completa, concluindo com uma única bênção final, "que ouve a oração".

14Amaldiçoou-o Abaye a quem reza "Havinenu"
Bavli · 29a — Guemará
לָיֵיט עֲלַהּ אַבָּיֵי אַמַּאן דִּמְצַלֵּי ״הֲבִינֵנוּ״.

Amaldiçoou-o (reprovou-o duramente) Abaye a quem reza "Havinenu" (ao invés de recitar a Amidá completa, mesmo que a halachá formalmente o permita).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
לייט עלה אביי – לפי שמדלג הברכות וכוללן בברכה אחת:

"Amaldiçoou-o Abaye" — porque quem reza assim omite as bênçãos individuais e as reúne todas numa única bênção.

Nota

Apesar de a Mishná e a explicação de Shmuel legitimarem "Havinenu" como opção válida para quem não domina a Amidá completa, Abaye expressa forte desaprovação prática de seu uso, por considerar que omitir e condensar as treze bênçãos individuais em uma só representa uma perda espiritual significativa, mesmo quando tecnicamente permitido. Esta reprovação prepara a discussão seguinte sobre os limites e as exceções ao uso de "Havinenu".

15Disse Rav Nachman, disse Shmuel: todo o ano reza a pessoa "Havinenu", exceto nas saídas de Shabat e nas saídas dos dias festivos, porque é preciso dizer Havdalá em "Chonen HaDaat"
Bavli · 29a — Guemará
אָמַר רַב נַחְמָן אָמַר שְׁמוּאֵל: כׇּל הַשָּׁנָה כּוּלָּהּ מִתְפַּלֵּל אָדָם ״הֲבִינֵנוּ״, חוּץ מִמּוֹצָאֵי שַׁבָּת וּמִמּוֹצָאֵי יָמִים טוֹבִים, מִפְּנֵי שֶׁצָּרִיךְ לוֹמַר הַבְדָּלָה בְּ״חוֹנֵן הַדָּעַת״.

Disse Rav Nachman, disse Shmuel: todo o ano reza a pessoa "Havinenu" (mesmo quem domina bem a Amidá completa pode, em circunstâncias comuns, optar por esta versão abreviada), exceto nas saídas de Shabat e nas saídas dos dias festivos (o momento em que Shabat ou uma Festa termina e começam os dias comuns), porque é preciso dizer Havdalá (a bênção de distinção entre o sagrado e o profano) em "Chonen HaDaat" (a quarta bênção da Amidá completa, "que agracias com conhecimento", onde a Havdalá é tradicionalmente inserida — e "Havinenu", por condensar essa bênção numa única frase breve, não comporta essa inserção adicional sem se tornar confuso).

Nota

Estabelece-se a primeira exceção ao uso de "Havinenu": nas saídas de Shabat e Festas, quando é necessário inserir a Havdalá dentro da quarta bênção da Amidá, a versão abreviada não é adequada, pois sua estrutura condensada não comporta facilmente esse acréscimo litúrgico adicional sem comprometer a clareza da oração.

16Questionou Raba bar Shmuel: então digamos uma quarta bênção à parte! Acaso não ensinamos: Rabi Akiva diz: diz-a como uma quarta bênção à parte; Rabi Eliezer diz: em Hodaá
Bavli · 29a — Guemará
מַתְקִיף לַהּ רַבָּה בַּר שְׁמוּאֵל: וְנֵימְרַהּ בְּרָכָה רְבִיעִית בִּפְנֵי עַצְמָהּ! מִי לָא תְּנַן רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר: אוֹמְרָהּ בְּרָכָה רְבִיעִית בִּפְנֵי עַצְמָהּ. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר: בַּהוֹדָאָה.

Questionou Raba bar Shmuel: então digamos a Havdalá como uma quarta bênção à parte (inserindo-a como um acréscimo autônomo dentro de "Havinenu", sem comprometer sua estrutura condensada)! Acaso não ensinamos numa Mishná, sobre a Havdalá na oração comum: Rabi Akiva diz: diz-a como uma quarta bênção à parte (depois de "Chonen HaDaat", como bênção independente); Rabi Eliezer diz: diz-a em Hodaá (a bênção de "agradecimento", perto do final da Amidá — havendo, portanto, precedente para inserir a Havdalá fora da quarta bênção)?

Nota

Raba bar Shmuel desafia a exceção estabelecida na unidade anterior, apontando que já existe precedente tanaítico — a disputa entre Rabi Akiva e Rabi Eliezer sobre onde inserir a Havdalá na Amidá comum — que permitiria contornar o problema: bastaria dizer a Havdalá como uma bênção adicional e independente após "Havinenu", à semelhança da opinião de Rabi Akiva, sem necessidade de proibir totalmente o uso da oração abreviada nessas ocasiões.

17Acaso todo o ano fazemos como Rabi Akiva, para que agora também façamos como ele?! Todo o ano, por que razão não fazemos como Rabi Akiva? Dezoito instituíram, dezenove não instituíram; aqui também, sete instituíram, oito não instituíram
Bavli · 29a — Guemará
אַטּוּ כׇּל הַשָּׁנָה כּוּלָּהּ מִי עָבְדִינַן כְּרַבִּי עֲקִיבָא, דְּהַשְׁתָּא נָמֵי נַעֲבֵיד?! כׇּל הַשָּׁנָה כּוּלָּהּ מַאי טַעְמָא לָא עָבְדִינַן כְּרַבִּי עֲקִיבָא תַּמְנֵי סְרֵי תַּקּוּן, תְּשַׁסְרֵי לָא תַּקּוּן, הָכָא נָמֵי שֶׁבַע תַּקּוּן תַּמְנֵי לָא תַּקּוּן.

Acaso todo o ano fazemos como Rabi Akiva (na Amidá comum de dias comuns, seguimos sua opinião de inserir a Havdalá como quarta bênção separada), para que agora também façamos como ele (dentro de "Havinenu")?! Isto é: já que na prática comum a halachá não segue Rabi Akiva, não há razão para segui-lo aqui. Todo o ano, por que razão não fazemos como Rabi Akiva? Porque dezoito bênçãos instituíram, dezenove não instituíram (o número fixo da Amidá é dezoito — ou dezenove, com a bênção dos hereges — e não vinte, que resultaria de acrescentar a Havdalá como bênção independente); aqui também (em "Havinenu"), sete frases correspondentes às bênçãos originais instituíram, oito não instituíram (não se deve acrescentar uma frase extra além do número fixo correspondente).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
כל השנה מי עבדינן כר' עקיבא – כלומר כשאנו מתפללין י"ח שלמות מי עבדינן כר' עקיבא לומר ברכה רביעית בפני עצמה דהשתא כשמתפללין הביננו נעביד כותיה: שבע תקון – שלש ראשונות ושלש אחרונות והביננו:

"Acaso todo o ano fazemos como Rabi Akiva" — isto é: quando rezamos as dezoito bênçãos completas, acaso fazemos como Rabi Akiva, dizendo a Havdalá como uma quarta bênção à parte? Não! Portanto, agora, quando rezamos "Havinenu", também não faremos como ele. "Sete instituíram" — as três primeiras bênçãos, e as três últimas, e "Havinenu" no meio, totalizando sete unidades de bênção.

Nota

A Guemará rejeita a solução proposta, argumentando por analogia estrutural: assim como na prática comum não se segue Rabi Akiva (mantendo o número fixo de dezoito ou dezenove bênçãos, sem acrescentar uma vigésima para a Havdalá), da mesma forma "Havinenu" mantém sua própria contagem fixa de sete unidades (três primeiras, três últimas, e a própria "Havinenu" no meio), sem permitir o acréscimo de uma oitava.

18Questionou Mar Zutra: que a incluam dentro: "Faze-nos entender, Eterno nosso D'us, que separa entre o sagrado e o profano"! É difícil
Bavli · 29a — Guemará
מַתְקִיף לַהּ מָר זוּטְרָא: וְנִכְלְלָה מִכְלָל: ״הֲבִינֵנוּ ה׳ אֱלֹהֵינוּ הַמַּבְדִּיל בֵּין קֹדֶשׁ לְחוֹל״! קַשְׁיָא.

Questionou Mar Zutra: que a incluam dentro (a menção da Havdalá, sem acrescentar uma frase separada, mas embutindo-a dentro da própria abertura de "Havinenu"): "Faze-nos entender, Eterno nosso D'us, que separa entre o sagrado e o profano" (uma reformulação mínima da primeira frase, que incorporaria a ideia da Havdalá sem alterar o número total de sete unidades)! Conclui a Guemará: é difícil (esta objeção permanece sem resposta satisfatória).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
ונכללה – להבדלה: מכלל – בתוך הביננו כדרך שהוא כוללה בחונן הדעת ויאמר הביננו ה' אלהינו המבדיל בין קדש לחול לדעת דרכיך:

"Que a incluam" — refere-se à Havdalá. "Dentro" — isto é: dentro de "Havinenu", da mesma forma que na Amidá completa a inclui em "Chonen HaDaat", de modo que diria: "Faze-nos entender, Eterno nosso D'us, que separa entre o sagrado e o profano, a conhecer teus caminhos etc."

Nota

Mar Zutra propõe uma solução engenhosa e mais elegante: em vez de acrescentar uma unidade extra, bastaria embutir a menção da Havdalá dentro da própria primeira frase de "Havinenu", exatamente como se faz na Amidá completa, onde a Havdalá é incorporada ao texto de "Chonen HaDaat" sem criar uma bênção adicional separada. A Guemará, no entanto, reconhece esta objeção como genuinamente forte, deixando-a sem resolução (que se converte, na prática, no fundamento da proibição de usar "Havinenu" nesses dias).

19Disse Rav Bibi bar Abaye: todo o ano reza a pessoa "Havinenu", exceto nos dias de chuva, porque é preciso dizer She'elá na bênção "dos anos". Questionou Mar Zutra: que a incluam dentro: "e enriquece-nos nos pastos de tua terra, e dá orvalho e chuva"!
Bavli · 29a — Guemará
אָמַר רַב בִּיבִי בַּר אַבָּיֵי: כׇּל הַשָּׁנָה כּוּלָּהּ מִתְפַּלֵּל אָדָם ״הֲבִינֵנוּ״, חוּץ מִימוֹת הַגְּשָׁמִים, מִפְּנֵי שֶׁצָּרִיךְ לוֹמַר שְׁאֵלָה בְּבִרְכַּת ״הַשָּׁנִים״. מַתְקִיף לַהּ מָר זוּטְרָא: וְנִכְלְלָה מִכְלָל: ״וְדַשְּׁנֵנוּ בִּנְאוֹת אַרְצֶךָ, וְתֵן טַל וּמָטָר״!

Disse Rav Bibi bar Abaye: todo o ano reza a pessoa "Havinenu", exceto nos dias de chuva (a estação em que se pede chuva na Amidá), porque é preciso dizer She'elá (o pedido explícito de chuva) na bênção "dos anos" (a nona bênção da Amidá completa — uma segunda exceção, paralela à da Havdalá). Questionou Mar Zutra, propondo aqui a mesma solução que propusera para a Havdalá: que a incluam dentro de "Havinenu": "e enriquece-nos nos pastos de tua terra (a frase que já corresponde à bênção "dos anos"), e dá orvalho e chuva"!

Nota

Paralelamente à exceção da Havdalá, estabelece-se uma segunda restrição ao uso de "Havinenu": nos dias de inverno, quando é obrigatório pedir explicitamente chuva na bênção "dos anos", a versão abreviada também não seria adequada — e Mar Zutra propõe, mais uma vez, embuti-la dentro da frase correspondente já existente em "Havinenu", ao invés de proibir totalmente seu uso.

20Vem a se distrair. Se assim é, a Havdalá em "Chonen HaDaat" também vem a se distrair!
Bavli · 29a — Guemará
אָתֵי לְאִטְּרוֹדֵי. אִי הָכִי, הַבְדָּלָה בְּ״חוֹנֵן הַדָּעַת״, נָמֵי אָתֵי לְאִטְּרוֹדֵי!

Responde a Guemará: vem a se distrair (inserir She'elá dentro da frase de "Havinenu" correspondente aos anos faria a pessoa se confundir ou perder a concentração no meio da oração). Objeta novamente a Guemará: se assim é (se o receio de distração é motivo suficiente para rejeitar a inserção), a Havdalá em "Chonen HaDaat" (que de fato se insere sem problema na Amidá completa) também vem a se distrair (o mesmo receio deveria, por igual razão, aplicar-se também à inserção da Havdalá na primeira frase de "Havinenu", tornando as duas exceções inconsistentes entre si)!

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
לאטרודי – לטעות:

"A se distrair" — isto é: a errar.

Nota

A Guemará responde à proposta de Mar Zutra quanto à She'elá com o mesmo argumento que havia deixado sem resposta quanto à Havdalá: o risco de confusão ou erro. Mas isso gera de imediato uma nova dificuldade — por que esse receio de distração se aplicaria à She'elá (justificando a proibição de "Havinenu" nos dias de chuva) mas não à Havdalá (cuja inserção na Amidá completa, dentro de "Chonen HaDaat", é aceita sem problema)?

21Disseram: ali, como vem no início da oração, não se distrai; aqui, como vem no meio da oração, se distrai
Bavli · 29a — Guemará
אָמְרִי: הָתָם כֵּיוָן דְּאָתְיָא בִּתְחִלַּת צְלוֹתָא — לָא מִטְּרִיד, הָכָא כֵּיוָן דְּאָתְיָא בְּאֶמְצַע צְלוֹתָא — מִטְּרִיד.

Disseram em resposta: ali (a Havdalá, tanto na Amidá completa quanto no início de "Havinenu"), como vem no início da oração (um momento em que a mente ainda está fresca e concentrada), não se distrai; aqui (a She'elá, cuja inserção ocorreria no meio de "Havinenu"), como vem no meio da oração (quando a concentração já está mais dispersa entre os vários pedidos condensados), se distrai (há maior risco de erro ou confusão).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
בתחלה – התפלה יכול אדם לכוין דעתו יותר מן האמצע:

"No início" — da oração, pode uma pessoa concentrar sua atenção melhor do que no meio dela.

Nota

A resolução distingue a posição estrutural de cada inserção: a Havdalá, situada no início da oração (seja na Amidá completa, seja no começo de "Havinenu"), beneficia-se de maior concentração natural; já a She'elá, que teria de ser inserida no meio de "Havinenu", corre maior risco de causar confusão, justificando assim a distinção entre as duas exceções — permitir a incorporação da Havdalá, mas não a da She'elá, dentro da oração abreviada.

22Questionou Rav Ashi: então digamos em "Shomea Tefilá"! Pois disse Rabi Tanchum, disse Rav Assi: quem errou e não mencionou Guevurot Guechamim em "Techiyat HaMetim" — fazem-no voltar. She'elá na bênção dos anos — não o fazem voltar, porque pode dizê-la em "Shomea Tefilá". E Havdalá em "Chonen HaDaat" — não o fazem voltar, porque pode dizê-la sobre o copo. Errar é diferente
Bavli · 29a — Guemará
מַתְקִיף לַהּ רַב אָשֵׁי: וְנֵימְרַהּ בְּ״שׁוֹמֵעַ תְּפִלָּה״, דְּאָמַר רַבִּי תַּנְחוּם אָמַר רַב אַסִּי: טָעָה וְלֹא הִזְכִּיר גְּבוּרוֹת גְּשָׁמִים בִּ״תְחִיַּית הַמֵּתִים״ — מַחֲזִירִין אוֹתוֹ. שְׁאֵלָה בְּבִרְכַּת הַשָּׁנִים — אֵין מַחֲזִירִין אוֹתוֹ, מִפְּנֵי שֶׁיָּכוֹל לְאוֹמְרָהּ בְּ"שׁוֹמֵעַ תְּפִלָּה". וְהַבְדָּלָה בְּ״חוֹנֵן הַדָּעַת״ — אֵין מַחֲזִירִין אוֹתוֹ, מִפְּנֵי שֶׁיָּכוֹל לְאוֹמְרָהּ עַל הַכּוֹס. טָעָה שָׁאנֵי.

Questionou Rav Ashi: então digamos a She'elá em "Shomea Tefilá" (a décima sexta bênção da Amidá completa, "que ouve a oração" — que na Amidá comum já serve como espaço para pedidos adicionais e, por analogia, corresponderia à própria conclusão de "Havinenu")! Pois disse Rabi Tanchum, disse Rav Assi: quem errou e não mencionou Guevurot Guechamim (a menção das "forças da chuva" na segunda bênção) em "Techiyat HaMetim" (a bênção da ressurreição dos mortos) — fazem-no voltar (deve repetir a Amidá, pois essa menção é obrigatória e sua ausência invalida a bênção). She'elá na bênção dos anos (esquecer o pedido explícito de chuva) — não o fazem voltar, porque pode dizê-la em "Shomea Tefilá" (há uma segunda oportunidade estrutural para o pedido, tornando dispensável repetir toda a Amidá). E Havdalá em "Chonen HaDaat" (esquecer de mencioná-la na quarta bênção) — não o fazem voltar, porque pode dizê-la sobre o copo (de vinho, na Havdalá recitada após a oração, fora da Amidá — havendo, portanto, alternativa completamente externa). Conclui a Guemará, encerrando a comparação com o caso de "Havinenu": errar é diferente (a regra permissiva para quem já erroneamente omitiu She'elá ou Havdalá na Amidá completa não se aplica ao planejamento prévio da estrutura de "Havinenu", que exige clareza desde o início).

Nota

Rav Ashi propõe uma última tentativa de solução, comparando com as regras práticas — apresentadas na íntegra na unidade seguinte — sobre o que fazer quando alguém, na Amidá completa, já esqueceu de mencionar She'elá ou Havdalá em seus devidos lugares: nesses casos, não é necessário repetir a oração, pois há alternativas (Shomea Tefilá para a She'elá, o copo de vinho para a Havdalá). A Guemará distingue, porém, entre o caso de um erro já cometido — que admite essas soluções alternativas — e o planejamento estrutural prévio de "Havinenu", que não comporta o mesmo tipo de flexibilidade.

Guevurot Guechamim, She'elá e Havdalá: quando repetir a Amidá · טָעָה וְלֹא הִזְכִּיר

23A própria coisa: disse Rabi Tanchum, disse Rav Assi: quem errou e não mencionou Guevurot Guechamim em "Techiyat HaMetim" — fazem-no voltar. She'elá na bênção "dos anos" — não o fazem voltar, porque pode dizê-la em "Shomea Tefilá". E Havdalá em "Chonen HaDaat" — não o fazem voltar, porque pode dizê-la sobre o copo
Bavli · 29a — Guemará
גּוּפָא, אָמַר רַבִּי תַּנְחוּם אָמַר רַב אַסִּי: טָעָה וְלֹא הִזְכִּיר גְּבוּרוֹת גְּשָׁמִים בִּ״תְחִיַּית הַמֵּתִים״ — מַחֲזִירִין אוֹתוֹ. שְׁאֵלָה בְּבִרְכַּת ״הַשָּׁנִים״ — אֵין מַחֲזִירִין אוֹתוֹ, מִפְּנֵי שֶׁיָּכוֹל לְאוֹמְרָהּ בְּ״שׁוֹמֵעַ תְּפִלָּה״. וְהַבְדָּלָה בְּ״חוֹנֵן הַדָּעַת״ — אֵין מַחֲזִירִין אוֹתוֹ, מִפְּנֵי שֶׁיָּכוֹל לְאוֹמְרָהּ עַל הַכּוֹס.

A própria coisa (a Guemará retoma agora, para tratá-la em detalhe por si mesma, a citação de Rabi Tanchum já mencionada de passagem na unidade anterior): disse Rabi Tanchum, disse Rav Assi: quem errou e não mencionou Guevurot Guechamim em "Techiyat HaMetim" — fazem-no voltar (deve repetir a Amidá desde o início, ou ao menos desde essa bênção, pois trata-se de uma menção obrigatória cuja omissão invalida a oração). She'elá na bênção "dos anos" — não o fazem voltar, porque pode dizê-la em "Shomea Tefilá". E Havdalá em "Chonen HaDaat" — não o fazem voltar, porque pode dizê-la sobre o copo de vinho, na Havdalá recitada depois.

Nota

A Guemará introduz formalmente, como "a própria coisa" (gufa), a fonte central de toda esta última sugya do daf: uma hierarquia clara de três inserções obrigatórias na Amidá, distinguidas por sua gravidade quando esquecidas. Guevurot Guechamim é a mais grave — sua omissão exige repetição integral, pois não há alternativa estrutural equivalente. She'elá e Havdalá são mais leves, pois ambas possuem uma "válvula de escape" — Shomea Tefilá para uma, o copo de vinho para outra — que permite corrigir o esquecimento sem repetir toda a oração.

24Contestaram: quem errou e não mencionou Guevurot Guechamim em "Techiyat HaMetim" — fazem-no voltar. She'elá na bênção "dos anos" — fazem-no voltar. E Havdalá em "Chonen HaDaat" — não o fazem voltar, porque pode dizê-la sobre o copo
Bavli · 29a — Guemará (Baraita)
מֵיתִיבִי: טָעָה וְלֹא הִזְכִּיר גְּבוּרוֹת גְּשָׁמִים בִּ״תְחִיַּית הַמֵּתִים״ — מַחֲזִירִין אוֹתוֹ. שְׁאֵלָה בְּבִרְכַּת ״הַשָּׁנִים״ — מַחֲזִירִין אוֹתוֹ, וְהַבְדָּלָה בְּ״חוֹנֵן הַדָּעַת״ — אֵין מַחֲזִירִין אוֹתוֹ, מִפְּנֵי שֶׁיָּכוֹל לְאוֹמְרָהּ עַל הַכּוֹס.

Contestaram (trouxeram uma objeção de uma baraita): quem errou e não mencionou Guevurot Guechamim em "Techiyat HaMetim" — fazem-no voltar. She'elá na bênção "dos anos" — também fazem-no voltar (contradizendo diretamente o ensinamento de Rabi Tanchum, que isentava a She'elá de repetição). E Havdalá em "Chonen HaDaat" — não o fazem voltar, porque pode dizê-la sobre o copo.

Nota

Surge uma baraita que contradiz parcialmente o ensinamento anterior: embora concorde quanto a Guevurot Guechamim (repetição obrigatória) e quanto a Havdalá (dispensada, por haver alternativa no copo), ela diverge exatamente quanto à She'elá, exigindo repetição da Amidá também nesse caso — ao contrário do que ensinara Rabi Tanchum em nome de Rav Assi.

25Não é difícil: esta, quando reza individualmente; esta, quando reza em congregação
Bavli · 29a — Guemará
לָא קַשְׁיָא, הָא בְּיָחִיד, הָא בְּצִבּוּר.

Não é difícil (a contradição se resolve): esta opinião, que exige repetição por causa da She'elá, refere-se a quando reza individualmente; esta outra, que a dispensa, refere-se a quando reza em congregação (pois o indivíduo que reza sozinho não tem como ouvir o pedido de chuva de outra fonte, mas o indivíduo que reza junto à congregação já o ouvirá do chazan na repetição).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
ביחיד – מחזירין אותו: בצבור – יחיד המתפלל עם הצבור:

"Quando reza individualmente" — fazem-no voltar. "Quando reza em congregação" — refere-se ao indivíduo que reza junto com a congregação.

Nota

A primeira tentativa de harmonização distingue entre quem reza sozinho, sem acesso a nenhuma outra menção do pedido de chuva, e quem reza dentro da congregação, que poderá ouvi-lo pela repetição do chazan — permitindo assim dispensar sua própria repetição individual da Amidá.

26Em congregação, por que razão não? Porque a ouve do enviado da congregação. Se assim é, este "porque pode dizê-la em Shomea Tefilá" — "porque a ouve do enviado da congregação" deveria dizer!
Bavli · 29a — Guemará
בְּצִבּוּר מַאי טַעְמָא לָא — מִשּׁוּם דְּשַׁמְעַהּ מִשְּׁלִיחַ צִבּוּר, אִי הָכִי, הַאי ״מִפְּנֵי שֶׁיָּכוֹל לְאוֹמְרָהּ בְּשׁוֹמֵעַ תְּפִילָּה״, ״מִפְּנֵי שֶׁשּׁוֹמֵעַ מִשְּׁלִיחַ צִיבּוּר״ מִיבְּעֵי לֵיהּ.

Em congregação, por que razão não fazem-no voltar? Porque a ouve do enviado da congregação (o chazan, que a recita na repetição pública da Amidá). Objeta a Guemará: se assim é (se a razão real for essa), este ensinamento de Rabi Tanchum, que disse "porque pode dizê-la em Shomea Tefilá" — deveria, ao invés disso, ter dito "porque a ouve do enviado da congregação"! (A formulação original não corresponde à explicação agora proposta, sugerindo que a distinção entre indivíduo e congregação talvez não seja, de fato, a resolução correta.)

Nota

A Guemará questiona a própria harmonização que acabara de propor: se a razão pela qual quem reza em congregação está dispensado de repetir fosse realmente por ouvir a menção do chazan, o ensinamento original de Rabi Tanchum deveria ter formulado essa razão explicitamente, e não a alternativa de "Shomea Tefilá" — revelando uma inconsistência que exige uma nova tentativa de resolução.

27Mas, isto e isto quando reza individualmente, e não é difícil: esta, quando se lembrou antes de "Shomea Tefilá"...
Bavli · 29a — Guemará
אֶלָּא אִידֵּי וְאִידֵּי בְּיָחִיד, וְלָא קַשְׁיָא: הָא דְּאִדְּכַר קוֹדֶם ״שׁוֹמֵעַ תְּפִלָּה״,

Mas (abandona-se a distinção anterior e propõe-se uma nova), isto e isto (ambas as fontes — a que dispensa e a que exige repetição por causa da She'elá) referem-se a quando reza individualmente, e não é difícil (a aparente contradição se resolve de outra forma): esta (a que dispensa a repetição), trata do caso em que se lembrou antes de "Shomea Tefilá" (ainda a tempo de inserir o pedido de chuva nessa bênção posterior, evitando assim a necessidade de repetir toda a Amidá)... a resolução completa — incluindo o caso em que a pessoa já passou por "Shomea Tefilá" sem se lembrar — prossegue no início do próximo daf.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 29a
דאדכר קודם ש"ת – אין מחזירין אותו שיכול לאומרה בשומע תפלה:

"Que se lembrou antes de Shomea Tefilá" — não o fazem voltar, porque pode dizê-la em "Shomea Tefilá".

Nota

O daf termina em suspenso, no meio de uma nova tentativa de harmonização: abandonando a distinção entre indivíduo e congregação, a Guemará propõe agora distinguir conforme o momento em que a pessoa se lembra do esquecimento — antes ou depois de já ter passado pela bênção "Shomea Tefilá", onde ainda seria possível inserir o pedido de chuva retroativamente. A resolução completa deste ponto, e o desfecho da contradição entre as duas fontes, prosseguem no início de 29b.