Talmud Bavli · Berachot · Daf 41, lado B · Perek Vav (Ketzad Mevarchin)
מא ע״ב

Do shiur da romã ao vinho no meio da refeição: fechando as sete espécies e abrindo a sugya das bênçãos durante a refeição

Berachot 41b · Perek Ketzad Mevarchin

O daf abre concluindo a lista de shiurim ligados às Sete Espécies, iniciada em 41a: a medida da romã para utensílios de madeira, a explicação de Rabi Yossei bei Rabi Chanina sobre "terra de azeite de oliva" (a maioria das medidas da Torá são do tamanho de azeitona), e a medida do mel de tâmaras para Iom Kipur — com a ressalva de que nenhum desses shiurim está escrito explicitamente na Torá, sendo todos de origem rabínica, apoiados no versículo apenas como asmachtá. Em seguida vem o episódio de Rav Chisda e Rav Hamnuna, que aplica na prática o princípio da ordem do versículo às tâmaras e romãs. O daf fecha abrindo uma nova sugya: a disputa entre Rav Huná, Rav Nachman e Rav Sheshet sobre se figos e uvas trazidos no meio da refeição exigem bênção antes e depois, a halachá de Rav Papa que distingue o que vem "por causa da refeição" do que não vem, e a pergunta feita a Ben Zoma sobre o motivo dessa distinção — pergunta que o daf deixa em aberto, a ser respondida em 42a.

1A medida deles é como romãs
Bavli · 41b — Guemará
שִׁיעוּרָן כְּרִמּוֹנִים.

Completando a frase iniciada ao final de 41a sobre os utensílios de madeira dos donos de casa, a Guemará conclui: a medida deles (shiuran) é como (kerimonim) romãs — isto é, um utensílio de madeira pertencente a um dono de casa comum só perde sua suscetibilidade à impureza quando se abre nele um buraco do tamanho suficiente para passar uma romã por ele.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 41b
שיעורן כרמונים – ניקב כמוציא רמון טהור בעלי בתים חסים על כליהם הלכך ניקב כמוציא קטניות מצניעו לזיתים ניקב כמוציא זית משתמש לאגוזים ניקב כמוציא אגוז משתמש בו רמונים אבל של אומן העומד למכור לא הוי שיעוריה בהכי:

"A medida deles é como romãs" — quando o utensílio se abre com um buraco do tamanho suficiente para passar (kemotzi) uma romã, ele fica puro (deixa de ser suscetível à impureza). A razão é que os donos de casa (baalê batim) têm consideração (chassim) por seus utensílios e continuam a usá-los mesmo depois de furados, cada vez para uma função menos exigente: portanto, quando o utensílio se abre com um buraco do tamanho de legumes (ketaniot), o dono ainda o reserva (matznio) para guardar azeitonas; quando se abre com um buraco do tamanho de uma azeitona, ainda o usa (mishtamesh) para nozes; quando se abre com um buraco do tamanho de uma noz, ainda o usa para romãs — e só quando o buraco chega ao tamanho de uma romã é que o utensílio deixa de ter qualquer uso remanescente para o dono de casa comum, tornando-se então insuscetível de impureza; mas o utensílio de um artesão (uman) que está para (omêd) vender (cuja mercadoria não é guardada para uso pessoal, mas para revenda), sua medida não é assim — pois o artesão descarta o utensílio furado assim que perde seu valor de venda, muito antes de chegar ao tamanho de romã.

Nota

O daf abre concluindo a última das medidas ligadas às Sete Espécies: a "romã" fixa a medida do buraco que torna um utensílio de madeira de um dono de casa comum insuscetível à impureza. Rashi explica a lógica gradual por trás dessa medida generosa: como o dono de casa reaproveita o utensílio furado para funções cada vez menos exigentes (primeiro legumes, depois azeitonas, depois nozes, por fim romãs), só quando o buraco atinge o tamanho de uma romã — quando já não sobra nenhum uso razoável — é que o utensílio perde definitivamente seu status de recipiente. O utensílio de um artesão destinado à venda segue outra régua, pois é descartado muito antes.

2"Terra de azeite de oliva": disse Rabi Yossei bei Rabi Chanina — terra cujas medidas são todas como azeitonas. Mas há as que já mencionamos! Antes: a maioria de suas medidas
Bavli · 41b — Guemará
״אֶרֶץ זֵית שֶׁמֶן״, אָמַר רַבִּי יוֹסֵי בְּרַבִּי חֲנִינָא: אֶרֶץ שֶׁכָּל שִׁיעוּרֶיהָ כְּזֵיתִים. כׇּל שִׁיעוּרֶיהָ סָלְקָא דַּעְתָּךְ?! וְהָא אִיכָּא הָנָךְ דַּאֲמַרַן! אֶלָּא אֶרֶץ שֶׁרוֹב שִׁיעוּרֶיהָ כְּזֵיתִים.

A Guemará passa a explicar a frase seguinte do mesmo versículo: "terra de azeite (zait) de oliva" — disse Rabi Yossei bei Rabi Chanina: é uma terra cujas medidas (shiurehá) são todas (kol) como (kezêitim) azeitonas — isto é, a menção do azeite de oliva no versículo alude ao fato de que a maior parte das medidas legais da Torá é calculada em unidades do tamanho de uma azeitona. A Guemará objeta: que todas (kol) as suas medidas sejam como azeitonas viria à mente (salka datach)?! Isso não pode estar certo, pois há aquelas (hánach) que já mencionamos — as medidas de trigo, cevada, videira e figo, discutidas em 41a, que não são do tamanho de azeitona! Antes (elá), deve-se entender: uma terra cuja maioria (rov) das medidas é como azeitonas — não todas, mas a maior parte delas.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 41b
שרוב שיעוריה – אכילת חלב דם נותר ופיגול:

"Uma terra cuja maioria das medidas é como azeitonas" — como por exemplo as medidas para comer chelev (gordura proibida), sangue, notar (carne de sacrifício que sobrou além do prazo permitido) e pigul (sacrifício invalidado por intenção imprópria) — todas essas transgressões têm como medida mínima de culpabilidade o volume de uma azeitona.

Nota

A Guemará interpreta a menção de "terra de azeite de oliva" no versículo de Devarim como uma alusão ao fato de que a maioria — não a totalidade — das medidas legais da Torá é calculada em unidades do tamanho de uma azeitona (como as proibições de comer gordura, sangue, notar e pigul). A ressalva "a maioria, não todas" é necessária porque o próprio daf anterior já listou medidas ligadas a outras das Sete Espécies (trigo, cevada, videira, figo) que não seguem essa unidade.

3"Mel": como uma tâmara grande em Yom Kipur. E o outro (Rabi Chanan) — essas medidas estão escritas explicitamente? Antes, são de origem rabínica, e o versículo é mera sustentação
Bavli · 41b — Guemará
״דְּבָשׁ״, כְּכוֹתֶבֶת הַגַּסָּה בְּיוֹם הַכִּפּוּרִים. וְאִידָךְ — הָנֵי שִׁיעוּרִין בְּהֶדְיָא מִי כְּתִיבִי? אֶלָּא מִדְּרַבָּנַן, וּקְרָא אַסְמַכְתָּא בְּעָלְמָא.

"Mel (devash)" — sua medida é como (kechotêvet) uma tâmara grande (hagasá) (o mel referido no versículo é o mel de tâmaras, e sua medida legal equivale ao volume de uma tâmara grande), em Yom Kipur (esta é a medida mínima de alimento que torna alguém culpado ao comer no Dia do Perdão). A Guemará questiona, voltando à posição de Rabi Chanan (que sustenta, como visto em 41a, que todo o versículo foi dito apenas para ensinar medidas, e não para estabelecer ordem de precedência): e o outro (vidach)segundo Rabi Chanan, essas medidas estão escritas explicitamente (behadiá) no próprio texto do versículo? Certamente não — o versículo apenas nomeia frutos, sem especificar volumes! Antes (elá), deve-se entender que essas medidas são de origem rabínica (miderabanan), e o versículo é apenas um apoio (asmachtá bealma) — uma alusão textual que os sábios encontraram para suas próprias medidas, já fixadas por tradição ou por raciocínio, mas sem força de derivação bíblica plena.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 41b
דבש – האמור בתורה הוא דבש תמרים וכותבת היא תמרה:

"Mel" — o mel mencionado na Torá (no versículo das Sete Espécies) é o mel de tâmaras (devash temarim), e chotêvet é o nome de uma tâmara.

Nota

O último exemplo de shiur: a medida do "mel" (entendido como mel de tâmaras) equivale ao volume de uma tâmara grande, e serve para fixar a quantidade mínima de alimento que torna alguém culpado por comer em Yom Kipur. Mas a Guemará então observa, contra a posição de Rabi Chanan (de que o versículo inteiro existe apenas para ensinar medidas), que nenhuma dessas medidas está de fato escrita explicitamente no texto — o versículo apenas nomeia os sete frutos, sem indicar volumes. A conclusão é que todas essas medidas são de origem rabínica, e o versículo funciona apenas como asmachtá: um apoio textual que confere a essas medidas já fixadas pelos sábios uma aparência de fundamento bíblico, sem lhes conferir estatuto de lei da própria Torá.

4Rav Chisda e Rav Hamnuna estavam sentados numa refeição. Trouxeram-lhes tâmaras e romãs. Rav Hamnuna tomou e abençoou primeiro sobre as tâmaras
Bavli · 41b — Guemará
רַב חִסְדָּא וְרַב הַמְנוּנָא הֲווֹ יָתְבִי בִּסְעוֹדְתָּא. אַיְיתוֹ לְקַמַּיְיהוּ תַּמְרֵי וְרִמּוֹנֵי. שְׁקַל רַב הַמְנוּנָא, בָּרֵיךְ אַתַּמְרֵי בְּרֵישָׁא. אֲמַר לֵיהּ רַב חִסְדָּא: לָא סָבַר לַהּ מָר לְהָא דְּאָמַר רַב יוֹסֵף, וְאִיתֵּימָא רַבִּי יִצְחָק: כׇּל הַמּוּקְדָּם בְּפָסוּק זֶה קוֹדֵם לִבְרָכָה?

A Guemará traz um episódio que aplica na prática o princípio de Rav Yossef, estabelecido em 41a: Rav Chisda e Rav Hamnuna estavam sentados (havo yatvi) numa refeição (bisudetá). Trouxeram (aiyeto) diante deles tâmaras (tamrei) e romãs (rimonei). Rav Hamnuna tomou (shekal) uma tâmara, e abençoou sobre as tâmaras primeiro (bereishá) — antes das romãs. Disse-lhe Rav Chisda: não entende (lá savar lah) o mestre (mar) aquilo que disse Rav Yossef, e há quem diga que foi Rabi Yitzchak: tudo o que precede (mukdam) neste versículo precede na bênção — e no versículo de Devarim 8:8, a romã é mencionada antes do mel/tâmara, de modo que deveria ter abençoado primeiro sobre a romã?

Nota

Este episódio ilustra na prática o princípio teórico de Rav Yossef/Rabi Yitzchak sobre a ordem de precedência do versículo: Rav Hamnuna abençoou primeiro sobre as tâmaras, mas Rav Chisda o desafia, lembrando que no versículo de Devarim a romã é mencionada antes do mel — e "mel", como já explicado na unidade 3, refere-se ao mel de tâmaras. Se a ordem do versículo determina a ordem da bênção, deveria ter sido a romã a receber a precedência.

5Disse-lhe: esta é a segunda espécie a partir de "terra", e aquela é a quinta a partir de "terra". Disse-lhe: quem nos dará pernas de ferro, para que te sigamos!
Bavli · 41b — Guemará
אֲמַר לֵיהּ: זֶה שֵׁנִי לְ״אֶרֶץ״, וְזֶה חֲמִישִׁי לְ״אֶרֶץ״. אֲמַר לֵיהּ: מַאן יָהֵיב לַן נִגְרֵי דְפַרְזְלָא וּנְשַׁמְּעִינָּךְ.

Disse-lhe Rav Hamnuna: esta (a tâmara, contida na palavra "mel") é a segunda (shêni) espécie a partir da palavra "terra" (eretz) — pois a segunda vez que "terra" aparece no versículo é em "terra de azeite de oliva e mel", e o mel é a segunda espécie contada a partir dali; e esta (a romã) é a quinta (chamishi) a partir da primeira "terra" — contando trigo, cevada, videira, figo e romã, a romã é a quinta espécie a partir da primeira ocorrência de "terra" no início do versículo. Como a tâmara está mais próxima de sua própria menção de "terra" do que a romã da sua, a tâmara tem precedência. Disse-lhe Rav Chisda, admirado com o refinamento do raciocínio: quem nos dará (mahn yahiv lan) pernas (nigrei) de ferro (deparzelá), para que te sigamos (uneshamin'ach) sempre, sem nunca nos cansar de acompanhar teu raciocínio!

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 41b
זה שני לארץ – ארץ זית שמן ודבש דכתיב בסיפיה דקרא הפסיק ארץ את הסדר וחזר לעשות זיתים ותמרים חשובים מתאנים ורמונים שהרמון חמישי לארץ הכתובה בראש המקרא ודבש שני לארץ הכתובה בסופו: מאן יהיב לן נגרי דפרזלא – רגלים של ברזל: ונשמעינך – נשמשך ונלך אחריך תמיד:

"Esta é a segunda a partir de 'terra'" — refere-se a "terra de azeite de oliva e mel", pois está escrito no final (besifêh) do versículo; a palavra "terra" interrompe (hifsik) a sequência e recomeça uma nova contagem, e com isso a Torá volta a tornar (chazar laassot) as azeitonas e as tâmaras mais importantes (chashuvim) do que os figos e as romãs — pois a romã é a quinta espécie a partir da primeira "terra", escrita no início do versículo, e o mel é a segunda a partir da segunda "terra", escrita no seu final. "Quem nos dará pernas de ferro" — isto é, pernas (raglaim) de ferro. "E que te sigamos" — que possamos seguir-te (nishmeshach) e caminhar atrás de ti sempre.

Nota

Rav Hamnuna defende sua prática com um refinamento do princípio de Rav Yossef: a palavra "terra" aparece duas vezes no versículo de Devarim 8:8 (no início, antes do trigo, e de novo antes do azeite de oliva), e cada ocorrência reinicia a contagem de precedência para as espécies que a seguem. Como a tâmara (contida em "mel") é a segunda espécie a contar da segunda "terra", enquanto a romã é a quinta a contar da primeira "terra", a tâmara está mais próxima do seu ponto de referência e por isso precede a romã — mesmo a romã sendo mencionada antes no texto corrido. Rav Chisda reage com admiração exclamativa diante da sutileza do argumento.

הֵבִיאוּ לִפְנֵיהֶם תְּאֵנִים וַעֲנָבִים בְּתוֹךְ הַסְּעוּדָה

Nova sugya: frutos trazidos no meio da refeição — exigem bênção antes, depois, em ambos os casos ou em nenhum?

6Foi dito: trouxeram-lhes figos e uvas no meio da refeição. Rav Huná e Rav Nachman: exigem bênção antes, mas não depois. Rav Sheshet: exigem bênção antes e depois — só o pão que vem como kisnin é exceção. E discorda de Rabi Chiyá
Bavli · 41b — Guemará
אִיתְּמַר: הֵבִיאוּ לִפְנֵיהֶם תְּאֵנִים וַעֲנָבִים בְּתוֹךְ הַסְּעוּדָה, אָמַר רַב הוּנָא: טְעוּנִים בְּרָכָה לִפְנֵיהֶם וְאֵין טְעוּנִים בְּרָכָה לְאַחֲרֵיהֶם. וְכֵן אָמַר רַב נַחְמָן: טְעוּנִים בְּרָכָה לִפְנֵיהֶם וְאֵין טְעוּנִים בְּרָכָה לְאַחֲרֵיהֶם. וְרַב שֵׁשֶׁת אָמַר: טְעוּנִין בְּרָכָה בֵּין לִפְנֵיהֶם בֵּין לְאַחֲרֵיהֶם. שֶׁאֵין לְךָ דָּבָר שֶׁטָּעוּן בְּרָכָה לְפָנָיו וְאֵין טָעוּן בְּרָכָה לְאַחֲרָיו אֶלָּא פַּת הַבָּאָה בְּכִסָנִין בִּלְבַד. וּפְלִיגָא דְּרַבִּי חִיָּיא דְּאָמַר רַבִּי חִיָּיא: פַּת פּוֹטֶרֶת כׇּל מִינֵי מַאֲכָל, וְיַיִן פּוֹטֵר כׇּל מִינֵי מַשְׁקִים.

A Guemará abre uma nova sugya: foi dito (itmar): trouxeram diante deles figos (teenim) e uvas (anavim) no meio da refeição (depois que já se recitou a bênção do pão, mas antes do fim da refeição)discutem os amoraim se esses frutos precisam de bênção própria, já que a bênção do pão, no início da refeição, cobre em geral todos os alimentos que a compõem. Disse Rav Huná: esses frutos exigem (teunim) bênção antes deles, mas não exigem bênção depois deles (a bênção final do pão, no fim da refeição, os cobre retroativamente). E do mesmo modo disse Rav Nachman: exigem bênção antes deles, mas não exigem bênção depois deles. E Rav Sheshet disse: exigem bênção tanto (bein) antes deles quanto (bein) depois deles — não há nada que os isente, pois não há nada (shein lecha davar) que exija bênção antes de si e não exija bênção depois de si, exceto (elá) apenas o pão que vem como kisnin (pat habaá bechisanin) (um tipo de pão doce ou recheado, servido ao final da refeição como sobremesa, que a própria bênção do pão do início não cobre por completo). E esta opinião de Rav Sheshet discorda (peliga) da posição de Rabi Chiyá, pois disse Rabi Chiyá: o pão isenta (poteret) todos os tipos de alimento (comidos durante a refeição), e o vinho isenta todos os tipos de bebida.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 41b
הביאו לפניהם תאנים וענבים בתוך הסעודה – ולא ללפת את הפת דא"כ הוו להו טפלה ואין חולק בדבר שאין טעון ברכה לא לפניו ולא לאחריו אלא לפעמים שבא למתק את פיו בתוך הסעודה בפירות: מברך לפניהם – דלאו טפלה נינהו: ולא לאחריהם – דבהמ"ז פוטרתן: בין לפניהם בין לאחריהם – דלא פטר אלא מידי דזיין והני לא זייני: פת הבאה בכסנין – לאחר אכילה ובהמ"ז היו רגילים להביא כיסנין והן קליות לפי שיפין ללב כדאמרי' בעלמא (עירובין כט:) הני כיסני דמעלו לליבא ומביאין עמהן פת שנלושה עם תבלין כעין אובליאי"ש שלנו ויש שעושין אותן כמין צפורים ואילנות ואוכלין מהן דבר מועט ומתוך שנותנים בה תבלין הרבה ואגוזים ושקדים ומאכלה מועט לא הטעינוה ברכה מעין ג' מידי דהוה אפת אורז ודוחן דאמרינן בפרקין (דף לז:) בתחלה בורא מיני מזונות ולבסוף ולא כלום: פת פוטרת – בין לפניהם בין לאחריהם:

"Trouxeram diante deles figos e uvas no meio da refeição" — e não como acompanhamento para (lelaptan) comer com o pão, pois, se assim fosse, eles seriam acessórios (tfelá) ao pão, e não há quem discorde (ein cholek) a respeito de uma coisa que é acessória, que ela não exige bênção nem antes nem depois dela; trata-se, antes, das vezes em que a pessoa vem adoçar (lematek) sua boca no meio da refeição com frutas (por prazer, não como acompanhamento do pão). "Abençoa-se antes deles" — pois não são acessórios (tfelá). "E não depois deles" — pois a bênção final da refeição (birkat hamazon) os isenta (potartan). "Tanto antes deles quanto depois deles" — pois a bênção final da refeição não isenta senão (elá) aquilo que sustenta (mídei dezáin) (alimentos substanciais, que dão sustento ao corpo), e estes (figos e uvas) não sustentam (lo zainei) nesse sentido pleno. "O pão que vem como kisnin" — é servido depois de comer, e na época da bênção final da refeição costumavam trazer kisnin, que são bolinhos assados (keliot), pois eles são bons (yafin) para o coração, como dizemos em outro lugar (Eruvin 29b): esses kisnin que fazem bem (demaalu) ao coração; e trazem com eles pão amassado (shenilushá) com temperos, semelhante às nossas obliash (um tipo de bolacha ou wafer), e há quem os faça em forma de pássaros e árvores, e come-se deles uma quantidade pequena; e por se colocar neles muito tempero, e nozes e amêndoas, e seu consumo ser pequeno, não os sujeitaram (hitiuha) à bênção completa de três bênçãos (meein shalosh) (a fórmula resumida de "al hamichyá"), do mesmo modo que ocorre com o pão de arroz e de painço, sobre os quais dizemos (neste mesmo capítulo, 37b): no início abençoa-se "que cria espécies de sustento" (borê minê mezonot), e ao final, nada — não se recita nenhuma bênção final específica. "O pão isenta" — tanto antes deles quanto depois deles.

Nota

A Guemará abre uma nova sugya sobre frutos (figos e uvas, especificamente) trazidos no meio de uma refeição de pão — não como acompanhamento do pão (o que os tornaria meros acessórios, sem disputa), mas para serem comidos por si, como sobremesa a meio caminho. Rav Huná e Rav Nachman sustentam que precisam de bênção antes (pois não são acessórios ao pão), mas não depois (pois a bênção final da refeição, que cobre tudo o que sustenta, os absorve retroativamente). Rav Sheshet discorda quanto à segunda parte: como frutas não "sustentam" no sentido pleno exigido pela bênção final da refeição, elas não são cobertas por ela, e por isso exigem bênção própria também depois — sendo o pat haba bekisanin (um pãozinho doce de sobremesa) a única exceção conhecida à regra geral de que tudo que exige bênção antes exige também depois. Essa posição de Rav Sheshet contradiz abertamente Rabi Chiyá, para quem o pão isenta completamente qualquer alimento consumido durante a refeição, sem exceção.

7Disse Rav Papa: a halachá é — coisas que vêm por causa da refeição, no meio da refeição, não exigem bênção nem antes nem depois; e o que não vem por causa da refeição, no meio da refeição, exige bênção antes mas não depois; depois da refeição, exige bênção antes e depois
Bavli · 41b — Guemará
אָמַר רַב פָּפָּא: הִלְכְתָא דְּבָרִים הַבָּאִים מֵחֲמַת הַסְּעוּדָה בְּתוֹךְ הַסְּעוּדָה — אֵין טְעוּנִים בְּרָכָה לֹא לִפְנֵיהֶם וְלֹא לְאַחֲרֵיהֶם. וְשֶׁלֹּא מֵחֲמַת הַסְּעוּדָה בְּתוֹךְ הַסְּעוּדָה — טְעוּנִים בְּרָכָה לִפְנֵיהֶם וְאֵין טְעוּנִים בְּרָכָה לְאַחֲרֵיהֶם. לְאַחַר הַסְּעוּדָה — טְעוּנִים בְּרָכָה בֵּין לִפְנֵיהֶם בֵּין לְאַחֲרֵיהֶם.

Disse Rav Papa, resumindo a halachá prática a partir das opiniões anteriores: a halachá (hilchetá) é: coisas que vêm por causa da (mechamat) refeição, trazidas no meio da refeição (isto é, alimentos comidos como acompanhamento do pão, para dar sabor a ele) — não exigem bênção nem antes delas nem depois delas (a bênção do pão, no início, e a bênção final, no fim, cobrem-nas por inteiro, como acessórios). E as coisas trazidas não por causa da refeição, mas ainda no meio da refeição (alimentos consumidos por si, como sobremesa a meio caminho, e não como tempero do pão) — exigem bênção antes delas, mas não exigem bênção depois delas (concordando aqui com Rav Huná e Rav Nachman). E as coisas trazidas depois da refeição (já concluída a parte principal, antes da bênção final) — exigem bênção tanto antes delas quanto depois delas (pois já não há bênção final de pão pendente que as possa cobrir retroativamente).

Nota

Rav Papa sintetiza a halachá em três categorias distintas, que conciliam as opiniões anteriores em vez de as fazer competir diretamente: (1) o que vem por causa da refeição (acompanhamento do pão) durante a refeição não exige bênção alguma, própria, pois é mero acessório; (2) o que vem no meio da refeição mas não por causa dela (como frutas comidas por prazer) exige bênção antes, mas não depois — pois a bênção final da refeição ainda está por vir e as absorve; (3) o que vem já depois da refeição principal exige bênção tanto antes quanto depois, pois não há mais bênção final pendente para cobri-lo retroativamente. Esta tripla distinção torna-se a base da halachá prática subsequente.

8Perguntaram a Ben Zoma: por que disseram que coisas que vêm por causa da refeição, no meio da refeição, não exigem bênção nem antes nem depois? Disse-lhes: porque o pão as isenta. Se assim, que o pão isente também o vinho! Diferente é o vinho...
Bavli · 41b — Guemará
שָׁאֲלוּ אֶת בֶּן זוֹמָא: מִפְּנֵי מָה אָמְרוּ דְּבָרִים הַבָּאִים מֵחֲמַת הַסְּעוּדָה בְּתוֹךְ הַסְּעוּדָה אֵינָם טְעוּנִים בְּרָכָה לֹא לִפְנֵיהֶם וְלֹא לְאַחֲרֵיהֶם? אָמַר לָהֶם: הוֹאִיל וּפַת פּוֹטַרְתָּן. אִי הָכִי, יַיִן נָמֵי נִפְטְרֵיהּ פַּת! שָׁאנֵי יַיִן.

Perguntaram a Ben Zoma: por que (mipnê mah) disseram os sábios que coisas que vêm por causa da refeição, no meio da refeição, não exigem bênção nem antes delas nem depois delas? Disse-lhes: porque (hoil) o pão as isenta (potartan) — sendo elas meros acessórios ao pão, a bênção do pão já as cobre por completo. Os que perguntavam objetam: se é assim (i hachi) — que basta ser acessório ao pão para ser isentado por ele — que também o vinho (namei) seja isentado (niftereih) pelo pão — pois o vinho servido durante a refeição também acompanha o pão, e no entanto sabemos, por tradição recebida, que o vinho exige sua própria bênção mesmo no meio da refeição! Ben Zoma responde, e a resposta é interrompida aqui, a prosseguir no início do daf seguinte: diferente (shani) é o vinho ...

Nota

O daf fecha com uma pergunta dirigida a Ben Zoma, que busca o fundamento da primeira categoria de Rav Papa: por que o que vem "por causa da refeição" durante a refeição não exige bênção alguma? A resposta de Ben Zoma — porque o pão os isenta, sendo eles seus acessórios — provoca de imediato uma objeção óbvia: o vinho também é servido junto ao pão durante a refeição, e ainda assim é consenso (desde a Mishná de Berachot 6:1, e reforçado ao longo de todo o tratado) que o vinho exige bênção própria mesmo comido — ou melhor, bebido — no meio da refeição. Ben Zoma começa a responder que "o vinho é diferente", mas o texto do daf 41b termina exatamente aqui, no meio da frase; a explicação de por que o vinho é diferente prossegue apenas no início de 42a.