O daf abre concluindo a lista de shiurim ligados às Sete Espécies, iniciada em 41a: a medida da romã para utensílios de madeira, a explicação de Rabi Yossei bei Rabi Chanina sobre "terra de azeite de oliva" (a maioria das medidas da Torá são do tamanho de azeitona), e a medida do mel de tâmaras para Iom Kipur — com a ressalva de que nenhum desses shiurim está escrito explicitamente na Torá, sendo todos de origem rabínica, apoiados no versículo apenas como asmachtá. Em seguida vem o episódio de Rav Chisda e Rav Hamnuna, que aplica na prática o princípio da ordem do versículo às tâmaras e romãs. O daf fecha abrindo uma nova sugya: a disputa entre Rav Huná, Rav Nachman e Rav Sheshet sobre se figos e uvas trazidos no meio da refeição exigem bênção antes e depois, a halachá de Rav Papa que distingue o que vem "por causa da refeição" do que não vem, e a pergunta feita a Ben Zoma sobre o motivo dessa distinção — pergunta que o daf deixa em aberto, a ser respondida em 42a.
Completando a frase iniciada ao final de 41a sobre os utensílios de madeira dos donos de casa, a Guemará conclui: a medida deles (shiuran) é como (kerimonim) romãs — isto é, um utensílio de madeira pertencente a um dono de casa comum só perde sua suscetibilidade à impureza quando se abre nele um buraco do tamanho suficiente para passar uma romã por ele.
"A medida deles é como romãs" — quando o utensílio se abre com um buraco do tamanho suficiente para passar (kemotzi) uma romã, ele fica puro (deixa de ser suscetível à impureza). A razão é que os donos de casa (baalê batim) têm consideração (chassim) por seus utensílios e continuam a usá-los mesmo depois de furados, cada vez para uma função menos exigente: portanto, quando o utensílio se abre com um buraco do tamanho de legumes (ketaniot), o dono ainda o reserva (matznio) para guardar azeitonas; quando se abre com um buraco do tamanho de uma azeitona, ainda o usa (mishtamesh) para nozes; quando se abre com um buraco do tamanho de uma noz, ainda o usa para romãs — e só quando o buraco chega ao tamanho de uma romã é que o utensílio deixa de ter qualquer uso remanescente para o dono de casa comum, tornando-se então insuscetível de impureza; mas o utensílio de um artesão (uman) que está para (omêd) vender (cuja mercadoria não é guardada para uso pessoal, mas para revenda), sua medida não é assim — pois o artesão descarta o utensílio furado assim que perde seu valor de venda, muito antes de chegar ao tamanho de romã.
O daf abre concluindo a última das medidas ligadas às Sete Espécies: a "romã" fixa a medida do buraco que torna um utensílio de madeira de um dono de casa comum insuscetível à impureza. Rashi explica a lógica gradual por trás dessa medida generosa: como o dono de casa reaproveita o utensílio furado para funções cada vez menos exigentes (primeiro legumes, depois azeitonas, depois nozes, por fim romãs), só quando o buraco atinge o tamanho de uma romã — quando já não sobra nenhum uso razoável — é que o utensílio perde definitivamente seu status de recipiente. O utensílio de um artesão destinado à venda segue outra régua, pois é descartado muito antes.
A Guemará passa a explicar a frase seguinte do mesmo versículo: "terra de azeite (zait) de oliva" — disse Rabi Yossei bei Rabi Chanina: é uma terra cujas medidas (shiurehá) são todas (kol) como (kezêitim) azeitonas — isto é, a menção do azeite de oliva no versículo alude ao fato de que a maior parte das medidas legais da Torá é calculada em unidades do tamanho de uma azeitona. A Guemará objeta: que todas (kol) as suas medidas sejam como azeitonas viria à mente (salka datach)?! Isso não pode estar certo, pois há aquelas (hánach) que já mencionamos — as medidas de trigo, cevada, videira e figo, discutidas em 41a, que não são do tamanho de azeitona! Antes (elá), deve-se entender: uma terra cuja maioria (rov) das medidas é como azeitonas — não todas, mas a maior parte delas.
"Uma terra cuja maioria das medidas é como azeitonas" — como por exemplo as medidas para comer chelev (gordura proibida), sangue, notar (carne de sacrifício que sobrou além do prazo permitido) e pigul (sacrifício invalidado por intenção imprópria) — todas essas transgressões têm como medida mínima de culpabilidade o volume de uma azeitona.
A Guemará interpreta a menção de "terra de azeite de oliva" no versículo de Devarim como uma alusão ao fato de que a maioria — não a totalidade — das medidas legais da Torá é calculada em unidades do tamanho de uma azeitona (como as proibições de comer gordura, sangue, notar e pigul). A ressalva "a maioria, não todas" é necessária porque o próprio daf anterior já listou medidas ligadas a outras das Sete Espécies (trigo, cevada, videira, figo) que não seguem essa unidade.
"Mel (devash)" — sua medida é como (kechotêvet) uma tâmara grande (hagasá) (o mel referido no versículo é o mel de tâmaras, e sua medida legal equivale ao volume de uma tâmara grande), em Yom Kipur (esta é a medida mínima de alimento que torna alguém culpado ao comer no Dia do Perdão). A Guemará questiona, voltando à posição de Rabi Chanan (que sustenta, como visto em 41a, que todo o versículo foi dito apenas para ensinar medidas, e não para estabelecer ordem de precedência): e o outro (vidach) — segundo Rabi Chanan, essas medidas estão escritas explicitamente (behadiá) no próprio texto do versículo? Certamente não — o versículo apenas nomeia frutos, sem especificar volumes! Antes (elá), deve-se entender que essas medidas são de origem rabínica (miderabanan), e o versículo é apenas um apoio (asmachtá bealma) — uma alusão textual que os sábios encontraram para suas próprias medidas, já fixadas por tradição ou por raciocínio, mas sem força de derivação bíblica plena.
"Mel" — o mel mencionado na Torá (no versículo das Sete Espécies) é o mel de tâmaras (devash temarim), e chotêvet é o nome de uma tâmara.
O último exemplo de shiur: a medida do "mel" (entendido como mel de tâmaras) equivale ao volume de uma tâmara grande, e serve para fixar a quantidade mínima de alimento que torna alguém culpado por comer em Yom Kipur. Mas a Guemará então observa, contra a posição de Rabi Chanan (de que o versículo inteiro existe apenas para ensinar medidas), que nenhuma dessas medidas está de fato escrita explicitamente no texto — o versículo apenas nomeia os sete frutos, sem indicar volumes. A conclusão é que todas essas medidas são de origem rabínica, e o versículo funciona apenas como asmachtá: um apoio textual que confere a essas medidas já fixadas pelos sábios uma aparência de fundamento bíblico, sem lhes conferir estatuto de lei da própria Torá.
A Guemará traz um episódio que aplica na prática o princípio de Rav Yossef, estabelecido em 41a: Rav Chisda e Rav Hamnuna estavam sentados (havo yatvi) numa refeição (bisudetá). Trouxeram (aiyeto) diante deles tâmaras (tamrei) e romãs (rimonei). Rav Hamnuna tomou (shekal) uma tâmara, e abençoou sobre as tâmaras primeiro (bereishá) — antes das romãs. Disse-lhe Rav Chisda: não entende (lá savar lah) o mestre (mar) aquilo que disse Rav Yossef, e há quem diga que foi Rabi Yitzchak: tudo o que precede (mukdam) neste versículo precede na bênção — e no versículo de Devarim 8:8, a romã é mencionada antes do mel/tâmara, de modo que deveria ter abençoado primeiro sobre a romã?
Este episódio ilustra na prática o princípio teórico de Rav Yossef/Rabi Yitzchak sobre a ordem de precedência do versículo: Rav Hamnuna abençoou primeiro sobre as tâmaras, mas Rav Chisda o desafia, lembrando que no versículo de Devarim a romã é mencionada antes do mel — e "mel", como já explicado na unidade 3, refere-se ao mel de tâmaras. Se a ordem do versículo determina a ordem da bênção, deveria ter sido a romã a receber a precedência.
Disse-lhe Rav Hamnuna: esta (a tâmara, contida na palavra "mel") é a segunda (shêni) espécie a partir da palavra "terra" (eretz) — pois a segunda vez que "terra" aparece no versículo é em "terra de azeite de oliva e mel", e o mel é a segunda espécie contada a partir dali; e esta (a romã) é a quinta (chamishi) a partir da primeira "terra" — contando trigo, cevada, videira, figo e romã, a romã é a quinta espécie a partir da primeira ocorrência de "terra" no início do versículo. Como a tâmara está mais próxima de sua própria menção de "terra" do que a romã da sua, a tâmara tem precedência. Disse-lhe Rav Chisda, admirado com o refinamento do raciocínio: quem nos dará (mahn yahiv lan) pernas (nigrei) de ferro (deparzelá), para que te sigamos (uneshamin'ach) sempre, sem nunca nos cansar de acompanhar teu raciocínio!
"Esta é a segunda a partir de 'terra'" — refere-se a "terra de azeite de oliva e mel", pois está escrito no final (besifêh) do versículo; a palavra "terra" interrompe (hifsik) a sequência e recomeça uma nova contagem, e com isso a Torá volta a tornar (chazar laassot) as azeitonas e as tâmaras mais importantes (chashuvim) do que os figos e as romãs — pois a romã é a quinta espécie a partir da primeira "terra", escrita no início do versículo, e o mel é a segunda a partir da segunda "terra", escrita no seu final. "Quem nos dará pernas de ferro" — isto é, pernas (raglaim) de ferro. "E que te sigamos" — que possamos seguir-te (nishmeshach) e caminhar atrás de ti sempre.
Rav Hamnuna defende sua prática com um refinamento do princípio de Rav Yossef: a palavra "terra" aparece duas vezes no versículo de Devarim 8:8 (no início, antes do trigo, e de novo antes do azeite de oliva), e cada ocorrência reinicia a contagem de precedência para as espécies que a seguem. Como a tâmara (contida em "mel") é a segunda espécie a contar da segunda "terra", enquanto a romã é a quinta a contar da primeira "terra", a tâmara está mais próxima do seu ponto de referência e por isso precede a romã — mesmo a romã sendo mencionada antes no texto corrido. Rav Chisda reage com admiração exclamativa diante da sutileza do argumento.
Nova sugya: frutos trazidos no meio da refeição — exigem bênção antes, depois, em ambos os casos ou em nenhum?
A Guemará abre uma nova sugya: foi dito (itmar): trouxeram diante deles figos (teenim) e uvas (anavim) no meio da refeição (depois que já se recitou a bênção do pão, mas antes do fim da refeição) — discutem os amoraim se esses frutos precisam de bênção própria, já que a bênção do pão, no início da refeição, cobre em geral todos os alimentos que a compõem. Disse Rav Huná: esses frutos exigem (teunim) bênção antes deles, mas não exigem bênção depois deles (a bênção final do pão, no fim da refeição, os cobre retroativamente). E do mesmo modo disse Rav Nachman: exigem bênção antes deles, mas não exigem bênção depois deles. E Rav Sheshet disse: exigem bênção tanto (bein) antes deles quanto (bein) depois deles — não há nada que os isente, pois não há nada (shein lecha davar) que exija bênção antes de si e não exija bênção depois de si, exceto (elá) apenas o pão que vem como kisnin (pat habaá bechisanin) (um tipo de pão doce ou recheado, servido ao final da refeição como sobremesa, que a própria bênção do pão do início não cobre por completo). E esta opinião de Rav Sheshet discorda (peliga) da posição de Rabi Chiyá, pois disse Rabi Chiyá: o pão isenta (poteret) todos os tipos de alimento (comidos durante a refeição), e o vinho isenta todos os tipos de bebida.
"Trouxeram diante deles figos e uvas no meio da refeição" — e não como acompanhamento para (lelaptan) comer com o pão, pois, se assim fosse, eles seriam acessórios (tfelá) ao pão, e não há quem discorde (ein cholek) a respeito de uma coisa que é acessória, que ela não exige bênção nem antes nem depois dela; trata-se, antes, das vezes em que a pessoa vem adoçar (lematek) sua boca no meio da refeição com frutas (por prazer, não como acompanhamento do pão). "Abençoa-se antes deles" — pois não são acessórios (tfelá). "E não depois deles" — pois a bênção final da refeição (birkat hamazon) os isenta (potartan). "Tanto antes deles quanto depois deles" — pois a bênção final da refeição não isenta senão (elá) aquilo que sustenta (mídei dezáin) (alimentos substanciais, que dão sustento ao corpo), e estes (figos e uvas) não sustentam (lo zainei) nesse sentido pleno. "O pão que vem como kisnin" — é servido depois de comer, e na época da bênção final da refeição costumavam trazer kisnin, que são bolinhos assados (keliot), pois eles são bons (yafin) para o coração, como dizemos em outro lugar (Eruvin 29b): esses kisnin que fazem bem (demaalu) ao coração; e trazem com eles pão amassado (shenilushá) com temperos, semelhante às nossas obliash (um tipo de bolacha ou wafer), e há quem os faça em forma de pássaros e árvores, e come-se deles uma quantidade pequena; e por se colocar neles muito tempero, e nozes e amêndoas, e seu consumo ser pequeno, não os sujeitaram (hitiuha) à bênção completa de três bênçãos (meein shalosh) (a fórmula resumida de "al hamichyá"), do mesmo modo que ocorre com o pão de arroz e de painço, sobre os quais dizemos (neste mesmo capítulo, 37b): no início abençoa-se "que cria espécies de sustento" (borê minê mezonot), e ao final, nada — não se recita nenhuma bênção final específica. "O pão isenta" — tanto antes deles quanto depois deles.
A Guemará abre uma nova sugya sobre frutos (figos e uvas, especificamente) trazidos no meio de uma refeição de pão — não como acompanhamento do pão (o que os tornaria meros acessórios, sem disputa), mas para serem comidos por si, como sobremesa a meio caminho. Rav Huná e Rav Nachman sustentam que precisam de bênção antes (pois não são acessórios ao pão), mas não depois (pois a bênção final da refeição, que cobre tudo o que sustenta, os absorve retroativamente). Rav Sheshet discorda quanto à segunda parte: como frutas não "sustentam" no sentido pleno exigido pela bênção final da refeição, elas não são cobertas por ela, e por isso exigem bênção própria também depois — sendo o pat haba bekisanin (um pãozinho doce de sobremesa) a única exceção conhecida à regra geral de que tudo que exige bênção antes exige também depois. Essa posição de Rav Sheshet contradiz abertamente Rabi Chiyá, para quem o pão isenta completamente qualquer alimento consumido durante a refeição, sem exceção.
Disse Rav Papa, resumindo a halachá prática a partir das opiniões anteriores: a halachá (hilchetá) é: coisas que vêm por causa da (mechamat) refeição, trazidas no meio da refeição (isto é, alimentos comidos como acompanhamento do pão, para dar sabor a ele) — não exigem bênção nem antes delas nem depois delas (a bênção do pão, no início, e a bênção final, no fim, cobrem-nas por inteiro, como acessórios). E as coisas trazidas não por causa da refeição, mas ainda no meio da refeição (alimentos consumidos por si, como sobremesa a meio caminho, e não como tempero do pão) — exigem bênção antes delas, mas não exigem bênção depois delas (concordando aqui com Rav Huná e Rav Nachman). E as coisas trazidas depois da refeição (já concluída a parte principal, antes da bênção final) — exigem bênção tanto antes delas quanto depois delas (pois já não há bênção final de pão pendente que as possa cobrir retroativamente).
Rav Papa sintetiza a halachá em três categorias distintas, que conciliam as opiniões anteriores em vez de as fazer competir diretamente: (1) o que vem por causa da refeição (acompanhamento do pão) durante a refeição não exige bênção alguma, própria, pois é mero acessório; (2) o que vem no meio da refeição mas não por causa dela (como frutas comidas por prazer) exige bênção antes, mas não depois — pois a bênção final da refeição ainda está por vir e as absorve; (3) o que vem já depois da refeição principal exige bênção tanto antes quanto depois, pois não há mais bênção final pendente para cobri-lo retroativamente. Esta tripla distinção torna-se a base da halachá prática subsequente.
Perguntaram a Ben Zoma: por que (mipnê mah) disseram os sábios que coisas que vêm por causa da refeição, no meio da refeição, não exigem bênção nem antes delas nem depois delas? Disse-lhes: porque (hoil) o pão as isenta (potartan) — sendo elas meros acessórios ao pão, a bênção do pão já as cobre por completo. Os que perguntavam objetam: se é assim (i hachi) — que basta ser acessório ao pão para ser isentado por ele — que também o vinho (namei) seja isentado (niftereih) pelo pão — pois o vinho servido durante a refeição também acompanha o pão, e no entanto sabemos, por tradição recebida, que o vinho exige sua própria bênção mesmo no meio da refeição! Ben Zoma responde, e a resposta é interrompida aqui, a prosseguir no início do daf seguinte: diferente (shani) é o vinho ...
O daf fecha com uma pergunta dirigida a Ben Zoma, que busca o fundamento da primeira categoria de Rav Papa: por que o que vem "por causa da refeição" durante a refeição não exige bênção alguma? A resposta de Ben Zoma — porque o pão os isenta, sendo eles seus acessórios — provoca de imediato uma objeção óbvia: o vinho também é servido junto ao pão durante a refeição, e ainda assim é consenso (desde a Mishná de Berachot 6:1, e reforçado ao longo de todo o tratado) que o vinho exige bênção própria mesmo comido — ou melhor, bebido — no meio da refeição. Ben Zoma começa a responder que "o vinho é diferente", mas o texto do daf 41b termina exatamente aqui, no meio da frase; a explicação de por que o vinho é diferente prossegue apenas no início de 42a.