O daf abre fechando, sem resolução (kashiá), a disputa herdada de 40b sobre a identidade das novelot temará. Em seguida a Guemará passa à nova Mishná: havendo muitas espécies de frutos diante de alguém, Rabi Yehudá diz que se recita a bênção sobre a que for uma das Sete Espécies da Terra de Israel, e os sábios dizem que se abençoa sobre a que se preferir. Ulá limita essa disputa ao caso em que as bênçãos das espécies são iguais; quando são diferentes, todos concordam em abençoar cada uma separadamente — posição testada contra o caso do rabanete e da azeitona, refinada por uma baraita reconstituída, e reaberta por uma segunda opinião (Rabi Ami/Rabi Yitzchak Nafcha) segundo a qual a disputa também vale quando as bênçãos diferem, mas então é sobre qual bênção precede a outra — explicada por Rabi Yirmeyá a partir do princípio de Rav Yossef de que a ordem das Sete Espécies no versículo de Devarim determina a ordem da bênção. O daf fecha com a posição divergente de Rabi Chanan, para quem o versículo não trata de precedência mas de medidas (shiurim) — e o percurso, espécie a espécie, das halachot que dependem de trigo, cevada, videira e figo, chegando à romã.
Retomando a segunda versão da disputa deixada em aberto ao final de 40b, a Guemará traz uma nova evidência textual: está bem (bishlamá) para quem diz que as novelot temará são tamrei dezika (tâmaras derrubadas pelo vento, um item distinto e mais específico do que as novelot comuns) — por isso faz sentido que aqui (na mishná de Berachot) a Guemará as chama (karei) de "novelot" indeterminado (setamá), e ali (na mishná de Demai) as chama de "novelot temará" — os dois termos designando propositalmente dois itens diferentes; mas para quem diz que são bushlei chamra (o mesmo tipo de fruto ressecado pelo calor em ambos os casos), deveria (nitnei) a Guemará ensinar em ambos os lugares (idei veidei) "novelot temará", ou em ambos os lugares "novelot" indeterminado — usando sempre a mesma terminologia, já que se trata do mesmo fruto. A Guemará conclui, sem encontrar resposta: é difícil (kashiá) — a dificuldade permanece sem solução.
"Está bem para quem diz" — isto é, para quem sustenta que as novelot mencionadas na mishná de Demai são tamrei dezika, e as novelot mencionadas na nossa mishná (de Berachot) nós as estabelecemos como bushlei chamra (na resolução de 40b) — por isso faz sentido que aqui (em Demai) a Guemará as chama (karei) de "novelot temará", já que se trata especificamente das tâmaras caídas pelo vento, e na nossa mishná aprendemos (daf 40) "novelot" indeterminado (sem o qualificativo "temará", pois ali se fala de frutos ressecados em geral, não apenas de tâmaras).
A Guemará encerra a sugya das novelot sem uma resolução final: a terminologia diferenciada entre as duas mishnayot (Berachot usa "novelot" sem qualificativo, Demai usa "novelot temará") apoia a visão de que se trata de itens distintos — a saber, que a Demai fala especificamente de tâmaras caídas pelo vento (tamrei dezika), enquanto Berachot fala de frutos ressecados pelo sol em geral (bushlei chamra). Mas para quem sustenta que ambas as fontes falam do mesmo fenômeno (bushlei chamra em ambos os casos), a diferença terminológica fica sem explicação — e a Guemará admite abertamente que a questão permanece "kashiá", sem solução.
Nova Mishná: havendo muitas espécies diante de alguém — a ordem das bênçãos e a precedência das Sete Espécies.
A mishná ensina: havia muitas espécies (minin) diante dele etc. (Rabi Yehudá diz que, havendo entre elas uma das Sete Espécies pelas quais a Terra de Israel é louvada, abençoa-se sobre ela; e os sábios dizem que se abençoa sobre a que se quiser). Disse Ulá: a disputa entre Rabi Yehudá e os sábios é limitada ao caso em que as bênçãos das diferentes espécies são iguais (por exemplo, azeitona e maçã, ambas "borê pri ha'etz"), pois Rabi Yehudá entende (savar): a espécie das Sete — é preferível (adif); e os sábios entendem: a espécie preferida pela pessoa é preferível. Mas quando as bênçãos das espécies não são iguais (por exemplo, uma fruta da árvore e um vegetal) — é unânime (divrei hakol) que se abençoa sobre esta e volta a abençoar sobre aquela — cada uma recebendo sua fórmula própria, sem disputa.
"Quando as bênçãos são iguais" — como (kegon) azeitonas e maçãs, pois ambas (tarvaihu) levam a fórmula "borê pri ha'etz", e a pessoa vem isentar (liftor) as duas com uma única bênção. "A espécie preferida é preferível" — ou seja, qualquer uma que quiser, pois a expressão da mishná "a preferida por ele" assim sugere (mashma). "Mas quando as bênçãos não são iguais, é unânime" — uma única bênção não as isenta, e então já não há disputa alguma entre Rabi Yehudá e os sábios; e ainda que tenhamos aprendido (acima, Berachot 40a) que quem abençoou sobre frutos da árvore "borê pri ha'adamá" cumpriu sua obrigação — isso se aplica (hani milei) a uma única espécie, quando errou e abençoou sobre ela "borê pri ha'adamá"; mas havendo rabanete e azeitona juntos, diante de si, e a pessoa abençoou sobre o rabanete, a azeitona não é isentada por essa bênção, pois são categorias distintas de alimento, não apenas fórmulas alternativas para o mesmo item.
Ulá delimita o alcance exato da disputa da mishná: ela só existe quando as diversas espécies compartilham a mesma fórmula de bênção (por exemplo, todas "borê pri ha'etz"), caso em que Rabi Yehudá prioriza a pertença às Sete Espécies e os sábios priorizam a preferência pessoal. Quando as fórmulas são diferentes, ninguém disputa: cada alimento recebe sua bênção própria, pois uma bênção não isenta um alimento de categoria distinta.
A Guemará objeta (meitivi) contra a afirmação de Ulá, de uma baraita: havia rabanete (tzenon) e azeitona (zait) diante dele — abençoa sobre o rabanete e isenta (fotêr) a azeitona — mesmo sendo as bênçãas diferentes (rabanete, "borê pri ha'adamá"; azeitona, "borê pri ha'etz"), o que contradiz a regra de Ulá de que, nesse caso, é unânime a necessidade de abençoar cada item separadamente! A Guemará responde: aqui, do que estamos tratando (hachá bemai askinan)? De um caso em que o rabanete é o principal (ikar) da refeição, e a azeitona é meramente acessória, servindo apenas para temperar o paladar.
Não trazemos a leitura "é óbvio" antes de "a Guemará objeta" — porque não é esse o método da Guemará, de primeiro achar óbvio que não seria necessário dizê-lo e depois achar difícil como poderia tê-lo dito; e além disso, não é óbvio, pois, se não fosse Ulá a nos ensiná-lo, poderíamos ter pensado que o rabanete isenta a azeitona, já que aprendemos que quem abençoou "borê pri ha'adamá" sobre frutos da árvore cumpriu sua obrigação. "Quando o rabanete era o principal" — isto é, por causa dele é que a pessoa começou a comer, e não comeu a azeitona senão para atenuar (lehafig) o ardor (chorpo) do rabanete, de modo que a azeitona lhe é acessória (tfelá); e aprendemos (adiante, 44a): tudo o que é principal, e junto com ele vem algo acessório, abençoa-se sobre o principal e isenta-se o acessório.
A Guemará traz a baraita do rabanete e da azeitona como possível refutação de Ulá: se abençoar sobre o rabanete isenta a azeitona, mesmo com fórmulas distintas, então não é verdade que "todos concordam" em abençoar separadamente quando as fórmulas diferem. A resposta reencaixa o caso sob o princípio geral de "principal e acessório": quando a azeitona é comida apenas para temperar o rabanete (o item principal da refeição), a bênção sobre o principal isenta o acessório — independentemente de suas fórmulas serem diferentes —, e por isso esse caso não contradiz a regra de Ulá, que trata apenas de itens igualmente centrais na refeição.
A Guemará insiste: se é assim (i hachi) — que a resposta apenas reencaixa o caso em "principal e acessório" — diga então a última parte (seifá) da mesma baraita: Rabi Yehudá diz: abençoa-se sobre a azeitona (e não sobre o rabanete), pois a azeitona é da espécie das sete — o que implica que, para Rabi Yehudá, mesmo sendo o rabanete o principal da refeição, é a azeitona que recebe a bênção, contradizendo o princípio de "principal e acessório"! Não aceita (leit lêh) Rabi Yehudá o que aprendemos: tudo o que é principal, e junto com ele vem algo acessório, abençoa-se sobre o principal e isenta-se o acessório? E se você disser (vechi teimá): de fato (hachi nami) Rabi Yehudá não aceita esse princípio (e por isso discorda dos sábios já no caso de bênçãos diferentes, não apenas no caso de bênçãos iguais) — mas não foi ensinado (vehatanyá) em outra baraita que Rabi Yehudá diz: se é por causa do rabanete que a azeitona vem (isto é, se a azeitona é meramente acessória ao rabanete), abençoa-se sobre o rabanete e isenta-se a azeitona — mostrando que Rabi Yehudá aceita, sim, o princípio de "principal e acessório"?!
A Guemará expõe uma contradição interna na própria baraita citada: sua primeira parte, aplicada ao caso "rabanete principal", diz que se abençoa sobre o rabanete e isenta a azeitona — silenciando sobre a opinião de Rabi Yehudá, o que sugere que ele concorda; mas a última parte da mesma baraita atribui a Rabi Yehudá a opinião de que se abençoa sobre a azeitona (por ser das Sete Espécies), aparentemente rejeitando o princípio de "principal e acessório" quando a espécie das sete está em jogo. E se se quisesse resolver isso dizendo que Rabi Yehudá de fato rejeita esse princípio, uma terceira baraita o contradiz, citando-o expressamente a favor do princípio.
A Guemará resolve: na verdade (leolam), estamos tratando na baraita inteira de um caso de rabanete principal, e quando Rabi Yehudá e os sábios de fato discordam (pligi), é sobre outra coisa (bemiltá acharitá) que discordam (não sobre este caso); e a baraita está incompleta (chassorei mechasrá), e assim se deve ensinar (katanei) na sua forma completa: havia rabanete e azeitona diante dele — abençoa sobre o rabanete e isenta a azeitona. Em que caso se disse (bamé dvarim amurim) isto? Quando o rabanete é o principal; mas quando o rabanete não é o principal — é unânime (divrei hakol) que se abençoa sobre este e volta a abençoar sobre aquele (cada um recebendo sua fórmula própria, como ensinou Ulá). E quanto a duas espécies em geral (bealma) cujas bênçãos são iguais — abençoa-se sobre qual delas quiser (esta é a opinião dos sábios). Rabi Yehudá diz: abençoa-se sobre a azeitona, pois a azeitona é da espécie das sete (esta disputa final, entre Rabi Yehudá e os sábios, refere-se apenas ao caso de duas espécies com bênçãos iguais, e não ao caso do rabanete e da azeitona, que têm bênçãos diferentes).
"Abençoa sobre este etc." — e aqui (neste caso de bênçãos diferentes) não houve disputa alguma. "E duas espécies em geral" — como (kegon) azeitona e maçã, cujas bênçãos são iguais, e uma delas é da espécie das sete — é sobre isso que discordam (Rabi Yehudá e os sábios).
A Guemará resolve a contradição interna reconstruindo a baraita como um texto composto de duas partes distintas e incompletas na sua formulação original: a primeira parte (rabanete principal, azeitona acessória) não envolve disputa alguma — todos concordam em abençoar sobre o principal; a segunda parte, sobre "duas espécies em geral" com bênçãos iguais (como azeitona e maçã), é onde realmente se situa a disputa entre Rabi Yehudá (que prioriza a espécie das sete) e os sábios (que priorizam a preferência pessoal) — exatamente como já havia formulado Ulá.
Voltando à questão original da mishná, discordam (pligi bah) a respeito dela Rabi Ami e Rabi Yitzchak Nafcha (o Ferreiro). Um diz: a disputa entre Rabi Yehudá e os sábios é limitada ao caso em que as bênçãos são iguais, pois Rabi Yehudá entende: a espécie das sete é preferível; e os sábios entendem: a espécie preferida pela pessoa é preferível. Mas quando as bênçãos não são iguais — é unânime que se abençoa sobre este e volta a abençoar sobre aquele (esta é exatamente a posição já dada por Ulá). E o outro diz: mesmo quando as bênçãos não são iguais, também há disputa entre eles.
"Um diz: a disputa é quando as bênçãos são iguais" — e é como já dissemos (a posição de Ulá). Esta é a versão correta do texto: "e o outro diz: mesmo quando as bênçãos não são iguais, também há disputa" — e a Guemará passa a explicá-la (umefaresh lah veazil) a seguir.
A mesma questão que Ulá já havia resolvido é retomada de forma independente por Rabi Ami e Rabi Yitzchak Nafcha, que discordam entre si: um deles reafirma exatamente a posição de Ulá (a disputa só existe com bênçãos iguais); o outro amplia o escopo da disputa entre Rabi Yehudá e os sábios também para o caso de bênçãos diferentes — abrindo uma nova pergunta sobre qual seria, nesse caso, o objeto exato da discordância, já que ambos os lados concordam que se deve abençoar sobre os dois itens separadamente.
A Guemará questiona: está bem (bishlamá) para quem diz que a disputa é limitada ao caso em que as bênçãos são iguais — isso soa bem (shapir); mas para quem diz que discordam mesmo quando as bênçãos não são iguais — sobre o que (bemai) discordam? Afinal, em qualquer caso, ambos precisarão recitar as duas bênçãas! Disse Rabi Yirmeyá: discordam sobre qual bênção deve preceder (lehakdim) a outra — isto é, sobre a ordem em que as duas bênçãos, ambas necessárias, devem ser recitadas.
"Sobre o que discordam?" — pois certamente (vadai) não se isentam com uma única bênção (cada item exige sua própria fórmula, então o que resta em disputa?). "Disse Rabi Yirmeyá: discordam sobre qual bênção deve preceder" — e não trazemos a leitura que acrescenta "mas quando as bênçãos são iguais, abençoa-se sobre qual delas quiser" como parte desta segunda opinião, pois agora, segundo esta versão, quando as bênçãos não são iguais, Rabi Yehudá insiste (makpid) sobre a precedência delas, e diz que a espécie das sete é preferível até mesmo quando não há isenção mútua entre elas — quando a bênção vem apenas para isentar uma à outra (bênçãos iguais), não seria ainda mais evidente (lo kol shekên) que ele insistiria na precedência?
Rabi Yirmeyá esclarece o sentido da segunda opinião (a de que a disputa existe também com bênçãos diferentes): mesmo sabendo que ambas as bênçãos deverão ser ditas (já que uma não isenta a outra quando são diferentes), Rabi Yehudá e os sábios ainda discordam sobre a ordem de precedência — qual das duas bênçãos deve ser recitada primeiro. Rashi observa que essa posição é, na verdade, um argumento a fortiori: se Rabi Yehudá já insiste em priorizar a espécie das sete quando as bênçãos são diferentes (situação em que a ordem tem menor importância prática, pois ambas serão ditas de qualquer forma), com maior razão insistiria nisso quando as bênçãos são iguais e uma bênção decide sozinha qual fórmula prevalece.
A Guemará fundamenta a posição de Rabi Yirmeyá: como disse Rav Yossef, e há quem diga (veitêimá) que foi Rabi Yitzchak: tudo o que precede (mukdam) neste versículo (que enumera as Sete Espécies) precede na bênção — isto é, a ordem de menção no versículo determina a ordem de precedência na recitação da bênção, pois está dito (Devarim 8:8): "terra de trigo e cevada, e videira e figo e romã, terra de azeite de oliva e mel" — e é conforme essa sequência que se deve abençoar, quando várias dessas espécies estiverem juntas diante de alguém.
"Como disse Rabi Yitzchak etc." — logo (alma) nós insistimos (kapdinan) sobre a precedência de uma espécie sobre outra na ordem da bênção, e Rabi Yehudá aceita (it lêh) o princípio de Rabi Yitzchak; portanto, com maior razão (kol shekên) onde uma das duas espécies não é (lav) da espécie das sete, que a espécie das sete é preferível (adif); e os sábios não aceitam (leit lehu) o princípio de Rabi Yitzchak, sustentando que no lugar onde há um item preferido (chaviv), o preferido é que prevalece (adif) — independentemente de sua posição no versículo.
A base bíblica da posição de Rabi Yirmeyá é o princípio de Rav Yossef (ou Rabi Yitzchak): a própria ordem em que a Torá enumera as Sete Espécies em Devarim 8:8 (trigo, cevada, videia, figo, romã, azeite de oliva, mel/tâmara) determina a ordem de precedência ao recitar bênçãos quando várias dessas espécies estão presentes. Rashi explica que essa é precisamente a base da opinião de Rabi Yehudá: ele aceita esse princípio de precedência textual, e por isso, com maior razão, insiste que a espécie das sete precede uma espécie que não é das sete — enquanto os sábios rejeitam esse princípio, preferindo o critério subjetivo da preferência pessoal.
A Guemará observa: e essa posição de Rav Yossef ou Rabi Yitzchak discorda (peliga) da posição de Rabi Chanan, pois disse Rabi Chanan: todo o versículo, por inteiro, foi dito para o propósito de ensinar medidas (leshiurin) — isto é, cada uma das sete espécies mencionadas no versículo serve para estabelecer a medida legal mínima (shiur) de algum preceito da Torá, e não para indicar uma ordem de precedência na bênção.
"E discorda de Rabi Chanan" — esta posição de Rabi Yitzchak, que disse que o que precede no versículo precede na bênção, logo (alma) ele entende que o versículo veio para louvar a Terra de Israel, dizendo que ela possui estes frutos importantes, e a Torá os enumerou conforme a ordem de sua importância (chashivutam) — e essa posição discorda (palig) da posição de Rabi Chanan, que disse que o versículo não veio para dar a conhecer o louvor da importância dos frutos por seu sabor (beta'am shelahem), mas sim o louvor da Terra de Israel, a saber, que ela possui frutos dos quais dependem (nitlin) medidas (shiurei) da Torá; e sendo assim, o texto não se preocupou (hikpid) com a sua ordem, pois quanto a isso (bezo) todas elas são iguais (nenhuma medida é "mais importante" que outra, e por isso a ordem de menção não reflete hierarquia alguma).
A Guemará situa a base da opinião de Rabi Yirmeyá (e de Rabi Yehudá) dentro de uma disputa mais ampla sobre o propósito do versículo de Devarim 8:8: para Rav Yossef/Rabi Yitzchak, o versículo louva a Terra de Israel enumerando seus frutos por ordem de importância — o que justifica usar essa ordem também para a precedência das bênçãos. Para Rabi Chanan, em contraste, o versículo não estabelece hierarquia alguma entre os frutos; ele os menciona apenas porque cada um serve de base para alguma medida legal (shiur) da Torá, sem qualquer relação com precedência de bênçãos.
A Guemará passa a exemplificar, espécie por espécie, as medidas da Torá associadas a cada item do versículo: "trigo (chitá)" — sua medida aparece conforme aprendemos (ditnan): aquele que entra na casa contaminada (hanichnas labait hamenugá) (com lepra, tzaraat), com suas roupas (kelav) sobre os ombros, e suas sandálias e seus anéis nas mãos — ele e elas (as roupas, sandálias e anéis) ficam impuros (temeim) imediatamente. Mas se estava vestido com suas roupas, e suas sandálias em seus pés, e seus anéis em seus dedos — ele fica impuro imediatamente, mas elas (as roupas, sandálias e anéis, sendo usadas normalmente) permanecem puras (tehorin) até que a pessoa permaneça (sheyishheh) na casa pelo tempo (bichdê) de comer meio pão (achilat pras). E essa medida de tempo é calculada com pão de trigo, e não pão de cevada, comido reclinado (meisev) e comendo-o com acompanhamento (lifetan) — pois esse é o modo mais rápido de comer, e portanto a medida mais exigente possível.
"Na casa contaminada" — está escrito (Vayikrá 14:46): "e o que entrar na casa ficará impuro até a tarde", e não está escrito ali "lavagem de roupas"; mas "e o que comer na casa lavará suas roupas" refere-se a quando a pessoa permanece o tempo de uma refeição, mesmo que não coma de fato, pois está escrito no final do mesmo versículo (besifêh): "e o que se deitar na casa lavará suas roupas". Portanto, aquele que entra na casa carregando suas roupas consigo, não da maneira costumeira de vesti-las, estas vestes não são consideradas "suas roupas" no sentido usual, e ficam impuras imediatamente, pois também sobre elas eu leio (korê) "e o que entrar na casa"; mas quando a pessoa está vestida com elas, requer-se (bai) o tempo de permanência. "Comer meio pão" — refere-se à metade de um pão (kikar), com a qual os sábios mediram (shiaru) a extensão do eruv, que o pão inteiro é a medida do alimento de duas refeições, e sua metade é o alimento de uma refeição. "Pão de trigo" — é comido rapidamente. "Reclinado" — no modo de reclinar, que faz com que a refeição seja comida rapidamente, pois a pessoa não se volta para lá e para cá (não se distrai).
O primeiro exemplo de medida (shiur) ligada a uma das Sete Espécies: a lei da pessoa que entra numa casa afetada por tzaraat (lepra da casa) distingue entre suas roupas, sandálias e anéis, conforme estejam sendo usados normalmente (ficam puros até que a pessoa permaneça o tempo de comer meio pão) ou carregados de forma anômala (ficam impuros de imediato, por já não serem considerados "suas roupas" no sentido pleno). Essa medida de tempo — "o tempo de comer meio pão" — é calibrada especificamente com pão de trigo (que se come rápido), e não de cevada, e no modo mais célere de comer (reclinado, com acompanhamento), estabelecendo assim o padrão mais rigoroso possível para essa lei.
"Cevada (seorá)" — sua medida aparece conforme aprendemos: um osso (etzem) de cadáver do tamanho de (kisorá) uma cevada contamina por contato (maga) e por carregamento (masá), mas não contamina por estar dentro de uma tenda (ohel) — isto é, não transmite impureza a tudo o que está sob o mesmo teto, como ocorre com um cadáver inteiro ou um osso do tamanho de uma azeitona.
"E não contamina por tenda" — esta é uma halachá transmitida a Moshé desde o Sinai (halachá lemoshê missinai) — uma tradição oral sem base explícita no versículo, que fixa essa medida específica para o osso.
O segundo exemplo: a medida de "cevada" determina a extensão da impureza de um osso humano — um osso do tamanho de um grão de cevada contamina por contato direto e por ser carregado, mas, diferentemente de um osso maior (do tamanho de uma azeitona) ou de um cadáver inteiro, não contamina por "tenda" (isto é, por estar sob o mesmo teto que pessoas ou utensílios). Rashi observa que essa é uma halachá recebida por tradição oral desde Sinai, sem fonte explícita no texto bíblico.
"Videira (gefen)" — sua medida é a quantidade de um quarto de log (revi'it) de vinho para o nazireu (nazir) (a quantidade mínima de vinho, ou de uva em equivalência, que torna um nazireu culpado ao consumi-la). "Figo (teená)" — sua medida é do tamanho de um figo seco (kigrogeret), para a proibição de retirar algo de um domínio a outro em Shabat (a menor quantidade de alimento pela qual se é culpado ao transportá-la em Shabat). "Romã (rimon)" — sua medida aparece conforme aprendemos: todos os utensílios (kelim) de madeira pertencentes a donos de casa (baalê batim) [a Guemará prossegue identificando essa medida, no início do daf seguinte, 41b, como o tamanho de romãs — o volume do buraco que, ao se formar num utensílio de madeira, o torna suscetível de perder sua impureza].
"A quantidade de um quarto de log de vinho para o nazireu" — se comeu caroços de uva (chartzanim), e cascas (zagin), e brotos (lulvin) de videira, cada um na medida equivalente a um quarto de log de vinho, fica culpado; e a medida de um quarto de log de vinho e de um quarto de log de água não são iguais, porque o vinho é espesso (av) e a água é rala (kelushin), e há em um quarto de log de vinho mais substância do que há em um quarto de log de água, como dizemos (em Shabat) a respeito de um quarto de log de sangue, que pode coagular (likrosh) e equivaler (laamod) ao volume de uma azeitona, porque o sangue é denso (samich); mas uma substância rala não teria seu quarto de log equivalente a uma azeitona. "Para retirar em Shabat" — pois aprendemos: quem retira alimentos de um domínio a outro em Shabat, é culpado a partir do tamanho (kigrogeret) de um figo seco, que é uma teená (figo) seca (yeveshá).
A Guemará conclui o daf percorrendo mais três das Sete Espécies: a "videira" fixa a medida de um quarto de log de vinho (ou seu equivalente em partes da uva) que torna um nazireu culpado ao violar seu voto; o "figo" fixa a medida do tamanho de um figo seco para a proibição de transportar alimento em Shabat; e a "romã" introduz a medida dos utensílios de madeira dos donos de casa — cujo desenvolvimento completo, identificando o buraco do tamanho de uma romã como o que torna esses utensílios insuscetíveis de impureza, prossegue já no início do daf seguinte, 41b.
Yerushalmi Berachot 6:4 trata exatamente da mesma Mishná — muitas espécies diante de alguém, a disputa Rabi Yehudá/sábios, e a ordem de precedência das Sete Espécies segundo o versículo de Devarim — oferecendo um paralelo direto e real ao núcleo temático deste daf (unidades 2–9). Os exemplos de shiurim (trigo, cevada, videira, figo, romã) das unidades 10–12, porém, são desenvolvimento exclusivo do Bavli, sem correspondência no Yerushalmi já traduzido.
Ver Yerushalmi Berachot 6:4 →