O daf abre completando a resposta de Ben Zoma, interrompida ao final de 41b: o vinho é diferente porque, sendo importante, "gera bênção para si mesmo". Segue uma série de episódios práticos sobre os limites da refeição e da bênção final: Rav Huná que comeu treze pães sem abençoar depois; a discussão em casa de Rav Yehudá sobre a bênção correta do pat haba bekisanin; o costume de Rav Papa de continuar comendo depois de retirada a mesa, e o de Rava e Rabi Zeirá na casa do Reish Galutá; e a discussão sobre o que marca o verdadeiro fim da refeição — se a retirada da mesa, o azeite nas mãos, ou a lavagem das águas finais, concluindo com esta última opinião como halachá. O daf fecha com o ensinamento das "três coisas imediatas" de Rav, o acréscimo de Abaiê sobre a bênção a um sábio logo após recebê-lo em casa, e a nova Mishná que regula a bênção do vinho e da parperet antes e depois da refeição, e quem abençoa por todos quando os comensais estão reclinados à mesa.
Completando a resposta de Ben Zoma, interrompida ao final de 41b: diferente é o vinho, pois gera (gorem) bênção para si mesmo — isto é, o vinho é importante o bastante para merecer bênção própria mesmo quando servido no meio da refeição, diferente das frutas, que são meros acessórios ao pão e ficam isentas por sua bênção; o vinho, por sua importância, provoca sua própria bênção onde quer que apareça.
"Pois gera bênção para si mesmo" — em muitos lugares (bechamá mekomot) ele (o vinho) vem e abençoa-se sobre ele, ainda que os comensais não precisassem (lo hayu tzerichim) de sua bebida — o vinho é servido não apenas para saciar a sede, mas por seu próprio valor e importância, e por isso, onde quer que apareça durante a refeição, provoca bênção própria, ao contrário de frutas trazidas apenas como sobremesa.
A resposta de Ben Zoma completa o raciocínio: enquanto figos e uvas são meros acessórios que a bênção do pão cobre, o vinho tem status próprio — é servido por sua importância intrínseca, não apenas para acompanhar a comida, e por isso "gera bênção para si mesmo" onde quer que seja trazido, mesmo no meio da refeição, mesmo quando ninguém "precisa" beber naquele momento.
Rav Huná comeu treze (teleisar) pães (riftei), dos quais (benê) três (telatá) faziam um kav (uma medida de volume — isto é, pães pequenos, três por kav), e não abençoou depois, considerando que a quantidade comida não constituía uma refeição plena que obrigasse à bênção final. Disse-lhe Rav Nachman: sinais (adei) de fome (kafná)! — isto é, comer tantos pãezinhos pequenos, um após o outro, é sinal de quem come por fome e não por prazer, e tal refeição de fato não obriga à bênção final; mas a Guemará corrige a explicação: antes (elá), o critério correto é: tudo aquilo sobre o qual outros (acherim) fixam (kovim) uma refeição (seudá) — isto é, uma quantidade que costuma ser considerada por outras pessoas uma refeição completa — precisa abençoar a bênção final, mesmo que treze pãezinhos pequenos possam parecer pouco a alguns.
"Rav Huná comeu treze pães" — eram do pat haba bekisanin (o pão-sobremesa mencionado no daf anterior), e não abençoou depois deles, por considerar que não constituíam refeição completa. "Disse Rav Nachman: edei kafná" — assim se lê o texto; edei — significa "estes" (elu); isto é, estes pães foram comidos por fome (lerea'avon), e uma refeição tão abundante (achilá meruvá) como esta não se isenta (lo niftéret) da bênção; antes (elá), tudo aquilo sobre o qual outros fixam sua alimentação (achilatan) — isto é, uma quantidade que costuma servir de refeição para os outros — exige birkat hamazon. Assim explicou Rav Hai; e nossos mestres explicaram que "treze pães" refere-se ao nosso pão comum, e não abençoou depois porque não se saciou (lo savá), e está escrito no versículo (Devarim 8:10): "e comerás, e te saciarás, e abençoarás" — a obrigação da bênção final só se aplica quando há saciedade; e assim explicou Rav Yehudai nas Halachot Guedolot; mas a este comentador não parece (einó nireh) correto, pois Rav Huná não sustenta essa opinião, e os sábios posteriores foram rigorosos (hechmiru) consigo mesmos até a medida de uma azeitona e até a medida de um ovo (como visto acima, Berachot 20b), e isso não está de acordo (velo) com Rabi Meir nem com Rabi Yehudá (como se verá adiante, Berachot 49b).
O episódio de Rav Huná testa o limite mínimo da obrigação de bênção final: ele comeu treze pãezinhos pequenos (do tipo pat haba bekisanin) e não recitou a bênção final, talvez por considerar que não formavam uma refeição completa. Rav Nachman critica essa conduta como sinal de fome desmedida, mas a conclusão da Guemará corrige o critério: o que determina a obrigação de bênção não é a impressão pessoal de "quanto comi", mas um padrão objetivo — se a quantidade é tal que outras pessoas normalmente a consideram uma refeição, ela obriga à bênção final, quaisquer que sejam as circunstâncias do caso individual. Rashi relata duas explicações concorrentes para por que Rav Huná não abençoou (fome versus falta de saciedade), preferindo a primeira.
Rav Yehudá estava ocupado (havá assik) com a instrução de seu filho na casa (bei) de Rav Yehudá bar Chaviva (o mestre encarregado de ensinar a criança). Trouxeram diante deles pat haba bekisanin. Quando Rav Yehudá voltou (ki atá) para checar o progresso do filho, ouviu-os (shamainhu) abençoando (mevarchi) "Hamotzi" (a bênção completa do pão, "que faz sair o pão da terra"). Disse-lhes: que (mai) "tzitzi" (cicerecê incompreensível) é isso que (deka) estou ouvindo (shamana)? Será que talvez (dilma) "Hamotzi lechem min haáretz" é o que estão abençoando (mevarchitu)? Disseram-lhe: sim (in). Pois foi ensinado numa baraita: Rabi Muná disse em nome de Rabi Yehudá: sobre o pat haba bekisanin abençoa-se "Hamotzi" (a bênção completa do pão, e não apenas "borê minê mezonot"), e disse Shmuel: a halachá é como Rabi Muná.
O episódio traz Rav Yehudá surpreso ao ouvir, de longe, os alunos recitando a bênção completa "Hamotzi" sobre o pat haba bekisanin — um tipo de pão-sobremesa que, segundo o entendimento comum (e o comentário de Rashi em 41b), levaria apenas a bênção resumida "borê minê mezonot", por ser consumido em pequena quantidade. Os alunos justificam sua prática citando a baraita de Rabi Muná, segundo a qual o pat haba bekisanin — apesar de seu uso atípico como sobremesa — continua sendo pão de verdade, e por isso merece a bênção completa do pão; Shmuel confirma essa posição como halachá.
Disse-lhes Rav Yehudá: não (ein) se disse (itmar) que a halachá é como Rabi Muná — isto é, essa não é a versão correta da tradição em nome de Shmuel. Disseram-lhe os alunos, surpresos: mas não foi o mestre (mar) quem disse em nome de (mishmeih) Shmuel que quanto aos pãezinhos (lachmaniot) (um tipo de pão fino, semelhante ao pat haba bekisanin), misturam-se (mearvin) com eles (usam-se como acompanhamento de outros alimentos), e abençoa-se sobre eles "Hamotzi"? Isso contradiz o que o mestre acabou de negar! Rav Yehudá responde: diferente (shani) é lá (hatam), pois a pessoa fixou (kavá) sua refeição (seudêteih) sobre eles (alayhu) — quando os pãezinhos são consumidos em quantidade e com a intenção de constituírem a própria refeição, merecem a bênção completa — mas onde (heicha) a pessoa não fixou sua refeição sobre eles — não (lá) se abençoa "Hamotzi", mas apenas "borê minê mezonot".
Rav Yehudá nega ter dito que a halachá segue Rabi Muná de forma incondicional, mas os alunos o confrontam com sua própria tradição em nome de Shmuel sobre "lachmaniot". Rav Yehudá resolve a aparente contradição distinguindo dois casos: quando a pessoa fixa sua refeição sobre o pão-sobremesa — consumindo-o como alimento principal, não como mero petisco — ele recebe a bênção completa do pão; quando é consumido apenas como sobremesa ocasional, sem "fixar refeição" sobre ele, a bênção resumida basta. Este critério da "fixação de refeição" (keviat seudá) torna-se central para toda a sugya do pat haba bekisanin.
Rav Papa chegou (ikla) à casa (bei) de Rav Huná, filho de Rav Natan. Depois (batar) que terminaram (degamri) sua refeição (seudetayhu), trouxeram diante deles algo (midei) para comer (lemeichal). Tomou (shekal) Rav Papa e comia (achil). Disseram-lhe: não entende (lá savar lah) o mestre (mar) que uma vez terminada (gemar) a refeição, isso proíbe (assur) comer sem antes recitar a bênção final? Disse-lhes: a expressão que se usa para marcar esse término é "retirar" (silek) foi dito — ou seja, o que proíbe continuar comendo não é o mero término mental da refeição, mas a retirada física da mesa; como a mesa ainda não fora retirada, ele podia continuar comendo sem antes abençoar.
"Proíbe comer" — até que a pessoa abençoe a bênção final da refeição, e volte a abençoar sobre o que lhe for trazido depois (uma nova bênção inicial), pois, uma vez que a refeição terminou, a pessoa desviou (assach) sua atenção (daateih) de sua bênção inicial e de sua refeição (a bênção do pão recitada no início não cobre mais o que vier depois). "Silek foi dito" — refere-se ao caso em que alguém retirou (silek) o pão e toda a comida de sobre a mesa, e ainda não abençoaram — nesse caso sim, é proibido comer sem antes abençoar a bênção final; mas o simples término mental da refeição, sem a retirada física da mesa, não gera essa proibição.
O episódio de Rav Papa introduz um critério técnico para o fim da refeição: não basta que os comensais sintam que "terminaram" — a proibição de continuar comendo sem antes recitar a bênção final só se ativa quando a mesa é fisicamente retirada, sinal objetivo e inequívoco do encerramento. Como a mesa ainda estava posta quando lhe trouxeram mais comida, Rav Papa podia legitimamente continuar comendo sem uma nova bênção inicial, pois a refeição, tecnicamente, ainda não havia terminado.
Rava e Rabi Zeirá chegaram (iklau) à casa (bei) do Reish Galutá (o Exilarca, líder da comunidade judaica na Babilônia). Depois (levatar) que retiraram (saliku) a mesa (tacá) de diante deles, enviaram-lhes (shadaru) gengibre (ristaná) da casa do Reish Galutá (um segundo envio, depois de já retirada a mesa da refeição principal). Rava comeu (achil), e Rabi Zeirá não comeu. Disse-lhe Rabi Zeirá: não entende (lá savar lah) o mestre (mar) que a expressão "retirar" (silek) marca o momento a partir do qual é proibido comer sem antes abençoar? Disse-lhe Rava: nós (anan) confiamos (samchinan) na mesa (atacá) do Reish Galutá — isto é, sabíamos que o Exilarca ainda mandaria trazer mais comida depois, e por isso a retirada daquela mesa específica não representava o verdadeiro fim da refeição, mas apenas uma pausa entre serviços.
"Ristaná" — é uma especiaria digestiva, chamada em outra língua amnishtreshion (uma espécie de gengibre confeitado). "Confiamos na mesa do Reish Galutá" — isto é, a nossa retirada (siluketanu) não é uma verdadeira retirada (silúk), pois nossa intenção (daateinu) era: se ele (o Exilarca) mandar (yisá) trazer (masaot) mais comida de diante dele (mêet panav) para nós, comeremos — sabendo de antemão que a hospitalidade generosa do anfitrião incluiria um segundo serviço, a retirada da primeira mesa não encerrava definitivamente a refeição em suas mentes.
Este segundo episódio refina o critério de Rav Papa: mesmo a retirada física da mesa não encerra automaticamente a refeição, se os comensais já esperavam, por conhecerem o costume do anfitrião, que mais comida seria trazida depois. Rava justifica ter comido o gengibre sem nova bênção porque, na generosa casa do Reish Galutá, a "retirada" daquela mesa não representava o fim real da hospitalidade — sua mente nunca se desviara da refeição em curso.
Disse Rav: quem tem o costume (haragil) de ungir as mãos com azeite (shemen) depois de comer — o azeite (shemen) o retém (meakevo) — isto é, para essa pessoa, a refeição só se considera verdadeiramente terminada, para efeito da proibição de continuar comendo sem bênção, depois que ela unge as mãos com azeite, mesmo que a mesa já tenha sido retirada. Disse Rav Ashi: quando (ki) estávamos (havainan) na casa (bei) de Rav Kahana, disse-nos: como (kegon) nós (anan), que temos o costume (deregilinan) de usar óleo (mishchá) (sinônimo de azeite) — o óleo (mishchá) nos retém (meakevá lan). A Guemará conclui: e não é (veleit) halachá como nenhuma dessas (hánei) tradições (shmaatatá) (nem retirada da mesa, nem confiança na hospitalidade do anfitrião, nem o azeite), mas antes (elá) como aquilo que disse Rabi Chiyá bar Ashi em nome de Rav: há três (shalosh) ações que devem ser feitas imediatamente (techifot) uma após a outra, sem interrupção: imediatamente (techef) após a semichá (apoio das mãos sobre a cabeça do animal do sacrifício) vem o abate (shechitá); imediatamente após a redenção (geulá) (a menção da redenção do Egito na oração) vem a Amidá (tefilá); imediatamente após a lavagem das mãos (netilat yadaim) (as águas finais, depois da refeição) vem a bênção (berachá) — ou seja, a halachá é que o verdadeiro fim da refeição, que obriga a bênção final sem demora, é marcado pela lavagem das águas finais, e não pela retirada da mesa nem pelo azeite.
"Quem tem o costume de usar azeite" — refere-se a quem tem o costume de ungir (limshoach) suas mãos depois de comer. "O azeite o retém" — quanto à bênção final: mesmo que a pessoa tenha terminado e a mesa tenha sido retirada, e ela ainda não tenha ungido (mashach) suas mãos, a refeição ainda existe (kayemet) e ela pode continuar a comer sem bênção. "E não é halachá como nenhuma dessas tradições" — pois o término da refeição não depende nem do simples término (gemar), nem da retirada (silúk), nem do azeite (shemen), mas somente das águas finais (mayim acharonim): enquanto (kol zeman) a pessoa não lavou (natal) as águas finais, é permitido comer; e uma vez lavadas (mishenatal), é proibido comer sem antes abençoar. "À lavagem das mãos" — refere-se às águas finais antes da bênção final da refeição, e a partir desse momento a pessoa não deve comer nada até que abençoe sobre seu alimento.
A Guemará percorre mais duas propostas para marcar o fim técnico da refeição — o azeite nas mãos, segundo Rav e Rav Ashi/Rav Kahana — antes de rejeitar todas as opiniões anteriores (retirada da mesa, confiança na hospitalidade, azeite) em favor de um critério único e halachicamente decisivo: a lavagem das águas finais (mayim acharonim), que Rabi Chiyá bar Ashi em nome de Rav inclui entre as "três coisas imediatas" — ações que devem ser seguidas sem qualquer interrupção pela próxima etapa do processo religioso a que pertencem (apoio das mãos e abate do sacrifício; menção da redenção e a Amidá; lavagem das mãos e a bênção final da refeição).
Disse Abaiê: também (af) nós (anu) diremos uma quarta coisa "imediata", a acrescentar à lista de Rabi Chiyá bar Ashi: imediatamente (techef) a receber discípulos de sábios (talmidei chachamim) em casa vem a bênção (berachá) — isto é, quem recebe um sábio em sua casa deve abençoá-lo, ou ser abençoado por ele, imediatamente, pois está dito (Bereshit 30:27, dito por Lavan a Yaakov): "e o Eterno me abençoou por tua causa (biglalechá)" — Lavan reconhece que sua própria bênção veio por causa da presença de Yaakov, um justo, em sua casa. Se quiseres (ibaêit), dize (eimá) a prova daqui (mehachá), pois está dito (Bereshit 39:5, sobre a casa de Potifar): "e o Eterno abençoou a casa do egípcio por causa de (biglal) Yossef" — aqui também, a bênção veio imediatamente por causa da presença do justo Yossef na casa.
Abaiê acrescenta uma quarta "coisa imediata" à lista de Rabi Chiyá bar Ashi, ainda que de natureza distinta das três anteriores (que tratavam de sequências rituais): a presença de um sábio em uma casa traz consigo, de modo quase automático, a bênção divina sobre aquela casa — como demonstram os exemplos bíblicos de Lavan, abençoado por causa de Yaakov, e da casa de Potifar, abençoada por causa de Yossef.
Nova Mishná: a bênção do vinho e da parperet antes e depois da refeição, e quem abençoa por todos à mesa.
Abençoou a pessoa sobre o vinho (yayin) de antes (shelifnê) da refeição (mazon) (o vinho servido antes de começar a comer) — isenta (patar) o vinho de depois (sheleachar) da refeição (o vinho servido depois de comer, antes da bênção final, não precisa de nova bênção). Abençoou sobre a parperet de antes da refeição (um petisco ou aperitivo servido para abrir o apetite) — isenta a parperet de depois da refeição. Abençoou sobre o pão (pat) — isenta a parperet (a bênção do pão cobre também os petiscos comidos durante a refeição); mas abençoou sobre a parperet — não isenta o pão (a bênção sobre o petisco não cobre o pão, que exige sempre sua própria bênção). A Casa de Shamai diz: nem sequer (af lo) o feito de panela (maasê kederá) (um prato cozido, como um guisado de cereais) é isento pela bênção do pão — precisa de bênção própria, segundo Bet Shamai.
"Mishná: abençoou sobre o vinho etc." — o costume era trazer, antes de comer, um copo (kos) de vinho para beber, como foi ensinado adiante (Berachot 43a): como é a ordem (seder) de reclinar-se (hasibá) etc. — e trazem diante deles petiscos (parperaot) para estimular (lehamshich) o apetite, como galinhas jovens (pargiot) e peixes; e depois disso trazem a mesa (shulchan); e após o término da refeição, sentam-se, bebem e comem — e o que é que comem? Petiscos (parperaot), como kisnin que fazem bem (demaalu) ao coração, e pãezinhos (lachmaniot); e a Mishná trata do vinho e da parperet de depois da refeição, e ambos são bebidos e comidos antes da bênção final da refeição. "Feito de panela" — é um prato como chalka targuis e tisni (tipos de mingau ou papa de cereal cozido).
A nova Mishná regula quatro casos distintos de isenção por bênção: (1) o vinho de antes da refeição isenta o de depois — pois ambos pertencem à mesma "sessão" de bebida, antes da bênção final; (2) a parperet (petisco) de antes isenta a de depois, pelo mesmo raciocínio; (3) a bênção sobre o pão, por ser mais abrangente, isenta a parperet — mas o inverso não vale, pois a parperet é secundária ao pão e não pode isentá-lo; (4) a Casa de Shamai estende essa exclusividade, afirmando que nem mesmo um prato cozido (como um mingau de cereais) é isento pela bênção do pão, exigindo bênção própria. Rashi explica o cenário social de uma refeição formal romana/babilônica: vinho e petiscos antes de trazer a mesa, e vinho e petiscos novamente depois de retirada, antes da bênção final — todo esse segundo momento sendo o assunto direto desta Mishná.
Paralelo exato no Yerushalmi: esta mesma Mishná — vinho e parperet antes e depois da refeição, a isenção do pão sobre a parperet, e a opinião de Bet Shamai sobre o "feito de panela" — é tratada em Yerushalmi Berachot 6:5, com discussão paralela sobre o pat haba bekisanin e o costume de comer tâmaras com o pão.
Ver Yerushalmi Berachot 6:5 →Estavam os comensais sentados (yoshvin) (sem a formalidade de reclinar-se, como em uma refeição comum) — cada um (kol echad) abençoa por si mesmo (leatzmo). Mas se reclinaram-se (hesabu) (à maneira formal de um banquete, deitados de lado sobre almofadas) — um (echad) abençoa por todos (lechulan) — pois a reclinação formal une os comensais como um único grupo com um único anfitrião, que abençoa em nome de todos.
"Estavam sentados" — sem a reclinação (hasibat) de leitos (mitot), que consiste em estar deitado (mutim) sobre o lado (tzidan) esquerdo (smalit) sobre o leito (mitá), e ali comendo e bebendo com reclinação (hasibá). "Cada um abençoa por si mesmo" — pois não há fixação (kevá) de refeição (seudá) sem reclinação — sem esse ato formal que une o grupo, cada comensal permanece, para efeitos de bênção, um indivíduo isolado.
A última cláusula da Mishná trata da bênção conjunta: quando os comensais apenas se sentam, sem o ato formal de reclinação (hasibá — deitar-se de lado sobre um leito, ao estilo dos banquetes romanos), cada um permanece uma unidade independente e abençoa por si mesmo; mas quando todos se reclinam formalmente, essa reclinação cria uma refeição "fixada" em grupo, e um único comensal — tipicamente o anfitrião ou o mais importante — abençoa em nome de todos.
Continuação no Yerushalmi: os detalhes de quem abençoa por todos quando reclinados, a ordem completa de uma refeição formal com duas rodadas de vinho, e a explicação de Ben Zoma sobre por que o vinho do meio da refeição exige bênção individual, são discutidos em Yerushalmi Berachot 6:6.
Ver Yerushalmi Berachot 6:6 →