Talmud Bavli · Berachot · Daf 42, lado B · Perek Vav (Ketzad Mevarchin)
מב ע״ב

O vinho no meio e depois da refeição, a bênção do mugmar, e quando um só abençoa por todos

Berachot 42b · Perek Ketzad Mevarchin

O daf abre com a segunda metade da Mishná iniciada ao final de 42a: o vinho trazido no meio da refeição exige bênção individual de cada comensal, mas o vinho de depois é abençoado por um só em nome de todos, que recita também a bênção sobre o mugmar (incenso aromático). A Guemará traz a distinção de Rabi Yochanan entre Shabat e Festas — quando se fixa a refeição sobre o vinho — e os demais dias do ano; os episódios de Rabá bar Mari e Rav Yitzchak bar Yossef ilustrando a prática correta; e uma dúvida não resolvida sobre se o vinho de antes da refeição isenta também o vinho bebido no meio dela, com a disputa entre Rav e Rav Kahaná, e entre Rav Nachman e Rav Sheshet. Segue a cláusula da Mishná sobre pão e parperet, e a opinião de Bet Shamai sobre o "feito de panela" — com uma dúvida sobre a que cláusula anterior Bet Shamai se opõe, deixada sem solução (teiku). O daf fecha com a aparente contradição entre a Mishná (que exige reclinação para a bênção coletiva) e uma baraita sobre dez viajantes, resolvida por Rav Nachman bar Yitzchak, e o início do relato sobre a morte de Rav e a dúvida de seus discípulos, que se conclui em 43a.

1Mishná: veio-lhes vinho no meio da refeição — cada um abençoa por si. Depois da refeição — um abençoa por todos. E ele diz sobre o mugmar
Bavli · 42b — Mishná
בָּא לָהֶם יַיִן בְּתוֹךְ הַמָּזוֹן — כׇּל אֶחָד וְאֶחָד מְבָרֵךְ לְעַצְמוֹ. אַחַר הַמָּזוֹן — אֶחָד מְבָרֵךְ לְכוּלָּם. וְהוּא אוֹמֵר עַל הַמּוּגְמָר, וְאַף עַל פִּי שֶׁאֵין מְבִיאִין אֶת הַמּוּגְמָר אֶלָּא לְאַחַר סְעוּדָה.

Veio (ba) a eles vinho (yayin) no meio (betoch) da refeição (mazon) — cada um (kol echad) abençoa por si mesmo (leatzmo) — pois, uma vez que a refeição já está em curso e todos comem do pão sobre o qual já foi feita a bênção coletiva, o vinho servido nesse ponto é uma bebida acessória a cada indivíduo, não uma nova fixação de refeição em grupo. Depois (achar) da refeição — um (echad) abençoa por todos (lechulam). E ele (o mesmo que abençoou o vinho de depois) diz (omer) a bênção sobre o mugmar (um incenso aromático queimado sobre brasas, trazido ao final da refeição), ainda que (af al pi) não se traga (shein mevi'in) o mugmar senão (elá) depois (leachar) da refeição — isto é, embora o mugmar não seja tecnicamente parte da refeição em si, mas venha depois dela, ainda assim é o mesmo indivíduo que abençoou o vinho de depois quem recita também sua bênção, encerrando toda a sequência final em um só ato coletivo.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Mishná, Bavli 42b
בא להם יין בתוך המזון כו' – בגמ' מפרש טעמא (ד' מג.): והוא אומר על המוגמר – אותו שברך על היין הוא מברך על המוגמר שהיו רגילים להביא לפניהם אחר אכילה אבקת רוכלין על האש במחתות לריח טוב ומברכים עליו בורא עצי בשמים: לאחר סעודה – לאחר בהמ"ז שאינו מצרכי סעודה אפי' הכי מי שברך על היין שהתחיל בברכות אחרונות גומרן:

"Veio-lhes vinho no meio da refeição etc." — na Guemará se explica a razão (adiante, 43a). "E ele diz sobre o mugmar" — aquele mesmo (oto) que abençoou sobre o vinho é quem abençoa sobre o mugmar, que tinham o costume (regilim) de trazer diante deles, depois de comer, pó (avkat) de especiarias (rochelin) sobre o fogo em braseiros (machtot), para produzir bom cheiro, e abençoam sobre ele "Borê atzê vesamim" (que cria árvores aromáticas). "Depois da refeição" — refere-se a depois da birkat hamazon, o que não é propriamente uma necessidade da refeição; e ainda assim (afilu hachi), quem abençoou sobre o vinho — que já havia começado (shehitchil) as bênçãos finais — as completa (gomran) ele mesmo, incluindo a do mugmar.

Nota

Esta cláusula da Mishná completa a regulação do vinho iniciada ao final de 42a, distinguindo três momentos: o vinho de antes da refeição (já tratado), o vinho do meio dela — que, apesar de servido durante uma refeição já "fixada" em grupo pelo pão, ainda exige bênção individual de cada comensal — e o vinho de depois, que reverte à lógica coletiva por marcar o encerramento formal, quando um só recita a bênção por todos e estende esse papel também à bênção do mugmar, mesmo este não sendo tecnicamente parte da refeição.

2Guemará: disse Rabá bar bar Chaná em nome de Rabi Yochanan: não se ensinou isso senão em Shabatot e Festas, pois a pessoa fixa sua refeição sobre o vinho
Bavli · 42b — Guemará
גְּמָ׳ אָמַר רַבָּה בַּר בַּר חָנָה אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: לֹא שָׁנוּ אֶלָּא בְּשַׁבָּתוֹת וְיָמִים טוֹבִים, הוֹאִיל וְאָדָם קוֹבֵעַ סְעוּדָּתוֹ עַל הַיַּיִן. אֲבָל בִּשְׁאָר יְמוֹת הַשָּׁנָה, מְבָרֵךְ עַל כׇּל כּוֹס וָכוֹס.

Guemará. Disse Rabá bar bar Chaná em nome de Rabi Yochanan: não se ensinou (lo shanu) que a bênção sobre o vinho de antes da refeição isenta o de depois senão (elá) em Shabatot (Shabatot) e Festas (Yamim Tovim), pois (hoil) a pessoa (adam) fixa (kovêa) sua refeição (seudato) sobre o vinho (al hayayin) — isto é, nesses dias, por costume, a pessoa planeja de antemão continuar bebendo vinho ao longo de toda a refeição, e por isso a bênção inicial já é recitada com essa intenção abrangente; mas (aval) nos demais (bishar) dias do ano (yemot hashaná), abençoa-se sobre cada copo (kos) individualmente — pois nos dias comuns não há esse costume fixo de beber ao longo da refeição, e por isso cada novo copo exige nova bênção.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 42b
גמ' לא שנו – דיין שלפני המזון פוטר את שלאחר המזון: אלא בשבתות כו' – דדעתו לישב אחר המזון ולשתות וכי בריך ברישא אדעתא דהכי בריך:

"Não se ensinou" — refere-se a que o vinho de antes da refeição isenta o de depois da refeição. "Senão em Shabatot etc." — pois nesses dias a intenção (daateih) da pessoa é sentar-se depois da refeição e continuar a beber, e quando abençoa no início (bereishá), é com essa intenção (adaatá dehachi) que abençoa — sua bênção inicial já engloba, de antemão, toda a bebida que virá depois.

Nota

Rabi Yochanan restringe a regra da Mishná (vinho de antes isenta o de depois) a Shabat e Festas, quando existe o costume estabelecido de prolongar a refeição bebendo vinho continuamente — de modo que a bênção inicial já é feita com a intenção mental de cobrir tudo o que virá. Nos dias comuns, sem esse costume fixo, cada copo de vinho, por ser uma bebida ocasional e não planejada, exige sua própria bênção.

3Foi dito também: disse Rabá bar Mari em nome de Rabi Yehoshua ben Levi — o mesmo, acrescentando a saída do banho e a sangria
Bavli · 42b — Guemará
אִתְּמַר נָמֵי: אָמַר רַבָּה בַּר מָרִי אָמַר רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי: לֹא שָׁנוּ אֶלָּא בְּשַׁבָּתוֹת וְיָמִים טוֹבִים, וּבְשָׁעָה שֶׁאָדָם יוֹצֵא מִבֵּית הַמֶּרְחָץ, וּבִשְׁעַת הַקָּזַת דָּם, הוֹאִיל וְאָדָם קוֹבֵעַ סְעוּדָּתוֹ עַל הַיַּיִן. אֲבָל בִּשְׁאָר יְמוֹת הַשָּׁנָה — מְבָרֵךְ עַל כׇּל כּוֹס וָכוֹס.

Foi dito (itmar) também (namei): disse Rabá bar Mari em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: não se ensinou senão em Shabatot e Festas, e na hora (besha'á) em que a pessoa sai (yotzê) da casa de banho (bet hamerchatz), e na hora da sangria (hakazat dam) — dois momentos adicionais em que se tem por costume beber vinho continuamente por razões de saúde e recuperação, pois a pessoa fixa sua refeição sobre o vinho; mas nos demais dias do ano, abençoa-se sobre cada copo individualmente.

Nota

Rabi Yehoshua ben Levi transmite a mesma distinção de Rabi Yochanan, mas amplia a lista de exceções: além de Shabat e Festas, inclui os momentos em que a pessoa sai do banho ou passa por sangria (procedimento terapêutico comum na época), ocasiões em que o costume medicinal era beber vinho continuamente para recompor as forças — e por isso, também nesses casos, a bênção inicial já cobre toda a bebida seguinte.

4Rabá bar Mari chegou à casa de Rava num dia comum. Viu que abençoou antes da refeição e voltou a abençoar depois. Disse-lhe: está correto!
Bavli · 42b — Guemará
רַבָּה בַּר מָרִי אִיקְּלַע לְבֵי רָבָא בְּחוֹל. חַזְיֵיהּ דְּבָרֵיךְ לִפְנֵי הַמָּזוֹן, וַהֲדַר בָּרֵיךְ לְאַחַר הַמָּזוֹן. אֲמַר לֵיהּ: יִישַׁר. וְכֵן אָמַר רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי.

Rabá bar Mari chegou (ikla) à casa (bei) de Rava num dia comum (bechol). Viu-o (chazyeih) Rava abençoar antes da refeição, e voltar (vahadar) a abençoar depois da refeição — isto é, sobre cada copo de vinho separadamente, sem que a bênção de antes isentasse a de depois, por não ser Shabat, Festa, nem ocasião de banho ou sangria. Disse-lhe Rabá bar Mari: está correto (yeishar)! (uma expressão de aprovação, "fizeste bem"). E assim (vechen) disse Rabi Yehoshua ben Levi — confirmando que essa era de fato a prática correta segundo a tradição que ele próprio transmitira.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 42b
יישר – יפה עשית: וכן אמר ריב"ל – לעשות:

"Está correto" — fizeste (assita) bem (yafeh). "E assim disse Rabi Yehoshua ben Levi" — que se deve (tzarich) proceder (laassot) assim — confirmando com sua própria autoridade a prática observada em Rava.

Nota

Este episódio ilustra na prática a regra recém-formulada: Rava, num dia comum, abençoou separadamente o vinho de antes e o de depois da refeição, sem considerar a primeira bênção suficiente para isentar a segunda. Rabá bar Mari confirma que essa é exatamente a conduta correta segundo a tradição de seu mestre, Rabi Yehoshua ben Levi.

5Rav Yitzchak bar Yossef chegou à casa de Abaiê num dia de Festa. Viu que abençoava sobre cada copo. Disse-lhe: reconsiderei
Bavli · 42b — Guemará
רַב יִצְחָק בַּר יוֹסֵף אִיקְּלַע לְבֵי אַבָּיֵי בְּיוֹם טוֹב. חַזְיֵיהּ דְּבָרֵיךְ אַכֹּל כָּסָא וְכָסָא. אֲמַר לֵיהּ: לָא סָבַר לַהּ מָר לְהָא דְּרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי?! אֲמַר לֵיהּ: נִמְלָךְ אֲנָא.

Rav Yitzchak bar Yossef chegou à casa de Abaiê num dia de Festa (Yom Tov). Viu-o abençoar sobre (a) cada (kol) copo (cassá) individualmente, contrariando a regra que isentaria o vinho de depois pela bênção de antes, justamente por ser dia de Festa. Disse-lhe: não entende (lá savar lah) o mestre (mar) aquilo (leha) que se ensinou em nome de Rabi Yehoshua ben Levi?! Disse-lhe Abaiê: reconsiderei (nimlach aná) — isto é, eu não tinha, de fato, a intenção original de continuar bebendo ao longo de toda a refeição; decidi beber mais um copo apenas depois de já ter abençoado o primeiro, e por isso essa bênção inicial não podia ter previsto, nem cobrir, a bebida posterior.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 42b
לא סבר לה מר כו' – דביום טוב לאו נמלך הוא: נמלך אנא – איני רגיל לקבוע סעודה על היין:

"Não entende o mestre etc." — pois em dia de Festa presume-se que não há necessidade de reconsiderar (nimlach) — já que o costume estabelecido é beber continuamente, a intenção inicial já cobriria tudo. "Reconsiderei" — respondeu Abaiê: eu não tenho o costume (regil) de fixar (likboa) refeição sobre o vinho — pessoalmente, não sigo esse costume geral de prolongar a bebida ao longo da refeição, e por isso minha bênção inicial não continha essa intenção abrangente, exigindo nova bênção a cada copo adicional.

Nota

Este segundo episódio complementa o primeiro, mostrando o limite pessoal da regra: mesmo em dia de Festa, quando o costume geral seria beber continuamente e a bênção inicial bastaria, um indivíduo que não segue esse costume — como Abaiê, que declara não ter esse hábito — não se beneficia da isenção, pois sua bênção original não foi feita com a intenção abrangente que a regra pressupõe. A intenção subjetiva de quem abençoa, e não apenas a data do calendário, é o que determina o alcance da bênção.

6Foi perguntado: o vinho do meio da refeição isentaria o de depois? Se dizes que o de antes isenta o de depois é porque ambos são para beber; mas aqui, um é para beber e outro para digerir — talvez não
Bavli · 42b — Guemará
אִיבַּעְיָא לְהוּ: בָּא לָהֶם יַיִן בְּתוֹךְ הַמָּזוֹן מַהוּ שֶׁיִּפְטוֹר אֶת הַיַּיִן שֶׁלְּאַחַר הַמָּזוֹן? אִם תִּימְצֵי לוֹמַר בֵּרַךְ עַל הַיַּיִן שֶׁלִּפְנֵי הַמָּזוֹן פּוֹטֵר אֶת הַיַּיִן שֶׁלְּאַחַר הַמָּזוֹן — מִשּׁוּם דְּזֶה לִשְׁתּוֹת וְזֶה לִשְׁתּוֹת. אֲבָל הָכָא — דְּזֶה לִשְׁתּוֹת, וְזֶה לִשְׁרוֹת — לָא. אוֹ דִילְמָא לָא שְׁנָא.

Foi perguntado (ibaayá) a eles (os sábios da academia): veio a eles vinho no meio da refeição — qual (mahu) seria a lei quanto a isentar (sheyiftor) o vinho de depois da refeição — será que esse vinho do meio, sobre o qual cada um já abençoou individualmente, isentaria também o vinho servido depois? Se quiseres (im timtzê) dizer (lomar) que a razão pela qual, no caso da Mishná, abençoar sobre o vinho de antes da refeição isenta o vinho de depois da refeição é porque (mishum) este (zeh) é para beber (lishtot) e aquele (zeh) é para beber — isto é, ambos os copos, o de antes e o de depois, são bebidos pelo mesmo motivo, para saciar a sede ou por prazer, e por isso pertencem à mesma categoria e a bênção de um cobre o outro — mas (aval) aqui (hacha), onde este é para beber e aquele (o vinho do meio) é para ajudar a digerir (lishrot) — isto é, o pouco vinho bebido no meio da refeição serve apenas para amolecer e ajudar a descer a comida, não por prazer de beber — talvez não (lá) isente, por pertencerem a categorias diferentes de propósito; ou então (o dilma) não há diferença (lá shená) e a isenção se aplica igualmente.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 42b
בא להם יין בתוך המזון – וקודם המזון לא בא להם: אם תימצי לומר – להביא ראיה ממשנתנו דקתני דיין שלפני המזון פוטר את שלאחר המזון אינה ראיה דהתם זה לשתות וזה לשתות אבל שבתוך המזון לשרות אכילה שבמעיו הוא בא ולא היו רגילין לשתות בתוך הסעודה אלא מעט לשרות:

"Veio a eles vinho no meio da refeição" — refere-se ao caso em que antes da refeição não lhes veio vinho algum (apenas no meio, e a dúvida é sobre esse vinho servido no meio isentar o de depois). "Se quiseres dizer" — a Guemará pondera se é possível trazer prova (reayá) de nossa Mishná, que ensina que o vinho de antes da refeição isenta o de depois da refeição — mas conclui que não é prova (einá reayá), pois ali (hatam) este é para beber e aquele é para beber (ambos servidos pelo mesmo propósito de bebida); mas o vinho trazido no meio da refeição vem para ajudar a digerir (lishrot) a comida que está em seu ventre (bemeav), pois não tinham o costume de beber durante a refeição senão pouco, para auxiliar a digestão — um propósito completamente distinto do vinho bebido antes ou depois, por prazer.

Nota

A Guemará levanta uma nova dúvida, distinta da regra já estabelecida: se o vinho de antes isenta o de depois porque ambos compartilham o mesmo propósito (beber por prazer ou sede), talvez o vinho bebido no meio da refeição — que serve a um propósito diferente, ajudar a digestão, bebido em pequena quantidade — não se enquadre na mesma categoria, e por isso talvez não isente o vinho de depois. A questão permanece em aberto, preparando o terreno para a disputa amoraica que se segue.

7Rav disse: isenta; Rav Kahaná disse: não isenta. Rav Nachman disse: isenta; Rav Sheshet disse: não isenta. Rava contestou a Rav Nachman, e este reinterpretou a Mishná
Bavli · 42b — Guemará
רַב אָמַר: פּוֹטֵר, וְרַב כָּהֲנָא אָמַר: אֵינוֹ פּוֹטֵר. רַב נַחְמָן אָמַר: פּוֹטֵר, וְרַב שֵׁשֶׁת אָמַר: אֵינוֹ פּוֹטֵר. רַב הוּנָא וְרַב יְהוּדָה וְכׇל תַּלְמִידֵי דְּרַב אָמְרִי: אֵינוֹ פּוֹטֵר. אֵיתִיבֵיהּ רָבָא לְרַב נַחְמָן: בָּא לָהֶם יַיִן בְּתוֹךְ הַמָּזוֹן — כׇּל אֶחָד וְאֶחָד מְבָרֵךְ לְעַצְמוֹ. לְאַחַר הַמָּזוֹן — אֶחָד מְבָרֵךְ לְכוּלָּם. אֲמַר לֵיהּ, הָכִי קָאָמַר: אִם לֹא בָּא לָהֶם יַיִן בְּתוֹךְ הַמָּזוֹן אֶלָּא לְאַחַר הַמָּזוֹן, אֶחָד מְבָרֵךְ לְכוּלָּם.

Rav disse: isenta (poter) — o vinho do meio da refeição isenta o de depois; e Rav Kahaná disse: não isenta (eino poter). Rav Nachman disse: isenta; e Rav Sheshet disse: não isenta. Rav Huná e Rav Yehudá e todos (vechol) os discípulos (talmidei) de Rav disseram (contra a própria opinião de seu mestre): não isenta. Contestou-lhe (eitiveih) Rava a Rav Nachman da nossa Mishná: veio a eles vinho no meio da refeição — cada um abençoa por si mesmo; depois da refeição — um abençoa por todos — se o vinho do meio isentasse o de depois, por que a Mishná precisaria mencionar separadamente uma bênção para o vinho de depois, dizendo que "um abençoa por todos"? Isso prova que o vinho do meio não isenta! Disse-lhe Rav Nachman: assim (hachi) é que se está dizendo (kaamar): se (im) não (lo) veio a eles vinho no meio da refeição, mas (elá) apenas depois da refeição, então um abençoa por todos — a Mishná não está dizendo que, quando há vinho tanto no meio quanto depois, é preciso uma segunda bênção; está apenas descrevendo o caso em que o vinho só aparece depois da refeição, sem mencionar o caso do meio, e por isso não há prova contra minha posição.

Nota

A disputa se estende por várias gerações de amoraim: Rav e Rav Nachman sustentam que o vinho do meio da refeição, apesar de servir a um propósito digestivo, ainda isenta o de depois; Rav Kahaná, Rav Sheshet e — surpreendentemente — os próprios discípulos de Rav (contrariando seu mestre) sustentam que não isenta. Rava tenta refutar Rav Nachman citando a redação exata da Mishná, mas Rav Nachman reinterpreta a Mishná como referindo-se apenas ao caso em que não houve vinho algum no meio da refeição, preservando assim sua posição sem contradição. A Guemará não resolve explicitamente qual opinião prevalece, deixando a disputa registrada.

8Mishná: abençoou sobre o pão — isenta a parperet. Sobre a parperet — não isenta o pão. Bet Shamai: nem sequer o feito de panela
Bavli · 42b — Mishná
בֵּרַךְ עַל הַפַּת, פָּטַר אֶת הַפַּרְפֶּרֶת. עַל הַפַּרְפֶּרֶת, לֹא פָּטַר אֶת הַפַּת. בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים: אַף לֹא מַעֲשֵׂה קְדֵרָה.

Abençoou sobre o pão (pat) — isenta a parperet; mas abençoou sobre a parperet — não isenta o pão. A Casa de Shamai diz: nem sequer (af lo) o feito (maasê) de panela (kederá) é isento pela bênção do pão.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Mishná, Bavli 42b
פטר את הפרפרת – אע"פ שאין צורך סעודה למלוי הכרס אלא למגמר אכילה: וכל שכן מעשה קדרה – שהוא לאכול לזון ממש:

"Isenta a parperet" — ainda que ela não seja propriamente necessidade da refeição para encher (millui) o ventre (hakeres), mas apenas para completar (legamer) o comer — isto é, a parperet é um mero complemento de sabor ao final da refeição, e ainda assim a bênção do pão a cobre. "E tanto mais (vechol shecken) o feito de panela" — que serve para (leechol) alimentar (lizon) de verdade (mamash) — um prato cozido substancial, que serve como alimento real e não mero complemento, é, com maior razão ainda, isento pela bênção do pão, segundo o entendimento simples da Mishná.

Nota

Esta cláusula, já antecipada em 42a, é aqui retomada e aprofundada: o pão isenta a parperet, mas não o inverso; e a Casa de Shamai amplia a regra, sustentando que nem mesmo um prato cozido substancial (maasê kederá) — que, ao contrário da parperet, serve como alimento real e não mero complemento de sabor — é isento pela bênção do pão. A Guemará dedica as próximas unidades a esclarecer exatamente contra qual afirmação do Tana Kama a Casa de Shamai está discordando.

9Foi perguntado: Bet Shamai discorda da primeira cláusula, ou da última?
Bavli · 42b — Guemará
אִיבַּעְיָא לְהוּ: בֵּית שַׁמַּאי אַרֵישָׁא פְּלִיגִי, אוֹ דִילְמָא אַסֵּיפָא פְּלִיגִי? דְּקָאָמַר תַּנָּא קַמָּא בֵּרַךְ עַל הַפַּת — פָּטַר אֶת הַפַּרְפֶּרֶת, וְכׇל שֶׁכֵּן מַעֲשֵׂה קְדֵרָה. וְאָתֵי בֵּית שַׁמַּאי לְמֵימַר לָא מִיבַּעְיָא פַּרְפֶּרֶת דְּלָא פָּטְרָה לְהוּ פַּת, אֶלָּא אֲפִילּוּ מַעֲשֵׂה קְדֵרָה נָמֵי לָא פָּטְרָה. אוֹ דִילְמָא אַסֵּיפָא פְּלִיגִי, דְּקָתָנֵי: בֵּרַךְ עַל הַפַּרְפֶּרֶת — לֹא פָּטַר אֶת הַפַּת. פַּת הוּא דְּלָא פָּטַר אֲבָל מַעֲשֵׂה קְדֵרָה — פָּטַר. וְאָתוּ בֵּית שַׁמַּאי לְמֵימַר וַאֲפִילּוּ מַעֲשֵׂה קְדֵרָה נָמֵי לָא פָּטַר.

Foi perguntado a eles: a Casa de Shamai discorda (pligi) da primeira cláusula (arishá) (que o pão isenta a parperet), ou então (o dilma) discorda da última cláusula (aseifá) (que a parperet não isenta o pão)? Pois (deka) disse o Taná Kama (o primeiro sábio anônimo da Mishná): abençoou sobre o pão — isenta a parperet, e tanto mais (vechol shecken) isentaria o feito de panela (pois este é um alimento mais substancial e mais central que a mera parperet, e por lógica de a fortiori deveria ser isento com ainda mais razão). E viria (veatei) a Casa de Shamai dizer (lemeimar): não é preciso questionar (lá mibaayá) o caso da parperet, que não isenta (deveria dizer: que o pão isenta) — mas (elá) mesmo (afilu) o feito de panela também (namei) o pão não isenta — isto é, Bet Shamai discordaria da primeira cláusula, negando que a lógica a fortiori se aplique ao maasê kederá. Ou então (o dilma) discorda da última cláusula, pois (dekatanei) se ensinou: abençoou sobre a parperet — não isenta o pão — implicando que é o pão (pat) que ela não isenta, mas (aval) o feito de panela ela isenta (pois o maasê kederá, sendo mais substancial que a mera parperet, teria status mais próximo ao do pão e poderia isentá-lo). E viria a Casa de Shamai dizer: e mesmo o feito de panela também não isenta o pão — isto é, Bet Shamai discordaria aqui da última cláusula, negando que o maasê kederá tenha esse poder de isentar o pão.

Nota

A Guemará explora duas leituras possíveis da posição de Bet Shamai, que menciona o maasê kederá sem especificar exatamente contra qual metade da Mishná do Tana Kama ela se opõe: (1) Bet Shamai discordaria da primeira cláusula, negando que a bênção do pão, mesmo isentando a parperet, se estenda por lógica a fortiori ao prato cozido mais substancial; ou (2) Bet Shamai discordaria da última cláusula, afirmando que, embora a parperet realmente não isente o pão, o prato de panela — por ser mais robusto — teria esse poder, e é isso que Bet Shamai vem negar. As duas leituras produzem posições de Bet Shamai com alcances distintos.

10Teiku
Bavli · 42b — Guemará
תֵּיקוּ.

Teiku — a questão permanece sem solução, e assim ficará "de pé" até que Elias, o profeta, a esclareça.

Nota

A dúvida sobre a que cláusula exatamente Bet Shamai se opõe — se à primeira, sobre a extensão a fortiori da bênção do pão ao maasê kederá, ou à última, sobre se o maasê kederá teria o poder de isentar o próprio pão — não é resolvida pela Guemará, que a registra formalmente como teiku, um impasse que permanece em aberto na tradição talmúdica.

11"Estavam sentados... reclinaram-se": reclinaram-se sim, não reclinaram-se não. E contradisseram: dez que iam pelo caminho, ainda que todos comam de um só pão, cada um abençoa por si; sentaram-se para comer, um abençoa por todos
Bavli · 42b — Guemará
הָיוּ יוֹשְׁבִין כׇּל אֶחָד וְאֶחָד כּוּ׳. הֵסַבּוּ — אִין, לֹא הֵסַבּוּ — לָא. וּרְמִינְהוּ: עֲשָׂרָה שֶׁהָיוּ הוֹלְכִים בַּדֶּרֶךְ, אַף עַל פִּי שֶׁכּוּלָּם אוֹכְלִים מִכִּכָּר אֶחָד — כׇּל אֶחָד וְאֶחָד מְבָרֵךְ לְעַצְמוֹ. יָשְׁבוּ לֶאֱכוֹל, אַף עַל פִּי שֶׁכָּל אֶחָד וְאֶחָד אוֹכֵל מִכִּכָּרוֹ — אֶחָד מְבָרֵךְ לְכוּלָּם. קָתָנֵי ״יָשְׁבוּ״ אַף עַל פִּי שֶׁלֹּא הֵסַבּוּ!

"Estavam sentados, cada um abençoa por si mesmo" etc. (citando a última cláusula da Mishná já vista em 42a): a Guemará precisa a leitura: reclinaram-se (hesabu) — sim (in) um abençoa por todos; não reclinaram-se — não (lá) — ou seja, a reclinação formal é condição indispensável para que um só possa abençoar em nome do grupo. E contradisseram (uremin'hu) essa leitura de uma baraita: dez (assará) que iam (sheahyu holchim) pelo caminho (baderech), ainda que (af al pi) todos (kulam) comam de um só (echad) pão (kikar) (compartilhando o mesmo pão, o que poderia sugerir uma refeição em grupo) — cada um abençoa por si mesmo (mesmo sem reclinação, e mesmo compartilhando o mesmo pão, permanecem indivíduos separados enquanto caminham). Mas se sentaram-se (yashvu) para comer (leechol), ainda que cada um coma de seu próprio (mikikaro) pão (pães separados, sem compartilhar) — um abençoa por todos! A Guemará aponta a dificuldade: ensina-se (katanei) "sentaram-se" (yashvu), ainda que (af al pi) não se tenham reclinado (shelo hesabu) — contradizendo diretamente a Mishná, que exige reclinação formal para a bênção coletiva!

Nota

A Guemará identifica uma contradição direta: a Mishná parece condicionar a bênção coletiva à reclinação formal (hasibá), mas uma baraita paralela usa o simples verbo "sentaram-se" (sem mencionar reclinação) para descrever o caso em que um só abençoa por todos, sugerindo que a reclinação não seria, de fato, necessária. A baraita também introduz um elemento interessante por contraste: dez viajantes que compartilham o mesmo pão continuam abençoando individualmente enquanto caminham, mas ao sentar-se para comer — ainda que cada um coma de seu próprio pão — a bênção se torna coletiva, mostrando que o ato de sentar-se juntos para uma refeição formal, e não o compartilhamento físico do alimento, é o que determina a unidade do grupo para efeitos de bênção.

12Disse Rav Nachman bar Yitzchak: por exemplo, quando dizem: vamos comer pão em tal lugar
Bavli · 42b — Guemará
אָמַר רַב נַחְמָן בַּר יִצְחָק: כְּגוֹן דְּאָמְרִי ״נֵיזִיל וְנֵיכוֹל לַחְמָא בְּדוּךְ פְּלָן״.

Disse Rav Nachman bar Yitzchak: a baraita fala de um caso como (kegon) quando dizem (deamrei): "vamos (neizil) e comamos (veneichol) pão (lachma) em tal (peduch) lugar (plan)" — isto é, quando os viajantes combinam antecipadamente, por palavras, reunir-se num certo local para fazer ali uma refeição conjunta; esse acordo verbal explícito, com destino e propósito combinados, equivale à fixação formal de uma refeição de grupo, tornando-a equivalente à reclinação para efeitos de bênção coletiva — mesmo sem a reclinação física propriamente dita.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 42b
בדוך פלן – במקום פלוני דקבעו להם מתחלה מקום בדבור ועצה והזמנה הוי קביעות אבל ישבו מאליהן במקום אחד יחד אינה קביעות:

"Em tal lugar" — isto é, em determinado (peluni) lugar (makom), pois quando fixaram (kavu) para si, desde o início (mitchilá), um lugar por meio de combinação verbal (dibbur), deliberação (etzá) e convite (hazmaná) mútuos, isso constitui (havi) fixação (kevi'ut) de refeição em grupo; mas (aval) se sentaram-se (yashvu) por si mesmos (meileihen) num mesmo (echad) lugar, juntos (yachad)isso, sem o acordo prévio, não é fixação.

Nota

Rav Nachman bar Yitzchak resolve a contradição introduzindo um novo critério: a baraita, ao dizer "sentaram-se", refere-se especificamente ao caso em que os viajantes combinaram verbalmente, com antecedência, encontrar-se em determinado lugar para fazer ali uma refeição conjunta — esse acordo explícito de "fixação por palavra" equivale, para efeitos de bênção, à reclinação formal exigida pela Mishná, mesmo sem envolver o ato físico de reclinar-se. Já um simples ajuntamento casual, sem esse combinado prévio, não constitui fixação de refeição em grupo.

13Quando faleceu Rav, seus discípulos foram atrás dele. Quando voltaram, disseram: vamos comer pão junto ao rio Danak
Bavli · 42b — Guemará
כִּי נָח נַפְשֵׁיהּ דְּרַב, אֲזוּל תַּלְמִידֵיהּ בָּתְרֵיהּ. כִּי הָדְרִי, אָמְרִי: נֵיזִיל וְנֵיכוּל לַחְמָא אַנְּהַר דָּנָק. בָּתַר דְּכָרְכִי, יָתְבִי וְקָא מִיבַּעְיָא לְהוּ: ״הֵסַבּוּ״ דַּוְקָא תְּנַן, אֲבָל יָשְׁבוּ לָא, אוֹ דִילְמָא כֵּיוָן דְּאָמְרִי ״נֵיזִיל וְנֵיכוֹל רִיפְתָּא בְּדוּכְתָּא פְּלָנִיתָא״ — כִּי הֵסַבּוּ דָּמֵי? לָא הֲוָה בִּידַיְיהוּ.

Quando (ki) faleceu (nach nafsheih, literalmente "repousou sua alma") Rav, foram (azul) seus discípulos (talmidei) atrás dele (batreih) (acompanhando seu funeral e sepultamento). Quando (ki) voltaram (hadri), disseram: vamos (neizil) e comamos (veneichul) pão (lachma) junto ao (a) rio (nehar) Danak (nome de um rio ou localidade). Depois (batar) que enrolaram (decharchi) (o pão, isto é, comeram), sentaram-se (yatvi) e ficaram (veka) em dúvida (mibaayá): a Mishná ao dizer "reclinaram-se" (hesabu) quis dizer isso exatamente (davká), e foi isso que aprendemos (tenan), mas (aval) se apenas sentaram-se (yashvu) — não (lá) vale a regra da bênção coletiva; ou então (o dilma), já que (keivan) disseram (deamrei): "vamos e comamos pão (riftá) em tal (peduchtá) lugar (planitá)" — isso é como (ki) se tivessem reclinado (hesabu), é equiparável a isso? A questão não estava (lá havá) resolvida em suas mãos (bidayhu) — ou seja, os próprios discípulos de Rav, na hora, não sabiam decidir se seu caso — terem combinado verbalmente ir comer pão junto ao rio Danak, sem propriamente se reclinarem — equivalia ou não à reclinação exigida pela Mishná para que um deles pudesse abençoar por todos.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 42b
אזלו תלמידיו בתריה – דקברוהו בעיר אחרת: נהר דנק – כך שמו: רישא דוקא – דקתני היו יושבים בלא הזמנת מקום הוא דלא הוי קביעות אבל אנו שהזמנינהו לכך הוי קביעות ואחד מברך לכולן:

"Foram seus discípulos atrás dele" — pois (de) o sepultaram (kevaruhu) numa outra cidade (ir acheret) (distante do local de seu falecimento, exigindo que o cortejo o acompanhasse). "Rio Danak" — assim (kach) era seu nome (shemo). "A primeira cláusula (da Mishná se refere) exatamente (davká)" — pois (de) se ensina (katanei) "estavam sentados" sem convite (hazmanat) de lugar (makom) — é isso (a ausência de convite prévio) que faz com que (delá) não seja (havi) fixação (kevi'ut); mas (aval) nós (anan), que (she) nos convidamos (hizmaninhu) para isso (lechach) (combinamos verbalmente encontrar-nos junto ao rio Danak), isso é fixação, e um abençoa por todos.

Nota

A Guemará ilustra a questão teórica recém-formulada com um episódio real e comovente: após acompanharem o funeral de seu mestre Rav a outra cidade, os discípulos, ao voltar, combinaram verbalmente ir comer junto ao rio Danak — exatamente o tipo de "convite explícito de lugar" que Rav Nachman bar Yitzchak identificara como equivalente à reclinação. E, no entanto, na hora de decidir quem abençoaria, eles próprios ficaram em dúvida se seu caso se qualificava como fixação de refeição — mostrando que mesmo os sábios mais próximos ao falecido mestre enfrentavam, na prática, a mesma incerteza que a Guemará vinha de levantar teoricamente. Rashi conclui explicando a lógica: o convite prévio e explícito de lugar (hazmanat makom) é o que distingue a fixação verdadeira do mero ajuntamento casual.

14Levantou-se Rav Adá bar Ahavá
Bavli · 42b — Guemará
קָם רַב אַדָּא בַּר אַהֲבָה

Levantou-se (kam) Rav Adá bar Ahavá — o relato é interrompido no fim do daf e prossegue diretamente no início de 43a, onde se conta o que Rav Adá bar Ahavá fez ao se levantar, e a resolução do episódio dos discípulos de Rav junto ao rio Danak.

Nota

O daf termina em pleno relato, com a ação de Rav Adá bar Ahavá apenas iniciada. A continuação — o que ele fez, e como se resolveu a dúvida dos discípulos de Rav sobre reclinação e fixação de refeição — encontra-se no início de 43a, para onde o leitor deve prosseguir.