O daf abre resolvendo o episódio deixado em suspenso ao final de 42b: um ancião chega e ensina aos discípulos de Rav, junto ao rio Danak, que seu convite verbal equivale à reclinação, permitindo que um só abençoasse por todos. Segue a disputa entre Rav e Rabi Yochanan sobre se a reclinação exigida para o pão também se exige para o vinho, testada contra uma baraita detalhada sobre a ordem de recepção dos convidados. A Guemará retoma então a Mishná de 42a sobre o vinho do meio da refeição, com a resposta de Ben Zoma sobre a garganta ocupada, e explica por que quem primeiro lavou as mãos é quem por último abençoa o mugmar — ilustrado pelo episódio de Rav e Rabi Chiyá diante de Rabi. O daf fecha com uma sequência de halachot sobre a bênção do aroma — quando se abençoa a fumaça do mugmar, quais aromas recebem "borê atzê vesamim" e quais "borê minê vesamim", e as bênçãos específicas para o bálsamo, o almíscar e diferentes preparações de óleo de kushta.
(continuando o relato de 42b) Voltou (ahadar) Rav Adá bar Ahavá seu rasgo (kir'eih) de luto para trás (laachoreih), e rasgou (ukra) um outro rasgo (keriá acharina) — isto é, virou a própria roupa já rasgada em sinal de luto, trazendo a parte de trás para a frente, a fim de rasgá-la novamente e mostrar, com esse segundo rasgo bem visível, que agora se lamentava por um novo motivo. Disse: já se completou (nach nafsheih) o luto por Rav, e a birkat hamazon ainda não terminamos (lá gamrinan) — isto é, além da dor pela morte do mestre, agora lamentamos também nossa própria ignorância, por não sabermos decidir corretamente a halachá da bênção após a refeição! Até (ad) que veio (deatá) aquele (hahu) ancião (savá) (cuja identidade não é revelada), e comparou (remá) a eles a contradição entre a Mishná (matnitin) e a baraita (aberaita), e resolveu-a (veshani) para eles: já que (keivan) disseram: "vamos e comamos pão em tal lugar" — isso é como (kehesabu) se tivessem reclinado (dameh) — confirmando exatamente a resposta que Rav Nachman bar Yitzchak já havia formulado em 42b, e permitindo assim que um só dos discípulos abençoasse a birkat hamazon por todos.
"Voltou seu rasgo para trás" — o rasgo (kera) que rasgou por ocasião do luto (hesped) de seu mestre (rabo), virou (hechzir) a túnica (hachaluk) para trás (laachoreih) — e o que estava atrás (shelaachor) ficou para a frente (lefanim) — a fim de (kedei) rasgar (likroa) um outro rasgo, para mostrar (lehar'ot) que este luto era diferente daquele de antes, no dia (keyom) da morte (hamitá) de Rav, e este novo rasgo era por eles precisarem (shehayu tzerichim) de instrução (lehoraá) e não saberem (veein yodim) ensinar (lehorot). "Comparou (a contradição) etc." — como (kederaminan) já comparamos acima (em 42b), e por isso (veal kach) é preciso (mib'ei leih) estabelecer (leukmei) a baraita dessa forma (behachi), e ensina-se (vekatanei) que um abençoa por todos, pois (dekevi'ut hu) isso é fixação de refeição em grupo.
O episódio, deixado em suspenso ao final de 42b, chega a sua resolução: um ancião não identificado explica aos discípulos de Rav — desesperados por não saberem decidir se podiam abençoar coletivamente — que seu combinado verbal prévio de "ir comer pão junto ao rio Danak" já equivalia à reclinação formal exigida pela Mishná, permitindo a bênção conjunta. O detalhe do segundo rasgo de luto, invertendo a própria roupa, ilustra vividamente a angústia daquela geração de sábios ao perceber, com a morte de Rav, o tamanho da lacuna deixada na transmissão da Torá oral.
"Reclinaram-se (hesabu), um abençoa" (citando novamente a Mishná). Disse Rav: não se ensinou (lo shanu) essa exigência de reclinação senão (elá) quanto ao pão (pat), que precisa (baei) de reclinação (hasibá); mas (aval) o vinho (yayin) não precisa de reclinação — isto é, para que um só abençoe o vinho por todos, basta que estejam reunidos, mesmo sem reclinar-se formalmente. E Rabi Yochanan disse: também (afilu) o vinho igualmente (namei) precisa de reclinação — isto é, sem reclinação, mesmo para o vinho cada um deve abençoar por si.
Uma nova disputa se abre: Rav distingue entre pão, que exige reclinação formal para permitir a bênção coletiva, e vinho, que não exigiria essa formalidade; Rabi Yochanan, por sua vez, sustenta que a mesma exigência de reclinação se aplica igualmente ao vinho. A Guemará testará ambas as posições contra uma baraita detalhada sobre a ordem de recepção dos convidados.
Há quem diga (ika deamrei) a mesma disputa em termos diferentes: disse Rav: não se ensinou senão quanto ao pão — que a reclinação é eficaz (mahnia leih) para ele — isto é, se alguém se reclina, isso é suficiente para efetuar a bênção coletiva; mas quanto ao vinho — a reclinação não é eficaz para ele — isto é, mesmo reclinando-se, o vinho continua a exigir bênção individual de cada um. E Rabi Yochanan disse: também quanto ao vinho igualmente a reclinação é eficaz.
A Guemará registra uma segunda versão da mesma disputa, com os termos invertidos: na primeira versão, a questão era se a reclinação é necessária para o vinho; nesta segunda, a questão é se a reclinação, quando ocorre, é eficaz para o vinho. Nas duas versões, Rabi Yochanan estende ao vinho o mesmo tratamento do pão, enquanto Rav os distingue — mas o sentido exato dessa distinção muda de uma versão para outra, como a Guemará passará a esclarecer.
Contestaram (meitivi) desta baraita: qual (keitzad) é a ordem (seder) de reclinação (hasibá)? Os convidados (orchin) entram (nichnasin) e sentam-se (veyoshvin) sobre (al gabei) bancos (safsalin) e sobre cadeiras (katedra'ot), até (ad she) que todos (kulam) entrem (yikanesu) — isto é, antes de se reclinarem à mesa propriamente, os convidados aguardam sentados informalmente enquanto os demais chegam. Trouxeram-lhes (hevi'u lahem) água (mayim) — cada um lava (notel) sua (yadó) uma (achat) mão — apenas uma das mãos, a que segurará o copo. Veio-lhes vinho — cada um abençoa por si mesmo — pois este vinho servido nessa fase preliminar de espera não é ainda parte de uma refeição formalmente fixada. Subiram (alu) ao triclínio e reclinaram-se (vehesabu), e veio-lhes água — ainda que (af al pi) cada um já tivesse lavado sua uma mão, volta (chozer) e lava (venotel) as duas (shtei) mãos (agora ambas, pois já vão comer com as mãos). Veio-lhes vinho — ainda que cada um já tivesse abençoado por si (na fase anterior), um agora abençoa por todos — pois, com a reclinação, a refeição foi formalmente fixada em grupo.
"Trouxeram-lhes água" — assim (kach) era o costume (regilim). "Lava sua uma mão" — para segurar (lekabel) nela o copo (kos) que bebe antes da refeição. "Subiram" — sobre (al) os leitos (hamitot) (triclínios) e reclinaram-se. "Volta e lava as duas mãos" — pois (she) precisa comer (leechol) com ambas (bishteihen). "Ainda que cada um tivesse abençoado por si" — ainda precisam (tzerichin) de outra (od) bênção, pois (she) a primeira bênção não os isenta (einá poteret), porque (she) a primeira (harishon) não se chama (lo karui) vinho de "antes da refeição" (shelifnei hamazon), pois (she) não está ainda no lugar (bimkom) da refeição (seudá) — dado que ainda não se reclinaram — e este (vehai) último (batra) é que é o vinho de "antes da refeição" propriamente. "Um abençoa por todos" — pois (dekeivan), já que se reclinaram, ficaram fixados (hukbeu) como grupo.
A baraita descreve em detalhe a coreografia social de um banquete formal: antes da reclinação, os convidados aguardam informalmente sentados, lavam apenas uma mão e bebem vinho individualmente — essa fase preliminar ainda não conta como "antes da refeição" no sentido halachico. Só quando sobem aos leitos e se reclinam, lavando então as duas mãos, é que a refeição se considera formalmente fixada; e o vinho servido nesse momento — o verdadeiro "vinho de antes da refeição" — já é abençoado coletivamente por um só, mesmo que already tivessem abençoado individualmente o vinho da fase anterior.
Segundo (lehaeich) aquela (leshaná) versão em que Rav disse: não se ensinou senão que o pão precisa de reclinação, mas o vinho não precisa de reclinação — é difícil (kashiá) a partir da primeira cláusula (reishá) da baraita — pois esta afirma que, antes da reclinação, cada um abençoa o vinho por si, o que sugere que a reclinação SERIA necessária também para o vinho, contradizendo Rav!
A Guemará começa a testar a primeira versão da disputa de Rav contra a baraita recém-citada. Se, segundo Rav, o vinho não precisasse de reclinação para ser abençoado coletivamente, a primeira cláusula da baraita — que descreve os convidados abençoando o vinho individualmente antes de se reclinarem — seria incompreensível: por que precisariam de reclinação, já que ele afirma que ela não é necessária para o vinho?
É diferente (shaani) o caso dos convidados (orchin), pois (de) sua intenção (daatayhu) é de dispersar-se (lemiakar) — isto é, os convidados que aguardam sentados em bancos, antes de subirem aos leitos, não têm ainda intenção firme de permanecer ali como grupo fixo; sua situação é instável e provisória, ainda que estejam formalmente sentados juntos, e por isso, mesmo sem exigir reclinação em geral para o vinho, esse caso específico de convidados dispersos exige bênção individual até que efetivamente se fixem.
"Os convidados são diferentes, pois sua intenção é dispersar-se" — seu fim (sofan) é de fato dispersar-se (lemiakar) e subir (vela'alot) e reclinar-se (ulehasev) em outro (acher) lugar (bemakom), pois (she) este lugar onde estão sentados não é o lugar (mekom) da reclinação (hamesibá), mas (elá) ali (kan) apenas se sentaram (yashvu) até (ad she) se reunissem (yitkanesu) todos (kol) os convidados (hakeruim); e era (vederech) costume (derech) dos donos de casa (baalei batim) ricos (ashirim) convidar (lezamen) para sua refeição (seudatam) convidados pobres (orchim aniim) — por isso (lehachi) se chamam a eles (karei lehu) "convidados" (orchim). E o que (vehá) disse Rav, que o vinho não precisa de reclinação, refere-se apenas a uma sentada (yeshivá) comum (bealma), que não é (shelo) no momento (bishaat) da refeição (seudá) — isto é, Rav estava falando de ou no momento da refeição, mas no lugar (uvimkom) já fixado da refeição.
A Guemará resolve a dificuldade explicando que os convidados sentados em bancos, na fase preliminar de espera, ainda têm em mente dispersar-se e subir para outro lugar — o verdadeiro local da reclinação. Por isso, mesmo sem exigir reclinação formal em todos os casos, o vinho servido a esses convidados exige bênção individual, pois eles ainda não estão fixados como grupo estável naquele local; a afirmação de Rav referia-se a uma sentada já estável, no próprio lugar da refeição.
E segundo (uleaeich) aquela outra versão, em que Rav disse: não se ensinou senão que quanto ao pão a reclinação é eficaz (mahnia leih hasibá), mas quanto ao vinho a reclinação não é eficaz — é difícil (kashiá) a partir da última cláusula (seifá) da baraita — pois esta afirma que, depois da reclinação, um só abençoa o vinho por todos, o que prova que a reclinação É eficaz também para o vinho, contradizendo Rav nesta versão!
Simetricamente à dificuldade anterior, a Guemará agora testa a segunda versão da posição de Rav — de que a reclinação não é eficaz para o vinho — contra a última cláusula da mesma baraita, que descreve claramente um só abençoando o vinho coletivamente após a reclinação, o que pareceria refutar diretamente essa versão.
Ali (hatam) é diferente (shaani), pois (de), uma vez que (migo de) a reclinação é eficaz para o pão, por decorrência ela é eficaz também para o vinho — isto é, embora, segundo esta versão, a reclinação por si só não bastasse para tornar o vinho apto à bênção coletiva, uma vez que o mesmo ato de reclinação já produziu esse efeito quanto ao pão — fixando formalmente a refeição em grupo —, esse efeito se estende, por associação, também ao vinho servido na mesma ocasião.
A Guemará resolve a segunda dificuldade explicando que, nesta versão, a reclinação não teria força própria e independente para tornar o vinho apto à bênção coletiva — mas, como a mesma reclinação já opera esse efeito sobre o pão (fixando a refeição), o vinho servido na mesma refeição já fixada acaba beneficiando-se, por arrasto, dessa fixação, permitindo também a ele a bênção coletiva.
(a Guemará retoma a Mishná de 42a-42b) "Veio a eles vinho no meio da refeição" etc. Perguntaram (shaalu) a Ben Zoma: por qual (mipnei má) motivo disseram os sábios: veio a eles vinho no meio da refeição — cada um abençoa por si mesmo; mas depois da refeição — um abençoa por todos? Disse-lhes: porque (hoil) a garganta (bet habeliá) não está livre (ein panui) — isto é, no meio da refeição, cada comensal está ocupado mastigando e engolindo sua própria comida, e não consegue prestar atenção suficiente à bênção de outro para responder "amém" com a devida concentração; por isso cada um deve abençoar individualmente, no seu próprio ritmo — mas depois da refeição, quando todos já terminaram de comer e suas gargantas estão livres, um só pode abençoar por todos, que respondem atentamente.
"Porque a garganta não está livre" — pois (veein) o coração (lev) dos reclinados (hamesubin) não está voltado para (el) quem abençoa (hamevarech), mas (elá) apenas ocupado em engolir (livloa) — isto é, durante a refeição, cada comensal está concentrado em mastigar e engolir sua própria comida, incapaz de dirigir sua atenção à bênção alheia, o que impede que ela o isente.
Este ensinamento de Ben Zoma finalmente explica a razão prática por trás da distinção da Mishná entre o vinho do meio da refeição (bênção individual) e o vinho de depois (bênção coletiva): enquanto se come, a atenção de cada comensal está absorvida pela própria mastigação e deglutição, tornando impossível o devido acompanhamento da bênção alheia — daí a necessidade de cada um abençoar por si. Só ao final da refeição, com a garganta livre e a atenção disponível, é que a bênção de um pode efetivamente representar e isentar a todos.
"E ele diz sobre o mugmar" etc. (citando novamente a Mishná). Do fato de se ensinar (mideka tanei): "e ele diz sobre o mugmar" (usando o pronome enfático "ele", como se destacando esse indivíduo específico entre os demais), conclui-se (michlal) que há (deika) alguém mais indicado (adif) do que ele (mineih) — isto é, a própria formulação da Mishná sugere que, entre os presentes, existiria alguém de maior dignidade ou prestígio a quem, em princípio, caberia recitar essa bênção — e por que então (veamai) é ele, o que já abençoou o vinho, e não essa outra pessoa mais indicada, quem diz a bênção do mugmar?
"Conclui-se que há alguém mais indicado que ele" — e ainda assim (veafhachi), já que (keivan) começou (sheitchil) com uma bênção (bechadá), ele mesmo faz (avid) a outra (leaidach) também — completando ele próprio a sequência, mesmo havendo outro mais digno presente.
A Guemará observa uma nuance na própria linguagem da Mishná: ao usar o pronome enfático "ele" para designar quem recita a bênção do mugmar, o texto sugere implicitamente que poderia haver alguém de status mais elevado presente à mesa — e ainda assim, é a mesma pessoa que já abençoou o vinho de depois quem recita também essa bênção final, e não o convidado de maior honra. A pergunta busca a razão dessa aparente quebra de protocolo.
Porque (hoil) foi ele (hu) quem lavou (natal) suas mãos (yadav) primeiro (techilá), por último (baacharoná) — isto é, entre as águas finais lavadas ao término da refeição (antes da birkat hamazon), foi ele o primeiro a lavar as mãos; e por essa precedência na lavagem final, adquire também a precedência para recitar as bênçãos finais, incluindo a do mugmar, mesmo havendo outro comensal de maior dignidade presente.
A resposta estabelece um novo princípio: quem lava as mãos primeiro entre as "águas finais" (lavadas ao término da refeição, antes da bênção) torna-se, por essa precedência, o designado para recitar as bênçãos finais da refeição — incluindo tanto a bênção sobre o vinho de depois quanto a do mugmar — independentemente de haver outros comensais de maior honra à mesa. A unidade seguinte trará o apoio textual explícito a esse princípio.
Isso apoia (mesayeia) Rav, pois disse Rav Chiyá bar Ashi em nome de Rav: quem lava (hanotel) suas mãos primeiro, por último (entre as águas finais), ele está pronto (mezuman) para a bênção (labrachá) — confirmando exatamente o princípio recém-formulado. Rav e Rabi Chiyá estavam (havo) sentados (yatvi) diante (kameih) de Rabi (Yehudá HaNassi) numa refeição (seudatá). Disse-lhe Rabi a Rav: levanta-te (kum), lava (meshi) tua mão (yadach). Viu-o (chazyeih) Rabi Chiyá que Rav estava tremendo (daháva merattet) — temendo que Rabi tivesse notado algo impróprio em suas mãos, ou que tivesse se demorado demais comendo. Disse-lhe Rabi Chiyá: filho (bar) de nobres (pachatei) (um apelativo afetuoso e respeitoso), sobre (be) a birkat hamazon ele (kaamar lach) está te falando — isto é, não há motivo para temor: Rabi está apenas te concedendo, por meio dessa ordem, a honra de lavar as mãos primeiro entre as águas finais, para que sejas tu quem recite a bênção após a refeição.
"Quem lava suas mãos primeiro" — nas águas finais (mayim acharonim), ele está pronto para a birkat hamazon. "Viu-o" — Rabi Chiyá viu a Rav. "Que estava tremendo" — Rav temia que talvez (shemá) Rabi tivesse visto (raah) suas mãos (yadai) sujas (melulchachot), ou (o shemá) que ele, Rav, tivesse se demorado (hearachti) demais (yoter midai) na comida (baachilá). "Está falando contigo sobre a birkat hamazon" — aqui (kan) te deu (natan lecha) permissão (reshut) de abençoar a birkat hamazon, pois (she) quem lava as mãos primeiro é quem abençoa por último.
Este episódio ilustra vividamente o princípio recém-estabelecido, ao mesmo tempo revelando um traço humano de Rav: ao ser chamado por Rabi para lavar as mãos primeiro, Rav interpretou o gesto como uma possível repreensão — talvez por sujeira nas mãos ou demora excessiva à mesa — e tremeu de apreensão. Rabi Chiyá o tranquiliza, esclarecendo que se tratava, ao contrário, de uma honra: Rabi estava lhe concedendo o privilégio de recitar a bênção após a refeição, precisamente por ser ele o primeiro a lavar as mãos entre as águas finais.
Disse Rabi Zeira em nome de Rava bar Yirmiá: a partir de quando (meeimatai) se abençoa sobre o aroma (hareiach) do mugmar? Desde que (mishe) suba (taaleh) sua fumaça (timrató) — isto é, assim que a coluna de fumaça começa a subir das brasas, já se pode recitar a bênção, mesmo antes de o cheiro efetivamente alcançar quem abençoa. Disse-lhe Rabi Zeira a Rava bar Yirmiá: mas (vehá) ele ainda não sentiu o cheiro (lá arach) — como pode abençoar sobre algo que ainda não experimentou? Disse-lhe: e segundo (ultaamach) teu raciocínio (literalmente "teu sabor"), na bênção "que faz sair (hamotzí) pão (lechem) da terra (min haaretz)", que se abençoa antes de comer — mas ele ainda não comeu (lá achal)! E, no entanto, a bênção é válida. Mas (elá) a razão é que, nesse caso, sua intenção (daateih) é de comer (lemeichal) em seguida; aqui (hachá) também (namei), sua intenção é de sentir o cheiro (leorochei) em seguida — e por isso a bênção sobre o aroma, recitada assim que a fumaça começa a subir, é válida mesmo antes de efetivamente cheirá-lo, pois há intenção clara e iminente de fazê-lo.
"Sobre o aroma" — do mugmar. "Sua fumaça (timrató)" — a coluna (kitor) de fumaça (heashan) que se eleva em espiral (shemitamer) e sobe (veoleh). "Mas ele ainda não sentiu o cheiro" — ainda não (adayin) o cheirou (herich bo) e não desfrutou (veló nehená) dele.
Este ensinamento estabelece o momento exato em que se pode recitar a bênção sobre o aroma do mugmar: assim que sua fumaça começa a subir, mesmo antes de o cheiro efetivamente atingir quem abençoa. A objeção de Rabi Zeira — como abençoar sobre algo ainda não sentido? — é respondida por analogia com a bênção "hamotzí", recitada antes mesmo do primeiro bocado de pão: em ambos os casos, a bênção é válida porque a pessoa já tem a intenção clara e iminente de desfrutar do que abençoa, ainda que o desfrute efetivo venha alguns instantes depois.
Disse Rabi Chiyá filho de Abá bar Nachmani em nome de Rav Chisda em nome de Rav — e há quem diga (veamrei lah) que a transmissão foi: disse Rav Chisda em nome de Zeiri: sobre todos (kol) os mugmarot (tipos de incenso queimado) se abençoa "Borê atzê vesamim" (que cria árvores aromáticas), exceto (chutz) sobre o almíscar (mushk), que é (shemin) de uma espécie (min) de animal (chayá) — isto é, o almíscar não provém de uma árvore ou planta, mas é uma secreção de origem animal, sobre o qual se abençoa "Borê minê vesamim" (que cria espécies de aromas — uma fórmula mais genérica, apropriada para aromas de origem não vegetal).
"Abençoam-se sobre eles 'Borê atzê vesamim'" — ainda que (veaf al pi) o incenso já tenha sido queimado (shenisraf) e não esteja mais (veeino) presente (beein) como substância física visível, mas (elá) apenas reste a coluna de fumaça (hatimur) que sobe (oleh). "Exceto sobre o almíscar" — musga, em língua estrangeira (bilaaz). "Que é de origem animal" — proveniente (min) da secreção (harei) de um animal (chayá).
Este ensinamento estabelece a regra geral para as bênçãos sobre incensos aromáticos: a maioria, sendo de origem vegetal (madeiras e resinas aromáticas), recebe a bênção específica "que cria árvores aromáticas" — válida mesmo depois de já queimadas, quando resta apenas a fumaça ascendente. O almíscar, porém, sendo de origem animal e não vegetal, exige a fórmula mais genérica "que cria espécies de aromas", reservada a fontes de aroma que não provêm de árvores ou plantas.
Contestaram (meitivi): não (ein) se abençoa "Borê atzê vesamim" senão (elá) sobre o bálsamo (afarsemon) da casa de Rabi (Yehudá HaNassi, que possuía plantações raras), e sobre o bálsamo (afarsemon) da casa do César (Keisar), e sobre a murta (hadas), em qualquer (bechol) lugar (makom) — uma lista muito mais restrita do que "todos os mugmarot", contradizendo diretamente o ensinamento anterior!
"Contestaram: não se abençoa 'que cria árvores aromáticas' senão sobre o bálsamo" — pois (she) a própria árvore (haetz) vem (ba) diante de nós (lefaneinu) — isto é, exala aroma sem precisar ser queimada. "Da casa de Rabi e da casa do César" — mencionou (nakat) estes (hanei) porque (mishum) não se encontra (sheeino matzui) senão (elá) na casa (bevet) de reis (melachim) e de grandes senhores (baalei gedulá). "E sobre a murta, em qualquer lugar" — e o mesmo (vehu hadin) vale para tudo (lechol) o que se assemelha (hadomeh) a eles, isto é, tudo cuja própria árvore exala aroma sem (belo) ser queimada (sereifá); mas (elá) a murta é comum (shechicha), e os sábios (chachamim) falaram (diberu) no caso (bahoveh) mais frequente, por isso a citaram como exemplo válido em qualquer lugar; mas quanto ao incenso queimado (mugmar), não (lo) se abençoa senão (mevarchinan elá) "Borê minê vesamim".
A baraita citada em contestação distingue claramente entre aromas vegetais que exalam cheiro naturalmente, sem necessidade de queima — como o raro bálsamo, encontrado apenas nas propriedades de reis e nobres, e a murta comum, disponível em toda parte — que recebem a bênção "que cria árvores aromáticas"; e o incenso queimado (mugmar) propriamente dito, que, por depender do fogo para liberar seu aroma, receberia apenas a fórmula mais genérica "que cria espécies de aromas". Isso contradiz diretamente o ensinamento anterior de Rav, que aplicava "árvores aromáticas" a todos os mugmarot.
É uma refutação (teiuvta) — a Guemará conclui que o ensinamento de Rav Chisda em nome de Rav (ou Zeiri), de que se abençoa "árvores aromáticas" sobre todos os mugmarot, é de fato refutado por esta baraita explícita, que restringe essa bênção aos aromas vegetais que exalam cheiro sem queima.
A palavra técnica "teiuvta" marca uma refutação conclusiva e definitiva — mais forte que uma simples dificuldade (kashiá) — indicando que a posição original é rejeitada pela halachá. Assim, prevalece a distinção da baraita: apenas aromas vegetais que exalam cheiro naturalmente recebem "borê atzê vesamim"; o incenso queimado recebe "borê minê vesamim".
Disse-lhe Rav Chisda a Rav Yitzchak: este (hai) óleo (mishchá) de bálsamo (deafarsemon), o que (mai) se abençoa (mevarchin) sobre ele (ilaveih)? Disse-lhe: assim disse Rav Yehudá: "Borê shemen artzenu" (que cria o óleo de nossa terra). Disse-lhe Rav Chisda: à parte (bar mineih) de Rav Yehudá, para quem (de) é querida (chaviva leih) a Terra (eretz) de Israel (e por isso formulou a bênção com essa referência afetiva à terra), para todo (lechulei) o mundo (alma) — isto é, para quem não vive na Terra de Israel ou não tem essa mesma afeição especial — o que (mai) se diz?
"Óleo de bálsamo, o que se abençoa" — sobre seu (al) aroma (reicho). "Óleo (shemen) de nossa terra (artzenu)" — pois (she) o bálsamo crescia (gadel) em Jericó (bi'richo), e por causa (al shem) do aroma (hareiach) é que (hayeta) a cidade se chamava (nikret) Jericó (Yericho), e ele é o "panag" mencionado no livro de Yechezkel (27): "Yehudá e a Terra de Israel são teus mercadores (rochlaich) em trigo (chitê) de Minit e panag" — assim (kach) vi (raiti) no livro (sefer) de Yossef ben Guryon. "À parte de Rav Yehudá" — não me tragas (al tavi li) prova (reayá) de suas palavras (midevarav) nesta (bezo) questão, pois sua formulação é particular a seu apego à Terra de Israel.
A Guemará passa a tratar de uma nova categoria: o óleo extraído do bálsamo, distinto do incenso queimado. Rav Yehudá formulara uma bênção específica — "que cria o óleo de nossa terra" — em homenagem à origem do bálsamo em Jericó, na Terra de Israel, cidade cujo próprio nome, segundo Rashi, derivaria do aroma dessa planta (identificada com o "panag" mencionado em Yechezkel). Mas Rav Chisda objeta que essa formulação, carregada de afeto pessoal de Rav Yehudá pela Terra de Israel, não pode servir de norma geral para todos.
Disse-lhe Rav Yitzchak: assim disse Rabi Yochanan: "Borê shemen arev" (que cria óleo agradável — uma fórmula genérica, sem referência específica à Terra de Israel, apropriada para todos).
Rav Yitzchak fornece a formulação alternativa e universal, transmitida em nome de Rabi Yochanan: "que cria óleo agradável" — uma bênção que celebra a qualidade aromática do óleo em si, sem o vínculo afetivo específico com a Terra de Israel que caracterizava a formulação pessoal de Rav Yehudá, tornando-a adequada para ser recitada por qualquer pessoa, em qualquer lugar.
Disse Rav Adá bar Ahavá: este (hai) kushta (uma planta aromática, também chamada "kosht") — abençoa-se (mevarchin) sobre ele (ilaveih) "Borê atzê vesamim", mas (aval) sobre o óleo (mishchá) prensado (kevishá) (óleo no qual o kushta foi mergulhado e prensado, sem que a própria substância esteja visível) — não (lá) se abençoa essa fórmula, mas a mais genérica. E Rav Kahaná disse: mesmo (afilu) sobre o óleo prensado se abençoa "árvores aromáticas", mas (aval) sobre o óleo moído (techiná) (no qual o kushta foi triturado e misturado ao óleo) — não. Os de Neharde'a disseram: mesmo (afilu) sobre o óleo moído se abençoa "árvores aromáticas" — os de Neharde'a estendem ainda mais a aplicação dessa bênção.
"Kashrata" — kusht. "Óleo prensado" — óleo (shemen) no qual (shebo) está imerso (tamun) o kusht, e o óleo exala aroma (meriach) a partir do (min) perfume (habossem) que está dentro (shebetocho) dele. "Óleo moído" — óleo no qual (shetachanu) se moeu (bo) o kusht. "Não" — pois (hoil) não se vê (ein nireh) a nossos olhos (leeineinu) senão (elá) o óleo (hashemen) — isto é, quando o kusht é totalmente triturado e dissolvido no óleo, sua identidade vegetal deixa de ser perceptível, restando apenas o óleo em si, o que impede a bênção "árvores aromáticas", reservada a quando a substância original ainda é discernível.
O daf fecha com uma disputa em cadeia sobre até que ponto de processamento uma planta aromática (o kushta) ainda mantém sua identidade vegetal reconhecível a ponto de merecer a bênção "que cria árvores aromáticas", em vez da fórmula genérica: Rav Adá bar Ahavá permite apenas para o kushta em sua forma bruta; Rav Kahaná estende a permissão também ao óleo em que o kushta foi meramente prensado (mas não dissolvido); e os sábios de Neharde'a vão mais longe ainda, estendendo-a mesmo ao óleo em que o kushta foi moído e completamente incorporado. O critério subjacente, segundo Rashi, é se a substância aromática original permanece perceptível aos olhos, ou se resta apenas o óleo.
Ver no Yerushalmi: a exigência de reclinação para que um só abençoe por todos, e a bênção do mugmar recitada por quem já abençoou o vinho, são tratadas em Yerushalmi Berachot 6:6.
Ver Yerushalmi Berachot 6:6 →