O daf abre concluindo a lista de exceções das bênçãos que abrem ou selam com "Bendito", e traz duas provas finais — a segunda delas de Rav Nachman bar Yitzchak — de que "Hatov vehametiv" não é da Torá: a de que a supõem os trabalhadores no Birkat Hamazon abreviado, e a de que ela mesma se suprime na casa do enlutado segundo Rabi Akiva, o que gera uma objeção resolvida ampliando a supressão a toda a bênção. Segue-se o episódio de Mar Zutra na casa de Rav Ashi, que, ao saber de uma desgraça, insere no Birkat Hamazon uma fórmula estendida de "Hatov vehametiv" com epítetos divinos e um pedido de reparo da brecha em Israel — o que leva à pergunta sobre a onde retomar quando a bênção foi interrompida, resolvida pela halachá de que se retoma no ponto exato da interrupção. O daf se fecha com a longa sugya sobre os costumes persas de recepção à mesa, trazida pelo Reish Galutá a Rav Sheshet — a ordem de reclinação conforme o número de convidados, o uso de sinais em vez de conversa, e a ordem da lavagem das mãos antes e depois da refeição, com a autocorreção final de Rav Sheshet, que resgata uma baraita tanaítica paralela, e a abertura da nova baraita sobre não conceder precedência de honra em caminhos, pontes ou mãos sujas — que se completa apenas no daf seguinte.
E há (veyesh) delas (mehen) que (she) sela (chotem) nelas (bahen) com "Bendito" e não (veein) abre (poteach) com "Bendito" — isto é, há um terceiro tipo, contígua a uma bênção anterior, que não recebe abertura própria, mas ainda sela normalmente. E "Hatov vehametiv" abre (poteach) com "Bendito" e não (veein) sela (chotem) com "Bendito" — um padrão que não corresponde a nenhuma das categorias já listadas de bênçãos bíblicas. Daí se conclui (mikelal) que é uma bênção (beracha) por si mesma (bifnei atzmah) — isto é, não é parte orgânica do Birkat Hamazon bíblico, mas uma instituição posterior e independente, acrescentada à parte, o que confirma sua origem rabínica.
"E há delas que sela e não abre" — como (kegon) uma bênção (beracha) contígua (hasmucha) à sua companheira (lachaverta), pois (shehari) já (kevar) abriu (patach) na primeira (rishona) bênção; e a última (acharona) bênção da Kriat Shemá: "Emet veYatziv" ("verdadeiro e firme"), é (hu) Emet veEmuná (sua versão noturna) — que, embora (she'af al pi) a Kriat Shemá interrompa (mafsik) no meio (beintayim), quanto às bênçãos (aberachot) que a precedem (delefaneha) ela é contígua (smucha), e é considerada (vehavya lah) contígua à sua companheira. "'Hatov vehametiv' etc." — pois (dela'av) não é contígua (smucha) à sua companheira, já que (she) não é (eina) parte da Birkat Hamazon bíblica original, mas (ela) foi instituída (tikenuha) apenas (al) por causa do enterro (kevurat) dos mortos (harugei) de Beitar — os mártires da revolta de Bar Kochba, cujos corpos, segundo a tradição, permaneceram insepultos por anos e cujo enterro final motivou a instituição desta bênção de gratidão.
Rashi identifica a origem histórica concreta de "Hatov vehametiv": não uma bênção bíblica original do Birkat Hamazon, mas uma instituição rabínica tardia, motivada pelo enterro dos mártires de Beitar — o que explica por que ela quebra o padrão normal de abertura e selamento das demais bênçãos.
E disse Rav Nachman bar Yitzchak: saiba-se (tida) que (de) "Hatov vehametiv" não (lav) é da (deoraita) Torá — pois (shehari) a suprimem (okrin otah) na casa (bebeit) do enlutado (haevel) — isto é, mesmo quando de fato se recita o Birkat Hamazon na casa de luto, essa quarta bênção é totalmente substituída por outra fórmula, o que não seria admissível se fosse obrigatória por lei bíblica, conforme (kidtanya) se ensinou numa baraita: o que (mah) dizem (omrim) na casa do enlutado? — "Bendito (baruch) é o Bom (hatov) e o Que faz o bem (vehametiv)" — isto é, recita-se a mesma fórmula abreviada, sem a estrutura completa da quarta bênção. Rabi Akiva diz: "Bendito (baruch) o Juiz (dayan) da verdade (haemet)" — a fórmula tradicional recitada diante da morte, que Rabi Akiva substitui completamente no lugar de "Hatov vehametiv".
"Pois a suprimem na casa do enlutado" — conforme a opinião (aliba) de Rabi Akiva — isto é, a prova de Rav Nachman bar Yitzchak se apoia especificamente na posição de Rabi Akiva, que substitui inteiramente a fórmula, e não na primeira opinião da baraita, que apenas altera o texto mantendo a estrutura.
Uma segunda prova, de Rav Nachman bar Yitzchac, reforça a origem rabínica de "Hatov vehametiv": segundo Rabi Akiva, na casa do enlutado ela é totalmente substituída por "Bendito o Juiz da verdade" — uma supressão que, como nota Rashi, só faz sentido lida à luz da posição de Rabi Akiva.
"Hatov vehametiv" — sim (in) é suprimida, "Dayan emet" — não (la) é dita em seu lugar?! — isto é, objeta-se: por que dizer que apenas se "suprime" a quarta bênção, como se a primeira opinião da baraita apenas a omitisse sem substituto, quando na realidade ambas as opiniões da baraita — tanto a anônima quanto a de Rabi Akiva — recitam alguma fórmula alternativa em seu lugar? Mas (ela) diga (eima): também (af) "Hatov vehametiv" é dita — isto é, corrija-se a formulação: a prova não é que a bênção desaparece sem substituto algum, mas que mesmo a opinião que a mantém ("Baruch Hatov vehametiv") já a apresenta como uma fórmula fixa e curta, sem a estrutura longa e obrigatória de uma bênção bíblica completa, o que já basta para provar sua origem rabínica.
Uma objeção refina a prova anterior: como as duas opiniões da baraita recitam, cada uma, alguma fórmula na casa do enlutado, a linguagem de "suprimir" precisa ser ajustada — a prova reside em que mesmo a fórmula de "Hatov vehametiv" ali usada é abreviada, e não a bênção completa, confirmando seu caráter secundário e flexível.
Mar Zutra chegou (ikela) à casa (bei) de Rav Ashi, sucedeu-lhe (itra beih milta) uma desgraça — isto é, chegou notícia de alguma morte ou tragédia enquanto ali estava, abriu (petach) e abençoou (uvarech): "Hatov vehametiv, D-us (el) de verdade (emet), Juiz (dayan) de verdade (emet), que julga (shofet) com justiça (betzedek), que toma (loke'ach) em juízo (bamishpat), e Soberano (veshalit) em Seu mundo (beolamo) para fazer (laasot) nele conforme Sua vontade (kirtzono), pois (ki) todos (chol) os Seus caminhos (derachav) são justiça (mishpat), que (she) tudo (hakol) é Seu (shelo) e nós (vaanachnu) somos Seu povo (amo) e Seus servos (vaavadav), e em tudo (uvakol) somos obrigados (chayavim) a agradecer-Lhe (lehodot lo) e a abençoá-Lo (ulevarcho), aquele que cerca (goder) as brechas (pirtzot) em Israel, Ele (hu) cercará (yigdor) esta (hazot) brecha (hapirtzá) em Israel para a vida (lechayim)".
Traz-se um exemplo concreto e histórico: Mar Zutra, ao saber de uma tragédia na casa de Rav Ashi, insere no lugar de "Hatov vehametiv" uma fórmula estendida de aceitação do juízo divino e súplica de reparo — confirmando, na prática, a flexibilidade dessa bênção diante de más notícias.
A onde (leheichan) ele retorna (chozer) — isto é, alguém que estava incluído no zimún, e cuja bênção do zimún se estende, segundo Rav Sheshet, até "Hazan", precisou interromper sua própria refeição enquanto aguardava o final dessa bênção pelo oficiante; tendo se separado do grupo e concluído sua refeição sozinho, a onde ele deve retornar para completar sua própria Bênção do Alimento? Rav Zevid, em nome de Abaie, disse: retorna (chozer) ao início (larosh) — isto é, ao começo de "Hazan", já que ele se tornara obrigado pelo zimún desde o início, quando este foi fixado com três. E os sábios (rabanan) dizem: ao lugar (lamakom) em que (she) parou (pasak) — isto é, retoma exatamente de onde interrompeu, como faria qualquer indivíduo comum na bênção da Terra. E a halachá (vehilcheta) é: ao lugar (lamakom) em que (she) parou (pasak).
"A onde ele retorna" — aquele que (mi) se somou (shenitztaref) ao zimún, e dissemos (veamran) acima (leil), conforme a opinião (aliba) de Rav Sheshet, que a bênção (birkat) do zimún (zimun) vai até "Hazan", e este precisou (vehutzrach) interromper (mafsik) sua alimentação (achilato) até que (ad she) concluísse (yigmor) o abençoador (hamevarech) a bênção (birkat) de "Hazan", e retornou (vechazar) este que interrompera (shehifsik) por duas (leshnayim) bênçãos independentes e concluiu (vegamar) sua refeição (seudato) — a onde (leheichan) ele retorna (chozer) para abençoar (levarech) depois (leachar) que (she) concluir (yigmor) sua refeição (seudato)? "Retorna ao início" — ao começo (techilat) de "Hazan", pois (shehari) ficou obrigado (nitchayev) pelo zimún (bezimun), que (she) no início (batechila) foi fixado (hukba) com três (bishlosha) — e portanto sua obrigação retorna ao ponto em que ele se separou de uma bênção coletiva ainda em formação. "Ao lugar em que parou" — na bênção (levirkat) da Terra (haaretz), como (keshaar) qualquer indivíduo (yachid) comum.
Surge uma nova questão prática decorrente da posição de Rav Sheshet: aquele que ficou vinculado ao zimún até "Hazan" mas precisou se separar do grupo antes de concluí-lo — a onde ele deve retornar ao completar sozinho sua própria bênção? A halachá segue os sábios: retoma-se exatamente onde se interrompeu, e não do início.
Disse-lhe Reish Galutá (o Exilarca) a Rav Sheshet: embora (af al gav) sejais (deatun) sábios (rabanan) idosos (kashishei), os persas (parsaei) são mais versados (bekiei) do que vós (minaichu) nas necessidades (betzorchei) da refeição (seudá). Quando (bizman) são duas (shtei) camas (mitot) — isto é, dois convidados reclinados, cada um em seu próprio leito, o maior (gadol) — reclina-se (mesev) na cabeceira (barosh), e o segundo (sheni) dele — acima (lemaala) dele (heimenu) — isto é, sua cama fica do lado da cabeça do maior. E quando (uvizman) são três (shalosh), o maior (gadol) — reclina-se (mesev) no meio (baemtza), o segundo (sheni) dele — acima (lemaala) dele, o terceiro (shlishi) dele — abaixo (lemata) dele — isto é, ao lado dos seus pés.
Assim (hachi) se lê (garsinan): "embora (af al gav) sejais (atun) sábios (rabanan), os persas (parsaei) são versados (bekiei) nas necessidades da refeição mais do que vós (minaichu)". "Quando são duas camas" — costumavam (reguilin havu) comer (leechol) reclinados (behasiba) sobre o lado (al tzido) esquerdo (hasmali), inclinados (mutá), com as pernas (veraglav) ao chão (laaretz), cada um (ish ish) em uma (al) cama (mitá). "Quando são dois, o maior reclina-se na cabeceira" — isto é (kelomar), reclina-se (mesev) primeiro (techila) em sua cama (al mitato). "E o segundo dele, acima dele" — a cama (mitat) do segundo (hasheni) fica do lado (letzad) da cabeceira (merashotav) do maior (shel gadol). "E quando são três, o maior reclina-se no meio, o segundo dele acima dele, o terceiro dele abaixo dele" — do lado (letzad) dos seus pés (margelotav).
Abre-se uma longa digressão etnográfica: o Reish Galutá — a autoridade política judaica na Babilônia, familiarizado com os costumes persas da corte — instrui Rav Sheshet, um sábio cego, sobre a etiqueta precisa de reclinação à mesa segundo o número de convidados, tema paralelo às leis já vistas em 43a.
Disse-lhe Rav Sheshet: e quando (vechi) ele quer (baei) conversar (ishtaoyei) com ele (bahadeih) — isto é, se o maior precisar conversar com o segundo, cuja cama fica atrás de sua cabeça, ele se endireita (metaretz tarotzei) e se senta (veyativ), e conversa (umishtaei) com ele (bahadeih)?! — isto é, seria preciso, a todo momento, sentar-se ereto para poder olhar para trás, o que pareceria pouco prático Disse-lhe o Reish Galutá: diferentes (shaani) são os persas (parsaei), que (de) lhe sinalizam (machvei leih) com o dedo (bemachog) — isto é, comunicam-se por gestos, sem necessidade de se voltar ou sentar-se ereto.
"Disse-lhe" — Rav Sheshet ao Reish Galutá: "e quando ele quer conversar, se endireita" — e se (veim) o maior (gadol) quisesse (ratzá) falar (ledaber) com o segundo (im sheni) dele, precisaria (tzarich) ele levantar-se (lizkof atzmo) de sua reclinação (mimesibato) para sentar-se (leshev) ereto (zakuf), pois (dechol zman) enquanto está (shehu) inclinado (mutá) não pode (eino yachol) falar (ledaber) com ele, já que (lefi) o segundo (hasheni) dele fica atrás (achorei) da cabeça (rosho) do maior, e o rosto (penei) do maior está voltado (mesubin) para outro lado (letzad acher); e melhor (tov) seria (lo) que se sentasse (sheyeshev) o segundo (sheni) dele abaixo (lemata) dele, e ouvisse (veyishma) suas palavras (devarav) enquanto ele está (keshehu) inclinado (mutá). "Com o dedo" (bemachog) — mostram (mareim) com as mãos (bideihem) e com os dedos (uvetzbeoteihem), por gesto (birmiza).
Rav Sheshet questiona o arranjo persa: se o segundo convidado fica atrás da cabeça do maior, como conversariam sem se voltar? O Reish Galutá responde que o costume persa resolve isso com sinais manuais, dispensando o incômodo de sentar-se ereto.
As primeiras (rishonim) águas (mayim) — isto é, a lavagem ritual das mãos antes da refeição, de onde (meheichan) começam (matchilin)? — pergunta o Reish Galutá a Rav Sheshet, sobre o costume persa Disse-lhe: do maior (min hagadol).
"As primeiras águas, de onde começam" — Rav Sheshet disse-lhe (kaamar leih) ao Reish Galutá: de onde (meheichan) começam (matchilin) os persas (parsi'im) as primeiras (rishonim) águas (mayim) — revertendo aqui o sentido do diálogo: é agora Rav Sheshet quem interroga o Reish Galutá sobre o costume persa.
A conversa muda de direção: agora é Rav Sheshet quem pergunta ao Reish Galutá sobre a ordem da lavagem ritual das mãos entre os persas antes da refeição, recebendo a resposta de que se começa pelo maior.
Senta-se (yeshev) o maior (gadol) e guarda (veyishmor) suas mãos (yadav) — isto é, permanece à espera, sem tocar em nada até que (ad she) todos (kulan) se lavem (notlin)? Disse-lhe: de imediato (lealtar) lhe trazem (maitu) a mesa (taka) diante dele (kameih) — isto é, não espera pelos demais: assim que se lava, já recebe sua própria mesinha individual e pode começar a comer imediatamente.
"De imediato lhe trazem a mesa diante dele" — a mesa (shulchan) dele trazem (mevi'in) imediatamente (miyad) diante dele (lefanav), e come (veochel); e diante de (velifnei) cada um (kol echad veechad) costumavam (hayu) trazer (mevi'in) uma mesa (shulchan) pequena (katan) — isto é, cada comensal tinha sua própria mesinha individual, ao contrário do costume de uma única mesa compartilhada.
Explica-se que, no costume persa, cada convidado tem sua própria mesa individual, de modo que o maior não precisa aguardar os demais: assim que lava as mãos, sua mesa já lhe é servida, permitindo que comece a comer de imediato.
As últimas (acharonim) águas (mayim) — isto é, a lavagem ritual das mãos após a refeição, antes do Birkat Hamazon, de onde (meheichan) começam (matchilin)? Disse-lhe: do menor (min hakatan).
Ao contrário das primeiras águas, que começam pelo maior, as últimas águas — a lavagem final antes da bênção do alimento — começam, segundo o costume persa relatado, pelo menor dos comensais.
E o maior (gadol) fica sentado (yativ) com as mãos (veyadav) sujas (mezohamot) até que (ad she) todos (kulan) se lavem (notlin)? — pergunta Rav Sheshet: se a lavagem final começa pelo menor, o maior teria de esperar, com as mãos ainda sujas de comida, até que a vez dele finalmente chegasse? Disse-lhe: não (la) retiram (mesalki) a mesa (taka) de diante dele (mikameih) até que (ad de) a água (maya) chegue (nimtei) até ele (legabeih) — isto é, sua mesa individual permanece diante dele, e ele continua a comer normalmente, até que a água, percorrendo os demais, finalmente chegue a ele.
"Não retiram a mesa" — de diante (mikamei) do maior (gadol) até que (ad de) todos (kulhu) terminem de lavar-se (mashu); e enquanto (uveod) ele (shehu) come (ochel), os outros (haacherim) vão lavando (notlin) as últimas (acharonim) águas (mayim) — isto é, o maior continua comendo em sua mesa individual enquanto os demais já lavam as mãos, e só quando a água finalmente lhe chega, ao final desse processo, ele encerra sua própria refeição.
Explica-se a lógica do costume: exatamente como nas primeiras águas, cada convidado tem sua mesa individual, de modo que o maior não é prejudicado por lavar-se por último — ele simplesmente continua comendo até que sua vez, ao final, finalmente chegue.
Disse Rav Sheshet: eu (ana) conheço (yadana) uma baraita (matnita), pois (deteni) se ensinou: como (keitzad) é a ordem (seder) da reclinação (hasiba)? Quando (bizman) são duas (shtei) camas (mitot) — o maior (gadol) reclina-se (mesev) na cabeceira (barosh), e o segundo (sheni) dele — abaixo (lemata) dele — isto é, aqui, ao contrário do costume relatado antes pelo Reish Galutá, o segundo fica junto aos pés do maior, e não acima dele. Quando são três (shalosh) camas — o maior reclina-se na cabeceira (barosh) — e não no meio, como dissera o Reish Galutá, o segundo dele — acima (lemaala) dele, o terceiro (shlishi) dele — abaixo (lemata) dele. As primeiras (rishonim) águas (mayim) começam (matchilin) do maior (min hagadol) — concordando aqui com o relato do Reish Galutá. As últimas (acharonim) águas (mayim), quando (bizman) são cinco (chamisha) — começam (matchilin) do maior (min hagadol) — diferindo aqui do relato anterior, que dizia que sempre começavam do menor, e quando (uvizman) são cem (meá) — começam (matchilin) do menor (min hakatan), até que (ad she) cheguem (magi'im) perto (etzel) do quinto (chamishi), e retornam (vechozrin) e começam (umatchilin) do maior (min hagadol) — isto é, apenas quando o grupo é muito numeroso, a lavagem final começa pelos menores até restarem cinco, e a partir daí se reverte para o maior. E ao lugar (ulimkom) a que (she) as últimas águas retornam (chozrin) — ali (lesham) retorna (chozeret) a bênção (beracha) — isto é, quem tiver lavado as mãos naquele ponto de reversão, junto ao maior, será quem recitará o Birkat Hamazon.
"O segundo dele, abaixo dele" — pois (she'im) se o maior (gadol) precisasse (hutzrach) conversar (lesaper) com ele, não (lo) precisaria (yehe tzarich) endireitar-se (lizkof). "E quando são três, o segundo dele acima dele" — e se (veim) ele vem (ba) a conversar (lesaper), conversa (mesaper) com o terceiro (shlishi) dele sem dificuldade, e se (veim) ele vem a conversar com o segundo (sheni) dele, é melhor (tov hu) que (she) se endireite (yizkof), e não (veal) rebaixe (yashpil) o segundo (hasheni) dele diante (lifnei) de alguém menor (katan) do que ele, de modo que (sheyehe) ele fique abaixo (lemata) e alguém menor do que ele (uketan mimenu) fique acima (lemaala) dele. "Começam do maior" — e de imediato (ulealtar) trazem (meilei) a mesa (taka) diante dele (kameih). "E quando são cem" — não é exato (lav davka), pois (dehachi) o mesmo vale (nami) para dez (asara) e para qualquer número maior (ulechol yoter) do que cinco (mechamesh), pois (shegenai hu) seria vergonhoso (genai) retirarem (sheyesalku) a mesa (hashulchan) de diante (milifnei) do maior (hagadol) quando (keshe) lavar (yitol) as mãos (yadav) e esperar (veyamtin) ali (sham) sentado (yoshev) e ocioso (uvatel) até que (ad she) todos (kulam) se lavem (yitlu); por isso (lefichach), quando (keshehem) são mais (yoter) de cinco (mechamisha), começam (matchilin) do menor (min hakatan) que se senta (hayoshev) no fim (besof), e não retiram (veein mesalkin) a mesa (shulchan) de diante (milifnei) do maior (hagadol) até que (ad she) a água (hamayim) chegue (yagiu) aos cinco (lachamisha) junto a ele (etzlo). "E retornam e começam do maior" — e retiram (venotlin) a mesa (shulchan) de diante dele (milifanav). "Ao lugar a que as últimas águas retornam" — quando (keshemagiim) chegam (magiim) aos cinco (lachamisha), se (im) o maior (gadol) lavou-se (natal) primeiro (techila), é ele (hu) quem abençoa (mevarech), e se (veim) ordenou (tziva) a outro (leacher) lavar-se (litol) antes dele (kodem lo), é ele (hu) quem abençoa (mevarech).
Rav Sheshet resgata uma baraita tanaítica que, embora concorde com o Reish Galutá quanto ao início pelo maior nas primeiras águas, difere em vários detalhes — a posição do segundo convidado, e a regra de que, com até cinco pessoas, as últimas águas também começam pelo maior, revertendo ao maior apenas quando o grupo é muito numeroso.
Isso apoia (mesayeya leih) a Rav, pois disse Rabi Chiya bar Ashi em nome de Rav: todo (kol) o que (hanotel) lava as mãos (yadav) por último (baacharoná) primeiro (techila) — ele (hu) é (mezuman) destinado (mezuman) à bênção (livracha) — isto é, quem for o primeiro a lavar as mãos na rodada das águas finais é quem está designado a liderar o Birkat Hamazon.
A baraita de Rav Sheshet confirma um ensinamento independente de Rav: quem primeiro lava as mãos na rodada final é quem deve liderar a bênção, o que se harmoniza exatamente com a regra de que a bênção retorna ao ponto em que as últimas águas retornam ao maior.
Rav e Rabi Chiya estavam (havu) sentados (yatvi) numa refeição (bisudata) diante de (kameih) Rabi (Yehudá HaNassi). Disse-lhe Rabi a Rav: levanta-te (kum), lava (meshi) tua mão (yadach) — isto é, dá a entender que Rav deveria lavar as mãos primeiro, sendo designado para liderar a bênção. Viu (chazyei) que (deka) ele estremecia (meratet) — isto é, Rabi percebeu que Rav, tomando a ordem literalmente como um simples convite a lavar-se, tremia de nervosismo diante da honra inesperada. Disse-lhe: filho (bar) de nobres (pachatei) (termo afetuoso e elogioso de Rabi a Rav, referindo-se à sua linhagem), "examina (ayen) a bênção (birkat) do alimento (mezoná)" está (kaamar) te (lach) dizendo — isto é, Rabi esclarece que não pretendia apenas que Rav se lavasse fisicamente por higiene, mas que se preparasse para liderar formalmente a Bênção do Alimento diante de todos, e que não havia motivo para nervosismo.
Um episódio ilustra na prática a regra recém-estabelecida: Rabi convida Rav a lavar as mãos por primeiro, sinal de que será ele o designado a liderar o Birkat Hamazon — mas Rav, mal-entendendo o gesto como uma simples ordem de higiene, reage com temor reverencial, e Rabi precisa esclarecer sua verdadeira intenção.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): não (ein) se dá honra (mechabdin) — isto é, não se insiste em ceder a precedência de passagem por deferência nem (lo) em caminhos (bidrachim), nem (velo) em pontes (bigsharim) — a baraita, iniciada aqui, prossegue enumerando outras situações em que não se deve insistir em ceder lugar por cortesia, como se completa no início do daf seguinte.
Encerra-se o daf com a abertura de uma nova baraita sobre as situações em que não se deve insistir na etiqueta de ceder precedência por honra — aqui apenas o início, com "caminhos" e "pontes"; a enumeração completa, incluindo "mãos sujas", prossegue diretamente no início de 47a.