O daf abre completando a baraita iniciada em 46b sobre onde não se deve insistir em ceder honra por cortesia — nem em caminhos, pontes ou com as mãos sujas —, e ilustra-a com o episódio de Ravin e Abaie: quando o burro de Ravin tomou a frente sem que este cedesse passagem, Abaie concluiu que o estudioso ficara presunçoso na Terra de Israel, até que Ravin, à porta da sinagoga, lhe explicasse — em nome de Rabi Yochanan — que honra só se concede em porta com mezuzá. Segue-se a extensa sugya sobre a ordem do partir do pão e da resposta "amém": ninguém come antes que o que parte o pão prove, a regra de que dois esperam um pelo outro na travessa mas três não esperam, o episódio de Rabá bar bar Chaná instruindo seu filho, a exigência de que a resposta "amém" se complete antes do partir, a disputa Rav Chisda/Rami bar Chama sobre a maioria dos que respondem, e a baraita e os ditos de Ben Azai sobre as três formas defeituosas da resposta "amém" — devorada, cortada e órfã — e a recompensa de quem a prolonga. Fecha-se com os episódios de Rav e Shmuel sobre juntar-se a uma refeição em andamento, dos alunos de Rav com a chegada de Rav Achá, do rabino que jantava demai por poder tornar-se pobre a qualquer momento, e a sugya final sobre o dízimo antecipado nas espigas antes da grande teruma, com a explicação de Rabi Abahu em nome de Reish Lakish e a pergunta final de Rav Papa a Abaie, que se resolve no daf seguinte.
E nem (velo) com mãos (beyadaim) sujas (mezohamot) — isto é, completa-se aqui a enumeração iniciada em 46b: não se insiste em ceder a precedência de passagem nem em caminhos, nem em pontes, e tampouco quando as mãos de quem cederia a honra estão sujas de comida.
"E nem com mãos sujas" — na lavagem (binetilat) das águas (mayim) últimas (acharonim) — isto é, refere-se ao momento em que já se está a caminho de lavar as mãos ao final da refeição: mesmo então, com as mãos ainda sujas de comida, não se insiste em ceder a precedência de entrada a outrem.
Completa-se a curta baraita iniciada no fim de 46b: além de caminhos e pontes, também não se cede honra de passagem quando as mãos estão sujas — momento em que, segundo Rashi, se está a caminho da lavagem das águas finais.
Ravin e Abaie estavam (havu) indo (azli) pelo caminho (beorcha). O burro (chamareih) de Ravin tomou a frente (kadmeih) do de Abaie, e não (vela) lhe disse (amar leih): "vá (neizil), senhor (mar)" — isto é, Ravin não cedeu a Abaie a precedência de passagem, como seria de esperar por deferência. Disse (amar) Abaie consigo: já que (midisalik) este (hai) sábio (merabanan) subiu (salik) do Ocidente (mimaarva) (da Terra de Israel), ficou presunçoso (gas leih daateih) — isto é, Abaie interpretou a falta de deferência de Ravin como sinal de que este se tornara arrogante após seu período de estudo na Terra de Israel. Quando (ki) chegaram (meta) à porta (lefitcha) da sinagoga (bei chenishta), disse-lhe (amar leih) Ravin a Abaie: entre (neal), senhor (mar). Disse-lhe Abaie: e até (vead) agora (hashta) eu não (lav) era (ana) "senhor" (mar)? — isto é, por que só agora, à porta, Ravin lhe concede a honra que recusara no caminho? Disse-lhe Ravin: assim (hachi) disse Rabi Yochanan: só (ela) se dá honra (mechabdin) em porta (befetach) que (she) tem (yesh) nela (bah) mezuzá (mezuzá) — isto é, Ravin não fora presunçoso no caminho, mas seguia fielmente a halachá transmitida por Rabi Yochanan: a deferência de ceder passagem só se aplica junto a uma porta com mezuzá, nunca em pleno caminho aberto.
"Do Ocidente" — pois (lefi) Ravin costumava (ragil) subir (laalot) da Babilônia (mibavel) à Terra de Israel (leEretz Israel), e dizer (velomar) ele (hu) seus ensinamentos (devarav) em nome (mishmo) de Rabi Yochanan — isto é, Ravin era um dos sábios que viajavam entre a Babilônia e a Terra de Israel, transmitindo de lá os ensinamentos de Rabi Yochanan.
O princípio abstrato da baraita ganha ilustração concreta e viva: Abaie julga precipitadamente a Ravin como presunçoso por não lhe ceder passagem no caminho, até que este, à porta da sinagoga, esclarece que apenas seguia a halachá exata de Rabi Yochanan — honra só se concede junto a uma porta com mezuzá.
A que (deit) tem (bah) mezuzá (mezuzá) — sim (in) se dá honra, a que (delet) não tem (bah) mezuzá — não (la)? — objeta-se contra a formulação literal de Rabi Yochanan Mas (ela) então (meatá), a sinagoga (beit hakneset) e a casa de estudo (beit hamidrash), que (delet) não têm (behu) mezuzá — pois estão isentas dessa obrigação, assim (hachi) também (nami) nelas não (deein) se dá honra (mechabdin)?! — isto seria absurdo, já que precisamente em suas portas costuma-se ceder deferência a sábios e anciãos Mas (ela) diga (eima): em porta (befetach) apta (harauy) para mezuzá (limzuzá) — isto é, corrija-se a formulação de Rabi Yochanan: o critério não é ter de fato uma mezuzá afixada, mas ser o tipo de porta — de uma casa de moradia comum — que estaria obrigada a tê-la, mesmo que, como no caso da sinagoga, esteja isenta por outro motivo.
"Em porta apta para mezuzá" — isto é (kelomar), na entrada (bichnisat) de qualquer (kol) portas (petachim), para excluir (lemuutei) caminhos (derachim) e brechas (uifratzot) — isto é, o critério exclui apenas espaços abertos sem estrutura de porta, como caminhos e passagens sem batentes, mas inclui qualquer entrada estruturada de um edifício, ainda que dispensada da mezuzá por outro motivo.
Uma objeção refina a halachá de Rabi Yochanan: o critério de "porta com mezuzá" não pode ser tomado ao pé da letra, pois excluiria sinagogas e casas de estudo, que estão isentas dessa obrigação; corrige-se para "porta apta para mezuzá" — isto é, qualquer entrada estruturada de um edifício, em contraste com um caminho aberto ou uma brecha sem estrutura.
Disse Rav Yehudá filho (breih) de Rav Shmuel bar Shilat em nome (mishmeih) de Rav: os reclinados (hamesubin) não (ein) têm permissão (rashaim) para comer (leechol) coisa alguma (kelum) até que (ad she) o que parte o pão (haboze'a) prove (yitam) — isto é, ninguém à mesa deve tocar na comida até que o anfitrião ou quem partiu o pão tenha ele mesmo provado primeiro. Sentou-se (yativ) Rav Safra e disse (vekaamar): "provar (litom)" apenas foi ensinado (itmar) — isto é, Rav Safra esclarece que a exigência é apenas de uma pequena prova por parte de quem parte o pão, não uma refeição completa, distinguindo essa halachá da opinião seguinte.
Abre-se nova sugya sobre a ordem correta de comer numa refeição em grupo: a halachá de Rav exige que quem parte o pão prove antes que os demais comensais toquem na comida — Rav Safra precisa apenas que baste uma prova mínima, e não uma porção completa.
Para que (lemai) serve (nafka mina) isso na prática? — isto é, se de qualquer modo o sentido é o mesmo, qual a relevância de Rav Safra precisar corrigir "provar" para "prova"? Que (she) a pessoa (adam) é obrigada (chayav) a falar (lomar) na linguagem (bilshon) de seu mestre (rabo) — isto é, a relevância prática não está no conteúdo da halachá, que permanece a mesma, mas no dever de reproduzir fielmente a formulação exata do próprio mestre ao transmitir seu ensinamento, e não parafraseá-lo livremente.
Um princípio metodológico se destaca: a correção terminológica de Rav Safra não altera o conteúdo da halachá, mas ilustra o dever de transmitir os ensinamentos de um mestre com sua formulação exata, e não apenas com sua ideia geral.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): dois (shnayim) esperam (mamtinin) um pelo outro (ze laze) na travessa (bakeará) — isto é, quando são apenas dois comensais, cada um espera o outro começar a comer, por deferência mútua, três (shlosha) — não (ein) esperam (mamtinin) — pois com três, aguardar tornaria a refeição impraticável. O que parte o pão (haboze'a) — ele (hu) estende (poshet) sua mão (yado) primeiro (techila) — isto é, é ele quem tem o direito de ser o primeiro a comer; e se (veim) veio (ba) a dar (lachalok) honra (kavod) a seu mestre (rabo) ou a quem (le mi) é maior (gadol) do que ele (heimenu) — isto é, se ele preferir ceder essa precedência a alguém mais digno presente, a permissão (hareshut) está em sua mão (beyado) — isto é, ele pode fazê-lo licitamente, pois o direito de comer primeiro é dele para ceder como quiser.
A baraita fixa a regra geral por trás da halachá anterior: com dois comensais, cada um espera o outro; com três ou mais, isso se tornaria impraticável, de modo que apenas quem parte o pão tem a prerrogativa — que pode ceder voluntariamente a um mestre ou superior — de comer primeiro.
Rabá bar bar Chaná estava (havá) ensinando (asik leih) as leis de casamento a seu filho (livreih) na casa (bei) de Rav Shmuel bar Rav Katina — preparando-o, como noivo, para as bênçãos da refeição nupcial, adiantou-se (kadem) e sentou-se (veyativ), e ensinava (kamatni) a seu filho (livreih): quem parte o pão (haboze'a) não (ein) tem permissão (rashai) para partir (livtzoa) até que (ad she) se complete (yichle) "amém (amen)" da boca (mipi) dos que respondem (haonim) — isto é, antes de partir o pão para si e para os demais, ele deve aguardar que todos os presentes concluam a resposta "amém" à sua bênção de "Hamotzí". Rav Chisda disse: da boca (mipi) da maioria (rov) dos que respondem (haonim) — isto é, Rav Chisda modera a exigência: basta que a maioria, e não necessariamente todos, tenha concluído sua resposta.
"Adiantou-se" — Rabá bar bar Chaná a sentar-se (leishev) à mesa (al hashulchan) e ensinar (leshanot) a seu filho (livno) as leis (hilchot) da refeição (seudá), porque (lefi) o noivo (hechatan) costuma (ragil) partir o pão (livtzoa), e ele (vehaya) lhe ensinava (melamdo) como (heich) proceder (yaase). "Partir" — cortar (lifros) a fatia (haprusá) do pão (min hapat). "Até que se complete 'amém' da boca dos que respondem" — o "amém (amen)" depois (achar) da bênção (birkat) de "Hamotzí", pois (deaf) mesmo (af) a resposta (aniyat) de "amém" é (min) parte da bênção (haberacha), e dissemos (veamrinan) no capítulo (befirkin) "Keitzad Mevarchin" (Berachot 39b): é preciso (tzarich) que se complete (sheticle) a bênção (beracha) antes (kodem) do partir (betzia).
Um episódio prático — Rabá bar bar Chaná ensinando seu filho noivo, que deveria partir o pão na refeição nupcial — traz a halachá de que quem parte o pão só deve fazê-lo depois de completada a resposta "amém" pelos presentes, já que a resposta é parte integrante da própria bênção; Rav Chisda modera essa exigência para a maioria dos presentes.
Disse-lhe Rami bar Chama: por que (mai) é diferente (shná) o critério de a maioria (ruba) — que ainda (deachati) não (la) se completou (kalya) a bênção (beracha) — isto é, se a razão de aguardar é que a bênção, através da resposta "amém", ainda não se encerrou, então mesmo enquanto responde apenas a minoria, a bênção tecnicamente ainda não terminou? Também (nami) a minoria (mi'uta) não (la) se completou (kalya) a bênção (beracha) — isto é, por que então Rav Chisda permite partir já quando apenas a maioria respondeu, se tecnicamente a bênção não se conclui até que absolutamente todos concluam?
Rami bar Chama desafia a moderação de Rav Chisda: se o fundamento da halachá é que a bênção só se completa quando termina a resposta "amém", esse raciocínio deveria exigir que todos, e não apenas a maioria, tivessem respondido.
Disse-lhe Rav Chisda: pois (she) eu (ani) digo (omer): todo (kol) o que responde (haone) "amém (amen)" além do devido (yoter midai) — isto é, quem se demora demais na resposta, ultrapassando a minoria já respondida — não é (eino) senão (ela) um que erra (toe) — isto é, Rav Chisda explica que sua posição não nega que tecnicamente a bênção só se conclua com todos; ele estabelece, antes, que quem demora em responder além do que a maioria já respondeu está, ele mesmo, em erro, e não deve ser esperado pelos demais.
Rav Chisda responde: o critério da maioria não nega que a bênção só se complete plenamente com todos, mas estabelece que quem se atrasa além da maioria comete, ele próprio, um erro de conduta — e por isso não deve ser aguardado.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): não (ein) se responde (onin) nem (lo) "amém (amen)" devorada (chatufá) — isto é, pronunciada às pressas, engolindo as letras, nem (velo) "amém" cortada (ketufá) — isto é, com o som interrompido antes de terminar, nem (velo) "amém" órfã (yetomá) — isto é, respondida sem ter ouvido a bênção que a precede, e não (velo) se deve lançar (yizrok) a bênção (beracha) de sua boca (mipiv) — isto é, tampouco se deve recitar a própria bênção com pressa e descuido, como quem a arremessa para fora.
"Devorada" (chatufá) — que (she) se lê (korin) o alef com chataf (vogal reduzida) e não (velo) com patach (vogal plena), e diz (veomer) "amém (amen)" quando (vehu) deveria (tzarich) dizer (lomar) "amém" por completo. "Cortada" (ketufá) — que (she) falta (mechaser) a leitura (keriat) do nun, que (she) não a pronuncia (motziah) pela boca (befe) de modo (she) que fique reconhecível (nikeret). "Órfã" (yetomá) — que (she) não ouviu (lo shama) a bênção (haberacha), mas (ela) apenas (she) ouviu (shama) que (she) respondem (onin) "amém" — e responde por imitação, sem saber a que bênção se refere; e o que (veha) dizemos (deamrinan) em "Hechalil" (Sucá 51b), que (she) em Alexandria do Egito (shel Mitzrayim) costumavam (hayu) acenar (menifim) com lenços (besudarim) quando (keshehigia) chegava a hora (et) de responder (laanot) "amém" — isso mostra (alma) que (la) não ouviam (shamei) e ainda assim (vekaanu) respondiam (anu) — isso não é a "amém órfã" proibida, pois aqueles (hanhu) sabiam (mide yadei) que (she) estavam respondendo (onim) depois de (achar) uma bênção (beracha), e a qual (veal eizo) bênção (beracha) estavam respondendo (hem onim), apenas (ela) que (she) não (lo) ouviam (hayu shomim) a voz (et hakol) — isto é, sabiam exatamente a que bênção respondiam, apenas não a ouviam por causa da distância, o que não configura a "amém órfã" proibida. "E não se deve lançar a bênção de sua boca" — com pressa (bimhirut) de modo (shedome) que lhe pareça (alav) como um fardo (kemasa), mas (ela) que seja (shechok) algo fixo (kavua) para ele (lo) — isto é, deve-se recitar a bênção com calma e apreço, como algo estabelecido e valorizado, e não como um peso do qual se quer livrar depressa.
A baraita detalha três formas defeituosas da resposta "amém" — pronunciada às pressas, cortada antes de terminar, ou dita sem ter ouvido a bênção correspondente —, e Rashi esclarece, com base em Sucá 51b, que a "amém órfã" se refere apenas a quem responde sem saber a que bênção se refere, não a quem apenas não ouviu com clareza mas sabia exatamente o que estava respondendo.
Ben Azai diz: todo (kol) o que responde (haone) "amém (amen)" órfã (yetomá) — seus filhos (banav) serão (yihyu) órfãos (yetomim); devorada (chatufá) — seus dias (yamav) serão devorados (yitchatfu); cortada (ketufá) — seus dias (yamav) serão cortados (yitkatfu) — isto é, Ben Azai atribui a cada defeito de pronúncia uma consequência simétrica e correspondente na vida de quem a comete. E todo (vechol) o que prolonga (hamaarich) em "amém" — pronunciando-a com plenitude e atenção — prolongam-lhe (maarichin lo) seus dias (yamav) e seus anos (ushnotav) — como recompensa correspondente e inversa.
Ben Azai reforça a baraita anterior com uma correspondência quase poética entre a forma de responder "amém" e o destino de quem a pronuncia — cada defeito de dicção gera uma consequência espelhada, e a resposta plena e demorada traz como recompensa dias e anos prolongados.
Rav e Shmuel estavam (havu) sentados (yatvi) numa refeição (bisudata). Chegou (ata) Rav Shimi bar Chiya, e ficou (havá) comendo (achil) apressadamente (kamsarhev) — isto é, comendo depressa para se somar ao zimún com Rav e Shmuel. Disse-lhe Rav: qual (mah) é tua intenção (daatach) — juntar-te (leitztarofei) a nós (bahadan)? Nós (anan) já terminamos (achilna lan) de comer — isto é, nossa refeição já terminou, e não podes mais te somar a ela. Disse-lhe Shmuel: se (ilu) me trouxessem (maitu li) cogumelos (ardilaya) e pombinhos (gozalaya) para Aba (apelido carinhoso de Shmuel para Rav), não (mi la) comeríamos (achlinan)? — isto é, Shmuel discorda: já que, se algo apetitoso ainda fosse trazido, ambos continuariam a comer, a refeição de fato ainda não terminou, e Rav Shimi pode se juntar a ela.
"E ficou comendo apressadamente" — apressava-se (memaher) a comer (leechol) para (kedei) se juntar (lehitztaref) ao zimún (lezimun), e assim o incluiriam (vezimenu alav). "Já terminamos de comer" — já se concluiu (gamra lan) nossa refeição (seudatenu) antes (kodem) que (she) chegasses (bata), e não (veiattá) nos obrigas (mechayevenu) mais (od) ao zimún (bezimun). "Se me trouxessem cogumelos e pombinhos para Aba" — a Shmuel eram queridos (chavivin alav) os cogumelos (ardilaya) como sobremesa (bekinuach seudá), e são (vehen) trufas (kemahin) e cogumelos (ufitriyot); e a Rav eram queridos (hayu chavivin) pombinhos (gozalot), e Shmuel costumava chamar (haya kore) a Rav de "Aba" por deferência (lechvodo). "Não comeríamos?" — portanto (lefichach), não (lo) se concluiu (gamra) a refeição (seudata), e ele se junta (umitztaref) ao zimún.
Um episódio ilustra a questão de quando uma refeição é considerada tecnicamente encerrada para fins de zimún: Rav a considera terminada assim que os comensais param de comer, enquanto Shmuel argumenta que, enquanto ainda haveria disposição para comer mais uma iguaria querida, a refeição continua aberta a quem chega.
Os alunos (talmidei) de Rav estavam (havu) sentados (yatvi) numa refeição (bisudata). Entrou (al) Rav Achá. Disseram (amri): chegou (ata) um grande (rabá) homem (gavra), que (di) nos abençoará (mevarech lan). Disse-lhes (amar lehu) Rav Achá: pensáveis (mi savritu) que (de) o maior (gadol) abençoa (mevarech)? O principal (ikar) da (sheba) refeição (seudá) abençoa (mevarech) — isto é, aquele que estava entre os fundadores da refeição, presente desde seu início, e não necessariamente o sábio mais eminente que chega depois. E a halachá (vehilcheta) é: o maior (gadol) abençoa (mevarech), ainda que (af al gav de) tenha chegado (ata) por último (levasof) — isto é, a halachá final não segue a correção de Rav Achá, mas a suposição inicial dos alunos: mesmo quem chega depois de iniciada a refeição, se for o maior presente, é ele quem deve liderar o Birkat Hamazon.
"O principal da refeição" — um (echad) daqueles (meotan) que (shehayu) estavam (hayu) no início (bitchilat) da reclinação (hahasibá) — isto é, um dos comensais originais, presente desde o início da refeição, e não um convidado tardio, por mais eminente que seja.
Um segundo episódio traz uma opinião momentânea de Rav Achá — de que quem lidera a bênção deve ser um dos comensais originais, e não um recém-chegado, por mais importante que seja —, mas a halachá final rejeita essa posição: prevalece a regra de que o maior presente abençoa, mesmo tendo chegado por último.
"Comeu (achal) demai (produto de origem duvidosa quanto ao dízimo) etc." — citação de uma Mishná anterior sobre quem se soma ao zimún — Mas isso (ha) não (la) lhe é apto (chazei leih)! — objeta-se: como pode alguem, comendo demai, somar-se ao zimún, se tecnicamente não lhe seria permitido consumi-lo enquanto ainda for de posse duvidosa? Já que (keivan) se (de) quiser (baei), pode declarar seus bens sem dono (mafkir lehu lenichseih) e ficar (vehavei) pobre (ani), e assim (ve) lhe é apto (chazei leih) — isto é, como a qualquer momento ele poderia se tornar tecnicamente pobre, o demai já lhe é potencialmente apto, o que basta para permitir seu consumo, conforme (dita nan) se ensinou: dá-se de comer (maachilin) aos pobres (haaniyim) do demai (demai), e aos hóspedes (haachsanya) do demai (demai). E disse Rav Huná: ensinou-se (tana): Bet Shamai diz: não (ein) se dá de comer (maachilin) aos pobres (haaniyim) nem aos hóspedes (haachsanya) do demai (demai) — isto é, essa permissão de alimentar pobres e hóspedes com demai não é unânime: Bet Shamai a rejeita, opinião que a Guemará traz para completar o quadro.
"Demai" — trigos (chitin) comprados (halekuchim) de um am haaretz (pessoa não confiável quanto às leis de dízimo), com dúvida (safek) se (im) os dizimou (ishram) ou dúvida (safek) se não (lo) os dizimou (ishram). "Mas isso não lhe é apto" — e seria (vehavya lah) a bênção (birkat) do zimún (zimun) uma que (habaa) vem através de transgressão (baaveirá), e está escrito (uchtiv): "quem parte (botzea) abençoa (berech), blasfema (nietz) contra D'us (Hashem)" (Salmos 10:3), e disse (veamar) o mestre (mar) (Bava Kamá 94a): eis que (harei) quem roubou (shegazal) uma seá de trigo (chitim) e a moeu (techanah) e a assou (afaah) e abençoou (uverech) sobre ela — não é (ein zeh) este quem abençoa (mevarech), mas (ela) quem blasfema (menaetz). "Dá-se de comer aos pobres do demai" — pois (de) a maioria (rov) dos amei haaretz dizimam (measrim), e é apenas (bealma) um rigor (chumra) rabínico (derabanan). "Hóspedes" (achsanya) — tropa (cheil) do rei (melech) que (shematil) se impõe sobre os habitantes (bnei) da cidade (hair) para sustentá-los (lezonam) quando retornam (beshuvam) de sua guerra (milchamto), e eles são (veharei hem) como pobres (keaniyim), já que (lefi) estão (shehem) fora de seu lugar (shelo bimkomam).
Retomando a Mishná inicial do capítulo (45a), a Guemará esclarece por que quem come demai pode se somar ao zimún: como a qualquer momento poderia declarar seus bens sem dono e tornar-se tecnicamente pobre — categoria para a qual o demai já é permitido, por ser este apenas um rigor rabínico e não uma proibição bíblica —, ele já é considerado apto a esse alimento; Rav Huná acrescenta que Bet Shamai discorda dessa permissão mesmo para pobres e hóspedes.
"O primeiro (rishon) dízimo (maaser) do qual (she) já se retirou (nitla) sua teruma (terumato)" — citação de outra cláusula da Mishná: é óbvio (peshita)?! — objeta-se: por que a Mishná precisaria dizer que quem come dízimo já isento de teruma pode comê-lo normalmente? Não é necessário (la tzricha) senão (ela) quando (she) o antecipou (hikdimo) nas espigas (bashibolim) — isto é, quando o levita tomou seu dízimo diretamente do grão ainda não debulhado, antes que o cohen retirasse a grande teruma, e dele (mimenu) retirou (vehifrish) a teruma (terumat) do dízimo (maaser), mas dele (mimenu) não (velo) retirou (hifrish) a grande (gedolá) teruma (terumá) — isto é, o caso realmente novo é quando o próprio dízimo, tomado antes da grande teruma, já teve dele separada apenas sua própria teruma-do-dízimo, mas nunca chegou a levar a grande teruma que normalmente lhe seria devida, e conforme (vechid) a opinião de Rabi Abahu. Pois disse Rabi Abahu em nome de Reish Lakish: o primeiro (rishon) dízimo (maaser) que (she) se antecipou (hikdimo) nas espigas (bashibolim) — está isento (patur) da grande (gedolá) teruma (terumá), pois (shene'emar) se diz: "e retirareis (vaharemotem) dele (mimenu) a oferta (terumat) de D'us (Hashem), dízimo (maaser) do dízimo (min hamaaser)" (Números 18:26) — dízimo (maaser) do dízimo (min hamaaser) te disse (amarti lecha) — isto é, o versículo especifica que apenas a teruma-do-dízimo se aplica a este produto, e não (velo) a grande teruma (terumá gedolá) e a teruma (uterumat) do dízimo (maaser) do dízimo (min hamaaser) juntas — isto é, o texto bíblico exclui explicitamente a obrigação de retirar ambas as terumot quando o dízimo foi antecipado nas espigas.
"Que o antecipou nas espigas" — o levita (levi) antecipou-se (kadam) ao cohen (hakohen) e tomou (venatal) o dízimo (maaser) nas espigas (bashibolim) antes (kodem) que (she) o cohen (kohen) tomasse (natal) a grande (gedolá) teruma (terumá), e o cohen (vehakohen) deveria (haya lo) ter tomado (litol) a grande teruma (terumá gedolá) primeiro (techilá), um (echad) quinquagésimo (michamishim), pois (de) o Misericordioso (Rachamana) a chamou (kera) de "primícia (reshit)" (Deuteronômio 18:4), e está escrito (uchtiv): "tua plenitude (meleatcha) e tuas lágrimas (vedimacha) não atrasarás (lo teacher)" (Êxodo 22:28) — descobre-se (nimtzet) que (she) a grande (gedolá) teruma (terumá) do cohen (shel kohen) está dentro (betoch) deste dízimo (maaser) — um (echad) quinquagésimo (michamishim) dele (shebo) — além (levad) da teruma (miterumat) do dízimo (maaser) que (she) sobre (al) o levita (halevi) recai a obrigação de retirar (lehafrish) teruma (terumá) de seu dízimo (mimaasero). "E conforme a opinião de Rabi Abahu" — nos ensina (ashmainan) a Mishná (matnitin) que (dehachi hu) é assim, conforme (kede) Rabi Abahu, que (de) isenta (patar leih) o levita (lelevi) da grande teruma (miterumá gedolá) que está (sheba) nele (bo).
Abre-se uma nova sugya, ligada à Mishná do zimún em sua cláusula sobre o primeiro dízimo já isento de teruma: o caso relevante é quando o levita antecipou-se ao cohen e tomou o dízimo diretamente das espigas, retirando dele apenas a própria teruma-do-dízimo — situação que, segundo Rabi Abahu em nome de Reish Lakish, isenta esse dízimo da grande teruma, com base numa leitura precisa do versículo de Números 18:26.
Disse-lhe Rav Papa a Abaie: se (i) assim (hachi) — isto é, se a isenção da grande teruma decorre simplesmente do dízimo ter sido tomado antes dela ser retirada, mesmo que (afilu) o tenha antecipado (hikdimo) no monte (bichri) de grãos já debulhados (e não apenas nas espigas ainda no campo) também (nami) deveria valer a mesma isenção! — isto é, Rav Papa desafia o limite da regra: por que restringi-la ao caso específico das espigas, e não estendê-la a qualquer situação em que o levita simplesmente tenha se antecipado ao cohen, mesmo já com o grão debulhado? Disse-lhe Abaie: sobre ti (aleicha) disse (amar) o versículo (kra) — Abaie começa a responder citando um versículo que distingue precisamente o caso das espigas do caso do grão já debulhado em monte, distinção que a Guemará desenvolve no início do daf seguinte.
Rav Papa desafia o alcance da regra de Rabi Abahu: se a antecipação do levita basta para isentar da grande teruma quando feita nas espigas, por que não valeria igualmente quando feita no grão já debulhado em monte? Abaie começa a responder citando um versículo — resposta que só se completa no início de 47b.