O daf abre concluindo a pergunta deixada em aberto ao final de 47b sobre a baraita da criança que "trouxe dois pelos": a frase "não se aprimoram quanto à criança" vem incluir também a criança que já floresceu, isto é, que mostra sinais de puberdade sem ainda ter completado treze anos. A Guemará então rejeita todas essas opiniões amoraicas e fixa a halachá segundo Rav Nachman: soma-se ao zimún toda criança que já sabe a quem se abençoa — critério ilustrado pelo célebre episódio em que Abaie e Rava, ainda meninos sentados diante de Rabá, respondem cada um a seu modo à pergunta "a quem se abençoa", dando origem ao ditado "a abóbora já se conhece pela flor". Segue-se uma sugya sobre quantos comensais que comeram grão bastam para que um que comeu apenas verdura se some ao zimún, com a discussão entre Rabi Zeira e Rabi Yirmiá sobre o critério de maioria perceptível. O daf então narra o episódio do rei Yanai, que, após matar os sábios de Israel, ficou sem quem lhe fizesse a bênção, e como sua esposa trouxe seu irmão Shimon ben Shetach, que recusou a honra do rei em nome da honra da Torá — e cuja bênção sobre o cálice, segundo Rabi Yochanan, valeu apenas para si mesmo, pois não havia comido um kezayit de grão. Fecha-se com a baraita, também em nome de Rava, que estabelece o mínimo de azeitona de conserva ou figo seco para se juntar ao zimún, mas exige um kezayit de grão para desobrigar os demais de sua obrigação — sugya que se estende, ainda em aberto, para 48b.
Para incluir (leatuyei) a criança (katan) que já floresceu (poreach)? — completa-se aqui a pergunta deixada em aberto ao final de 47b: a baraita, depois de exigir a presença exata de dois pelos para que a criança se some ao zimún, acrescentou "e não se aprimoram quanto à criança" — e a Guemará pergunta o que essa frase adicional vem incluir. A resposta, ainda que não explicitada em palavras próprias, é que ela vem incluir precisamente o caso já mencionado por Rabi Yochanan: a criança que já floresceu, isto é, que já mostra os primeiros sinais físicos da puberdade sem ainda ter completado seus treze anos — mesmo sem se verificar a presença exata dos dois pelos, tal criança já se soma ao zimún.
"Para incluir a criança que já floresceu" — que (she) não (ein) se aprimoram (medakdekin) quanto a ela (bo) se chegou (ba) à idade completa (lichlal shanim) ou não (o lav); e quais (u mah hen) são os anos (shanim) completos? Treze (yud-gimel) anos (shanim) e um dia (veyom echad) — isto é, o critério de "não se aprimoram" significa que não se exige verificação exata de se a criança já completou treze anos e um dia; bastam os sinais visíveis de puberdade.
Fecha-se a sugya que atravessou a virada de daf: a frase "não se aprimoram quanto à criança" da baraita vem incluir a criança que já floresceu — que mostra sinais de puberdade sem ter completado treze anos e um dia — dispensando a verificação exata da idade.
E não (veleit) é halachá (hilcheta) como (ke) todas (kol) essas (hanei) tradições (shmaatata) — isto é, rejeitam-se todas as opiniões anteriores sobre o critério que define a criança apta ao zimún: nem a presença dos dois pelos, nem os sinais de puberdade, nem a idade de treze anos, senão (ela) como (ki) esta (ha) que (de) disse Rav Nachman: a criança (katan) que (hayodeia) sabe (yodeia) a quem (lemi) se abençoa (mevarchin) — se soma (mezamnin) ao zimún (alav) — isto é, o único critério halachicamente relevante é a compreensão conceitual da própria criança: se ela já entende que a bênção se dirige a D'us, e não sua idade física ou seus sinais corporais, ela já pode se somar ao zimún.
Decide-se a halachá contra todas as opiniões anteriores baseadas em sinais físicos ou idade: o critério de Rav Nachman é puramente cognitivo — soma-se ao zimún a criança que já compreende a quem a bênção se dirige.
Abaie e Rava estavam (havo) sentados (yatvi) diante de (kamei) Rabá — sendo ainda crianças pequenas. Disse-lhes Rabá: a quem (lemi) se abençoa (mevarchin)? — testando o critério que Rav Nachman acabara de estabelecer Disseram-lhe (amri leih): ao Misericordioso (leRachamana). E o Misericordioso (veRachamana), onde (heicha) está sentado (yativ)? Rava apontou (achvi) para o teto (lishmei telala) — isto é, apontou para cima, para o forro da casa onde estavam; Abaie saiu (nefak) para fora (levara), e apontou (achvi) em direção (kelapei) aos céus (shemaya) — isto é, Abaie não se contentou em apontar para o teto da casa, mas saiu para o ar livre a fim de apontar diretamente para o firmamento, mostrando maior precisão e cuidado na resposta. Disse-lhes Rabá: ambos vós (tarvaichu) sereis (havetu) sábios (rabanan) — isto é, Rabá profetiza que tanto Abaie quanto Rava se tornarão grandes sábios, reconhecendo em ambas as respostas, ainda que de qualidades distintas, sinais de excelência. Disto (haynu) dizem (deamrei) as pessoas (inashei): a abóbora (butzin butzin) já se conhece (yedia) pela sua flor (mikitfeih) — isto é, um provérbio popular: assim como a qualidade futura de uma abóbora já se percebe desde o momento em que desabrocha sua flor, também a grandeza futura de uma pessoa já se manifesta em sua infância.
"Telala" — teto (gag). "Butzin" — abóbora (dela'at), e há (veit) quem (degarsei) lê (migitfeih) — e ketef é a seiva (saraf) da árvore (ilan), quer dizer (kelomar): desde (mishaá) o momento em que (shehu) brota (chonet) e sai (veyotze) de dentro (mitoch) da seiva (hasaraf), já se reconhece (nikar) se (im) será (yihyeh) bom (tov). "Mikanya" (variante) — desde (mikan) seu ninho (shelo), desde sua pequenez (miktanuto) — isto é, o provérbio, em suas diferentes versões, transmite a mesma ideia: a qualidade de algo — seja a abóbora pela flor, seja a pessoa desde o ninho da infância — já se antecipa desde seus primeiros sinais.
O episódio ilustra o critério de Rav Nachman em ação: Abaie e Rava, ainda crianças, demonstram já compreender a quem se dirige a bênção, cada um com um grau diferente de precisão — Rava aponta para o teto da casa, Abaie sai a céu aberto —, e Rabá reconhece em ambos, desde cedo, os futuros grandes sábios que se tornariam, dando origem ao ditado sobre a abóbora que já se revela em sua flor.
Disse Rav Yehudá, filho de Rav Shmuel bar Shilat, em nome de Rav: nove (tishá) que comeram (achlu) grão (dagan) e um (echad) que comeu (achal) verdura (yarak) — se juntam (mitztarfin) — isto é, para completar o quórum de dez necessário ao zimún com o Nome divino, basta que nove tenham comido grão, mesmo que o décimo tenha comido apenas legumes. Disse Rabi Zeira: perguntei (beai) disso (mineih) a Rav Yehudá: oito (shmoná), qual é a lei (mahu)? Sete (shivá), qual é a lei (mahu)? — isto é, indaguei se bastaria uma maioria menor, de oito ou de sete que comeram grão contra dois ou três que comeram apenas verdura Disse-me (amar li): não (la) há diferença (shna) — isto é, Rav Yehudá respondeu que o mesmo princípio se aplica: basta qualquer maioria de comedores de grão. Seis (shishá) certamente (vadai) não (la) lhe perguntei (mibaya li) — isto é, Rabi Zeira não chegou a perguntar sobre o caso de apenas seis, empate praticamente equivalente à metade. Disse-lhe Rabi Yirmiá: fizeste bem (shapir avadt) em não (dela) ter perguntado (ibaya lecha) sobre seis — pois o caso é diferente; ali (hatam), qual (mai) é a razão (taama)? — por causa (mishum) de que (de) há (ika) maioria (ruba); aqui (hacha) também (nami) há (ika) maioria (ruba) — isto é, tanto no caso de nove contra um quanto no de sete contra dois, ou até seis contra quatro, ainda há uma maioria clara de comedores de grão, o que basta para juntar o zimún de dez. E ele (veihu) (Rabi Zeira) entendia (savar) que se requer (baina) maioria (ruba) perceptível (deminkar) — isto é, Rabi Zeira, ao evitar perguntar sobre o caso de seis, mostrava entender que a maioria exigida deve ser visivelmente reconhecível, e não uma maioria tão pequena e discutível como seis contra quatro.
"E ele entendia" — Rabi Zeira, que (shehayá) se queixava (kovel) e se arrependia (umitcharet) de não (sheló) ter perguntado (shaal) sobre os seis (hashishá), entendia (savar): talvez (dilma) se requeira (baina) uma maioria (ruba) claramente (shapir) perceptível (deminkar) que (de) comeu (lechol) grão (dagan), e se (ve'i) lhe tivesse perguntado (baei mineih) sobre os seis (shishá), não (lo) teria permitido (hayá matir) — isto é, Rashi explica o remorso de Rabi Zeira: ele temia que, no caso de apenas seis contra quatro, Rav Yehudá não teria validado a junção, por a maioria não ser suficientemente evidente.
Discute-se até que ponto a maioria de comedores de grão precisa prevalecer para juntar o zimún de dez: Rav Yehudá valida qualquer maioria, mas Rabi Zeira, ao evitar perguntar sobre o caso limítrofe de seis contra quatro, revela entender que a maioria exigida deve ser claramente perceptível.
O rei (malka) Yanai e a rainha (malketa) comeram (kerichu) pão (rifta) juntos (bahadei hadadei). E por (umidi) ter matado (iktal lehu) os sábios (rabanan), não (la) havia (havá leih) homem (inish) para lhes fazer a bênção (divorochei lehu) — isto é, o rei Yanai, tendo massacrado os sábios de Israel, não tinha mais ninguém suficientemente versado para conduzir a bênção do pão em sua mesa. Disse (amar) à sua esposa (lidveitehu): quem (man) nos dará (yahiv lan) um homem (gavra) que nos abençoe (dimvarech lan)? Ela lhe disse (amara leih): jura-me (ishtava li) que, se (de'i) eu te trouxer (maytina lach) um homem (gavra), não (de la) o afligirás (metzaarat leih). Ele jurou-lhe (ishtava lah). Trouxe-lhe (aytiteih) Shimon ben Shetach, seu irmão (achucha) — isto é, o irmão da rainha, que se escondera do rei por temer ser morto como os demais sábios. Sentou-o (otveih) entre (bein) ele (dideih) e ela (lediedah). Disse-lhe (amar leih) o rei: vê (chazit) quanta (kama) honra (yekara) te faço (avidna lach) — sentando-te em lugar de destaque, junto à realeza. Disse-lhe Shimon ben Shetach: não (lav) és tu (at) que me honras (mokrat li), mas (ela) a Torá (Torá) é que (hi) me honra (mokra li), pois (dichtiv) está escrito (ketiv): "exalta-a (salsela) e ela te elevará (uteromemecha), honrar-te-á (techabedcha) quando (ki) a abraçares (techabkena)" (Provérbios 4:8) — isto é, Shimon ben Shetach recusa atribuir a honra ao rei, afirmando que é a própria dedicação à Torá que verdadeiramente o eleva. Disse ela (amar lah) o rei, à rainha: vês (ka chazit) que (de) ele não (la) aceita (mekabel) autoridade (marut) — isto é, o rei observa amargamente que, apesar de tê-lo honrado, Shimon ben Shetach recusa-se a reconhecer sua soberania.
"O rei Yanai" — era (hayá) dos reis (mimalchei) da casa (beit) dos Chashmonaim, e matou (veharag) os sábios (chachmei) de Israel (Yisrael) que (shebau) vieram (bau) para desqualificá-lo (lefoslo) do sacerdócio (min hakehuná), episódio narrado no tratado (bemasechet) Kidushin (66a). "Exalta-a e ela te elevará" — o final (seifeih) do versículo (dikra) é "honrar-te-á quando a abraçares" — isto é, Rashi remete ao restante do versículo citado, que reforça a ideia de que é a Torá, e não o rei, que confere verdadeira honra a quem a abraça.
O episódio, já aludido no tratado de Kidushin, narra as consequências do massacre dos sábios pelo rei Yanai: sem ninguém para conduzir a bênção do pão, sua esposa traz secretamente seu irmão Shimon ben Shetach, que aceita o convite mas recusa atribuir a honra ao rei, afirmando publicamente que é a Torá, e não a realeza, quem verdadeiramente enobrece quem a ela se dedica.
Deram-lhe (yehavu leih) um cálice (kasa) para abençoar (levorochei). Disse (amar): como (heichi) abençoarei (avarech) — "bendito (baruch) seja quem (she) comeu (achal) Yanai e seus companheiros (vechaveirav) do seu (mishelo)"? — isto é, Shimon ben Shetach objeta que não pode recitar a fórmula usual da bênção, pois ele próprio não comeu do pão daquela refeição, tendo sido convidado apenas para abençoar. Bebeu (shatyeih) aquele (lehahu) cálice (kasa) — isto é, para poder recitar a bênção com propriedade, ele bebeu do vinho daquele cálice, tornando-se participante da refeição em algum grau; deram-lhe (yehavu leih) outro (acharina) cálice (kasa) e abençoou (uverech) sobre este segundo cálice, já tendo participado.
"Como abençoarei" — e não (velo) desfrutei (nehenaiti) da refeição, e diria (omer): "abençoemos (nevarech) que (she) comeu (achal) Yanai e seus companheiros (vechaveirav) do seu (mishelo)"? — em tom de espanto (betemiha) — isto é, Shimon ben Shetach protesta com incredulidade contra a ideia de recitar uma bênção da qual ele mesmo não participou como comensal.
Shimon ben Shetach recusa-se inicialmente a recitar a bênção do zimún, pois não havia comido daquela refeição — objeção que resolve bebendo de um cálice antes de abençoar sobre outro, tornando-se assim, ao menos parcialmente, participante da refeição.
Disse Rabi Aba, filho de Rabi Chiya bar Aba, em nome de Rabi Yochanan: o que (de) Shimon ben Shetach fez (avad) — para si mesmo (legarmeih) é que (hu) o fez (avad) — isto é, ao beber daquele cálice, ele apenas se qualificou a si mesmo como participante para poder abençoar em seu próprio favor, mas não teria conseguido, com esse gesto, desobrigar os demais presentes de sua própria obrigação de bênção, pois (dehachi) assim (hachi) disse Rabi Chiya bar Aba em nome de Rabi Yochanan: nunca (leolam) desobriga (eino motzi) os demais (harabim) de sua obrigação (yedei chovatan) até que (ad she) coma (yochal) um kezayit de grão (dagan) — isto é, apenas beber vinho, mesmo que qualifique a própria pessoa a se somar ao zimún, não é suficiente para que ela, ao recitar a bênção, desobrigue os demais comensais de recitá-la eles mesmos; para isso é necessário ter comido a medida mínima de um kezayit de pão.
Explica-se que o gesto de Shimon ben Shetach de beber do cálice resolveu apenas sua própria qualificação para abençoar, mas não bastou para que sua bênção desobrigasse os demais presentes — pois, segundo Rabi Yochanan, isso exige ter comido um kezayit de grão, e não apenas ter bebido vinho.
Objetaram (meitivi): disse Rabán Shimon ben Gamliel: subiu (alá) à mesa e se reclinou (vehesev) com eles (imahem); mesmo que (afilu) não (lo) tenha molhado (tibel) com eles (imahem) senão (ela) em salmoura (betzir), e não (velo) comeu (achal) com eles (imahem) senão (ela) um figo seco (grogeret achat) — se soma (mitztaref) — isto é, apresenta-se uma objeção à exigência de um kezayit de grão: esta baraita parece ensinar que basta molhar um pedaço de pão em salmoura, ou comer apenas um único figo seco, para já se somar ao zimún, sem necessidade de comer especificamente grão.
Levanta-se uma objeção contra a exigência de Rabi Yochanan de um kezayit de grão: a baraita de Rabán Shimon ben Gamliel parece admitir que basta reclinar-se à mesa e provar até mesmo um único figo seco para se somar ao zimún.
Para se juntar (itztrofei), se junta (mitztaref) — isto é, resolve-se a objeção distinguindo dois níveis: a baraita de Rabán Shimon ben Gamliel trata apenas da qualificação para se somar ao número do zimún, na qual de fato basta um figo seco ou um pouco de salmoura; mas (aval) para desobrigar (lehotzi) os demais (harabim) de sua obrigação (yedei chovatan) — até que (ad she) coma (yochal) um kezayit de grão (dagan) — isto é, mas para que essa mesma pessoa possa, ao recitar a bênção, desobrigar os demais presentes de sua própria recitação, é necessário o padrão mais exigente de Rabi Yochanan: ter comido especificamente um kezayit de grão, não bastando o figo seco ou a salmoura.
Harmoniza-se a objeção distinguindo dois patamares: o mínimo para se somar ao número do zimún (mesmo um figo seco ou um pouco de salmoura) é bem menor do que o exigido para que a própria bênção de alguém desobrigue os demais comensais de recitá-la (um kezayit de grão).
Também se disse (itmar nami) assim (hachi) — confirma-se a mesma distinção por uma tradição amoraica independente: disse Rav Chana bar Yehudá em nome de Rava: mesmo que (afilu) não (lo) tenha molhado com eles senão em salmoura — o texto prossegue diretamente no início do daf seguinte, retomando a mesma distinção entre se somar ao zimún e desobrigar os demais.
Uma segunda tradição, transmitida por Rav Chana bar Yehudá em nome de Rava, confirma de modo independente a mesma distinção entre o mínimo para se somar ao zimún e o kezayit de grão exigido para desobrigar os demais — frase que se completa apenas no início de 48b.