O daf continua a discussão aberta em 49b sobre a preferência entre "abençoai" e "abençoemos" ao convidar para o zimun, retomando a tradição da escola de Rav de que seis pessoas podem se dividir em dois grupos até dez. A Guemará então reúne uma série de baraitot e ditos de Rabi Yochanan que ensinam a distinguir, pela própria formulação de uma bênção, se quem a disse é um talmid chacham ou um bur — "e do Teu bem vivemos" contra apenas "vida"; "abençoemos, do que comemos do Seu" contra "para Aquele de quem comemos"; "bendito, do que comemos do Seu" contra "pela comida que comemos" — com um breve desvio sobre a bênção do copeiro e sobre pedir com ousadia em oração. Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, distingue três de dez quanto à necessidade de mencionar o Nome divino na fórmula do zimun. A Guemará então enfrenta a aparente contradição entre equiparar dez a dez mil e, ao mesmo tempo, distinguir cem, mil e uma miríade — resolvendo-a como a disputa entre Rabi Yossei Haglili e Rabi Akiva, com Rava fixando a lei conforme Rabi Akiva. Seguem-se os episódios de Ravina e Rav Chama bar Buzi na casa do Reish Galuta, do costume de Rava de abençoar em grupos de três, da regra de Rabá Tosfaá sobre quem se adianta a abençoar sozinho, e do episódio de Rafram bar Papa na sinagoga de Avi Giver sobre a fórmula de Rabi Ishmael. O daf então introduz uma nova Mishná: as regras de quando um grupo de comensais pode se dividir em grupos menores (três, seis até dez, dez até vinte); quando duas chaburot que comem na mesma casa podem juntar-se para o zimun; e a disputa entre Rabi Eliezer e os sábios sobre se é preciso misturar água ao vinho antes de abençoá-lo. O daf encerra-se com o início da Guemará sobre essa Mishná, examinando o caso de três que se sentaram para comer juntos mas ainda não começaram a comer.
— completando a frase iniciada ao final de 49b — também (af) "abençoai (barechu)" é tecnicamente válido, e de qualquer modo (umikol makom) "abençoemos (nevarech)" é preferível (adif), pois (de) disse Rav Ada bar Ahavá, disseram (amri) na escola (bei) de Rav, ensinamos (teniná): seis (shisha) se dividem (nechlakin) até (ad) dez (asará) — isto é, retomando o paralelo trazido ao fim de 49b, a Guemará agora desenvolve por completo esta tradição da escola de Rav: seis comensais podem, se quiserem, dividir-se em dois grupos de três, cada um fazendo seu próprio zimun, e essa possibilidade de divisão continua válida até que o grupo chegue a dez pessoas.
"Também 'abençoai'" — está bem (shapir dami) — isto é, é tecnicamente permitido, mas (mihu) é melhor (tov lo) para ele estar (lihyot) incluído (bichlal) entre os que abençoam (hamevarchim). "Ensinamos" — apoio (siyata) a Shmuel. "Seis se dividem" — se (im) quiseram (ratzu) dividir-se (lechalek) em duas (lishtei) chaburot (chaburot) e fazer zimun (ulezamen), estes (elu) por si (leatzman) e estes (veelu) por si (leatzman), é permitido (rashain hen) — isto é, é lícito a eles fazerem isso, pois (shehari) há (yesh) zimun (zimun) aqui (kan) e aqui (vekan). "Até dez" — ou seja (kelomar), e assim (vechen) sete (zayin) e assim (vechen) oito (chet) em duas (lishtei) chaburot (chaburot), e assim (vechen) nove (tet) em duas (lishtei) chaburot (chaburot) ou em três (o leshalosh), até (ad) dez (asará), mas (aval) se (im) eram (hayu) dez (asará), recai (chala) sobre eles (aleihen) a menção (hazcarat) do Nome (hashem) — isto é, ao completarem dez, torna-se obrigatório incluir na bênção a menção explícita do Nome divino, e se (veim) dividirem-se (yechalku), não (lo) haverá (yihyeh) ali (sham) menção (hazcará) — pois cada grupo separado ficaria com menos de dez, não (ein) se dividem (nechlakin) até (ad) que (sheyihyu) sejam (sham) vinte (esrim) — isto é, uma vez atingido o número dez, o grupo só poderá se dividir novamente quando alcançar vinte pessoas, de modo que cada subgrupo resultante ainda tenha ao menos dez.
A tradição da escola de Rav é desenvolvida por completo: grupos de seis a nove podem se dividir livremente em subgrupos de zimun; ao chegar a dez, a obrigação de mencionar o Nome divino na fórmula impede nova divisão até que o grupo dobre para vinte.
Se (i) dizes (amrat) com razão (bishlama) que "abençoemos (nevarech)" é preferível (adif) — por isso (mishum hachi) se dividem (nechlakin) — isto é, faz sentido que grupos pequenos prefiram se dividir para que cada participante possa dizer "abençoemos", a forma mais desejável, mas (ela) se (i) dizes (amrat) que "abençoai (barechu)" é preferível (adif) — por que (amai) se dividem (nechlakin)! — isto é, se "abençoai" fosse a fórmula preferida, não haveria vantagem em se dividir, pois um grupo maior também poderia usar essa mesma fórmula. Senão (ela), não (lav) se aprende (shema mina) daí que "abençoemos (nevarech)" é preferível (adif)? Aprende-se daí (shema mina) — isto é, a Guemará conclui que a própria existência dessa prática de divisão prova que "abençoemos" é de fato a fórmula preferível.
Esta é a versão correta (hachi girsa): "e se dizes que 'abençoai' é preferível, por que seis se dividem" — se (im) quiserem (yirtzu), eis que (ha) desde o início (meikara) podem (yecholin) dizer (lomar) "abençoai (barechu)", e agora (vehashta) não (tu lo) diriam (amrei) de outro modo — isto é, não haveria motivo para se dar ao trabalho de dividir o grupo, já que a mesma fórmula "abençoai" já estaria disponível para um grupo maior. "Senão, não se aprende daí" — também (af) "abençoai (barechu)" diz (kaamar) a Mishná (matnitin) — isto é, "abençoai" é permitido segundo a Mishná mesmo com poucos, e já que (vekeivan de) a Mishná (matnitin) diz (kaamar) também (af) "abençoai (barechu)", é razoável (mistabra hi) que é bom (shetov) para a pessoa (leadam) estar (lihyot) entre os que abençoam (hamevarchim), e é apoio (siyata) a Shmuel. E a versão (vegirsa) assim (hachi) está (ita): "seis até dez"; e se dizes (veim amrat) que "abençoai (barechu)" exclusivamente (davka) é preferível, por que (amai) seis (shisha) se dividem (nechlakin)? Senão (ela), não (lav) se aprende (shema mina) daí que também (af) "abençoai (barechu)" é válido, mas não exclusivo? Aprende-se daí (shema mina).
A Guemará conclui, a partir do próprio costume de dividir grupos pequenos, que "abençoemos" é a fórmula preferível — pois se "abençoai" fosse a única ou a melhor opção, não haveria razão para o esforço da divisão.
Ensinou-se (tanya) também (nami) assim (hachi): tanto (bein) se disse (sheamar) "abençoai (barechu)" quanto (bein) se disse (sheamar) "abençoemos (nevarech)" — não (ein) se prende (tofsin) a ele (oto) por isso (al kach) — isto é, não se critica quem usa qualquer das duas fórmulas, mas (vehanakdanin) os pedantes (nakdanin) prendem-se (tofsin) a ele (oto) por isso (al kach) — isto é, apenas os excessivamente meticulosos objetam ao uso de "abençoai", por excluir quem fala do grupo dos que abençoam. E pelas bênçãos (mibirchotav) de uma pessoa (shel adam) se reconhece (nikar) se (im) é talmid chacham (talmid chacham) ou (im) não (lav). Como (keitzad)? Disse Rabi: "e do Seu bem (uvetuvo)" — eis que (harei zeh) é talmid chacham (talmid chacham), "e de Seu bem (umitivo)" — eis que (harei zeh) é bur (bur) — isto é, dizer "do Seu bem", com a preposição que sugere totalidade e abundância, revela erudição; dizer "de Seu bem", sugerindo apenas uma parte, revela ignorância.
"Ensinou-se também assim" — que a Mishná (matnitin) diz (kaamar) também (af) "abençoai (barechu)". "E os pedantes" — os meticulosos (davkanin) prendem-se (tofsin) a ele (oto) por ter excluído (shehotzi) a si mesmo (atzmo) do conjunto (min haklal). "'E de Seu bem' — eis que é bur" — pois (she) diminui (memaet) nos benefícios (betagmulav) do Onipresente (shel makom), pois (de) insinua (mashma) algo (davar) pequeno (muat), o suficiente (kedei) para viver (chayim) — isto é, a preposição "de" sugere que se recebeu apenas uma pequena parte do bem divino, o mínimo necessário à subsistência, o que soa como uma diminuição indevida da generosidade de D'us.
Uma baraita confirma que ambas as fórmulas são aceitas, mas os meticulosos preferem "abençoemos"; e introduz o tema seguinte: como a escolha precisa das palavras de uma bênção revela a erudição ou a ignorância de quem a formula.
Disse-lhe (amar leih) Abaie a Rav Dimi: mas não (vehá) está escrito (chetiv): "e da tua bênção (umibirchatecha) será abençoada (yevorach) a casa (beit) de teu servo (avdecha) para sempre (leolam)" — isto é, Abaie objeta: há um versículo, dito por David, que usa a mesma preposição "de", sugerindo uma parte, e ainda assim é claramente uma expressão de bênção plena e elogiável! Na súplica (bishealá) é diferente (shani) — isto é, Rav Dimi responde: aquele versículo é uma súplica, um pedido, e nesse contexto a linguagem de moderação é apropriada, diferente do contexto de uma bênção de agradecimento. Na súplica (bishealá) também (nami), está escrito (chetiv): "alarga (harchev) a tua boca (picha) e Eu a encherei (vaamalehu)" — isto é, Abaie contesta de novo: mesmo em súplicas, há um versículo que incentiva pedir com ousadia e amplitude, não com moderação! Aquilo (hahu), em palavras (bedivrei) de Torá (torá) está escrito (ketiv) — isto é, Rav Dimi responde por fim: aquele versículo sobre "alargar a boca" refere-se especificamente a pedir sabedoria e palavras de Torá, onde de fato se deve pedir com amplitude, e não se aplica de modo geral a súplicas por bens materiais.
"Na súplica é diferente" — pois (she) quem suplica (hashoel) pede (shoel) como (ke) um pobre (ani) à porta (al petach), que (she) não (eino) ergue (merim) a cabeça (rosh) para pedir (lishol) um pedido (sheeilá) grande (gedolá). "Alarga a tua boca" — para pedir (lishol) todo (kol) o teu desejo (taavatecha).
Um breve desvio sobre pedir com ousadia ou moderação: em súplicas materiais, convém pedir com humildade, como um pobre à porta; apenas quando se trata de pedir sabedoria e palavras de Torá é apropriado "alargar a boca" e pedir com amplitude.
Ensinou-se (tanya), disse Rabi: "de Seu bem (betuvo) vivemos (chayinu)" — eis que (harei zeh) é talmid chacham (talmid chacham) — isto é, incluir a expressão "de Seu bem" ao dizer "vivemos", reconhecendo que a própria vida vem da bondade divina, revela erudição, "vida (chayim)" — eis que (harei zeh) é bur (bur) — isto é, dizer apenas "vida", sem atribuí-la explicitamente ao bem de D'us, é uma formulação de ignorante, pois se exclui a si mesmo do reconhecimento pleno. Os de Neharbela (neharbelaei) ensinam (matni) ao contrário (ipcha) — isto é, na academia de Neharbela, transmite-se essa mesma baraita de forma invertida, e a lei (hilcheta) não (leit) é como (kin) os de Neharbela (neharbelaei) — isto é, a Guemará determina que se deve seguir a versão de Rabi, e não a versão invertida transmitida em Neharbela.
"'Vida' — eis que é bur" — pois (de) excluiu (hotzi) a si mesmo (atzmo) do conjunto (min haklal) — isto é, ao dizer apenas "vida", sem mencionar que ela provém do bem divino, a pessoa parece falar de si mesma isoladamente, sem incluir os demais que também vivem por esse mesmo bem. "Ensinam ao contrário" — segundo essa versão invertida, "vida (chayim)" é preferível (adif), pois (she) inclui (kolel) todos (kol) os que vêm (baei) ao mundo (olam) — isto é, na leitura de Neharbela, a palavra "vida", sem qualificação, seria a forma mais abrangente, por incluir todos os seres vivos, e não apenas quem fala.
Uma segunda baraita sobre a mesma matéria: Rabi prefere "de Seu bem vivemos" a apenas "vida"; a academia de Neharbela transmite o oposto, mas a Guemará determina que a lei segue a versão de Rabi.
Disse Rabi Yochanan: "abençoemos (nevarech), do que comemos (sheachalnu) do Seu (mishelo)" — eis que (harei zeh) é talmid chacham (talmid chacham) — isto é, a fórmula "abençoemos, do que comemos do Seu" insinua que é Ele mesmo, D'us, o único de quem todos comem, o que é a formulação correta, "para Aquele (lemi) de quem (sheachalnu) comemos do Seu (mishelo)" — eis que (harei zeh) é bur (bur) — isto é, dizer "para Aquele de quem comemos", como se dirigindo a um terceiro ausente, insinua que há vários possíveis provedores, o que é uma formulação de ignorante.
"'Abençoemos, do que comemos do Seu'" — insinua (mashma) que (she) Ele (hu) é único (yechidi), que (she) todos (hakol) comem (ochlim) do Seu (mishelo). "'Para Aquele de quem comemos do Seu'" — insinua (mashma) que são muitos (merubim hen) — isto é, muitos provedores possíveis, este (zeh) sustenta (zan) a este (et zeh) e este (vezeh) sustenta (zan) a este (et zeh), e segundo (ulefi) suas palavras (divrav) de quem assim fala, abençoa-se (mevarech) ao dono da casa (et baal habayit) — isto é, essa formulação soaria como se a bênção fosse dirigida ao anfitrião humano, e não a D'us.
Rabi Yochanan ensina a terceira distinção: a fórmula correta reconhece D'us como o único provedor; a fórmula incorreta soa ambígua, como se dirigida a um provedor humano.
Disse-lhe (amar leih) Rav Acha, filho de Rava, a Rav Ashi: mas não (vehá) dizemos (amrinan) "para Aquele (lemi) que fez (sheasá) a nossos pais (laavoteinu) e a nós (velanu) todos (et kol) estes (haelu) milagres (hanisim)" — isto é, Rav Acha objeta: na formulação usual de Chanucá e Purim, dizemos "para Aquele que fez", exatamente a construção que Rabi Yochanan classificou como bur, e ninguém a considera errada! Disse-lhe (amar leih): ali (hatam) é evidente (mochcha) a coisa (milta) — isto é, Rav Ashi responde: nesse caso não há ambiguidade possível, quem (man) faz (aveid) milagres (nissei) — o Santo, bendito seja (kudsha berich hu) — isto é, como só D'us pode realizar milagres, não há risco de a expressão "para Aquele que fez" ser mal interpretada como referindo-se a um provedor humano.
"Ali é evidente a coisa" — pois (de) no feito (bemaasei) dos milagres (nissim) não há (leika) como dizer (lemeimar) que são muitos (merubin) — isto é, ninguém atribuiria um milagre a múltiplos provedores, de modo que a expressão "para Aquele que fez" não gera confusão nesse contexto específico.
Rav Ashi ressalva que a regra de Rabi Yochanan não se aplica onde o contexto já deixa claro, sem ambiguidade, que só D'us pode ser o autor — como no caso dos milagres.
Disse Rabi Yochanan: "bendito (baruch), do que comemos (sheachalnu) do Seu (mishelo)" — eis que (harei zeh) é talmid chacham (talmid chacham) — isto é, na fórmula usada por quem convida com apenas dois outros comensais, dizer "bendito, do que comemos do Seu" é a formulação correta, atribuindo a comida a D'us, "pela comida (al hamazon) que comemos (sheachalnu)" — eis que (harei zeh) é bur (bur) — isto é, dizer apenas "pela comida que comemos", sem atribuí-la explicitamente a D'us, é a formulação de um ignorante, pois não menciona a Sua bondade como fonte.
Uma quarta distinção paralela, agora aplicada à fórmula curta usada com três participantes: atribuir a comida a D'us revela erudição; mencionar apenas "a comida", sem atribuição, revela ignorância.
Disse Rav Huna, filho de Rav Yehoshua: não (la) ensinamos (amaran) isso senão (ela) com três (bishlosha), onde (de) não há (leika) menção do Nome (shem shamayim) — isto é, a regra de que "pela comida que comemos" é sinal de ignorância aplica-se apenas ao caso de três participantes, onde a fórmula não inclui o Nome divino explícito, mas (aval) com dez (baasará), onde (de) há (ika) menção do Nome (shem shamayim) — é evidente (mochcha) a coisa (milta) — isto é, quando há dez participantes e a fórmula já inclui explicitamente o Nome de D'us, dizer "pela comida que comemos" não gera ambiguidade alguma, pois o próprio Nome já deixa claro a quem se atribui a comida, conforme (kedi) ensinamos (tenan): conforme (ke) o assunto (inyan) que (she) ele abençoa (mevarech), assim (kach) respondem (onin) depois dele (acharav): "Bendito (baruch) o Eterno (hashem), D'us (elohei) de Israel (yisrael), D'us (elohei) dos exércitos (hatzevaot), que Se assenta (yoshev) sobre os querubins (hakeruvim), pela comida (al hamazon) que comemos (sheachalnu)" — isto é, essa fórmula ampliada, própria de dez participantes, já contém tantos títulos divinos explícitos que a menção final "pela comida que comemos" não pode ser mal interpretada.
"Conforme ensinamos 'pela comida que comemos'" — e não (velo) se ensina (katani) "do Seu (mishelo)" — isto é, Rashi nota que a própria Mishná, ao formular a fórmula de dez, usa a expressão "pela comida que comemos", sem acrescentar "do Seu", confirmando que essa construção é aceitável quando o Nome já foi mencionado explicitamente antes.
Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, limita a regra anterior: ela vale apenas para a fórmula de três, sem menção do Nome; com dez, onde o Nome já é mencionado explicitamente, a fórmula "pela comida que comemos" deixa de ser ambígua.
Um (echad) com dez (asará) e um (echad) com dez mil (asará ribo) — isto é, retomando a Mishná de 49b, que equipara a fórmula usada com dez participantes à usada com dez mil. Isto mesmo (há gufa) é difícil (kashya) — isto é, a própria Mishná se contradiz: disseste (amrat) um (echad) com dez (asará) e um (echad) com dez mil (asará ribo), logo (alma) são (ninhu) iguais (kehadadei) entre si — isto é, a Mishná parece afirmar que a fórmula é a mesma independentemente de o grupo ter dez, cem, mil ou dez mil; e depois (vahadar) ensina-se (katani): com cem (bemeá) diz (omer) uma fórmula, com mil (beelef) diz (omer) outra, com dez mil (beribo) diz (omer) ainda outra! — isto é, mas em seguida a mesma Mishná parece distinguir as fórmulas conforme o grupo cresce de cem para mil e para dez mil, o que contradiz a equiparação anterior entre dez e dez mil.
A Guemará expõe uma contradição interna na Mishná de 49b: ela parece, ao mesmo tempo, equiparar dez a dez mil e distinguir cem, mil e dez mil entre si.
Disse Rav Yossef: não (la) é difícil (kashya), esta (há) é Rabi Yossei Haglili, esta (há) é Rabi Akiva — isto é, Rav Yossef resolve a contradição atribuindo cada parte da Mishná a um sábio diferente: a equiparação de dez a dez mil segue Rabi Akiva; a distinção crescente conforme o tamanho segue Rabi Yossei Haglili, pois (di) ensinamos (tenan), Rabi Yossei Haglili diz: conforme (lefi) a multidão (rov) da congregação (hakahal) eles (hem) abençoam (mevarchin) — isto é, para Rabi Yossei Haglili, a fórmula da bênção deve variar continuamente conforme o número de participantes cresce, pois se diz (shenehemar): "nas assembleias (bemakhelot) abençoai (barechu) a D'us (elohim)" — isto é, o versículo do salmo, ao usar a palavra no plural "assembleias", sugere múltiplos níveis de reunião, cada qual com sua própria forma de bênção.
Rav Yossef resolve a contradição atribuindo-a a uma disputa entre dois sábios: Rabi Yossei Haglili, que deriva do versículo dos salmos que a fórmula deve variar continuamente conforme o tamanho do grupo.
Disse Rabi Akiva: o que (mah) encontramos (matzinu) na sinagoga (beveit hakneset) etc. (vechu) — isto é, citação abreviada da Mishná já vista em 49b, segundo a qual, tanto o pequeno quanto o grande grupo dizem a mesma bênção, por comparação com a sinagoga, onde a mesma fórmula serve para poucos e muitos. E Rabi Akiva, este (hai) versículo (kra) de Rabi Yossei Haglili, o que (mai) faz (aveid) com ele (leih)? — isto é, a Guemará pergunta como Rabi Akiva interpreta o mesmo versículo dos salmos, já que ele não o usa para justificar variação de fórmulas É necessário (mibaei leih) para o que (lechid) se ensinou (tanya), dizia Rabi Meir: de onde (minayin) que (she) também (afilu) os fetos (uvarin) no ventre (shebimei) de sua mãe (imam) disseram (amru) cântico (shirá) junto ao mar (al hayam) — isto é, uma tradição midráshica ensina que até os fetos ainda não nascidos participaram do cântico do Mar Vermelho — pois se diz (shenehemar): "nas assembleias (bemakhelot) abençoai (barechu) a D'us (elohim), o Eterno (hashem), da fonte (mimkor) de Israel (yisrael)" — isto é, a palavra "fonte" é interpretada como referência ao ventre materno, de onde procede a vida de Israel. E o outro (idach) — isto é, e Rabi Yossei Haglili, de onde ele deriva esse mesmo ensinamento sobre os fetos? De "fonte (mimkor)" se deduz (nafka) — isto é, Rabi Yossei Haglili concorda com esse midrash, deduzindo-o da mesma palavra "fonte", sem precisar de todo o versículo para seu próprio ensinamento sobre a variação da fórmula.
"E o outro" — o ensinamento sobre os fetos (uvarim) de "fonte (mimkor)" se deduz (nafka), e nós (anan) de "assembleias (mimakhelot)" interpretamos (darshinan) — isto é, Rashi esclarece que Rabi Yossei Haglili deriva o ensinamento sobre os fetos da palavra "fonte", reservando a palavra "assembleias" exclusivamente para seu próprio ensinamento sobre a variação da fórmula de bênção conforme o tamanho do grupo.
A Guemará esclarece como Rabi Akiva e Rabi Yossei Haglili dividem entre si as duas palavras do mesmo versículo — "assembleias" e "fonte" — cada um extraindo delas um ensinamento diferente.
Disse Rava: a lei (halachá) é como Rabi Akiva — isto é, Rava decide a favor da posição de que a mesma fórmula serve tanto para dez quanto para dez mil, sem necessidade de variação contínua. Ravina e Rav Chama bar Buzi visitaram (ikelau) a casa (bei) do Reish Galuta (reish galuta) — isto é, foram à casa do líder do exílio. Levantou-se (kam) Rav Chama e ficou (veka) voltando-se (mehadar) para o lado (abei) de cem (meá) — isto é, ao ver a grande multidão presente, Rav Chama começou a procurar uma fórmula diferente e mais elaborada, apropriada para cem pessoas. Disse-lhe (amar leih) Ravina: não (la) precisas (tzerichat) — isto é, não há necessidade de mudar de fórmula, assim (hachi) disse Rava: a lei (halachá) é como Rabi Akiva — isto é, Ravina corrige Rav Chama, lembrando-o de que a lei decidida segue Rabi Akiva, segundo a qual a mesma fórmula simples basta, seja o grupo de dez ou de dez mil.
"A lei é como Rabi Akiva" — no Birkat Hamazon (bevirkat hamazon), que (de) um (echad) com dez (asará) e um (echad) com dez mil (asará ribo) — isto é, Rashi esclarece o escopo da decisão: a mesma fórmula do zimun serve indistintamente para dez ou para dez mil participantes.
Um episódio ilustra a decisão de Rava na prática: mesmo diante de cem pessoas na casa do Reish Galuta, não há necessidade de fórmula especial — a mesma fórmula simples de dez basta.
Disse Rava: quando (ki) comíamos (achlinan) pão (rifta) na casa (bei) do Reish Galuta (reish galuta), abençoávamos (mevarchinan) em grupos de três (shlosha shlosha) — isto é, mesmo estando presente uma multidão numerosa na casa do Reish Galuta, cada trio de comensais fazia seu próprio zimun separadamente. Mas que abençoassem (livarchu) em grupos de dez (asará asará)! — isto é, a Guemará pergunta por que não formavam grupos maiores, de dez, o que permitiria a fórmula mais completa com a menção do Nome Ouviu (shema) o Reish Galuta (reish galuta) e se irritou (ikpad) — isto é, respondendo à pergunta: se o zimun em grupos de dez fosse feito em voz alta, o próprio Reish Galuta ouviria e ficaria contrariado, por parecer que os presentes estavam se organizando à parte, sem incluí-lo. E que saíssem (nifku) com a bênção (bevirchata) do Reish Galuta (reish galuta)! — isto é, a Guemará propõe uma alternativa: por que não simplesmente ouvir e cumprir o dever de zimun com a bênção do próprio Reish Galuta, feita em voz alta ao final? Por estarem todos (kulei alma) fazendo barulho (deavshu), não (la) ouviam (shami) — isto é, o barulho da grande multidão presente impedia que os comensais ouvissem claramente a bênção do Reish Galuta, de modo que não podiam cumprir seu dever através dela.
"Abençoávamos em grupos de três" — o Reish Galuta (reish galuta) prolongava (maarich) sua refeição (bisudato), e nós (anan), cada (kol) grupo de três (shlosha veshlosha) que (she) terminava (gamru) sua refeição (seudatam), fazíamos zimun (mezamnin) em voz (bekol) baixa (namuch), e ficávamos sentados (veyoshvin) depois (achar) da bênção (haberachá) até (ad) que terminasse (shegamar) o Reish Galuta (reish galuta), e faríamos zimun (veyezamnu) ele (hu) e os que estavam sentados (vehayoshvin) junto a ele (etzlo) em voz (bekol) alta (ram) — isto é, Rashi explica a prática: os pequenos grupos faziam seu zimun discretamente, aguardando depois que o Reish Galuta, ao final, fizesse o seu próprio zimun em voz alta com os que estavam junto a ele, e adiante (ulekaman) pergunta-se (parich): "e que saíssem com a bênção do Reish Galuta". "Ouviu o Reish Galuta" — se (im) fizessem zimun (mezamnin) em grupos de dez (asará asará), precisaria (hayah tzarich) quem abençoa (hamevarech) erguer (lehagbiha) sua voz (kolo), e ouviria (veyishma) o Reish Galuta (reish galuta) e se irritaria (veyichra lo) — isto é, ao ouvir grupos de dez fazendo zimun completo, com menção do Nome, o Reish Galuta entenderia que estavam se organizando como grupo independente, publicamente, o que o contrariaria, embora (af al gav) eles (demapki nafshaihu) saíssem (midei) do dever de zimun (zimun) com a menção (hazcarat) do Nome (hashem), e quando (vechi) depois (hadar) faz zimun (mezamen) o Reish Galuta (reish galuta) com a menção (behazcarat) do Nome (hashem), não (lav) eles (inhu) sairiam (nafki) por meio dele (beih) — pois o zimun não se cumpre retroativamente, conforme (kedeamar) disse Rabá Tosfaá que (de) não há (ein) zimun (zimun) retroativamente (lemafrea); apesar disso (afhi) lhes convinha (nicha lehu) assim (behachi), por causa de (mishum) todos (dedavshu kulei alma) fazerem barulho (alma), pois (she) havia ali (hayu sham) muitos reclinados à mesa (mesubin rabim), e não (veein) se ouvia (nishma) a voz (kol) de quem abençoa (hamevarech).
Um episódio prático detalhado: na casa do Reish Galuta, mantinha-se o zimun em pequenos grupos de três para não incomodar o anfitrião, já que grupos de dez, com sua fórmula em voz alta, poderiam soar como uma organização paralela e desagradar-lhe; e cumprir o dever apenas com a bênção final do Reish Galuta não era viável, pois o barulho da multidão impedia que ela fosse ouvida.
Disse Rabá Tosfaá: estes (hanei) três (shlosha) que (de) comem pão (karchi rifta) juntos (bahadei hadadei), e se adiantou (ukedeim) um (chad) deles (minaihu) e abençoou (uverich) por sua própria vontade (ledateih) — isto é, se, entre três comensais, um deles termina antes e recita o Birkat Hamazon sozinho, sem esperar pelo zimun conjunto — eles (inun) cumprem seu dever (nafkin) com o zimun (bezimun) dele (didei) — isto é, os outros dois, ao ouvirem a bênção dele, podem cumprir seu próprio dever de zimun respondendo a ela, ele (ihu) não (la) cumpre seu dever (nafeik) com o zimun (bezimun) deles (didhu) — isto é, mas ele mesmo, que já terminou sua própria bênção sem incluir a fórmula de zimun, não pode depois cumprir esse dever apenas por ouvir os outros dois responderem, pois (lefi) não (she ein) há zimun (zimun) retroativamente (lemafrea) — isto é, uma vez que ele já concluiu sua bênção sem o zimun, não é possível voltar atrás e fazer com que ela seja considerada como tendo incluído o zimun.
"E abençoou por sua própria vontade" — para si mesmo (leatzmo), sem (belo) zimun (zimun). "Retroativamente" — desde que (mishe) abençoou (berich), e o dever (videi) de zimun (zimun) não (lo) cumpriu (yatza) — isto é, uma vez que ele completou sua bênção sem o zimun, já não tem mais como cumprir esse dever, pois o cumprimento não pode retroagir a um momento já passado.
Rabá Tosfaá estabelece uma regra importante sobre a ordem do zimun: quem se adianta e abençoa sozinho permite que os demais cumpram seu dever ouvindo-o, mas ele próprio já não pode mais cumprir o dever de zimun, pois este não se aplica retroativamente.
Rabi Ishmael diz — isto é, citação abreviada da Mishná de 49b, retomando a opinião de Rabi Ishmael sobre a fórmula usada na sinagoga. Rafram bar Papa visitou (ikelá) a sinagoga (bei kenishta) de Avi Giver (avi giver). Levantou-se (kam), leu (kra) no livro (besifra) e disse (vaamar) "Abençoai (barechu) o Eterno (et hashem)", e calou-se (veishtik), e não (velo) disse (amar) "o Bendito (hamevorach)" — isto é, ao chamar para a leitura da Torá, Rafram bar Papa disse apenas "Abençoai o Eterno", sem completar com "o Bendito", seguindo a formulação simples de Rabi Ishmael. Fizeram barulho (avshu) todos (kulei alma): "Abençoai (barechu) o Eterno (et hashem), o Bendito (hamevorach)" — isto é, a congregação, habituada à fórmula mais longa, completou em voz alta a frase que Rafram bar Papa havia deixado incompleta. Disse Rava: cabeça (patya) negra (ukama) — isto é, uma expressão de repreensão afetuosa, dirigida a Rafram bar Papa, para que (lama) precisas (lecha) te meter (bahadei) em disputa (pelugta)? — isto é, Rava repreende Rafram bar Papa por ter insistido na formulação mais simples, gerando confusão na congregação E além disso (veod), eis que (há) o mundo (alma) já pratica (nehug) como (kerabi) Rabi Ishmael — isto é, embora a lei de fato siga Rabi Ishmael, o costume popular já se fixou na fórmula mais longa, e não convém contrariá-lo desnecessariamente.
"Cabeça" (patya) — utensílio (keli) de barro (cheres), conforme (kedeamar) se disse (Avodá Zará 33b): "estes utensílios (patyata) da casa (bei) da alfândega (machsei)" — isto é, Rashi identifica a expressão idiomática como referência a um vaso de barro, aqui usada como repreensão. "Para que precisas te meter em disputa" — é melhor (tov) para ti (lecha) te apegares (leechoz) às palavras (divrei) de Rabi Ishmael, pois (she) também (af) Rabi Akiva concorda (modeh) que (de) quando (ki) se diz (amar) "o Bendito (hamevorach)" é ainda mais (tefei) preferível (adif), mas (ela) que (she) não (ein) é necessário (tzarich) — isto é, mesmo Rabi Akiva reconhece que dizer "o Bendito" é preferível, discordando apenas quanto à obrigatoriedade, de modo que não havia razão para Rafram bar Papa insistir na forma mínima e gerar confusão.
Um episódio final encerra a série sobre fórmulas: Rafram bar Papa, seguindo estritamente Rabi Ishmael, omitiu "o Bendito" ao chamar para a leitura da Torá, gerando confusão na congregação; Rava o repreende, lembrando que mesmo os que discordam de Rabi Ishmael reconhecem a fórmula longa como preferível, e que o costume já a consagrou.
Segunda Mishná do Perek Keitzad Mezamnin: as regras de divisão de grupos de comensais, duas chaburot na mesma casa, e o vinho misturado com água antes da bênção.
Três (shlosha) que (she) comeram (achlu) juntos (keachat) — não (einan) podem (rashain) se dividir (leichalek) — isto é, três comensais que já se obrigaram ao zimun não podem se separar para que um deles fique de fora, deixando de responder ao zimun. E assim (vechen) quatro (arbaá), e assim (vechen) cinco (chamishá) — isto é, a mesma regra se aplica a grupos de quatro ou cinco: nenhum deles pode se retirar do zimun conjunto. Seis (shishá) — se dividem (nechlakin), até (ad) dez (asará) — isto é, a partir de seis participantes, o grupo pode se dividir em dois subgrupos de zimun, e essa possibilidade continua até nove. E dez (vaasará) — não (ein) se dividem (nechlakin), até (ad) vinte (esrim) — isto é, ao chegar a dez, torna-se obrigatória a menção do Nome divino na fórmula, e o grupo não pode mais se dividir até que dobre para vinte pessoas.
"Não podem se dividir" — pois (de) já se obrigaram (itchayvu) ao (lehu) zimun (bezimun). "E assim quatro" — não (ein) os três (hasheloshá) fazem zimun (mezamnin) e o único (hayachid) se separa (yechalek) deles (mehem), pois (de) ele também (ihu nami) se estabeleceu (ikba) na obrigação (bechovat) de zimun (zimun) — isto é, quando o grupo tem quatro pessoas, não é permitido que três façam zimun entre si e deixem a quarta de fora, pois todos os quatro já entraram, juntos, na obrigação do zimun. "Seis se dividem" — para que haja (kedei) zimun (zimun) aqui (lechan) e para que haja (vekedei) zimun (zimun) aqui (lechan) — isto é, cada subgrupo resultante da divisão ainda tem ao menos três pessoas, número mínimo para constituir zimun. "Até dez" — mas (aval) dez (asará) não (ein) se dividem (nechlakim), pois (de) já se obrigaram (itchayvu) ao (lehu) zimun (bezimun) com menção (bahazcarat) do Nome (hashem), até (ad) que sejam (sheyehei) vinte (esrim), e então (veaz) se dividirão (yechalku), se (im) quiserem (yirtzu), em duas (lishtei) chaburot (chaburot).
Uma nova Mishná abre a matéria: até cinco comensais, ninguém pode se separar do zimun conjunto; de seis a nove, o grupo pode se dividir em subgrupos, desde que cada um mantenha ao menos três; ao chegar a dez, a obrigação de mencionar o Nome impede nova divisão até vinte.
Duas (shtei) chaburot (chaburot) que (she) comiam (ochlot) numa mesma casa (bevait echad) — isto é, dois grupos distintos de comensais, cada qual já obrigado ao zimun dentro de si, reunidos sob o mesmo teto, quando (bizman) algumas (miktzatan) delas se veem (roin) umas (elu) às outras (et elu) — eis que (harei) estas (elu) se juntam (mitztarfin) para o zimun (lezimun) — isto é, se ao menos parte de um grupo consegue ver parte do outro, os dois grupos podem se unir e fazer um único zimun conjunto, e senão (veim lav) — estas (elu) fazem zimun (mezamnin) para si (leatzman) e aquelas (veilu) fazem zimun (mezamnin) para si (leatzman) — isto é, se não há visão entre os dois grupos, cada um permanece separado, fazendo seu próprio zimun independentemente.
A Mishná estabelece a regra para duas chaburot na mesma casa: a possibilidade de visão mútua, ainda que parcial, entre os dois grupos, basta para permitir que se juntem num único zimun; sem ela, permanecem separados.
Não (ein) se abençoa (mevarchin) sobre o vinho (hayayin) até (ad) que (she) se ponha (yiten) nele (letocho) água (mayim), palavras (divrei) de Rabi Eliezer — isto é, para Rabi Eliezer, o vinho puro, sem diluição, não é considerado próprio para bênção, sendo necessário misturá-lo com água antes. E os sábios (vachachamim) dizem: abençoa-se (mevarchin) — isto é, os sábios discordam, permitindo a bênção sobre o vinho mesmo sem essa mistura prévia.
A Mishná encerra com uma nova disputa, agora sobre o vinho: Rabi Eliezer exige que se misture água antes da bênção; os sábios dispensam essa exigência — tema que a Guemará virá a desenvolver adiante.
O que (mai) vem (ka) ensinar-nos (mashma lan)? — isto é, a Guemará pergunta qual é a novidade da primeira cláusula da Mishná, que três que comeram juntos não podem se dividir Já ensinamos (teniná) isso (chada zimna) uma vez — isto é, essa mesma regra básica já foi ensinada em outra Mishná, anteriormente estudada: três (shlosha) que (she) comeram (achlu) juntos (keachat) são obrigados (chayavin) a fazer zimun (lezamen)! — isto é, se já sabíamos que três comensais são obrigados ao zimun, é óbvio que nenhum deles pode se retirar; qual é então o novo ensinamento desta Mishná?
A Guemará abre com uma objeção clássica de redundância: a obrigação de três comensais fazerem zimun já era conhecida, tornando aparentemente supérflua a nova cláusula sobre não poderem se dividir.
Isto (há) vem (ka) ensinar-nos (mashma lan), como (ki) aquilo (há) que (de) disse Rabi Aba em nome de Shmuel: três (shlosha) que (she) se sentaram (yashvu) para comer (leechol) juntos (keachat), e ainda (vaadain) não (lo) comeram (achlu) — não (einan) podem (rashain) se dividir (leichalek) — isto é, a novidade da Mishná é que mesmo antes de efetivamente comerem, apenas por já terem se sentado juntos com a intenção de comer em conjunto, os três já se obrigam mutuamente ao zimun, e nenhum deles pode depois se retirar.
A Guemará responde: a novidade da Mishná é que a obrigação de zimun já se estabelece no momento em que os três se sentam juntos com a intenção de comer, mesmo antes de efetivamente comerem — diferente da Mishná anterior, que falava apenas de quem já havia comido.
Outra (achrina) versão (lishaná): disse Rabi Aba em nome de Shmuel, assim (hachi) se ensina (katani): três (shlosha) que (she) se sentaram (yashvu) para comer (leechol) juntos (keachat), ainda que (af al pi she) cada (kol) um (echad veechad) coma (ochel) de seu próprio pão (mikikaro) — isto é, mesmo que cada um traga e coma seu próprio pão separadamente, sem compartilhar comida, não (einan) podem (rashain) se dividir (leichalek) — isto é, o simples fato de se sentarem juntos, com a intenção de comer em companhia, já os obriga ao zimun, independentemente de compartilharem ou não a comida. Ou também (i nami), como (ki) aquilo (há) de Rav Huna, que (de) disse Rav Huna: três (shlosha) que (she) vieram (bau) de três (mishalosh) chaburot (chaburot) — isto é, três pessoas, cada uma pertencente a uma chaburá diferente, que se juntam para comer, não (einan) podem (rashain) se dividir (leichalek) — isto é, mesmo vindo de origens distintas, uma vez que passam a comer juntos, já se obrigam ao zimun conjunto e não podem depois se separar.
"Três que vieram de três chaburot" — e conforme (uchedemasyim) conclui Rav Chisda, que (she) vieram (bau) de três (mishalosh) chaburot (chaburot) de três (shel shlosha) pessoas (bnei adam) em cada (bechol) chaburá (chaburá), e se obrigaram (venitchayvu) estes (elu) ao zimun (bezimun), e se levantou (veamad) um (echad) de cada (mikol) chaburá (chaburá) e se juntaram (venitztarfu) três (shlosha) em uma (lechaburá achat) chaburá — isto é, três pessoas, uma de cada uma das três chaburot originais, que se separam de seus grupos e formam um novo trio, são obrigados (chayavin) a fazer zimun (lezamen) e não (veeinan) podem (rashain) se dividir (leichalek), pois (she) já (kevar) se estabeleceram (hukbeu), e mesmo que (vaafilu) não (lo) tenham comido (achlu) estes (elu) três (hashlosha) desde que (mishe) se juntaram (nitztarfu) uns aos outros (yachad), pois (she) já (kevar) terminaram (gamru) sua refeição (seudatam) com os primeiros (im harishonim) — isto é, mesmo que esse novo trio não tenha efetivamente comido junto, uma vez que cada um já havia terminado sua refeição em sua chaburá original antes de se juntar, ainda assim se obrigam ao zimun conjunto por essa nova associação.
Uma segunda versão da mesma tradição de Rabi Aba em nome de Shmuel, ampliando o alcance da regra: mesmo comendo cada um de seu próprio pão, ou vindo de chaburot distintas, o simples ato de se juntarem para comer já estabelece a obrigação conjunta de zimun.
Disse Rav Chisda: e isso (vehu) quando (she) vieram (bau) de três (mishalosh) chaburot (chaburot) de três (shel shlosha) pessoas (bnei adam) cada uma — isto é, Rav Chisda precisa a condição da regra de Rav Huna: ela se aplica apenas quando cada uma das três chaburot de origem já tinha, ela mesma, três pessoas, de modo que já estava plenamente obrigada ao seu próprio zimun antes da separação.
Rav Chisda especifica a condição exata da regra de Rav Huna: a obrigação do novo trio só se aplica quando cada uma das chaburot de origem já tinha, em si, três pessoas plenamente obrigadas ao zimun.
Disse Rava — isto é, o daf encerra-se aqui no meio de uma frase; a fala de Rava, que qualifica ou expande a condição estabelecida por Rav Chisda, é retomada e concluída logo no início do daf seguinte, 50b.
O daf termina em suspenso, com a fala de Rava apenas iniciada; sua continuação encontra-se no início de 50b.
As fórmulas graduadas de zimun conforme o número de participantes (dez, dez mil, Rabi Yossei Haglili e Rabi Akiva) e o tema das duas chaburot que comem na mesma casa, com a disputa sobre misturar água ao vinho antes da bênção, correspondem, no Talmud Yerushalmi de Berachot, às halachot 7:3 e 7:5 do Perek Zayin.
Ver também no Talmud Yerushalmi →