O daf abre concluindo a narrativa iniciada em 54a: os emorreus escavaram grutas nos penhascos de Arnon para emboscar Israel, sem saber que a Arca nivelava os montes à sua frente; quando a Arca chegou, os montes se juntaram de volta e esmagaram os emorreus, cujo sangue desceu aos ribeiros — sinal que Israel só percebeu ao ver o sangue emergir das pedras, motivo pelo qual entoaram cântico. A Guemará então explica as demais pedras da baraita: as pedras de granizo de Beit Choron, que pairaram no ar sobre Moshé e caíram sobre os inimigos de Yehoshua; a pedra que Og quis arrancar e lançar sobre todo o acampamento de Israel, e como D'us a fez encravar em seu pescoço através de uma formiga, e como Moshé, de dez amot de altura, saltou e o feriu no tornozelo; a pedra sobre a qual Moshé se sentou durante a guerra contra Amalek; a esposa de Lot transformada em coluna de sal; e a muralha de Yericho engolida em seu lugar. Segue-se a discussão se a bênção sobre a esposa de Lot — um castigo, não um milagre — cabe na mesma categoria, resolvida com a instituição de duas bênçãos distintas para Lot e sua esposa, e o ensinamento de Rabi Yochanan de que D'us lembra dos justos mesmo em Sua ira. Depois de esclarecer por que a muralha de Yericho é chamada de "engolida" e não apenas de "caída", a Guemará passa a um novo ensinamento de Rav Yehuda em nome de Rav: quatro precisam agradecer — os que descem ao mar, os que atravessam desertos, o doente que se curou e o preso que foi libertado — cada um com sua fonte no Salmo 107. Segue a discussão sobre a fórmula da bênção (Birkat HaGomel) e a exigência de agradecer diante de dez pessoas, incluindo dois sábios, com a objeção de Rav Ashi; o episódio de Rav Yehuda doente que, ao receber a visita de Rav Chana de Bagdá e outros sábios que o abençoaram, considerou-se dispensado de agradecer publicamente, pois eles já eram dez e responderam amém. O daf fecha com o ensinamento de Rav Yehuda sobre os três que precisam de proteção contra os demônios — doente, noivo e noiva, com acréscimos de outras versões —, e sobre os três hábitos que prolongam os dias e anos do homem: demorar-se na oração, à mesa, e no banheiro — abrindo a pergunta, que só será respondida no início de 55a, se demorar-se na oração é de fato elogiável.
Fizeram (avdi) para eles (lehon) grutas (nekiruta) e se esconderam (uteshó) nelas (behon) — isto é, retomando a narrativa de 54a, os emorreus, ao saberem que Israel passaria por aquele desfiladeiro de Arnon, escavaram grutas nos penhascos para emboscá-los. Disseram (amri): quando (ki) Israel (yisrael) passar (chalfi) aqui (hacha) — os mataremos (niktelinun), e não (vela) sabiam (havu yadei) que (de) a Arca (aron) ia (havá mesagei) adiante (kamayhu) de Israel (deyisrael) e nivelava (vahavá mameich) para eles (lehu) os montes (turei) à sua frente (mikamayhu) — isto é, os emorreus ignoravam que a Arca da Aliança, ao preceder o povo, achatava os montes para abrir caminho, o que tornaria sua emboscada inútil. Assim que (keivan) chegou (data) a Arca (aron), se juntaram (idbaku) os montes (turei) uns com os outros (bahadei hadadei), e os mataram (uketalinun), e desceu (unchat) o sangue deles (demayhu) para os ribeiros (lenachalei) de Arnon — isto é, assim que a Arca chegou e os montes, já nivelados, voltaram à sua posição original, os emorreus escondidos nas grutas foram esmagados entre eles, e seu sangue escorreu para os ribeiros. Quando (ki) chegaram (ato) a Et-Vahev, viram (chazo) o sangue (dema) que (deka) saía (nafeik) dentre (mibeinei) os montes (turei) — isto é, Israel só percebeu o milagre ao ver o sangue emergindo das rochas, sem ter presenciado o esmagamento em si. Vieram (ato) e disseram (veamri) a eles (lehu), a Israel (leyisrael), e entoaram (vaamru) cântico (shirá) — isto é, dois leprosos, testemunhas do sinal, contaram o ocorrido a Israel, que então cantou louvor pelo milagre. Isto é (haynu) o que está escrito (dichtiv): "e o declive (veeshed) dos ribeiros (hanechalim) que (asher) se inclina (natá) para o assento (leshevet) de Ar, e se apoia (venishan) na fronteira (ligvul) de Moav" (Bamidbar 21:15) — isto é, o versículo seguinte, também obscuro, é lido como referência geográfica ao mesmo evento, os montes que se inclinaram um em direção ao outro sobre o vale de Arnon.
"Fizeram para eles grutas" — grutas (mearot) nas passagens (maavrot) do ribeiro (nachal) de Arnon, um vale (emek) profundo (amok) entre (bein) dois (shnei) montes (harim) altos (gevohim), e Israel (yisrael) precisava (tzrichim) passar (laavor) por aquele vale (emek); fizeram (asu) os emorreus (emoraim) grutas (mearot) nas laterais (betzidei) dos montes (haharim) e se esconderam (venechbeu) ali (sham) — isto é, Rashi descreve a geografia do vale, explicando por que era um ponto natural de emboscada. "E se esconderam" — se esconderam (nechbeu). "Ia adiante" — passava (over). "Nivelava os montes" — rebaixava (mashpil) os montes (harim) e se estendiam (umitpashtin) um para o lado do outro (zeh letzad zeh) até que (ad she) o vale (haemek) ficasse plano (shavé). "Viram o sangue" — quando (kesheh) os montes (harim) voltaram (chazru) ao seu lugar (limkomam). "E o declive" — e o derramamento (veshefech). "Que se inclina para o assento de Ar" — o monte (hahar) que está do outro lado (sheb'ever) do vale (haemek) se inclinou (natá) e se estendeu (venitpashet) para o lado (letzad) de seu companheiro (chaveiro), o monte (hahar) que está do lado (shel tzad) além (ever) de Moav, e ali (vesham) fica a terra (eretz) de Moav chamada Ar.
Conclusão da narrativa da emboscada dos emorreus em Arnon: os montes, nivelados pela Arca à passagem de Israel, se juntaram de volta e esmagaram os emorreus escondidos, e o sinal do milagre — o sangue emergindo das rochas — foi visto pelos dois leprosos, que o relataram a Israel, levando ao cântico de louvor.
"Pedras (avnei) de granizo (elgavish)" — citando a expressão da baraita em 54a. O que são (mai) "pedras (avnei) de granizo (elgavish)"? — isto é, a Guemará passa a explicar, item por item, os demais elementos da baraita sobre os lugares de milagre, começando por esta expressão que exige esclarecimento.
A Guemará inicia a explicação detalhada dos itens da baraita, perguntando primeiro o significado de "pedras de granizo".
Ensinou-se (taná): pedras (avanim) que (she) pararam (amdu) sobre (al) um homem (ish), e desceram (veyardu) sobre (al) um homem (ish) — uma leitura que divide as "pedras de granizo" em duas ocasiões distintas, ligadas por uma mesma expressão bíblica, "homem". Pararam (amdu) sobre um homem — este é (zeh) Moshé, pois está escrito (dichtiv): "e o homem (vehaish) Moshé era muito (meod) humilde (anav)" (Bamidbar 12:3), e está escrito (uchtiv): "e cessaram (vayachdelu) as vozes (hakolot) e o granizo (vehabarad), e a chuva (umatar) não (lo) se derramou (nitach) à terra (artza)" (Shemot 9:33) — isto é, durante a praga do granizo no Egito, quando Moshé estendeu as mãos, o granizo cessou de cair, ficando suspenso no ar; a associação da palavra "homem" a Moshé identifica esse episódio como um dos casos de "pararam sobre um homem". Desceram (yardu) sobre um homem — este é (zeh) Yehoshua, pois está escrito (dichtiv): "toma (kach) para ti (lecha) a Yehoshua filho de Nun, homem (ish) em quem (asher) há espírito (ruach bo)" (Bamidbar 27:18), e está escrito (uchtiv): "e sucedeu (vayehi) que, ao fugirem eles (binusam) diante (mipnei) dos filhos (benei) de Israel (yisrael), estando eles (hem) na descida (bemorad) de Beit Choron, o Eterno (Hashem) lançou (hishlich) sobre eles (aleihem) grandes (gdolot) pedras (avanim)" (Yehoshua 10:11) — isto é, na guerra contra os cinco reis emorreus, ao fugirem estes pela descida de Beit Choron diante de Israel, liderado por Yehoshua, o Eterno fez cair sobre eles grandes pedras de granizo, identificando esse episódio como o caso de "desceram sobre um homem".
"Que pararam" — no ar (baavir) — isto é, o granizo da praga do Egito ficou suspenso, sem cair. "Não se derramou à terra" — não (lo) chegou (higuia) à terra (laaretz), mas (ela) pararam (amdu) no ar (baavir).
Explicação das "pedras de granizo": duas ocasiões associadas à palavra bíblica "homem" — o granizo que parou suspenso no ar durante a praga do Egito, no tempo de Moshé, e o granizo que efetivamente caiu sobre os emorreus na descida de Beit Choron, no tempo de Yehoshua.
A pedra (even) que (shebikesh) quis (bikesh) lançar (lizrok) Og, rei (melech) de Bashan, sobre (al) Israel (yisrael), é tradição recebida (gemara gemiri lah) — isto é, este episódio não deriva de um versículo, mas é transmitido oralmente entre os sábios como tradição. Disse (amar): o acampamento (machaneh) de Israel (yisrael) quanto (kama) mede (havei)? — três (telata) parasangas (parsei); irei (eizil) e arrancarei (veeekar) um monte (tura) de (bar) três (telata) parasangas (parsei) e o lançarei (veishdei) sobre eles (alayhu), e os matarei (veiktelinhu) — isto é, Og calculou a extensão exata do acampamento de Israel e planejou arrancar um monte do tamanho equivalente para esmagá-los de uma só vez. Foi (azal), arrancou (akar) um monte (tura) de (bar) três (telata) parasangas (parsei) e o trouxe (veaytí) sobre (al) sua cabeça (reisheih), e o Santo (kudsha), Bendito Seja (brich hu), trouxe (veaytí) sobre ele (aleih) formigas (kamtzei) que (ve) o perfuraram (nakvuh), e desceu (unecheit) o monte ao seu pescoço (betzavreih) — isto é, D-us enviou formigas que perfuraram o monte enquanto Og o carregava, fazendo com que se esburacasse e escorregasse pelo seu pescoço, em vez de atingir Israel.
"Quanto mede o acampamento de Israel? três parasangas" — Og pensou (chashav) assim (chen) em seu coração (belibo): o acampamento (machaneh) de Israel (yisrael) tem três (telata) parasangas (parsei), pois está escrito (dichtiv): "e acamparam (vayachanu) desde (mibeit) Beit Hayeshimot até (ad) Avel Hashitim" (Bamidbar 33:49), e disse Rabá bar bar Chana: eu mesmo (lididi) vi (chazi li) aquele (hahu) lugar (duchtá), e era (vehavá) três (telata) parasangas (parsei) de comprimento (orcha) e três (telata) parasangas (parsei) de largura (putya) — isto é, Rashi confirma com o testemunho de um sábio a extensão real do acampamento, tal como Og a calculara. "Formigas" — formigas (nemalim).
O plano de Og de arrancar um monte do tamanho exato do acampamento de Israel para esmagá-lo, e a intervenção divina por meio de formigas que perfuraram o monte, fazendo-o descer ao pescoço de Og em vez de atingir Israel.
Ele queria (havá baei) retirá-lo (lemishlefeih) — o monte encravado em seu pescoço, mas se estenderam (mashchi) seus dentes (shineih) para este (lehai) lado (gisa) e para aquele (ulehai) lado (gisa) e não (vela) conseguiu (matzei) retirá-lo (lemishlefeih) — isto é, ao tentar puxar o monte para fora com a boca, seus dentes se alongaram descontroladamente para os lados, impedindo-o de se livrar do monte. E isto é (haynu) o que está escrito (dichtiv): "quebraste (shibarta) os dentes (shinei) dos ímpios (reshaim)" (Tehilim 3:8). E conforme (vechid) Rabi Shimon ben Lakish, pois disse (deamar) Rabi Shimon ben Lakish: o que significa (mai) o que está escrito (dichtiv) "quebraste (shibarta) os dentes (shinei) dos ímpios (reshaim)"? Não leias (al tikrei) "quebraste (shibarta)", mas (ela) "estendeste (shirbavta)" — isto é, uma leitura alternativa da mesma raiz consonantal transforma o versículo, entendido tradicionalmente como "quebraste", em referência a este episódio, em que D-us fez os dentes de Og se estenderem descontroladamente.
"Estendeste" — expressão (lashon) de "se estender (ishtarvuvei), se estendeu (ishtarbuv)" — isto é, descreve o alongamento descontrolado: desceram (yardu) e cresceram (vegadlu) para baixo (lematá).
Continuação do episódio de Og: seus dentes se estenderam descontroladamente ao tentar retirar o monte, impedido de se libertar — leitura homilética de Rabi Shimon ben Lakish sobre "quebraste os dentes dos ímpios", lido como "estendeste".
Moshé quanto (kama) media (havá)? — dez (eser) amot (amot) — isto é, a Guemará agora relata como Moshé venceu Og, cuja altura era imensa, segundo esta tradição. Pegou (shekeil) um machado (narga) de (bar) dez (asar) amot (amin), saltou (shevor) dez (asar) amot (amin), e o feriu (umachyeih) no seu tornozelo (bekarsuleih) e o matou (vekatleih) — isto é, mesmo com apenas dez amot de altura e um machado do mesmo tamanho, Moshé saltou dez amot no ar para alcançar o tornozelo do gigante Og, o único ponto que conseguia atingir, e assim o abateu.
"Quanto media Moshé? dez amot" — pois (shehei) ele (hu) ergueu (hekim) o Tabernáculo (hamishkan), e interpretamos (vedarshinan): "ergueu (hekim)" a si mesmo (et atzmo) na altura (lekomat) do Tabernáculo (hamishkan), e está escrito (uchtiv) a respeito dele (beih): dez (eser) amot (amot) o comprimento (orech) da tábua (hakeresh) (Shemot 36:21) — isto é, uma vez que Moshé pôde erguer sozinho as tábuas do Tabernáculo, que tinham dez amot, conclui-se que sua própria estatura era equivalente. "Saltou" — pulou (kafatz) para cima (lemaalá). "No seu tornozelo" — termo em francês antigo, kevilya, em לעז.
Como Moshé, de dez amot de altura, feriu Og no tornozelo com um salto de dez amot, valendo-se de um machado igualmente proporcional — a única forma de alcançar o gigante.
E a pedra (even) sobre a qual (sheyashav aleha) se sentou Moshé — pois está escrito (dichtiv): "e as mãos (videi) de Moshé estavam pesadas (kvedim), e tomaram (vayikchu) uma pedra (even) e a puseram (vayasimu) debaixo dele (tachtav), e ele se sentou (vayeshev) sobre ela (aleha)" (Shemot 17:12) — isto é, a fonte bíblica confirma que, na guerra contra Amalek, quando as mãos de Moshé cansaram de permanecer erguidas, Aharon e Chur colocaram uma pedra sob ele para que se sentasse e mantivesse as mãos levantadas.
"E as mãos de Moshé estavam pesadas" — e não (veeino) conseguia (yachol) estendê-las (lefoshtan) o dia (hayom) todo (kol), a menos que (ela im) sustentassem (tomchim) seus braços (bizroav) — isto é, por isso "tomaram uma pedra e a puseram debaixo dele" — para que se sentasse e assim resistisse a manter os braços erguidos por mais tempo.
A pedra sobre a qual Moshé se sentou durante a guerra contra Amalek, confirmada pelo versículo de Shemot 17:12.
E a esposa (ishto) de Lot — pois está dito (shenneemar): "e olhou (vatabet) sua esposa (ishto) por detrás dele (meacharav), e se tornou (vatehi) uma coluna (netziv) de sal (melach)" (Bereshit 19:26). E a muralha (chomat) de Yericho que (shenivleá) foi engolida (nivleá) — pois está escrito (dichtiv): "e caiu (vatipol) a muralha (hachomá) em seu lugar (tachteha)" (Yehoshua 6:20) — isto é, as fontes bíblicas para os últimos dois itens da baraita: a transformação da esposa de Lot em coluna de sal, e o desabamento da muralha de Yericho exatamente em seu próprio lugar.
Fontes bíblicas para os dois últimos itens da baraita: a esposa de Lot (Bereshit 19:26) e a muralha de Yericho (Yehoshua 6:20).
Está bem (bishlama) quanto a todas elas (kulhu), que são milagre (nisa); mas (ela) a esposa (ishto) de Lot é castigo (puranuta)! — isto é, a Guemará objeta: a baraita afirma que todos esses lugares exigem "agradecimento e louvor", mas a transformação da esposa de Lot em sal foi um castigo divino por sua desobediência, e não um milagre digno de louvor — como incluí-la, então, na mesma lista? — Porque (de) se diz (amar): "Bendito (baruch) … Juiz (dayan) da verdade (haemet)" — isto é, a resposta é que, ao ver o lugar, também se recita uma bênção — mas não a de louvor por um milagre, e sim a bênção reservada para más notícias e para reconhecer a justiça divina, mesmo diante de um castigo.
"Porque se diz 'Bendito … Juiz da verdade'" — isto é a resposta (teirutza) — isto é, Rashi confirma que essa frase constitui a solução da objeção, não uma nova pergunta.
Objeção: a esposa de Lot representa um castigo, não um milagre — resolvida com a resposta de que, nesse caso, recita-se a bênção de "Juiz da verdade", reservada para más notícias, e não a bênção de milagre.
Mas não (veha) se ensinou (katanei) "agradecimento (hodaá) e louvor (vashevach)"?! — isto é, a Guemará insiste: a baraita fala de "agradecimento e louvor" para todos os itens da lista, uma expressão que não parece compatível com uma bênção de "Juiz da verdade" diante de um castigo. Ensine (teni): sobre (al) Lot e sobre (veal) sua esposa (ishto) abençoam-se (mevarchim) duas (shtayim) bênçãos — isto é, a Guemará emenda o texto da baraita: na verdade, dizem-se duas bênçãos distintas, uma para cada um dos dois. Sobre (al) sua esposa (ishto) diz (omer) "Bendito (baruch) … Juiz (dayan) da verdade (haemet)", e sobre (veal) Lot diz (omer) "Bendito (baruch) … que se lembra (zocher) dos justos (hatzadikim)" — isto é, a bênção sobre Lot, que foi salvo, é de louvor — "agradecimento e louvor" —, ao passo que sobre sua esposa recita-se a bênção de "Juiz da verdade". Disse (amar) Rabi Yochanan: mesmo (afilu) na hora (bishaat) da ira (kaaso) do Santo (hakadosh), Bendito Seja (baruch hu), Ele se lembra (zocher) dos justos (hatzadikim), pois está dito (shenneemar): "e sucedeu (vayehi) que, ao destruir (beshachet) D'us (Elohim) as cidades (arei) da planície (hakikar), D'us (Elohim) se lembrou (vayizkor) de Avraham, e enviou (vayeshalach) Lot do meio (mitoch) da destruição (hahafechá) etc." (Bereshit 19:29) — isto é, Rabi Yochanan extrai deste versículo o princípio geral de que o mérito de um justo (Avraham) pode salvar outra pessoa (Lot) mesmo no auge da ira divina contra os ímpios.
"Que se lembra dos justos" — que (she) Se lembrou (zachar) de Avraham — isto é, Rashi esclarece que a bênção sobre Lot celebra, na verdade, o mérito de Avraham, por cuja lembrança Lot foi salvo.
Emenda da baraita: recitam-se duas bênçãos distintas, "Juiz da verdade" sobre a esposa de Lot e "que se lembra dos justos" sobre Lot mesmo — e o ensinamento de Rabi Yochanan de que D'us lembra dos justos mesmo em Sua ira, salvando Lot por mérito de Avraham.
E a muralha (chomat) de Yericho que (shenivleá) foi engolida (nivleá). Mas a muralha (chomat) de Yericho foi engolida (nivleá)? E não (veha) caiu (naflá) ela, pois está dito (shenneemar): "e sucedeu (vayehi) que, ao ouvir (chishmoa) o povo (haam) o som (kol) do shofar (hashofar), e o povo (haam) gritou (vayariu) com grande (gdolá) grito (teruá), e caiu (vatipol) a muralha (hachomá) em seu lugar (tachteha)" (Yehoshua 6:20)?! — isto é, a Guemará questiona a própria formulação da baraita: o versículo fala em "caiu", não em "foi engolida" — por que então a baraita usou essa expressão? — Uma vez que (keivan) sua largura (putyah) e sua altura (rumah) eram (ninhu) iguais (ki hadadei), por isso (mishum hachi) foi engolida (ibalá) em sua queda (beloei) — isto é, como a muralha era tão alta quanto larga, ao cair não se estendeu para os lados como normalmente ocorreria, mas afundou verticalmente no próprio lugar, dando a impressão de ter sido "engolida" pelo chão, em vez de simplesmente desabar.
"Uma vez que sua largura e sua altura eram iguais" — e não (veein) há queda (nefilá) reconhecível (nikeret) nela (bah) se não (im lo) foi engolida (nivleá), por isso (mishum hachi) foi engolida (ibalá), e essa é (vehu) a maneira (derech) de cair (nefilá) para uma muralha (lechomá) como esta (kazo) — isto é, uma muralha tão alta quanto larga, ao cair, necessariamente afunda em si mesma, pois não há espaço lateral suficiente para se estender ao redor.
Explicação de por que a muralha de Yericho é chamada de "engolida": sendo sua largura igual à sua altura, ela não podia simplesmente tombar para o lado, e por isso afundou verticalmente em seu próprio lugar.
Disse (amar) Rav Yehuda em nome de (amar) Rav: quatro (arbaá) precisam (tzrichin) agradecer (lehodot) — isto é, a Guemará passa a um novo ensinamento, sobre quatro categorias de pessoas obrigadas a recitar uma bênção específica de agradecimento por terem escapado de perigo: os que descem (yordei) ao mar (hayam), os que andam (holchei) pelos desertos (midbarot), e aquele que (umi she) estava (hayá) doente (choleh) e se curou (venitrapé), e aquele que (umi she) estava (hayá) preso (chavush) na casa (beit) dos prisioneiros (haasurim) e saiu (veyatzá) — isto é, quatro situações de perigo superado que exigem uma bênção pública de gratidão: a travessia marítima, a travessia do deserto, a cura de doença grave, e a libertação da prisão.
"Precisam agradecer" — quando (kesheyotzin) saem (yotzin) do perigo (min hasakaná) — isto é, Rashi resume o denominador comum das quatro categorias: todas envolvem a superação de um risco real à vida.
Novo ensinamento de Rav Yehuda em nome de Rav: quatro categorias de pessoas que, ao escaparem do perigo, precisam recitar uma bênção pública de agradecimento — navegantes, viajantes do deserto, doentes curados e presos libertados.
Os que descem (yordei) ao mar (hayam), de onde (mnalan) os temos (mnalan)? — pois está escrito (dichtiv): "os que descem (yordei) ao mar (hayam) em navios (baaniyot) etc., estes (hemá) viram (rau) as obras (maasei) do Eterno (Hashem)" (Tehilim 107:23-24). E diz (veomer): "e Ele fez levantar (vayaamed) um vento (ruach) tempestuoso (seará), que subia (yaalu) aos céus (shamayim), descia (yerdu) aos abismos (tehomot)" (Tehilim 107:25-26); e diz (veomer): "rodopiavam (yachogu) e cambaleavam (veyanuu) como um bêbado (kashikor)" (Tehilim 107:27); e diz (veomer): "e clamaram (vayitzaku) ao Eterno (Hashem) em sua angústia (batzar lahem), e de suas aflições (umimtzukoteihem) os tirou (yotziem)" (Tehilim 107:28); e diz (veomer): "fez calar (yakem) a tempestade (seará) em silêncio (lidmamá)" (Tehilim 107:29); e diz (veomer): "e se alegraram (vayismechu) porque (ki) se acalmaram (yishtoku)" (Tehilim 107:30); e diz (veomer): "agradeçam (yodu) ao Eterno (la Hashem) Sua bondade (chasdo) e Suas maravilhas (veniflotav) para com os filhos (livnei) do homem (adam)" (Tehilim 107:31) — isto é, toda a passagem do Salmo 107 é citada, versículo a versículo, descrevendo o perigo dos navegantes em alto-mar e sua salvação, culminando no refrão de agradecimento repetido no salmo.
Fonte bíblica para a obrigação dos navegantes de agradecer: a passagem completa do Salmo 107 (versículos 23 a 31), que descreve o perigo da tempestade no mar e a salvação, culminando no refrão de gratidão.
Os que andam (holchei) pelos desertos (midbarot), de onde (mnalan) os temos (mnalan)? Pois está escrito (dichtiv): "erraram (taú) no deserto (bamidbar), em terra deserta (bishimon), caminho (derech) de cidade (ir) habitada (moshav) não (lo) encontraram (matzau) … e clamaram (vayitzaku) ao Eterno (Hashem) … e os guiou (vayadrichem) por caminho (bederech) reto (yeshará) … agradeçam (yodu) ao Eterno (la Hashem) Sua bondade (chasdo)" (Tehilim 107:4-8) — isto é, o mesmo salmo fornece, em sua abertura, a descrição do perigo de se perder no deserto e o refrão idêntico de gratidão, servindo de fonte para a segunda categoria.
Fonte bíblica para os viajantes do deserto: a abertura do Salmo 107 (versículos 4 a 8), com o mesmo refrão de agradecimento.
Aquele que (mi she) estava doente (chalá) e se curou (venitrapé), pois está escrito (dichtiv): "os insensatos (evilim), por causa de (miderech) seu caminho (darkam) de transgressão (pisham) e por causa de (umeavonoteihem) suas iniquidades (avonoteihem) se afligiam (yitanu). Toda (kol) comida (ochel) sua alma (nafshám) abominava (tetaev) etc., e clamaram (vayizaku) ao Eterno (Hashem) em sua angústia (batzar lahem) etc.; enviará (yishlach) Sua palavra (devaro) e os curará (veyirpaem) etc.; agradeçam (yodu) ao Eterno (la Hashem) Sua bondade (chasdo)" (Tehilim 107:17-21) — isto é, o mesmo salmo descreve o sofrimento do doente que perdeu o apetite por causa de seus pecados, sua súplica e cura miraculosa "por meio da palavra" divina, seguida do mesmo refrão de agradecimento.
Fonte bíblica para o doente curado: Tehilim 107:17-21, descrevendo o sofrimento por transgressão, a súplica e a cura miraculosa, com o mesmo refrão de gratidão.
Aquele que (mi she) estava preso (chavush) na casa (beit) dos prisioneiros (haasurin), de onde (mnalan) o temos (mnalan)? — pois está escrito (dichtiv): "os que habitam (yoshvei) em trevas (choshech) e sombra da morte (tzalmavet) etc., pois (ki) se rebelaram (himru) contra as palavras (imrei) de D'us (el) etc." (Tehilim 107:10-11); e diz (veomer): "e Ele humilhou (vayachna) com trabalho penoso (beamal) seu coração (libam) etc." (Tehilim 107:12); e diz (veomer): "e clamaram (vayizaku) ao Eterno (Hashem) em sua angústia (batzar lahem)" (Tehilim 107:13); e diz (veomer): "os tirará (yotziem) das trevas (mechoshech) e da sombra da morte (vetzalmavet) etc." (Tehilim 107:14); e diz (veomer): "agradeçam (yodu) ao Eterno (la Hashem) Sua bondade (chasdo)" (Tehilim 107:15) — isto é, a quarta seção do mesmo salmo descreve o cativeiro dos que se rebelaram contra D'us, sua súplica na prisão e sua libertação miraculosa, novamente seguida do refrão idêntico.
Fonte bíblica para o preso libertado: Tehilim 107:10-15, quarta e última das quatro seções paralelas do salmo que fundamentam as quatro categorias de Rav Yehuda.
O que (mai) se abençoa (mevarech)? — isto é, a Guemará pergunta agora qual é a fórmula exata dessa bênção de agradecimento. Disse (amar) Rav Yehuda: "Bendito (baruch), Que Concede (gomel) boas graças (chasadim tovim)" — a fórmula que se tornou conhecida como Birkat HaGomel. Abaie disse (amar): e precisa (vetzarich) agradecer (leodoyei) diante de (kamei) dez (asará), pois está escrito (dichtiv): "e O exaltem (viromemuhu) na assembleia (bikhal) do povo (am) etc." (Tehilim 107:32) — isto é, Abaie deriva do próprio salmo, em seu versículo de conclusão, a exigência de que essa bênção seja recitada perante um quórum, identificado como dez pessoas, o mínimo que a tradição chama de "assembleia". Mar Zutra disse (amar): e dois (utrein) deles (minayhu) devem ser sábios (rabanan), pois está dito (shenneemar): "e no assento (uvemoshav) dos anciãos (zekenim) O louvem (yehaleluhu)" (Tehilim 107:32) — isto é, Mar Zutra acrescenta, a partir da segunda metade do mesmo versículo, que entre os dez ao menos dois devem ser sábios versados na Torá, equiparados aos "anciãos".
"E O exaltem na assembleia do povo" — no final (besof) da seção (parashat) do salmo (hamizmor) — isto é, Rashi localiza a citação, indicando que se trata do versículo final do mesmo Salmo 107 já citado repetidamente.
A fórmula da bênção de agradecimento (Birkat HaGomel), segundo Rav Yehuda: "Bendito, Que Concede boas graças" — e as exigências adicionais de Abaie (recitar diante de dez) e Mar Zutra (dois dos dez devem ser sábios), ambas derivadas do versículo de conclusão do Salmo 107.
Objetou (matkif lah) Rav Ashi: e diga-se (veeimá) que todos (kulhu) sejam sábios (rabanan)?! — isto é, Rav Ashi questiona a leitura de Mar Zutra: por que apenas dois entre os dez devem ser sábios, e não a exigência de que todos os dez sejam sábios? — Acaso (mi) está escrito (ktiv) "na assembleia (bikhal) dos anciãos (zekenim)"? "Na assembleia (bikhal) do povo (am)" está escrito (ktiv) — isto é, a resposta: o primeiro versículo fala explicitamente em "povo", não em "anciãos", de modo que a maioria do quórum deve ser composta de povo comum, e apenas o segundo versículo acrescenta a exigência de "anciãos". E diga-se (veeimá): dez (bei asará) do resto (shear) do povo (amá), e dois (utrei) sábios (rabanan) — somando doze ao todo — isto é, a Guemará propõe uma nova objeção: por que não exigir dez pessoas do povo comum além dos dois sábios, totalizando doze, em vez de apenas dez ao todo? É difícil (kashya) — isto é, a Guemará conclui que essa dificuldade permanece sem resposta satisfatória.
Objeção de Rav Ashi sobre por que apenas dois dos dez precisam ser sábios, resolvida pela distinção entre os dois versículos do Salmo 107:32 — mas uma segunda dificuldade, sobre o número exato de participantes, permanece sem solução ("kashya").
Rav Yehuda adoeceu (chalash) e se curou (veitpach). Foi (al) visitá-lo (legabeih) Rav Chana de Bagdá e os sábios (vrabanan) — isto é, um caso concreto que ilustra a lei recém-ensinada. Disseram-lhe (amri leih): "Bendito (brich) o Misericordioso (rachamana) que (de) te deu (yahavach) a nós (nihalan) e não (vela) te deu (yahavach) ao pó (leafra)" — isto é, os visitantes recitaram uma bênção de gratidão por Rav Yehuda ter se recuperado e não ter falecido. Disse-lhes (amar lehu): vocês me dispensaram (petartun yati) de agradecer (millodoyei) — isto é, Rav Yehuda entendeu que a bênção pronunciada por seus visitantes já cumpria, em seu nome, a obrigação de agradecer publicamente pela cura.
"E se curou" — se curou (nitrapé). "De Bagdá" — nome (shem) de sua cidade (iro), Bagdá, que é (hi) a cidade (ir) importante (hachashuvá) da Babilônia (shebbavel) desde que (mishe) foi destruída (charvá) Bavel — isto é, Rashi identifica Bagdá como a cidade que se tornou o centro babilônico após a decadência da antiga Bavel.
Caso concreto: Rav Yehuda, curado de uma doença, recebeu a visita de Rav Chana de Bagdá e outros sábios, que o abençoaram — e ele considerou essa bênção suficiente para dispensá-lo de agradecer separadamente.
Mas não (veha) disse (amar) Abaie que se precisa (baei) agradecer (odoyei) diante de (beapei) dez (asará)?! — isto é, a Guemará questiona: como ele foi dispensado, se estavam presentes apenas Rav Chana e "os sábios", sem se afirmar explicitamente que eram dez? — Porque (de) eram (havu) dez (bei asará) — isto é, a resposta é que, de fato, o grupo reunido totalizava dez pessoas, cumprindo o requisito de Abaie. Mas (veha) ele mesmo (ihu) não (la) agradeceu (ka modeh)! — isto é, nova objeção: mesmo que houvesse dez presentes, foi a bênção deles que foi recitada, e não a de Rav Yehuda — como isso pode substituir sua própria obrigação de agradecer? — Não (la) é necessário (tzarich), pois (de) respondeu (anei) depois deles (batrayhu) "amém (amen)" — isto é, a resposta final: ao responder "amém" à bênção pronunciada por seus visitantes, Rav Yehuda já cumpriu sua própria obrigação, pois responder amém equivale a proferir a bênção.
Dupla objeção resolvida: o grupo de visitantes já totalizava dez, cumprindo a exigência de Abaie; e Rav Yehuda cumpriu sua própria obrigação de agradecer ao responder "amém" à bênção deles.
Disse (amar) Rav Yehuda: três (shloshá) precisam (tzrichin) de proteção (shimur) — isto é, contra os espíritos nocivos, segundo Rashi, e estes (veelu) são (hen) — doente (choleh), noivo (chatan), e noiva (vechalá). Numa baraita (bematnita) ensinou-se (taná): doente (choleh), parturiente (chayá), noivo (chatan), e noiva (vechalá) — isto é, a baraita acrescenta uma quarta categoria à lista de Rav Yehuda, a mulher que acabou de dar à luz. E há quem diga (veyesh omrim): também (af) o enlutado (avel). E há quem diga (veyesh omrim): também (af) os estudiosos (talmidei) de Torá (chachamim) à noite (balaylá) — isto é, duas opiniões adicionais estendem ainda mais a lista, incluindo o enlutado e os sábios que estudam Torá durante a noite.
"Proteção" — dos espíritos nocivos (min hamazikin) — isto é, Rashi esclarece de que perigo trata esta lei: não de riscos físicos comuns, mas de forças espirituais malignas. "Doente" — porque (shehoraá) sua sorte (mazalo) piorou (horaá), por isso (lefichach) o demônio (hashed) se instiga (mitgareh) contra ele (bo), e assim também (vechen) a parturiente (chayá), mulher (ishá) que (sheyaldá) deu à luz (yaldá), e assim também (vechen) o enlutado (avel) — isto é, todos esses estados compartilham uma vulnerabilidade espiritual que atrai forças nocivas. "Noivo e noiva, e os estudiosos da Torá" — por causa de (mikinato) sua inveja (kinato) — do demônio, se instiga (mitgareh) contra eles (bahem) — isto é, nesses casos o perigo não vem de uma fraqueza, mas do ciúme que o próprio bem-estar ou distinção espiritual dessas pessoas desperta nas forças malignas.
Ensinamento de Rav Yehuda sobre os que precisam de proteção especial contra forças nocivas: doente, noivo e noiva, ampliado por uma baraita para incluir a parturiente, e por outras opiniões para incluir o enlutado e os estudiosos de Torá à noite.
E disse (veamar) Rav Yehuda: três (shloshá) coisas (devarim) — quem se demora (hamaarich) nelas (bahen), prolonga (maarichin) os dias (yamav) e os anos (ushnotav) do homem (shel adam) — isto é, um novo ensinamento de Rav Yehuda sobre três hábitos que trazem longevidade. Quem se demora (hamaarich) em sua oração (bitfilato), e quem se demora (vehamaarich) à sua mesa (al shulchano), e quem se demora (vehamaarich) na casa (beit) do banheiro (hakiseh) — isto é, os três hábitos específicos: prolongar a oração, prolongar a refeição à mesa (permitindo que os pobres se beneficiem), e demorar-se no banheiro (o que Rashi identificará adiante como benéfico à saúde).
"E quem se demora à sua mesa" — pois (shemitoch) assim (kach) pobres (aniyim) vêm (baim) e se sustentam (umitparnesim) — isto é, prolongar a refeição dá tempo e oportunidade para que os pobres cheguem e recebam alimento da mesa do anfitrião. "E quem se demora na casa do banheiro" — é remédio (refuá) para ele (lo) — isto é, Rashi explica o benefício do terceiro hábito em termos de saúde física, sem se demorar em vão, mas permitindo que o corpo se esvazie completamente.
Terceiro ensinamento de Rav Yehuda: três hábitos que prolongam a vida — demorar-se na oração, à mesa (em benefício dos pobres) e no banheiro (por razões de saúde).
Mas demorar-se (hamaarich) em sua oração (bitfilato) é qualidade louvável (mealyuta)? — isto é, a Guemará abre uma objeção ao terceiro item recém-ensinado: será mesmo elogiável prolongar a oração, ou isso poderia sugerir falta de confiança em ser ouvido logo, ou até insinceridade? E não (veha) disse (amar) Rabi Chiya bar Abba em nome de (amar) Rabi Yochanan: — a Guemará começa a citar um ensinamento que parecerá contradizer a afirmação de Rav Yehuda, mas a citação e sua resolução prosseguem apenas no início do próximo daf, 55a.
O daf se encerra com a objeção em aberto sobre se demorar-se na oração é de fato louvável — a citação de Rabi Chiya bar Abba em nome de Rabi Yochanan, que parece contradizer o ensinamento de Rav Yehuda, e sua resolução, prosseguem apenas em 55a.