O daf abre resolvendo a objeção deixada em aberto no fim de 54b: demorar-se na oração é louvável apenas quando não se examina em seguida se ela será atendida, pois isso levaria à angústia; o modo correto é multiplicar em súplicas. Segue-se o ensinamento de Rabi Yitzchak sobre três coisas que trazem à lembrança os pecados do homem — parede inclinada, exame da própria oração, e transferir o julgamento do próximo aos Céus. A Guemará então explica por que demorar-se à mesa e no banheiro também são louváveis, com o episódio da matrona que acusou Rabi Yehuda bar Ilai de parecer criador de porcos ou usurário, e sua resposta sobre as vinte e quatro casas de banho entre sua hospedaria e a casa de estudo. Rav Yehuda ensina sobre os três hábitos que encurtam os dias e anos do homem — não ler o Sefer Torá que lhe deram, não abençoar o cálice de bênção, e assumir para si autoridade —, exemplificado por José, que morreu antes de seus irmãos por ter se conduzido com autoridade. Segue o ensinamento de Rav Yehuda em nome de Rav sobre os três que precisam de misericórdia — rei bom, ano bom e sonho bom — e o de Rabi Yochanan sobre os três que o próprio Santo, Bendito Seja, anuncia — fome, fartura e bom administrador, este último exemplificado por Betzalel. Rabi Yitzchak ensina que não se nomeia administrador sobre a comunidade sem consultá-la, com o diálogo entre D'us e Moshé sobre a idoneidade de Betzalel perante o povo; segue-se a etimologia do nome de Betzalel — "à sombra de D'us" — e seu conhecimento das letras com que foram criados os céus e a terra, e o ensinamento de que a sabedoria só é dada a quem já a possui. O daf fecha com uma extensa cadeia de ensinamentos de Rav Chisda sobre sonhos — que todo sonho, exceto o do jejum, deve ser sonhado; que sonho não interpretado é como carta não lida; que nem todo sonho bom nem todo sonho ruim se cumprem por inteiro; que o sonho ruim é preferível ao bom, pois sua tristeza já é suficiente punição, e o bom se esvai com a própria alegria; e a comparação entre o sonho e a palha que sempre acompanha o grão — não há sonho sem elementos vãos —, encerrando com o ensinamento de Rabi Berechya de que mesmo o sonho parcialmente cumprido não se cumpre por inteiro, como se vê no caso de José.
Todo (kol) aquele que se demora (hamaarich) em sua oração (bitfilato) e a examina (umeayein bah) — acaba (sof) chegando (ba lidei) a dor (keev) de coração (lev), pois foi dito (shenneemar): "a esperança (tochelet) prolongada (memushacha) adoece (machalá) o coração (lev)" (Mishlei 13:12) — isto é, respondendo à objeção deixada aberta no fim de 54b, a Guemará esclarece que o elogio de Rav Yehuda a quem se demora na oração não se refere a quem, além de prolongá-la, fica examinando se ela será atendida — pois essa espera ansiosa traz angústia, não bênção. E disse (veamar) Rabi Yitzchak: três (shloshá) coisas (devarim) trazem à lembrança (mazkirim) os pecados (avonotav) do homem (shel adam), e estas (veelu) são (hen): parede (kir) inclinada (natui), e exame (iyun) da oração (tefilá), e transferir (moser) o julgamento (din) sobre (al) o próximo (chaveiro) para os Céus (lashamayim) — isto é, ficar debaixo de uma parede prestes a cair, examinar ansiosamente se a própria oração será atendida, e pedir que o Céu julgue quem nos prejudicou são três situações que expõem o homem a um novo escrutínio de seus méritos, pois quem confia estar sob perigo ou espera ser vingado revela estar confiante em seus próprios méritos, o que convida à revisão celestial de seus atos.
"E a examina" — diz (omer) em seu coração (belibo) que (sheteasseh) se fará (teasseh) seu pedido (bakashato), porque (lefi) orou (shehitpalel) com intenção (bechavaná) — isto é, o que examina a oração está certo, em seu coração, de que ela será atendida, precisamente por tê-la feito com devoção. "Dor de coração" — pois (sheein) seu pedido (bakashato) não (ein) se faz (naasit) — isto é, a decepção de ver o pedido não atendido, apesar da certeza que tinha, é o que causa a dor. "Esperança" — expressão (lashon) de oração (tefilá), como (kemo) "e implorou (vayechal) Moshé" (Shemot 32). "Trazem à lembrança os pecados" — pois (sheal) por meio deles (yedeihen) se examina (mefashpeshim) lá em cima (lemaalá) os seus atos (bemaasav), para dizer (lomar): este (zeh) confia (botei'ach) em seus méritos (bizchuyotav), vejamos (nireh) quais (mah hem) são eles (hem) — isto é, quem se expõe voluntariamente ao perigo, ou espera confiante ser vingado, demonstra convicção em seu próprio mérito, o que provoca um exame celestial mais rigoroso desse mérito. "Parede inclinada" — lugar (makom) de perigo (sakaná). "Transferir o julgamento" — confia (botei'ach) em seus méritos (bizchuyotav) de que (she) seu próximo (chaveiro) será punido (yeanesh) por sua causa (al yado).
Resolução da objeção deixada em aberto em 54b: demorar-se na oração é louvável, mas examiná-la ansiosamente, esperando confirmação de que será atendida, traz dor de coração — e essa mesma confiança excessiva em méritos próprios, presente também em quem se expõe a uma parede inclinada ou entrega o julgamento do próximo aos Céus, expõe o homem a um novo escrutínio celestial de seus pecados.
Isto (ha) não (la) é difícil (kashya): um caso é (ha) de quem a examina (dimeayein bah), o outro caso é (ha) de quem não (dela) a examina (meayein bah) — isto é, a Guemará reconcilia o elogio de Rav Yehuda a quem se demora na oração com a censura de Rabi Yitzchak a quem a examina: demorar-se é louvável quando não se acompanha de exame ansioso do resultado. E como (veheichi) se deve proceder (aveid)? — multiplicando (demafeish) em súplicas (berachamei) — isto é, o modo correto de prolongar a oração de forma elogiável é acrescentar mais súplicas e pedidos de misericórdia, sem ficar avaliando se serão atendidos.
Reconciliação final: demorar-se na oração é louvável quando consiste em multiplicar súplicas, não em examinar ansiosamente se o pedido será atendido.
E quem se demora (vehamaarich) à sua mesa (al shulchano): talvez (dilma) venha (atei) um pobre (anya) e lhe seja dado (veyahev leih) algo — explicando o motivo do elogio: prolongar a refeição dá tempo para que um pobre chegue e receba alimento. Pois está escrito (dichtiv): "o altar (hamizbeach) era de madeira (etz), de três (shalosh) amot (amot) de altura (gavoah)" (Yechezkel 41:22), e está escrito (uchtiv) na continuação do mesmo versículo: "e ele me falou (vayedaber elai): esta é (zeh) a mesa (hashulchan) que está diante (asher lifnei) do Eterno (Hashem)" — começou (patach) com "altar" (bemizbeach) e terminou (vesiyem) com "mesa" (beshulchan)! — isto é, a Guemará observa a estranheza do versículo, que introduz o objeto como "altar" mas o identifica ao final como "mesa". Rabi Yochanan e Rabi Elazar, que disseram (deamri) ambos (tarvayhu): todo (kol) o tempo (zman) em que (she) o Templo (beit hamikdash) existe (kayam) — o altar (mizbeach) expia (mechaper) por (al) Israel (yisrael), e agora (veachshav), a mesa (shulchano) do homem (shel adam) expia (mechaper) por ele (alav) — isto é, a dupla denominação do versículo ensina que a mesa da casa, quando usada para hospedar os necessitados, cumpre hoje a mesma função expiatória que o altar cumpria no Templo.
Explicação de por que demorar-se à mesa é louvável: dá oportunidade de alimentar um pobre, e a mesa do homem, quando usada assim, substitui a função expiatória do altar do Templo, conforme o versículo de Yechezkel que chama o mesmo objeto ora de "altar", ora de "mesa".
E quem se demora (vehamaarich) na casa (beit) do banheiro (hakiseh): é qualidade louvável (mealyuta)? — isto é, a Guemará questiona também o terceiro item, apontando que se demorar no banheiro parece, ao contrário, prejudicial à saúde. Mas não se ensinou numa baraita (vehataniya): dez (asará) coisas (devarim) trazem (mevi'in) o homem (haadam) a (lidei) hemorroidas (tachtoniyot): quem come (haochel) folhas (alei) de canas (kanim), e folhas (vaalei) de videiras (gefanim), e brotos (lulvei) de videiras (gefanim), e o áspero (morigei) da carne do animal (behemá), e a espinha (shidro) do peixe (shel dag), e peixe (dag) salgado (maliach) que (sheeino) não está bem cozido (mevushal kol tzarko), e quem bebe (vehashoteh) as fezes (shimrei) do vinho (yayin), e quem se limpa (vehamekaneach) com cal (besid) e com barro (uvecharsit) — isto é, uma lista de hábitos alimentares e de higiene que provocam essa aflição. E quem se limpa (vehamekaneach) com uma pedra (bitzror) com que (she) seu companheiro (chaveiro) já se limpou (kineach bo), e há quem diga (veyesh omrim): também (af) quem se pendura (hatoleh) a si mesmo (atzmo) na casa (beit) do banheiro (hakiseh) demais (yoter midai) — isto é, a baraita conclui com uma opinião adicional que parece contradizer diretamente o ensinamento de Rav Yehuda, ao listar o excesso de tempo no banheiro como causa de dano, não de benefício.
"Brotos de videiras" — termo em francês antigo, vedliz, em לעז. "O áspero da carne do animal" — toda (kol) carne (basar) no animal (babehemá) que (sheeino) não é lisa (chalak), mas (ela) é semelhante (domeh) ao trilho (lemorag) pontiagudo (charutz) que não é liso (sheeino chalak), como (kemo) o céu da boca (hacheich) e a língua (vehalashon) e o rúmen interno (vehacheres hapenimi) e o omaso (uveit hakosot) — isto é, Rashi esclarece que se trata das partes internas do animal com textura áspera, não lisa. "Quem se pendura" — que (she) não (eino) se senta (yoshev), mas (ela) fica sobre seus joelhos (al birkav), pois (shemitoch) assim (kach) seus orifícios (nekavav) se abrem (niftachin) demais (yoter midai) — isto é, a postura de ficar de cócoras, apoiado apenas nos joelhos, em vez de sentar-se apropriadamente, é o que causa dano quando prolongada em excesso.
Objeção ao terceiro hábito de Rav Yehuda: uma baraita lista dez causas de hemorroidas, terminando com a opinião de que também se pendurar demais no banheiro causa dano — em aparente contradição com o elogio a quem ali se demora.
Não (la) é difícil (kashya): um caso é (ha) de quem se demora (demaarich) e se pendura (vetalei), o outro caso é (ha) de quem se demora (demaarich) e não (vela) se pendura (talei) — isto é, a Guemará reconcilia as duas fontes: o dano vem especificamente da postura de ficar pendurado sobre os joelhos, não do simples fato de se demorar sentado apropriadamente, que continua sendo elogiável e saudável.
Assim (hachi) lemos (garsinan): um caso é de quem se demora e se pendura, o outro é de quem se demora e não se pendura — isto é, Rashi confirma esta como a versão correta do texto.
Reconciliação: demorar-se no banheiro sentado corretamente é saudável e louvável; o dano só ocorre para quem, além de se demorar, permanece na postura de pendurado sobre os joelhos.
Como (ki) aquela (ha) vez em que disse (deamara) a ele (leih) aquela (hahi) matrona (matronita) a Rabi Yehuda, filho de Rabi Ilai: teu rosto (paneicha) se assemelha (domim) ao dos criadores (limegadlei) de porcos (chazirim) e ao dos que emprestam (ulemalvei) com juros (beribit) — isto é, ela o insultou dizendo que seu rosto corado e nutrido sugeria os ganhos fáceis e imorais desses dois ofícios. Disse-lhe (amar lah) ele: por juramento (heimanuta), para mim (lididi) ambos (tarvayhu) são proibidos (assiran) — isto é, Rabi Yehuda jura que nunca praticou nenhum dos dois ofícios mencionados; mas (ela) — vinte e quatro (esrim vearba) casas (beit) de banheiro (hakiseh) há (ika) desde minha hospedaria (meushpizai) até a casa (levei) de estudo (midrasha), pois (dechi) quando (azilna) vou lá, examino (badikna) a mim mesmo (nafshai) em todas elas (bechulhu) — isto é, o verdadeiro motivo de seu bom aspecto é o cuidado com a saúde: ele se detém em cada uma das vinte e quatro casas de banheiro no caminho até a casa de estudo, garantindo que seu corpo se esvazie por completo, o que explica sua boa aparência sem recorrer a ganhos ilícitos.
"Aos criadores de porcos e aos que emprestam com juros" — o lucro deles (secharan) é abundante (meruba) sem (belo) esforço (torach), e se alegram (usmechim) com sua parte (bechelkam), por isso (lechach) seus rostos (peneihem) são corados (tzehuvim) — isto é, a matrona associava a boa aparência de Rabi Yehuda a esses ofícios de ganho fácil e prazeroso. "Por juramento" — expressão (lashon) de juramento (shevuah), isto é (kelomar): com fé (beemunah) afirmo que ambos (shteihen) me são proibidos (assurot li).
Episódio que ilustra o benefício de se demorar corretamente no banheiro: Rabi Yehuda bar Ilai, acusado por uma matrona de ter o rosto de um criador de porcos ou usurário, explica que sua saúde vem do cuidado de se examinar em cada uma das vinte e quatro casas de banheiro entre sua hospedaria e a casa de estudo.
E disse (veamar) Rav Yehuda: três (shloshá) coisas (devarim) encurtam (mekatzrim) os dias (yamav) e os anos (ushnotav) do homem (shel adam) — isto é, em contraste com o ensinamento anterior sobre o que prolonga a vida, agora Rav Yehuda enumera o que a encurta: quem (mi) lhe dão (shenotnin lo) um Sefer Torá (sefer torá) para ler (likrot) e não (veeino) lê (korei), um cálice (kos) de bênção (shel berachá) para abençoar (levarech) e não (veeino) abençoa (mevarech), e quem se conduz (vehamanhig) a si mesmo (atzmo) com autoridade (berabanut) — isto é, recusar a honra de ler publicamente da Torá, recusar a honra de liderar a Bênção do Alimento, e buscar posições de autoridade sobre a comunidade são três atitudes que abreviam a vida.
Novo ensinamento de Rav Yehuda: três coisas que encurtam a vida — recusar ler o Sefer Torá quando oferecido, recusar abençoar o cálice de bênção, e buscar autoridade sobre os outros.
Sefer Torá (sefer torá) para ler (likrot) e não (veeino) lê (korei), pois está escrito (dichtiv): "pois (ki) ele é (hu) tua vida (chayeicha) e o prolongamento (veorech) de teus dias (yameicha)" (Devarim 30:20) — isto é, quem recusa a Torá, sua própria vida, perde o prolongamento dos dias que ela proporciona. Cálice (kos) de bênção (shel berachá) para abençoar (levarech) e não (veeino) abençoa (mevarech) — pois está escrito (dichtiv): "e abençoarei (vaavarcha) os que te abençoam (mevarcheicha)" (Bereshit 12:3) — isto é, quem recusa abençoar perde a bênção prometida a quem abençoa. E quem se conduz (vehamanhig) a si mesmo com autoridade (berabanut) — pois disse (deamar) Rabi Chama bar Chanina: por que (mipnei mah) morreu (met) Yosef antes de (kodem le) seus irmãos (echav) — porque (mipnei) se conduziu (shehinhig) a si mesmo (atzmo) com autoridade (berabanut) — isto é, embora José tenha sido o penúltimo a nascer entre os irmãos, foi o primeiro a morrer, e Rabi Chama bar Chanina atribui isso ao fato de ter assumido para si o governo sobre o Egito e seus próprios irmãos.
"E abençoarei os que te abençoam" — e quem abençoa (vehamevarech) a Bênção do Alimento (birkat hamazon) abençoa (mevarech) o dono (baal) da casa (habayit) — isto é, Rashi aplica o versículo especificamente à Bênção do Alimento, cujo condutor abençoa o anfitrião que providenciou a refeição. "José morreu antes de seus irmãos" — pois está escrito (dichtiv): "e morreu (vayamat) Yosef e todos (vechol) os seus irmãos (echav)" (Shemot 1:6) — isto é, o versículo, ao mencionar a morte de José antes da de seus irmãos, embora ele fosse mais novo, é a fonte para a pergunta de Rabi Chama bar Chanina.
Fontes bíblicas para os três itens: recusar ler o Sefer Torá perde "tua vida e prolongamento de teus dias"; recusar abençoar o cálice perde "abençoarei os que te abençoam"; e José, que se conduziu com autoridade sobre seus irmãos, morreu antes deles, apesar de ser mais novo.
E disse (veamar) Rav Yehuda em nome de (amar) Rav: três (shloshá) precisam (tzrichim) de misericórdia (rachamim): rei (melech) bom (tov), ano (shaná) bom (tová), e sonho (chalom) bom (tov) — isto é, essas três coisas dependem inteiramente da vontade Divina, por isso é preciso implorar misericórdia para obtê-las. Rei (melech) bom (tov) — pois está escrito (dichtiv): "correntes (palguei) de água (mayim), assim é o coração (lev) do rei (melech) na mão (beyad) do Eterno (Hashem)" (Mishlei 21:1) — isto é, o coração do rei está totalmente nas mãos de D'us, tal como Ele o dirige. Ano (shaná) bom (tová) — pois está escrito (dichtiv): "sempre (tamid) os olhos (einei) do Eterno (Hashem) teu D'us (Elokeicha) estão nela (bah), desde o início (mereshit) do ano (hashaná) até o fim (vead acharit) do ano (shaná)" (Devarim 11:12). Sonho (chalom) bom (tov) — pois está escrito (dichtiv): "e me sararás (vetachalimeni) e me farás viver (vetachayeni)" (Yeshayahu 38:16) — isto é, a mesma raiz da palavra "sonho" (chalom) aparece no versículo sobre cura e vida, associando o sonho bom à intervenção Divina.
"Precisam de misericórdia" — precisam (tzrichim) de pedir (levakesh) misericórdia (rachamim) para que (sheyavou) venham (yavou), porque (lefi) eles (shehem) estão na mão (beyado) do Santo (shel hakadosh), Bendito Seja (baruch hu), e não (veein) têm licença (reshut) de vir (lavo) senão (ela) por Sua permissão (bereshuto) — isto é, Rashi explica por que essas três coisas exigem súplica: por dependerem exclusivamente da vontade Divina, sem qualquer garantia natural.
Ensinamento de Rav Yehuda em nome de Rav: rei bom, ano bom e sonho bom dependem inteiramente da misericórdia Divina, cada um com sua fonte bíblica.
Disse (amar) Rabi Yochanan: três (shloshá) coisas (devarim) o próprio (beatzmo) Santo (hakadosh), Bendito Seja (baruch hu), anuncia (machriz) a respeito delas (aleihem), e estas (veelu) são (hen): fome (raav), e fartura (vesova), e um bom (tov) administrador (parnas) — isto é, essas três coisas são de tamanha importância que a própria voz Divina, sem intermediário, as proclama. Fome (raav) — pois está escrito (dichtiv): "pois (ki) o Eterno (Hashem) chamou (kara) à fome (laraav) etc." (Melachim II 8:1). Fartura (sova) — pois está escrito (dichtiv): "e chamarei (vekarati) ao (el) grão (hadagan) e o multiplicarei (vehirbeiti oto)" (Yechezkel 36:29). Bom (tov) administrador (parnas) — pois está escrito (dichtiv): "e disse (vayomer) o Eterno (Hashem) a (el) Moshé, dizendo (leimor): vê (reeh), chamei (karati) pelo nome (veshem) a Betzalel etc." (Shemot 31:1-2) — isto é, nos três casos, o verbo "chamar" atribuído diretamente ao Eterno indica um anúncio pessoal e direto, sem intermediário, o que os distingue de outros decretos.
Ensinamento de Rabi Yochanan: fome, fartura e bom administrador são anunciados pelo próprio D'us diretamente, cada um com sua fonte bíblica que emprega o verbo "chamar" atribuído a Ele mesmo — o terceiro exemplificado pela nomeação de Betzalel.
Disse (amar) Rabi Yitzchak: não (ein) se nomeia (maamidin) administrador (parnas) sobre (al) a comunidade (hatzibur) a menos que (ela im kein) se consulte (nimlachim) a comunidade (batzibur), pois foi dito (sheneemar): "vede (reu), o Eterno (Hashem) chamou (kara) pelo nome (beshem) a Betzalel" (Shemot 35:30) — isto é, o verbo "vede", no plural, dirigido a toda a assembleia, é a fonte para exigir que a comunidade seja consultada antes da nomeação de um líder sobre ela. Disse a ele (amar lo) o Santo (hakadosh), Bendito Seja (baruch hu), a Moshé: Moshé, é idôneo (hagun) a teus olhos (aleicha) Betzalel? Disse-lhe (amar lo): Senhor (ribono) do Universo (shel olam), se (im) diante de Ti (lefaneicha) é idôneo (hagun) — diante de mim (lefanai) não (lo) é tanto mais evidente (kol shekein)! — isto é, Moshé responde que, se D'us mesmo considera Betzalel idôneo, não há necessidade de perguntar sua própria opinião, subordinada à Divina. Disse-lhe (amar lo): mesmo assim (af al pi chein), vai (lech) e dize (emor) a eles (lahem) — isto é, apesar da resposta de Moshé, D'us insiste que ele consulte também o povo, não apenas a si mesmo. Foi (halach) e disse (veamar lahem) a Israel (leyisrael): é idôneo (hagun) a vossos olhos (aleichem) Betzalel? Disseram-lhe (amru lo): se (im) diante do Santo (lifnei hakadosh), Bendito Seja (baruch hu), e diante de ti (ulefaneicha) ele é (hu) idôneo (hagun), diante de nós (lefaneinu) não (lo) é tanto mais evidente (kol shekein)! — isto é, o povo responde de modo semelhante a Moshé, reconhecendo que a aprovação Divina e a de Moshé tornam óbvia sua própria concordância; ainda assim, o próprio ato de perguntar estabelece o princípio de consulta.
"Vê, chamei pelo nome" — "vê" (reeh) significa (mashma): há (hayesh) em teu coração (belibcha) concordância? Presta atenção (ten einecha) a este assunto (badavar) — isto é, Rashi lê o imperativo "vê", dirigido a Moshé, como um convite a examinar e aprovar pessoalmente a nomeação, e não uma mera notificação.
Princípio de Rabi Yitzchak: não se nomeia administrador sobre a comunidade sem consultá-la — ilustrado pelo diálogo em que D'us pergunta a Moshé, e depois manda que Moshé pergunte também ao povo, se Betzalel é idôneo, mesmo sendo óbvia a resposta.
Disse (amar) Rabi Shmuel bar Nachmani em nome de (amar) Rabi Yonatan: Betzalel por causa de (al shem) sua sabedoria (chochmato) foi chamado (nikra) — isto é, seu nome, que significa "à sombra de D'us", reflete sua sabedoria, como o episódio seguinte demonstrará. Na hora (besha'ah) em que disse (sheamar) a ele (lo) o Santo (hakadosh), Bendito Seja (baruch hu), a Moshé: vai (lech), dize (emor) a ele (lo), a Betzalel: "faze-me (aseh li) um Tabernáculo (mishkan), uma Arca (aron) e utensílios (vechelim)" — isto é, D'us instruiu Moshé a transmitir a ordem nesta sequência: primeiro o Tabernáculo, depois a Arca e os utensílios. Foi (halach) Moshé e inverteu (vehafach), e disse-lhe (veamar lo): "faze (aseh) uma Arca (aron) e utensílios (vechelim) e um Tabernáculo (umishkan)" — isto é, ao transmitir a ordem, Moshé, sem perceber, inverteu a sequência, colocando a Arca e os utensílios antes do Tabernáculo. Disse-lhe (amar lo) Betzalel: Moshé nosso mestre (rabeinu), o costume (minhago) do mundo (shel olam) é que o homem (adam) constrói (boneh) uma casa (bayit) e depois (veachar kach) traz (machnis) para dentro dela (letocho) os utensílios (kelim), e tu (veatá) dizes (omer) "faze-me (aseh li) uma Arca (aron) e utensílios (vechelim) e um Tabernáculo (umishkan)", os utensílios (kelim) que (she) eu (ani) fizer (osseh), onde (leheichan) os colocarei (achnisem)? — isto é, Betzalel percebeu a incoerência lógica na ordem transmitida por Moshé, questionando onde guardaria os utensílios antes de haver um Tabernáculo pronto para recebê-los. Acaso (shema) assim (kach) te disse (amar lecha) o Santo (hakadosh), Bendito Seja (baruch hu): "faze (aseh) um Tabernáculo (mishkan), uma Arca (aron) e utensílios (vechelim)"?! — isto é, Betzalel deduziu corretamente, apenas pela lógica da construção, qual devia ter sido a ordem original transmitida por D'us. Disse-lhe (amar lo) Moshé: acaso (shema) estavas (hayita) "à sombra de D'us" (betzel El) — um jogo com o próprio nome Betzalel — e soubeste (veyadata)? — isto é, Moshé reconhece, admirado, que Betzalel adivinhou corretamente a ordem exata que D'us lhe havia dado, como se tivesse estado presente "à sombra de D'us" para ouvi-la diretamente, o que explica seu nome.
"Vai, dize a Betzalel: faze um Tabernáculo, uma Arca e utensílios" — pois assim (shechein) eles (hem) estão ordenados (sedurim) na parashá (befarashat) de Ki Tisá: "vê, chamei pelo nome etc. a tenda (et) da reunião (ohel moed) e a arca (veet haaron) do testemunho (leedut)" e toda a passagem (vechol haparashá) (cf. Shemot 31), e Moshé disse-lhe (amar lo): faze (aseh) a arca (aron) e utensílios (vechelim), como (kegon) a mesa (shulchan) e a menorá (umenorah), e depois (veachar kach) o Tabernáculo (mishkan), pois (de) opina Rabi Yonatan que, conforme a ordem (kesseder) em que estão dispostos (sedurim) em "e tomarão para mim uma oferta (vayikchu li terumá)" (Shemot 25), assim Moshé lhe disse (amar lo) — isto é, Rashi explica de onde Rabi Yonatan extrai que a ordem correta, dada por D'us, era Tabernáculo-Arca-utensílios, e que Moshé a inverteu ao segui-la conforme aparece em outra passagem da Torá.
Episódio que ilustra a sabedoria de Betzalel: ao receber de Moshé a ordem invertida para construir a Arca e os utensílios antes do Tabernáculo, Betzalel deduziu, por pura lógica, que a ordem correta deveria ser o Tabernáculo primeiro — coincidindo exatamente com o que D'us originalmente ordenara, o que levou Moshé a associar seu nome, "à sombra de D'us", a essa sabedoria quase profética.
Disse (amar) Rav Yehuda em nome de (amar) Rav: sabia (yodea havá) Betzalel combinar (letzaref) as letras (otiyot) com que (sheh) foram criados (nivru) os céus (shamayim) e a terra (vaaretz) — isto é, a sabedoria de Betzalel ia além da habilidade técnica, chegando ao conhecimento místico das combinações de letras usadas na própria Criação do universo. Está escrito (ktiv) aqui (hacha): "e o encheu (vayimalei) de espírito (ruach) de D'us (Elokim), com sabedoria (bechochmá), e com entendimento (uvitvunah), e com conhecimento (uvedaat)" (Shemot 31:3), e está escrito (uchtiv) lá (hatam): "o Eterno (Hashem) com sabedoria (bechochmá) fundou (yasad) a terra (aretz), estabeleceu (konen) os céus (shamayim) com entendimento (bitvunah)" (Mishlei 3:19) — isto é, as mesmas três qualidades — sabedoria, entendimento e conhecimento — atribuídas a Betzalel são as que D'us empregou na Criação do mundo, o que ensina que Betzalel possuía o mesmo tipo de sabedoria cósmica. E está escrito (uchtiv): "com Seu conhecimento (bedaato) os abismos (tehomot) se romperam (nivkau)" (Mishlei 3:20).
"As letras com que foram criados os céus e a terra" — por meio da combinação delas (al yedei tzerufan), e no Sefer Yetzirá ensinam-se elas (tani lehu) — isto é, Rashi remete ao Sefer Yetzirá, obra mística que trata das combinações das letras hebraicas usadas na Criação.
Ensinamento de Rav Yehuda em nome de Rav: Betzalel possuía o conhecimento místico das combinações de letras usadas na Criação do universo, deduzido da tríade "sabedoria, entendimento e conhecimento" que o descreve, idêntica à empregada nos versículos de Mishlei sobre a fundação do mundo.
Disse (amar) Rabi Yochanan: não (ein) o Santo (hakadosh), Bendito Seja (baruch hu), dá (notein) sabedoria (chochmá) senão (ela) a quem (lemi) já há (sheyesh) nele (bo) sabedoria (chochmá), pois foi dito (sheneemar): "dá (yahev) sabedoria (chochmeta) aos sábios (lechakimin) e conhecimento (umandea) aos que sabem (leyadei) entendimento (vinah)" (Daniel 2:21) — isto é, a sabedoria Divina não é concedida a quem carece de qualquer base própria, mas àquele que já demonstra disposição e capacidade para ela. Ouviu (shema) Rav Tachlifa do Ocidente (bar maarva) e disse-a (veamrah) diante de (kameih) Rabi Abahu. Disse-lhe (amar leih): vós (atun) de lá (mehatam) a ensinais (matnitu lah); nós (anan) daqui (mehacha) a ensinamos (matninan lah), pois está escrito (dichtiv): "e no coração (uvelev) de todo (kol) sábio (chacham) de coração (lev) pus (natati) sabedoria (chochmá)" (Shemot 31:6) — isto é, Rabi Abahu apresenta uma segunda fonte para o mesmo princípio, extraída da própria passagem sobre Betzalel e seus colaboradores, preferindo-a à fonte babilônica citada por Rabi Yochanan.
Princípio de Rabi Yochanan de que a sabedoria Divina só é concedida a quem já a possui em alguma medida, com duas fontes bíblicas alternativas — uma de Daniel, citada na Babilônia, outra do próprio relato de Betzalel em Shemot, preferida em Eretz Israel.
Disse (amar) Rav Chisda: todo (kol) sonho (chalom) deve ser sonhado, e não (vela) o do jejum (tavot) — isto é, é bom que o homem tenha sonhos, exceto aquele que exige um jejum expiatório por seu conteúdo. E disse (veamar) Rav Chisda: sonho (chelma) que (de) não (la) é interpretado (mefashar) é como (ke) uma carta (igarta) que (de) não (la) é lida (mikarya) — isto é, um sonho sem interpretação permanece sem efeito, tal como uma carta não lida não comunica nada. E disse (veamar) Rav Chisda: não (la) sonho (chelma) bom (tava) se cumpre (mikayam) por inteiro (kuleih), e não (vela) sonho (chelma) ruim (bisha) se cumpre (mikayam) por inteiro (kuleih) — isto é, todo sonho contém alguma parcela de vaidade que não se realiza, seja ele bom ou mau. E disse (veamar) Rav Chisda: sonho (chelma) ruim (bisha) é preferível (adif) a sonho (mechelma) bom (tava). E disse (veamar) Rav Chisda: sonho (chelma) ruim (bisha) — sua tristeza (atzivuteih) já lhe basta (misteyeih); sonho (chelma) bom (tava) — sua alegria (chedveih) já lhe basta (misteyeih) — isto é, o próprio sonho ruim já traz consigo, na tristeza que causa, uma espécie de expiação suficiente, enquanto o sonho bom se esgota na própria alegria momentânea que proporciona, sem trazer mais benefício. Disse (amar) Rav Yosef: sonho (chelma) bom (tava), mesmo (afilu) para mim (lididi), sua alegria (bedichuteih) o anula (mefakcha leih) — isto é, Rav Yosef acrescenta, sobre si mesmo, que apesar de ser cego, mesmo assim a alegria de um sonho bom logo se dissipa. E disse (veamar) Rav Chisda: sonho (chelma) ruim (bisha) é mais duro (kasheh) que açoites (minagda), pois foi dito (sheneemar): "e D'us (vehaElokim) fez (assá) com que (sheyiru) temessem (yiru) diante dEle (milefanav)" (Kohelet 3:14), e disse (veamar) Rabá bar bar Chana em nome de (amar) Rabi Yochanan: isto é (zeh) um sonho (chalom) ruim (ra) — isto é, o versículo de Kohelet, que fala do temor que D'us provoca, é interpretado como referência ao pavor causado por um sonho ruim, cuja dureza é comparada, e considerada até maior, à das punições físicas.
"Todo sonho, e não o do jejum" — todos (kol) os sonhos (chalomot) verá (yireh) o homem (adam), e não (vela) verá (yireh) aquele (echad) dentre os que (meotam) o levam (shehu) a estar em jejum (sharui betaanit) que (sheeino) não é bom (tov); "tavot" é expressão (lashon) de jejum (taanit), como (kemo) "e sem (uvat) jejum (tavot)" dito a respeito de Dariavesh (Daniel 6:19) — isto é, Rashi identifica a rara palavra aramaica "tavot" com jejum, explicando que o único tipo de sonho que não se deve desejar é aquele cujo mau presságio obriga o sonhador a jejuar. "Que não é interpretado" — que (shelo) o resolveram (patruhu) — isto é, ninguém lhe deu uma interpretação. "É como uma carta que não é lida" — não é bom (lo tov) nem (velo) ruim (ra), pois (shekol) todos os sonhos (hachalomot) seguem (holchin) a interpretação (achar hapitaron) — isto é, o significado prático de um sonho depende inteiramente de como é interpretado, permanecendo neutro até então. "É preferível a sonho bom" — pois (shemevi) traz (mevi) o homem (et haadam) a (lidei) arrependimento (teshuvá) — isto é, o temor gerado pelo sonho ruim impele à autocorreção espiritual, benefício que o sonho bom não proporciona. "Sua tristeza já lhe basta" — basta-lhe (dai lo) sua tristeza (atzvono), aquilo (mah) com que (she) o homem (adam) se entristece (mitatzeiv) por causa dele (alav) anula (mevatel) o sonho (et hachalom) — isto é, a própria tristeza sentida já cumpre a função do sonho ruim, dispensando sua realização literal. "Mesmo para mim" — que (sheani) sou cego (meor einayim) — isto é, Rav Yosef, que era cego, ainda assim confirma que a alegria de um sonho bom logo se esvai, mesmo sem a experiência visual da imagem onírica. "Sua alegria o anula" — o cancela (mevatlo). "Que açoites" — que (mimalkot) açoites (malkot), pois é mais duro (kasheh) para o corpo (leguf) do homem (haadam) do que (yoter mi) açoites (malkot), porque (lefi) se preocupa (sheduag) por causa dele (mimenu) — isto é, o pavor persistente causado pelo sonho ruim é mais penoso do que a dor física passageira de um açoite. "Isto é um sonho ruim" — de seu temor (miyirato) retornará (yashuv) e se submeterá (veyikana) — isto é, o próprio temor causado pelo sonho leva ao arrependimento e à submissão diante de D'us.
Cadeia de ensinamentos de Rav Chisda sobre sonhos: deve-se desejar sonhar, exceto o sonho que exige jejum; sonho não interpretado é como carta não lida; nem sonho bom nem ruim se cumprem por inteiro; o sonho ruim é preferível, pois sua tristeza já expia e ele traz arrependimento, enquanto o bom se esvai com a própria alegria (confirmado por Rav Yosef, que era cego); e o sonho ruim é mais duro que açoites, pois o temor que causa é mais penoso que a dor física.
"O profeta (hanavi) que (asher) tem (ito) um sonho (chalom), conte (yesaper) o sonho (chalom); e aquele com quem (vaasher) está (ito) Minha palavra (devari), fale (yedaber) Minha palavra (devari) em verdade (emet); que assunto tem (mah) a palha (latevev) com (et) o grão (habar), diz (neum) o Eterno (Hashem)" (Yirmiyahu 23:28). E que assunto (mah inyan) têm grão (bar) e palha (tevev) junto a (etzel) sonho (chalom)? — isto é, a Guemará questiona a relevância da comparação usada pelo versículo, que parece tratar apenas da diferença entre profecia e sonho. Mas (ela) disse (amar) Rabi Yochanan em nome de (mishum) Rabi Shimon ben Yochai: assim como (keshem) não (ee) é possível (efshar) ao grão (levar) sem (belo) palha (teven), assim (kach) não (ee) é possível (efshar) ao sonho (lachalom) sem (belo) coisas (devarim) vãs (beteilim) — isto é, a comparação bíblica é lida como ensinamento sobre a própria natureza do sonho: assim como o grão sempre vem misturado com palha, todo sonho contém necessariamente elementos falsos ou vãos ao lado de qualquer verdade que carregue.
Leitura homilética do versículo de Yirmiyahu sobre grão e palha: assim como não há grão sem palha, não há sonho sem alguma mistura de elementos vãos.
Disse (amar) Rabi Berechya: um sonho (chalom), ainda que (af al pi) parte dele (mikeztato) se cumpra (mitkayem) — por inteiro (kulo) não (eino) se cumpre (mitkayem) — isto é, encerrando a série de ensinamentos sobre sonhos, Rabi Berechya afirma que mesmo quando parte de um sonho se realiza de fato, isso não significa que todos os seus detalhes se cumprirão. De onde (mena) o sabemos (lan)? De (mi) Yosef, pois está escrito (dichtiv): "e eis que (vehineh) o sol (hashemesh) e a lua (vehayareach) etc." (Bereshit 37:9) — isto é, no sonho de José, o sol, a lua e as onze estrelas se curvavam diante dele; embora as estrelas — seus irmãos — de fato tenham se prostrado, o sol e a lua — seu pai e sua mãe — não se cumpriram literalmente, pois sua mãe já havia falecido antes desse episódio, demonstrando que nem todo elemento de um sonho verdadeiro se realiza.
Encerramento da série sobre sonhos: mesmo um sonho que se cumpre em parte não se cumpre por inteiro, como demonstra o sonho de José, em que apenas o prostrar-se das estrelas (os irmãos) se realizou, mas não o do sol e da lua (pai e mãe).