Talmud Bavli · Berachot · Daf 56, lado B · Perek Tet (HaRoeh)
נו ע״ב

A morte do chefe do tesouro por pagar tarde demais; os sonhos de Ben Dama, Bar Kappara e o herege; e a longa baraita sobre símbolos de sonhos

Berachot 56b · Perek Tet ("Aquele que vê")

O daf abre completando o episódio do chefe do tesouro real: vendo a mancha tomar toda a mão, ele finalmente paga a Bar Hedya com panos de seda do rei, mas a interpretação chega tarde — os dois cedros já foram amarrados às pernas do funcionário e o partiram ao meio antes que a solução pudesse ser aplicada. Seguem-se três episódios curtos e vívidos de interpretação de sonhos: Ben Dama, sobrinho de Rabi Yishmael, e suas bochechas caídas, lidas como a morte de dois batalhões romanos que tramavam contra ele; Bar Kappara e Rabi, com uma série de sonhos sobre nariz, mãos e pés decepados, e uma data de morte, cada um reinterpretado para o bem; e um herege que provoca Rabi Yishmael com sonhos de conteúdo sexual e criminoso, todos devolvidos como acusações exatas de seus próprios atos, até que ele nega o último e é desmentido por sua própria esposa. Um sonho sobre herança esquecida na Capadócia é decifrado por Bar Hedya através de um jogo de palavras aramaico-grego. A partir daí a Guemará muda de registro: uma sequência de ensinamentos amoraicos e uma extensa baraita listam dezenas de imagens de sonho — poço, rio, pássaro, panela, uvas, monte, shofar, cão, leão, tosquia, cana e canas, boi, jumento, gato, cavalo branco e vermelho, ismaelita, camelo, Pinchas, elefante — explicando o que cada uma prenuncia e, no caso de presságios ambíguos, qual versículo bíblico recitar pela manhã para fixar a interpretação favorável antes que outro versículo a antecipe para o mal. O daf termina em aberto, no meio da discussão sobre quais animais são bons presságio em sonho, exceto o elefante e o macaco — questão resolvida apenas no início do daf seguinte.

1Panos de seda do rei! Amarraram dois cedros com uma corda...
Bavli · 56b — Guemará
שִׁירָאֵי דְּמַלְכָּא! כְּפִיתוּ תְּרֵין אַרְזֵי בְּחַבְלָא, אֲסוּר חַד כְּרָעֵיהּ לְחַד אַרְזָא וְחַד כְּרָעֵיהּ לְחַד אַרְזָא, וּשְׁרוֹ לְחַבְלָא עַד דְּאִצְטְלִיק רֵישֵׁיהּ. אֲזַל כׇּל חַד וְחַד וְקָם אַדּוּכְתֵּיהּ וְאִצְטְלִיק וּנְפַל בִּתְרֵין.

"Panos de seda (shirai) do rei (demalka)!" — o chefe do tesouro, vendo a mancha tomar-lhe toda a mão, entrega finalmente a Bar Hedya panos de seda do próprio rei como pagamento e conta-lhe o sonho completo; mas era tarde demais, pois já se cumprira o mal que a interpretação, se dada a tempo, poderia ter anulado. "Amarrai (kefitu) dois (terein) cedros (arzei) com uma corda (bechavla), atai (asur) uma (chad) perna (karaeih) a um (lechad) cedro (arza) e uma (vechad) perna (karaeih) a outro (lechad) cedro (arza), e soltai (ushero) a corda (lechavla) até que (ad de) sua cabeça (reisheih) se rache (itztelik)" — esta era a interpretação, tardia, do sonho da agulha e da mancha avançando pela mão: que o funcionário fosse executado, amarrado entre dois cedros dobrados e depois soltos com violência. Foi (azal) cada (kol chad) um (vechad) e ficou (vekam) em seu lugar (aduchteih), e ele se rachou (itztelik) e caiu (unefal) em dois (bitrein) — isto é, os dois cedros, soltos, voltaram cada um à sua posição original com tanta força que despedaçaram o corpo do funcionário do tesouro em duas partes, cumprindo assim, tarde demais para ser evitado, o presságio que a agulha e a mancha já indicavam desde o início.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
שיראי דמלכא – מעילים של מלך: דאצטליק – נחלק לב' ודוגמתו בהעור והרוטב (דף קכד.) דצלקי מצלק:

"Panos de seda do rei" — mantos (meilim) do rei (hamelech). "Que se rachou" — dividiu-se (nechelak) em dois (bishnayim), e seu exemplo (vedugmato) está em "O couro e o molho" (outro tratado), onde (de) "se racham, rachando" — isto é, Rashi identifica a raiz aramaica "צל״ק" usada aqui com o sentido de partir-se ou rachar-se ao meio, remetendo a seu uso paralelo em outro lugar do Talmud.

Nota

Conclusão do episódio do chefe do tesouro real: ele finalmente paga a Bar Hedya com panos de seda do rei, mas recebe a interpretação tarde demais — o sonho da agulha e da mancha já indicava a morte que se cumpre agora, com o funcionário despedaçado entre dois cedros dobrados e soltos.

2Ben Dama, sobrinho de Rabi Yishmael, perguntou a Rabi Yishmael: vi que minhas duas bochechas caíram
Bavli · 56b — Guemará
שָׁאַל בֶּן דָּמָא בֶּן אֲחוֹתוֹ שֶׁל רַבִּי יִשְׁמָעֵאל אֶת רַבִּי יִשְׁמָעֵאל: רָאִיתִי שְׁנֵי לְחָיַי שֶׁנָּשְׁרוּ. אָמַר: שְׁנֵי גְּדוּדֵי רוֹמִי יָעֲצוּ עָלֶיךָ רָעָה, וּמֵתוּ.

Perguntou (shaal) Ben Dama, filho da irmã (ben achoto) de Rabi Yishmael, a Rabi Yishmael: vi (raiti) que minhas duas (shnei) bochechas (lechayai) caíram (shenashru). Disse (amar): dois (shnei) batalhões (gedudei) de Roma (romi) tramaram (yaatzu) mal (raá) contra ti (alecha), e morreram (umetu) — isto é, Rabi Yishmael lê as duas bochechas caídas como os dois batalhões que conspiravam contra Ben Dama, agora eliminados, uma leitura que associa "lechayayim" (bochechas) a "gedudim" (batalhões, tropas) que "caem" no sentido de perecer.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
יעצו עליך רעה – והם הלחיים פה שיעץ עליך רעה:

"Tramaram mal contra ti" — e eles (vehem) são as bochechas (halechayayim), boca (peh) que (she) tramou (yaatz) mal (raá) contra ti — isto é, Rashi liga o órgão do sonho (as bochechas, junto à boca) ao ato de "tramar", associado à fala.

Nota

Primeiro dos episódios curtos de interpretação: Ben Dama sonha com suas bochechas caindo, e Rabi Yishmael lê nisso a morte de dois batalhões romanos que conspiravam contra ele.

3Disse-lhe Bar Kappara a Rabi: vi que meu nariz caiu
Bavli · 56b — Guemará
אֲמַר לֵיהּ בַּר קַפָּרָא לְרַבִּי: רָאִיתִי חוֹטְמִי שֶׁנָּשַׁר. אֲמַר לֵיהּ: חֲרוֹן אַף נִסְתַּלֵּק מִמְּךָ. אֲמַר לֵיהּ: רָאִיתִי שְׁנֵי יָדַי שֶׁנֶּחְתְּכוּ. אֲמַר לֵיהּ: לֹא תִּצְטָרֵךְ לְמַעֲשֵׂה יָדֶיךָ. אֲמַר לֵיהּ: רָאִיתִי שְׁתֵּי רַגְלַי שֶׁנִּקְטְעוּ. אֲמַר לֵיהּ: עַל סוּס אַתָּה רוֹכֵב. חֲזַאי דְּאָמְרִי לִי בַּאֲדָר מָיְתַתְּ וְנִיסָן לָא חָזֵית. אֲמַר לֵיהּ: בְּאַדְרוּתָא מָיְתַתְּ וְלָא אָתֵית לִידֵי נִסָּיוֹן.

Disse-lhe (amar leih) Bar Kappara a Rabi: vi (raiti) que meu nariz (chotmi) caiu (shenashar). Disse-lhe (amar leih): a ira (charon af) se afastou (nistalek) de ti (mimcha) — jogo com "af", que significa tanto "nariz" quanto "ira". Disse-lhe (amar leih): vi (raiti) que minhas duas (shnei) mãos (yadai) foram cortadas (shenechtechu). Disse-lhe (amar leih): não (lo) precisarás (titztarech) da obra (lemaaseh) de tuas mãos (yadecha) — isto é, ficarás rico o bastante para não precisar trabalhar. Disse-lhe (amar leih): vi (raiti) que meus dois (shtei) pés (raglai) foram amputados (shenikteu). Disse-lhe (amar leih): sobre (al) um cavalo (sus) cavalgarás (ata rocheiv) — não precisarás mais dos próprios pés. Disse-lhe Bar Kappara: vi (chazai) que (de) me disseram (amri li): em Adar (baadar) morrerás (maytat), e Nissan (nisan) não (la) verás (chazeit). Disse-lhe (amar leih): com honra (beadruta) morrerás (maytat), e não (vela) chegarás (atait) a ser posto (lidei) à prova (nisayon) — isto é, Rabi lê "Adar" e "Nissan" não como os meses do calendário, mas como as palavras aramaicas "adruta" (honra, dignidade) e "nisayon" (prova, tentação), transformando um presságio de morte iminente em uma bênção de morrer com dignidade sem passar por provações.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
חרון אף – ניכר בחוטם שמתחמם ומוציא הבל על כן הוא קרוי חרון אף: לא תצטרך למעשה ידיך – שתתעשר: באדרותא מיתת – בכבוד ובהדר תמות:

"A ira" — reconhece-se (nikar) no nariz (bachotem), que (she) esquenta (mitchamem) e expele (umotzi) vapor (hevel), por isso (al ken) é chamada (hu karui) "ira do nariz" (charon af). "Não precisarás da obra de tuas mãos" — pois te enriquecerás (shetitasher). "Com honra morrerás" — com dignidade (bechavod) e esplendor (uvehadar) morrerás (tamut) — isto é, Rashi confirma o jogo de palavras: a ira se manifesta fisicamente no nariz, e "adruta" é lido como honra, não como o mês de Adar.

Nota

Série de quatro sonhos de Bar Kappara a Rabi — nariz caído, mãos cortadas, pés amputados, e uma data de morte —, cada um reinterpretado para o bem através de trocadilhos: ira dissipada, riqueza, cavalgar em vez de andar, e morte honrosa sem provações, em vez de morte no mês indicado.

4Disse-lhe certo herege a Rabi Yishmael: vi que eu regava azeite para oliveiras
Bavli · 56b — Guemará
אֲמַר לֵיהּ הָהוּא מִינָא לְרַבִּי יִשְׁמָעֵאל: רָאִיתִי שֶׁאֲנִי מַשְׁקֶה שֶׁמֶן לְזֵיתִים. אֲמַר לֵיהּ: בָּא עַל אִמּוֹ. אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי דִּקְטִיף לִי כּוֹכְבָא. אֲמַר לֵיהּ: בַּר יִשְׂרָאֵל גְּנַבְתְּ. אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי דִּבְלַעְתֵּיהּ לְכוֹכְבָא. אֲמַר לֵיהּ: בַּר יִשְׂרָאֵל זַבֵּנְתֵּיהּ וַאֲכַלְתְּ לִדְמֵיהּ. אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי עֵינַי דְּנָשְׁקָן אַהֲדָדֵי. אֲמַר לֵיהּ: בָּא עַל אֲחוֹתוֹ. אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי דִּנְשַׁקִי סֵיהֲרָא. אֲמַר לֵיהּ: בָּא עַל אֵשֶׁת יִשְׂרָאֵל. אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי דְּדָרֵיכְנָא בְּטוּנָא דְּאָסָא. אֲמַר לֵיהּ: בָּא עַל נַעֲרָה הַמְאוֹרָסָה. אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי טוּנָא מֵעִילַּאי וְהוּא מִתַּתַּאי. אֲמַר לֵיהּ: מִשְׁכָּבְךָ הָפוּךְ. אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי עוֹרְבֵי דְּהָדְרִי לְפוּרְיֵיהּ. אֲמַר לֵיהּ: אִשְׁתְּךָ זָנְתָה מֵאֲנָשִׁים הַרְבֵּה. אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי יוֹנֵי דְּהָדְרִי לְפוּרְיֵיהּ. אֲמַר לֵיהּ: נָשִׁים הַרְבֵּה טִמֵּאתָ. אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי דְּנָקֵיטְנָא תְּרֵי יוֹנֵי וּפָרְחָן. אֲמַר לֵיהּ: תַּרְתֵּי נְשֵׁי נְסַבְתְּ וּפְטַרְתִּינּוּן בְּלָא גֵּט.

Disse-lhe (amar leih) certo (hahu) herege (mina) a Rabi Yishmael: vi (raiti) que eu regava (mashke) azeite (shemen) para oliveiras (lezeitim). Disse-lhe (amar leih): vieste sobre (ba al) tua mãe (imo). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) arranquei (ktif li) uma estrela (kochva). Disse-lhe (amar leih): filho de Israel (bar Yisrael), roubaste (genavt) — pois Israel é comparado às estrelas. Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) a engoli (velaateih) à estrela (lechochva). Disse-lhe (amar leih): filho de Israel (bar Yisrael), vendeste-a (zabenteih) e comeste (vaachalt) seu valor (lidmeih). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) meus olhos (einai) que se beijavam (denashkan) um ao outro (ahadadei). Disse-lhe (amar leih): vieste sobre (ba al) tua irmã (achoto). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) beijava (neshaki) a lua (seihara). Disse-lhe (amar leih): vieste sobre (ba al) a esposa (eshet) de um israelita (Yisrael). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) caminhava (dareichna) sob a sombra (betuna) de murta (deasa). Disse-lhe (amar leih): vieste sobre (ba al) uma jovem (naara) noiva (hameurasa) — pois se cobria a noiva, ao entrar sob o pálio, com um véu de murta. Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) a sombra (tuna) por cima (meilai) e ele (vehu) por baixo (mitatai). Disse-lhe (amar leih): teu leito (mishkavcha) está invertido (hafuch) — acusação de relação antinatural. Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) corvos (orvei) que (dehadrei) voltavam à sua cama (lefuryeih). Disse-lhe (amar leih): tua esposa (ishtecha) prostituiu-se (zanta) com muitos (harbeh) homens (anashim). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) pombas (yonei) que voltavam à sua cama (lefuryeih). Disse-lhe (amar leih): muitas (harbeh) mulheres (nashim) impurificaste (timeta). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) segurava (nakeitna) duas (terei) pombas (yonei) e voavam (uparchan). Disse-lhe (amar leih): duas (tartei) mulheres (neshei) tomaste (nesavt) e as despediste (ufetartinun) sem (bela) documento de divórcio (get) — isto é, o herege provoca Rabi Yishmael com uma longa série de sonhos de conteúdo sexual e criminoso, e este, sem hesitar, devolve cada imagem como acusação precisa e literal de um pecado real cometido pelo próprio herege.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
אמו בעל – דומיא דשמן שהוא בתוך הזית השקה את אמו: קטיף לי כוכבא – עקרתי כוכב בחלום: גנבת – שנמשלו לכוכבים: טונא דאסא – טולא דאסא: נערה המאורסה – היו רגילין לעשות לה חופה של הדס בכניסתה לחופה וקורין לה הינומא כדאמרינן בכתובות (דף טו:) שיצאתה בהינומא וראשה פרוע:

"Veio sobre sua mãe" — por semelhança (dumya) ao azeite (shemen) que (she) está dentro (betoch) da azeitona (hazayit), regou (hishka) sua mãe (imo). "Arranquei uma estrela" — arranquei (akarti) uma estrela (kochav) em sonho (bechalom). "Roubaste" — pois (she) foram comparados (nimshelu) às estrelas (lakochavim). "Sombra de murta" — sombra (tzila) de murta (deasa). "Jovem noiva" — costumavam (hayu regilin) fazer-lhe (laasot lah) um pálio (chupa) de murta (shel hadas) ao entrar sob o pálio (bechnisata lachupa), e chamavam-no (vekorin lah) "hinuma", como (kedamerinan) se diz em Ketubot: que ela saía (sheyatzta) com véu (behinuma) e cabeça (verosha) descoberta (paru'a) — isto é, Rashi explica cada associação simbólica: o azeite dentro da azeitona sugere a mãe que contém o filho; as estrelas remetem a Israel; e a sombra de murta era o costume do véu nupcial, de modo que sonhar caminhar sob ela sugere relação com uma noiva.

Nota

O herege tenta constranger Rabi Yishmael com uma longa cadeia de sonhos de teor sexual e criminoso; em cada caso, a interpretação por associação de imagens devolve-lhe a acusação exata e literal do próprio pecado cometido.

5Disse-lhe: vi que eu descascava ovos
Bavli · 56b — Guemará
אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי דְּקָלֵיפְנָא בֵּיעֵי. אֲמַר לֵיהּ: שָׁכְבֵי קָא מְשַׁלְּחַתְּ. אֲמַר לֵיהּ: כּוּלְּהוּ אִיתַנְהוּ בִּי, בַּר מֵהָא דְּלֵיתֵיהּ. אַדְּהָכִי וְהָכִי אָתְיָא הַאי אִיתְּתָא וְאָמְרָה לֵיהּ: הַאי גְּלִימָא דְּמִכַּסַּתְּ — דְּגַבְרָא פְּלוֹנִי הוּא, דְּמִית וְאַשְׁלַחְתֵּיהּ.

Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) eu descascava (kaleifna) ovos (beiei). Disse-lhe (amar leih): mortos (shachvei) tu (ka) despiste (meshalachat) — isto é, o herege costumava despir os mortos de suas roupas. Disse (amar leih) o herege: todas (kulhu) as acusações (itanhu) são verdadeiras a meu respeito (bi), exceto (bar mehá) esta (deleiteih) — que não é verdadeira. Enquanto (adehachi vehachi) isso se passava, veio (atya) aquela (hai) mulher (ita) e disse-lhe (veamra leih): este (hai) manto (gelima) com que (demikasat) te cobres (michasat) — é (de) de fulano (gavra peloni) de nome tal, que (hu) morreu (demit) e tu o despiste (veashlachteih) — isto é, mesmo a única acusação que o herege negou é confirmada de imediato por testemunha ocular, revelando que ele mentia ao negar.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
שכבי משלחת – מתים הפשטת:

"Mortos despiste" — despiste (hifshat) os mortos (metim) — isto é, Rashi explica que "meshalachat" aqui significa despojar os cadáveres de suas vestes, um ato de profanação.

Nota

Última acusação da série contra o herege: descascar ovos lido como despojar cadáveres; ele nega apenas esta, mas é desmentido na hora por uma mulher que reconhece nele o manto de um morto que ele despojou.

6Disse-lhe: vi que me disseram: teu pai te deixou bens na Capadócia
Bavli · 56b — Guemará
אֲמַר לֵיהּ: חֲזַאי דְּאָמְרִי לִי: שְׁבַק לָךְ אֲבוּךְ נִכְסֵי בְּקַפּוֹדְקְיָא. אֲמַר לֵיהּ: אִית לָךְ נִכְסֵי בְּקַפּוֹדְקְיָא? אֲמַר לֵיהּ לָאו. אֲזַל אֲבוּךְ לְקַפּוֹדְקְיָא? אֲמַר לֵיהּ: לָאו. אִם כֵּן: קַפָּא כְּשׁוּרָא, דֵּיקָא עַשְׂרָה. זִיל חֲזִי קַפָּא דְּרֵישׁ עַשְׂרָה שֶׁהִיא מְלֵאָה זוּזֵי. אֲזַל אַשְׁכַּח שֶׁהִיא מְלֵאָה זוּזֵי.

Disse-lhe (amar leih) outro homem, a Bar Hedya: vi (chazai) que (de) me disseram (amri li): teu pai (avuch) te deixou (shevak lach) bens (nichsei) na Capadócia (bekapodkya). Disse-lhe (amar leih): tens (it lach) bens (nichsei) na Capadócia (bekapodkya)? Disse-lhe (amar leih): não (lav). Foi (azal) teu pai (avuch) à Capadócia (lekapodkya)? Disse-lhe (amar leih): não (lav). Se (im) assim (kein): "kappa" (kapa) é viga (keshura), "deka" (deika) é dez (asara). Vai (zil) ver (chazi) a viga (kapa) da (dereish) décima (asara) trave, que (shehi) está cheia (melea) de moedas (zuzei). Foi (azal) e encontrou (ashkach) que (shehi) estava cheia (melea) de moedas (zuzei) — isto é, Bar Hedya decifra a palavra composta "Kapodkya" como um trocadilho: "kappa" (viga, em grego/persa) e "deka" (dez, em grego), revelando que o legado do pai não estava na região da Capadócia, mas escondido dentro da décima viga do teto.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
אם כן – דלית לך התם נכסי ואבוך לא שכיב התם: קפא – דאמרי לך היא כשורא שבלשון פרס ויון קורין לכשורא קפא: דיקא – הוא עשרה שבלשון יוני קורין לעשרה דיקא והכי אמרי לך יש לך ממון בקורה עשירית: דריש עשרה – קורה שבראש עשרה:

"Se assim" — visto que (deleit) não tens (lach) ali (hatam) bens (nichsei) e teu pai (veavuch) não morreu (lo shachiv) ali (hatam). "Kappa" — o que (de) te disseram (amri lach) é (hi) viga (keshura), pois (she) na língua (bilshon) persa (paras) e grega (veyavan) chamam (korin) à viga (lekeshura) de "kappa" (kapa). "Deka" — é (hu) dez (asara), pois (she) na língua (bilshon) grega (yevani) chamam (korin) dez (leasara) de "deka" (deika), e assim (vehachi) te disseram (amri lach): há (yesh) para ti (lach) dinheiro (mamon) na décima (asirit) viga (bekora). "A da décima" — a viga (kora) que está sobre (shebrosh) a décima (asara) — isto é, Rashi confirma a etimologia grega e persa dos dois termos, mostrando que a palavra que parecia designar um lugar geográfico era, na verdade, uma frase cifrada em duas línguas estrangeiras.

Nota

Um homem sonha que herdou bens "na Capadócia"; Bar Hedya decifra o nome como um trocadilho grego-persa — "viga" mais "dez" — e o dinheiro é de fato encontrado escondido na décima viga do teto.

7Disse Rabi Chanina: aquele que vê um poço em sonho, vê a paz
Bavli · 56b — Guemará
אָמַר רַבִּי חֲנִינָא: הָרוֹאֶה בְּאֵר בַּחֲלוֹם — רוֹאֶה שָׁלוֹם, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וַיַּחְפְּרוּ עַבְדֵי יִצְחָק בַּנָּחַל וַיִּמְצְאוּ שָׁם בְּאֵר מַיִם חַיִּים״. רַבִּי נָתָן אוֹמֵר: מָצָא תּוֹרָה — שֶׁנֶּאֱמַר: ״כִּי מֹצְאִי מָצָא חַיִּים״, וּכְתִיב הָכָא: ״בְּאֵר מַיִם חַיִּים״. רָבָא אָמַר: חַיִּים מַמָּשׁ.

Disse (amar) Rabi Chanina: aquele que vê (haroeh) um poço (beer) em sonho (bachalom) — vê (roeh) paz (shalom), pois foi dito (sheneemar): "e os servos (avdei) de Yitzchak (Yitzchak) cavaram (vayachperu) no ribeiro (banachal), e ali (sham) encontraram (vayimtzeu) um poço (beer) de água (mayim) viva (chayim)" (Bereshit 26:19), e o versículo seguinte narra a paz feita com os habitantes daquele lugar. Rabi Natan diz (omer): encontrou (matza) Torá (torá) — pois foi dito (sheneemar): "pois quem me encontra (motzi) encontra (matza) vida (chayim)" (Mishlei 8:35), e está escrito (uchtiv) aqui (hacha): "poço (beer) de água (mayim) viva (chayim)" — a palavra "chayim" liga os dois versículos. Rava disse (amar): vida (chayim) real (mamash) — isto é, para Rava o poço não é símbolo de paz nem de Torá, mas presságio literal de vida e longevidade.

Nota

Inicia-se a longa sequência de ensinamentos sobre símbolos de sonho: o poço é lido como paz (Rabi Chanina), como Torá (Rabi Natan) ou como vida literal (Rava), todos a partir do mesmo versículo sobre os servos de Yitzchak.

8Disse Rabi Chanan: três são as coisas de paz: rio, pássaro e panela
Bavli · 56b — Guemará
אָמַר רַבִּי חָנָן שָׁלֹשׁ שְׁלוֹמוֹת הֵן: נָהָר, צִפּוֹר, וּקְדֵרָה. נָהָר — דִּכְתִיב: ״הִנְנִי נֹטֶה אֵלֶיהָ כְּנָהָר שָׁלוֹם״. צִפּוֹר — דִּכְתִיב: ״כְּצִפֳּרִים עָפוֹת כֵּן יָגֵן ה׳ צְבָאוֹת וְגוֹ׳״. קְדֵרָה — דִּכְתִיב: ״ה׳ תִּשְׁפֹּת שָׁלוֹם לָנוּ״. אָמַר רַבִּי חֲנִינָא: וּבִקְדֵרָה שֶׁאֵין בָּהּ בָּשָׂר שָׁנִינוּ. ״וּפָרְשׂוּ כַּאֲשֶׁר בַּסִּיר וּכְבָשָׂר בְּתוֹךְ קַלָּחַת״.

Disse (amar) Rabi Chanan: três (shalosh) são (hen) as coisas de paz (shlomot): rio (nahar), pássaro (tzipor) e panela (kedeirá). "Rio" — pois está escrito (dichtiv): "eis que (hineni) estendo (noteh) a ela (eleha) como um rio (kenahar) de paz (shalom)" (Yeshayahu 66:12). "Pássaro" — pois está escrito (dichtiv): "como pássaros (ketziporim) voando (afot), assim (kein) protegerá (yagen) o Eterno (Hashem) Tzevaot (tzevaot), etc." (Yeshayahu 31:5). "Panela" — pois está escrito (dichtiv): "o Eterno (Hashem) estabelecerá (tishpot) paz (shalom) para nós (lanu)" (Yeshayahu 26:12, com o verbo "shafot" associado a cozinhar em panela). Disse (amar) Rabi Chanina: e sobre panela (uvikderá) em que (she) não (ein)(ba) carne (basar) aprendemos (shaninu) — isto é, apenas a panela vazia, sem carne, é bom presságio: "e se estenderão (ufarsu) como (kaasher) na panela (basir), e como carne (uchevasar) dentro (betoch) do caldeirão (kalachat)" (Michah 3:3, versículo de mau agouro, sobre devorar o povo como carne).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
שלש שלומות הם – שלש חלומות המבשרים שלום: ופרשו כאשר בסיר – אלמא פורענותא היא:

"Três são as coisas de paz" — três (shalosh) sonhos (chalomot) que anunciam (hamevasrim) paz (shalom). "E se estenderão como na panela" — logo (alma) é castigo (puraanuta) — isto é, Rashi esclarece que a panela com carne dentro, ao contrário da panela vazia, é sinal de mau presságio, pois o versículo de Michah a usa como metáfora de destruição.

Nota

Três símbolos de paz — rio, pássaro e panela vazia —, cada um fundamentado em versículo profético; a panela com carne dentro, porém, é presságio contrário, de castigo.

9Disse Rabi Yehoshua ben Levi: aquele que vê um rio em sonho, levante-se cedo e diga um versículo antes que outro o anteceda
Bavli · 56b — Guemará
אָמַר רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי: הָרוֹאֶה נָהָר בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר: ״הִנְנִי נֹטֶה אֵלֶיהָ כְּנָהָר שָׁלוֹם״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״כִּי יָבֹא כַנָּהָר צָר״. הָרוֹאֶה צִפּוֹר בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר ״כְּצִפֳּרִים עָפוֹת כֵּן יָגֵן וְגוֹ׳״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״כְּצִפּוֹר נוֹדֶדֶת מִן קִנָּהּ וְגוֹ׳״. הָרוֹאֶה קְדֵרָה בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר: ״ה׳ תִּשְׁפֹּת שָׁלוֹם לָנוּ״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״שְׁפֹת הַסִּיר שְׁפֹת״.

Disse (amar) Rabi Yehoshua ben Levi: aquele que vê (haroeh) um rio (nahar) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar): "eis que estendo a ela como um rio de paz" (Yeshayahu 66:12), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "pois (ki) virá (yavo) como o rio (kanahar) o adversário (tzar)" (Yeshayahu 59:19, versículo de mau agouro). Aquele que vê (haroeh) um pássaro (tzipor) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "como pássaros voando assim protegerá, etc." (Yeshayahu 31:5), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "como pássaro (ketzipor) vagando (nodedet) de seu ninho (min kinah), etc." (Mishlei 27:8, presságio de exílio). Aquele que vê (haroeh) uma panela (kedeirá) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar): "o Eterno estabelecerá paz para nós" (Yeshayahu 26:12), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "coloca (shefot) a panela (hasir), coloca (shefot)" (Yechezkel 24:3, presságio de destruição) — isto é, para cada símbolo ambíguo, existe um versículo favorável e um versículo desfavorável que usam palavra semelhante; o costume é recitar de manhã cedo, antes de qualquer outra fala, o versículo favorável, para que ele "vença" e determine o sentido do sonho.

Nota

Rabi Yehoshua ben Levi ensina o procedimento prático para símbolos ambíguos: recitar pela manhã, antes de qualquer outra fala, o versículo favorável associado à imagem do sonho, para que ele determine a interpretação antes que o versículo desfavorável o faça.

10Aquele que vê uvas em sonho, e aquele que vê um monte
Bavli · 56b — Guemará
הָרוֹאֶה עֲנָבִים בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר ״כַּעֲנָבִים בַּמִּדְבָּר״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״עֲנָבֵמוֹ עִנְּבֵי רוֹשׁ״. הָרוֹאֶה הַר בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר — ״מַה נָּאווּ עַל הֶהָרִים רַגְלֵי מְבַשֵּׂר״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״עַל הֶהָרִים אֶשָּׂא בְכִי וָנֶהִי״.

Aquele que vê (haroeh) uvas (anavim) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar): "como uvas (kaanavim) no deserto (bamidbar)" (Hoshea 9:10), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "suas uvas (anavemo) são uvas (inevei) de veneno (rosh)" (Devarim 32:32). Aquele que vê (haroeh) um monte (har) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) — "como são belos (ma navu) sobre (al) os montes (heharim) os pés (raglei) do anunciador (mevaser)" (Yeshayahu 52:7), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "sobre (al) os montes (heharim) levantarei (essa) choro (bechi) e lamento (vanehi)" (Yirmeyahu 9:9).

Nota

Mais dois pares de versículos, favorável e desfavorável, para uvas e monte, seguindo o mesmo procedimento de recitação matinal antecipada.

11Aquele que vê um shofar em sonho
Bavli · 56b — Guemará
הָרוֹאֶה שׁוֹפָר בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר ״וְהָיָה בַּיּוֹם הַהוּא יִתָּקַע בְּשׁוֹפָר גָּדוֹל״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״תִּקְעוּ שׁוֹפָר בַּגִּבְעָה״.

Aquele que vê (haroeh) um shofar (shofar) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "e será (vehaya) naquele (bayom hahu) dia que se tocará (yitaka) um grande (gadol) shofar (beshofar)" (Yeshayahu 27:13), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "tocai (tiku) o shofar (shofar) em Guivá (bagivá)" (Hoshea 5:8, versículo de alarme e guerra).

Nota

Par de versículos para o shofar: o toque redentor do fim dos dias contra o toque de alarme e guerra.

12Aquele que vê um cão em sonho, e aquele que vê um leão
Bavli · 56b — Guemará
הָרוֹאֶה כֶּלֶב בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר ״וּלְכֹל בְּנֵי יִשְׂרָאֵל לֹא יֶחֱרַץ כֶּלֶב לְשֹׁנוֹ״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״וְהַכְּלָבִים עַזֵּי נֶפֶשׁ״. הָרוֹאֶה אֲרִי בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר ״אַרְיֵה שָׁאָג מִי לֹא יִירָא״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״עָלָה אַרְיֵה מִסֻּבְּכוֹ״.

Aquele que vê (haroeh) um cão (kelev) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "e a todos (ulechol) os filhos (benei) de Israel (Yisrael) não (lo) afiará (yecheratz) o cão (kelev) sua língua (leshono)" (Shemot 11:7), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "e os cães (vehakelavim) são de espírito (nefesh) voraz (azei)" (Yeshayahu 56:11). Aquele que vê (haroeh) um leão (ari) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "o leão (arye) rugiu (shaag), quem (mi) não (lo) temerá (yira)" (Amos 3:8, lido aqui como louvor à força), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "subiu (ala) o leão (arye) de sua espessura (misubcho)" (Yirmeyahu 4:7, presságio de destruição).

Nota

Pares de versículos para cão e leão, mantendo o mesmo padrão de recitação preventiva.

13Aquele que vê uma tosquia em sonho, um poço, e uma cana
Bavli · 56b — Guemará
הָרוֹאֶה תִּגְלַחַת בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר ״וַיְגַלַּח וַיְחַלֵּף שִׂמְלֹתָיו״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״כִּי אִם גֻּלַּחְתִּי וְסָר מִמֶּנִּי כֹחִי״. הָרוֹאֶה בְּאֵר בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר ״בְּאֵר מַיִם חַיִּים״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״כְּהָקִיר בַּיִר מֵימֶיהָ״. הָרוֹאֶה קָנֶה בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר ״קָנֶה רָצוּץ לֹא יִשְׁבּוֹר״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״הִנֵּה בָטַחְתָּ לְּךָ עַל מִשְׁעֶנֶת הַקָּנֶה הָרָצוּץ״.

Aquele que vê (haroeh) uma tosquia (tiglachat) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "e se tosquiou (vayegalach) e trocou (vayechalef) suas vestes (simlotav)" (Bereshit 41:14, sobre Yosef antes de subir à grandeza), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "mas (ki im) fui tosquiado (gulachti), e se afastou (vesar) de mim (mimeni) minha força (kochi)" (Shoftim 16:17, palavras de Shimshon). Aquele que vê (haroeh) um poço (beer) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "poço (beer) de água (mayim) viva (chayim)" (Bereshit 26:19), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk)um versículo de mau presságio associado a poço que seca ou se esvazia. Aquele que vê (haroeh) uma cana (kaneh) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "cana (kaneh) quebrada (ratzutz) não (lo) quebrará (yishbor)" (Yeshayahu 42:3), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "eis (hineh) que confiaste (vatachta) para ti (lecha) no apoio (al mishenet) da cana (hakaneh) quebrada (haratzutz)" (Melachim II 18:21, presságio de apoio falso e desmoronamento).

Nota

Três novos pares de versículos, para tosquia, poço e cana, mantendo a mesma estrutura didática de recitação antecipatória.

14Ensinaram os Sábios: aquele que vê uma cana em sonho aguardará sabedoria
Bavli · 56b — Guemará
תָּנוּ רַבָּנַן: הָרוֹאֶה קָנֶה בַּחֲלוֹם — יְצַפֶּה לְחׇכְמָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״קְנֵה חָכְמָה״. קָנִים — יְצַפֶּה לְבִינָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וּבְכׇל קִנְיָנְךָ קְנֵה בִינָה״. אָמַר רַבִּי זֵירָא: קָרָא, קוּרָא, קִירָא, קַנְיָא — כּוּלְּהוּ מְעַלּוּ לְחֶלְמָא. תַּנְיָא: אֵין מַרְאִין דִּלּוּעִין אֶלָּא לְמִי שֶׁהוּא יְרֵא שָׁמַיִם בְּכָל כֹּחוֹ.

Ensinaram (tanu) os Sábios (rabanan): aquele que vê (haroeh) uma cana (kaneh) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá), pois foi dito (sheneemar): "adquire (kneh) sabedoria (chochmá)" (Mishlei 4:5, jogo entre "kaneh" — cana — e "kneh" — adquire). Canas (kanim) — aguardará (yetzapeh) entendimento (levina), pois foi dito (sheneemar): "e com toda (uvechol) tua aquisição (kinyancha), adquire (kneh) entendimento (vina)" (Mishlei 4:7). Disse (amar) Rabi Zeira: abóbora (kara), cabaça (kura), cera (kira), cana (kanya) — todas (kulhu) são boas (mealu) para o sonho (lechelma) — isto é, todas essas palavras semelhantes, por associação sonora com "kneh" (adquirir), são bons presságios. Foi ensinado (tanya): não (ein) se mostram (marin) abóboras (diluin) em sonho senão (ela) a quem (lemi) é (shehu) temente (yerei) ao Céu (shamayim) com toda (bechol) sua força (kocho).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
ובכל קנינך – לשון מרובה הוא אף קנים הרבה קנה של בינה הוא: קרא קורא קירא קניא – קרא דלעת כדאמרינן לקמן הרואה דלועין בחלום ירא שמים הוא לשון דלו עיני למרום: קורא – רך הגדל בענפי הדקל בכל שנה כדרך שאר אילנות ולשנה שניה הוא מתקשה ונעשה עץ: קירא – שעוה: קניא – קנה:

"E com toda tua aquisição" — expressão (lashon) no plural (meruba) é (hu); também (af) muitas (harbeh) canas (kanim) — é a cana (kaneh) de entendimento (shel vina). "Abóbora, cabaça, cera, cana" — "kara" é abóbora (delaat), como (kedamerinan) se dirá adiante: aquele que vê (haroeh) abóboras (dluin) em sonho (bachalom) é temente ao Céu (yerei shamayim), por expressão (lashon) de "dalu einai lamarom" ("elevei meus olhos ao alto"). "Kura" — o broto tenro (rach) que cresce (hagadel) nos ramos (beanfei) da tamareira (hadekel) a cada ano (bechol shaná), como (kederech) as demais árvores (shear ilanot), e no segundo (velashaná shniyá) ano ele endurece (mitkashe) e se torna (venaase) madeira (etz). "Kira" — cera (shaava). "Kanya" — cana (kaneh) — isto é, Rashi identifica cada uma das quatro palavras aramaicas semelhantes a "kneh" (adquirir), explicando seu significado literal — abóbora, broto tenro de tamareira, cera e cana — e por que todas remetem, por associação sonora, à ideia de sabedoria adquirida.

Nota

A cana e palavras semelhantes a ela — abóbora, broto de tamareira, cera — são todas boas em sonho por associação sonora com "kneh" (adquirir sabedoria); a abóbora, porém, só é boa a quem já é temente ao Céu.

15Aquele que vê um boi em sonho
Bavli · 56b — Guemará
הָרוֹאֶה שׁוֹר בַּחֲלוֹם, יַשְׁכִּים וְיֹאמַר ״בְּכוֹר שׁוֹרוֹ הָדָר לוֹ״, קוֹדֶם שֶׁיִּקְדְּמֶנּוּ פָּסוּק אַחֵר — ״כִּי יִגַּח שׁוֹר אֶת אִישׁ״.

Aquele que vê (haroeh) um boi (shor) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "primogênito (bechor) de seu boi (shoro), majestade (hadar) é para ele (lo)" (Devarim 33:17, bênção de Moshe a Yosef), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "quando (ki) chifrar (yigach) um boi (shor) um homem (et ish)" (Shemot 21:28, lei de dano).

Nota

Par de versículos para o boi: a bênção de majestade contra a lei do boi que chifra e mata.

16Ensinaram os Sábios: cinco coisas foram ditas sobre o boi
Bavli · 56b — Guemará
תָּנוּ רַבָּנַן: חֲמִשָּׁה דְּבָרִים נֶאֶמְרוּ בְּשׁוֹר. הָאוֹכֵל מִבְּשָׂרוֹ — מִתְעַשֵּׁר. נְגָחוֹ — הָוְיִין לֵיהּ בָּנִים שֶׁמְנַגְּחִים בַּתּוֹרָה. נְשָׁכוֹ — יִסּוּרִין בָּאִים עָלָיו. בְּעָטוֹ — דֶּרֶךְ רְחוֹקָה נִזְדַּמְּנָה לוֹ. רְכָבוֹ — עוֹלֶה לִגְדוּלָּה.

Ensinaram (tanu) os Sábios (rabanan): cinco (chamisha) coisas (devarim) foram ditas (neemru) sobre o boi (beshor). Aquele que come (haochel) de sua carne (mibesaro) — enriquece (mitasher). Aquele que sonha que foi chifrado por ele (negacho) — terá (havyin leih) filhos (banim) que (she) se destacam (menagchim) na Torá (batorá) — jogo entre "chifrar" e "destacar-se em debate". Aquele que sonha que foi mordido por ele (neshacho) — sofrimentos (yisurin) vêm (baim) sobre ele (alav). Aquele que sonha que foi coiceado por ele (beato) — uma viagem (derech) longa (rechoka) se apresentará a ele (nizdamna lo). Aquele que sonha que cavalgou nele (rechavo) — sobe (oleh) à grandeza (ligdulá).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
האוכל מבשרו – בחלום:

"Aquele que come de sua carne" — em sonho (bachalom).

Nota

Baraita com cinco presságios distintos ligados ao boi em sonho — comer sua carne, ser chifrado, mordido, coiceado ou cavalgá-lo —, cada um com sentido próprio.

17Mas não se ensinou que cavalgá-lo significa morrer?
Bavli · 56b — Guemará
וְהָתַנְיָא רְכָבוֹ — מֵת! לָא קַשְׁיָא, הָא דְּרָכֵיב הוּא לְתוֹרָא. הָא, דְּרָכֵיב תּוֹרָא לְדִידֵיהּ.

Mas (veha) não se ensinou (tanya) que cavalgá-lo (rechavo) — morre (met)! Não (la) há dificuldade (kashya): esta (ha) é quando ele (hu) cavalga (rachiv) o boi (letora); esta (ha) outra é quando o boi (tora) cavalga (rachiv) sobre ele (dideih) — isto é, se o próprio sonhador está montado no boi e o controla, é bom presságio de ascensão; mas se, no sonho, é o boi que está sobre ele, dominando-o, é presságio de morte.

Nota

Contradição resolvida: cavalgar o boi controlando-o é bom presságio de grandeza; ser dominado pelo boi por baixo dele é presságio de morte.

18Aquele que vê um jumento em sonho aguardará salvação; e sobre gato, uvas e cavalo
Bavli · 56b — Guemará
הָרוֹאֶה חֲמוֹר בַּחֲלוֹם — יְצַפֶּה לִישׁוּעָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״הִנֵּה מַלְכֵּךְ יָבוֹא לָךְ צַדִּיק וְנוֹשָׁע הוּא עָנִי וְרֹכֵב עַל חֲמוֹר״. הָרוֹאֶה חָתוּל בַּחֲלוֹם — בְּאַתְרָא דְּקָרוּ לֵיהּ ״שׁוּנָּרָא״ — נַעֲשֵׂית לוֹ שִׁירָה נָאָה. ״שִׁינָּרָא״ — נַעֲשֶׂה לוֹ שִׁינּוּי רַע. הָרוֹאֶה עֲנָבִים בַּחֲלוֹם, לְבָנוֹת, בֵּין בִּזְמַנָּן, וּבֵין שֶׁלֹּא בִּזְמַנָּן — יָפוֹת. שְׁחוֹרוֹת בִּזְמַנָּן — יָפוֹת. שֶׁלֹּא בִּזְמַנָּן — רָעוֹת. הָרוֹאֶה סוּס לָבָן בַּחֲלוֹם, בֵּין בְּנַחַת, בֵּין בְּרָדוּף — יָפֶה לוֹ. אָדוֹם, בְּנַחַת — יָפֶה, בְּרָדוּף — קָשֶׁה.

Aquele que vê (haroeh) um jumento (chamor) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) salvação (lishuá), pois foi dito (sheneemar): "eis que (hineh) teu rei (malkech) virá (yavo) a ti (lach), justo (tzadik) e salvo (venoshá) é (hu), pobre (ani) e montado (verochev) sobre (al) um jumento (chamor)" (Zecharyá 9:9). Aquele que vê (haroeh) um gato (chatul) em sonho (bachalom) — no lugar (beatra) onde (dekaru) lhe chamam (leih) "shunra" — faz-se (naaset lo) para ele um canto (shirá) agradável (naá) — jogo com "shirá", canto; "shinra" — faz-se (naase lo) para ele uma mudança (shinui) ruim (ra) — jogo com "shinui", mudança, conforme o nome regional do animal. Aquele que vê (haroeh) uvas (anavim) em sonho (bachalom), brancas (levanot), seja (bein) em sua época (bizmanan), seja (uvein) fora (shelo) de sua época (bizmanan) — são boas (yafot). Pretas (shechorot) em sua época (bizmanan) — são boas (yafot); fora (shelo) de sua época (bizmanan) — são más (raot). Aquele que vê (haroeh) um cavalo (sus) branco (lavan) em sonho (bachalom), seja (bein) a passo (benachat), seja (bein) a galope (beradaf) — é bom (yafeh) para ele (lo). Cavalo vermelho (adom), a passo (benachat) — é bom (yafeh); a galope (beradaf) — é difícil (kashe) — isto é, cada cor e modo de andar do cavalo tem seu próprio significado, sendo o cavalo vermelho em disparada o único presságio negativo dessa série.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
בין ברדוף – כשהוא רץ:

"Seja a galope" — quando (keshehu) ele corre (ratz).

Nota

Série de presságios sobre jumento (salvação messiânica), gato (dependendo do nome regional, jogo de palavras entre canto e mudança), tipos de uva conforme a estação, e cores e modos de andar do cavalo.

19Aquele que vê Yishmael em sonho, sua prece é ouvida; e sobre o camelo
Bavli · 56b — Guemará
הָרוֹאֶה יִשְׁמָעֵאל בַּחֲלוֹם — תְּפִלָּתוֹ נִשְׁמַעַת. וְדַוְקָא יִשְׁמָעֵאל בֶּן אַבְרָהָם, אֲבָל טַיָּיעָא בְּעָלְמָא — לָא. הָרוֹאֶה גָּמָל בַּחֲלוֹם — מִיתָה נִקְנְסָה לוֹ מִן הַשָּׁמַיִם וְהִצִּילוּהוּ מִמֶּנָּה. אָמַר רַבִּי חָמָא בְּרַבִּי חֲנִינָא: מַאי קְרָאָה — ״וְאָנֹכִי אֵרֵד עִמְּךָ מִצְרַיְמָה וְאָנֹכִי אַעַלְךָ גַם עָלֹה״. רַב נַחְמָן בַּר יִצְחָק אָמַר: מֵהָכָא: ״גַּם ה׳ הֶעֱבִיר חַטָּאתְךָ לֹא תָמוּת״.

Aquele que vê (haroeh) Yishmael (Yishmael) em sonho (bachalom) — sua prece (tefilato) é ouvida (nishma'at) — jogo entre o nome Yishmael e "Yishmá El", "Deus ouvirá". E precisamente (vedavka) Yishmael (Yishmael) filho (ben) de Avraham (Avraham), mas (aval) um árabe (tayaa) qualquer (bealma) — não (lo). Aquele que vê (haroeh) um camelo (gamal) em sonho (bachalom) — morte (mitá) foi decretada (niknesa) a ele (lo) pelo Céu (min hashamayim), e o salvaram (vehitziluhu) dela (mimena). Disse (amar) Rabi Chama beRabi Chanina: qual (mai) é o versículo (kraá) — "e eu (veanochi) descerei (ered) contigo (imcha) ao Egito (mitzraima), e eu (veanochi) te farei subir (aalcha) também (gam) subindo (aloh)" (Bereshit 46:4, dito a Yaakov — "gam", também, sugerindo salvamento de uma morte decretada). Rav Nachman bar Yitzchak disse (amar): daqui (mehacha) — "também (gam) o Eterno (Hashem) perdoou (heevir) teu pecado (chatatcha), não (lo) morrerás (tamut)" (Shmuel II 12:13, dito a David — a mesma palavra "gam", também, associada por som a "gamal", camelo).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
גם עלה – קרוב לנוטריקון של גמל:

"Também subindo" — próximo (karov) por acróstico (notarikon) a "camelo" (gamal) — isto é, Rashi explica que a palavra "gam" (também), repetida em ambos os versículos, soa próxima às letras de "gamal", justificando a associação entre o camelo do sonho e a promessa de ser salvo de um decreto de morte.

Nota

Yishmael em sonho é presságio de prece ouvida, mas apenas se identificado como o filho de Avraham; o camelo é presságio de um decreto de morte do qual o sonhador será salvo, associação justificada pela palavra "gam" em dois versículos de salvação.

20Aquele que vê Pinchas em sonho, um milagre lhe acontece; e sobre o elefante
Bavli · 56b — Guemará
הָרוֹאֶה פִּינְחָס בַּחֲלוֹם — פֶּלֶא נַעֲשָׂה לוֹ. הָרוֹאֶה פִּיל בַּחֲלוֹם — פְּלָאוֹת נַעֲשׂוּ לוֹ. פִּילִים — פִּלְאֵי פְּלָאוֹת נַעֲשׂוּ לוֹ.

Aquele que vê (haroeh) Pinchas (Pinchas) em sonho (bachalom) — um milagre (pele) lhe acontece (naaseh lo). Aquele que vê (haroeh) um elefante (pil) em sonho (bachalom) — milagres (pelaot) lhe acontecem (naasu lo). Elefantes (pilim) no plural — milagres de milagres (pilei pelaot) lhe acontecem (naasu lo) — toda esta cadeia associa foneticamente "Pinchas", "pil" (elefante) e "pele" (milagre).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 56b
פלא נעשה לו – כמו שנעשה לפינחס כדאמרינן בסנהדרין (דף פב:):

"Um milagre lhe acontece" — como (kemo) aconteceu (shenaasah) a Pinchas (lePinchas), como (kedamerinan) se diz no tratado Sanhedrin — referência ao milagre ocorrido a Pinchas no episódio de Zimri e Kozbi.

Nota

Pinchas e o elefante (pil) são presságios de milagre por associação fonética com a palavra "pele"; no plural, elefantes anunciam milagres redobrados.

21Mas não se ensinou que todo tipo de animal é bom para o sonho, exceto o elefante e o macaco?
Bavli · 56b — Guemará
וְהָתַנְיָא כׇּל מִינֵי חַיּוֹת יָפִין לַחֲלוֹם, חוּץ מִן הַפִּיל וּמִן הַקּוֹף! לָא קַשְׁיָא,

Mas (veha) não se ensinou (tanya) que todo (kol) tipo (minei) de animal (chayot) é bom (yafin) para o sonho (lachalom), exceto (chutz min) o elefante (hapil) e o macaco (hakof)? Não (la) há dificuldade (kashya) — isto é, levanta-se uma contradição direta entre a baraita recém-citada, que trata o elefante como presságio de milagre, e outra baraita que o exclui expressamente da lista de animais de bom presságio; a Guemará já começa a resposta com "não há dificuldade", mas sua resolução completa — distinguindo, presumivelmente, entre diferentes formas de ver o elefante em sonho — só é dada no início do daf seguinte.

Nota

O daf termina em aberto: levanta-se a contradição entre o elefante como presságio de milagre e sua exclusão expressa da lista de bons presságios entre os animais; a resolução completa vem apenas no início de 57a.