O daf abre completando o episódio do chefe do tesouro real: vendo a mancha tomar toda a mão, ele finalmente paga a Bar Hedya com panos de seda do rei, mas a interpretação chega tarde — os dois cedros já foram amarrados às pernas do funcionário e o partiram ao meio antes que a solução pudesse ser aplicada. Seguem-se três episódios curtos e vívidos de interpretação de sonhos: Ben Dama, sobrinho de Rabi Yishmael, e suas bochechas caídas, lidas como a morte de dois batalhões romanos que tramavam contra ele; Bar Kappara e Rabi, com uma série de sonhos sobre nariz, mãos e pés decepados, e uma data de morte, cada um reinterpretado para o bem; e um herege que provoca Rabi Yishmael com sonhos de conteúdo sexual e criminoso, todos devolvidos como acusações exatas de seus próprios atos, até que ele nega o último e é desmentido por sua própria esposa. Um sonho sobre herança esquecida na Capadócia é decifrado por Bar Hedya através de um jogo de palavras aramaico-grego. A partir daí a Guemará muda de registro: uma sequência de ensinamentos amoraicos e uma extensa baraita listam dezenas de imagens de sonho — poço, rio, pássaro, panela, uvas, monte, shofar, cão, leão, tosquia, cana e canas, boi, jumento, gato, cavalo branco e vermelho, ismaelita, camelo, Pinchas, elefante — explicando o que cada uma prenuncia e, no caso de presságios ambíguos, qual versículo bíblico recitar pela manhã para fixar a interpretação favorável antes que outro versículo a antecipe para o mal. O daf termina em aberto, no meio da discussão sobre quais animais são bons presságio em sonho, exceto o elefante e o macaco — questão resolvida apenas no início do daf seguinte.
"Panos de seda (shirai) do rei (demalka)!" — o chefe do tesouro, vendo a mancha tomar-lhe toda a mão, entrega finalmente a Bar Hedya panos de seda do próprio rei como pagamento e conta-lhe o sonho completo; mas era tarde demais, pois já se cumprira o mal que a interpretação, se dada a tempo, poderia ter anulado. "Amarrai (kefitu) dois (terein) cedros (arzei) com uma corda (bechavla), atai (asur) uma (chad) perna (karaeih) a um (lechad) cedro (arza) e uma (vechad) perna (karaeih) a outro (lechad) cedro (arza), e soltai (ushero) a corda (lechavla) até que (ad de) sua cabeça (reisheih) se rache (itztelik)" — esta era a interpretação, tardia, do sonho da agulha e da mancha avançando pela mão: que o funcionário fosse executado, amarrado entre dois cedros dobrados e depois soltos com violência. Foi (azal) cada (kol chad) um (vechad) e ficou (vekam) em seu lugar (aduchteih), e ele se rachou (itztelik) e caiu (unefal) em dois (bitrein) — isto é, os dois cedros, soltos, voltaram cada um à sua posição original com tanta força que despedaçaram o corpo do funcionário do tesouro em duas partes, cumprindo assim, tarde demais para ser evitado, o presságio que a agulha e a mancha já indicavam desde o início.
"Panos de seda do rei" — mantos (meilim) do rei (hamelech). "Que se rachou" — dividiu-se (nechelak) em dois (bishnayim), e seu exemplo (vedugmato) está em "O couro e o molho" (outro tratado), onde (de) "se racham, rachando" — isto é, Rashi identifica a raiz aramaica "צל״ק" usada aqui com o sentido de partir-se ou rachar-se ao meio, remetendo a seu uso paralelo em outro lugar do Talmud.
Conclusão do episódio do chefe do tesouro real: ele finalmente paga a Bar Hedya com panos de seda do rei, mas recebe a interpretação tarde demais — o sonho da agulha e da mancha já indicava a morte que se cumpre agora, com o funcionário despedaçado entre dois cedros dobrados e soltos.
Perguntou (shaal) Ben Dama, filho da irmã (ben achoto) de Rabi Yishmael, a Rabi Yishmael: vi (raiti) que minhas duas (shnei) bochechas (lechayai) caíram (shenashru). Disse (amar): dois (shnei) batalhões (gedudei) de Roma (romi) tramaram (yaatzu) mal (raá) contra ti (alecha), e morreram (umetu) — isto é, Rabi Yishmael lê as duas bochechas caídas como os dois batalhões que conspiravam contra Ben Dama, agora eliminados, uma leitura que associa "lechayayim" (bochechas) a "gedudim" (batalhões, tropas) que "caem" no sentido de perecer.
"Tramaram mal contra ti" — e eles (vehem) são as bochechas (halechayayim), boca (peh) que (she) tramou (yaatz) mal (raá) contra ti — isto é, Rashi liga o órgão do sonho (as bochechas, junto à boca) ao ato de "tramar", associado à fala.
Primeiro dos episódios curtos de interpretação: Ben Dama sonha com suas bochechas caindo, e Rabi Yishmael lê nisso a morte de dois batalhões romanos que conspiravam contra ele.
Disse-lhe (amar leih) Bar Kappara a Rabi: vi (raiti) que meu nariz (chotmi) caiu (shenashar). Disse-lhe (amar leih): a ira (charon af) se afastou (nistalek) de ti (mimcha) — jogo com "af", que significa tanto "nariz" quanto "ira". Disse-lhe (amar leih): vi (raiti) que minhas duas (shnei) mãos (yadai) foram cortadas (shenechtechu). Disse-lhe (amar leih): não (lo) precisarás (titztarech) da obra (lemaaseh) de tuas mãos (yadecha) — isto é, ficarás rico o bastante para não precisar trabalhar. Disse-lhe (amar leih): vi (raiti) que meus dois (shtei) pés (raglai) foram amputados (shenikteu). Disse-lhe (amar leih): sobre (al) um cavalo (sus) cavalgarás (ata rocheiv) — não precisarás mais dos próprios pés. Disse-lhe Bar Kappara: vi (chazai) que (de) me disseram (amri li): em Adar (baadar) morrerás (maytat), e Nissan (nisan) não (la) verás (chazeit). Disse-lhe (amar leih): com honra (beadruta) morrerás (maytat), e não (vela) chegarás (atait) a ser posto (lidei) à prova (nisayon) — isto é, Rabi lê "Adar" e "Nissan" não como os meses do calendário, mas como as palavras aramaicas "adruta" (honra, dignidade) e "nisayon" (prova, tentação), transformando um presságio de morte iminente em uma bênção de morrer com dignidade sem passar por provações.
"A ira" — reconhece-se (nikar) no nariz (bachotem), que (she) esquenta (mitchamem) e expele (umotzi) vapor (hevel), por isso (al ken) é chamada (hu karui) "ira do nariz" (charon af). "Não precisarás da obra de tuas mãos" — pois te enriquecerás (shetitasher). "Com honra morrerás" — com dignidade (bechavod) e esplendor (uvehadar) morrerás (tamut) — isto é, Rashi confirma o jogo de palavras: a ira se manifesta fisicamente no nariz, e "adruta" é lido como honra, não como o mês de Adar.
Série de quatro sonhos de Bar Kappara a Rabi — nariz caído, mãos cortadas, pés amputados, e uma data de morte —, cada um reinterpretado para o bem através de trocadilhos: ira dissipada, riqueza, cavalgar em vez de andar, e morte honrosa sem provações, em vez de morte no mês indicado.
Disse-lhe (amar leih) certo (hahu) herege (mina) a Rabi Yishmael: vi (raiti) que eu regava (mashke) azeite (shemen) para oliveiras (lezeitim). Disse-lhe (amar leih): vieste sobre (ba al) tua mãe (imo). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) arranquei (ktif li) uma estrela (kochva). Disse-lhe (amar leih): filho de Israel (bar Yisrael), roubaste (genavt) — pois Israel é comparado às estrelas. Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) a engoli (velaateih) à estrela (lechochva). Disse-lhe (amar leih): filho de Israel (bar Yisrael), vendeste-a (zabenteih) e comeste (vaachalt) seu valor (lidmeih). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) meus olhos (einai) que se beijavam (denashkan) um ao outro (ahadadei). Disse-lhe (amar leih): vieste sobre (ba al) tua irmã (achoto). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) beijava (neshaki) a lua (seihara). Disse-lhe (amar leih): vieste sobre (ba al) a esposa (eshet) de um israelita (Yisrael). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) caminhava (dareichna) sob a sombra (betuna) de murta (deasa). Disse-lhe (amar leih): vieste sobre (ba al) uma jovem (naara) noiva (hameurasa) — pois se cobria a noiva, ao entrar sob o pálio, com um véu de murta. Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) a sombra (tuna) por cima (meilai) e ele (vehu) por baixo (mitatai). Disse-lhe (amar leih): teu leito (mishkavcha) está invertido (hafuch) — acusação de relação antinatural. Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) corvos (orvei) que (dehadrei) voltavam à sua cama (lefuryeih). Disse-lhe (amar leih): tua esposa (ishtecha) prostituiu-se (zanta) com muitos (harbeh) homens (anashim). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) pombas (yonei) que voltavam à sua cama (lefuryeih). Disse-lhe (amar leih): muitas (harbeh) mulheres (nashim) impurificaste (timeta). Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) segurava (nakeitna) duas (terei) pombas (yonei) e voavam (uparchan). Disse-lhe (amar leih): duas (tartei) mulheres (neshei) tomaste (nesavt) e as despediste (ufetartinun) sem (bela) documento de divórcio (get) — isto é, o herege provoca Rabi Yishmael com uma longa série de sonhos de conteúdo sexual e criminoso, e este, sem hesitar, devolve cada imagem como acusação precisa e literal de um pecado real cometido pelo próprio herege.
"Veio sobre sua mãe" — por semelhança (dumya) ao azeite (shemen) que (she) está dentro (betoch) da azeitona (hazayit), regou (hishka) sua mãe (imo). "Arranquei uma estrela" — arranquei (akarti) uma estrela (kochav) em sonho (bechalom). "Roubaste" — pois (she) foram comparados (nimshelu) às estrelas (lakochavim). "Sombra de murta" — sombra (tzila) de murta (deasa). "Jovem noiva" — costumavam (hayu regilin) fazer-lhe (laasot lah) um pálio (chupa) de murta (shel hadas) ao entrar sob o pálio (bechnisata lachupa), e chamavam-no (vekorin lah) "hinuma", como (kedamerinan) se diz em Ketubot: que ela saía (sheyatzta) com véu (behinuma) e cabeça (verosha) descoberta (paru'a) — isto é, Rashi explica cada associação simbólica: o azeite dentro da azeitona sugere a mãe que contém o filho; as estrelas remetem a Israel; e a sombra de murta era o costume do véu nupcial, de modo que sonhar caminhar sob ela sugere relação com uma noiva.
O herege tenta constranger Rabi Yishmael com uma longa cadeia de sonhos de teor sexual e criminoso; em cada caso, a interpretação por associação de imagens devolve-lhe a acusação exata e literal do próprio pecado cometido.
Disse-lhe (amar leih): vi (chazai) que (de) eu descascava (kaleifna) ovos (beiei). Disse-lhe (amar leih): mortos (shachvei) tu (ka) despiste (meshalachat) — isto é, o herege costumava despir os mortos de suas roupas. Disse (amar leih) o herege: todas (kulhu) as acusações (itanhu) são verdadeiras a meu respeito (bi), exceto (bar mehá) esta (deleiteih) — que não é verdadeira. Enquanto (adehachi vehachi) isso se passava, veio (atya) aquela (hai) mulher (ita) e disse-lhe (veamra leih): este (hai) manto (gelima) com que (demikasat) te cobres (michasat) — é (de) de fulano (gavra peloni) de nome tal, que (hu) morreu (demit) e tu o despiste (veashlachteih) — isto é, mesmo a única acusação que o herege negou é confirmada de imediato por testemunha ocular, revelando que ele mentia ao negar.
"Mortos despiste" — despiste (hifshat) os mortos (metim) — isto é, Rashi explica que "meshalachat" aqui significa despojar os cadáveres de suas vestes, um ato de profanação.
Última acusação da série contra o herege: descascar ovos lido como despojar cadáveres; ele nega apenas esta, mas é desmentido na hora por uma mulher que reconhece nele o manto de um morto que ele despojou.
Disse-lhe (amar leih) outro homem, a Bar Hedya: vi (chazai) que (de) me disseram (amri li): teu pai (avuch) te deixou (shevak lach) bens (nichsei) na Capadócia (bekapodkya). Disse-lhe (amar leih): tens (it lach) bens (nichsei) na Capadócia (bekapodkya)? Disse-lhe (amar leih): não (lav). Foi (azal) teu pai (avuch) à Capadócia (lekapodkya)? Disse-lhe (amar leih): não (lav). Se (im) assim (kein): "kappa" (kapa) é viga (keshura), "deka" (deika) é dez (asara). Vai (zil) ver (chazi) a viga (kapa) da (dereish) décima (asara) trave, que (shehi) está cheia (melea) de moedas (zuzei). Foi (azal) e encontrou (ashkach) que (shehi) estava cheia (melea) de moedas (zuzei) — isto é, Bar Hedya decifra a palavra composta "Kapodkya" como um trocadilho: "kappa" (viga, em grego/persa) e "deka" (dez, em grego), revelando que o legado do pai não estava na região da Capadócia, mas escondido dentro da décima viga do teto.
"Se assim" — visto que (deleit) não tens (lach) ali (hatam) bens (nichsei) e teu pai (veavuch) não morreu (lo shachiv) ali (hatam). "Kappa" — o que (de) te disseram (amri lach) é (hi) viga (keshura), pois (she) na língua (bilshon) persa (paras) e grega (veyavan) chamam (korin) à viga (lekeshura) de "kappa" (kapa). "Deka" — é (hu) dez (asara), pois (she) na língua (bilshon) grega (yevani) chamam (korin) dez (leasara) de "deka" (deika), e assim (vehachi) te disseram (amri lach): há (yesh) para ti (lach) dinheiro (mamon) na décima (asirit) viga (bekora). "A da décima" — a viga (kora) que está sobre (shebrosh) a décima (asara) — isto é, Rashi confirma a etimologia grega e persa dos dois termos, mostrando que a palavra que parecia designar um lugar geográfico era, na verdade, uma frase cifrada em duas línguas estrangeiras.
Um homem sonha que herdou bens "na Capadócia"; Bar Hedya decifra o nome como um trocadilho grego-persa — "viga" mais "dez" — e o dinheiro é de fato encontrado escondido na décima viga do teto.
Disse (amar) Rabi Chanina: aquele que vê (haroeh) um poço (beer) em sonho (bachalom) — vê (roeh) paz (shalom), pois foi dito (sheneemar): "e os servos (avdei) de Yitzchak (Yitzchak) cavaram (vayachperu) no ribeiro (banachal), e ali (sham) encontraram (vayimtzeu) um poço (beer) de água (mayim) viva (chayim)" (Bereshit 26:19), e o versículo seguinte narra a paz feita com os habitantes daquele lugar. Rabi Natan diz (omer): encontrou (matza) Torá (torá) — pois foi dito (sheneemar): "pois quem me encontra (motzi) encontra (matza) vida (chayim)" (Mishlei 8:35), e está escrito (uchtiv) aqui (hacha): "poço (beer) de água (mayim) viva (chayim)" — a palavra "chayim" liga os dois versículos. Rava disse (amar): vida (chayim) real (mamash) — isto é, para Rava o poço não é símbolo de paz nem de Torá, mas presságio literal de vida e longevidade.
Inicia-se a longa sequência de ensinamentos sobre símbolos de sonho: o poço é lido como paz (Rabi Chanina), como Torá (Rabi Natan) ou como vida literal (Rava), todos a partir do mesmo versículo sobre os servos de Yitzchak.
Disse (amar) Rabi Chanan: três (shalosh) são (hen) as coisas de paz (shlomot): rio (nahar), pássaro (tzipor) e panela (kedeirá). "Rio" — pois está escrito (dichtiv): "eis que (hineni) estendo (noteh) a ela (eleha) como um rio (kenahar) de paz (shalom)" (Yeshayahu 66:12). "Pássaro" — pois está escrito (dichtiv): "como pássaros (ketziporim) voando (afot), assim (kein) protegerá (yagen) o Eterno (Hashem) Tzevaot (tzevaot), etc." (Yeshayahu 31:5). "Panela" — pois está escrito (dichtiv): "o Eterno (Hashem) estabelecerá (tishpot) paz (shalom) para nós (lanu)" (Yeshayahu 26:12, com o verbo "shafot" associado a cozinhar em panela). Disse (amar) Rabi Chanina: e sobre panela (uvikderá) em que (she) não (ein) há (ba) carne (basar) aprendemos (shaninu) — isto é, apenas a panela vazia, sem carne, é bom presságio: "e se estenderão (ufarsu) como (kaasher) na panela (basir), e como carne (uchevasar) dentro (betoch) do caldeirão (kalachat)" (Michah 3:3, versículo de mau agouro, sobre devorar o povo como carne).
"Três são as coisas de paz" — três (shalosh) sonhos (chalomot) que anunciam (hamevasrim) paz (shalom). "E se estenderão como na panela" — logo (alma) é castigo (puraanuta) — isto é, Rashi esclarece que a panela com carne dentro, ao contrário da panela vazia, é sinal de mau presságio, pois o versículo de Michah a usa como metáfora de destruição.
Três símbolos de paz — rio, pássaro e panela vazia —, cada um fundamentado em versículo profético; a panela com carne dentro, porém, é presságio contrário, de castigo.
Disse (amar) Rabi Yehoshua ben Levi: aquele que vê (haroeh) um rio (nahar) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar): "eis que estendo a ela como um rio de paz" (Yeshayahu 66:12), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "pois (ki) virá (yavo) como o rio (kanahar) o adversário (tzar)" (Yeshayahu 59:19, versículo de mau agouro). Aquele que vê (haroeh) um pássaro (tzipor) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "como pássaros voando assim protegerá, etc." (Yeshayahu 31:5), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "como pássaro (ketzipor) vagando (nodedet) de seu ninho (min kinah), etc." (Mishlei 27:8, presságio de exílio). Aquele que vê (haroeh) uma panela (kedeirá) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar): "o Eterno estabelecerá paz para nós" (Yeshayahu 26:12), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "coloca (shefot) a panela (hasir), coloca (shefot)" (Yechezkel 24:3, presságio de destruição) — isto é, para cada símbolo ambíguo, existe um versículo favorável e um versículo desfavorável que usam palavra semelhante; o costume é recitar de manhã cedo, antes de qualquer outra fala, o versículo favorável, para que ele "vença" e determine o sentido do sonho.
Rabi Yehoshua ben Levi ensina o procedimento prático para símbolos ambíguos: recitar pela manhã, antes de qualquer outra fala, o versículo favorável associado à imagem do sonho, para que ele determine a interpretação antes que o versículo desfavorável o faça.
Aquele que vê (haroeh) uvas (anavim) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar): "como uvas (kaanavim) no deserto (bamidbar)" (Hoshea 9:10), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "suas uvas (anavemo) são uvas (inevei) de veneno (rosh)" (Devarim 32:32). Aquele que vê (haroeh) um monte (har) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) — "como são belos (ma navu) sobre (al) os montes (heharim) os pés (raglei) do anunciador (mevaser)" (Yeshayahu 52:7), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "sobre (al) os montes (heharim) levantarei (essa) choro (bechi) e lamento (vanehi)" (Yirmeyahu 9:9).
Mais dois pares de versículos, favorável e desfavorável, para uvas e monte, seguindo o mesmo procedimento de recitação matinal antecipada.
Aquele que vê (haroeh) um shofar (shofar) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "e será (vehaya) naquele (bayom hahu) dia que se tocará (yitaka) um grande (gadol) shofar (beshofar)" (Yeshayahu 27:13), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "tocai (tiku) o shofar (shofar) em Guivá (bagivá)" (Hoshea 5:8, versículo de alarme e guerra).
Par de versículos para o shofar: o toque redentor do fim dos dias contra o toque de alarme e guerra.
Aquele que vê (haroeh) um cão (kelev) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "e a todos (ulechol) os filhos (benei) de Israel (Yisrael) não (lo) afiará (yecheratz) o cão (kelev) sua língua (leshono)" (Shemot 11:7), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "e os cães (vehakelavim) são de espírito (nefesh) voraz (azei)" (Yeshayahu 56:11). Aquele que vê (haroeh) um leão (ari) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "o leão (arye) rugiu (shaag), quem (mi) não (lo) temerá (yira)" (Amos 3:8, lido aqui como louvor à força), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "subiu (ala) o leão (arye) de sua espessura (misubcho)" (Yirmeyahu 4:7, presságio de destruição).
Pares de versículos para cão e leão, mantendo o mesmo padrão de recitação preventiva.
Aquele que vê (haroeh) uma tosquia (tiglachat) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "e se tosquiou (vayegalach) e trocou (vayechalef) suas vestes (simlotav)" (Bereshit 41:14, sobre Yosef antes de subir à grandeza), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "mas (ki im) fui tosquiado (gulachti), e se afastou (vesar) de mim (mimeni) minha força (kochi)" (Shoftim 16:17, palavras de Shimshon). Aquele que vê (haroeh) um poço (beer) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "poço (beer) de água (mayim) viva (chayim)" (Bereshit 26:19), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — um versículo de mau presságio associado a poço que seca ou se esvazia. Aquele que vê (haroeh) uma cana (kaneh) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "cana (kaneh) quebrada (ratzutz) não (lo) quebrará (yishbor)" (Yeshayahu 42:3), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "eis (hineh) que confiaste (vatachta) para ti (lecha) no apoio (al mishenet) da cana (hakaneh) quebrada (haratzutz)" (Melachim II 18:21, presságio de apoio falso e desmoronamento).
Três novos pares de versículos, para tosquia, poço e cana, mantendo a mesma estrutura didática de recitação antecipatória.
Ensinaram (tanu) os Sábios (rabanan): aquele que vê (haroeh) uma cana (kaneh) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá), pois foi dito (sheneemar): "adquire (kneh) sabedoria (chochmá)" (Mishlei 4:5, jogo entre "kaneh" — cana — e "kneh" — adquire). Canas (kanim) — aguardará (yetzapeh) entendimento (levina), pois foi dito (sheneemar): "e com toda (uvechol) tua aquisição (kinyancha), adquire (kneh) entendimento (vina)" (Mishlei 4:7). Disse (amar) Rabi Zeira: abóbora (kara), cabaça (kura), cera (kira), cana (kanya) — todas (kulhu) são boas (mealu) para o sonho (lechelma) — isto é, todas essas palavras semelhantes, por associação sonora com "kneh" (adquirir), são bons presságios. Foi ensinado (tanya): não (ein) se mostram (marin) abóboras (diluin) em sonho senão (ela) a quem (lemi) é (shehu) temente (yerei) ao Céu (shamayim) com toda (bechol) sua força (kocho).
"E com toda tua aquisição" — expressão (lashon) no plural (meruba) é (hu); também (af) muitas (harbeh) canas (kanim) — é a cana (kaneh) de entendimento (shel vina). "Abóbora, cabaça, cera, cana" — "kara" é abóbora (delaat), como (kedamerinan) se dirá adiante: aquele que vê (haroeh) abóboras (dluin) em sonho (bachalom) é temente ao Céu (yerei shamayim), por expressão (lashon) de "dalu einai lamarom" ("elevei meus olhos ao alto"). "Kura" — o broto tenro (rach) que cresce (hagadel) nos ramos (beanfei) da tamareira (hadekel) a cada ano (bechol shaná), como (kederech) as demais árvores (shear ilanot), e no segundo (velashaná shniyá) ano ele endurece (mitkashe) e se torna (venaase) madeira (etz). "Kira" — cera (shaava). "Kanya" — cana (kaneh) — isto é, Rashi identifica cada uma das quatro palavras aramaicas semelhantes a "kneh" (adquirir), explicando seu significado literal — abóbora, broto tenro de tamareira, cera e cana — e por que todas remetem, por associação sonora, à ideia de sabedoria adquirida.
A cana e palavras semelhantes a ela — abóbora, broto de tamareira, cera — são todas boas em sonho por associação sonora com "kneh" (adquirir sabedoria); a abóbora, porém, só é boa a quem já é temente ao Céu.
Aquele que vê (haroeh) um boi (shor) em sonho (bachalom), levante-se cedo (yashkim) e diga (veyomar) "primogênito (bechor) de seu boi (shoro), majestade (hadar) é para ele (lo)" (Devarim 33:17, bênção de Moshe a Yosef), antes (kodem) que (she) o anteceda (yakdimenu) outro (acher) versículo (pasuk) — "quando (ki) chifrar (yigach) um boi (shor) um homem (et ish)" (Shemot 21:28, lei de dano).
Par de versículos para o boi: a bênção de majestade contra a lei do boi que chifra e mata.
Ensinaram (tanu) os Sábios (rabanan): cinco (chamisha) coisas (devarim) foram ditas (neemru) sobre o boi (beshor). Aquele que come (haochel) de sua carne (mibesaro) — enriquece (mitasher). Aquele que sonha que foi chifrado por ele (negacho) — terá (havyin leih) filhos (banim) que (she) se destacam (menagchim) na Torá (batorá) — jogo entre "chifrar" e "destacar-se em debate". Aquele que sonha que foi mordido por ele (neshacho) — sofrimentos (yisurin) vêm (baim) sobre ele (alav). Aquele que sonha que foi coiceado por ele (beato) — uma viagem (derech) longa (rechoka) se apresentará a ele (nizdamna lo). Aquele que sonha que cavalgou nele (rechavo) — sobe (oleh) à grandeza (ligdulá).
"Aquele que come de sua carne" — em sonho (bachalom).
Baraita com cinco presságios distintos ligados ao boi em sonho — comer sua carne, ser chifrado, mordido, coiceado ou cavalgá-lo —, cada um com sentido próprio.
Mas (veha) não se ensinou (tanya) que cavalgá-lo (rechavo) — morre (met)! Não (la) há dificuldade (kashya): esta (ha) é quando ele (hu) cavalga (rachiv) o boi (letora); esta (ha) outra é quando o boi (tora) cavalga (rachiv) sobre ele (dideih) — isto é, se o próprio sonhador está montado no boi e o controla, é bom presságio de ascensão; mas se, no sonho, é o boi que está sobre ele, dominando-o, é presságio de morte.
Contradição resolvida: cavalgar o boi controlando-o é bom presságio de grandeza; ser dominado pelo boi por baixo dele é presságio de morte.
Aquele que vê (haroeh) um jumento (chamor) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) salvação (lishuá), pois foi dito (sheneemar): "eis que (hineh) teu rei (malkech) virá (yavo) a ti (lach), justo (tzadik) e salvo (venoshá) é (hu), pobre (ani) e montado (verochev) sobre (al) um jumento (chamor)" (Zecharyá 9:9). Aquele que vê (haroeh) um gato (chatul) em sonho (bachalom) — no lugar (beatra) onde (dekaru) lhe chamam (leih) "shunra" — faz-se (naaset lo) para ele um canto (shirá) agradável (naá) — jogo com "shirá", canto; "shinra" — faz-se (naase lo) para ele uma mudança (shinui) ruim (ra) — jogo com "shinui", mudança, conforme o nome regional do animal. Aquele que vê (haroeh) uvas (anavim) em sonho (bachalom), brancas (levanot), seja (bein) em sua época (bizmanan), seja (uvein) fora (shelo) de sua época (bizmanan) — são boas (yafot). Pretas (shechorot) em sua época (bizmanan) — são boas (yafot); fora (shelo) de sua época (bizmanan) — são más (raot). Aquele que vê (haroeh) um cavalo (sus) branco (lavan) em sonho (bachalom), seja (bein) a passo (benachat), seja (bein) a galope (beradaf) — é bom (yafeh) para ele (lo). Cavalo vermelho (adom), a passo (benachat) — é bom (yafeh); a galope (beradaf) — é difícil (kashe) — isto é, cada cor e modo de andar do cavalo tem seu próprio significado, sendo o cavalo vermelho em disparada o único presságio negativo dessa série.
"Seja a galope" — quando (keshehu) ele corre (ratz).
Série de presságios sobre jumento (salvação messiânica), gato (dependendo do nome regional, jogo de palavras entre canto e mudança), tipos de uva conforme a estação, e cores e modos de andar do cavalo.
Aquele que vê (haroeh) Yishmael (Yishmael) em sonho (bachalom) — sua prece (tefilato) é ouvida (nishma'at) — jogo entre o nome Yishmael e "Yishmá El", "Deus ouvirá". E precisamente (vedavka) Yishmael (Yishmael) filho (ben) de Avraham (Avraham), mas (aval) um árabe (tayaa) qualquer (bealma) — não (lo). Aquele que vê (haroeh) um camelo (gamal) em sonho (bachalom) — morte (mitá) foi decretada (niknesa) a ele (lo) pelo Céu (min hashamayim), e o salvaram (vehitziluhu) dela (mimena). Disse (amar) Rabi Chama beRabi Chanina: qual (mai) é o versículo (kraá) — "e eu (veanochi) descerei (ered) contigo (imcha) ao Egito (mitzraima), e eu (veanochi) te farei subir (aalcha) também (gam) subindo (aloh)" (Bereshit 46:4, dito a Yaakov — "gam", também, sugerindo salvamento de uma morte decretada). Rav Nachman bar Yitzchak disse (amar): daqui (mehacha) — "também (gam) o Eterno (Hashem) perdoou (heevir) teu pecado (chatatcha), não (lo) morrerás (tamut)" (Shmuel II 12:13, dito a David — a mesma palavra "gam", também, associada por som a "gamal", camelo).
"Também subindo" — próximo (karov) por acróstico (notarikon) a "camelo" (gamal) — isto é, Rashi explica que a palavra "gam" (também), repetida em ambos os versículos, soa próxima às letras de "gamal", justificando a associação entre o camelo do sonho e a promessa de ser salvo de um decreto de morte.
Yishmael em sonho é presságio de prece ouvida, mas apenas se identificado como o filho de Avraham; o camelo é presságio de um decreto de morte do qual o sonhador será salvo, associação justificada pela palavra "gam" em dois versículos de salvação.
Aquele que vê (haroeh) Pinchas (Pinchas) em sonho (bachalom) — um milagre (pele) lhe acontece (naaseh lo). Aquele que vê (haroeh) um elefante (pil) em sonho (bachalom) — milagres (pelaot) lhe acontecem (naasu lo). Elefantes (pilim) no plural — milagres de milagres (pilei pelaot) lhe acontecem (naasu lo) — toda esta cadeia associa foneticamente "Pinchas", "pil" (elefante) e "pele" (milagre).
"Um milagre lhe acontece" — como (kemo) aconteceu (shenaasah) a Pinchas (lePinchas), como (kedamerinan) se diz no tratado Sanhedrin — referência ao milagre ocorrido a Pinchas no episódio de Zimri e Kozbi.
Pinchas e o elefante (pil) são presságios de milagre por associação fonética com a palavra "pele"; no plural, elefantes anunciam milagres redobrados.
Mas (veha) não se ensinou (tanya) que todo (kol) tipo (minei) de animal (chayot) é bom (yafin) para o sonho (lachalom), exceto (chutz min) o elefante (hapil) e o macaco (hakof)? Não (la) há dificuldade (kashya) — isto é, levanta-se uma contradição direta entre a baraita recém-citada, que trata o elefante como presságio de milagre, e outra baraita que o exclui expressamente da lista de animais de bom presságio; a Guemará já começa a resposta com "não há dificuldade", mas sua resolução completa — distinguindo, presumivelmente, entre diferentes formas de ver o elefante em sonho — só é dada no início do daf seguinte.
O daf termina em aberto: levanta-se a contradição entre o elefante como presságio de milagre e sua exclusão expressa da lista de bons presságios entre os animais; a resolução completa vem apenas no início de 57a.