Talmud Bavli · Berachot · Daf 57, lado A · Perek Tet (HaRoeh)
נז ע״א

Huna, Chanina e Yochanan como presságio de milagre; os atos proibidos que em sonho anunciam sabedoria e Torá; e a longa lista final de símbolos de sonho

Berachot 57a · Perek Tet ("Aquele que vê")

O daf abre completando a resposta deixada em aberto ao final de 56b: a contradição sobre o elefante em sonho se resolve distinguindo o boi selado (arreado, pronto para o trabalho) do boi não selado — e, na sequência, uma pequena lista de nomes próprios (Huna, Chanina, Chananya, Yochanan) e do elogio fúnebre como presságios de milagre ou de salvação. A Guemará então lista o que se aguarda de quem responde "Amén, seja Seu grande nome bendito", de quem lê o Shemá, de quem coloca tefilin ou reza em sonho, e — em sequência surpreendente — o que se aguarda de quem sonha ter cometido incesto com a mãe, com uma noiva ou com a irmã, ou ter estado com mulher casada: sabedoria, Torá, entendimento e o Mundo Vindouro, respectivamente, cada leitura sustentada por um versículo e por uma condição que a limita. Segue-se uma extensa baraita, quase inteiramente devida a Rabi Chiya bar Abba e a ensinamentos anônimos, que percorre dezenas de símbolos de sonho — trigo e cevada, videira carregada e sorek, figueira e romã, oliveira e azeite, tâmaras, cabra e murta, etrog e lulav, ganso e galo, ovos e outros objetos frágeis, entrar numa cidade grande, tosquiar a cabeça, sentar-se numa banheira grande ou pequena, fazer as necessidades, subir ao telhado, rasgar as vestes, estar nu na Babilônia ou em Israel, ser detido por um guarda, entrar num lago ou numa floresta, o episódio de Rav Papa e Rav Huna filho de Rav Yehoshua, a sangria que perdoa pecados, a cobra que garante ou dobra o sustento, e por fim as bebidas em sonho, todas boas exceto o vinho, que é bom ou mau conforme quem o bebe — encerrando com o ensinamento de Rabi Yochanan de que para o erudito da Torá o vinho em sonho é sempre bom presságio.

1Este é o caso do boi selado; este é o caso do boi não selado
Bavli · 57a — Guemará
הָא דִּמְסָרַג, הָא דְּלָא מְסָרַג. הָרוֹאֶה הוּנָא בַּחֲלוֹם — נֵס נַעֲשָׂה לוֹ. חֲנִינָא, חֲנַנְיָא, יוֹחָנָן — נִסֵּי נִסִּים נַעֲשׂוּ לוֹ. הָרוֹאֶה הֶסְפֵּד בַּחֲלוֹם — מִן הַשָּׁמַיִם חָסוּ עָלָיו וּפְדָאוּהוּ. וְהָנֵי מִילֵּי בִּכְתָבָא.

Este (ha) caso de bom presságio é quando o elefante (pil) está selado (dimsarag) — isto é, arreado, preparado para o trabalho, sinal de que o milagre já está a caminho; este (ha) caso de mau presságio, contrário à baraita citada no fim de 56b é quando (de) não (la) está selado (mesarag) — o elefante sem arreio é apenas um animal comum, sem o significado especial de milagre; assim se resolve a contradição entre as duas baraitot. Aquele que vê (haroeh) Huna em sonho (bachalom) — um milagre (nes) lhe acontece (naaseh lo). Chanina, Chananya, Yochanan — milagres (nisei) de milagres (nisim) lhe acontecem (naasu lo) — pois todos estes nomes contêm a raiz "chen" (graça) ou aludem à raiz "nes" (milagre). Aquele que vê (haroeh) um elogio fúnebre (hesped) em sonho (bachalom) — desde o Céu (min hashamayim) tiveram piedade (chasu) dele (alav) e o resgataram (ufedauhu) — isto é, um sonho de morte e luto é, paradoxalmente, presságio de salvação de um decreto grave. E isto (vehanei) se aplica (milei) quando visto por escrito (bichtava) — o nome ou a palavra "hesped" precisam aparecer escritos no sonho, não apenas ouvidos, para que a interpretação favorável se aplique.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
דמסרג – שיש לו אוכף על גביו יפה: נס נעשה לו – נו"ן כנגד נו"ן וכגון שראה השם כתוב: חנינא – נוני"ן הרבה נסים רבים: והני מילי בכתבא – אכולהו קאי שראה הונא או חנינא או תיבה זו של הספד כתובה דמשמע חסו עליו ופדאוהו:

"Selado" — que (sheyesh) tem (lo) uma sela (ochaf) boa (yafeh) sobre suas costas (al gabav). "Um milagre lhe acontece" — a letra nun (nun) corresponde (keneged) à letra nun (nun) — isto é, o nome "Huna" começa com a mesma letra que "nes" (milagre), e por exemplo (uchegon) quando viu (sheraá) o nome (hashem) escrito (katuv). "Chanina" — muitos (harbeh) nuns (nunin), muitos (rabim) milagres (nisim) — o nome contém mais letras "nun", multiplicando o presságio. "E isto se aplica quando por escrito" — refere-se (kaei) a tudo (akulhu): que viu (sheraá) "Huna" ou (o) "Chanina" ou (o) esta (teiva zo) palavra (teivá) de "hesped" escrita (ketuvá), o que (demashma) significa que tiveram piedade dele e o resgataram — isto é, Rashi esclarece que a exigência de "visto por escrito" vale para todos os itens desta lista: nomes e a própria palavra "elogio fúnebre" precisam aparecer grafados no sonho para que a leitura favorável se confirme.

Nota

Resolve-se a contradição do fim de 56b: o elefante selado é bom presságio de milagre, o não selado não o é. Segue-se lista de nomes (Huna, Chanina, Chananya, Yochanan) e do elogio fúnebre como presságios de milagre e resgate, desde que vistos escritos no sonho.

2Aquele que responde "seja Seu grande nome bendito" está garantido do Mundo Vindouro
Bavli · 57a — Guemará
הָעוֹנֶה ״יְהֵא שְׁמֵיהּ רַבָּא מְבָרַךְ״ — מוּבְטָח לוֹ שֶׁהוּא בֶּן הָעוֹלָם הַבָּא. הַקּוֹרֵא קְרִיאַת שְׁמַע — רָאוּי שֶׁתִּשְׁרֶה עָלָיו שְׁכִינָה, אֶלָּא שֶׁאֵין דּוֹרוֹ זַכַּאי לְכָךְ.

Aquele que responde (haoneh) em sonho "seja (yehei) Seu grande (rabá) nome (shemeih) bendito (mevarach)" — está garantido (muvtach lo) que (shehu) é filho (ben) do Mundo (haolam) Vindouro (haba). Aquele que lê (hakoreh) em sonho a leitura (kriat) do Shemá (shema) — é digno (raui) que (she) repouse (tishre) sobre ele (alav) a Presença Divina (shechiná), mas (ela) sua geração (dorо) não (she'ein) é merecedora (zakai) disso (lechach) — isto é, embora o próprio sonhador seja digno, o mérito coletivo de sua geração não basta para que o sonho se cumpra literalmente.

Nota

Sonhar responder "Yehei Shmeih Rabá" garante o Mundo Vindouro; sonhar ler o Shemá tornaria o sonhador digno de que a Presença Divina repousasse sobre ele, não fosse o mérito insuficiente de sua geração.

3Aquele que coloca tefilin em sonho aguardará grandeza
Bavli · 57a — Guemará
הַמַּנִּיחַ תְּפִילִּין בַּחֲלוֹם — יְצַפֶּה לִגְדוּלָּה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְרָאוּ כׇּל עַמֵּי הָאָרֶץ כִּי שֵׁם ה׳ נִקְרָא עָלֶיךָ וְגוֹ׳״. וְתַנְיָא, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר הַגָּדוֹל אוֹמֵר: אֵלּוּ תְּפִילִּין שֶׁבָּרֹאשׁ. הַמִּתְפַּלֵּל בַּחֲלוֹם — סִימָן יָפֶה לוֹ. וְהָנֵי מִילֵּי דְּלָא סַיֵּים.

Aquele que coloca (hamaniach) tefilin (tefilin) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) grandeza (ligdulá), pois foi dito (sheneemar): "e verão (veraú) todos (kol) os povos (amei) da terra (haaretz) que (ki) o nome (shem) do Eterno (Hashem) é chamado (nikra) sobre ti (alecha), etc." (Devarim 28:10). E foi ensinado (vetanya): Rabi Eliezer HaGadol diz (omer): estes (elu) são os tefilin (tefilin) da cabeça (sherosh) — isto é, o versículo sobre o "nome de Hashem chamado sobre ti" refere-se especificamente ao tefilin da cabeça, visível a todos. Aquele que reza (hamitpalel) em sonho (bachalom) — é bom (yafeh) presságio (siman) para ele (lo). E isto (vehanei) se aplica (milei) quando (de) não (la) terminou (sayem) a oração no próprio sonho — pois se ele acorda antes de terminar, é sinal de que está próximo de Deus, cuja proximidade o desperta.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
דלא סיים – שנעור משנתו קודם שנסתלק סימן הוא שסמוך אצל הקב"ה:

"Quando não terminou" — que (she) despertou (naor) de seu sono (mishnato) antes que (kodem she) se afastasse (nistalek) da oração; sinal (siman) é (hu) de que está próximo (samuch) junto ao (etzel) Santo, bendito seja (HaKadosh Baruch Hu) — isto é, acordar no meio da própria oração, sem terminá-la, é sinal de intimidade com o Divino, que o interrompe precisamente por estar tão próximo.

Nota

Colocar tefilin em sonho anuncia grandeza, especificamente o tefilin da cabeça; rezar em sonho é bom presságio, desde que a oração não seja concluída dentro do próprio sonho.

4Aquele que sonha ter vindo sobre sua mãe aguardará entendimento
Bavli · 57a — Guemará
הַבָּא עַל אִמּוֹ בַּחֲלוֹם — יְצַפֶּה לְבִינָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״כִּי אִם לַבִּינָה תִקְרָא״. הַבָּא עַל נַעֲרָה מְאוֹרָסָה — יְצַפֶּה לְתוֹרָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״תּוֹרָה צִוָּה לָנוּ מֹשֶׁה מוֹרָשָׁה קְהִלַּת יַעֲקֹב״, אַל תִּקְרֵי ״מוֹרָשָׁה״ אֶלָּא ״מְאוֹרָשָׂה״. הַבָּא עַל אֲחוֹתוֹ בַּחֲלוֹם — יְצַפֶּה לְחׇכְמָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״אֱמֹר לַחׇכְמָה אֲחֹתִי אָתְּ״. הַבָּא עַל אֵשֶׁת אִישׁ בַּחֲלוֹם — מוּבְטָח לוֹ שֶׁהוּא בֶּן הָעוֹלָם הַבָּא. וְהָנֵי מִילֵּי דְּלָא יָדַע לַהּ וְלָא הַרְהַר בַּהּ מֵאוּרְתָּא.

Aquele que vem (haba) sobre (al) sua mãe (imo) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) entendimento (levina), pois foi dito (sheneemar): "pois (ki) ao entendimento (lavina) tu clamarás (tikra)" (Mishlei 2:3, onde "im" também sugere "mãe"). Aquele que vem (haba) sobre (al) uma jovem (naará) noiva (meorasá) — aguardará (yetzapeh) Torá (letorá), pois foi dito (sheneemar): "Torá (torá) ordenou (tzivá) a nós (lanu) Moshé (Moshe), herança (morashá) da congregação (kehilat) de Yaakov (Yaakov)" (Devarim 33:4): não (al) leias (tikrei) "morashá" (morashá), mas (ela) "noiva" (meorasá) — trocadilho entre "herança" e "prometida". Aquele que vem (haba) sobre (al) sua irmã (achoto) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá), pois foi dito (sheneemar): "diz (emor) à sabedoria (lachochmá): minha irmã (achoti) és tu (at)" (Mishlei 7:4). Aquele que vem (haba) sobre (al) a esposa (eshet) de um homem (ish) em sonho (bachalom) — está garantido (muvtach lo) que (shehu) é filho (ben) do Mundo (haolam) Vindouro (haba). E isto (vehanei) se aplica (milei) quando (de) não (la) a conhecia (yada lah) nem (vela) pensou (harhar) nela (bah) na noite anterior (meurtá) — isto é, todas estas leituras favoráveis só valem quando o sonho não reflete simplesmente um pensamento ou desejo prévio do próprio sonhador, mas surge de modo espontâneo.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
מובטח לו שהוא בן העולם הבא – ונוטל חלקו וחלק חברו בגן עדן דדמי לאשת איש:

"Está garantido que é filho do Mundo Vindouro" — e toma (venotel) sua porção (chelko) e a porção (vechelek) de seu companheiro (chaveiro) no Jardim do Éden (Gan Eden), pois (de) se assemelha (dami) a "vir sobre" a esposa (eshet) de um homem (ish) — isto é, Rashi explica que este sonho é lido como presságio ainda maior do que os anteriores, garantindo ao sonhador porção dobrada no Mundo Vindouro.

Nota

Uma sequência de quatro sonhos de conteúdo proibido — incesto com a mãe, com uma noiva, com a irmã, e adultério com mulher casada — é lida, por trocadilho ou associação bíblica, como presságio de entendimento, Torá, sabedoria e o Mundo Vindouro, respectivamente, desde que o sonho não reflita mero pensamento prévio do sonhador.

5Disse Rabi Chiya bar Abba: aquele que vê trigo em sonho, viu paz
Bavli · 57a — Guemará
אָמַר רַבִּי חִיָּיא בַּר אַבָּא: הָרוֹאֶה חִטִּים בַּחֲלוֹם — רָאָה שָׁלוֹם, שֶׁנֶּאֱמַר: ״הַשָּׂם גְּבוּלֵךְ שָׁלוֹם חֵלֶב חִטִּים יַשְׂבִּיעֵךְ״. הָרוֹאֶה שְׂעוֹרִים בַּחֲלוֹם — סָרוּ עֲוֹנוֹתָיו, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְסָר עֲוֹנֶךָ וְחַטָּאתְךָ תְּכֻפָּר״. אָמַר רַבִּי זֵירָא: אֲנָא לָא סְלַקִי מִבָּבֶל לְאֶרֶץ יִשְׂרָאֵל עַד דַּחֲזַאי שְׂעָרֵי בְּחֶלְמָא.

Disse (amar) Rabi Chiya bar Abba: aquele que vê (haroeh) trigo (chitim) em sonho (bachalom) — viu (raá) paz (shalom), pois foi dito (sheneemar): "aquele que estabelece (hasam) tua fronteira (gevulech) em paz (shalom), com a gordura (chelev) do trigo (chitim) te sacia (yasbiech)" (Tehilim 147:14). Aquele que vê (haroeh) cevada (seorim) em sonho (bachalom) — afastaram-se (saru) seus pecados (avonotav), pois foi dito (sheneemar): "e se afastou (vesar) teu pecado (avonecha), e teu erro (vechatatcha) será expiado (techupar)" (Yeshayahu 6:7, jogo entre "seorá", cevada, e "sar", afastou-se). Disse (amar) Rabi Zeira: eu (ana) não (la) subi (salki) da Babilônia (mibavel) à Terra de Israel (leEretz Yisrael) até que (ad de) vi (chazai) cevada (seorei) em sonho (bechelma) — isto é, esperou o presságio de expiação dos pecados antes de empreender a subida à Terra de Israel.

Nota

Trigo em sonho é lido como presságio de paz; cevada, como afastamento dos pecados — Rabi Zeira esperou sonhar com cevada antes de subir da Babilônia à Terra de Israel.

6Aquele que vê uma videira carregada em sonho, sua esposa não abortará
Bavli · 57a — Guemará
הָרוֹאֶה גֶּפֶן טְעוּנָה בַּחֲלוֹם — אֵין אִשְׁתּוֹ מַפֶּלֶת נְפָלִים, שֶׁנֶּאֱמַר: ״אֶשְׁתְּךָ כְּגֶפֶן פֹּרִיָּה״. שׂוֹרֵקָה — יְצַפֶּה לַמָּשִׁיחַ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״אֹסְרִי לַגֶּפֶן עִירֹה וְלַשֹּׂרֵקָה בְּנִי אֲתֹנוֹ״.

Aquele que vê (haroeh) uma videira (gefen) carregada (teuná) em sonho (bachalom) — sua esposa (ishto) não (ein) abortará (mapelet nefalim), pois foi dito (sheneemar): "tua esposa (eshtecha) como videira (kegefen) frutífera (poriyá)" (Tehilim 128:3). Se a videira for do tipo sorek (soreka) — aguardará (yetzapeh) o Mashiach (lamashiach), pois foi dito (sheneemar): "amarrando (osri) à videira (lagefen) seu jumentinho (iro), e à videira sorek (velasoreka) o filhote (beni) de sua jumenta (atono)" (Bereshit 49:11, bênção messiânica de Yaakov a Yehudá).

Nota

Videira carregada de frutos em sonho garante que a esposa não abortará; a videira do tipo "sorek" especificamente aponta para a vinda do Mashiach.

7Aquele que vê uma figueira em sonho, sua Torá se preserva nele; e sobre as romãs
Bavli · 57a — Guemará
הָרוֹאָה תְּאֵנָה בַּחֲלוֹם — תּוֹרָתוֹ מִשְׁתַּמֶּרֶת בְּקִרְבּוֹ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״נוֹצֵר תְּאֵנָה יֹאכַל פִּרְיָהּ״. הָרוֹאֶה רִמּוֹנִים בַּחֲלוֹם, זוּטְרֵי — פָּרֵי עִסְקֵיהּ כְּרִמּוֹנָא, רַבְרְבֵי — רָבֵי עִסְקֵיהּ כְּרִמּוֹנָא. פַּלְגֵי, אִם תַּלְמִיד חָכָם הוּא — יְצַפֶּה לְתוֹרָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״אַשְׁקְךָ מִיַּיִן הָרֶקַח מֵעֲסִיס רִמֹּנִי״. וְאִם עַם הָאָרֶץ הוּא — יְצַפֶּה לְמִצְוֹת, שֶׁנֶּאֱמַר: ״כְּפֶלַח הָרִמּוֹן רַקָּתֵךְ״. מַאי רַקָּתֵךְ — אֲפִילּוּ רֵיקָנִין שֶׁבָּךְ, מְלֵאִים מִצְוֹת כְּרִמּוֹן.

Aquele que vê (haroeh) uma figueira (teená) em sonho (bachalom) — sua Torá (torato) se preserva (mishtameret) em seu interior (bekirbo), pois foi dito (sheneemar): "aquele que guarda (notzer) a figueira (teená) comerá (yochal) seu fruto (piryá)" (Mishlei 27:18). Aquele que vê (haroeh) romãs (rimonim) em sonho (bachalom), se pequenas (zutrei) — frutificam (parei) seus negócios (iskeih) como (kerimoná) a romã (rimoná); se grandes (ravrevei) — crescem (ravei) seus negócios (iskeih) como (kerimoná) a romã (rimoná). Se partidas (palgei), se (im) for erudito (talmid chacham) — aguardará (yetzapeh) Torá (letorá), pois foi dito (sheneemar): "far-te-ei beber (ashkecha) do vinho (miyayin) aromático (harekach), do néctar (measis) de minha romã (rimoni)" (Shir HaShirim 8:2). E se (veim) for pessoa comum (am haaretz) — aguardará (yetzapeh) preceitos (lemitzvot), pois foi dito (sheneemar): "como (kefelach) gomo de romã (harimon) é tua têmpora (rakatech)" (Shir HaShirim 4:3). O que (mai) significa "tua têmpora" (rakatech) — mesmo (afilu) os vazios (reikanin) que há em ti (shebach) estão cheios (meleim) de preceitos (mitzvot) como (kerimon) uma romã — jogo entre "rakatech" (têmpora) e "reikanin" (vazios).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
פלגי – רמונים שנחלקו: יצפה לתורה – שנאמר אשקך מיין הרקח היינו תורה: מעסיס רמוני – הנמצץ מן הרמונים:

"Partidas" — romãs (rimonim) que (she) se dividiram (nechleku). "Aguardará Torá" — pois foi dito "far-te-ei beber do vinho aromático", isto é (hainu) Torá (torá). "Do néctar de minha romã" — o que (hanimtzatz) se espreme (min) das romãs (harimonim) — isto é, Rashi identifica o "vinho aromático" do versículo de Shir HaShirim com a Torá, e explica "assis" como o suco espremido da fruta.

Nota

A figueira em sonho preserva o conhecimento de Torá do sonhador; romãs pequenas ou grandes anunciam prosperidade proporcional nos negócios; romãs partidas anunciam Torá para o erudito e preceitos até para o ignorante, pois "mesmo os vazios estão cheios de mitzvot como uma romã".

8Aquele que vê oliveiras em sonho, e aquele que vê azeite de oliva; e sobre as tâmaras
Bavli · 57a — Guemará
הָרוֹאֶה זֵיתִים בַּחֲלוֹם, זוּטְרֵי — פָּרֵי וְרָבֵי וְקָאֵי עִסְקֵיהּ כְּזֵיתִים. וְהָנֵי מִילֵּי פֵּרֵי, אֲבָל אִילָנֵי — הָוְיִין לֵיהּ בָּנִים מְרוּבִּין, שֶׁנֶּאֱמַר: ״בָּנֶיךָ כִּשְׁתִלֵי זֵיתִים וְגוֹ׳״. אִיכָּא דְּאָמְרִי הָרוֹאֶה זַיִת בַּחֲלוֹם — שֵׁם טוֹב יוֹצֵא לוֹ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״זַיִת רַעֲנָן יְפֵה פְרִי תֹאַר קָרָא ה׳ שְׁמֵךְ״. הָרוֹאֶה שֶׁמֶן זַיִת בַּחֲלוֹם — יְצַפֶּה לִמְאוֹר תּוֹרָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְיִקְחוּ אֵלֶיךָ שֶׁמֶן זַיִת זָךְ״. הָרוֹאֶה תְּמָרִים בַּחֲלוֹם — תַּמּוּ עֲוֹנוֹתָיו, שֶׁנֶּאֱמַר: ״תַּם עֲוֹנֵךְ בַּת צִיּוֹן״.

Aquele que vê (haroeh) oliveiras (zeitim) em sonho (bachalom), se pequenas (zutrei) — frutificam (parei) e crescem (ravei) e permanecem (kaei) seus negócios (iskeih) como (kezeitim) as oliveiras (zeitim). E isto (vehanei) se aplica (milei) a frutos (peirei), mas (aval) se viu as árvores (ilanei) — terá (havyin leih) filhos (banim) numerosos (merubin), pois foi dito (sheneemar): "teus filhos (banecha) como (kishtilei) mudas (shtilei) de oliveiras (zeitim), etc." (Tehilim 128:3). Há (ika) quem diz (deamri): aquele que vê (haroeh) uma oliveira (zayit) em sonho (bachalom) — bom (tov) nome (shem) lhe advém (yotze lo), pois foi dito (sheneemar): "oliveira (zayit) viçosa (raanan), de belo (yefeh) fruto (peri) e forma (toar), o Eterno (Hashem) chamou (kara) teu nome (shemech)" (Yirmeyahu 11:16). Aquele que vê (haroeh) azeite (shemen) de oliva (zayit) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) a luz (limor) da Torá (torá), pois foi dito (sheneemar): "e tomarão (veyikchu) para ti (elecha) azeite (shemen) de oliva (zayit) puro (zach)" (Shemot 27:20). Aquele que vê (haroeh) tâmaras (tmarim) em sonho (bachalom) — cessaram (tamu) seus pecados (avonotav), pois foi dito (sheneemar): "cessou (tam) teu pecado (avonech), filha (bat) de Tzion (Tzion)" (Eichá 4:22, jogo entre "tamar" e "tam").

Nota

Frutos de oliveira em sonho anunciam prosperidade nos negócios; as próprias árvores anunciam filhos numerosos; segundo outra opinião, a oliveira anuncia bom nome; o azeite anuncia luz de Torá; e as tâmaras anunciam o fim dos pecados, por associação com "tam" (cessou).

9Disse Rav Yosef: aquele que vê uma cabra em sonho, ano abençoado lhe advém; e sobre a murta, o etrog e o lulav
Bavli · 57a — Guemará
אָמַר רַב יוֹסֵף, הָרוֹאֶה עֵז בַּחֲלוֹם — שָׁנָה מִתְבָּרֶכֶת לוֹ, עִזִּים — שָׁנִים מִתְבָּרְכוֹת לוֹ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְדֵי חֲלֵב עִזִּים לְלַחְמְךָ״. הָרוֹאֶה הֲדַס בַּחֲלוֹם — נְכָסָיו מַצְלִיחִין לוֹ. וְאִם אֵין לוֹ נְכָסִים — יְרוּשָּׁה נוֹפֶלֶת לוֹ מִמָּקוֹם אַחֵר. אָמַר עוּלָּא, וְאָמְרִי לַהּ בְּמַתְנִיתָא תָּנָא: וְהוּא דַּחֲזָא בְּכַנַּיְיהוּ. הָרוֹאֶה אֶתְרוֹג בַּחֲלוֹם — הָדוּר הוּא לִפְנֵי קוֹנוֹ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״פְּרִי עֵץ הָדָר כַּפֹּת תְּמָרִים״. הָרוֹאֶה לוּלָב בַּחֲלוֹם — אֵין לוֹ אֶלָּא לֵב אֶחָד לְאָבִיו שֶׁבַּשָּׁמַיִם.

Disse (amar) Rav Yosef: aquele que vê (haroeh) uma cabra (ez) em sonho (bachalom) — ano (shaná) abençoado (mitbarechet) lhe advém (lo); se viu cabras (izim) no plural — anos (shanim) abençoados (mitbarchot) lhe advêm (lo), pois foi dito (sheneemar): "e o suficiente (vedei) leite (chalev) de cabras (izim) para teu pão (lelachmecha)" (Mishlei 27:27). Aquele que vê (haroeh) murta (hadas) em sonho (bachalom) — seus bens (nechasav) prosperam (matzlichin lo). E se (veim) não (ein) tem (lo) bens (nechasim) — uma herança (yerushá) lhe cai (nofelet lo) de outro lugar (mimakom acher). Disse (amar) Ulá, e há quem diga (veamri lah) que numa baraita (bematnita) se ensinou (tana): e isto (vehu) quando (de) a viu (chaza) em seus ramos (bechanayhu) — isto é, presa à planta, no lugar onde cresce, e não colhida. Aquele que vê (haroeh) um etrog (etrog) em sonho (bachalom) — é honrado (hadur hu) diante (lifnei) de seu Criador (konó), pois foi dito (sheneemar): "fruto (peri) de árvore (etz) formosa (hadar), ramos (kapot) de tamareiras (tmarim)" (Vayikra 23:40). Aquele que vê (haroeh) um lulav (lulav) em sonho (bachalom) — não (ein lo) tem senão (ela) um (echad) coração (lev) para com seu Pai (leaviv) que está nos Céus (shebashamayim) — jogo entre "lulav" e "lev" (coração).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
נכסיו מצליחין – כהדס זה שעליו משולשים זה על זה כמין קליעה: בכנייהו – על כנם במקומם במחובר:

"Seus bens prosperam" — como (kehadas) esta (zeh) murta, cujas folhas (shealav) se dispõem em trios (meshulashim) uma (zeh) sobre (al) a outra (zeh) como (kemin) uma trança (klia). "Em seus ramos" — em seu lugar próprio (al kanam bimkoman), ainda ligada (bemechubar) — isto é, Rashi explica que a murta simboliza prosperidade por sua folhagem entrelaçada, e que a condição de Ulá exige vê-la ainda presa à planta, não colhida ou solta.

Nota

Cabra ou cabras em sonho anunciam anos abençoados; murta anuncia prosperidade dos bens (ou herança inesperada, se vista ainda presa aos ramos); etrog anuncia honra diante do Criador; lulav anuncia coração único e sincero voltado a Deus.

10Aquele que vê um ganso em sonho aguardará sabedoria
Bavli · 57a — Guemará
הָרוֹאֶה אַוּוֹז בַּחֲלוֹם — יְצַפֶּה לְחׇכְמָה שֶׁנֶּאֱמַר: ״חׇכְמוֹת בַּחוּץ תָּרֹנָּה״. וְהַבָּא עָלֶיהָ הָוֵי רֹאשׁ יְשִׁיבָה. אָמַר רַב אָשֵׁי: אֲנִי רְאִיתִיהָ, וּבָאתִי עָלֶיהָ, וּסְלֵקִית לִגְדוּלָּה.

Aquele que vê (haroeh) um ganso (avoz) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá), pois foi dito (sheneemar): "sabedorias (chochmot) na rua (bachutz) clamam (taroná)" (Mishlei 1:20, associando o grasnado do ganso ao clamor da sabedoria). E aquele que veio (vehaba) sobre ela (aleha) em sonho torna-se (havei) chefe (rosh) de academia (yeshivá). Disse (amar) Rav Ashi: eu (ani) a vi (reitiha), e vim (uvati) sobre ela (aleha), e subi (usleikit) à grandeza (ligdulá).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
הוי ראש ישיבה – שמכריז ומצוה לרבים: אני ראיתיה וכו' – ועל כן נעשיתי ראש ישיבה במתא מחסיא:

"Torna-se chefe de academia" — pois (she) proclama (machriz) e ordena (umetzaveh) aos muitos (larabim) — como o ganso que grasna alto e chama atenção. "Eu a vi, etc." — e por isso (veal ken) me tornei (naaseiti) chefe (rosh) de academia (yeshivá) em Mata Mechasya (Mata Mechasya).

Nota

O ganso em sonho anuncia sabedoria, e vir sobre ele anuncia liderança de academia — presságio confirmado por Rav Ashi em experiência própria.

11Aquele que vê um galo em sonho aguardará um filho varão; e sobre os ovos
Bavli · 57a — Guemará
הָרוֹאֶה תַּרְנְגוֹל בַּחֲלוֹם — יְצַפֶּה לְבֵן זָכָר. תַּרְנְגוֹלִים — יְצַפֶּה לְבָנִים זְכָרִים. תַּרְנְגוֹלֶת — יְצַפֶּה לְתַרְבִּיצָה נָאָה וְגִילָה. הָרוֹאֶה בֵּיצִים בַּחֲלוֹם — תְּלוּיָה בַּקָּשָׁתוֹ. נִשְׁתַּבְּרוּ — נַעֲשֵׂית בַּקָּשָׁתוֹ. וְכֵן אֱגוֹזִים, וְכֵן קִשּׁוּאִים, וְכֵן כׇּל כְּלֵי זְכוּכִית, וְכֵן כׇּל הַנִּשְׁבָּרִים כָּאֵלּוּ.

Aquele que vê (haroeh) um galo (tarnegol) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) um filho (ben) varão (zachar). Se viu galos (tarnegolim) no plural — aguardará (yetzapeh) filhos (banim) varões (zecharim). Se viu uma galinha (tarnegolet) — aguardará (yetzapeh) um jardim (tarbitzá) agradável (naá) e alegria (gilá) — jogo de palavras entre "tarnegolet" e "tarbitzá... gilá". Aquele que vê (haroeh) ovos (beitzim) em sonho (bachalom)sua situação está pendente (teluyá) de seu pedido (bakashato). Se se quebraram (nishtabru) — realiza-se (naaset) seu pedido (bakashato). E assim (vechen) nozes (egozim), e assim (vechen) pepinos (kishuim), e assim (vechen) todo (kol) utensílio (klei) de vidro (zechuchit), e assim (vechen) tudo (kol) que se quebra (hanishbarim) como estes (kaelu) — isto é, para todos estes objetos que ocultam algo comestível ou útil sob uma casca ou invólucro, é a quebra do invólucro que libera e realiza o pedido do sonhador.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
תרביצא – גינה א"נ בהמ"ד תרביצא נאה וגילה נוטריקון של תרנגול: תלויה בקשתו – בספק כביצים הללו שהאוכל סתום בם: נשתברו – נתגלה האוכל:

"Tarbitzá" — jardim (gina), ou também (iy nami) casa (beit) de estudo (hamidrash); "tarbitzá naá vegilá" é acróstico (notarikon) de "tarnegol" (tarnegol). "Pendente de seu pedido" — em dúvida (besafek), como (ke) estes (hallalu) ovos (beitzim) em que (she) o alimento (haochel) está fechado (satum) dentro (bam). "Se quebraram" — foi revelado (nitgalá) o alimento (haochel) — isto é, Rashi explica a analogia: enquanto o alimento estiver oculto sob a casca, o pedido do sonhador permanece incerto; sua quebra corresponde à revelação do conteúdo e, portanto, à concretização do pedido.

Nota

Galo, galos e galinha em sonho anunciam filho, filhos varões, ou um lugar de alegria e estudo; ovos e outros objetos com casca ou invólucro (nozes, pepinos, vidro) mantêm o pedido do sonhador em suspenso até que se quebrem — o que realiza o pedido.

12Aquele que entra numa cidade grande em sonho, e aquele que tosquia a cabeça
Bavli · 57a — Guemará
הַנִּכְנָס לַכְּרַךְ — נַעֲשׂוּ לוֹ חֲפָצָיו, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וַיַּנְחֵם אֶל מְחוֹז חֶפְצָם״. הַמְגַלֵּחַ רֹאשׁוֹ בַּחֲלוֹם — סִימָן יָפֶה לוֹ. רֹאשׁוֹ וּזְקָנוֹ — לוֹ וּלְכׇל מִשְׁפַּחְתּוֹ.

Aquele que entra (hanichnas) numa cidade grande (lakerach) em sonho — realizam-se (naasu lo) seus desejos (chafatzav), pois foi dito (sheneemar): "e os conduziu (vayancheim) ao porto (mechoz) de seu desejo (cheftzam)" (Tehilim 107:30). Aquele que tosquia (hamegaleach) sua cabeça (rosho) em sonho (bachalom) — bom (yafeh) presságio (siman) para ele (lo). Se tosquiou sua cabeça (rosho) e sua barba (uzekano) — para ele (lo) e para toda (ulechol) sua família (mishpachto).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
וינחם אל מחוז – היינו כרך: חפצם – סימן הוא להיות חפציו נעשים: המגלח – סימן גדולה ותפארת היא לו כמו ויגלח ויחלף וגו' (בראשית מא):

"E os conduziu ao porto" — isto é (hainu) uma cidade grande (kerach). "Seu desejo" — sinal (siman) é (hu) de que seus desejos (chafatzav) se realizam (naasim). "Aquele que tosquia" — sinal (siman) de grandeza (gedulá) e esplendor (tiferet) é (hi) para ele (lo), como (kemo) "e se tosquiou e trocou de vestes, etc." (Bereshit 41, sobre Yosef antes de subir à grandeza).

Nota

Entrar numa cidade grande em sonho realiza os desejos do sonhador; tosquiar apenas a cabeça é bom presságio pessoal, e tosquiar cabeça e barba juntas estende o bom presságio a toda a família.

13Aquele que se senta numa banheira pequena, bom nome lhe advém
Bavli · 57a — Guemará
הַיּוֹשֵׁב בַּעֲרֵיבָה קְטַנָּה — שֵׁם טוֹב יוֹצֵא לוֹ. בַּעֲרֵיבָה גְּדוֹלָה — לוֹ וּלְכׇל מִשְׁפַּחְתּוֹ. וְהָנֵי מִילֵּי דְּמִדַּלְיָה דַּלּוֹיֵי.

Aquele que se senta (hayoshev) numa banheira (baarevá) pequena (ketaná) em sonho — bom (tov) nome (shem) lhe advém (yotze lo). Numa banheira (baarevá) grande (gdolá) — a ele (lo) e a toda (ulechol) sua família (mishpachto). E isto (vehanei) se aplica (milei) quando (de) ela flutua (midalya) alto (dalouei) — isto é, quando a banheira, no sonho, se ergue como um navio sobre as águas, não quando afunda ou se enche.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
בעריבה – בספינה: דמדלי – שהולכת בגובה של ים:

"Numa banheira" — num navio (bisfiná). "Que flutua" — que (shehalechá) vai (holechet) na altura (begovah) do mar (shel yam) — isto é, Rashi identifica a "banheira" do sonho com um pequeno ou grande navio, e a condição favorável é que ele navegue erguido sobre as ondas, não submerso.

Nota

Sentar-se numa banheira (isto é, um navio) pequena, flutuando alto sobre o mar, traz bom nome ao sonhador; numa banheira grande, o bom presságio se estende a toda a família.

14Aquele que faz suas necessidades em sonho, bom presságio para ele
Bavli · 57a — Guemará
הַנִּפְנֶה בַּחֲלוֹם — סִימָן יָפֶה לוֹ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״מִהַר צֹעֶה לְהִפָּתֵחַ״. וְהָנֵי מִילֵּי דְּלָא קַנַּח.

Aquele que faz suas necessidades (hanifneh) em sonho (bachalom) — bom (yafeh) presságio (siman) para ele (lo), pois foi dito (sheneemar): "apressa-se (mihar) o encurvado (tzoeh) a ser solto (lehipatecha)" (Yeshayahu 51:14). E isto (vehanei) se aplica (milei) quando (de) não (la) se limpou (kinach) no próprio sonho — isto é, quando o sonho termina no próprio ato de alívio, sem se completar a limpeza.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
הנפנה – סימן הוא שסרחונו וגנותו נפרש ויוצא מעליו: והוא דלא קנח – שלא המאיס ידיו:

"Aquele que faz suas necessidades" — sinal (siman) é (hu) de que (she) sua sujeira (sirchono) e sua vergonha (uginuto) se separam (nifrash) e saem (veyotze) dele (mealav). "E isto quando não se limpou" — que (shelo) sujou (heemis) suas mãos (yadav) — isto é, Rashi explica que o presságio favorável está no ato de se aliviar do que suja, mas se o sonhador chega a sujar as próprias mãos ao se limpar, o sinal se perde.

Nota

Fazer as necessidades em sonho é bom presságio, pois representa livrar-se da própria sujeira e vergonha — mas apenas se o sonho não chega ao ponto de sujar as mãos ao se limpar.

15Aquele que sobe ao telhado em sonho, sobe à grandeza; e sobre rasgar as vestes, a nudez e a prisão
Bavli · 57a — Guemará
הָעוֹלֶה לַגַּג בַּחֲלוֹם — עוֹלֶה לִגְדוּלָּה. יָרַד — יוֹרֵד מִגְּדוּלָּתוֹ. אַבָּיֵי וְרָבָא דְּאָמְרִי תַּרְוַויְיהוּ: כֵּיוָן שֶׁעָלָה — עָלָה. הַקּוֹרֵעַ בְּגָדָיו בַּחֲלוֹם — קוֹרְעִים לוֹ גְּזַר דִּינוֹ. הָעוֹמֵד עָרוֹם בַּחֲלוֹם, בְּבָבֶל — עוֹמֵד בְּלֹא חֵטְא. בְּאֶרֶץ יִשְׂרָאֵל — עָרוֹם בְּלֹא מִצְוֹת. הַנִּתְפָּס לְסַרְדְּיוֹט — שְׁמִירָה נַעֲשֵׂית לוֹ. נְתָנוּהוּ בְּקוֹלָר — הוֹסִיפוּ לוֹ שְׁמִירָה עַל שְׁמִירָתוֹ. וְהָנֵי מִילֵּי בְּקוֹלָר, אֲבָל חַבְלָא בְּעָלְמָא — לָא.

Aquele que sobe (haoleh) ao telhado (lagag) em sonho (bachalom) — sobe (oleh) à grandeza (ligdulá). Se desceu (yarad) — desce (yored) de sua grandeza (migdulato). Abaye e Rava, que (deamri) ambos (tarvayhu) disseram: uma vez (keivan) que (she) subiu (alá) subiu (alá) — isto é, ainda que depois desça no mesmo sonho, o fato de ter subido já garante a ascensão, que não é anulada pela descida posterior. Aquele que rasga (hakorea) suas vestes (begadav) em sonho (bachalom) — rasgam-se (korim) para ele (lo) seu decreto (gzar dino) — isto é, um decreto ruim contra ele é anulado. Aquele que fica de pé (haomed) nu (arom) em sonho (bachalom), na Babilônia (bevavel) — fica de pé (omed) sem (belo) pecado (chet). Na Terra de Israel (beEretz Yisrael)fica nu (arom) sem (belo) preceitos (mitzvot) — isto é, fora da Terra de Israel não há tantos preceitos dependentes da terra, então a nudez indica ausência de pecado; na própria Terra, onde há muitos preceitos, a nudez indica sua falta. Aquele que é detido (hanitpas) por um guarda (lesardiyot) em sonho — proteção (shmirá) lhe é feita (naaset lo). Se o colocaram (netanuhu) em correntes (bekolar) — acrescentaram-lhe (hosifu lo) proteção (shmirá) sobre (al) sua proteção (shmiratо). E isto (vehanei) se aplica (milei) a correntes (bekolar), mas (aval) corda (chavla) comum (bealma) — não (la) tem esse efeito de proteção redobrada.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
בבבל עומד בלא חטא – לפי שחו"ל אין לה זכיות אלא עון יש בישיבתה וזה עומד ערום בלא אותם עונות: בא"י – שהרבה מצות תלויות בה וזה העומד ערום סימן שהוא ערום ממצותיה: הנתפש לסרדיוט – שומרין אותו שלא יברח אלמא סימן שמירה הוא ששומרים אותו מידי היזק:

"Na Babilônia fica de pé sem pecado" — pois (lefi) que (she) a terra fora de Israel (chutz laaretz) não tem (ein lah) méritos (zechuyot), mas (ela)(yesh) pecado (avon) em habitá-la (bishivatah), e este (vezeh) que fica de pé (omed) nu (arom) está sem (belo) aqueles (otam) pecados (avonot). "Na Terra de Israel" — pois (she) muitos (harbeh) preceitos (mitzvot) dependem (tluyot) dela (bah), e este (vezeh) que fica de pé (haomed) nu (arom) é sinal (siman) de que (shehu) está desnudo (arom) de seus preceitos (mimitzvoteha). "Aquele que é detido por um guarda" — vigiam-no (shomrin oto) para que (shelo) não fuja (yivrach); logo (alma) sinal (siman) de proteção (shmirá) é (hu), que (she) o guardam (shomrin oto) de todo (midei) dano (hezek) — isto é, Rashi lê a detenção não como punição, mas como vigilância protetora contra males externos.

Nota

Subir ao telhado anuncia grandeza que persiste mesmo que o sonho continue com uma descida; rasgar as vestes anula um decreto ruim; a nudez em sonho tem sentido oposto na Babilônia (ausência de pecado) e na Terra de Israel (ausência de preceitos); e ser detido por um guarda, sobretudo em correntes, é sinal de proteção redobrada.

16Aquele que entra num lago em sonho torna-se chefe de academia; e sobre a floresta
Bavli · 57a — Guemará
הַנִּכְנָס לַאֲגַם בַּחֲלוֹם — נַעֲשֶׂה רֹאשׁ יְשִׁיבָה. לְיַעַר — נַעֲשֶׂה רֹאשׁ לִבְנֵי כַלָּה.

Aquele que entra (hanichnas) num lago (laagam) em sonho (bachalom) — torna-se (naaseh) chefe (rosh) de academia (yeshivá). Se entrou numa floresta (leyaar) — torna-se (naaseh) chefe (rosh) dos discípulos (livnei) reunidos (kalá) — isto é, o líder dos alunos que se reúnem periodicamente para ouvir e transmitir os ensinamentos do mestre.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
אגם – שיש בו קנים גדולים וקטנים וסמוכים זה לזה סימן לראש ישיבה שהגדולים והקטנים מתקבצים יחד קבוץ גדול ובאים לשמוע דרשה מפיו: יער – אילנות גדולים ואינן סמוכים זה לזה אף זה סימן לראש לתלמידי הרב והוא ראש לבני כלה שמפרש לתלמידים שמועתם אחר שעמד הרב והם מחזרין על שמועתם ויש תלמידים שלא יבינו בדברי הרב ככל הצורך וזה מבינה להם:

"Lago" — que (sheyesh) tem nele (bo) canas (kanim) grandes (gdolim) e pequenas (uktanim), próximas (usmuchim) umas das outras (zeh lazeh); sinal (siman) para chefe (lerosh) de academia (yeshivá), pois (she) os grandes (hagdolim) e os pequenos (vehaktanim) se reúnem (mitkabtzim) juntos (yachad) em grande (gadol) ajuntamento (kibutz) e vêm (uvaim) ouvir (lishmoa) um discurso (drashá) de sua boca (mipiv). "Floresta" — árvores (ilanot) grandes (gdolim) e que (veeinan) não estão próximas (smuchim) umas das outras (zeh lazeh); também (af) este (zeh) é sinal (siman) para chefe (lerosh) dos discípulos (letalmidei) do mestre (harav), e ele é (vehu) "chefe dos filhos da assembleia" (rosh livnei kalá), pois (she) explica (mefaresh) aos discípulos (latalmidim) sua tradição (shmuatam) depois (achar) que o mestre (sheamad harav) se levanta, e eles (vehem) revisam (machzirin) sua tradição (shmuatam), e há (veyesh) discípulos (talmidim) que (shelo) não entendem (yavinu) as palavras (bedivrei) do mestre (harav) tão bem (kechol hatzorech) quanto necessário, e este (vezeh) lhes explica (mevinah lahem) — isto é, Rashi distingue as duas imagens: o lago, com canas grandes e pequenas próximas, representa a assembleia mista reunida ao redor do mestre principal; a floresta, com árvores grandes e espaçadas, representa o assistente que revisa e esclarece a tradição para os alunos que não a entenderam de imediato.

Nota

Entrar num lago em sonho anuncia liderança de uma academia inteira; entrar numa floresta anuncia liderança mais restrita, a de assistente que esclarece a tradição do mestre aos discípulos.

17Rav Papa e Rav Huna filho de Rav Yehoshua viram um sonho
Bavli · 57a — Guemará
רַב פָּפָּא וְרַב הוּנָא בְּרֵיהּ דְּרַב יְהוֹשֻׁעַ חֲזוֹ חֶלְמָא: רַב פָּפָּא דְּעָיֵיל לְאַגְמָא — נַעֲשָׂה רֹאשׁ יְשִׁיבָה. רַב הוּנָא בְּרֵיהּ דְּרַב יְהוֹשֻׁעַ דְּעָיֵיל לְיַעַר — נַעֲשָׂה רֹאשׁ לִבְנֵי כַּלָּה. אִיכָּא דְּאָמְרִי תַּרְוַויְיהוּ לְאַגְמָא עָיְילִי, אֶלָּא רַב פָּפָּא דִּתְלֵי טַבְלָא — נַעֲשָׂה רֹאשׁ יְשִׁיבָה, רַב הוּנָא בְּרֵיהּ דְּרַב יְהוֹשֻׁעַ דְּלָא תְּלֵי טַבְלָא — נַעֲשָׂה רֹאשׁ לִבְנֵי כַּלָּה. אָמַר רַב אָשֵׁי: אֲנָא עֲיַילִית לְאַגְמָא וּתְלַאי טַבְלָא וְנַבַּחִי בַּהּ נַבּוֹחֵי.

Rav Papa e Rav Huna filho (breih) de Rav Yehoshua viram (chazo) um sonho (chelma): Rav Papa, que (de) entrou (ayeil) no lago (leagma) — tornou-se (naasá) chefe (rosh) de academia (yeshivá). Rav Huna filho (breih) de Rav Yehoshua, que (de) entrou (ayeil) na floresta (leyaar) — tornou-se (naasá) chefe (rosh) dos discípulos (livnei) reunidos (kalá). Há (ika) quem diga (deamri): ambos (tarvayhu) entraram (ayelei) no lago (leagma), mas (ela) Rav Papa, que (de) pendurou (tlei) um sino (tavla) — tornou-se (naasá) chefe (rosh) de academia (yeshivá); Rav Huna filho (breih) de Rav Yehoshua, que (de) não (la) pendurou (tlei) sino (tavla) — tornou-se (naasá) chefe (rosh) dos discípulos (livnei) reunidos (kalá). Disse (amar) Rav Ashi: eu (ana) entrei (ayalit) no lago (leagma) e pendurei (uteлai) um sino (tavla) e o toquei (venabachi bah) ruidosamente (nabochei) — e por isso tornou-se, como já contara antes, chefe de academia.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
תלי טבלא – נראה לו שהיה זוג וענבל תלוי בצוארו ומשמיע קול והוא סימן לראש ישיבה שמשמיע קול לרבים: ונבחי בה נבוחי – קשקשתי בה בקול:

"Pendurou um sino" — pareceu-lhe (nireh lo) que (shehaya) havia um sino (zog) e um badalo (veinbal) pendurado (taluy) em seu pescoço (betzavaro), emitindo (umashmia) som (kol); e é (vehu) sinal (siman) para chefe (lerosh) de academia (yeshivá), pois (she) faz ouvir (mashmia) sua voz (kol) aos muitos (larabim). "E o toquei ruidosamente" — chacoalhei-o (kishkashti) com som (bekol) — isto é, Rashi explica que o sino ao pescoço, cujo som se projeta para muitos, é o elemento distintivo entre chefe de academia e mero assistente, e que Rav Ashi confirma o presságio com sua própria experiência.

Nota

Episódio duplo sobre Rav Papa e Rav Huna filho de Rav Yehoshua: numa versão, o lago e a floresta distinguem seus destinos; noutra, ambos entraram no lago, e foi pendurar um sino sonoro que distinguiu o chefe de academia do chefe dos discípulos — presságio confirmado por Rav Ashi.

18Ensinou um tanna diante de Rav Nachman bar Yitzchak: aquele que faz sangria em sonho
Bavli · 57a — Guemará
תָּנֵי תַּנָּא קַמֵּיהּ דְּרַב נַחְמָן בַּר יִצְחָק: הַמַּקִּיז דָּם בַּחֲלוֹם — עֲוֹנוֹתָיו מְחוּלִין לוֹ.

Ensinou (tani) um tanna (tana) diante (kameih) de Rav Nachman bar Yitzchak: aquele que faz sangria (hamakiz dam) em sonho (bachalom) — seus pecados (avonotav) são perdoados (mechulin) a ele (lo).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
עונותיו מחולין לו – לפי שהעונות קרויין אדומים שנאמר אם יאדימו כתולע (ישעיהו א׳:י״ח) ואומר נכתם עונך (ירמיהו ב׳:כ״ב) וסימן הוא שפורשין ממנו:

"Seus pecados são perdoados a ele" — pois (lefi) que (she) os pecados (haavonot) são chamados (kruyim) vermelhos (adumim), pois foi dito (sheneemar): "se (im) se avermelharem (yaadimu) como escarlate (katolá)" (Yeshayahu 1:18), e diz (veomer): "manchado (nichtam) está teu pecado (avonech)" (Yirmeyahu 2:22); e sinal (siman) é (hu) de que (she) se separam (porshin) dele (mimenu) — isto é, o sangue derramado na sangria do sonho representa os próprios pecados, "vermelhos" como o sangue, que se afastam do corpo do sonhador.

Nota

Fazer sangria em sonho é presságio de perdão dos pecados, associados à cor vermelha do sangue que se derrama e se afasta do corpo.

19Mas não se ensinou que seus pecados ficam ordenados contra ele?
Bavli · 57a — Guemará
וְהָתַנְיָא: עֲוֹנוֹתָיו סְדוּרִין לוֹ! מַאי סְדוּרִין — סְדוּרִין לִימָּחֵל.

Mas (veha) não se ensinou (tanya): seus pecados (avonotav) ficam ordenados (sedurin) contra ele (lo)! O que (mai) significa "ordenados" (sedurin) — ordenados (sedurin) para serem perdoados (limachel) — isto é, resolve-se a aparente contradição: "ordenados" não significa que os pecados permanecem contra o sonhador, mas que estão dispostos, prontos, para o perdão.

Nota

Contradição resolvida: "pecados ordenados" não significa que permanecem, mas que estão organizados e prontos para serem perdoados — confirmando o ensinamento anterior.

20Ensinou um tanna diante de Rav Sheshet: aquele que vê uma cobra em sonho, seu sustento está preparado
Bavli · 57a — Guemará
תָּנֵי תַּנָּא קַמֵּיהּ דְּרַב שֵׁשֶׁת: הָרוֹאֶה נָחָשׁ בַּחֲלוֹם פַּרְנָסָתוֹ מְזוּמֶּנֶת לוֹ. נְשָׁכוֹ — נִכְפְּלָה לוֹ. הֲרָגוֹ — אָבְדָה פַּרְנָסָתוֹ. אֲמַר לֵיהּ רַב שֵׁשֶׁת: כׇּל שֶׁכֵּן שֶׁנִּכְפְּלָה פַּרְנָסָתוֹ. וְלָא הִיא, רַב שֵׁשֶׁת הוּא דַּחֲזָא חִוְיָא בְּחֶלְמֵיהּ וְקַטְלֵיהּ.

Ensinou (tani) um tanna (tana) diante (kameih) de Rav Sheshet: aquele que vê (haroeh) uma cobra (nachash) em sonho (bachalom) — seu sustento (parnasato) está preparado (mezumenet) para ele (lo). Se o mordeu (neshacho) — dobrou-se (nichpelá lo) seu sustento. Se o matou (harago) — perdeu-se (avdá) seu sustento (parnasato). Disse-lhe (amar leih) Rav Sheshet: tanto mais (kol shekein) se dobrou (shenichpelá) seu sustento (parnasato) — isto é, Rav Sheshet objeta que matar a cobra deveria ser ainda melhor presságio, já que ele próprio venceu o perigo. Mas (vela) não é assim (hi): Rav Sheshet é quem (hu de) viu (chaza) uma cobra (chivya) em seu sonho (bechelmeih) e a matou (uktaleih) — isto é, a Guemará explica que a objeção de Rav Sheshet não decorre de raciocínio objetivo, mas de seu próprio interesse: ele mesmo havia sonhado matar uma cobra e buscava, por isso, interpretar seu sonho da forma mais favorável possível.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
פרנסתו מזומנת – כנחש שעפר לחמו ומצוי לו בכל מקום: הרגו – לנחש: כל שכן שנכפלה לו: ולא היא – אלא רב ששת דורש להנאתו לפתור חלומו לטובה:

"Seu sustento está preparado" — como (kenachash) a cobra, cujo (she) pão (lachmo) é o pó (afar), e lhe é disponível (umatzui lo) em todo lugar (bechol makom). "Se o matou" — a cobra (lenachash): "tanto mais se dobrou seu sustento" — objeção de Rav Sheshet. "Mas não é assim" — senão que (ela) Rav Sheshet interpreta (doresh) para seu próprio benefício (lehanato), para resolver (liftor) seu sonho (chalomo) para o bem (letová) — isto é, Rashi confirma que a réplica final da Guemará desqualifica o argumento de Rav Sheshet como interesse pessoal, não como halachá objetiva.

Nota

Ver uma cobra em sonho garante sustento; ser mordido por ela dobra o sustento; matá-la, porém, faz o sustento se perder — apesar da objeção interessada de Rav Sheshet, que havia sonhado matar uma cobra e buscava interpretação mais favorável a si mesmo.

21Ensinou um tanna diante de Rabi Yochanan: todo tipo de bebida é bom para o sonho, exceto o vinho
Bavli · 57a — Guemará
תָּנֵי תַּנָּא קַמֵּיהּ דְּרַבִּי יוֹחָנָן: כׇּל מִינֵי מַשְׁקִין יָפִין לַחֲלוֹם חוּץ מִן הַיַּיִן, יֵשׁ שׁוֹתֵהוּ וְטוֹב לוֹ, וְיֵשׁ שׁוֹתֵהוּ וְרַע לוֹ. יֵשׁ שׁוֹתֵהוּ וְטוֹב לוֹ — שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְיַיִן יְשַׂמַּח לְבַב אֱנוֹשׁ״, וְיֵשׁ שׁוֹתֵהוּ וְרַע לוֹ — שֶׁנֶּאֱמַר: ״תְּנוּ שֵׁכָר לְאוֹבֵד וְיַיִן לְמָרֵי נָפֶשׁ״.

Ensinou (tani) um tanna (tana) diante (kameih) de Rabi Yochanan: todo (kol) tipo (minei) de bebida (mashkin) é bom (yafin) para o sonho (lachalom), exceto (chutz min) o vinho (hayayin). Há (yesh) quem o bebe (shoteihu) e é bom (tov) para ele (lo), e há (veyesh) quem o bebe (shoteihu) e é mau (ra) para ele (lo). Há quem o bebe e é bom para ele — pois foi dito (sheneemar): "e o vinho (veyayin) alegra (yesamach) o coração (levav) do homem (enosh)" (Tehilim 104:15). E há quem o bebe e é mau para ele — pois foi dito (sheneemar): "dai (tenu) bebida forte (shechar) ao que perece (leoved), e vinho (veyayin) aos amargurados (lemarei nafesh)" (Mishlei 31:6).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 57a
יש שותהו כו' – לפיכך אין לעמוד על פתרונו:

"Há quem o bebe, etc." — portanto (lefichach) não há (ein) como estabelecer (laamod al) sua interpretação (pitrono) com certeza — isto é, Rashi conclui que, diferente das outras bebidas, o vinho não tem sentido fixo, dependendo de fatores que a Guemará não especifica.

Nota

Todas as bebidas em sonho são bom presságio, exceto o vinho, cujo sentido é ambíguo — bom para uns, mau para outros — sustentado por dois versículos opostos sobre seu efeito.

22Disse-lhe Rabi Yochanan ao tanna: ensina que para o erudito da Torá é sempre bom
Bavli · 57a — Guemará
אֲמַר לֵיהּ רַבִּי יוֹחָנָן לְתַנָּא: תְּנִי: תַּלְמִיד חָכָם לְעוֹלָם טוֹב לוֹ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״לְכוּ לַחֲמוּ בְלַחֲמִי וּשְׁתוּ בְּיַיִן מָסָכְתִּי״.

Disse-lhe (amar leih) Rabi Yochanan ao tanna (letana): ensina (teni): para o erudito (talmid chacham) que sonha com vinho, sempre (leolam) é bom (tov) para ele (lo), pois foi dito (sheneemar): "ide (lechu), comei (lachamu) de meu pão (velachmi), e bebei (ushtu) do vinho (beyayin) que preparei (masachti)" (Mishlei 9:5, palavras da Sabedoria personificada, convidando ao seu banquete) — isto é, para o erudito de Torá, cujo vinho em sonho remete à própria sabedoria que ele já possui, o presságio é sempre favorável, encerrando a longa baraita sobre a interpretação dos sonhos.

Nota

Encerramento da baraita: Rabi Yochanan corrige o ensinamento sobre o vinho para o caso do erudito da Torá, para quem o vinho em sonho é sempre bom presságio, associado ao convite da própria Sabedoria em Mishlei — com isso se conclui a longa discussão sobre símbolos de sonho iniciada no fim de 56b.