O daf prossegue a longa baraita de símbolos de sonho iniciada no fim de 56b: Rabi Yochanan ensina que um versículo que cai na boca de quem acorda cedo é uma pequena profecia, e seguem-se listas ternárias — três reis, três profetas, três Escritos maiores, três Escritos menores, três sábios, três discípulos — cada qual apontando para piedade, sabedoria ou temor de calamidade. Depois vêm as categorias gerais: todo tipo de animal, metal, fruta, verdura, cor e ave é bom presságio em sonho, exceto uma exceção específica em cada categoria; o que entra no corpo sem beneficiá-lo e o que beneficia sem entrar; frações de sessenta que ligam fogo, mel, Shabat, sono e sonho a Geihinom, ao maná, ao Mundo Vindouro, à morte e à profecia; sinais bons para o doente sustentados por versículos; alimentos que curam e alimentos que agravam a doença, com a baraita sobre os pepinos e Antoninus e Rabi; e finalmente símbolos domésticos — morte, comida e utensílios em casa —, a bênção sobre o Merkulis e sobre o lugar onde se erradicou idolatria, as cinco bênçãos de Rav Hamnuna sobre a Babilônia perversa, e os episódios de Rava e de Mar filho de Ravina recolhendo pó da Babilônia para cumprir a profecia de sua destruição.
Disse (amar) Rabi Yochanan: se acordou (hishkim) e caiu (venafal) um versículo (pasuk) em (letoch) sua boca (piv) — eis (harei) que isto (zeh) é uma pequena (ketaná) profecia (nevuá). Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): três (shelosha) reis (melachim) há (hem): aquele que vê (haroeh) David em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) piedade (lachasidut). Shlomo — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá). Achav — temerá (yidag) calamidade (min hapuranut) — pois este rei era ímpio.
"Acordou" — aquele que (haomed) se levanta (omed) de sua cama (mimitato) e caiu (venafal lo) um versículo (pasuk) em sua boca (befiv) — isto é, Rashi esclarece que a "pequena profecia" se refere não a um sonho, mas ao momento do despertar, quando um versículo bíblico vem espontaneamente à mente.
Um versículo que cai na boca ao acordar é lido como pequena profecia. Segue a primeira lista ternária: sonhar com David anuncia piedade, com Shlomo anuncia sabedoria, com Achav anuncia temor de calamidade.
Três (shelosha) profetas (neviim) há (hem): aquele que vê (haroeh) o livro (sefer) de Reis (Melachim) — aguardará (yetzapeh) grandeza (ligdulá). Yechezkel — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá). Yeshayahu — aguardará (yetzapeh) consolo (lenechamá). Yirmeyahu — temerá (yidag) calamidade (min hapuranut) — pois o livro de Yirmeyahu é predominantemente de admoestação e destruição.
Sonhar com o livro de Melachim anuncia grandeza; com Yechezkel, sabedoria; com Yeshayahu, consolo; com Yirmeyahu, temor de calamidade — cada leitura ligada ao teor predominante do respectivo livro.
Três (shelosha) Escritos (ketuvim) maiores (gedolim) há (hem): aquele que vê (haroeh) o livro (sefer) de Tehilim (Tehilim) — aguardará (yetzapeh) piedade (lachasidut). Mishlei — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá). Iyov — temerá (yidag) calamidade (min hapuranut) — pois o livro de Iyov trata do sofrimento.
Sonhar com o livro de Tehilim anuncia piedade; com Mishlei, sabedoria; com Iyov, temor de calamidade.
Três (shelosha) Escritos (ketuvim) menores (ketanim) há (hem): aquele que vê (haroeh) Shir HaShirim em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) piedade (lachasidut). Kohelet — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá). Kinot (Eichá) — temerá (yidag) calamidade (min hapuranut). Aquele que vê (haroeh) o rolo (megilat) de Ester (Ester) — um milagre (nes) lhe acontece (naaseh lo).
"Shir HaShirim" — todo ele (kulo) é temor (yirat) do Céu (shamayim) e afeto (vechivat) pelo Onipresente (hamakom) no coração (belev) de todo (kol) Israel (Yisrael) — isto é, Rashi explica por que sonhar com este livro, apesar de sua linguagem de amor, anuncia piedade: seu conteúdo alegórico expressa o amor de Israel por Deus.
Sonhar com Shir HaShirim anuncia piedade; com Kohelet, sabedoria; com Kinot (Eichá), temor de calamidade; e sonhar com a Meguilá de Ester é presságio de milagre.
Três (shelosha) sábios (chachamim) há (hem): aquele que vê (haroeh) Rabi (Yehudá HaNassi) em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá). Rabi Elazar ben Azaryá — aguardará (yetzapeh) riqueza (laashirut) — pois este era rico. Rabi Yishmael ben Elisha — temerá (yidag) calamidade (min hapuranut).
"Rabi Yishmael ben Elisha" — era um dos mortos (meharugei) pelo governo (malchut), e arrancaram (vehifshitu) a pele (or) de seu crânio (karkafto) ainda em vida (bechayav) — isto é, Rashi explica por que sonhar com este sábio, um dos Dez Mártires do governo romano, anuncia temor de calamidade: sua morte foi particularmente cruel.
Sonhar com Rabi Yehudá HaNassi anuncia sabedoria; com Rabi Elazar ben Azaryá, riqueza; com Rabi Yishmael ben Elisha — um dos Dez Mártires, morto com particular crueldade —, temor de calamidade.
Três (shelosha) discípulos (talmidei chachamim) há (hem): aquele que vê (haroeh) Ben Azzai em sonho (bachalom) — aguardará (yetzapeh) piedade (lachasidut). Ben Zoma — aguardará (yetzapeh) sabedoria (lechochmá). Acher (Elisha ben Avuya, que se tornou herege) — temerá (yidag) calamidade (min hapuranut).
Sonhar com Ben Azzai anuncia piedade; com Ben Zoma, sabedoria; com Acher — o discípulo que se tornou herege —, temor de calamidade.
Todo (kol) tipo (minei) de animal (chayot) é bom (yafot) para o sonho (lachalom), exceto (chutz min) o elefante (hapil), o macaco (hakof) e o ouriço (hakipod). Mas (veha) não disse (amar) o Mestre (mar): aquele que vê (haroeh) um elefante (pil) em sonho (bachalom), uma maravilha (pele) lhe acontece (naaseh lo)! Não (la) é difícil (kashya): este (ha) caso é quando está selado (dimsarag), este (ha) caso é quando (de) não (la) está selado (mesarag) — retomando aqui, de forma resumida, a mesma resolução já dada e desenvolvida em 57a sobre o elefante arreado versus o elefante comum.
"Exceto o elefante, o macaco e o ouriço" — porque (she) são estranhos (meshunin) em sua aparência (bemareihen). O kipod (ouriço) é um animal (chayá) que (shedomá) se parece (domá) ao macaco (lakof) e tem (veyesh lah) uma cauda (zanav) longa (aroch), e seu nome (ushemá) é martiná. "Selado" — sela (ochaf) sobre suas costas (al gabav), e há quem diga (veyesh omrim) que se refere a estar (natun) com cabresto (beafsar) — Rashi acrescenta uma opinião alternativa: "selado" pode significar também amarrado por um cabresto, não apenas com sela.
Todo animal é bom presságio em sonho, exceto o elefante, o macaco e o ouriço, cuja aparência estranha os torna exceção; a contradição sobre o elefante é resolvida, como em 57a, distinguindo o selado do não selado.
Todo (kol) tipo (minei) de metal (matechet) é bom (yafin) para o sonho (lachalom), exceto (chutz mi) o machado de guerra (mar), o formão (pesal) e o machado (kardom). E isto (vehanei) se aplica (milei) quando (de) os viu (chazanhu) por seu cabo (bekatayhu) — isto é, quando o instrumento aparece pronto para cortar ou destruir, não apenas como peça inerte. Todo (kol) tipo (minei) de fruta (peirot) é bom (yafin) para o sonho (lachalom), exceto (chutz mi) tâmaras (pagei tmará) verdes (não amadurecidas). Todo (kol) tipo (minei) de verdura (yerakot) é bom (yafin) para o sonho (lachalom), exceto (chutz me) cabeças (rashei) de nabo (lefatot). Mas (veha) não disse (amar) Rav: eu (ana) não (la) enriqueci (iatari) até que (ad de) vi (chazai) cabeças (rashei) de nabo (lefatot) em sonho! Quando (ki) Rav viu (chazá) — viu-as (chazá) ainda ligadas (bekanayhu) ao pé (plantadas, não colhidas) — resolvendo a contradição: colhidas são mau presságio, ligadas à terra são bom presságio. Todo (kol) tipo (minei) de tonalidade (tzivonin) é boa (yafin) para o sonho (lachalom), exceto (chutz min) o azul-celeste (hatechelet). Todo (kol) tipo (minei) de ave (ofot) é bom (yafin) para o sonho (lachalom), exceto (chutz min) o corvo (karya), o mocho (kipofa) e o (korperai) (uma ave de rapina).
"Exceto o mar" — em francês antigo, fessoir (instrumento de golpear). "Pesal" — em francês antigo, doloire (machadinha de carpinteiro). "Quando os viu por seu cabo" — porque (she) estão prontos (reuyin) para seu ofício (limlachtan) de ferir (lechabel) e destruir (ulehashchit). "Tâmaras verdes" — que (shelo) não amadureceram (bashlu) tudo (kol) quanto (tzorchan) precisavam. "Ligadas ao pé" — enquanto (bimchubar) ainda presas à terra; mas (aval) arrancadas (betalush), é sinal (siman) é (hu) de golpes (lemakot), como (kedifshar) lhe (leih) interpretou (pashar) Bar Hedaya a Rava que sonhara com nabos arrancados (kulfei bala'at) (episódio narrado adiante no Talmud). "Azul-celeste" — é verde (yarok), e aquele (umi) cujo (shepanav) rosto (panav) é verde (yerukim) está doente (choleh) — isto é, o tom "techelet" lembra a palidez esverdeada do doente. "Karya" — em francês antigo, jaonse (gralha ou corvo). "Kipofa" — em francês antigo, choette (mocho), e tem (veyesh lah) queixadas (lestot) como (kilechayei) as de um homem (adam), por isso (lefichach) são (hen) repugnantes (meguna'im). "Korperai" — em francês antigo, talpa (ave de rapina noturna).
Cada categoria — metais, frutas, verduras, cores, aves — é boa em sonho exceto por uma exceção específica: instrumentos de corte, tâmaras verdes, nabos colhidos (mas não os ainda plantados), o azul-celeste (associado à palidez do doente) e três aves de aparência estranha ou repugnante.
(O corpo (haguf), o corpo (haguf), um sabor de (meein), restauram (meshivin), e alargam (umarchivin), é o sinal mnemônico (siman) que organiza as próximas três baraitot.)
Sinal mnemônico (siman) que resume, em cinco palavras-chave, o conteúdo das três baraitot seguintes sobre o corpo, o Mundo Vindouro e o ânimo humano.
Três (shelosha) coisas entram (nichnasin) no corpo (laguf), e o corpo (haguf) não (ein) se beneficia (neheneh) delas (meihen): bagas silvestres (gudgedaniyot), tâmaras inferiores (chafniyot), e tâmaras verdes (pagei tmará). Três (shelosha) coisas não (ein) entram (nichnasin) no corpo (laguf), e o corpo (haguf) se beneficia (neheneh) delas (meihen), estas (elu) são (hen): banho (rechitzá), unção (sichá), e relação conjugal (tashmish). Três (shelosha) coisas são um sabor (mein) do Mundo (haolam) Vindouro (haba), estas (elu) são (hen): Shabat (Shabat), sol (shemesh), e relação conjugal (tashmish).
"Bagas silvestres" — em francês antigo, cerises (cerejas silvestres). "Tâmaras inferiores" — um tipo (min) de tâmaras (temarim) ruins (raim). "Sol" — o sol (chamá) brilhando (zorachat) — isto é, o calor agradável do sol ao corpo, e não o astro em si.
Bagas silvestres, tâmaras inferiores e tâmaras verdes entram no corpo sem benefício; banho, unção e relação conjugal beneficiam sem entrar no corpo; Shabat, o calor do sol e a relação conjugal são, cada um a seu modo, um sabor do Mundo Vindouro.
"Relação conjugal" (tashmish) de quê (demai)? Se (ileima) for relação (tashmish) da cama (hamitá) (o ato conjugal em si) — mas (ha) isto enfraquece (michash), definitivamente enfraquece (kacheish) o corpo, não podendo então ser "um sabor do Mundo Vindouro" listado entre os benefícios! Mas sim (ela), relação (tashmish) pelos orifícios (nekavim) — isto é, refere-se ao alívio das necessidades corporais, e não ao ato conjugal propriamente dito.
A Guemará esclarece que a "relação conjugal" listada como beneficiando sem entrar no corpo, e como sabor do Mundo Vindouro, refere-se ao alívio pelos orifícios do corpo, não ao ato conjugal, que enfraquece.
Três (shelosha) coisas restauram (meshivin) o ânimo (daato) do homem (adam), estas (elu) são (hen): som (kol), visão (mareh), e aroma (reiach). Três (shelosha) coisas alargam (marchivin) o ânimo (daato) do homem (adam), estas (elu) são (hen): morada (dirá) agradável (naá), esposa (ishá) agradável (naá), e utensílios (kelim) agradáveis (naim).
"Som" — de instrumentos (minei) musicais (zemer), ou (o) a voz (kol) agradável (arev) de uma mulher (ishá) — isto é, Rashi entende "som" como música ou uma voz feminina agradável, que restaura o ânimo abatido.
Som, visão e aroma restauram o ânimo abatido; morada, esposa e utensílios agradáveis alargam o ânimo do homem.
Cinco (chamishá), seis (shishá) e dez (vaasará) é o sinal (siman) mnemônico para as próximas listas: cinco (chamishá) coisas são um (echad) de sessenta (mishishim), estas (elu) são (hen): fogo (esh), mel (devash), Shabat (Shabat), sono (sheiná), e sonho (vachalom). Fogo (esh) — é um (echad) de sessenta (mishishim) do Geihinom (leGeihinom). Mel (devash) — é um (echad) de sessenta (mishishim) do maná (laman). Shabat (Shabat) — é um (echad) de sessenta (mishishim) do Mundo (haolam) Vindouro (haba). Sono (sheiná) — é um (echad) de sessenta (mishishim) da morte (lamitá). Sonho (chalom) — é um (echad) de sessenta (mishishim) da profecia (lanevuá).
Cinco coisas, cada uma, são um sexagésimo de sua contraparte maior: nosso fogo é um sexagésimo do fogo do Geihinom, o mel um sexagésimo do maná, o Shabat um sexagésimo do Mundo Vindouro, o sono um sexagésimo da morte, e o sonho um sexagésimo da profecia.
Seis (shishá) coisas (devarim) são bom (yafeh) sinal (siman) para o doente (lacholeh), estas (elu) são (hen): espirro (itush), suor (zeiá), diarreia (shilshul), emissão seminal (keri), sono (sheiná), e sonho (vachalom). Espirro (itush) — pois está escrito (dichtiv): "seus espirros (atishotav) fazem brilhar (tahel) a luz (or)" (Iyov 41:10). Suor (zeiá) — pois está escrito (dichtiv): "com o suor (bezeat) de teu rosto (apecha) comerás (tochal) pão (lechem)" (Bereshit 3:19). Diarreia (shilshul) — pois está escrito (dichtiv): "apressa-se (mihar) o preso (tzoeh) a ser libertado (lehipateach), e não (velo) morrerá (yamut) na cova (lashachat)" (Yeshayahu 51:14). Emissão seminal (keri) — pois está escrito (dichtiv): "verá (yireh) semente (zera), prolongará (yaarich) dias (yamim)" (Yeshayahu 53:10). Sono (sheiná) — pois está escrito (dichtiv): "dormi (yashanti), então (az) descansarei (yanuach li)" (Iyov 3:13). Sonho (chalom) — pois está escrito (dichtiv): "e me farás sarar (vetachalimeni) e me farás viver (vehachayeni)" (Yeshayahu 38:16, jogo entre "chalom" e "hachalamá", cura).
"Espirro" — em francês antigo, esternuder. "Apressa-se o preso" — aquele (mi) que (shetzarich) precisa esvaziar (leharik) seus intestinos (meav); esvaziamento (harakat) de um recipiente (keli) chama-se (nikret) "tzeiá", pois foi dito (sheneemar) (Yirmeyahu 48): "e enviarei (veshalachti) a ele (lo) transbordadores (tzo'im), e o transbordarão (vetze'uhu), e seus recipientes (vechelav) se esvaziarão (yariku)" — está escrito (ketiv) a respeito de Moav (beMoav). "E me farás sarar e me farás viver" — está escrito (ketiv) a respeito de Chizkiyahu — isto é, Rashi identifica a fonte do versículo citado como parte do cântico de cura do rei Chizkiyahu.
Espirro, suor, diarreia, emissão seminal, sono e sonho são bom sinal para o doente, cada um sustentado por um versículo bíblico associado a alívio, liberação ou cura.
Seis (shishá) coisas (devarim) curam (merapin) o doente (hacholeh) de sua doença (mecholyo), e sua cura (urefuato) é (refuá) cura verdadeira, completa, estas (elu) são (hen): repolho (keruv), acelgas (tradin), caldo (sisin) de cevada seco (yeveshin), moela (keivá), útero (heret), e lobo (yoteret) do fígado (hakaved) de um animal. E há (veyesh) quem diga (omrim): também (af) peixes (dagim) pequenos (ketanim). E não (vela) só isso (od), mas (ela) que (she) peixes (dagim) pequenos (ketanim) frutificam (mafrin) e fortalecem (umavrin) todo (kol) o corpo (gufo) do homem (adam).
"Acelgas" — em francês antigo, bletes. "Caldo de cevada" — cozimento (bishul) em francês antigo, poliol. "E útero" — em francês antigo, vitler, aquele (she) que (hashlil) o feto (betocha) traz em seu interior. "Lobo do fígado" — em francês antigo, aivres, do animal (behemá). "E fortalecem" — expressão (leshon) de saúde (beriut).
Repolho, acelgas, caldo de cevada seco, moela, útero e lobo do fígado de um animal curam verdadeiramente o doente; segundo alguns, também peixes pequenos, que ademais fortalecem todo o corpo.
Dez (asará) coisas (devarim) fazem recair (machazirin) o doente (hacholeh) em sua doença (lecholyo), e sua doença (vecholyo) é grave (kasheh), estas (elu) são (hen): aquele que come (haochel) carne (besar) de boi (shor), carne (basar) gorda (shamen), carne (besar) assada (tzali), carne (besar) de aves (tziporim), e ovo (beitzá) assado (tzeluyá), e tosquia (tiglachat), e agrião (shachalayim), e leite (hechalav), e queijo (hagevina), e o banho (hamerchatz). E há (veyesh) quem diga (omrim): também (af) nozes (egozim). E há (veyesh) quem diga (omrim): também (af) pepinos (kishuim).
"E tosquia" — se (im) se barbeia (megaleach) — isto é, o próprio ato de cortar os cabelos ou a barba, não algo relacionado a outros.
Dez coisas fazem o convalescente recair gravemente: carnes pesadas de boi, gordas, assadas ou de aves, ovo assado, tosquia, agrião, leite, queijo e o banho; segundo alguns, também nozes; segundo outros, também pepinos.
Ensinou (tana) a escola (devei) de Rabi Yishmael: por que (lamá) se chama (nikra) seu nome (shemán) "kishuim" (kishuim) — porque (mipnei she) são (hen) duros (kashin) ao corpo (laguf) como (kacharavot) espadas (charavot). Mas será (ini) assim, e não (veha) está escrito (chtiv): "e disse (vayomer) o Eterno (Hashem) a ela (lah): dois (shnei) povos (goyim) há em teu ventre (bevitnech)" (Bereshit 25:23): não (al) leias (tikrei) "goyim" (goyim), mas (ela) "geim" (geim) (homens grandiosos), e disse (veamar) Rav Yehudá disse (amar) Rav: estes (elu) são Antoninus e Rabi, de cuja (shelo) mesa (mishulchanam) nunca (pasak) cessaram (pasak) nem (lo) rabanete (tzenon), nem (velo) alface (chazeret), nem (velo) pepinos (kishuin), nem (lo) nos dias (bimot) de calor (hachamá) nem (velo) nos dias (bimot) de chuva (hagshamim) — se pepinos eram servidos regularmente à mesa de Rabi, como podem ser prejudiciais?
Objeção: se pepinos nunca faltavam à mesa de Antoninus e Rabi, identificados no versículo sobre os "dois povos" (lido como "geim", grandiosos) no ventre de Rivká, como podem ser prejudiciais ao doente? A resposta virá na seção seguinte.
Não (la) é difícil (kashya): este (ha) caso é com (be) pepinos grandes (ravrevei), este (ha) caso é com (be) pepinos pequenos (zutrei) — isto é, pepinos pequenos e tenros são bons e eram os servidos à mesa de Rabi; os grandes e maduros são prejudiciais ao doente.
"Pequenos" — são bons (yafin) — isto é, Rashi confirma que os pepinos pequenos, tenros, são benéficos, ao contrário dos grandes.
Resolve-se a contradição: pepinos grandes são prejudiciais ao convalescente; os pequenos são bons e eram os que nunca faltavam à mesa de Antoninus e Rabi.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): se em sonho alguém morreu (met) em casa (babayit) — é sinal de paz (shalom) na casa (babayit). Se alguém comeu (achal) e bebeu (veshatá) em casa (babayit) — é bom (yafeh) sinal (siman) para a casa (labayit). Se alguém tirou (natal) utensílios (kelim) de casa (min habayit) — mau (ra) sinal (siman) para a casa (labayit). Interpretou-o (targemah) Rav Papa referindo-se especificamente a sapato (mesaana) e sandália (vesandala). Tudo (kol) quanto (de) se toma (shakeil) de um cadáver (shachva) em sonho — é bom presságio (mealei), exceto (bar) sapato (mesaana) e sandália (vesandala) que ele calçava. Tudo (kol) quanto (de) se dá (yaheiv) a um cadáver (shachva) em sonho — é bom presságio (mealei), exceto (bar) pó (meafra) e mostarda (vechardela).
"Sapato e sandália" — é sinal (siman) daqueles que saem (yotzei) para fora (chutz), pois (she) tirar (motzi) calçado é como fazer sair (motzi) outros (acherim) de casa (min habayit) — isto é, o calçado do morto simboliza os vivos, que serão "tirados" da casa por luto. "Pó" — sinal (siman) é (hu) de que (she) lhes alude (ramaz lahem) sepultamento (kevurá) — isto é, receber pó de um morto em sonho aponta para a própria sepultura.
Morrer em casa em sonho é presságio de paz doméstica; comer e beber lá, bom sinal; tirar utensílios, mau sinal — especialmente sapatos e sandálias, ligados aos vivos da casa; tomar algo de um cadáver é bom, exceto seu calçado; dar-lhe algo é bom, exceto pó e mostarda, que aludem à sepultura.
A Guemará passa agora a tratar do que se abençoa ao ver um lugar (makom) de onde (shemimenu) se erradicou (neekrá) idolatria (avodá zará). Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): aquele que vê (haroeh) Merkulis (ídolo pagão de pedras empilhadas), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que deu (shenatan) longanimidade (erech apayim) aos que transgridem (leovrei) Sua vontade (retzono)". Ao ver um lugar (makom) de onde (shenekrá) se erradicou (neekrá) idolatria (avodá zará), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que erradicou (sheakar) a idolatria (avodá zará) de nossa terra (meartzenu). E assim (uchesheim) como (she) se erradicou (neekrá) deste (mimakom zeh) lugar, assim (ken) se erradicará (teakeir) de todos (mikol) os lugares (mekomot) de Israel (Yisrael), e faze retornar (vehashev) o coração (lev) de seus adoradores (ovdeihem) para Te servir (leovdecha)". E fora (uvechutz) da Terra (laaretz) de Israel não (ein) é necessário (tzarich) dizer (lomar) "e faze retornar o coração de seus adoradores para Te servir", porque (mipnei she) sua maioria (rubá) é de gentios (goyim) — e não se reza pela conversão da maioria dos gentios do mundo. Rabi Shimon ben Elazar diz (omer): também (af) fora (bechutz) da Terra (laaretz) é necessário (tzarich) dizer (lomar) assim (ken), porque (mipnei she) estão destinados (atidim) a se converter (lehitgayer), pois foi dito (sheneemar): "então (az) transformarei (ehpoch) aos povos (el amim) em língua (safá) pura (berurá)" (Tzefanyá 3:9).
"O coração de seus adoradores" — sobre (al) os transgressores (poshei) de Israel (Yisrael) se reza (mitpalel) — isto é, Rashi esclarece que "seus adoradores", na Terra de Israel, refere-se aos próprios judeus que se voltaram à idolatria, não a gentios.
Ver o Merkulis exige bênção sobre a longanimidade divina até com transgressores; ver um lugar onde se erradicou idolatria exige bênção pedindo que o mesmo se repita em toda a Terra de Israel — dentro da Terra, com pedido de retorno dos próprios judeus transgressores; fora dela, segundo Rabi Shimon ben Elazar, também com pedido pela futura conversão dos gentios.
Ensinou (darash) Rav Hamnuna: aquele que vê (haroeh) a Babilônia (Bavel) perversa (harshaá) precisa (tzarich) abençoar (levarech) cinco (chamesh) bênçãos (berachot). Se viu (raá) a Babilônia (Bavel), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que destruiu (shehecheriv) a Babilônia (Bavel) perversa (harshaá)". Se viu (raá) a casa (beito) de Nevuchadnetzar, diz (omer): "Bendito (Baruch)... que destruiu (shehecheriv) a casa (beito) de Nevuchadnetzar o ímpio (harashá)". Se viu (raá) a cova (gov) dos leões (arayot) ou (o) a fornalha (kivshan) de fogo (haesh), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que fez (sheasá) milagres (nisim) a nossos pais (laavoteinu) neste (bamakom hazeh) lugar". Se viu (raá) Merkulis, diz (omer): "Bendito (Baruch)... que deu (shenatan) longanimidade (erech apayim) aos que transgridem (leovrei) Sua vontade (retzono)". Se viu (raá) um lugar (makom) de onde (shenotlin) se toma (notlin) pó (afar), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que diz (omer) e faz (veoseh), decreta (gozer) e cumpre (umekayem)".
"Fornalha de fogo" — a escavação (chafirá) onde (shehusekah) foi acesa (husekah) a fornalha (kivshanam) de Chananya, Mishael e Azaryá. "Lugar de onde se toma pó" — há (yesh) um lugar (makom) na Babilônia (beVavel) de onde (she) nenhum animal (behemá) sai (yotzeh) a menos que (im ein) lhe deem (notnim) pó (afar) daquele (mimeafar) lugar (hamakom), e isto (vehu) é sinal (siman) da destruição (hashmad) e das maldições (mikelalotehá) sobre a Babilônia (shel Bavel); e no livro (beyesod) de Rabi Yitzchak vi (raiti) que (she) tomam (notlim) dali (misham) pó (afar) para argamassa (letit) das construções (levinyanei) do lugar (hamakom), e, por fim (vesof sof), aquele (oto) lugar (makom) não (ein) tem (bo) habitação (yishuv), nem (velo) semeadura (zera), nem (velo) plantação (netiá). "Decreta e cumpre" — que (she) decretou (gazar) destruí-la (lehashmidá) e cumpriu (vekiyem).
Rav Hamnuna ensina cinco bênçãos ao ver ruínas da Babilônia perversa: sobre a própria Babilônia destruída, sobre a casa de Nevuchadnetzar, sobre a cova dos leões ou a fornalha de fogo (onde Deus fez milagres aos nossos pais), sobre o Merkulis, e sobre um lugar de onde se toma pó — cujo solo maldito exige oferenda de sua própria terra para que um animal possa sair dali.
Rava, quando (ki) via (chazei) os asnos (chamarei) que (deshakli) carregavam (shakli) pó (afra) daquele lugar, batia (tareif) com a mão (yedá) sobre (al) as costas (gabayhu) deles (lehu), e dizia (veamar): correi (rehutu), justos (tzadikei), para fazer (lemeevad) a vontade (reuta) de vosso Senhor (demarayechu) — isto é, Rava dirigia-se aos próprios asnos, chamando-os de "justos" por cumprirem, involuntariamente, o decreto divino de destruição sobre a Babilônia. Mar filho de Ravina, quando (ki) chegava (matei) à Babilônia (leVavel), tomava (shakeil) pó (afra) em seu lenço (besudareih) e o lançava (veshadei) para fora (levará), para cumprir (lekayem) o que (mah) foi dito (sheneemar): "e a varrerei (veteteitiha) com a vassoura (bematate) da destruição (hashmed)" (Yeshayahu 14:23). Disse (amar) Rav Ashi: eu (ana), este (ha) ensinamento (de) de Rav Hamnuna não (la) tinha ouvido (shemia li), mas (ela) por minha própria iniciativa (midaatai) já as abençoava (bereichtinhu) todas (lechulhu) — isto é, Rav Ashi conclui o daf afirmando que, mesmo sem conhecer a tradição formal transmitida por Rav Hamnuna, ele próprio, por raciocínio independente, já recitava todas as cinco bênçãos ao passar por aqueles lugares.
Rava saudava os asnos que carregavam o pó maldito como "justos" cumprindo a vontade divina; Mar filho de Ravina lançava para fora o pó recolhido na Babilônia, cumprindo o versículo da "vassoura da destruição"; e Rav Ashi encerra o daf afirmando que já recitava as cinco bênçãos de Rav Hamnuna por conta própria, antes mesmo de conhecer o ensinamento transmitido.