O daf abre com a baraita sobre quem vê o sol em seu ciclo, a lua em seu vigor, as estrelas em suas trilhas e as constelações em sua ordem — abençoando "que faz a obra da criação" — e a discussão de Abaye sobre a periodicidade de 28 anos desse ciclo solar. Segue com a bênção de quem vê o mar "a intervalos", quem vê o rio Eufrates junto à ponte da Babilônia e o rio Tigre junto à ponte de Shevistena, e as explicações de Rav Ashi sobre os nomes Chidekel e Perat, e de Rava sobre por que os habitantes de Machoza são perspicazes, ruivos ou movem os olhos. A partir daí a Guemará retoma a Mishná sobre a bênção das chuvas, questiona por que não se abençoa sempre "HaTov VeHaMetiv", cita a fórmula "Modim anachnu Lach" de Rav Yehudá e o acréscimo de Rabi Yochanan, e discute longamente — por meio de baraitot e distinções sucessivas — quando se diz "HaTov VeHaMetiv" e quando "SheHecheyanu", conforme se trate de notícia ouvida ou vista, pouca chuva ou muita, terra própria ou compartilhada, filho nascido, herança de pai falecido, ou troca de vinho e de lugar à mesa; e termina com a disputa entre Rav Huna e Rabi Yochanan sobre casa nova e utensílios novos quando já se possui outros semelhantes.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): aquele que vê (haroeh) o sol (chamá) em seu ciclo (bitkufatah), a lua (levaná) em seu vigor (bigvuratah), e as estrelas (kochavim) em suas trilhas (bimsilotam), e as constelações (mazalot) em sua ordem (kesidran), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que faz (oseh) a obra (maaseh) da criação (bereishit)". E quando (veeimat) ocorre (havei) isso? Disse (amar) Abaye: a cada (kol) vinte (esrin) e oito (utmanya) anos (shnin), e quando retorna (vehadar) o ciclo (machzor) e cai (venafla) a estação (tekufat) de Nissan, em Shabtai — Saturno, ao entardecer (beurta) da noite (detlat) que precede a quarta-feira (arba) — isto é, na noite de terça para quarta-feira.
"Em seu ciclo" — o lugar (makom) onde (she) ele retorna (chozeret) ali (sham) ao início (techilat) de seu circuito (hekifah) é a hora (shaat) em que (she) foram suspensos (teliyat) os luzeiros (hamearot) na criação, e desde então (umeaz) começou (hitchila) a circular (lehakif) e a funcionar (uleshamesh). "Quando ocorre" — refere-se (kaei) ao sol (chamá) em seu ciclo (bitkufatah). "A cada 28 anos" — da estação (tekufat) de Nissan, que (she) ao fim (besof) de 28 anos, quando (kesheh) retorna (chozer) o grande (gadol) ciclo (machzor) do sol (shel chamá), a estação (tekufah) cai (nofelet) na hora (shaat) em que foram suspensos (teliyat) os luzeiros (hamearot), em Shabtai, que é a hora (shaah) do início (techilat) da noite (leil) de quarta-feira (dalet). "Ao entardecer da noite que precede quarta-feira" — que (she) escureceu (heeriv) o sol (shimsho) de terça-feira (gimel) na semana (beshabat), e começará (veyatchil) a noite (leil) de quarta-feira (dalet). "Naghei" — noite (leil), como (kedeamar) se diz em Pessachim, na primeira (kamaita) sugia (3a), que há lugar (deika duchta) onde (dekaru) chamam (karu) à noite (lelilya) de naghei. "Shabtai" — nome (shem) da primeira (rishonah) hora (shaah) da noite (leil) de quarta-feira (dalet), pois (she) naquela (beota) hora (shaah) foram suspensos (nitlu) os luzeiros (mearot), e são sete (sheva) as horas (shaot) planetárias que se revezam (vechozerot) em ciclo (chalila) — lembradas pelo mnemônico Shatzam Chanchal: encontrarás (timtza) no circuito (behekef) da ordem (sidran) do mundo (haolam) os sinais (simanei) das horas (shaot) do início (techilat) das noites (haleilot): Katzanash Chalam — no fim de shabat (motzaei shabat), Kochav — Mercúrio; início (techilat) da noite (leil) de segunda-feira (bet), Tzedek — Júpiter; início da noite de terça-feira (gimel), Nogah — Vênus; início da noite de quarta-feira, Shabtai — Saturno; início da noite de quinta-feira (hei), Chamá — o Sol; início da noite de sexta-feira (vav), Levaná — a Lua; início da noite de shabat, Maadim — Marte. E a ordem (seder) do início (techilat) dos dias (hayamim), ao subir (kaalot) a alvorada (hashachar), é Chalam Katzanash. E a estação (tekufah) demora (moshechet) em relação à sua companheira (mechaverta) sete (sheva) horas (shaot) e meia (vamechetzah), isto é (kelomar), atrasa (mitacheret) após o dia (hayom) e a hora (vehashaah) em que (shenafela) caiu a estação anterior, sete horas e meia — o que dá (harei) trinta (sheloshim) horas (shaot) para quatro (learba) estações (tekufot), isto é (harei) um dia (yom) e um quarto (verevia) por ano (lashaná). Para quatro (learba) anos (shanim), cinco (chamishah) dias (yamim); aprende-se (lamdat) daí que (she) a estação (tekufah) não (ein) cai (nofelet) no início (bitchilat) da noite (halaila) senão (ela) ao fim (lesof) de quatro (dalet) anos (shanim), que é o pequeno (katan) ciclo (machzor), e sete (vezayin) pequenos ciclos (machzorim ketanim) formam o grande (gadol) ciclo (machzor) — mnemônico Devaz Hagavu — de modo que (harei) não vem (einah baah) ao início (litchilat) da noite (leil) de quarta-feira senão (ela) de 28 em 28 anos (mikaf shanim lekaf shanim): no início (berosh) de cada (kol) pequeno ciclo, vem (baah) ao início (litchilat) da noite (halaila), e no início do grande ciclo, vem à primeira (harishonah) estação (tekufah), que é o início (techilat) da noite de quarta-feira.
A baraita ensina a bênção "que faz a obra da criação" para quem testemunha o sol, a lua, as estrelas e as constelações em seu retorno ao ponto exato de sua criação original. Abaye precisa a periodicidade: esse alinhamento cósmico só se repete a cada 28 anos, quando o grande ciclo solar faz a estação de Nissan cair exatamente na hora e no dia — Shabtai, início da noite de quarta-feira — em que os luzeiros foram suspensos no princípio da criação.
Sobre a Mishná: Rabi Yehudá diz (omer): aquele que vê (haroeh) o mar (hayam) etc. — abençoa a intervalos (liframim). Até (ad) quanto (kamah) tempo se considera "a intervalos"? Disse (amar) Rami bar Abba, disse (amar) Rav Yitzchak: até (ad) trinta (sheloshim) dias (yom).
A Mishná, no nome de Rabi Yehudá, prescreve que quem vê o mar abençoa apenas "a intervalos" — não a cada vez que o vê. A Guemará precisa o intervalo mínimo entre uma bênção e outra: trinta dias.
E disse (veamar) Rami bar Abba, disse (amar) Rav Yitzchak: aquele que vê (haroeh) o Perat — o rio Eufrates junto à ponte (agishra) da Babilônia (devavel), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que faz (oseh) a obra (maaseh) da criação (bereishit)". E agora (vehaidana), que (de) os persas (parsaei) desviaram-no (shanyuhu) de seu curso original — a bênção vale de Bei Shavur e para cima (uleil) — rio acima, onde o curso é natural. Rav Yosef disse (amar): de Ihi DeKira e para cima (uleil). E disse (veamar) Rami bar Abba: aquele que vê (haroeh) o Diglat — o rio Tigre junto à ponte (agishra) de Shevistena, diz (omer): "Bendito (Baruch)... que faz (oseh) a obra (maaseh) da criação (bereishit)".
"Junto à ponte da Babilônia diz bendito que faz a obra da criação" — sabiam (kim lehu) com certeza que (shelo) não se alterou (nishtanah) o Perat em seu curso (mehalucho) por mão (al yedei) de homem (adam) dali (misham) para cima (ulemalah), mas (aval) dali (misham) para baixo (ulematah) desviaram-no (hesivuhu) os homens (benei adam) por outro (derech acheret) caminho. "E agora que os persas o desviaram" — de cima (milemalah) da ponte (lagesher) não se abençoa (ein mevarech) sobre ele (alav) "que faz a obra da criação", senão (ela) de Ihi DeKira e para cima (uleil) — Ihi DeKiri é o nome (shem) de Machoza, que (shehu) fica sobre (al) o Perat.
Rami bar Abba ensina que quem vê o Eufrates junto à ponte da Babilônia, ou o Tigre junto à ponte de Shevistena, abençoa "que faz a obra da criação" — pois ali o curso ainda é o original da criação; mas a Guemará ressalva que, desde que os persas desviaram artificialmente o leito do rio em certos trechos, a bênção só se aplica rio acima do ponto de desvio (Bei Shavur, segundo uma opinião; Ihi DeKira, segundo Rav Yosef).
O que (mai) significa "Chidekel"? Disse (amar) Rav Ashi: que (she) suas águas (meimav) são ágeis (chadin) e leves (vekalin). O que (mai) significa "Perat"? Que (she) suas águas (meimav) frutificam (parin) e se multiplicam (veravin).
"Ágeis (chadin)" — as águas (maya) são vivas (charifin) e leves (kalin) ao pesar (lishkol) na balança (bemoznayim), e boas (tovim) para beber (lishtot), pois (she) não pesam (machbidin) sobre o corpo (haguf).
Rav Ashi explica os nomes dos dois rios como derivados de suas propriedades: "Chidekel" — águas ágeis e leves, boas para beber sem sobrecarregar o corpo; "Perat" — águas que frutificam e multiplicam, isto é, fertilizam a terra e fazem-na produtiva.
E disse (veamar) Rava: isto (hai), que (de) os filhos (benei) de Machoza são perspicazes (charifei) — é por causa (mishum) de que (de) bebem (shatu) a água (maya) do Diglat. Isto, que (de) são ruivos (gichorei) — é por causa (mishum) de que (de) trabalham (meshamshei) de dia (bimama). E isto, que (de) movem (nayidi) os olhos (einaihu) — é por causa (mishum) de que (de) moram (dayru) em casa (bebayit) escura (afel).
A versão correta (hachi garsinan) é: "e isto, que são ruivos, é por causa de que trabalham de dia" — por isso (lefichach) seus filhos (beneihen) nascem (adumin) vermelhos (adumin) como (ke) a vermelhidão (admumit) do dia (hayom) — termo em francês antigo para "vermelho". "Que movem os olhos" — seus olhos (eineihem) se movem (nadim) e balançam (veneim).
Rava atribui três traços característicos dos habitantes de Machoza a fatores locais: sua perspicácia, ao beberem da água do rio Tigre; sua tez ruiva, ao trabalho realizado sob o sol do dia; e o movimento constante dos olhos, ao hábito de morar em casas escuras.
Sobre a Mishná: "sobre as chuvas (hageshamim)" etc. E sobre (veal) as chuvas (hageshamim), abençoa-se (mevarech) "HaTov VeHaMetiv" — o Bom e o Que faz o bem? Mas não (veha) disse (amar) Rabi Avahu — e há quem diga (veamri lah) numa (bematnita) baraita (tana) — que se ensina: desde quando (meeimatai) se abençoa (mevarchin) sobre (al) as chuvas (hageshamim)? Desde que (mishe) sai (yetzeh) o noivo (chatan) ao encontro (likrat) da noiva (kalá) — isto é, quando a chuva cai sobre a água já acumulada na terra, e a gota nova sai ao encontro da que já está no chão, como um noivo ao encontro de sua noiva.
A Guemará retoma a Mishná sobre a bênção das chuvas e levanta uma dificuldade: se já se ensinou, em nome de Rabi Avahu ou numa baraita, uma fórmula própria e um momento específico — quando a água nova encontra a já acumulada no solo, como noivo ao encontro da noiva — por que a Mishná falaria de abençoar "HaTov VeHaMetiv" sobre a chuva?
O que (mai) se abençoa (mevarchin)? Disse (amar) Rav Yehudá: "agradecemos (modim) a Ti (anachnu lach) por cada (al kol) gota (tipá) e gota que (shehoradta) fizeste descer para nós (lanu)". E Rabi Yochanan conclui (mesayem) nela (bah) assim (hachi): "se (ilu) nossa boca (pinu) estivesse cheia (male) de canto (shirá) como (kayam) o mar etc., não (ein) seríamos (anachnu) suficientes (maspikin) para agradecer-Te (lehodot lecha), ó Senhor (Hashem), nosso D'us (Eloheinu)" — até (ad) a palavra "curvar-se (tishtachaveh)" — a fórmula completa do Nishmat. "Bendito (Baruch atá) és Tu, Senhor (Hashem), rico (rov) em agradecimentos (hahodaot)".
Rav Yehudá formula a bênção específica das chuvas: "agradecemos-Te por cada gota que fizeste descer para nós"; Rabi Yochanan acrescenta a esta fórmula um trecho da oração Nishmat — "se nossa boca estivesse cheia de canto como o mar..." até a palavra "curvar-se" — concluindo com a bênção "rico em agradecimentos".
"Rico (rov) em agradecimentos (hahodaot)" e não (vela) "todos (kol) os agradecimentos (hahodaot)"? Disse (amar) Rava: diga-se (eimah) — "o D'us (haEl) dos agradecimentos (hahodaot)". Disse (amar) Rav Papa: portanto (hilcach), digamos (neimrinhu) ambas (letarvaihu): "rico (rov) em agradecimentos (hahodaot)" e "o D'us (haEl) dos agradecimentos (hahodaot)".
A Guemará questiona a formulação "rico em agradecimentos", que sugere não abarcar todos os agradecimentos possíveis; Rava propõe a alternativa "o D'us dos agradecimentos", e Rav Papa resolve pragmaticamente: recitem-se as duas fórmulas juntas.
Mas ainda (veela) há dificuldade (kashya)! — a formulação de "HaTov VeHaMetiv" da Mishná ainda contradiz a fórmula própria "Modim anachnu Lach" ensinada acima. Não (la) há dificuldade (kashya): este (ha) caso é de quem (de) ouve (shema) a notícia da chuva, se ouve (mishma); aquele (ha) caso é de quem (de) vê (chaza) a chuva com os próprios olhos, se vê (michzei).
A Guemará resolve a contradição entre as duas fórmulas distinguindo a situação: "Modim anachnu Lach" aplica-se a quem vê a chuva caindo; "HaTov VeHaMetiv", a quem apenas ouve a notícia de que choveu.
Quem (de) ouve (shema), se ouve (mishma), isto é (hainu) o caso de boas (tovot) notícias (besorot), e nós ensinamos (utnan): sobre (al) boas (tovot) notícias (besorot) diz-se (omer): "Bendito (Baruch), o Bom (HaTov) e o Que faz o bem (VeHaMetiv)"!
A Guemará aponta que a categoria "quem ouve a notícia" já corresponde ao caso das boas novas, ensinado à parte na Mishná com a bênção "HaTov VeHaMetiv" — o que pareceria tornar a distinção anterior redundante ou incorreta.
Antes (ela): um caso e outro (idei veidei) são de quem (de) vê (chaza), se vê (michzei), e não (vela) há dificuldade (kashya): este (ha) caso é de quando (de) veio (ata) pouca (purta) chuva, aquele caso é de quando veio (deata) muita (tuva). E se quiseres (veibaeit eimah), dize (eimah): este e aquele (ha veha) caso são de quando veio muita (tuva) chuva, e não (vela) há dificuldade (kashya) — este (ha) caso é de quem (deit leih) tem (it leih) terra (arah), aquele (ha) caso é de quem (deleit leih) não tem (leit leih) terra (arah).
"Veio pouca (purta)" — diz-se "agradecemos (modim) a Ti (anachnu lach)". "Veio muita (tuva)" — diz-se "HaTov VeHaMetiv". "Tem terra (arah)" — diz-se "HaTov VeHaMetiv", pois (she) lhe fez bem (heitiv lo) diretamente, através da própria terra.
A Guemará retifica: tanto "Modim anachnu Lach" quanto "HaTov VeHaMetiv" são ditos por quem vê a chuva; a diferença está ou na quantidade — pouca chuva merece a primeira fórmula, muita merece a segunda —, ou, segunda hipótese, na posse de terra — quem tem terra própria beneficiada diretamente diz "HaTov VeHaMetiv", quem não tem terra diz apenas "Modim anachnu Lach".
Quem tem (it leih) terra (arah) abençoa (mevarech) "HaTov VeHaMetiv"?! Mas não (veha) ensinamos (tenan): construiu (baná) casa (bayit) nova (chadash), e comprou (kaná) utensílios (kelim) novos (chadashim), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que nos deu vida (shehecheyanu) e nos fez chegar (vehigianu) a este (hazeh) tempo (lazman)"; mas se são seus (shelo) e de outros (veshel acherim) — diz (omer): "HaTov VeHaMetiv"?
"Construiu casa nova" — que é (shekulo) toda (kulo) sua (shelo), diz (omer) "SheHecheyanu". "Seus e de outros" — diz "HaTov VeHaMetiv".
A Guemará objeta à hipótese anterior com uma baraita: quem constrói casa nova ou compra utensílios novos que lhe pertencem inteiramente diz "SheHecheyanu"; apenas quando são compartilhados com outros — implicando benefício também a terceiros — diz "HaTov VeHaMetiv". Isso pareceria contrariar a ideia de que ter terra própria leva a "HaTov VeHaMetiv".
Não (la) há dificuldade (kashya): este (ha) caso é de quem (deit leih) tem (it leih) sociedade (shutafut) na terra, com outro dono, aquele (ha) caso é de quem (deleit leih) não tem (leit leih) sociedade (shutafut). E foi ensinado (vehatanya): resumo (katzro) da questão (shel davar): sobre (al) o que é seu (shelo), ele (hu) diz (omer): "Bendito (Baruch)... que nos deu vida (shehecheyanu) e nos manteve (vekiyemanu)"; sobre (al) o que é seu (shelo) e (veal) o de seu companheiro (shel chaveiro) — diz (omer): "Bendito (Baruch)... o Bom (HaTov) e o Que faz o bem (VeHaMetiv)".
A versão correta (hachi garsinan) é: "construiu casa nova etc." — não (la) há dificuldade (kashya): este (ha) caso é de quem tem (deit leih) sociedade (shutafut), aquele de quem não tem (deleit leih) sociedade (shutafut); e não se lê (vela garsinan) senão (ela) "este e aquele (ha veha) são de quem tem terra (deit leih arah)", e assim se explica (vehachi parush): a resposta (tiruتza) que respondemos (deshanin) permanece (kaei) em seu lugar (beduchtei) — "agradecemos a Ti" quando (bedeleit leih) não tem (leit leih) terra (arah), "HaTov VeHaMetiv" quando (bedeit leih) tem (it leih) terra. E quanto à objeção que te é difícil (dekashya lach), "construiu casa nova diz SheHecheyanu", não (la) há dificuldade (kashya): aquele caso (hahu) de construir (debaná) casa (bayit) nova (chadash) é de quem (she) não tem (ein lo) sociedade (shutafut) nela (bah), e sobre ela (aleha) abençoa (mevarech) "SheHecheyanu"; mas (aval) chuvas (geshamim), quando tem (bedeit leih) terra (arah) em abundância (tuva), é que tem (sheyesh lo) sociedade (shutafut) nela (bah), pois (shehari) todo (kol) aquele que (mi) tem (sheyesh lo) terra (karka) é sócio (shutaf) com ele (imo) neste (bezot) bem (tovah). "E foi ensinado" — é introduzido com aprovação (binichuta). "Resumo da questão" — isto é (kelomar), síntese (kelalo) da questão (shel davar).
A Guemará resolve: a hipótese da terra própria e a da baraita sobre casa nova não se contradizem, pois o critério real é a sociedade — quem tem sócio na propriedade diz "HaTov VeHaMetiv", quem não tem diz "SheHecheyanu" (ou "Modim anachnu Lach", no caso da chuva). E como todo dono de terra é, em certo sentido, sócio de todos os outros donos de terra no bem geral da chuva, aplica-se a ele "HaTov VeHaMetiv" — confirmado por uma baraita que resume a regra nesses termos exatos.
E todo (vechol) lugar (heicha) onde (de) não há (leit) outro (leacharina) junto com ele (bahadeih), não (la) se abençoa (mevarech) "HaTov VeHaMetiv"? Mas não (veha) foi ensinado (tanya): disseram-lhe (amru leih) que deu à luz (yalda) sua esposa (ishto) um varão (zachar), diz (omer) "Bendito (Baruch)... HaTov VeHaMetiv"! Ali (hatam) também (nami), há (deika) a esposa (ishto) junto com ele (bahadeih), a quem (deni cha lah) agrada (nicha) ter um varão (bezachar).
Nova objeção: onde não há sócio evidente, não se deveria dizer "HaTov VeHaMetiv" — mas a baraita ensina essa mesma bênção para quem recebe a notícia de que sua esposa deu à luz um varão. A Guemará responde: ali também há um "sócio" no benefício — a própria esposa, a quem agrada especialmente ter um filho varão.
Venha (ta) ouvir (shema): morreu (met) seu pai (aviv) e ele (vehu) é seu herdeiro (yorsho); no início (batechilá) diz (omer): "Bendito (Baruch)... o Juiz (Dayan) da Verdade (HaEmet)"; e ao final (ulevasof) ele (hu) diz (omer): "Bendito (Baruch)... HaTov VeHaMetiv". Ali (hatam) também (nami), há (deika) irmãos (achei) que (deka) herdam (yarti) junto com ele (bahadeih).
"E ao final ele diz HaTov VeHaMetiv" — sobre (al) a notícia (besorat) da herança (hayerushá) que (shenisheer) lhe restou (lo) de seu pai (miaviv), pois (shechen) lhe anunciaram (bisruhu) que morreu (met) seu pai (aviv) e ele o herda (veyorsho), isto é (kelomar), deixou (heiniach) bens (nechasim).
Outra objeção: quem herda de seu pai falecido diz primeiro "Dayan HaEmet" pelo luto, e depois "HaTov VeHaMetiv" pela herança recebida — aparentemente sem sócio algum. A Guemará responde: ali também há sócios reais, os irmãos que herdam junto com ele.
Venha (ta) ouvir (shema): mudança (shinuy) de vinho (yayin) não (eino) precisa (tzarich) abençoar (levarech) novamente; mudança (shinuy) de lugar (makom) precisa (tzarich) abençoar (levarech). E disse (veamar) Rabi Yosef bar Abba, disse (amar) Rabi Yochanan: ainda que (af al pi) disseram (sheamru) que mudança (shinuy) de vinho (yayin) não (eino) precisa (tzarich) abençoar (levarech), mas (aval) diz (omer): "Bendito (Baruch)... HaTov VeHaMetiv"! Ali (hatam) também (nami), há (deika) os filhos (benei) do grupo (chavurá) que (deshatu) bebem (shatu) junto com ele (bahadeih).
"Mudança de vinho" — bebeu (shatá) vinho (yayin) na refeição (bisudá) e trouxeram-lhe (veheviu lo) outro (acher) vinho (yayin), melhor (tov) que (min) o primeiro (harishon); não (eino) precisa (tzarich) abençoar (levarech) de novo "que cria (borei) o fruto (peri) da videira (hagefen)". "Mudança de lugar" — saiu (yatzá) daqui (mikan) e foi (veholach) a outra (acher) casa (bayit), e trouxeram-lhe (veheviu lo) vinho (yayin) lá.
Última objeção da série: a lei diz que trocar de vinho durante a refeição não exige nova bênção, mas trocar de lugar exige. Ainda assim, Rabi Yochanan ensina que ao trocar apenas de vinho — sem trocar de lugar — se diz "HaTov VeHaMetiv" pelo vinho melhor, aparentemente sem sócio. A Guemará responde, mais uma vez: há os companheiros de mesa que bebem junto com ele do mesmo vinho novo.
Sobre a Mishná: "construiu (baná) casa (bayit) nova (chadash) e comprou (kaná) utensílios (kelim) novos (chadashim)" etc. Disse (amar) Rav Huna: não (lo) ensinaram (shanu) a bênção de "SheHecheyanu" senão (ela) quando (she) não (ein) tem (lo) utensílios similares (kayotze bahen) a eles (bahen); mas (aval) se tem (yesh lo) similares (kayotze bahen) a eles (bahen) — não (eino) precisa (tzarich) abençoar (levarech) de forma alguma. E Rabi Yochanan disse (amar): mesmo que (afilu) tenha (yesh lo) similares (kayotze bahen) a eles (bahen), precisa (tzarich) abençoar (levarech).
"Rabi Yochanan disse: mesmo que tenha similares a eles" — ainda que os tenha por herança (miyerushá), visto que (hoil), quanto à (leinyan) aquisição (keniyah), ela é (hi) nova (chadashah) para ele (etzlo), precisa (tzarich) abençoar (levarech).
A Guemará retorna à Mishná de casa nova e utensílios novos, abrindo uma disputa que permanece em aberto ao final do daf: Rav Huna limita a obrigação de "SheHecheyanu" a quem não possuía similares antes; se já possuía objetos parecidos, a novidade não seria suficiente para gerar a bênção. Rabi Yochanan discorda: mesmo possuindo similares — inclusive por herança —, a aquisição em si é nova para essa pessoa, e por isso a bênção é sempre devida. O daf termina em aberto, com a disputa a ser resolvida em 60a.