Talmud Bavli · Berachot · Daf 59, lado B · Perek Tet (HaRoeh)
נט ע״ב

O sol em seu ciclo a cada 28 anos, o mar, o Eufrates e o Tigre; a bênção "Modim anachnu Lach" sobre a chuva; e "HaTov VeHaMetiv" — quando se abençoa e quando não

Berachot 59b · Perek Tet ("Aquele que vê")

O daf abre com a baraita sobre quem vê o sol em seu ciclo, a lua em seu vigor, as estrelas em suas trilhas e as constelações em sua ordem — abençoando "que faz a obra da criação" — e a discussão de Abaye sobre a periodicidade de 28 anos desse ciclo solar. Segue com a bênção de quem vê o mar "a intervalos", quem vê o rio Eufrates junto à ponte da Babilônia e o rio Tigre junto à ponte de Shevistena, e as explicações de Rav Ashi sobre os nomes Chidekel e Perat, e de Rava sobre por que os habitantes de Machoza são perspicazes, ruivos ou movem os olhos. A partir daí a Guemará retoma a Mishná sobre a bênção das chuvas, questiona por que não se abençoa sempre "HaTov VeHaMetiv", cita a fórmula "Modim anachnu Lach" de Rav Yehudá e o acréscimo de Rabi Yochanan, e discute longamente — por meio de baraitot e distinções sucessivas — quando se diz "HaTov VeHaMetiv" e quando "SheHecheyanu", conforme se trate de notícia ouvida ou vista, pouca chuva ou muita, terra própria ou compartilhada, filho nascido, herança de pai falecido, ou troca de vinho e de lugar à mesa; e termina com a disputa entre Rav Huna e Rabi Yochanan sobre casa nova e utensílios novos quando já se possui outros semelhantes.

1Baraita: quem vê o sol em seu ciclo, a lua em seu vigor, as estrelas em suas trilhas e as constelações em sua ordem, abençoa "que faz a obra da criação"; e quando isso ocorre — a cada 28 anos, no início da noite de quarta-feira
Bavli · 59b — Guemará
תָּנוּ רַבָּנַן: הָרוֹאֶה חַמָּה בִּתְקוּפָתָהּ, לְבָנָה בִּגְבוּרָתָהּ, וְכוֹכָבִים בִּמְסִילּוֹתָם, וּמַזָּלוֹת כְּסִדְרָן, אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … עוֹשֵׂה בְרֵאשִׁית״. וְאֵימַת הָוֵי? אָמַר אַבָּיֵי: כׇּל עֶשְׂרִין וּתְמָנְיָא שְׁנִין, וְהָדַר מַחְזוֹר וְנָפְלָה תְּקוּפַת נִיסָן, בְּשַׁבְּתַאי בְּאוּרְתָּא דִּתְלָת נַגְהֵי אַרְבַּע.

Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): aquele que vê (haroeh) o sol (chamá) em seu ciclo (bitkufatah), a lua (levaná) em seu vigor (bigvuratah), e as estrelas (kochavim) em suas trilhas (bimsilotam), e as constelações (mazalot) em sua ordem (kesidran), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que faz (oseh) a obra (maaseh) da criação (bereishit)". E quando (veeimat) ocorre (havei) isso? Disse (amar) Abaye: a cada (kol) vinte (esrin) e oito (utmanya) anos (shnin), e quando retorna (vehadar) o ciclo (machzor) e cai (venafla) a estação (tekufat) de Nissan, em Shabtai — Saturno, ao entardecer (beurta) da noite (detlat) que precede a quarta-feira (arba) — isto é, na noite de terça para quarta-feira.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
בתקופתה – מקום שהיא חוזרת שם לתחלת היקפה היא שעת תליית המאורות ומאז התחילה להקיף ולשמש: אימת הוי – אחמה בתקופתה קאי: כל כ"ח שנים – של תקופת ניסן שבסוף כ"ח כשחוזר מחזור גדול של חמה להיות תקופה נופלת בשעת תליית המאורות בשבתאי היא שעה תחלת ליל ד': באורתא דתלת נגהי ד' – שהעריב שמשו של ג' בשבת ויתחיל ליל ד': נגהי – ליל כדאמר בפסחים בשמעתא קמייתא (דף ג.) דאיכא דוכתא דקרו לליליא נגהי: שבתאי – שם שעה ראשונה של ליל ד' שבאותה שעה נתלו מאורות ושבע שעות הן וחוזרות חלילה שצ"ם חנכ"ל תמצא בהקף סדרן של עולם סימני שעות תחלת הלילות כצנ"ש חל"ם מוצאי שבת כוכב. תחלת ליל ב' צדק. תחלת ליל ג' נוגה. תחלת ליל רביעי שבתאי. תחלת ליל ה' חמה. תחלת ליל ששי לבנה. תחלת ליל שבת מאדים. וסדר תחלת הימים כעלות השחר חל"ם כצנ"ש ותקופה מושכת מחברתה ז' שעות ומחצה כלומר מתאחרת אחר היום והשעה שנפלה בה חברתה ז' שעות ומחצה הרי שלשים שעות לארבע תקופות הרי יום ורביע לשנה. לד' שנים חמשה ימים למדת שאין תקופה נופלת בתחלת הלילה אלא לסוף ד' שנים שהוא מחזור קטן וז' מחזורים קטנים למחזור גדול וסימניך דב"ז הגא"ו הרי שאינה באה לתחלת ליל ד' אלא מכ"ח שנים לכ"ח שנים בראש כל מחזור קטן באה לתחלת הלילה ובראש מחזור הגדול באה לתקופה הראשונה שהוא תחלת ליל ד':

"Em seu ciclo" — o lugar (makom) onde (she) ele retorna (chozeret) ali (sham) ao início (techilat) de seu circuito (hekifah) é a hora (shaat) em que (she) foram suspensos (teliyat) os luzeiros (hamearot) na criação, e desde então (umeaz) começou (hitchila) a circular (lehakif) e a funcionar (uleshamesh). "Quando ocorre" — refere-se (kaei) ao sol (chamá) em seu ciclo (bitkufatah). "A cada 28 anos" — da estação (tekufat) de Nissan, que (she) ao fim (besof) de 28 anos, quando (kesheh) retorna (chozer) o grande (gadol) ciclo (machzor) do sol (shel chamá), a estação (tekufah) cai (nofelet) na hora (shaat) em que foram suspensos (teliyat) os luzeiros (hamearot), em Shabtai, que é a hora (shaah) do início (techilat) da noite (leil) de quarta-feira (dalet). "Ao entardecer da noite que precede quarta-feira" — que (she) escureceu (heeriv) o sol (shimsho) de terça-feira (gimel) na semana (beshabat), e começará (veyatchil) a noite (leil) de quarta-feira (dalet). "Naghei" — noite (leil), como (kedeamar) se diz em Pessachim, na primeira (kamaita) sugia (3a), que há lugar (deika duchta) onde (dekaru) chamam (karu) à noite (lelilya) de naghei. "Shabtai" — nome (shem) da primeira (rishonah) hora (shaah) da noite (leil) de quarta-feira (dalet), pois (she) naquela (beota) hora (shaah) foram suspensos (nitlu) os luzeiros (mearot), e são sete (sheva) as horas (shaot) planetárias que se revezam (vechozerot) em ciclo (chalila)lembradas pelo mnemônico Shatzam Chanchal: encontrarás (timtza) no circuito (behekef) da ordem (sidran) do mundo (haolam) os sinais (simanei) das horas (shaot) do início (techilat) das noites (haleilot): Katzanash Chalam — no fim de shabat (motzaei shabat), Kochav — Mercúrio; início (techilat) da noite (leil) de segunda-feira (bet), Tzedek — Júpiter; início da noite de terça-feira (gimel), Nogah — Vênus; início da noite de quarta-feira, Shabtai — Saturno; início da noite de quinta-feira (hei), Chamá — o Sol; início da noite de sexta-feira (vav), Levaná — a Lua; início da noite de shabat, Maadim — Marte. E a ordem (seder) do início (techilat) dos dias (hayamim), ao subir (kaalot) a alvorada (hashachar), é Chalam Katzanash. E a estação (tekufah) demora (moshechet) em relação à sua companheira (mechaverta) sete (sheva) horas (shaot) e meia (vamechetzah), isto é (kelomar), atrasa (mitacheret) após o dia (hayom) e a hora (vehashaah) em que (shenafela) caiu a estação anterior, sete horas e meia — o que dá (harei) trinta (sheloshim) horas (shaot) para quatro (learba) estações (tekufot), isto é (harei) um dia (yom) e um quarto (verevia) por ano (lashaná). Para quatro (learba) anos (shanim), cinco (chamishah) dias (yamim); aprende-se (lamdat) daí que (she) a estação (tekufah) não (ein) cai (nofelet) no início (bitchilat) da noite (halaila) senão (ela) ao fim (lesof) de quatro (dalet) anos (shanim), que é o pequeno (katan) ciclo (machzor), e sete (vezayin) pequenos ciclos (machzorim ketanim) formam o grande (gadol) ciclo (machzor) — mnemônico Devaz Hagavu — de modo que (harei) não vem (einah baah) ao início (litchilat) da noite (leil) de quarta-feira senão (ela) de 28 em 28 anos (mikaf shanim lekaf shanim): no início (berosh) de cada (kol) pequeno ciclo, vem (baah) ao início (litchilat) da noite (halaila), e no início do grande ciclo, vem à primeira (harishonah) estação (tekufah), que é o início (techilat) da noite de quarta-feira.

Nota

A baraita ensina a bênção "que faz a obra da criação" para quem testemunha o sol, a lua, as estrelas e as constelações em seu retorno ao ponto exato de sua criação original. Abaye precisa a periodicidade: esse alinhamento cósmico só se repete a cada 28 anos, quando o grande ciclo solar faz a estação de Nissan cair exatamente na hora e no dia — Shabtai, início da noite de quarta-feira — em que os luzeiros foram suspensos no princípio da criação.

2Rabi Yehudá: quem vê o mar diz a bênção "a intervalos" — até quando? Até trinta dias
Bavli · 59b — Guemará
רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר הָרוֹאֶה הַיָּם וְכוּ׳ לִפְרָקִים. עַד כַּמָּה? אָמַר רָמֵי בַּר אַבָּא אָמַר רַב יִצְחָק: עַד שְׁלֹשִׁים יוֹם.

Sobre a Mishná: Rabi Yehudá diz (omer): aquele que vê (haroeh) o mar (hayam) etc. — abençoa a intervalos (liframim). Até (ad) quanto (kamah) tempo se considera "a intervalos"? Disse (amar) Rami bar Abba, disse (amar) Rav Yitzchak: até (ad) trinta (sheloshim) dias (yom).

Nota

A Mishná, no nome de Rabi Yehudá, prescreve que quem vê o mar abençoa apenas "a intervalos" — não a cada vez que o vê. A Guemará precisa o intervalo mínimo entre uma bênção e outra: trinta dias.

3Rami bar Abba: quem vê o Eufrates junto à ponte da Babilônia, ou o Tigre junto à ponte de Shevistena, abençoa "que faz a obra da criação" — com a ressalva sobre onde os persas desviaram o curso
Bavli · 59b — Guemará
וְאָמַר רָמֵי בַּר אַבָּא אָמַר רַב יִצְחָק: הָרוֹאֶה פְּרָת אַגִּשְׁרָא דְבָבֶל, אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … עוֹשֵׂה בְרֵאשִׁית״. וְהָאִידָּנָא דְּשַׁנְיוּהּ פָּרְסָאֵי — מִבֵּי שַׁבּוּר וּלְעֵיל. רַב יוֹסֵף אָמַר: מֵאִיהִי דְקִירָא וּלְעֵיל. וְאָמַר רָמֵי בַּר אַבָּא: הָרוֹאֶה דִּגְלַת אַגִּשְׁרָא דְּשָׁבִיסְתְּנָא, אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … עוֹשֵׂה בְּרֵאשִׁית״.

E disse (veamar) Rami bar Abba, disse (amar) Rav Yitzchak: aquele que vê (haroeh) o Perat — o rio Eufrates junto à ponte (agishra) da Babilônia (devavel), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que faz (oseh) a obra (maaseh) da criação (bereishit)". E agora (vehaidana), que (de) os persas (parsaei) desviaram-no (shanyuhu) de seu curso originala bênção vale de Bei Shavur e para cima (uleil) — rio acima, onde o curso é natural. Rav Yosef disse (amar): de Ihi DeKira e para cima (uleil). E disse (veamar) Rami bar Abba: aquele que vê (haroeh) o Diglat — o rio Tigre junto à ponte (agishra) de Shevistena, diz (omer): "Bendito (Baruch)... que faz (oseh) a obra (maaseh) da criação (bereishit)".

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
אגשרא דבבל אומר ברוך עושה בראשית – קים להו שלא נשתנה פרת מהלוכו ע"י אדם משם ולמעלה אבל משם ולמטה הסיבוהו בני אדם דרך אחרת: והאידנא דשניוה פרסאי – מלמעלה לגשר אין מברך עליו עושה בראשית אלא מאיהי דקירא ולעיל איהי דקירי שם מחוז שהוא על הפרת:

"Junto à ponte da Babilônia diz bendito que faz a obra da criação" — sabiam (kim lehu) com certeza que (shelo) não se alterou (nishtanah) o Perat em seu curso (mehalucho) por mão (al yedei) de homem (adam) dali (misham) para cima (ulemalah), mas (aval) dali (misham) para baixo (ulematah) desviaram-no (hesivuhu) os homens (benei adam) por outro (derech acheret) caminho. "E agora que os persas o desviaram" — de cima (milemalah) da ponte (lagesher) não se abençoa (ein mevarech) sobre ele (alav) "que faz a obra da criação", senão (ela) de Ihi DeKira e para cima (uleil)Ihi DeKiri é o nome (shem) de Machoza, que (shehu) fica sobre (al) o Perat.

Nota

Rami bar Abba ensina que quem vê o Eufrates junto à ponte da Babilônia, ou o Tigre junto à ponte de Shevistena, abençoa "que faz a obra da criação" — pois ali o curso ainda é o original da criação; mas a Guemará ressalva que, desde que os persas desviaram artificialmente o leito do rio em certos trechos, a bênção só se aplica rio acima do ponto de desvio (Bei Shavur, segundo uma opinião; Ihi DeKira, segundo Rav Yosef).

4Rav Ashi: por que "Chidekel"? Porque suas águas são ágeis e leves. Por que "Perat"? Porque suas águas frutificam e se multiplicam
Bavli · 59b — Guemará
מַאי ״חִדֶּקֶל״ — אָמַר רַב אָשֵׁי: שֶׁמֵּימָיו חַדִּין וְקַלִּין. מַאי ״פְּרָת״? — שֶׁמֵּימָיו פָּרִין וְרָבִין.

O que (mai) significa "Chidekel"? Disse (amar) Rav Ashi: que (she) suas águas (meimav) são ágeis (chadin) e leves (vekalin). O que (mai) significa "Perat"? Que (she) suas águas (meimav) frutificam (parin) e se multiplicam (veravin).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
חדין – חריפין מיא וקלין לשקול במאזנים וטובים לשתות שאין מכבידין את הגוף:

"Ágeis (chadin)" — as águas (maya) são vivas (charifin) e leves (kalin) ao pesar (lishkol) na balança (bemoznayim), e boas (tovim) para beber (lishtot), pois (she) não pesam (machbidin) sobre o corpo (haguf).

Nota

Rav Ashi explica os nomes dos dois rios como derivados de suas propriedades: "Chidekel" — águas ágeis e leves, boas para beber sem sobrecarregar o corpo; "Perat" — águas que frutificam e multiplicam, isto é, fertilizam a terra e fazem-na produtiva.

5Rava: os habitantes de Machoza são perspicazes porque bebem da água do Tigre; são ruivos porque trabalham de dia; e movem os olhos porque moram em casa escura
Bavli · 59b — Guemará
וְאָמַר רָבָא: הַאי דַּחֲרִיפֵי בְּנֵי מָחוֹזָא — מִשּׁוּם דְּשָׁתוּ מַיָּא דְּדִגְלַת. הַאי דְּגִיחוֹרֵי — מִשּׁוּם דִּמְשַׁמְּשִׁי בִּימָמָא. וְהַאי דְּנָיְידִי עֵינַיְיהוּ — מִשּׁוּם דְּדָיְירוּ בְּבַיִת אָפֵל.

E disse (veamar) Rava: isto (hai), que (de) os filhos (benei) de Machoza são perspicazes (charifei) — é por causa (mishum) de que (de) bebem (shatu) a água (maya) do Diglat. Isto, que (de) são ruivos (gichorei) — é por causa (mishum) de que (de) trabalham (meshamshei) de dia (bimama). E isto, que (de) movem (nayidi) os olhos (einaihu) — é por causa (mishum) de que (de) moram (dayru) em casa (bebayit) escura (afel).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
ה"ג והאי דגיחורי משום דמשמשי ביממא לפיכך בניהן אדומין כאדמומית היום רו"ש בלע"ז: דניידי עינייהו – עיניהם נדים ונעים:

A versão correta (hachi garsinan) é: "e isto, que são ruivos, é por causa de que trabalham de dia" — por isso (lefichach) seus filhos (beneihen) nascem (adumin) vermelhos (adumin) como (ke) a vermelhidão (admumit) do dia (hayom)termo em francês antigo para "vermelho". "Que movem os olhos" — seus olhos (eineihem) se movem (nadim) e balançam (veneim).

Nota

Rava atribui três traços característicos dos habitantes de Machoza a fatores locais: sua perspicácia, ao beberem da água do rio Tigre; sua tez ruiva, ao trabalho realizado sob o sol do dia; e o movimento constante dos olhos, ao hábito de morar em casas escuras.

6Sobre as chuvas: mas será que sobre a chuva se abençoa "HaTov VeHaMetiv"? Não ensinou Rabi Avahu, ou numa baraita, que se abençoa desde que o noivo sai ao encontro da noiva?
Bavli · 59b — Guemará
עַל הַגְּשָׁמִים כּוּ׳. וְעַל הַגְּשָׁמִים ״הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״ מְבָרֵךְ? וְהָאָמַר רַבִּי אֲבָהוּ, וְאָמְרִי לַהּ בְּמַתְנִיתָא תָּנָא: מֵאֵימָתַי מְבָרְכִין עַל הַגְּשָׁמִים — מִשֶּׁיֵּצֵא חָתָן לִקְרַאת כַּלָּה.

Sobre a Mishná: "sobre as chuvas (hageshamim)" etc. E sobre (veal) as chuvas (hageshamim), abençoa-se (mevarech) "HaTov VeHaMetiv" — o Bom e o Que faz o bem? Mas não (veha) disse (amar) Rabi Avahu — e há quem diga (veamri lah) numa (bematnita) baraita (tana)que se ensina: desde quando (meeimatai) se abençoa (mevarchin) sobre (al) as chuvas (hageshamim)? Desde que (mishe) sai (yetzeh) o noivo (chatan) ao encontro (likrat) da noiva (kalá) — isto é, quando a chuva cai sobre a água já acumulada na terra, e a gota nova sai ao encontro da que já está no chão, como um noivo ao encontro de sua noiva.

Nota

A Guemará retoma a Mishná sobre a bênção das chuvas e levanta uma dificuldade: se já se ensinou, em nome de Rabi Avahu ou numa baraita, uma fórmula própria e um momento específico — quando a água nova encontra a já acumulada no solo, como noivo ao encontro da noiva — por que a Mishná falaria de abençoar "HaTov VeHaMetiv" sobre a chuva?

7O que se abençoa? "Agradecemos-Te por cada gota que fizeste descer para nós", com o acréscimo de Rabi Yochanan até "curvar-se", concluindo "Rico em agradecimentos"
Bavli · 59b — Guemará
מַאי מְבָרְכִין? אָמַר רַב יְהוּדָה: ״מוֹדִים אֲנַחְנוּ לָךְ עַל כׇּל טִפָּה וְטִפָּה שֶׁהוֹרַדְתָּ לָנוּ״. וְרַבִּי יוֹחָנָן מְסַיֵּים בַּהּ הָכִי: ״אִילּוּ פִינוּ מָלֵא שִׁירָה כַּיָּם וְכוּ׳ אֵין אֲנַחְנוּ מַסְפִּיקִין לְהוֹדוֹת לְךָ ה׳ אֱלֹהֵינוּ״, עַד ״תִּשְׁתַּחֲוֶה״. ״בָּרוּךְ אַתָּה ה׳ רוֹב הַהוֹדָאוֹת״.

O que (mai) se abençoa (mevarchin)? Disse (amar) Rav Yehudá: "agradecemos (modim) a Ti (anachnu lach) por cada (al kol) gota (tipá) e gota que (shehoradta) fizeste descer para nós (lanu)". E Rabi Yochanan conclui (mesayem) nela (bah) assim (hachi): "se (ilu) nossa boca (pinu) estivesse cheia (male) de canto (shirá) como (kayam) o mar etc., não (ein) seríamos (anachnu) suficientes (maspikin) para agradecer-Te (lehodot lecha), ó Senhor (Hashem), nosso D'us (Eloheinu)" — até (ad) a palavra "curvar-se (tishtachaveh)" — a fórmula completa do Nishmat. "Bendito (Baruch atá) és Tu, Senhor (Hashem), rico (rov) em agradecimentos (hahodaot)".

Nota

Rav Yehudá formula a bênção específica das chuvas: "agradecemos-Te por cada gota que fizeste descer para nós"; Rabi Yochanan acrescenta a esta fórmula um trecho da oração Nishmat — "se nossa boca estivesse cheia de canto como o mar..." até a palavra "curvar-se" — concluindo com a bênção "rico em agradecimentos".

8"Rico em agradecimentos" e não "todos os agradecimentos"? Rava: diga-se "o D'us dos agradecimentos"; Rav Papa: digam-se as duas
Bavli · 59b — Guemará
״רוֹב הַהוֹדָאוֹת״ וְלָא כׇּל הַהוֹדָאוֹת? אָמַר רָבָא: אֵימָא — ״הָאֵל הַהוֹדָאוֹת״. אָמַר רַב פָּפָּא: הִלְכָּךְ נֵימְרִינְהוּ לְתַרְוַיְיהוּ, ״רוֹב הַהוֹדָאוֹת״ וְ״הָאֵל הַהוֹדָאוֹת״.

"Rico (rov) em agradecimentos (hahodaot)" e não (vela) "todos (kol) os agradecimentos (hahodaot)"? Disse (amar) Rava: diga-se (eimah) — "o D'us (haEl) dos agradecimentos (hahodaot)". Disse (amar) Rav Papa: portanto (hilcach), digamos (neimrinhu) ambas (letarvaihu): "rico (rov) em agradecimentos (hahodaot)" e "o D'us (haEl) dos agradecimentos (hahodaot)".

Nota

A Guemará questiona a formulação "rico em agradecimentos", que sugere não abarcar todos os agradecimentos possíveis; Rava propõe a alternativa "o D'us dos agradecimentos", e Rav Papa resolve pragmaticamente: recitem-se as duas fórmulas juntas.

9Mas ainda há dificuldade! Não há dificuldade: um caso é de quem ouve, outro de quem vê
Bavli · 59b — Guemará
וְאֶלָּא קַשְׁיָא! — לָא קַשְׁיָא, הָא דִּשְׁמַע מִשְׁמָע, הָא דַּחֲזָא מִחְזֵי.

Mas ainda (veela) há dificuldade (kashya)! — a formulação de "HaTov VeHaMetiv" da Mishná ainda contradiz a fórmula própria "Modim anachnu Lach" ensinada acima. Não (la) há dificuldade (kashya): este (ha) caso é de quem (de) ouve (shema) a notícia da chuva, se ouve (mishma); aquele (ha) caso é de quem (de)(chaza) a chuva com os próprios olhos, se vê (michzei).

Nota

A Guemará resolve a contradição entre as duas fórmulas distinguindo a situação: "Modim anachnu Lach" aplica-se a quem vê a chuva caindo; "HaTov VeHaMetiv", a quem apenas ouve a notícia de que choveu.

10Mas "ouvir a notícia" não é o caso de boas novas, sobre as quais se ensinou a bênção "HaTov VeHaMetiv"?
Bavli · 59b — Guemará
דִּשְׁמַע מִשְׁמָע הַיְינוּ בְּשׂוֹרוֹת טוֹבוֹת, וּתְנַן: עַל בְּשׂוֹרוֹת טוֹבוֹת אוֹמֵר ״בָּרוּךְ הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״!

Quem (de) ouve (shema), se ouve (mishma), isto é (hainu) o caso de boas (tovot) notícias (besorot), e nós ensinamos (utnan): sobre (al) boas (tovot) notícias (besorot) diz-se (omer): "Bendito (Baruch), o Bom (HaTov) e o Que faz o bem (VeHaMetiv)"!

Nota

A Guemará aponta que a categoria "quem ouve a notícia" já corresponde ao caso das boas novas, ensinado à parte na Mishná com a bênção "HaTov VeHaMetiv" — o que pareceria tornar a distinção anterior redundante ou incorreta.

11Antes: ambos os casos são de quem vê; a diferença é entre pouca chuva e muita, ou entre ter terra própria e não ter
Bavli · 59b — Guemará
אֶלָּא: אִידֵּי וְאִידֵּי דַּחֲזָא מִחְזֵי, וְלָא קַשְׁיָא: הָא דַּאֲתָא פּוּרְתָּא, הָא דַּאֲתָא טוּבָא. וְאִיבָּעֵית אֵימָא: הָא וְהָא דַּאֲתָא טוּבָא, וְלָא קַשְׁיָא — הָא דְּאִית לֵיהּ אַרְעָא, הָא דְּלֵית לֵיהּ אַרְעָא.

Antes (ela): um caso e outro (idei veidei) são de quem (de)(chaza), se vê (michzei), e não (vela) há dificuldade (kashya): este (ha) caso é de quando (de) veio (ata) pouca (purta) chuva, aquele caso é de quando veio (deata) muita (tuva). E se quiseres (veibaeit eimah), dize (eimah): este e aquele (ha veha) caso são de quando veio muita (tuva) chuva, e não (vela) há dificuldade (kashya) — este (ha) caso é de quem (deit leih) tem (it leih) terra (arah), aquele (ha) caso é de quem (deleit leih) não tem (leit leih) terra (arah).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
אתה פורתא – מודים אנחנו לך: אתא טובא – הטוב והמטיב: אית ליה ארעא – הטוב והמטיב שהטיב לו:

"Veio pouca (purta)" — diz-se "agradecemos (modim) a Ti (anachnu lach)". "Veio muita (tuva)" — diz-se "HaTov VeHaMetiv". "Tem terra (arah)" — diz-se "HaTov VeHaMetiv", pois (she) lhe fez bem (heitiv lo) diretamente, através da própria terra.

Nota

A Guemará retifica: tanto "Modim anachnu Lach" quanto "HaTov VeHaMetiv" são ditos por quem vê a chuva; a diferença está ou na quantidade — pouca chuva merece a primeira fórmula, muita merece a segunda —, ou, segunda hipótese, na posse de terra — quem tem terra própria beneficiada diretamente diz "HaTov VeHaMetiv", quem não tem terra diz apenas "Modim anachnu Lach".

12Mas quem tem terra abençoa "HaTov VeHaMetiv"? E não ensinamos que sobre casa nova ou utensílios novos próprios se diz "SheHecheyanu", só quando são compartilhados com outros se diz "HaTov VeHaMetiv"?
Bavli · 59b — Guemará
אִית לֵיהּ אַרְעָא ״הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״ מְבָרֵךְ?! וְהָא תְּנַן: בָּנָה בַּיִת חָדָשׁ, וְקָנָה כֵּלִים חֲדָשִׁים, אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … שֶׁהֶחֱיָינוּ וְהִגִּיעָנוּ לַזְּמַן הַזֶּה״. שֶׁלּוֹ וְשֶׁל אֲחֵרִים — אוֹמֵר: ״הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״?

Quem tem (it leih) terra (arah) abençoa (mevarech) "HaTov VeHaMetiv"?! Mas não (veha) ensinamos (tenan): construiu (baná) casa (bayit) nova (chadash), e comprou (kaná) utensílios (kelim) novos (chadashim), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que nos deu vida (shehecheyanu) e nos fez chegar (vehigianu) a este (hazeh) tempo (lazman)"; mas se são seus (shelo) e de outros (veshel acherim) — diz (omer): "HaTov VeHaMetiv"?

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
בנה בית חדש – שכולו שלו אומר שהחיינו: שלו ושל אחרים – הטוב והמטיב:

"Construiu casa nova" — que é (shekulo) toda (kulo) sua (shelo), diz (omer) "SheHecheyanu". "Seus e de outros" — diz "HaTov VeHaMetiv".

Nota

A Guemará objeta à hipótese anterior com uma baraita: quem constrói casa nova ou compra utensílios novos que lhe pertencem inteiramente diz "SheHecheyanu"; apenas quando são compartilhados com outros — implicando benefício também a terceiros — diz "HaTov VeHaMetiv". Isso pareceria contrariar a ideia de que ter terra própria leva a "HaTov VeHaMetiv".

13Não há dificuldade: um caso é de quem tem sócio na terra, outro de quem não tem — resumo: sobre o que é só seu, "SheHecheyanu"; sobre o que é seu e do próximo, "HaTov VeHaMetiv"
Bavli · 59b — Guemará
לָא קַשְׁיָא: הָא דְּאִית לֵיהּ שׁוּתָּפוּת, הָא דְּלֵית לֵיהּ שׁוּתָּפוּת. וְהָתַנְיָא: קׇצְרוֹ שֶׁל דָּבָר, עַל שֶׁלּוֹ הוּא אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … שֶׁהֶחֱיָינוּ וְקִיְּימָנוּ״, עַל שֶׁלּוֹ וְעַל שֶׁל חֲבֵירוֹ — אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״.

Não (la) há dificuldade (kashya): este (ha) caso é de quem (deit leih) tem (it leih) sociedade (shutafut) na terra, com outro dono, aquele (ha) caso é de quem (deleit leih) não tem (leit leih) sociedade (shutafut). E foi ensinado (vehatanya): resumo (katzro) da questão (shel davar): sobre (al) o que é seu (shelo), ele (hu) diz (omer): "Bendito (Baruch)... que nos deu vida (shehecheyanu) e nos manteve (vekiyemanu)"; sobre (al) o que é seu (shelo) e (veal) o de seu companheiro (shel chaveiro) — diz (omer): "Bendito (Baruch)... o Bom (HaTov) e o Que faz o bem (VeHaMetiv)".

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
ה"ג (והתנן) בנה בית חדש וכו' לא קשיא הא דאית ליה שותפות הא דלית ליה שותפות ול"ג אלא הא והא דאית ליה ארעא וה"פ תירוצא דשנינן קאי בדוכתיה מודים אנחנו לך בדלית ליה ארעא הטוב והמטיב בדאית ליה ודקא קשיא לך בנה בית חדש אומר שהחיינו לא קשיא ההוא דבנה בית חדש שאין לו שותפות בה ועליה מברך שהחיינו אבל גשמים בדאית ליה ארעא טובא שיש לו שותפות בה היא שהרי כל מי שיש לו קרקע שותף עמו בטובה זו: והתניא – בניחותא: קצרו של דבר – כלומר כללו של דבר:

A versão correta (hachi garsinan) é: "construiu casa nova etc." — não (la) há dificuldade (kashya): este (ha) caso é de quem tem (deit leih) sociedade (shutafut), aquele de quem não tem (deleit leih) sociedade (shutafut); e não se lê (vela garsinan) senão (ela) "este e aquele (ha veha) são de quem tem terra (deit leih arah)", e assim se explica (vehachi parush): a resposta (tiruتza) que respondemos (deshanin) permanece (kaei) em seu lugar (beduchtei) — "agradecemos a Ti" quando (bedeleit leih) não tem (leit leih) terra (arah), "HaTov VeHaMetiv" quando (bedeit leih) tem (it leih) terra. E quanto à objeção que te é difícil (dekashya lach), "construiu casa nova diz SheHecheyanu", não (la) há dificuldade (kashya): aquele caso (hahu) de construir (debaná) casa (bayit) nova (chadash) é de quem (she) não tem (ein lo) sociedade (shutafut) nela (bah), e sobre ela (aleha) abençoa (mevarech) "SheHecheyanu"; mas (aval) chuvas (geshamim), quando tem (bedeit leih) terra (arah) em abundância (tuva), é que tem (sheyesh lo) sociedade (shutafut) nela (bah), pois (shehari) todo (kol) aquele que (mi) tem (sheyesh lo) terra (karka) é sócio (shutaf) com ele (imo) neste (bezot) bem (tovah). "E foi ensinado" — é introduzido com aprovação (binichuta). "Resumo da questão" — isto é (kelomar), síntese (kelalo) da questão (shel davar).

Nota

A Guemará resolve: a hipótese da terra própria e a da baraita sobre casa nova não se contradizem, pois o critério real é a sociedade — quem tem sócio na propriedade diz "HaTov VeHaMetiv", quem não tem diz "SheHecheyanu" (ou "Modim anachnu Lach", no caso da chuva). E como todo dono de terra é, em certo sentido, sócio de todos os outros donos de terra no bem geral da chuva, aplica-se a ele "HaTov VeHaMetiv" — confirmado por uma baraita que resume a regra nesses termos exatos.

14Mas onde não há outro sócio junto não se abençoa "HaTov VeHaMetiv"? E não se ensinou que ao nascer filho varão se diz essa bênção? Ali também há a esposa, a quem agrada o filho varão
Bavli · 59b — Guemará
וְכׇל הֵיכָא דְּלֵית לְאַחֲרִינָא בַּהֲדֵיהּ לָא מְבָרֵךְ ״הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״? וְהָתַנְיָא: אָמְרוּ לֵיהּ יָלְדָה אִשְׁתּוֹ זָכָר, אוֹמֵר ״בָּרוּךְ … הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״! הָתָם נָמֵי, דְּאִיכָּא אִשְׁתּוֹ בַּהֲדֵיהּ דְּנִיחָא לַהּ בְּזָכָר.

E todo (vechol) lugar (heicha) onde (de) não há (leit) outro (leacharina) junto com ele (bahadeih), não (la) se abençoa (mevarech) "HaTov VeHaMetiv"? Mas não (veha) foi ensinado (tanya): disseram-lhe (amru leih) que deu à luz (yalda) sua esposa (ishto) um varão (zachar), diz (omer) "Bendito (Baruch)... HaTov VeHaMetiv"! Ali (hatam) também (nami), há (deika) a esposa (ishto) junto com ele (bahadeih), a quem (deni cha lah) agrada (nicha) ter um varão (bezachar).

Nota

Nova objeção: onde não há sócio evidente, não se deveria dizer "HaTov VeHaMetiv" — mas a baraita ensina essa mesma bênção para quem recebe a notícia de que sua esposa deu à luz um varão. A Guemará responde: ali também há um "sócio" no benefício — a própria esposa, a quem agrada especialmente ter um filho varão.

15Venha ouvir: morreu o pai e ele é seu herdeiro — primeiro diz "Dayan HaEmet", depois "HaTov VeHaMetiv"; ali também há os irmãos que herdam com ele
Bavli · 59b — Guemará
תָּא שְׁמַע: מֵת אָבִיו וְהוּא יוֹרְשׁוֹ, בַּתְּחִלָּה אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … דַּיַּין הָאֱמֶת״, וּלְבַסּוֹף הוּא אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״. הָתָם נָמֵי דְּאִיכָּא אֲחֵי דְּקָא יָרְתִי בַּהֲדֵיהּ.

Venha (ta) ouvir (shema): morreu (met) seu pai (aviv) e ele (vehu) é seu herdeiro (yorsho); no início (batechilá) diz (omer): "Bendito (Baruch)... o Juiz (Dayan) da Verdade (HaEmet)"; e ao final (ulevasof) ele (hu) diz (omer): "Bendito (Baruch)... HaTov VeHaMetiv". Ali (hatam) também (nami), há (deika) irmãos (achei) que (deka) herdam (yarti) junto com ele (bahadeih).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
ולבסוף הוא אומר הטוב והמטיב – על בשורות הירושה שנשארה לו ירושה מאביו שכן בשרוהו מת אביו ויורשו כלומר הניח נכסים:

"E ao final ele diz HaTov VeHaMetiv" — sobre (al) a notícia (besorat) da herança (hayerushá) que (shenisheer) lhe restou (lo) de seu pai (miaviv), pois (shechen) lhe anunciaram (bisruhu) que morreu (met) seu pai (aviv) e ele o herda (veyorsho), isto é (kelomar), deixou (heiniach) bens (nechasim).

Nota

Outra objeção: quem herda de seu pai falecido diz primeiro "Dayan HaEmet" pelo luto, e depois "HaTov VeHaMetiv" pela herança recebida — aparentemente sem sócio algum. A Guemará responde: ali também há sócios reais, os irmãos que herdam junto com ele.

16Venha ouvir: mudança de vinho não requer nova bênção, mudança de lugar requer; mas Rabi Yochanan ensinou que ainda assim se diz "HaTov VeHaMetiv" — ali também há os companheiros de mesa que bebem com ele
Bavli · 59b — Guemará
תָּא שְׁמַע: שִׁינּוּי יַיִן אֵינוֹ צָרִיךְ לְבָרֵךְ, שִׁינּוּי מָקוֹם צָרִיךְ לְבָרֵךְ. וְאָמַר רַבִּי יוֹסֵף בַּר אַבָּא אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן אַף עַל פִּי שֶׁאָמְרוּ שִׁינּוּי יַיִן אֵינוֹ צָרִיךְ לְבָרֵךְ, אֲבָל אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״! הָתָם נָמֵי, דְּאִיכָּא בְּנֵי חֲבוּרָה דְּשָׁתוּ בַּהֲדֵיהּ.

Venha (ta) ouvir (shema): mudança (shinuy) de vinho (yayin) não (eino) precisa (tzarich) abençoar (levarech) novamente; mudança (shinuy) de lugar (makom) precisa (tzarich) abençoar (levarech). E disse (veamar) Rabi Yosef bar Abba, disse (amar) Rabi Yochanan: ainda que (af al pi) disseram (sheamru) que mudança (shinuy) de vinho (yayin) não (eino) precisa (tzarich) abençoar (levarech), mas (aval) diz (omer): "Bendito (Baruch)... HaTov VeHaMetiv"! Ali (hatam) também (nami), há (deika) os filhos (benei) do grupo (chavurá) que (deshatu) bebem (shatu) junto com ele (bahadeih).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
שינוי יין – שתה יין בסעודה והביאו לו יין אחר טוב מן הראשון אין צריך לברך בורא פרי הגפן: שינוי מקום – יצא מכאן והלך לבית אחר והביאו לו יין:

"Mudança de vinho" — bebeu (shatá) vinho (yayin) na refeição (bisudá) e trouxeram-lhe (veheviu lo) outro (acher) vinho (yayin), melhor (tov) que (min) o primeiro (harishon); não (eino) precisa (tzarich) abençoar (levarech) de novo "que cria (borei) o fruto (peri) da videira (hagefen)". "Mudança de lugar" — saiu (yatzá) daqui (mikan) e foi (veholach) a outra (acher) casa (bayit), e trouxeram-lhe (veheviu lo) vinho (yayin) .

Nota

Última objeção da série: a lei diz que trocar de vinho durante a refeição não exige nova bênção, mas trocar de lugar exige. Ainda assim, Rabi Yochanan ensina que ao trocar apenas de vinho — sem trocar de lugar — se diz "HaTov VeHaMetiv" pelo vinho melhor, aparentemente sem sócio. A Guemará responde, mais uma vez: há os companheiros de mesa que bebem junto com ele do mesmo vinho novo.

17Voltando à Mishná de casa nova e utensílios novos: Rav Huna — só se não tiver similares; se já tiver similares, não precisa abençoar. Rabi Yochanan discorda: mesmo tendo similares, precisa abençoar
Bavli · 59b — Guemará
בָּנָה בַּיִת חָדָשׁ וְקָנָה כֵּלִים חֲדָשִׁים וְכוּ׳. אָמַר רַב הוּנָא: לֹא שָׁנוּ אֶלָּא שֶׁאֵין לוֹ כַּיּוֹצֵא בָּהֶן, אֲבָל יֵשׁ לוֹ כַּיּוֹצֵא בָּהֶן — אֵינוֹ צָרִיךְ לְבָרֵךְ. וְרַבִּי יוֹחָנָן אָמַר: אֲפִילּוּ יֵשׁ לוֹ כַּיּוֹצֵא בָּהֶן, צָרִיךְ לְבָרֵךְ.

Sobre a Mishná: "construiu (baná) casa (bayit) nova (chadash) e comprou (kaná) utensílios (kelim) novos (chadashim)" etc. Disse (amar) Rav Huna: não (lo) ensinaram (shanu) a bênção de "SheHecheyanu" senão (ela) quando (she) não (ein) tem (lo) utensílios similares (kayotze bahen) a eles (bahen); mas (aval) se tem (yesh lo) similares (kayotze bahen) a eles (bahen) — não (eino) precisa (tzarich) abençoar (levarech) de forma alguma. E Rabi Yochanan disse (amar): mesmo que (afilu) tenha (yesh lo) similares (kayotze bahen) a eles (bahen), precisa (tzarich) abençoar (levarech).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59b
ר"י אמר אפילו יש לו כיוצא בהן – מירושה הואיל ולענין קניה חדש היא אצלו צריך לברך:

"Rabi Yochanan disse: mesmo que tenha similares a eles" — ainda que os tenha por herança (miyerushá), visto que (hoil), quanto à (leinyan) aquisição (keniyah), ela é (hi) nova (chadashah) para ele (etzlo), precisa (tzarich) abençoar (levarech).

Nota

A Guemará retorna à Mishná de casa nova e utensílios novos, abrindo uma disputa que permanece em aberto ao final do daf: Rav Huna limita a obrigação de "SheHecheyanu" a quem não possuía similares antes; se já possuía objetos parecidos, a novidade não seria suficiente para gerar a bênção. Rabi Yochanan discorda: mesmo possuindo similares — inclusive por herança —, a aquisição em si é nova para essa pessoa, e por isso a bênção é sempre devida. O daf termina em aberto, com a disputa a ser resolvida em 60a.