Talmud Bavli · Berachot · Daf 59, lado A · Perek Tet (HaRoeh)
נט ע״א

A estrela perdida que persegue Kimá; os terremotos, os trovões, os ventos, os relâmpagos, o arco-íris, os montes e o firmamento em sua pureza

Berachot 59a · Perek Tet ("Aquele que vê")

O daf conclui a sugiá dos cometas iniciada em 58b, explicando por que a estrela retirada de Kimá "persegue" a constelação pedindo de volta "meus filhos" — as duas estrelas que Deus tomou de Kimá para trazer o Dilúvio, e que depois, ao cessá-lo, tomou de Ash para tapar o buraco — e por que Deus não devolve o que tomou nem cria estrelas novas, com a promessa de restauração futura de Rav Nachman. A partir daí, a Guemará abre a nova sugiá sobre a Mishná dos terremotos (zeva'ot), identificados com o tremor da terra (guha), ilustrado pelo episódio de Rav Katina e o gemido do necromante Ová Tamia diante das lágrimas Divinas pelo sofrimento de Israel entre as nações; segue com as explicações rabínicas para trovões, ventos e relâmpagos, a fórmula da bênção sobre o arco-íris e a advertência contra prostrar-se diante dele, a bênção sobre montes e colinas, e finalmente a bênção sobre o firmamento visto em sua pureza — com a objeção final de que, desde a destruição do Templo, o firmamento nunca mais foi visto totalmente puro.

1Como uma folha que caiu; e por que Ash persegue Kimá dizendo "dá-me meus filhos" — as duas estrelas tomadas para o Dilúvio, e depois para tapar o buraco
Bavli · 59a — Guemará
כְּטִרְפָּא דִּטְרִיף. וְהַאי דְּאָזְלָא בָּתְרַהּ, דְּאָמְרָה לַהּ: הַב לִי בְּנַי. שֶׁבְּשָׁעָה שֶׁהַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא בִּקֵּשׁ לְהָבִיא מַבּוּל לְעוֹלָם נָטַל שְׁנֵי כּוֹכָבִים מִכִּימָה וְהֵבִיא מַבּוּל לָעוֹלָם. וּכְשֶׁבִּקֵּשׁ לְסׇתְמָהּ, נָטַל שְׁנֵי כּוֹכָבִים מֵעַיִשׁ וּסְתָמָהּ.

Como uma folha (ketarfa) que caiu (detarif). E isto (vehai), que Ash vai (deazla) atrás dela (batrah) — atrás de Kimá, é porque diz (deamrá lah) a ela: dá-me (hav li) meus filhos (banai). Pois (shebishaá), na hora (bishaá) em que (she) o Santo (HaKadosh), bendito seja Ele (baruch hu), quis (bikesh) trazer (lehavi) um dilúvio (mabul) ao mundo (leolam), tomou (natal) duas (shnei) estrelas (kochavim) de Kimá, e trouxe (vehevi) o dilúvio (mabul) ao mundo (laolam). E quando (uchshe) quis (bikesh) tapá-lo (lesotmah), tomou (natal) duas (shnei) estrelas (kochavim) de Ash, e tapou-o (usetamah).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
כטרפא דטריף – דבר שהוא חסר וסתמוהו מגופו שעשאוהו כנוס ומתחזי כמכה בקורנס טרפא דטריף מוכה בהכאות כמו ביצה טרופה. ל"א דמתחזיא כדטרפא מטרף נדבק יחד ועשאו סניפין כמין חיבור: והאי דאזלא – עיש אחר כימה: דאמרה לה הב לי בני – שני כוכבים שלי:

"Como uma folha que caiu" — uma coisa (davar) que (shehu) está incompleta (chaser), e a taparam (vesatmuha) de seu próprio corpo (migufo), o que a fez (sheasauhu) reunida (kanus) e parece (umitchazei) como algo golpeado (kemakeh) com um martelo (bekurnas) — "folha que caiu" é golpeada (mukeh) por golpes (behakaot), como um ovo (beitzá) batido (trufá). Outra explicação (lashon acher): que parece (demitchazyá) como (kedi) uma folha (tarfa) caída (mitaref) que ficou colada (nidbak) junto (yachad) e a fez (veasao) como um apêndice (sniffin), uma espécie de junção (kemin chibur). "E isto, que Ash vai" — atrás de Kimá. "Que diz a ela: dá-me meus filhos" — as duas (shnei) estrelas (kochavim) que são minhas (sheli).

Nota

A Guemará conclui a explicação do aspecto incompleto de Ash — como uma folha caída — e revela a razão de essa constelação perseguir Kimá: foram duas estrelas de Kimá que Deus tomou para desencadear o Dilúvio, e depois, ao cessá-lo, duas estrelas de Ash que Deus tomou para tapar o buraco deixado no firmamento; por isso Ash reclama de Kimá as estrelas que lhe pertenciam.

2E que as devolva a ela! Não é possível: o poço não se enche de sua própria borda; ou, o acusador não se torna defensor
Bavli · 59a — Guemará
וְלַיהְדַּר לַהּ? — אֵין הַבּוֹר מִתְמַלֵּא מֵחוּלְיָתוֹ. אִי נָמֵי — אֵין קָטֵיגוֹר נַעֲשָׂה סָנֵיגוֹר.

E que as devolva (velayehdar) a ela? Não (ein) se enche (mitmale) o poço (habor) de sua própria borda (mechulyato). Ou também (i nami) — não (ein) se torna (naaseh) acusador (kategor) defensor (sanegor).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
וליהדר – לכימה אותן כוכבים עצמן שנטל הימנה:

"E que as devolva" — a Kimá, aquelas mesmas (atzman) estrelas (kochavim) que (she) tomou (natal) dela (heiman).

Nota

A Guemará pergunta por que Deus não devolve a Kimá as próprias estrelas que dela tomou, em vez de tapar o buraco com as de Ash; responde com dois princípios: o poço não se enche pela sua própria borda (o que falta a um lugar não vem dele mesmo), ou, alternativamente, o que serviu de instrumento de acusação — de destruição — não pode depois servir de instrumento de defesa — de restauração.

3E que crie duas outras estrelas! Nada há de novo sob o sol; Rav Nachman: no futuro Deus as devolverá a Kimá
Bavli · 59a — Guemará
וְלִיבְרֵי לַהּ תְּרֵי כֹּכְבֵי אַחֲרִינֵי! — ״אֵין כׇּל חָדָשׁ תַּחַת הַשָּׁמֶשׁ״. אָמַר רַב נַחְמָן: עָתִיד הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא לְהַחֲזִירָן לָהּ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְעַיִשׁ עַל בָּנֶיהָ תַנְחֵם״.

E que crie (velivrei) a ela duas (terei) estrelas (kochvei) outras (acharinei)! "Não (ein) há coisa (kol) nova (chadash) debaixo (tachat) do sol (hashamesh)" (Kohelet 1:9). Disse (amar) Rav Nachman: destinado (atid) está o Santo (HaKadosh), bendito seja Ele (baruch hu), a devolvê-las (lehachaziran) a ela (lah), pois foi dito (sheneemar): "e Ayish (Ayish) com seus filhos (al baneiha) guiarás (tanchem)" (Iyov 38:32).

Nota

À sugestão de que Deus simplesmente criasse duas novas estrelas para tapar o buraco de Kimá, a Guemará responde com o princípio "nada há de novo sob o sol" — a criação já está completa. Rav Nachman conclui a sugiá com a promessa: no futuro, Deus devolverá a Kimá suas próprias duas estrelas, lidas no mesmo versículo de Iyov já citado.

4E sobre os terremotos. O que é terremoto? Guha; o episódio de Rav Katina e o gemido de Ová Tamia, o necromante, diante das lágrimas Divinas pelo sofrimento de Israel
Bavli · 59a — Guemará
וְעַל הַזְּוָעוֹת. מַאי זְוָעוֹת? אָמַר רַב קַטִּינָא: גּוּהָא. רַב קַטִּינָא הֲוָה קָאָזֵיל בְּאוֹרְחָא. כִּי מְטָא אַפִּתְחָא דְּבֵי אוֹבָא טַמְיָא גְּנַח גּוּהָא. אָמַר: מִי יָדַע אוֹבָא טַמְיָא הַאי גּוּהָא מַהוּ? רְמָא לֵיהּ קָלָא: קַטִּינָא קַטִּינָא, אַמַּאי לָא יָדַעְנָא? בְּשָׁעָה שֶׁהַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא זוֹכֵר אֶת בָּנָיו שֶׁשְּׁרוּיִים בְּצַעַר בֵּין אוּמּוֹת הָעוֹלָם מוֹרִיד שְׁתֵּי דְמָעוֹת לַיָּם הַגָּדוֹל, וְקוֹלוֹ נִשְׁמָע מִסּוֹף הָעוֹלָם וְעַד סוֹפוֹ, וְהַיְינוּ גּוּהָא.

E sobre (veal) os terremotos (hazevaot). O que (mai) são "terremotos (zevaot)"? Disse (amar) Rav Katina: guha. Rav Katina estava (havá) caminhando (kaazeil) pela estrada (beorcha). Quando (ki) chegou (meta) à porta (apitcha) da casa (bei) de Ová Tamia, gemeu (genach) um tremor (guha). Disse (amar): acaso sabe (mi yada) Ová Tamia o que (mahu) é este (hai) tremor (guha)? Lançou-lhe (rema leih) uma voz (kala): Katina, Katina, por que (amai) não (la) saberia (yadana)? Na hora (bishaá) em que (she) o Santo (HaKadosh), bendito seja Ele (baruch hu), lembra-se (zocher) de Seus filhos (banav) que (she) estão imersos (shruyim) em sofrimento (betzaar) entre (bein) as nações (umot) do mundo (haolam), faz descer (morid) duas (shtei) lágrimas (demaot) ao mar (layam) grande (hagadol), e Sua voz (vekolo) se ouve (nishma) de um extremo (misof) do mundo (haolam) ao outro (vead sofo), e isto (vehainu) é o tremor (guha).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
גוהא – בלשונם קורין רעידת הארץ גוהא: אובא טמיא – בעל אוב של עצמות שעושה כשוף בעצמות המת. טמיא עצמות ודומה לו במסכת כלים בית מלא טמיא ופי' רב האי מלא טמיא בית שהוא מלא עצמות והביא ראיה על זה מבראשית רבה דקתני אדרינוס שחיק טמיא דהיינו שחיק עצמות ואין לפרש אוב טמא שאין זה הלשון: גנח גוהא – ותגעש ותרעש כלומר נזדעזעת הארץ מאד מאד. גנח גוהא חדא מילתא היא וכן הלשון:

"Guha" — em sua língua (bilshonam) chamam (korin) o tremor (reidat) da terra (haaretz) de guha. "Ová Tamia" — senhor (baal) de ov, de ossos (shel atzamot), que faz (sheoseh) feitiçaria (kishuf) com ossos (beatzmot) de morto (hamet). "Tamia" significa ossos (atzamot), e semelhante (vedomeh lo) a isto está em Masechet Kelim: "casa (bayit) cheia (male) de tamia", e explicou (peirush) Rav Hai: "cheia (male) de tamia" é uma casa (bayit) que (shehu) está cheia (male) de ossos (atzamot), e trouxe (vehevi) prova (raayah) disto (al zeh) de Bereshit Rabá, que ensina (dekatani): "Adrianus, moído (shechik) tamia" — isto é (dehainu) moído (shechik) de ossos (atzamot), e não se deve explicar (veein lefaresh) "ov impuro (tamé)", pois (sheein) não é esta (zeh) a expressão (halashon). "Gemeu guha" — "e se abalou (vatigash) e tremeu (vatirash)" (cf. Shmuel II 22:8), isto é (kelomar), estremeceu (nizdaza) a terra (haaretz) muito (meod), muitíssimo (meod). "Gemeu guha" é uma coisa (milta)(chada), e assim (vechen) é a expressão (halashon).

Nota

A Guemará identifica os terremotos da Mishná com o tremor chamado "guha", e narra o episódio de Rav Katina, que ao passar diante da casa do necromante Ová Tamia sentiu um tremor e duvidou, em voz alta, que este soubesse explicá-lo; uma voz responde em seu nome que o tremor é causado pelas duas lágrimas que Deus deixa cair no mar grande ao lembrar-se do sofrimento de Israel exilado entre as nações, e cujo som se ouve de um extremo do mundo ao outro.

5Rav Katina: Ová Tamia é mentiroso, e suas palavras são mentiras; mas ele mesmo produz o tremor, e não quis admiti-lo para que todos não errassem atrás dele
Bavli · 59a — Guemará
אָמַר רַב קַטִּינָא: אוֹבָא טַמְיָא כַּדִּיב הוּא, וּמִילֵּיהּ כְּדִיבִין. אִי הָכִי — גּוּהָא גּוּהָא מִיבְּעֵי לֵיהּ? וְלָא הִיא, גּוּהָא גּוּהָא עָבֵיד, וְהַאי דְּלָא אוֹדִי לֵיהּ, כִּי הֵיכִי דְּלָא לִיטְעֵי כּוּלֵּי עָלְמָא אַבָּתְרֵיהּ.

Disse (amar) Rav Katina: Ová Tamia é mentiroso (kadiv hu), e suas palavras (milei) são mentiras (kedivin). Se assim (i hachi) é, deveria haver (mibaei leih) apenas um "tremor (guha)" e não dois "tremor, tremor (guha guha)"? E não (vela) é assim (hi): ele mesmo produz (aveid) o tremor duplo (guha guha) por sua própria feitiçaria, e isto (vehai), que (de) não (la) lhe admitiu (odi leih) a verdadeira causa, foi para que (ki heichi de) não (la) errasse (litei) todo (kulei) o mundo (alma) atrás dele (abatreih) — para que ninguém pensasse que sua feitiçaria era a causa real do tremor cósmico.

Nota

Rav Katina esclarece que Ová Tamia e suas palavras são falsos; a duplicação "guha guha" no relato indica que o próprio necromante, por feitiçaria, provocava um tremor local — mas ele não admitiu essa causa verdadeira diante de Rav Katina, para que ninguém viesse a errar seguindo-o e a atribuir à sua arte o poder que é, na verdade, Divino.

6Explicações alternativas do terremoto: Deus bate as palmas, suspira, pisa o firmamento, ou comprime os pés sob o Trono da Glória
Bavli · 59a — Guemará
וְרַב קַטִּינָא דִּידֵיהּ אָמַר: סוֹפֵק כַּפָּיו, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְגַם אֲנִי אַכֶּה כַפִּי אֶל כַּפִּי וַהֲנִיחֹתִי חֲמָתִי״. רַבִּי נָתָן אוֹמֵר: אֲנָחָה מִתְאַנֵּחַ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וַהֲנִיחוֹתִי חֲמָתִי בָּם וְהִנֶּחָמְתִּי״. וְרַבָּנַן אָמְרִי: בּוֹעֵט בָּרָקִיעַ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״הֵידָד כְּדֹרְכִים יַעֲנֶה אֶל כׇּל יֹשְׁבֵי הָאָרֶץ״. רַב אַחָא בַּר יַעֲקֹב אָמַר: דּוֹחֵק אֶת רַגְלָיו תַּחַת כִּסֵּא הַכָּבוֹד, שֶׁנֶּאֱמַר: ״כֹּה אָמַר ה׳ הַשָּׁמַיִם כִּסְאִי וְהָאָרֶץ הֲדֹם רַגְלָי״.

E Rav Katina, quanto a si mesmo (didei), disse (amar): bate (sofek) Suas palmas (kapav), pois foi dito (sheneemar): "e também (vegam) eu (ani) baterei (akeh) minha palma (kapi) contra (el) minha palma (kapi), e farei repousar (vahanichoti) minha ira (chamati)" (Yechezkel 21:22). Rabi Natan diz (omer): um suspiro (anachá) suspira (mitanach), pois foi dito (sheneemar): "e farei repousar (vahanichoti) minha ira (chamati) sobre eles (bam), e Me consolarei (vehinechamti)" (Yechezkel 5:13). E os sábios (rabanan) dizem (amri): pisa (boet) o firmamento (barakia), pois foi dito (sheneemar): "gritos (heidad) como os que pisam (kedorchim) na prensa de uvas responderá (yaaneh) a todos (el kol) os habitantes (yoshvei) da terra (haaretz)" (Yirmeyahu 25:30). Rav Acha bar Yaakov disse (amar): comprime (docheik) Seus pés (raglav) sob (tachat) o Trono (kisei) da Glória (hakavod), pois foi dito (sheneemar): "assim (koh) disse (amar) o Senhor (Hashem): o céu (hashamayim) é Meu trono (kisi), e a terra (vehaaretz) é o escabelo (hadom) de meus pés (raglai)" (Yeshayahu 66:1).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
סופק כפיו – ומאותו קול מזדעזעת הארץ שמצינו שכפיו סופק שנאמר גם אני אכה כפי אל כפי (יחזקאל כ״א:כ״ב): אנחה מתאנח – ומאותה אנחה מרעיד הקרקע ומצינו שמתאנח שנאמר והניחותי חמתי בם (יחזקאל ה׳:י״ג) כביכול כאדם שיש לו חימה ומתאנח ומתנחם דעתו ועושה לו נחת רוח: והנחמתי – אנחם על הרעה שעשיתי להן: הידד כדורכים יענה – שדורך ובועט ברקיע: והארץ הדום רגלי – כגון שדחה תחת כסא הכבוד ומגיע בעוטו עד לארץ שהיא הדום רגליו:

"Bate Suas palmas" — e daquele (meoto) som (kol) se abala (mizdazaat) a terra (haaretz), pois encontramos (shematzinu) que (she) bate (sofek) Suas palmas (kapav), pois foi dito: "e também eu baterei minha palma contra minha palma" (Yechezkel 21:22). "Um suspiro suspira" — e daquele (meota) suspiro (anachá) treme (mareid) o solo (hakarka), e encontramos (umatzinu) que (she) suspira (mitanach), pois foi dito: "e farei repousar minha ira sobre eles" (Yechezkel 5:13) — como que (kevayachol) um homem (adam) que (she) tem (yesh lo) ira (chemá) e suspira (umitanach), e se consola (umitnachem) seu ânimo (daato), e Se dá (veoseh lo) alívio de espírito (nachat ruach). "E Me consolarei" — Me consolarei (enachem) do mal (hara) que (she) fiz (asiti) a eles (lahen). "Gritos como os que pisam responderá" — pois (she) pisa (doreich) e chuta (uvoet) o firmamento (barakia). "E a terra é o escabelo de meus pés" — como (kegon) que empurra (shedacha) sob (tachat) o Trono (kisei) da Glória (hakavod), e chega (umagia) Seu chute (beoto) até (ad) a terra (laaretz), que (shehi) é o escabelo (hadom) de Seus pés (raglav).

Nota

Quatro explicações homiléticas para o terremoto: Rav Katina diz que Deus bate as palmas; Rabi Natan, que Ele suspira; os sábios, que Ele pisa o firmamento como quem pisa uvas na prensa; e Rav Acha bar Yaakov, que Ele comprime os pés sob o Trono da Glória, cujo escabelo é a própria terra — cada explicação apoiada em versículo próprio.

7E sobre os trovões. O que são trovões? Nuvens que se atritam no firmamento; que despejam água umas nas outras; um raio forte que quebra pedras de granizo; ou nuvens que se estremecem
Bavli · 59a — Guemará
וְעַל הָרְעָמִים. מַאי רְעָמִים? אָמַר שְׁמוּאֵל: עֲנָנֵי בְּגַלְגַּלָּא. שֶׁנֶּאֱמַר: ״קוֹל רַעַמְךָ בַּגַּלְגַּל הֵאִירוּ בְרָקִים תֵּבֵל רָגְזָה וַתִּרְעַשׁ הָאָרֶץ״. וְרַבָּנַן אָמְרִי: עֲנָנֵי דְּשָׁפְכִי מַיָּא לַהֲדָדֵי, שֶׁנֶּאֱמַר: ״לְקוֹל תִּתּוֹ הֲמוֹן מַיִם בַּשָּׁמַיִם״. רַב אַחָא בַּר יַעֲקֹב אָמַר: בַּרְקָא תַּקִּיפָא דְּבָרֵיק בַּעֲנָנָא, וּמְתַבַּר גְּזִיזֵי דְבַרְזָא. רַב אָשֵׁי אָמַר: עֲנָנֵי חַלְחוֹלֵי מְחַלְחֲלִי, וְאָתֵי זִיקָא וּמְנַשֵּׁב אַפּוּמַּיְיהוּ, וְדָמֵי כְּזִיקָּא עַל פּוּם דַּנֵּי. וּמִסְתַּבְּרָא כְּרַב אַחָא בַּר יַעֲקֹב, דְּבָרֵיק בַּרְקָא, וּמְנַהֲמֵי עֲנָנֵי, וְאָתֵי מִטְרָא.

E sobre (veal) os trovões (hareamim). O que (mai) são "trovões (reamim)"? Disse (amar) Shmuel: nuvens (anaanei) no firmamento (begalgala) que giram e se atritam, pois foi dito (sheneemar): "a voz (kol) do teu trovão (raamcha) estava no firmamento (bagalgal), iluminaram (heiru) relâmpagos (berakim) o mundo (tevel), tremeu (ragezá) e estremeceu (vatirash) a terra (haaretz)" (Tehilim 77:19). E os sábios (rabanan) dizem (amri): nuvens (anaanei) que (deshafchei) despejam (shafchei) água (maya) umas nas outras (lahadadei), pois foi dito (sheneemar): "à voz (lekol) de Seu dar (tito) tumulto (hamon) de águas (mayim) nos céus (bashamayim)" (Yirmeyahu 51:16). Rav Acha bar Yaakov disse (amar): um raio (barka) forte (takifa) que (devarik) relampeja (barik) na nuvem (baanana), e quebra (umetaver) pedras (gezizei) de granizo (devarza). Rav Ashi disse (amar): nuvens (anaanei) ocas (chalcholei) se estremecem (mechalchalei), e vem (atei) um vento (zika) e sopra (umenashev) em suas bocas (apumaihu), e assemelha-se (dameh) a um odre (zika) sobre a boca (al pum) de jarros (danei). E é mais razoável (umistabra) como (kerav) Acha bar Yaakov, que (devarik) relampeja (barka) o raio, e rugem (umenahamei) as nuvens (ananei), e vem (veatei) a chuva (mitra).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
ענני בגלגלא – עננים מתחופפין ומתחככין ונשמע הקול לשון אחר העננים פוגעין בגלגל ומתגלגלות עם הגלגל בעל כרחם ואותו הקול היינו רעמים: ברקא – ברקים של אש: ומתבר גזיזי דברזא – ואותו הקול היינו רעמים. גזיזי גלציי"ש חתיכות של ברד: חלחולי מחלחלי – ענני ומנשב זיקא עלייהו והיינו רעמים: מנהמי ענני – הומות העננים:

"Nuvens no firmamento" — nuvens (ananim) que se chocam (mitchofefin) e se atritam (umitchachchin), e se ouve (venishma) o som (hakol). Outra explicação (lashon acher): as nuvens (heananim) tocam (pogin) o firmamento (bagalgal) e giram (umitgalgalot) com o firmamento (im hagalgal) contra sua vontade (beal karchan), e aquele (veoto) som (hakol) é (hainu) o trovão (reamim). "Barka" — relâmpagos (berakim) de fogo (shel esh). "E quebra pedras de granizo" — e aquele (veoto) som (hakol) é (hainu) o trovão (reamim); "gezizei" são pedaços (chatichot) de granizo (shel barad). "Ocas se estremecem" — nuvens (ananei), e sopra (umenashev) um vento (zika) sobre elas (aleihu), e isto é (vehainu) o trovão (reamim). "Rugem as nuvens" — bramam (homot) as nuvens (heananim).

Nota

Cinco explicações para o trovão: Shmuel diz que são nuvens que giram e se atritam no firmamento; os sábios, nuvens que despejam água umas nas outras; Rav Acha bar Yaakov, um raio forte que quebra pedras de granizo; e Rav Ashi, nuvens ocas sopradas pelo vento como odres — prevalecendo por fim a explicação de Rav Acha bar Yaakov, pois o raio relampeja, as nuvens rugem, e então vem a chuva.

8E sobre os ventos. O que são ventos? Tempestade; a tempestade não ocorre à noite, mas quando iniciada de dia continua; e não dura mais de duas horas
Bavli · 59a — Guemará
וְעַל הָרוּחוֹת. מַאי רוּחוֹת? אָמַר אַבָּיֵי: זַעְפָּא. וְאָמַר אַבָּיֵי: גְּמִירִי, דְּזַעְפָּא בְּלֵילְיָא לָא הָוֵי. וְהָא קָא חֲזֵינַן דְּהָוֵי! — הָהוּא, דְּאַתְחֵיל בִּימָמָא. וְאָמַר אַבָּיֵי: גְּמִירִי, דְּזַעְפָּא תַּרְתֵּי שָׁעֵי לָא קָאֵי, לְקַיֵּים מַה שֶּׁנֶּאֱמַר: ״לֹא תָקוּם פַּעֲמַיִם צָרָה״. וְהָא קָא חָזֵינַן דְּקָאֵי! — דְּמַפְסֵיק בֵּינֵי בֵּינֵי.

E sobre (veal) os ventos (haruchot). O que (mai) são "ventos (ruchot)"? Disse (amar) Abaye: tempestade (zaafa). E disse (veamar) Abaye: aprendemos por tradição (gemiri) que (dezaafa) tempestade (zaafa) de noite (beleilya) não (la) ocorre (havei). Mas não (veha) vemos (ka chazeinan) que (dehavei) ocorre (havei)! Aquela (hahu) que se vê à noite é a que (de) começou (atchil) de dia (bimama) e persiste. E disse (veamar) Abaye: aprendemos por tradição (gemiri) que (dezaafa) a tempestade (zaafa) não (la) permanece (kaei) duas (tartei) horas (shaei), para cumprir (lekayem) o que (mah) foi dito (sheneemar): "não (lo) se levantará (takum) duas vezes (paamayim) a angústia (tzará)" (Nachum 1:9). Mas não (veha) vemos (ka chazeinan) que (dekaei) permanece (kaei) mais que isso! É que (de) se interrompe (mafsik) pelo meio (beinei beinei) — e depois retorna, mas cada intervalo dura menos que duas horas.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
זעפא – סופטורביי"ל:

"Tempestade (zaafa)" — termo em francês antigo para vento tempestuoso, uma espécie de vendaval.

Nota

Abaye identifica o "vento" da Mishná com a tempestade, e ensina duas tradições sobre ela: que não ocorre à noite (a menos que tenha começado de dia e persista), e que não dura mais de duas horas seguidas, cumprindo o versículo de Nachum de que a angústia não se repete duas vezes — ainda que pareça durar mais, na verdade se interrompe e retoma pelo meio.

9Sobre os relâmpagos diz-se "cujo poder e força enchem o mundo". O que são relâmpagos? Um só, um branco, um verde, nuvens vindas do oeste ou do sul, ou duas que se cruzam — todos maus presságios
Bavli · 59a — Guemará
וְעַל הַבְּרָקִים אוֹמֵר ״בָּרוּךְ … שֶׁכֹּחוֹ וּגְבוּרָתוֹ מָלֵא עוֹלָם״. מַאי בְּרָקִים? אָמַר רָבָא: בַּרְקָא. וְאָמַר רָבָא: בַּרְקָא יְחִידָאָה, וּבַרְקָא חִיוָּרָא, וּבַרְקָא יְרוּקְתָּא, וַעֲנָנֵי דְּסָלְקָן בְּקֶרֶן מַעֲרָבִית וְאָתְיָין מִקֶּרֶן דְּרוֹמִית, וְתַרְתֵּי עֲנָנֵי דְּסָלְקָן חֲדָא לְאַפֵּי חֲבֶרְתָּהּ — כּוּלְּהוּ קַשְׁיָין.

E sobre (veal) os relâmpagos (haberakim) diz-se (omer): "Bendito (Baruch)... cujo poder (shekocho) e força (ugvurato) enchem (male) o mundo (olam)". O que (mai) são "relâmpagos (berakim)"? Disse (amar) Rava: um raio (barka). E disse (veamar) Rava: um raio (barka) único (yechidaa), e um raio (barka) branco (chivara), e um raio (barka) verde (yerukta), e nuvens (anaanei) que (desalkan) sobem (salkan) do canto (bekeren) ocidental (maaravit) e vêm (veatyan) do canto (mikeren) sul (deromit), e duas (tartei) nuvens (anaanei) que (desalkan) sobem (salkan), uma (chada) em direção (leapei) à outra (chavertah) — todas (kulhu) são difíceis (kashyain) — sinais adversos, que não trazem bênção.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
ברקא – אישלוזיר"א לשון מבריק נהר: ברקא יחידאה – שלא הבריק אלא פעם אחד: וברקא חיורא וברקא ירוקתא כולהו קשיין – שאינם של ברכה: דסלקן חדא לאפי חברתה – ששני עננים פוגעים זה את זה:

"Barka" — termo em francês antigo, expressão (lashon) de brilhar (mavrik), luzir (naar). "Um raio único" — que (shelo) não brilhou (hivrik) senão (ela) uma (paam) vez (achat). "E um raio branco e um raio verde, todos são difíceis" — pois (sheeinam) não são (einam) de bênção (shel berachá). "Que sobem, uma em direção à outra" — quando (she) duas (shtei) nuvens (ananim) se chocam (pogim) uma (zeh) com a outra (et zeh).

Nota

Sobre relâmpagos abençoa-se "cujo poder e força enchem o mundo". Rava enumera cinco tipos considerados sinais adversos: o raio único (que só brilha uma vez), o raio branco, o raio verde, nuvens que sobem do canto ocidental para o sul, e duas nuvens que se chocam frontalmente — nenhum destes é fenômeno de bênção.

10Para que serve saber disso? Para pedir misericórdia; e isso vale de noite, mas pela manhã não há substância nesses sinais
Bavli · 59a — Guemará
לְמַאי נָפְקָא מִינַּהּ? לְמִבְעֵי רַחֲמֵי. וְהָנֵי מִילֵּי בְּלֵילְיָא, אֲבָל בְּצַפְרָא — לֵית בְּהוּ מְשָׁשָׁא.

Para que (lemai) serve saber isso (nafka minah)? Para pedir (lemivei) misericórdia (rachamei). E estas (vehanei) palavras (milei) valem de noite (beleilya), mas (aval) pela manhã (betzafra) — não há (leit behu) substância (meshasha) nesses sinais — pois de manhã são comuns e não indicam nada de especial.

Nota

Saber identificar esses sinais adversos serve para pedir misericórdia diante deles; mas essa regra vale apenas quando ocorrem à noite, pois pela manhã tais fenômenos não têm substância — não constituem presságio real.

11Rabi Shmuel bar Yitzchak: as nuvens da manhã não têm substância, como "vossa benevolência é como a nuvem da manhã"; e a máxima popular sobre fechar as sacas e dormir
Bavli · 59a — Guemará
אָמַר רַבִּי שְׁמוּאֵל בַּר יִצְחָק: הָנֵי עֲנָנֵי דְצַפְרָא לֵית בְּהוּ מְשָׁשָׁא, דִּכְתִיב: ״וְחַסְדְּכֶם כַּעֲנַן בֹּקֶר וְגוֹ׳״. אֲמַר לֵיהּ רַב פָּפָּא לְאַבָּיֵי, הָא אָמְרִי אִינָשֵׁי: כַּד מִפְתָּח בָּבֵי מִיטְרָא, בַּר חַמָּרָא, מוּךְ שַׂקָּיךְ וּגְנִי! לָא קַשְׁיָא: הָא דִּקְטִר בְּעֵיבָא, הָא דִּקְטִר בַּעֲנָנֵי.

Disse (amar) Rabi Shmuel bar Yitzchak: estas (hanei) nuvens (ananei) da manhã (detzafra) não têm (leit behu) substância (meshasha), pois está escrito (dichtiv): "e vossa benevolência (vechasdechem) é como (kaanan) a nuvem (anan) da manhã (boker) etc." (Hoshea 6:4). Disse-lhe (amar leih) Rav Papa a Abaye: não (ha) dizem (amri) as pessoas (inashei): quando (kad) se abrem (miftach) as portas (bavei) da chuva (mitra) pela manhã, ó condutor de asno (bar chamara), dobra (much) tuas sacas (sakach) e dorme (ugeni)! — isto é, se de manhã há sinal de chuva, é sinal confiável de que ela virá o dia todo, ao contrário do ensinado. Não (la) há dificuldade (kashya): isto (ha) se refere a quando (dikטir) se atam (ketar) as nuvens em nuvem espessa (beeiva), isto (ha) se refere a quando (diktir) se atam (ketar) em nuvem (baananei) fina, comum.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
ענן בקר – לא קבוע: כד מפתח בבי מטרא בר חמרא מוך שקיך וגני – אם כשתפתח דלתיך בבקר ירד לך מטר לך אני אומר חמר ההולך ממקום למקום להביא תבואה מוך שקיך וגני כפול שקך תחתיך ותישן עליו ולא תלך אנה ואנה להביא תבואה לפי שיהיו החטים בזול בשביל הגשם: ה"ג הא דקטר בעיבא – נתקשרו השמים בעב עבה אז טוב כי ירד גשם רב: הא דקטיר בעננא – ענן קלוש הוא ענן בקר שאין בו ממש:

"Nuvem da manhã" — não (lo) é fixa (kavua) — passa depressa, sem consistência. "Quando se abrem as portas da chuva, ó condutor de asno, dobra tuas sacas e dorme" — se (im), quando (kesheh) abrires (tiftach) tuas portas (daltecha) pela manhã (baboker), descer (yered) chuva (matar) para ti (lecha), então (lecha) eu digo (ani omer): ó condutor de asno (chamar) que (haholech) vai (holech) de lugar (mimakom) em lugar (lemakom) para trazer (lehavi) grãos (tevuah), dobra (much) tuas sacas (sakcha) e dorme (ugeni) — dobra (kefol) tua saca (sakcha) sob ti (tachtecha) e dorme (veתישן) sobre ela (alav), e não (vela) irás (telech) a um lugar e a outro (ana veana) para trazer (lehavi) grãos (tevuah), pois (lefi) os trigos (hachitim) ficarão baratos (bezol) por causa (bishvil) da chuva (hageshem). A versão correta (hachi garsinan) é: "isto, quando se atam em nuvem espessa" — os céus (hashamayim) se atam (nitkashru) em nuvem (be'av) espessa (avah), então (az) é bom (tov), pois (ki) descerá (yered) chuva (geshem) abundante (rav). "Isto, quando se atam em nuvem" — nuvem (anan) tênue (kalush) é (hu) a nuvem (anan) da manhã (boker), que (she) não tem (ein bo) substância (mamash).

Nota

Rabi Shmuel bar Yitzchak confirma, com versículo de Hoshea, que as nuvens da manhã não têm substância; Rav Papa objeta com um ditado popular sobre o condutor de asno que pode descansar quando a chuva já se anuncia pela manhã. A Guemará resolve a aparente contradição: quando as nuvens são espessas e atadas firmemente, o sinal matinal é confiável; quando são tênues, como a nuvem comum da manhã, não têm substância real.

12Rabi Alexandri em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: os trovões só foram criados para endireitar a tortuosidade do coração; e quem vê o arco-íris deve prostrar-se, mas na Babilônia amaldiçoam por parecer culto ao arco-íris
Bavli · 59a — Guemará
אָמַר רַבִּי אֲלֶכְּסַנְדְּרִי אָמַר רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי: לֹא נִבְרְאוּ רְעָמִים אֶלָּא לִפְשׁוֹט עַקְמוּמִית שֶׁבַּלֵּב, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְהָאֱלֹהִים עָשָׂה שֶׁיִּרְאוּ מִלְּפָנָיו״. וְאָמַר רַבִּי אֲלֶכְּסַנְדְּרִי אָמַר רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי: הָרוֹאֶה אֶת הַקֶּשֶׁת בֶּעָנָן צָרִיךְ שֶׁיִּפּוֹל עַל פָּנָיו, שֶׁנֶּאֱמַר: ״כְּמַרְאֵה הַקֶּשֶׁת אֲשֶׁר יִהְיֶה בֶעָנָן וְגוֹ׳ וָאֶרְאֶה וָאֶפֹּל עַל פָּנַי״. לָיְיטִי עֲלַהּ בְּמַעְרְבָא, מִשּׁוּם דְּמִחֲזֵי כְּמַאן דְּסָגֵיד לְקַשְׁתָּא. אֲבָל בָּרוֹכֵי וַדַּאי מְבָרֵךְ. מַאי מְבָרֵךְ? — ״בָּרוּךְ … זוֹכֵר הַבְּרִית״. בְּמַתְנִיתָא תָּנָא, רַבִּי יִשְׁמָעֵאל בְּנוֹ שֶׁל רַבִּי יוֹחָנָן בֶּן בְּרוֹקָא אוֹמֵר: ״נֶאֱמָן בִּבְרִיתוֹ וְקַיָּים בְּמַאֲמָרוֹ״. אָמַר רַב פָּפָּא: הִלְכָּךְ נֵימְרִינְהוּ לְתַרְוַיְיהוּ: ״בָּרוּךְ … זוֹכֵר הַבְּרִית, וְנֶאֱמָן בִּבְרִיתוֹ וְקַיָּים בְּמַאֲמָרוֹ״.

Disse (amar) Rabi Alexandri, disse (amar) Rabi Yehoshua ben Levi: não (lo) foram criados (nivreu) os trovões (reamim) senão (ela) para endireitar (lifshot) a tortuosidade (akmumit) que há no coração (shebalev), pois foi dito (sheneemar): "e D'us (vehaElohim) fez (asá) para que (sheyiru) temam (yiru) diante Dele (milefanav)" (Kohelet 3:14). E disse (veamar) Rabi Alexandri, disse (amar) Rabi Yehoshua ben Levi: aquele que vê (haroeh) o arco-íris (hakeshet) na nuvem (beanan) precisa (tzarich) prostrar-se (sheyipol al panav), pois foi dito (sheneemar): "como o aspecto (kemareh) do arco (hakeshet) que (asher) aparece (yihyeh) na nuvem (veanan) etc.; e vi (vaereh), e caí (vaepol) sobre minha face (al panai)" (Yechezkel 1:28). Amaldiçoam (layti) por isso (alah) na terra de Israel (bemaarva), porque (mishum) parece (demichzei) como quem (kemaan) se prostra (sagid) ao arco-íris (lekashta). Mas (aval) abençoar (baruchei), certamente (vadai) se abençoa (mevarech). O que (mai) se abençoa (mevarech)? "Bendito (Baruch)... que se lembra (zocher) do pacto (habrit)". Numa (bematnita) baraita (tana), Rabi Yishmael, filho (beno) de Rabi Yochanan ben Beroka, diz (omer): "fiel (neeman) em Seu pacto (bivrito) e íntegro (vekayam) em Sua palavra (bemaamaro)". Disse (amar) Rav Papa: portanto (hilcach), digamos (neimrinhu) ambas (letarvaihu): "Bendito (Baruch)... que se lembra (zocher) do pacto (habrit), e é fiel (neeman) em Seu pacto (bivrito) e íntegro (vekayam) em Sua palavra (bemaamaro)".

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
צריך שיפול על פניו – לפי שהוא מראה כבוד ה':

"Precisa prostrar-se" — porque (lefi) ele (shehu) mostra (mareh) a Glória (kevod) do Senhor (Hashem) — o arco-íris é uma manifestação visível da Glória Divina, conforme a visão de Yechezkel.

Nota

Rabi Yehoshua ben Levi ensina que os trovões foram criados para endireitar a tortuosidade do coração humano, gerando temor a D'us; e que quem vê o arco-íris deve prostrar-se, como Yechezkel diante da visão da Glória. Mas na terra de Israel amaldiçoam quem se prostra visivelmente, pois pode parecer culto ao próprio arco-íris; ainda assim, abençoa-se "que se lembra do pacto", combinada, segundo Rav Papa, com a fórmula da baraita de Rabi Yishmael, "fiel em Seu pacto e íntegro em Sua palavra".

13Sobre montes e colinas: mas tudo isso já não é obra da criação, sobre a qual se abençoa "cujo poder enche o mundo"? Duas bênçãos distintas conforme o caso
Bavli · 59a — Guemará
עַל הֶהָרִים וְעַל הַגְּבָעוֹת. אַטּוּ כׇּל הָנֵי דַּאֲמַרַן עַד הַשְׁתָּא, לָאו מַעֲשֵׂה בְרֵאשִׁית נִינְהוּ? וְהָכְתִיב ״בְּרָקִים לַמָּטָר עָשָׂה״! אָמַר אַבָּיֵי: כְּרוֹךְ וּתְנִי. רָבָא אָמַר: הָתָם מְבָרֵךְ תַּרְתֵּי — ״בָּרוּךְ … שֶׁכֹּחוֹ מָלֵא עוֹלָם״, וְ״עוֹשֶׂה מַעֲשֵׂה בְרֵאשִׁית״. הָכָא ״עוֹשֶׂה מַעֲשֵׂה בְרֵאשִׁית״ — אִיכָּא, ״שֶׁכֹּחוֹ מָלֵא עוֹלָם״ לֵיכָּא.

Sobre a Mishná: "sobre os montes (heharim) e sobre as colinas (hagevaot)". Acaso (atu) todas (kol) estas (hanei) coisas (de) que dissemos (amaran) até agora (ad hashta), não (lav) são (ninhu) obra (maaseh) da criação (bereishit)? E não (vehachtiv) está escrito (dichtiv): "relâmpagos (berakim) para a chuva (lamatar) fez (asá)" (Tehilim 135:7) — indicando que também os relâmpagos são obra da criação, e não apenas os montes! Disse (amar) Abaye: reúna (kerroch) e ensine (uteni) juntas — ambas as categorias podem ser tratadas em conjunto, sem contradição. Rava disse (amar): ali (hatam) — sobre trovões, ventos e relâmpagos — abençoa-se (mevarech) duas (tartei) bênçãos: "Bendito (Baruch)... cujo poder (shekocho) enche (male) o mundo (olam)", e "que faz (oseh) a obra (maaseh) da criação (bereishit)". Aqui (hacha) — sobre montes, colinas, mares, rios e desertos — "que faz a obra da criação" há (ika); "cujo poder enche o mundo" não há (leika).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
על ההרים – לא מצי לברוכי מלא עולם שאינן במקום אחד אלא כל אחד ואחד במקומו: כרוך ותני – בכולהו ברוך עושה בראשית וברוך שכחו מלא עולם כרוך ותני לכולהו בחדא בבא ועל כולם שתי ברכות הללו:

"Sobre os montes" — não (lo) se pode (matzi) abençoar (levaruchei) "enche (male) o mundo (olam)", pois (she) não (einan) estão todos num só (echad) lugar (bemakom), senão (ela) cada um (kol echad veechad) em seu próprio lugar (bemekomo). "Reúna e ensine" — em todos (bechulhu), "bendito que faz a obra da criação" e "bendito cujo poder enche o mundo", reúna (keroch) e ensine (uteni) a todos (lechulhu) numa (bechada) só cláusula (bava), e sobre todos (al kulam) valem estas (hallu) duas (shtei) bênçãos (berachot).

Nota

A Guemará questiona por que a Mishná distingue montes e colinas (obra da criação) dos fenômenos anteriores (poder que enche o mundo), já que um versículo aplica "obra da criação" também aos relâmpagos. Abaye propõe tratar as duas fórmulas em conjunto; Rava distingue com precisão: sobre trovões, ventos e relâmpagos abençoam-se ambas as fórmulas, mas sobre montes, mares, rios e desertos — que não estão concentrados num só lugar — abençoa-se apenas "que faz a obra da criação".

14Rabi Yehoshua ben Levi: aquele que vê o firmamento em sua pureza abençoa "que faz a obra da criação"; e quando isso ocorre — quando chove a noite toda e pela manhã o vento norte revela os céus
Bavli · 59a — Guemará
אָמַר רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי: הָרוֹאֶה רָקִיעַ בְּטׇהֳרָתָהּ, אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … עוֹשֵׂה בְרֵאשִׁית״. אֵימַתִּי? אָמַר אַבָּיֵי: כִּי אָתֵי מִטְרָא כּוּלֵּי לֵילְיָא, וּבְצַפְרָא אָתֵי אִסְתָּנָא וּמְגַלְּיָא לְהוּ לִשְׁמַיָּא.

Disse (amar) Rabi Yehoshua ben Levi: aquele que vê (haroeh) o firmamento (rakia) em sua pureza (betahoratah), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que faz (oseh) a obra (maaseh) da criação (bereishit)". Quando (eimati)? Disse (amar) Abaye: quando (ki) vem (atei) chuva (mitra) a noite (leilya) toda (kulei), e pela manhã (uvetzafra) vem (atei) o vento norte (istana) e revela (umegalya lehu) os céus (lishmaya).

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Bavli 59a
אומר ברוך עושה בראשית – שכך היתה ברייתו ואחר כך כסוהו עננים: אסתנא – רוח צפונית:

"Diz: bendito que faz a obra da criação" — pois (shekach) assim (kach) foi (hayta) sua criação (briyato) — o firmamento puro, como no princípio — e depois (veachar kach) o cobriram (kisuhu) as nuvens (ananim). "Istana" — vento (ruach) norte (tzefonit).

Nota

Rabi Yehoshua ben Levi ensina que quem vê o firmamento em sua pureza original — como no momento da criação, antes de ser encoberto por nuvens — abençoa "que faz a obra da criação"; Abaye especifica o momento: quando chove a noite inteira e pela manhã o vento norte varre e revela os céus limpos.

15Discordância: Rafram bar Papa em nome de Rav Chisda — desde a destruição do Templo nunca mais se viu o firmamento em sua pureza
Bavli · 59a — Guemará
וּפְלִיגָא דְּרַפְרָם בַּר פָּפָּא אָמַר רַב חִסְדָּא. דְּאָמַר רַפְרָם בַּר פָּפָּא אָמַר רַב חִסְדָּא: מִיּוֹם שֶׁחָרַב בֵּית הַמִּקְדָּשׁ לֹא נִרְאֵית רָקִיעַ בְּטׇהֳרָתָהּ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״אַלְבִּישׁ שָׁמַיִם קַדְרוּת וְשַׂק אָשִׂים כְּסוּתָם״.

E discorda (uflega) disso (de) Rafram bar Papa, disse (amar) Rav Chisda. Pois disse (deamar) Rafram bar Papa, disse (amar) Rav Chisda: desde o dia (miyom) em que (she) foi destruído (charav) o Templo (Beit HaMikdash), não (lo) se viu (nireit) o firmamento (rakia) em sua pureza (betahoratah), pois foi dito (sheneemar): "vestirei (albish) os céus (shamayim) de escuridão (kadrut), e saco (vesak) porei (asim) como sua cobertura (kesutam)" (Yeshayahu 50:3).

Nota

Rafram bar Papa, em nome de Rav Chisda, discorda da possibilidade prática do ensinamento anterior: desde a destruição do Templo, o firmamento nunca mais foi visto em sua pureza original, pois o mundo permanece como que vestido de luto, conforme o versículo de Yeshayahu sobre os céus vestidos de escuridão e cobertos de saco — encerrando o daf com esta nota de duelo entre a promessa de pureza e a realidade do exílio.