O daf abre um novo tópico com uma baraita sobre as bênçãos ditas ao ver casas de Israel habitadas ou em ruína, e casas das nações habitadas ou em ruína; segue o episódio de Ulá e Rav Chisda caminhando juntos, quando Rav Chisda suspira diante da casa arruinada de Rav Chana bar Chanilai, recordando sua extraordinária hospitalidade, e a resposta de Rav Chisda de que o decreto sobre as casas dos justos desde a destruição do Templo será um dia revertido. Segue a bênção sobre sepulturas de Israel e das nações; o ensinamento de Rabi Yehoshua ben Levi sobre ver o amigo após trinta dias e após doze meses, com o dito de Rav sobre o esquecimento do morto; o episódio de Rav Papa e Rav Huna bar Rav Yehoshua encontrando Rav Chanina bar Rav Ika, que morre logo após demonstrar sua sabedoria; a bênção sobre pessoas de aparência incomum — segundo Rabi Yehoshua ben Levi, "Que transforma as criaturas" — com a baraita que distingue quem nasceu assim de quem se alterou depois, e a lista de deformidades específicas; a bênção sobre elefante, macaco e babuíno, e sobre criaturas e árvores belas; e a longa sugiá final sobre os cometas (zikin), a órbita da constelação Kessil e o poder mitigador de Kimá, encerrando com as etimologias de Kimá e Ash.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): aquele que vê (haroeh) casas (batei) de Israel (Yisrael) em seu povoamento (beyishuvan), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que estabelece (matziv) o limite (gevul) da viúva (almaná)" — referência a Israel, comparado a uma viúva cuja fronteira Deus preserva. Em sua ruína (bechurbanan), diz (omer): "Bendito (Baruch)... Juiz (dayan) da verdade (haemet)". Casas (batei) das nações (umot) do mundo (haolam) em seu povoamento (beyishuvan), diz (omer): "a casa (beit) dos soberbos (geim) arrancará (yisach) o Senhor (Hashem)" (Mishlei 15:25). Em sua ruína (bechurbanan), diz (omer): "Deus (El) das vinganças (nekamot), Senhor (Hashem), Deus (El) das vinganças (nekamot), resplandece (hofia)" (Tehilim 94:1).
"Bendito que estabelece o limite da viúva" — como (kegon) no povoamento (beyishuv) do segundo (sheni) Templo (bayit) — isto é, Rashi aponta um exemplo histórico dessa restauração, a reconstrução na época do Segundo Templo. "Diz: Bendito, Juiz da verdade" — semelhante (dumiá) ao que se diz sobre o mutilado (kitea), e o mutilado (vekitea) depois (batar) de haver nascido (deitilid) é — Rashi remete à distinção adiante, entre a deformidade de nascença e a adquirida depois, aplicando-a por analogia à casa que se arruína depois de ter sido povoada.
Quatro bênçãos paralelas: casas de Israel povoadas, "que estabelece o limite da viúva"; em ruína, "Juiz da verdade"; casas das nações povoadas, o versículo sobre a casa dos soberbos que Deus arranca; em ruína, o versículo sobre o Deus das vinganças que resplandece.
Ulá e Rav Chisda estavam (havo) caminhando (kaazli) pela estrada (beorcha). Quando (ki) chegaram (metu) à porta (apitcha) da casa (bei) de Rav Chana bar Chanilai, deteve-se (negad) Rav Chisda e suspirou (itnach). Disse-lhe (amar leih) Ulá: por que (amai) suspiras (ka mitnachat)? Não (veha) disse (amar) Rav: um suspiro (anachá) quebra (shoveret) metade (chatzi) do corpo (gufo) do homem (shel adam), pois foi dito (sheneemar): "e tu (veatá), filho (ven) do homem (adam), suspira (heanach) com quebrantamento (beshivron) dos rins (motnayim) etc." (Yechezkel 21:11). E Rabi Yochanan disse (amar): até mesmo (af) todo (kol) o corpo (gufo) do homem (shel adam), pois foi dito (sheneemar): "e será (vehayá) que (ki) te dirão (yomru eilecha): por que (al mah) suspiras (atá neenach)? E dirás (veamarta): por causa (el) de uma notícia (shemuá) que (ki) vem (vaá), e se derrete (venames) todo (kol) coração (lev) etc." (Yechezkel 21:12).
"Por que" — suspiras (ka mitnachat) — Rashi apenas confirma a leitura da pergunta de Ulá a Rav Chisda.
Ao passar diante da casa arruinada de Rav Chana bar Chanilai, Rav Chisda suspirou; Ulá o questiona, citando o ensinamento de Rav de que o suspiro quebra metade do corpo, e de Rabi Yochanan de que quebra o corpo inteiro — ambos apoiados em versículos de Yechezkel sobre o suspiro profético diante de más notícias.
A bênção sobre casas em ruína, e a discussão sobre bênçãos ditas diante da destruição, é tratada com profundidade paralela no Talmud Yerushalmi, Berachot 9:1, que discute especificamente as bênçãos sobre a Babilônia em ruínas.
Ver também no Yerushalmi →Disse-lhe (amar leih) Rav Chisda: como (heichi) não (la) suspiraria (etnach) — uma casa (beitá) em que (dahavo bah) havia sessenta (shitin) padeiros (afyata) de dia (bimamá) e sessenta (shitin) padeiros (afyata) de noite (beleilyá), e assavam (veafyan) para todo (lechol) aquele (man) que (ditzrich) precisasse (ditzrich), e não (vela) tirava (shekal) a mão (yada) da bolsa (min kisa), pois (disvar) pensava (disvar): talvez (dilma) venha (atei) um pobre (ani) filho (bar) de gente boa (tovim), e enquanto (veadmatu leih) chega (admatu) à bolsa (lechisa) se envergonhe (ka michsif) — por ter de esperar que se abrisse a bolsa. E mais (vetu), tinha (havo) abertas (petichin leih) quatro (arba) portas (bavei) para os quatro (learba) ventos (ruchata) do mundo (dealma), e todo (vechol) aquele que (dahavá) entrava (ayel) faminto (kafin), saía (nafek) saciado (ki savá). E lançavam (vehavo shadu leih) trigo (chitei) e cevada (usearei) nos anos (bishnei) de escassez (batzoret) do lado de fora (abaraei), para que (dechol) todo aquele (man) a quem (dichsifa) a coisa (milta) envergonhasse (dichsifa) tomar (lemishkal) de dia (bimamá), viesse (atei) e tomasse (veshakeil) de noite (beleilyá). Agora (hashtá) caiu (nefal) em ruína (betila) — e não (vela) suspiraria (etnach)?
"Caiu em ruína" — pois (she) caiu (nafal) para ele (leih) e se tornou (venaasá) um monte de escombros (tel).
Rav Chisda descreve a extraordinária hospitalidade daquela casa: cento e vinte padeiros trabalhando dia e noite, uma bolsa sempre aberta por sensibilidade ao pobre envergonhado, quatro portas abertas aos quatro ventos, e grãos deixados do lado de fora para quem tivesse vergonha de pedir de dia — tudo isso agora reduzido a um monte de ruínas.
Disse-lhe (amar leih): assim (hachi) disse (amar) Rabi Yochanan — desde o dia (miyom) em que (she) foi destruído (charav) o Templo (Beit HaMikdash), foi decretado (nigzerá gezerá) sobre as casas (al bateihen) dos justos (shel tzadikim) que (she) se arruinassem (yecheravu), pois foi dito (sheneemar): "aos meus ouvidos (beoznai), Senhor (Hashem) das hostes (tzevaot), se (im) não (lo), casas (batim) muitas (rabim) ficarão em desolação (leshamá yihyu), grandes (gedolim) e boas (vetovim), sem (meein) morador (yoshev)" (Yeshayahu 5:9). E disse (veamar) Rabi Yochanan: destinado (atid) está o Santo (HaKadosh), bendito seja Ele (baruch hu), a devolvê-las (lehachaziran) ao seu povoamento (leyishuvan), pois foi dito (sheneemar): "cântico (shir) dos degraus (hamaalot), de David (leDavid): os que confiam (habotchim) no Senhor (baHashem) são como (kehar) o Monte (har) Sião (Tzion)" (Tehilim 125:1). Assim como (mah) o Monte (har) Sião (Tzion), destinado (atid) está o Santo (HaKadosh), bendito seja Ele (baruch hu), a devolvê-lo (lehachaziro) ao seu povoamento (leyishuvo), também (af) as casas (bateihen) dos justos (shel tzadikim), destinado (atid) está o Santo (HaKadosh), bendito seja Ele (baruch hu), a devolvê-las (lehachaziran) ao seu povoamento (leyishuvan). Viu (chazyeih) Ulá que (dela) não (la) se acalmava (meyashva) seu ânimo (daateih). Disse-lhe (amar leih): basta (dayo) ao servo (leeved) que seja (sheyehei) como seu senhor (kerabo).
"Basta ao servo que seja como seu senhor" — pois (shehare) o Templo (Beit HaMikdash) se arruinou (charav), que (shehu) é a casa (beito) do Santo (shel HaKadosh), bendito seja Ele (baruch hu) — isto é, Rashi explica que Rav Chisda consola Ulá lembrando que, se até a própria "casa" de Deus foi destruída, não é motivo de espanto que as casas dos justos também tenham sido arruinadas, pois basta ao servo ser tratado como seu senhor.
Rav Chisda explica, com o ensinamento de Rabi Yochanan, que desde a destruição do Templo as casas dos justos foram decretadas à ruína, mas um dia serão restauradas junto com o Monte Sião; vendo que isso não acalmava Ulá, acrescenta o consolo final: basta ao servo ser como seu senhor, pois até a própria casa de Deus foi destruída.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): aquele que vê (haroeh) sepulturas (kivrei) de Israel (Yisrael), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que (asher) vos formou (yatzar etchem) com justiça (badin), e vos sustentou (zan etchem) com justiça (badin), e vos alimentou (kilkel etchem) com justiça (badin), e vos recolheu (asaf etchem) com justiça (badin), e destinado (atid) está a levantar-vos (lahakimchem) com justiça (badin)". Mar filho (breih) de Ravina conclui (mesayem bah) nela, em nome (mishemeih) de Rav Nachman: "e Ele conhece (veyodea) o número (mispar) de todos vós (kulechem), e Ele (vehu) destinado está (atid) a vos vivificar (lehachyotchem) e a vos manter (ulekayem etchem). Bendito (Baruch)... que revive (mechayeh) os mortos (hameitim)". Sepulturas (kivrei) das nações (goyim), diz (omer): "envergonhada (boshá) foi vossa mãe (imchem) etc." (Yirmeyahu 50:12).
Sobre sepulturas de Israel, recita-se uma longa bênção que percorre toda a vida do ser humano sob o juízo Divino — formação, sustento, alimentação, recolhimento e futura ressurreição — concluída, segundo Rav Nachman, com "que revive os mortos"; sobre sepulturas das nações, recita-se o mesmo versículo de vergonha usado para suas multidões.
Disse (amar) Rabi Yehoshua ben Levi: aquele que vê (haroeh) seu amigo (chaveiro) depois (leachar) de trinta (shloshim) dias (yom), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que nos deu vida (shehecheyanu), e nos sustentou (vekiyemanu), e nos fez chegar (vehigianu) a este (hazeh) tempo (lazman)". Depois (leachar) de doze (sheneim asar) meses (chodesh), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que revive (mechayeh) os mortos (hameitim)". Disse (amar) Rav: não (ein) se esquece (mishtakeach) o morto (hamet) do coração (min halev) senão (ela) depois (leachar) de doze (sheneim asar) meses (chodesh), pois foi dito (sheneemar): "fui esquecido (nishkachti) como morto (kemet) do coração (milev), tornei-me (hayiti) como utensílio (kicheli) perdido (oved)" (Tehilim 31:13).
Ao rever o amigo após trinta dias sem vê-lo, recita-se "que nos deu vida"; após doze meses, "que revive os mortos" — pois, segundo Rav, é apenas depois de doze meses que o falecido se esquece verdadeiramente do coração dos vivos, como o versículo dos Salmos descreve.
Rav Papa e Rav Huna filho (breih) de Rav Yehoshua estavam (havo) caminhando (kaazli) pela estrada (beorcha). Encontraram (pegau beih) Rav Chanina filho (breih) de Rav Ika. Disseram-lhe (amaru leih): assim que (bahadei) te vimos (dachazinach), abençoamos (bereichinan) sobre ti (alach) duas (tartei) bênçãos: "Bendito (Baruch)... que (asher) repartiu (chalak) de Sua sabedoria (mechochmato) aos que O temem (lireav)" e "que nos deu vida (shehecheyanu)". Disse-lhes (amar lehu): eu (ana) também (namei), assim que (keivan) vos vi (dachazitinchu), considerei-vos (chashevtinchu) a mim (ilavai) como sessenta (keshitin) miríades (rivon) da casa (beit) de Israel (Yisrael), e abençoei (uvereichna) sobre vós (alaichu) três (telatá): aquelas (hanach) duas (tartei), e "Bendito (Baruch)... sábio (chacham) dos segredos (harazim)". Disseram-lhe (amaru leih): és tão sábio (chachimat), tanto assim (kulei hai)! Puseram (yahavi) nele (beih) os olhos (eineihu), e ele morreu (ushcheiv).
"'Que repartiu' e 'que nos deu vida'" — porque (de) depois (leachar) de trinta (shloshim) dias (yom) foi (havá) o último encontro. "De Sua sabedoria aos que O temem" — como (ke) Rav Chanina, que (de) era sábio (chachim) mais (tefei) que a maioria — daí a bênção específica sobre sábios.
Rav Papa e Rav Huna bar Rav Yehoshua abençoam Rav Chanina bar Rav Ika com duas bênçãos ao revê-lo; ele responde que os considerou, coletivamente, equivalentes a uma multidão de sessenta miríades, e por isso os abençoou com três, incluindo "Sábio dos segredos" — impressionados com sua sabedoria, fixaram nele os olhos, e ele morreu.
Disse (amar) Rabi Yehoshua ben Levi: aquele que vê (haroeh) os albinos (bahakanim), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que transforma (meshaneh) as criaturas (haberiot)". Objetaram (meitivi): viu (raá) o negro (hakushi), e o muito ruivo (hagichor), e o muito branco (halavkan), e o de ventre grande (hakipeach), e o anão (hananas), e o de rosto torto (hadarnikos), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que transforma (meshaneh) as criaturas (haberiot)". Mas se viu o mutilado (hakitea), e o cego (hasomeh), e o de cabeça achatada (petuyei harosh), e o coxo (hachiger), e o ferido de chagas (hamukeh shechin), e os albinos (habahakanim), diz (omer): "Bendito (Baruch)... Juiz (dayan) da verdade (emet)"!
"Albinos" — manchas (lentilhas) na pele, como lentejoulas — Rashi dá o termo em francês antigo. "Negro" — muito (harbeh) escuro (shachor). "Muito ruivo" — muito (harbeh) vermelho (adom) — em francês antigo, rous. "Muito branco" — branco (lavan) demais (yoter midai). "De ventre grande" — barriga (beten) grande (gadol), de modo que (mitoch ovyo), por sua espessura, sua estatura (komato) parece (nireit) encurtada (mekupachat); outra explicação (lashon acher): muito (harbeh) alto (aroch), e seu rosto (partzufo) caído (shamut) e saliente (uvolet), pois (de) é feio (mechuar hu). "Darnikos" — termo em francês antigo para alguém deformado; outra explicação (lashon acher): de boca (pio) torta (akum). "Diz: Bendito, que transforma as criaturas" — porque (de) saíram assim (havu) do ventre (mimeei) de sua mãe (imo). "Mutilado" — cujas mãos (yadav) foram cortadas (sheniktu); aqui (hacha), "mutilado" (kitea) significa (mashma) mãos (yadayim), porque (mishum) ensina (dekatani) ambos (tartei) — "mutilado" e "coxo" — mas (aval) onde (heicha) ensina (dekatani) "mutilado" sozinho (lechud), significa (mashma) pernas (raglayim), como ensinamos (kedetnan) (Shabat 65b): o mutilado (hakitea) sai (yotzeh) com sua perna de pau (bekav shelo). "De cabeça achatada" — cujo cabelo (shearo) é como feltro (kenamta), todo (kol) seu cabelo (sharo) colado (davuk) um ao outro (zeh bazeh) — em francês antigo, feltrado.
Rabi Yehoshua ben Levi ensina que, ao ver albinos, diz-se "que transforma as criaturas"; a baraita objeta trazendo uma lista mais ampla de aparências incomuns — negro, ruivo, muito branco, ventre grande, anão, rosto deformado — todos sob essa mesma bênção, mas coloca justamente os albinos, junto com mutilado, cego, cabeça achatada, coxo e ferido de chagas, sob "Juiz da verdade".
Não (la) há dificuldade (kashyá): esta (ha) bênção, "que transforma as criaturas", refere-se a quem assim nasceu desde o ventre (mimeei) de sua mãe (imo); aquela (ha) outra bênção, "Juiz da verdade", refere-se a quem assim ficou depois (batar) de haver nascido (deitiylid). Precisamente (dayeka) também (namei), pois (dekatanei) ensina-se o caso dos albinos semelhante (dumiá) ao (de) do mutilado (kitea) — e o mutilado da segunda lista é entendido como quem perdeu os membros depois de nascer, o que prova que a mesma lógica se aplica aos albinos ali mencionados. Aprende-se (shema) disso (minah).
"Onde a deformidade lhe sobreveio depois de haver nascido" — depois (leachar) de nascer (shenolad), nasceram (noldu) nele essas condições. "Semelhante ao mutilado" — e (vekitea) o mutilado (kitea) é caso de deformidade adquirida depois (batar) de haver nascido (deitiylid).
A resolução: a bênção "que transforma as criaturas" aplica-se a quem já nasceu com a aparência incomum; "Juiz da verdade" aplica-se a quem a adquiriu depois de nascer — o que se confirma pela lista da segunda baraita agrupar os albinos justamente ao lado do mutilado, caso claro de deformidade adquirida.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): aquele que vê (haroeh) elefante (pil), macaco (kof) e babuíno (kipof), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que transforma (meshaneh) as criaturas (haberiot)". Viu (raá) criaturas (beriot) boas (tovot), e árvores (ilanot) boas (tovot), diz (omer): "Bendito (Baruch)... que assim (shekachá) tem (lo) em Seu mundo (beolamo)".
"Kipof" — uma ave (of) que (shekorin) se chama abutre (em francês antigo), e tem (veyesh lo) maxilas (lestot) e face (ulechayayim) semelhantes às (keadam) do homem — isto é, Rashi identifica o "kipof" não como um primata, mas como uma ave de aspecto quase humano no rosto.
Ao ver elefante, macaco ou a criatura chamada kipof, recita-se "que transforma as criaturas", pela aparência incomum destes; ao ver criaturas e árvores especialmente belas, recita-se "que assim tem em Seu mundo", louvando a beleza da Criação.
Sobre (al) os cometas (hazikin): o que são (mai) os cometas (zikin)? Disse (amar) Shmuel: uma estrela (kochva) que (deshaveit) lança (shaveit) — isto é, um cometa. E disse (veamar) Shmuel: iluminadas (nehirin) são para mim (li) as veredas (shevilei) do céu (dishmayá) como as veredas (kishvilei) de Neharde'a, exceto (levar) a estrela (mikochva) que (deshaveit) lança (shaveit), da qual (dela) não sei (yadana) o que (mai) ela (nihu) é. E é tradição (ugmiri) que não (dela) passa (avar) ela a constelação Kessil (kisla), e se (ve'i) passasse (avar) Kessil (kisla) — se destruiria (charev) o mundo (alma). Mas não (veha) vemos (ka chazinan) que (de) passa (avar)! — seu brilho (zivei) é (hu) que (de) passa (avar), e parece (umitchazi) como se (kid) ela mesma (ihu) passasse (avar). Rav Huna filho (breih) de Rav Yehoshua disse (amar): é uma cortina (vilon) que (hu demikra) se rasga (mikra), que (demigalgal) se enrola (migalgal), e se mostra (umichazei) a luz (nehora) do firmamento (derakia). Rav Ashi disse (amar): é uma estrela (kochva) que (hu deakar) se desprende (akar) de um lado (mehai gisa) de Kessil (dechisla), e a vê (vechazei leih) sua companheira (chavreih) do outro lado (mehach gisa), e se assusta (umivait), e parece (umichazei) como se (kemaan) passasse (deavar) — isto é, o movimento de uma estrela assusta a outra, dando a impressão de um cometa cruzando o céu.
"Uma estrela que lança" — uma estrela (kochav) que desce (hayored) como flecha (kechetz) no firmamento (barakia) de um lugar (mimakom) a outro (lemakom), e é comprida (veharoch) como um bastão (keshevet) que (shehu) arremessa (yoreh), e parece (venireh) como se (kemo she) abrisse (potei'ach) o firmamento (rakia). "E é tradição que não passa Kessil" — que (she) não (eino) ultrapassa (maavir) a constelação (mazal) Kessil (Kessil) quando (keshehu) é cometa (shaveit). "Kisla" — é Kessil (Kessil). "Rav Huna disse" — o que (mai) são os cometas (zikin)? É uma cortina (vilon) que (demikra) se rasga (mikra), e se mostra (umitchazi) o firmamento (rakia) através (derech) da fenda (hakeria) como uma lança (keromach).
Três explicações para os cometas (zikin): Shmuel os identifica como estrelas cadentes, confessando que, embora conheça todas as veredas do céu, este fenômeno lhe escapa, e traz a tradição de que jamais ultrapassam a constelação Kessil, sob pena de destruição do mundo — o que é apenas o brilho, não a estrela em si, que atravessa; Rav Huna bar Rav Yehoshua explica como o rasgo de uma cortina celeste; Rav Ashi, como o susto de uma estrela ao ver sua companheira do lado oposto de Kessil.
Shmuel contrapôs (ramei): está escrito (ketiv): "que faz (oseh) Ash (Ash), Kessil (Kessil) e Kimá (Kimá)" (Iyov 9:9), e está escrito (uchtiv): "que faz (oseh) Kimá (Kimá) e Kessil (uchsil)" (Amós 5:8). Como (hai) se concilia isto? Se não fosse (ilmalei) o calor (chamá) de Kessil (shel Kessil), não (lo) subsistiria (nitkayem) o mundo (olam) por causa (mipnei) do frio (tzinah) de Kimá (shel Kimá), e se não fosse (ve'ilmalei) o frio (tzinah) de Kimá (shel Kimá) — não (lo) subsistiria (nitkayem) o mundo (olam) por causa (mipnei) do calor (chamá) de Kessil (shel Kessil).
"Está escrito: que faz Ash, Kessil e Kimá" — pois (de) antecipou (hikdimeih) a Escritura Kessil (Kessil) a Kimá (leKimá). "Como se concilia?" — ensina (melamed) que ambos (sheshneihen) são iguais (shavim) em importância. "Se não fosse o calor de Kessil etc." — Kessil (Kessil) domina (sholet) nos dias (bimot) de calor (hachamá), por isso (lehachi) o antecipou (hikdimo) o versículo (kra) em Iyov; Kimá (Kimá) domina (sholet) nos dias (bimot) de chuva (hageshamim), por isso (lehachi) o antecipou (hikdimo) o versículo (kra) em Amós.
Shmuel contrapõe dois versículos: um menciona Kessil antes de Kimá, o outro na ordem inversa — resolvendo que ambas as constelações são igualmente essenciais, pois o calor de Kessil e o frio de Kimá se equilibram mutuamente para que o mundo subsista, cada versículo antecipando a constelação dominante na estação correspondente.
E é tradição (ugmiri) que se (i) não fosse (lav) o ferrão (uktza) do escorpião (deakrava), que (demanach) está posto (manach) no Rio (binhar) de Fogo (dinur), todo (kol) aquele (man) a quem (dahavá) picasse (tarka leih) um escorpião (akravá), não (la) sobreviveria (havá chayei). E é isto (vehainu) que (deka) disse (amar leih) o Misericordioso (Rachmaná) a Iyov: "atarás (hatkasher) os laços (maadanot) de Kimá (Kimá), ou (o) as cordas (moshchot) de Kessil (Kessil) desatarás (tefateach)?" (Iyov 38:31).
"Escorpião" — isto (hainu) é Kimá (Kimá), e é da constelação (umimazal) de Áries (taleh) — Rashi identifica a constelação Escorpião com Kimá, próxima a Áries. "Ferrão do escorpião" — a cauda (zenav) do escorpião (haakrav). "Rio de Fogo" — enfraquece (matesheit) a força (kocho) do escorpião (shel akrav). "Laços de Kimá" — as amarras (kishrei) de Kimá (Kimá).
Segundo a tradição, o ferrão do escorpião celeste está contido no Rio de Fogo, o que impede que sua picada seja letal para todos; este é o sentido do versículo em que Deus desafia Iyov sobre os laços de Kimá e as cordas de Kessil, referindo-se ao equilíbrio cósmico dessas constelações.
O que (mai) é "Kimá (Kimá)"? Disse (amar) Shmuel: como cem (kemeá) estrelas (kochvei) — um jogo de palavras entre "Kimá" e "kemeá" (como cem). Dizem (amri) alguns (lah) que (dimchanfi) estão agrupadas (mechanfi), e dizem (amri) outros (lah) que (dimvadran) estão espalhadas (mevadran).
"Como cem estrelas" — há (yesh) entre (bein) as estrelas (hakochavim) de Kimá (shel Kimá) as que (shehen) são a força (kocho) de Kimá (shel Kimá). "Dizem alguns que estão agrupadas" — aquelas (otan) que (shehen) são a força (kocho) de Kimá (shel Kimá), e dizem outros que estão espalhadas (mevadran).
Shmuel explica o nome "Kimá" por um jogo de palavras com "como cem" estrelas; há divergência sobre se essas estrelas que compõem sua força estão agrupadas ou espalhadas pelo céu.
O que (mai) é "Ash (Ash)"? Disse (amar) Rav Yehuda: Yota. O que (mai) é "Yota"? Dizem (amri) alguns (lah): cauda (zenav) do cordeiro (taleh). E dizem (amri) outros (lah): cabeça (reisha) do bezerro (deigla). E é mais razoável (umistabra) como (kemaan) quem diz (deamar) cauda (zenav) do cordeiro (taleh), pois está escrito (dichtiv): "e Ayish (Ayish) com seus filhos (al baneiha) guiarás (tanchem)" (Iyov 38:32). Então (alma), está incompleta (chasrá) e parece (umitchazyá) — o versículo indica que a constelação de Ash está incompleta, faltando-lhe parte, o que se ajusta melhor à imagem de uma cauda.
"'Yota', dizem alguns" — que (dekayma) está situada (kayma) na cauda (bezenav) do cordeiro (taleh), e dizem outros que (dekayma) está situada (kayma) na cabeça (bereish) do bezerro (egla). "Cabeça do bezerro" — a cabeça (rosho) do bezerro (shel egel), e isto (vehainu) é a constelação (mazal) de Touro (shor), que (vehu) vem (nimshach) logo após (achar) a constelação (mazal) de Áries (taleh): a cabeça (rosh) do touro (hashor) vizinha (samuch) à cauda (zenav) do cordeiro (taleh), pois (shekein) a ordem (haseder) é Áries (taleh), Touro (shor), Gêmeos (teomim). "É mais razoável como quem diz cauda" — isto é (hainu), as estrelas (kochavim) que (haasuyin) são feitas (asuyin) como cauda (kezanav), porque (mide) está escrito (dichtiv): "e Ayish com seus filhos guiarás". "Então, está incompleta" — pois (vehai) esta cauda (zenav) parece (machazei) como uma folha (ketarfa) que caiu (detarif) — isto é, Rashi conclui que o aspecto incompleto da constelação lembra uma folha destacada, reforçando a leitura de "cauda".
Sobre o nome "Ash", Rav Yehuda o identifica com "Yota"; há divergência se esta é a cauda do cordeiro (Áries) ou a cabeça do bezerro (Touro), e prevalece a opinião da cauda, apoiada no versículo de Iyov sobre "Ayish e seus filhos", que sugere uma constelação incompleta, como cauda separada de seu corpo.