O daf abre concluindo o episódio de Rabi Akiva na estalagem — "tudo é para o bem" — e segue com o ensinamento de Rabi Meir de que as palavras do homem diante de D'us devem ser poucas. Rav Nachman bar Rav Chisda expõe então o duplo iod da palavra "vaYYitzer" (formou) como alusão aos dois yetzarim, o bom e o mau, criados no homem, o que leva a uma longa sugya sobre a criação do primeiro homem: se foi formado com duas faces unidas (partzuf) ou com uma face e uma cauda (zanav), e como cada uma dessas posições explica os diversos versículos sobre a formação da mulher a partir da têla (costela/lado). A Guemará detalha a formação de Chavá — comparada a um celeiro construído para "receber a colheita" — e o papel de D'us como padrinho de núpcias do primeiro casal. Segue-se uma extensa sugya sobre modéstia: a proibição de caminhar atrás de uma mulher, de entregar dinheiro diretamente de mão em mão para poder observá-la, e os casos de Manoach, Elkanah e Elisha; e fecha com o ensinamento de que o yetzer hara se assemelha a uma mosca sentada entre as duas entradas do coração, e com a baraita sobre os dois rins do homem — um que o aconselha para o bem, outro para o mal — abrindo a descrição fisiológica dos órgãos internos que se completará em 61b.
Tudo (hakol) é para o bem (letovah).
"Tudo é para o bem" — se (ilu) a candeia (ner) estivesse acesa (dalek), o bando armado (hagayas) teria me visto (roeh oti); e se (veilu) o burro (hachamor) zurrasse (noer) ou (o) o galo (hatarnegol) cantasse (koreh), o bando armado (hagayas) viria (bah) e me capturaria (veshovah oti).
Esta linha fecha, no início do daf 61a, o episódio de Rabi Akiva narrado ao final de 60b: cada infortúnio da noite — a candeia apagada, o galo devorado, o burro devorado — impediu, precisamente, que qualquer luz ou som denunciasse sua presença ao bando armado que capturou a cidade naquela noite. Rashi explica exatamente o mecanismo: se a candeia estivesse acesa, ou se o burro tivesse zurrado, ou o galo cantado, o bando o teria encontrado e capturado.
E disse (veamar) Rav Huna, disse (amar) Rav em nome de (mishum) Rabi Meir: sempre (leolam) sejam (yihyu) as palavras (devarav) do homem (shel adam) poucas (mueatin) diante (lifnei) do Santo, bendito seja (haKadosh Baruch Hu), pois (shenneemar) está dito: "não (al) te apresses (tevahel) com tua boca (al picha), e teu coração (velibecha) não (al) se apresse (yemaher) a proferir (lehotzi) palavra (davar) diante (lifnei) de D'us (haElohim), pois (ki) D'us (haElohim) está nos céus (bashamayim) e tu (veatah) na terra (al haaretz); portanto (al ken) sejam (yihyu) tuas palavras (devarecha) poucas (meatim)" (Eclesiastes 5:1).
Um novo ensinamento, encadeado ao anterior pela mesma cadeia de transmissão (Rav Huna em nome de Rav em nome de Rabi Meir): o homem deve ser parcimonioso em palavras diante de D'us, com base no versículo de Eclesiastes que contrasta a distância entre os céus, onde D'us reside, e a terra, onde o homem se encontra — distância que exige comedimento na fala, e não precipitação.
Expôs (darash) Rav Nachman bar Rav Chisda: o que (mai) significa o que está escrito (dichtiv): "e formou (vaYYitzer) o Eterno (Hashem), D'us (Elohim), o homem (et haadam)" (Gênesis 2:7) com dois (bishnei) iodin (yodin) — a palavra "vaYYitzer" está grafada com duas letras iod, e não uma, como seria de esperar? Dois (shenei) yetzarim (yetzarim) criou (bara) o Santo, bendito seja (haKadosh Baruch Hu), um (echad) yetzer (yetzer) bom (tov) e um (veechad) yetzer (yetzer) mau (ra).
Inicia-se aqui uma nova e extensa sugya sobre a criação do primeiro homem, ligada por associação temática ao final de 60b, que já mencionara o yetzer tov e o yetzer hara nas orações matinais. Rav Nachman bar Rav Chisda explora a ortografia peculiar da palavra "vaYYitzer" em Gênesis 2:7, grafada com dois iodin em vez de um, como alusão aos dois impulsos ou inclinações — o bom e o mau — implantados no homem desde sua formação.
Objetou (matkif lah) Rav Nachman bar Yitzchak: mas (ela) então (meatah), o animal (behemah), em que (de) não (la) está escrito (ketiv) nele (bah) "vaYYitzer" — não teria (leit lah) yetzer (yitzra)? Mas (veha) nós vemos (ka chazeinan) que (de) ele fere (mazka), morde (nashcha) e coiceia (uvaata)! Mas sim (ela), como (kidrabi) Rabi Shimon ben Pazi, que (deamar) disse Rabi Shimon ben Pazi: "ai (oi) de mim (li) por meu Criador (mi'yotzri), e ai (veoi) de mim (li) por meu yetzer (mi'yitzri)" — isto é, o duplo iod não indica dois yetzarim, mas antes um jogo de palavras entre "yotzer" (Criador) e "yetzer" (inclinação).
"Mas nós vemos que ele fere" — que (she) causa dano (mazeket). "Ai de mim por meu Criador" — se (im) eu for (elech) atrás (acharei) de meu yetzer (yitzri) e o seguir; e se (veim) eu não (lo) for (elech) atrás dele (acharav), ai (oi) de mim (li) por meu yetzer (mi'yitzri) que me atormenta (hamigaeni) com pensamentos (behirhurim).
Rav Nachman bar Yitzchak levanta uma objeção: se o duplo iod de "vaYYitzer" indica os dois yetzarim, então o animal — cuja criação não usa essa palavra — não teria yetzer algum; mas isso contradiz a experiência de que os animais também agem com impulso, ferindo e mordendo. A resposta reinterpreta a expressão de Rabi Shimon ben Pazi: o duplo iod não seria propriamente sobre dois yetzarim, mas um jogo fonético entre "yotzri" (meu Criador) e "yitzri" (meu impulso) — o homem sofre tanto por segui-lo quanto por resistir-lhe, pois a resistência mesma o atormenta com pensamentos.
Ou (i) também (namei), como (kidrabi) Rabi Yirmeya ben Elazar. Que (deamar) disse Rabi Yirmeya ben Elazar: duas (du) faces (partzufin) criou (bara) o Santo, bendito seja (haKadosh Baruch Hu), no primeiro homem (baadam harishon), pois (shenneemar) está dito: "atrás (achor) e adiante (vakedem) Me formaste (tzartani)" (Salmos 139:5).
"Duas faces" — duas (shenei) faces (partzufin) criaram-no (berao) no início (techilah), uma (echad) de sua frente (milefanav) e uma (veechad) de suas costas (meacharav), e depois O dividiram (vetzalchu) em dois (lishnayim), e fizeram (veasah) de um (min haechad) Chavá. "Atrás e adiante Me formaste" — expressão (leshon) de forma (tzurah), isto é (dehaynu), duas (shenei) faces (partzufin).
Uma segunda leitura, alternativa: em vez de dois yetzarim, o duplo iod (ou o versículo dos Salmos) aludiria a que o primeiro homem foi originalmente criado com duas faces unidas — uma voltada para a frente e outra para trás — que depois foram separadas para formar o homem e a mulher. Esta é a posição chamada "partzuf" (rosto/face dupla), que será contraposta, nas próximas passagens, à posição "zanav" (cauda), segundo a qual a mulher foi formada a partir de um apêndice caudal, e não de uma face espelhada.
"E construiu (vayiven) o Eterno (Hashem), D'us (Elohim), a têla (et hatzela)" (Gênesis 2:22). Rav e Shmuel: um (chad) disse (amar): face (partzuf). E um (vechad) disse (amar): cauda (zanav).
O versículo de Gênesis 2:22 sobre a construção da "têla" (tzela, tradicionalmente traduzida "costela", mas que a Guemará interpreta como "lado") é o ponto de partida da controvérsia entre Rav e Shmuel: para um, a mulher foi formada a partir da segunda face do ser duplo original (posição "partzuf"); para o outro, a partir de uma cauda ou apêndice posterior (posição "zanav"). As passagens seguintes testam cada posição contra os diversos versículos bíblicos relacionados à criação do homem.
Está bem (bishlama) para quem (lemaan) diz (deamar) face (partzuf) — assim (haynu) está escrito (dichtiv): "atrás (achor) e adiante (vakedem) Me formaste (tzartani)". Mas (ela) para quem (lemaan) diz (deamar) cauda (zanav), o que (mai) significa "atrás e adiante Me formaste"? Como (kidrabi) Rabi Ami, que (deamar) disse Rabi Ami: "atrás" (achor) — refere-se à obra (lemaaseh) da criação (bereishit); "e adiante" (vakedem) — refere-se ao castigo (lefuranut).
A Guemará testa a posição "zanav" contra o mesmo versículo dos Salmos que sustentava naturalmente a posição "partzuf". Rabi Ami propõe uma leitura alternativa: "atrás" não se refere à posição física de uma segunda face, mas cronologicamente à obra da criação (o homem foi formado por último, "atrás" na ordem cronológica); e "adiante" refere-se ao castigo (o homem foi o primeiro a ser castigado, "adiante" na ordem do juízo) — passagem que a próxima seção examinará e contestará.
Está bem (bishlama) "atrás" (achor) para a obra (lemaaseh) da criação (bereishit) — pois (de) não (la) foi criado (ivri) até (ad) a véspera (maalei) de Shabat (shabta). Mas (ela) "e adiante" (vakedem) para o castigo (lefuranut), castigo (puranut) de quê (demai)? Se (ileima) dissermos que é o castigo (puranut) da serpente (denachash) — mas (veha) não ensinou-se (tanya): Rabi diz (omer): na grandeza (bigdulah) começa-se (matchilin) pelo maior (min hagadol), e na maldição (uviklalah) começa-se (matchilin) pelo menor (min hakatan)!
A Guemará confirma a primeira metade da leitura de Rabi Ami — "atrás" referindo-se à obra da criação, pois o homem foi de fato o último ser criado, na véspera de Shabat — mas questiona a segunda metade: se "adiante" se refere ao castigo, a que castigo se refere? Se for ao castigo dado após o pecado da serpente, no jardim do Éden, surge uma dificuldade: uma baraita em nome de Rabi ensina que, na ordem de grandeza (bênção), começa-se pelo maior, mas na ordem de maldição, começa-se pelo menor — o que parece contradizer a ideia de que o homem, o maior dentre os três (serpente, Chavá, Adão), teria sido castigado "adiante", isto é, primeiro.
Na grandeza (bigdulah) começa-se (matchilin) pelo maior (min hagadol) — pois (dichtiv) está escrito: "e falou (vayedaber) Moshe a Aharon e a Elazar e a Itamar, seus filhos (banav) que restaram (hanotarim): tomai (kechu)" etc. (Levítico 10:12 — Aharon é mencionado antes de seus filhos, do maior para o menor). Na maldição (uviklalah) começa-se (matchilin) pelo menor (min hakatan) — no início (batechilah) foi amaldiçoada (nitkalel) a serpente (nachash), e por fim (ulevasof) foi amaldiçoada (nitkalelah) Chavá, e por fim (ulevasof) foi amaldiçoado (nitkalel) Adão!
A baraita se completa: a prova de que na bênção/grandeza começa-se pelo maior vem do versículo de Levítico, em que Moshé se dirige primeiro a Aharon (o maior) e depois a seus filhos. E a prova de que na maldição começa-se pelo menor vem da ordem em que D'us amaldiçoa, após o pecado do jardim do Éden: primeiro a serpente (o menor em hierarquia), depois Chavá, e só por fim Adão (o maior) — o que contraria a ideia de associar "adiante" (isto é, primeiro no castigo) ao homem, que era o maior dos três.
Mas sim (ela) é o castigo (puranut) do dilúvio (demabul), pois (dichtiv) está escrito: "e apagou (vayimach) todo (et kol) ser existente (hayekum) que (asher) estava sobre (al) a face (penei) da terra (haadamah), desde o homem (meadam) até (vead) o animal (behemah)" (Gênesis 7:23), primeiro (bereisha) o homem (adam) e depois (vahadar) o animal (behemah).
A Guemará resolve a dificuldade reidentificando o castigo mencionado por Rabi Ami: não o castigo do jardim do Éden, mas o castigo do dilúvio, cujo versículo (Gênesis 7:23) menciona explicitamente o homem antes do animal — confirmando que, nesse "adiante" (isto é, primeiro no castigo), o homem de fato precede outras criaturas, sustentando assim a leitura original de Rabi Ami.
Está bem (bishlama) para quem (lemaan) diz (deamar) face (partzuf), assim (haynu) está escrito (dichtiv) "vaYYitzer" com dois (bishnei) iodin (yodin). Mas (ela) para quem (lemaan) diz (deamar) cauda (zanav), o que (mai) significa "vaYYitzer"?
A Guemará retorna à fonte original — o duplo iod de "vaYYitzer" — e observa que ela se encaixa naturalmente na posição "partzuf" (duas faces, portanto duas formações indicadas pelas duas letras), mas exige explicação para a posição "zanav", que não tem relação óbvia com uma dupla formação.
Como (kidrabi) Rabi Shimon ben Pazi, que (deamar) disse Rabi Shimon ben Pazi: "ai (oi) de mim (li) por meu Criador (mi'yotzri), ai (oi) de mim (li) por meu yetzer (mi'yitzri)".
A resposta é a mesma dada anteriormente para a objeção de Rav Nachman bar Yitzchak sobre o animal: mesmo para quem sustenta a posição "cauda", o duplo iod de "vaYYitzer" é explicado, não por uma dupla formação física, mas pelo jogo de palavras entre "yotzri" (meu Criador) e "yitzri" (meu impulso), que expressa a tensão permanente do homem entre segui-lo e resistir-lhe.
Está bem (bishlama) para quem (lemaan) diz (deamar) face (partzuf), assim (haynu) está escrito (dichtiv): "macho (zachar) e fêmea (unekevah) os criou (beram)" (Gênesis 5:2). Mas (ela) para quem (lemaan) diz (deamar) cauda (zanav), o que (mai) significa "macho e fêmea os criou"? Como (kidrabi) Rabi Avahu, que (deRabi Avahu) contrapôs (ramei): está escrito (ketiv): "macho e fêmea os criou", e está escrito (uchetiv): "pois (ki) à imagem (betzelem) de D'us (Elohim) fez (asah) o homem (et haadam)" (Gênesis 9:6 — no singular)! Como (ha) se explica (keitzad)? No início (batechilah) subiu (alah) no pensamento (bemachshavah) Divino criar (livrot) dois (shenayim), e por fim (ulevasof) não (lo) foi criado (nivra) senão (ela) um (echad).
Um novo par de versículos aparentemente contraditórios: Gênesis 5:2 fala de "macho e fêmea" no plural ("os criou"), enquanto Gênesis 9:6 fala do homem no singular ("fez o homem"). Rabi Avahu resolve a contradição distinguindo entre a intenção original Divina (criar dois seres separados, macho e fêmea) e a execução final (um único ser, com as duas naturezas unidas) — o que sustenta a posição "cauda" tanto quanto a posição "partzuf", ainda que por caminhos diferentes.
Está bem (bishlama) para quem (lemaan) diz (deamar) face (partzuf), assim (haynu) está escrito (dichtiv): "e fechou (vayisgor) a carne (basar) em seu lugar (tachtenah)" (Gênesis 2:21). Mas (ela) para quem (lemaan) diz (deamar) cauda (zanav), o que (mai) significa "e fechou a carne em seu lugar"? Disse (amar) Rabi Yirmeya, e alguns dizem (veiteima) Rav Zevid, e alguns dizem (veiteima) Rav Nachman bar Yitzchak: não (lo) foi necessário (nitzrechah) senão (ela) para o lugar (limkom) do corte (chatach).
Outro versículo, Gênesis 2:21, fala explicitamente de "fechar a carne em seu lugar" — o que se encaixa perfeitamente na posição "partzuf" (o lado separado precisava ser fechado com carne). Para a posição "cauda", a expressão é reinterpretada como referindo-se apenas ao ponto do corte da cauda, sem implicar uma separação de face inteira.
Está bem (bishlama) para quem (lemaan) diz (deamar) cauda (zanav), assim (haynu) está escrito (dichtiv): "e construiu (vaYYiven)" (Gênesis 2:22 — verbo que sugere edificação de algo pequeno, como uma cauda, em algo estruturado). Mas (ela) para quem (lemaan) diz (deamar) face (partzuf), o que (mai) significa "vaYYiven"?
"Assim está escrito 'vaYYiven'" — pois (she) era necessário (hayah tzarich) edificação (binyan) — um apêndice caudal exige verdadeira construção para tornar-se um corpo completo. "O que significa 'vaYYiven'" — mas (vehalo) já (kevar) tinha sido construído (nivneh) — pois, para quem sustenta que já havia uma face completa desde o início, o verbo "construiu" parece supérfluo.
Agora a dinâmica se inverte: o verbo "vaYYiven" ("e construiu"), que sugere uma edificação substancial, encaixa-se naturalmente na posição "cauda" — pois transformar um mero apêndice em um corpo completo exige verdadeira "construção" — enquanto, para a posição "partzuf", em que já havia uma face inteira desde o início, o uso do mesmo verbo exige explicação, que será dada na próxima passagem.
Segundo (lechidrabi) o ensinamento de Rabi Shimon ben Menasya. Que (dedaresh) expôs Rabi Shimon ben Menasya: o que (mai) significa o que está escrito (dichtiv): "e construiu (vaYYiven) o Eterno (Hashem) a têla (et hatzela)"? Ensina (melamed) que (she) a trançou (kilah) o Santo, bendito seja (haKadosh Baruch Hu), a Chavá, e a trouxe (veheviah) ao primeiro homem (leadam harishon) — pois (shekein) nas cidades (bechrachei) do mar (hayam) chamam (korin) à trançadeira (lekalaita) de "banaita (banaita)".
Rabi Shimon ben Menasya oferece uma leitura distinta do mesmo verbo "vaYYiven", ligando-o a uma raiz que, em regiões costeiras (nas "cidades do mar"), significava "trançar" — donde se ensina que D'us "trançou" Chavá, como se penteasse e arranjasse seus cabelos e sua forma, antes de trazê-la ao primeiro homem, num gesto de cuidado e adorno nupcial.
Outra (davar) explicação (acher): "vaYYiven" — disse (amar) Rav Chisda, e alguns dizem (veamri lah) que numa baraita (bematnita) se ensinou (tana): ensina (melamed) que (she) construiu (benaah) o Santo, bendito seja (haKadosh Baruch Hu), a Chavá como (kevinyan) a construção de um celeiro (otzar); assim como (mah) este (zeh) celeiro (otzar) é estreito (katzar) em cima (milemaalah) e largo (verachav) embaixo (milematah), para (kedei) receber (lekabel) a colheita (et hapeirot), também (af) a mulher (ishah) é estreita (ketzarah) em cima (milemaalah) e larga (urechavah) embaixo (milematah), para (kedei) receber (lekabel) o feto (et havalad).
"Para receber a colheita" — pois (she) se (im) o celeiro fosse (yihyeh) estreito (katzar) embaixo (milematah) e largo (verachav) em cima (milemaalah), a colheita (hatevuah) empurraria (dochefet) as paredes (et hakotalim) de cima (milemaalah) para cá (lechan) e para lá (ulechan), pois (she) o peso (hamasa) pesaria (machbid) sobre elas (aleihem).
Uma segunda explicação para "vaYYiven", agora anatômica e fisiológica: a estrutura corporal da mulher — estreita em cima e mais larga embaixo — é comparada à arquitetura de um celeiro de grãos, projetado com a mesma proporção invertida para suportar, sem que o peso deforme as paredes, o conteúdo que se acumula progressivamente em seu interior, tal como o corpo da mulher é formado para abrigar e sustentar o feto em desenvolvimento.
"E a trouxe (vayevieha) ao homem (el haadam)" (Gênesis 2:22), disse (amar) Rabi Yirmeya ben Elazar: ensina (melamed) que (she) se fez (naaseh) o Santo, bendito seja (haKadosh Baruch Hu), padrinho de núpcias (shoshvin) do primeiro homem (leadam harishon). Daqui (mikan) aprendeu (limedah) a Torá (Torah) a regra de conduta social (derech eretz): que (she) o maior (gadol) ande (yachazor) com (im) o menor (katan) no papel de padrinho (beshoshvinut), e não (veal) lhe pareça penoso (yera lo).
A frase seguinte do mesmo versículo — "e a trouxe ao homem" — é lida como indicando que o próprio D'us assumiu o papel de "shoshvin" (padrinho de núpcias, ou paraninfo) do primeiro homem, apresentando-lhe Chavá. Deste gesto Divino a Guemará deriva uma norma de conduta social (derech eretz): que uma pessoa de maior estatura ou dignidade não se furte a servir de padrinho de núpcias a alguém de menor estatura, seguindo o exemplo do próprio Criador, que não considerou tal papel abaixo de Sua dignidade.
E para quem (ulemaan) diz (deamar) "face (partzuf)", qual (hei) das duas (minaiyhu) caminhava (sagi) à frente (bereisha)? Disse (amar) Rav Nachman bar Yitzchak: é razoável (mistabra) que (de) o homem (gavra) caminhasse (sagi) à frente (bereisha). Pois (detanya) ensinou-se numa baraita: não (lo) caminhe (yehalech) o homem (adam) atrás (achorei) de uma mulher (ishah) no caminho (baderech), e mesmo (vaafilu) sua esposa (ishto). Se se lhe apresentou (nizdamnah lo) a passar sobre (al) a ponte (hagesher) — deve fazê-la passar para o lado (yesalkenah litzdadin) e ir à frente. E todo (vechol) aquele que passa (haoveir) atrás (achorei) de uma mulher (ishah) no rio (banahar) — não tem (ein lo) porção (chelek) no mundo (leolam) vindouro (haba).
"E para quem diz 'face'" — e desde o início (umitechilato) o ser duplo era (hayah) de um lado (mitzad echad) macho (zachar) e de outro lado (unekevah mitzad acher) fêmea. "Qual das duas caminhava à frente" — qual (eizehu) face (partzuf) caminhava (hayah mehalech) na frente (lefanim). "Mesmo que ela seja sua esposa" — é coisa (hadavar) vergonhosa (genai). "Se se lhe apresentou sobre a ponte" — refere-se a esposa (eshet) de outro homem (ish), e ela (vehi) está à sua frente (lefanav). "Deve fazê-la passar para o lado" — até (ad) que ele (sheyaavor) passe à frente dela (lefaneha). "Atrás de uma mulher no rio" — atrás (achorei) da esposa (eshet) de um homem (ish) que ergue (magbahat) suas vestes (bigadeha) por causa (mipnei) da água (hamayim), e este (vezeh) a observa (mistakel bah).
A Guemará retorna à posição "partzuf" para levantar uma nova questão prática: se o primeiro ser tinha duas faces unidas, uma masculina e outra feminina, qual delas ficava voltada para a frente ao caminhar? Rav Nachman bar Yitzchak responde que era razoável que a face masculina estivesse à frente, com base numa baraita sobre modéstia: não se deve caminhar atrás de uma mulher, nem mesmo a própria esposa — por ser algo vergonhoso —, e ao atravessar um rio, onde a mulher precisa erguer as vestes por causa da água, quem caminha atrás dela e a observa perde sua porção no mundo vindouro.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): aquele que passa (hamartzeh) dinheiro (maot) a uma mulher (leishah) de sua mão (miyado) à mão dela (leyadah) para (kedei) poder observá-la (lehistakel bah), ainda que (afilu) tenha (yesh) em sua mão (beyado) Torá (Torah) e boas (tovim) ações (maasim) como (keMoshe) Moshé Rabeinu (Rabeinu) — não escapará (lo yinakeh) do julgamento (midinah) da Guehinom (Geihinom). Pois (shenneemar) está dito: "mão (yad) a mão (leyad), não escapará (lo yinakeh) o mau (ra)" (Provérbios 11:21) — não escapará (lo yinakeh) do julgamento (midinah) da Guehinom (Geihinom).
"Mão a mão, não escapará o mau" — mesmo (afilu) alguém como (kemoshe) Moshé Rabeinu (Rabeinu), que (shekibel) recebeu (kibel) a Torá (Torah) da mão direita (miyemino) do Santo, bendito seja (shel haKadosh Baruch Hu), não escapará (lo yinakeh) do mau (ra); e o versículo (vekra) trata (mishtaei) de mulher (beishah).
Uma baraita sobre modéstia no contato físico: entregar dinheiro diretamente de mão em mão a uma mulher, com a intenção deliberada de contemplá-la, é considerado tão grave que nem mesmo o maior mérito de Torá e boas ações — comparável ao próprio Moshé Rabeinu — livra o transgressor do julgamento da Guehinom, com base numa leitura homilética do versículo de Provérbios sobre "mão a mão".
Disse (amar) Rav Nachman: Manoach era um am haaretz (am haaretz) — um homem simples, sem instrução, pois (dichtiv) está escrito: "e foi (vayeilech) Manoach atrás (acharei) de sua esposa (ishto)" (Juízes 13:11).
"Am haaretz" — isto é, não (lo) serviu (shimesh) discípulos dos sábios (talmidei chachamim), que (she) não (lo) aprendeu (lamad) esta (zo) Mishná (mishnah) que (she) ensinamos (shaninu): não (lo) caminhe (yehalech) o homem (adam) atrás (achorei) de uma mulher (ishah), e mesmo (vaafilu) que ela seja (hi) sua esposa (ishto).
Rav Nachman aplica a norma de modéstia recém-ensinada a um personagem bíblico: Manoach, pai de Shimshon, é qualificado como "am haaretz" — um homem sem instrução rabínica — precisamente porque o versículo de Juízes o descreve caminhando atrás de sua esposa, contrariando a regra que acaba de ser ensinada.
Objetou (matkif lah) Rav Nachman bar Yitzchak: mas (ela) então (meatah), quanto a (gabei) Elkanah, pois (dichtiv) está escrito: "e foi (vayeilech) Elkanah atrás (acharei) de sua esposa (ishto)" (I Samuel 1:23), e quanto a (gabei) Elisha, pois (dichtiv) está escrito: "e se levantou (vayakam) e foi (vayeilech) atrás dela (achareha)" (II Reis 4:30, referindo-se à mulher shunamita), será também (hachi namei) atrás dela (achareha) mesmo (mamash)? Mas sim (ela), atrás (acharei) de suas palavras (devareha) e atrás (veacharei) de seu conselho (atzatah); também aqui (hacha namei), atrás (acharei) de suas palavras (devareha) e atrás (veacharei) de seu conselho (atzatah).
Rav Nachman bar Yitzchak contesta a leitura literal proposta por Rav Nachman: os mesmos termos "foi atrás de sua esposa/dela" aparecem também em relação a Elkanah e a Elisha, figuras claramente virtuosas, o que tornaria implausível interpretá-los como transgressão da norma de modéstia. A resolução reinterpreta a expressão em todos os casos — inclusive quanto a Manoach — como significando não um seguimento físico literal, mas um seguir os conselhos e as palavras da esposa, isto é, aceitar sua orientação.
Disse (amar) Rav Ashi: e segundo (ulemai) o que (deka) disse (amar) Rav Nachman, que Manoach era um am haaretz (am haaretz) (hayah) — nem mesmo (afilu) na escola rabínica (bei rav) também (namei) ele teria lido (lo kera) o versículo corretamente, pois (shenneemar) está dito: "e se levantou (vatakam) Rivkah e suas donzelas (venaaroteha), e montaram (vatirkavnah) sobre (al) os camelos (hagemalim), e foram (vateilachnah) atrás (acharei) do homem (haish)" (Gênesis 24:61) — e não (velo) à frente (lifnei) do homem (haish).
"E segundo o que disse Rav Nachman" — que (shehalach) Manoach foi (halach) atrás dela (achareha) mesmo (mamash); se (im) assim (ken), nem mesmo (afilu) na escola rabínica (bei rav) com (im) as crianças (tinokot) da casa (beit) do mestre (rabban) também (namei) ele teria lido (lo kera) corretamente.
Rav Ashi lança um argumento mais forte ainda contra a posição inicial de Rav Nachman: mesmo que se admita que "atrás dela" significa literalmente seguir fisicamente, o próprio versículo sobre Rivkah demonstra que o costume correto e virtuoso é a mulher ir atrás do homem, e não o inverso — de modo que, se Manoach de fato caminhava atrás de sua esposa no sentido literal, ele demonstraria ignorância tão básica que nem mesmo uma criança recém-alfabetizada cometeria.
Disse (amar) Rabi Yochanan: é preferível caminhar atrás (achorei) de um leão (ari), e não (velo) atrás (achorei) de uma mulher (ishah); atrás (achorei) de uma mulher (ishah), e não (velo) atrás (achorei) de idolatria (avodah zarah); atrás (achorei) de idolatria (avodah zarah), e não (velo) atrás (achorei) de uma sinagoga (beit hakeneset) na hora (besha'ah) em que (she) a congregação (hatzibur) reza (mitpalelin).
"Na hora em que a congregação reza" — pois (dekeivan), já que (she) ele não (eino) entra (nichnas), parece (nireh) como quem lança fora (kefolek) o jugo (ol) e despreza (umevazeh) a sinagoga (beit hakeneset).
Rabi Yochanan estabelece uma escala crescente de gravidade quanto ao ato de caminhar "atrás" de algo: passar atrás de um leão é preferível a passar atrás de uma mulher (que oferece perigo moral); passar atrás de uma mulher é preferível a passar atrás de um templo de idolatria (perigo espiritual maior); e passar atrás de um templo de idolatria é preferível a passar atrás de uma sinagoga sem nela entrar, na hora da reza pública — pois isso, explica Rashi, dá a aparência de quem rejeita o jugo dos preceitos e despreza a casa de oração.
E não (vela) dissemos (amaran) isso senão (ela) quando (de) não (la) carrega (darei) nada (midei); mas se (vei) carrega (darei) algo (midei) — não há problema (leit lan bah). E não (vela) dissemos (amaran) isso senão (ela) quando (de) não há (leika) outra (acharina) porta (pitcha); mas se (vei) há (ika) outra (acharina) porta (pitcha) — não há problema (leit lan bah). E não (vela) dissemos (amaran) isso senão (ela) quando (de) não (la) vai montado (rechiv) num burro (chamara); mas (aval) se vai montado (rechiv) num burro (chamara) — não há problema (leit lan bah). E não (vela) dissemos (amaran) isso senão (ela) quando (de) não (la) usa (manach) tefilin (tefilin); mas (aval) se usa (manach) tefilin (tefilin) — não há problema (leit lan bah).
"E se carrega algo" — não há aqui (ein kan) vergonha (genai), pois (de) a coisa (milta) demonstra (muchacha) que (dehai) ele não (de la) entrou (nichnas) por causa (mipnei) da carga (hamasoi). "E se há outra porta" — não há aqui (ein kan) desprezo (bizui), pois (de) quem (man) o vir (dechazi) pensará (savar) que ele entrará por (bepitcha) outra (acharina) porta (lieol).
A Guemará limita a última regra de Rabi Yochanan — sobre passar atrás de uma sinagoga sem entrar durante a reza — a quatro exceções, todas as quais afastam a aparência de desrespeito: se a pessoa carrega algo (evidenciando que não entrou por estar ocupada), se há outra entrada disponível (dando a impressão de que entrará por ali), se vai montada num animal, ou se está usando tefilin (sinal visível de devoção) — em todos esses casos, não há a impressão de desprezo pela casa de oração.
Disse (amar) Rav: o yetzer hara (yetzer hara) se assemelha (domeh) a uma mosca (lizvuv) e se assenta (veyoshev) entre (bein) as duas (shenei) entradas (miftechei) do coração (halev), pois (shenneemar) está dito: "moscas (zevuvei) mortas (mavet) fazem feder (yavish), fazem borbulhar (yabia) o óleo (shemen) do perfumista (rokeach)" (Eclesiastes 10:1). E Shmuel disse (amar): como uma espécie (kemin) de grão de trigo (chitah) ele (hu) se assemelha (domeh), pois (shenneemar) está dito: "à porta (lapetach) o pecado (chatat) jaz (rovetz)" (Gênesis 4:7).
"Yabia" — expressão (leshon) de bolhas (avaabuot); toda (kol) bebida (mashkeh) que apodrece (masriach) faz subir (maaleh) fervura (retichah) e bolhas (vaavaabuot). "Chatat" — expressão (leshon) de "chitah" (chitah) (grão de trigo) ele a interpreta (darish leih).
Um debate imagético sobre a natureza do yetzer hara: para Rav, ele se assemelha a uma mosca pousada entre as duas câmaras do coração, associando-se ao versículo de Eclesiastes sobre moscas mortas que fazem apodrecer e borbulhar o óleo do perfumista — uma pequena corrupção capaz de estragar algo grande e valioso. Para Shmuel, assemelha-se antes a um grão de trigo, numa leitura homilética que relaciona a palavra "chatat" (pecado) à palavra "chitah" (trigo), com base no versículo em que D'us adverte Caim de que "o pecado jaz à porta".
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): duas (shtei) rins (kelayot) há (yesh) no homem (bo beadam), uma (achat) que o aconselha (yoatzto) para o bem (letovah) e uma (veachat) que o aconselha (yoatzto) para o mal (lerraah). E é razoável (umistabra) que (de) a boa (tovah) esteja à sua direita (limino) e a má (veraah) à sua esquerda (lismolo), pois (dichtiv) está escrito: "o coração (lev) do sábio (chacham) está à sua direita (limino), e o coração (velev) do tolo (kesil) à sua esquerda (lismolo)" (Eclesiastes 10:2).
Abre-se aqui, ao final do daf, a descrição fisiológica dos órgãos internos que se completará em 61b: os dois rins são descritos como conselheiros contrapostos, um inclinado ao bem e outro ao mal, dispostos, respectivamente, à direita e à esquerda do corpo — associação sustentada pelo versículo de Eclesiastes que localiza o coração do sábio à direita e o do tolo à esquerda.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): os rins (kelayot) aconselham (yoatzot), o coração (lev) entende (mevin), a língua (lashon) modela (mechatech) a fala, a boca (peh) conclui (gomer) a articulação das palavras, o esôfago (veshet) introduz (machnis) e expele (umotzi) toda (kol) espécie (minei) de alimento (maachal), a traqueia (kaneh) produz (motzi) a voz (kol), e a descrição continua em 61b.
"Os rins aconselham" — isto é, aconselham ao coração (et halev) a fazer (aseh ken) tal ou tal coisa. "E o coração entende" — o que (mah) lhe cabe (yesh lo) fazer (laasot), se (im) ouvirá (yishma) ao conselho (leetzat) dos rins (hakelayot) ou não (im lav); e de onde (uminayin) se sabe que os rins aconselham (shehakelayot yoatzot)? Pois está dito (shenneemar): "abençoarei (avarech) o Eterno (Hashem) que (asher) me aconselhou (yeatzani), também (af) as noites (leilot) me instruíram (yisruni) meus rins (kelayotai)" (Salmos 16:7). E de onde (uminayin) se sabe que o coração entende (shehalev mevin)? Pois está dito (shenneemar): "e seu coração (ulevavo) entenderá (yavin)" (Isaías 6:10). "Modela" — a fala (hadibur) para tirá-la (lehotzi) de sua boca (mipiv). "E a boca" — são (hem) os lábios (hasfatayim) que a concluem (gomer) e a expelem (umotzio).
A baraita descreve, um a um, os órgãos que participam do processo de deliberação, formação e articulação da fala: os rins que aconselham (com base em Salmos 16:7, "meus rins me instruíram durante a noite"), o coração que decide se seguirá ou não esse conselho (com base em Isaías 6:10), a língua que dá forma à fala e a boca (os lábios) que a conclui e expele. A lista prossegue com o esôfago, que introduz e expele todo tipo de alimento, e a traqueia, que produz a voz — descrição fisiológica que continuará, órgão por órgão, no início do próximo daf, 61b, detalhando o pulmão, o fígado, a bile, o baço, a moela e o estômago.