O daf abre com Rabi Akiva relatando que entrou atrás de Rabi Yehoshua no banheiro e aprendeu dele três leis de conduta — não se retirar voltado para leste-oeste, mas para norte-sul; não fazer força sentado em pé, mas sentado; e não se limpar com a mão direita, mas com a esquerda — episódio replicado quase palavra por palavra por Ben Azzai observando o próprio Rabi Akiva, e por Rav Kahana escondido sob a cama de Rav, todos justificando a ousadia com "é Torá, e eu preciso aprender". Segue-se a discussão sobre por que não se limpa com a direita — por ser a mão que recebeu a Torá, que está próxima da boca, que ata os tefilin, ou que aponta as cantilações —, e o ensinamento de Rabi Tanchum bar Chanilai de que quem é pudico no banheiro se salva de cobras, escorpiões e demônios. A Guemará narra o banheiro perigoso de Tiberíades, os hábitos protetores de Rabi Ami e Rabi Assi, de Abaye (que sua mãe criou para ele um cordeiro companheiro) e de Rava (cuja esposa, filha de Rav Chisda, batia numa noz numa bacia, e depois lhe fizeram uma janela). Discutem-se então as regras de distância ao se retirar atrás de uma cerca ou no campo aberto, com a baraita sobre os guardiões de pureza que se retiram logo atrás da porta do lagar, e a explicação de Rav Ashi. Um elogio fúnebre a um pudico é contestado por Rav Nachman, que exige prova concreta de pudor no próprio banheiro. Discute-se ainda o costume de madrugar e anoitecer para evitar ter de se afastar demais, os hábitos de Rava e Rabi Zeira, e o daf fecha com o ensinamento de Ben Azzai sobre apalpar antes de sentar — e não sentar antes de apalpar — e a fórmula que se recita, em aramaico, contra feitiçarias, caso se tenha esquecido dessa precaução.
Ensinou-se (tanya), disse (amar) Rabi Akiva: certa vez (paam achat) entrei (nichnasti) atrás (achar) de Rabi Yehoshua no banheiro (leveit hakisse), e aprendi (velamadeti) dele (mimenu) três (sheloshah) coisas (devarim): aprendi (lamadeti) que (she) não se retiram (ein nifnin) para leste (mizrach) e oeste (umaarav), mas sim (ela) para norte (tzafon) e sul (vedarom); e aprendi (velamadeti) que (she) não se fazem força (ein nifrain) de pé (meumad), mas sim (ela) sentado (meyushav); e aprendi (velamadeti) que (she) não se limpam (ein mekanchin) com a mão direita (beyamin), mas sim (ela) com a esquerda (bismol). Disse-lhe (amar lo) Ben Azzai: até (ad) aqui (kan) ousaste (heezta) encarar (paneicha) teu mestre (berabecha)? Disse-lhe (amar lo): é Torá (torah hi), e para aprender (velilmod) eu (ani) preciso (tzarich).
"Atrás de Rabi Yehoshua, etc." — e isso era (vehavah) na Judeia (bihudah). "Até aqui" — isto é (kelomar), em tudo (kol) isso (zeh) ousaste (heezta) encarar (paneicha) diante (bifnei) de teu mestre (rabecha), que (she) observaste (nistakalta) bem de perto tudo (bechol) isso (elu).
Encerrado, ao final de 61b, o tema da orientação corporal na Judeia e na Galileia, a Guemará abre o Perek Tet com um novo episódio protagonizado por Rabi Akiva: ele conta ter seguido Rabi Yehoshua ao banheiro para observar, em pessoa, três leis práticas de conduta — a orientação corporal (norte-sul, não leste-oeste), a postura ao evacuar (sentado, não em pé) e a mão usada para se limpar (a esquerda, não a direita). A reação escandalizada de Ben Azzai, e a resposta lapidar de Rabi Akiva — "é Torá, e eu preciso aprender" —, estabelecem o tom do daf: a busca do conhecimento prático da Torá justifica até a observação mais íntima do mestre.
Ensinou-se (tanya), Ben Azzai diz (omer): certa vez (paam achat) entrei (nichnasti) atrás (achar) de Rabi Akiva no banheiro (leveit hakisse), e aprendi (velamadeti) dele (mimenu) três (sheloshah) coisas (devarim): aprendi (lamadeti) que (she) não se retiram (ein nifnin) para leste (mizrach) e oeste (umaarav), mas sim (ela) para norte (tzafon) e sul (vedarom); e aprendi (velamadeti) que (she) não se fazem força (ein nifrain) de pé (meumad), mas sim (ela) sentado (meyushav); e aprendi (velamadeti) que (she) não se limpam (ein mekanchin) com a mão direita (beyamin), mas sim (ela) com a esquerda (bismol). Disse-lhe (amar lo) Rabi Yehuda: até (ad) aqui (kan) ousaste (heezta) encarar (paneicha) teu mestre (berabecha)? Disse-lhe (amar lo): é Torá (torah hi), e para aprender (velilmod) eu (ani) preciso (tzarich).
O episódio se repete quase palavra por palavra, agora com Ben Azzai no papel de discípulo observador e Rabi Akiva no papel de mestre observado — o mesmo Rabi Akiva que, no relato anterior, fora ele próprio o discípulo. A repetição reforça que essas três leis eram, de fato, praticadas e transmitidas geração após geração por observação direta, não apenas por preceito verbal.
Rav Kahana entrou (al), deitou-se (genah) sob (tuteih) a cama (puryeih) de Rav. Ouviu-o (shameih) conversar (desach) e rir (vesachak) e fazer (veasah) suas necessidades (tzerachav) (isto é, ter relações com sua esposa). Disse-lhe (amar leih): parece (damei) a boca (pumeih) de Abba (Rav) como se (kidla) não tivesse provado (sarif) um prato (tavshila) (isto é, como quem nunca comeu, tamanha a avidez). Disse-lhe (amar leih): Kahana, aqui (hacha) estás tu (at)? Sai (puk), que (delav) não é este o costume (orach) da terra (ara) (conduta digna)! Disse-lhe (amar leih): é Torá (torah hi), e para aprender (velilmod) eu (ani) preciso (tzarich).
"Conversar e rir" — com (im) sua esposa (ishto), conversa (sichah) fútil (betelah) de agrado (shel ritzui) que precede a relação conjugal (tashmish). "E fez suas necessidades" — e teve relações (veshimesh) com sua cama (mitato). "Como se não tivesse provado um prato" — como (ke) pessoa (adam) faminta (raev), como se (kemo) nunca (meolam) tivesses tido relações (shimashta) com tua cama (mitatecha), censurando-o por (she) tratares (atah noheg) com leviandade (kalut rosh) algo tão sério, cedendo assim a este teu desejo (zeh letaavatecha). "Sarif" — termo em francês antigo, equivalente a "humer" (homir) em francês (belaaz).
O terceiro episódio da série leva o gênero a um extremo ainda maior: Rav Kahana se esconde sob a própria cama de seu mestre Rav para observar, literalmente, sua intimidade conjugal — e comenta em voz alta sobre a avidez de Rav. Repreendido por conduta indigna, Rav Kahana invoca a mesma justificativa das duas cenas anteriores: "é Torá, e eu preciso aprender", ampliando a lição também às leis de comportamento conjugal, e não apenas às leis do banheiro.
Por que (mipnei mah) não se limpam (ein mekanchin) com a mão direita (beyamin), mas sim (ela) com a esquerda (bismol)? Disse (amar) Rava: porque (mipnei she) a Torá (hatorah) foi dada (nitnah) com a direita (beyamin), pois (shenneemar) está dito: "de sua direita (miymino), um fogo (esh) de lei (dat) para eles (lamo)" (Deuteronômio 33:2). Rabá bar bar Chana disse (amar): porque (mipnei she) ela (hi) está próxima (kerovah) da boca (lapeh). E Rabi Shimon ben Lakish disse (amar): porque (mipnei she) com ela (bah) se atam (kosher) os tefilin (tefilin). Rav Nachman bar Yitzchak disse (amar): porque (mipnei she) com ela (bah) se apontam (mareh) as cantilações (taamei) da Torá (torah).
"Porque ela está próxima da boca" — costuma-se (regilin) levá-la (lehoshitah) à boca (lapeh) (a mão direita, para comer). "Porque com ela se atam os tefilin" — no braço (bizroa) esquerdo (semolo) (os tefilin se atam com a mão direita no braço esquerdo). "Cantilações da Torá" — as melodias (neginot) das cantilações (taamei) de leitura (mikra) da Torá (torah), Profetas (neviim) e Escritos (ketuvim), seja (bein) pela pontuação (banikud) que há no livro (shebasefer), seja (bein) pela elevação (behagbahat) da voz (kol) e pelo som (uvetzilтzul) das melodias (neimot) do canto (haneginah) de pashta, darga e shofar mehapach, o leitor conduz (molich) sua mão (yado) conforme (lefi) a cantilação (taam) do canto (haneginah) — vi (raiti) isso nos leitores (bakorim) vindos (habaim) da Terra de Israel.
A Guemará explica a razão da terceira lei aprendida por observação: por que se limpa com a mão esquerda, reservando a direita? Quatro amoraítas propõem quatro razões distintas, todas ligadas à dignidade da mão direita por sua associação com a Torá — por ter recebido a Torá no Sinai, por estar próxima da boca (usada para comer e para as bênçãos), por atar os tefilin (no braço esquerdo, mas com a ação da mão direita), ou por apontar a cantilação da leitura da Torá, um costume litúrgico que Rashi relata ter observado pessoalmente em leitores vindos da Terra de Israel.
Como (ketanaei) numa disputa de tannaim (esta questão já foi debatida): Rabi Eliezer diz (omer): porque (mipnei she) com ela (bah) se come (ochel). Rabi Yehoshua diz (omer): porque (mipnei she) com ela (bah) se escreve (kotev). Rabi Akiva diz (omer): porque (mipnei she) com ela (bah) se apontam (mareh) as cantilações (taamei) da Torá (torah).
A Guemará mostra que a disputa dos amoraítas sobre a razão de reservar a mão direita não é nova, mas paralela a uma antiga controvérsia entre tannaim: Rabi Eliezer aponta o comer, Rabi Yehoshua aponta a escrita, e Rabi Akiva — coerente com Rav Nachman bar Yitzchak, citado antes — aponta o apontar das cantilações da Torá durante a leitura pública.
Disse (amar) Rabi Tanchum bar Chanilai: todo (kol) aquele que é pudico (hatzanua) no banheiro (beveit hakisse) se salva (nitzol) de três (mishloshah) coisas (devarim) — das cobras (min hanechashim), e dos escorpiões (umin haakrabim), e dos demônios (umin hamazikin). E há (veyesh) os que dizem (omerim) que também (af) seus sonhos (chalomotav) ficam tranquilos (meyushavim) sobre ele (alav).
"Das cobras, e dos escorpiões, e dos demônios" — pois (de) por sua pudicícia (mitoch tznioto) ele se conduz (mitnaheg) com calma (benachat) e em silêncio (uveshtikah), e as cobras (hanechashim) não percebem (einan margishin) sua presença para se enfurecerem (lehitkanot) contra ele (bo), e também (veaf) os demônios (hamazikin) o poupam (chasin alav). "Seus sonhos ficam tranquilos sobre ele" — pois (she) os demônios (hamazikin) não o assustam (mavhilin oto) durante o sono.
Encerrado o tema da mão usada para se limpar, a Guemará passa a um novo tema, ligado à mesma esfera: a virtude do pudor no banheiro. Rabi Tanchum bar Chanilai ensina que essa discrição — conduzir-se com calma e silêncio, sem alarde — protege de perigos concretos (cobras, escorpiões) e espirituais (demônios), e, segundo alguns, garante também sonhos tranquilos, pois os demônios, que rondam esses lugares, não percebem nem perturbam quem se comporta discretamente.
Aquele (hahu) banheiro (beit hakisse) que (dahavah) havia em Tiberíades (bitveryah), quando (ki) entravam (havu ayeili) nele (beih) dois (bei terei) de uma vez — mesmo (afilu) de dia (bimama) eram prejudicados (mitazki). Rabi Ami e Rabi Assi entravam (havu ayeili) nele (beih) um (chad) e outro um (vechad) sozinho (lechodeih) (cada um por vez) — e não (vela) eram prejudicados (mitazki). Disseram-lhes (amri lehu) os sábios (rabanan): não (la) temeis (mistefeitu)? Disseram-lhes (amri lehu): nós (anan) aprendemos (gemirinan) uma tradição (kabalah): a tradição (kabalah) do banheiro (deveit hakisse) — pudor (tzeniuta) e silêncio (ushetikuta). A tradição (kabalah) dos sofrimentos (deyisurei) — silêncio (shetikuta) e pedir (umivei) misericórdia (rachamei).
"Tradição" — uma tradição (masoret) e costume (uminhag) que (she) recebemos (kibalnu) de nossos mestres (merabotenu) sobre o banheiro (beveit hakisse). "A tradição dos sofrimentos é silêncio" — para que (shelo) não a pessoa se rebele (yivat) contra os sofrimentos (bayisurin) que vêm (habaim) sobre ela (alav).
A Guemará ilustra concretamente o perigo mencionado por Rabi Tanchum bar Chanilai com o caso de um banheiro perigoso em Tiberíades, onde a presença simultânea de duas pessoas atraía dano mesmo de dia — mas Rabi Ami e Rabi Assi, entrando um de cada vez, escapavam ilesos. Diante da pergunta admirada dos demais sábios, eles revelam uma tradição dupla: no banheiro, a proteção vem do pudor e do silêncio; diante dos sofrimentos em geral, a atitude correta é o silêncio (aceitação, sem rebeldia) somado à súplica por misericórdia.
Abaye — criava-lhe (merabya leih) sua mãe (imeih) um cordeiro (imra) para entrar (lemeial) com ele (bahadeih) no banheiro (leveit hakisse). Mas para ele (ulerabei leih) deveria ter sido criado (gadya) um bode (pergunta a Guemará: por que um cordeiro, e não um bode)! Resposta: bode-demônio (sair) com bode-animal (besair) se confundem (michalaf) (um bode verdadeiro poderia ser confundido com o demônio do banheiro, que tem aparência de bode, e afugentado ou atacado por engano).
"Criava-lhe sua mãe um cordeiro" — cria (megadelet) para ele (lo) uma ovelha (seh) e a ensina (umelamedeto) a segui-lo, de modo que (sheholech) vai com ele (imo) sempre (tamid). "Saïr" (bode) — o demônio (shed) do banheiro (shel beit hakisse) se assemelha (domeh) a um bode (lesair), e sobre eles (vaaleihem) está dito (neemar): "e bodes (usirim) saltarão (yerakedu) ali (sham)" (Isaías 13:21).
Continuando os exemplos de precaução no banheiro, a Guemará conta que a mãe de Abaye lhe criava um cordeiro de estimação para acompanhá-lo ali, provavelmente como companhia protetora. A pergunta retórica — por que um cordeiro, e não um bode, animal talvez mais associado à proteção — recebe uma resposta que revela a lógica demonológica: o próprio demônio do banheiro tem aparência de bode (com base em Isaías 13:21), de modo que um bode real correria o risco de ser confundido com ele.
Rava, antes (mikamei) que (dahavah) fosse chefe (reisha) da academia, batia-lhe (mekarkesha leih) a filha (bat) de Rav Chisda uma noz (amguza) numa bacia (belakana) de cobre, para sinalizar sua presença sem falar. Depois (batar) que (dimlach) se tornou chefe (rei/líder), fizeram-lhe (avada leih) uma janela (kavevata), e ela punha (umanecha leih) a mão (yeda) sobre sua cabeça (areisheih) (através da janela, para lhe indicar sua presença sem que ele precisasse se afastar).
"Uma noz numa bacia" — punha (notenet) uma noz (egoz) numa bacia (besefel) de cobre (shel nechoshet) e a fazia soar (umekarkeshet bo) de dentro (mibayit), enquanto ele (vehu) se retirava (nifneh) em frente a ela (kenegdah) do lado de fora (mibachutz). "Depois que se tornou chefe" — e se tornou (venaasah) chefe da academia (rosh yeshivah), precisa (tzarich) de proteção (shimur) maior (tafei), por causa dos (mipnei) demônios (hamazikim), que (shemitkanin) os demônios (hashedim) se enfurecem contra os sábios da Torá (betalmidei chachamim) mais (yoter) do que (mishear) as demais pessoas (benei adam). "Kavevata" (janela) — uma janela (chalon) em frente (keneged) ao lugar (makom) onde (shehu) ele se retirava (nifneh sham), atrás (achorei) da casa (habayit).
Um terceiro exemplo de precaução, agora envolvendo Rava e sua esposa, filha de Rav Chisda: antes de se tornar chefe da academia, ela sinalizava sua presença protetora batendo uma noz numa bacia de cobre; depois de sua ascensão, quando — segundo Rashi — os sábios se tornam alvo ainda maior da fúria dos demônios, o método foi aprimorado com uma janela específica, por onde ela colocava a mão sobre sua cabeça como sinal de proteção contínua, sem que ele precisasse se afastar do local costumeiro.
Disse (amar) Ula: atrás (achorei) de uma cerca (hagader) — retira-se (nifneh) de imediato (miyad). E num campo aberto (uvabikah), todo (kol) o tempo (zeman) em que (she) o espirro (mitatesh) de quem se retirou antes não é ouvido (veein shomea) pelo companheiro (chavero) (deve continuar se afastando). Issi bar Natan ensinava (matnei) assim (hachi): atrás (achorei) de uma cerca (hagader), todo (kol) o tempo (zeman) em que (she) o espirro (mitatesh) não é ouvido (veein shomea) pelo companheiro (chavero); e no campo aberto (uvabikah) — todo (kol) o tempo (zeman) em que (she) o companheiro (chavero) não o vê (ein roehu).
"Atrás de uma cerca, retira-se de imediato" — e não (veein) precisa (tzarich) se afastar (lehitrachek) nada (kelum). "E num campo aberto" — precisa (tzarich) se afastar (lehitrachek) o suficiente para que (kedei shelo) o companheiro (chavero) não ouça (yishma) os ruídos (itushim) de baixo (shel matah), mas (aval) não precisa (ein tzarich) se afastar (lehitrachek) ao ponto (ad kedei) de que (shelo) não o veja (yireenu). "Rav Ashi disse, etc." — não lemos (lo garsinan) esta frase aqui até (ad) mais adiante (lekaman), onde (de) ele estabelece (mukei) a explicação referente a Issi bar Natan desse modo (behachi).
Encerrados os episódios narrativos de precaução, a Guemará retoma a discussão prática sobre a distância adequada ao se retirar na presença de um companheiro. Duas versões — a de Ula e a de Issi bar Natan — divergem sobre se o critério (não ser ouvido / não ser visto) se aplica atrás de uma cerca ou num campo aberto, invertendo a associação entre o critério mais rigoroso (visão) e o mais leve (audição) conforme o tipo de lugar.
Contestaram (meitivi): saem (yotzin) pela porta (mipetach) do lagar de azeite (beit habad), e se retiram (venifnin) atrás (laachorei) da cerca (hagader), e permanecem (vehen) puros (tehorin)!
"Saem pela porta do lagar de azeite" — os guardiões (mishamerei) de alimentos em estado ritual de pureza (taharot) do azeite (shel shemen) do lagar (beit habad), se precisaram (im hutzrechu) se retirar (lefanot), saem (yotzin) pela porta (mipetach) do lagar de azeite (beit habad) e se retiram (venifnin) atrás (laachorei) da cerca (hagader) que fica em frente (shelifnei) da porta (hapetach), e não (veein) se preocupam (chosheshin) que, nesse ínterim (betoch kach), entre (yikanes) um am haaretz (pessoa não confiável quanto às leis de pureza) e toque (veyiga) no azeite; assim se conclui (alma) que se retiram (nifnin) atrás (laachorei) da cerca (hagader) de imediato (miyad).
A Guemará traz uma objeção contra a posição de Ula (segundo a qual, atrás de uma cerca, basta retirar-se de imediato, sem afastamento adicional): uma baraita sobre guardiões de alimentos puros no lagar de azeite parece supor exatamente isso — saem pela porta e se retiram logo atrás da cerca, sem se afastar mais, e mesmo assim permanecem em condição de continuar vigiando a pureza do azeite.
Em relação às leis de pureza (bitaharot) foram leniente (hekelu) (esta baraita não prova a regra geral, pois, para não interromper a vigilância do azeite puro, os sábios abrandaram excepcionalmente a exigência de distância).
"Em relação às leis de pureza, foram leniente" — por causa da (bishvil) vigilância (shemirat) das leis de pureza (taharot) foram leniente (hekelu) quanto ao banheiro (beveit hakisse) (quanto à distância exigida).
A Guemará resolve a objeção: a baraita sobre o lagar de azeite não reflete a regra geral de distância, mas uma leniência excepcional concedida especificamente por causa da necessidade prática de manter vigilância contínua sobre alimentos puros, que não poderia ser interrompida por um afastamento maior.
Venha (ta) e ouça (shema): quanto (kamah) devem se afastar (yarchiku) e permanecerem (veyihyu) puros (tehorin) — o suficiente para que (kedei sheyehei) o companheiro o veja (roehu)! Diferente (shaanei) são os que comem (ochelei) alimentos em estado de pureza (taharot), para quem (dabehu) os sábios (rabanan) foram leniente (akilu).
"Quanto devem se afastar" — os guardiões (shomerei) das leis de pureza (taharot). "O suficiente para que ele o veja" — e já que (vekeivan) não pode (eino yachol) se afastar (lehitrachek) mais (yoter), por força (al korcho) das circunstâncias, se precisar (im hutzrach) se retirar (lefanot), retira-se (yifaneh) ali mesmo — o que é uma contestação (teyuvta) contra Issi bar Natan, que (dabaei) exigia (shelo) que o companheiro não o visse (yireenu). "Para quem os sábios foram leniente" — por causa da (bishvil) vigilância (shemiratan) deles foram leniente (hekelu) quanto ao banheiro (beveit hakisse).
A Guemará traz uma segunda fonte, agora explícita sobre a medida de distância exigida para os guardiões de pureza — "o suficiente para que o companheiro o veja" — que contradiz diretamente a posição de Issi bar Natan (que exigia justamente não ser visto). A resposta repete o mesmo recurso: trata-se de uma leniência excepcional concedida por causa da necessidade de vigilância contínua da pureza, não da regra geral aplicável a todos.
Disse (amar) Rav Ashi: o que significa (mai) "todo (kol) o tempo (zeman) em que (she) o companheiro (chavero) não o vê (ein roeh)", que (dekaamar) dizia Issi bar Natan? Todo (kol) o tempo (zeman) em que (she) o companheiro (chavero) não vê (ein roeh) a sua nudez (et peruo), mas (aval) ele mesmo (ledideih) pode vê-lo (chazei leih) (basta que a nudez não seja vista; o próprio corpo pode ser avistado).
"Mas ele mesmo pode vê-lo" — mas (aval) ele mesmo (hu atzmo) pode (yachol) ver (lirot) o companheiro (et chavero), e não (velo) precisa se afastar (yarchik) mais que isso.
Rav Ashi harmoniza a posição de Issi bar Natan com a baraita recém-citada: o critério de "não ser visto" não se refere à visão do corpo em geral, mas especificamente à nudez exposta durante o ato — sendo essa a única coisa que precisa ficar oculta do companheiro, ainda que ele próprio possa continuar vendo o companheiro a distância menor.
Certo (hahu) elogiador fúnebre (safdana) que (dinchet) discursava diante de (kameih) Rav Nachman, disse (amar): "este (hai) era (havah) pudico (tzanua) em seus caminhos (beorchotav)". Disse-lhe (amar leih) Rav Nachman: tu (at) entraste (ayalet) com ele (bahadeih) no banheiro (leveit hakisse) e soubeste (veyadaat) se (i) era pudico (tzanua) ou (i) não (la)? Pois (deTanya) ensinou-se: só se chama (ein korin) "pudico" (tzanua) senão (ela) a quem (lemi she) é pudico (tzanua) no banheiro (beveit hakisse).
A Guemará traz um episódio que ilustra, na prática, a exigência rigorosa da definição de "pudico": quando um elogiador fúnebre descreve genericamente o falecido como "pudico em seus caminhos", Rav Nachman o repreende, exigindo prova concreta — pois, segundo a baraita, só merece esse título quem demonstrou pudor especificamente no banheiro, o teste mais exigente e menos observável de discrição pessoal.
E Rav Nachman, que diferença (mai) fazia (nafeka leih) isso a ele (mineih)? Porque (mishum de) se ensinou (Tanya): assim como (keshem she) se cobra (nifrain) dos mortos (min hametim), assim (kach) também (nifrain) se cobra dos elogiadores fúnebres (min hasafdanin), e dos que respondem (umin haonin) depois deles (achareihem) (confirmando o exagero em voz alta).
A Guemará explica por que Rav Nachman se importava tanto em corrigir o elogio exagerado: segundo uma baraita, a responsabilidade por afirmações falsas num elogio fúnebre recai não apenas sobre o morto elogiado (se o elogio for imerecido), mas também sobre quem o profere e sobre quem o confirma publicamente — daí o cuidado de exigir precisão, mesmo em uma virtude aparentemente elogiável.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): quem (eizehu) é o pudico (tzanua)? Este (zeh) que se retira (hanifneh) de noite (balailah) no mesmo lugar (bamakom) em que (she) se retirou (nifnah) de dia (bayom) (não se afasta mais à noite, quando poderia se esconder sem ser visto).
"No mesmo lugar em que se retirou de dia" — afasta-se (mitrachek) das pessoas (mibenei adam) de noite (balailah) tanto quanto (keveyom) de dia (bayom) (sem relaxar o padrão de pudor).
Uma baraita define concretamente o pudico: aquele que mantém, à noite, o mesmo padrão de afastamento que observa de dia, quando poderia ser visto — não relaxando o pudor apenas porque a escuridão ofereceria disfarce mais fácil.
Assim é (ini)? Mas não disse (vehaamar) Rav Yehuda em nome de (amar) Rav: sempre (leolam) deve acostumar (yanhig) a pessoa (adam) a si mesma (et atzmo) a se retirar de manhã (shacharit) e à noite (vearvit), para que (kedei shelo) não precise (yehei tzarich) se afastar (lehitrachek)? E além disso (vetu), Rava de dia (bimama) caminhava (havah azel) até (ad) um mil (mil), e à noite (uveleilya) dizia (amar leih) a seu servo (leshamaeih): "libere-me (pano li) um lugar (duchta) na praça (birchova) da cidade (demata)". E assim (vechen) disse (amar leih) Rabi Zeira a seu servo (leshamaeih): vê (chazi) quem (man) há (deika) atrás (achorei) da casa (beit) de estudo (chevraya), pois (devaina) preciso (baina) me retirar (lemifnei)! Não digas (la teima) "no mesmo lugar (bamakom)", mas sim (ela) diz (eima): "do mesmo modo (kederech) de afastamento em que (she) se retira (nifnah) de dia (bayom)".
"Deve acostumar a pessoa a si mesma" — a se retirar (lefanot). "De manhã" — antes (kodem) de clarear o dia (hayom). "E à noite" — desde que (mishe) escurece (chashecha). "Para que não precise se afastar" — assim se conclui (alma) que não se afastam (ein mitrachakin) de noite (balailah) (pois a escuridão é suficiente ocultação, contradizendo a baraita anterior). "Libere-me um lugar" — afaste das pessoas (mibenei adam). "Do mesmo modo em que se retira de dia" — quanto à medida de (leinyan) nudez (perua) de um palmo (tefach) e dois palmos (utefachayim), como dissemos (kedeamrinan) nos primeiros capítulos (befirkei kama'ei) (cf. Berachot 23b), e sentado (umeyushav), como dissemos (kedeamrinan) acima (leil).
A Guemará levanta uma contradição: se o pudico deve se retirar de noite no "mesmo lugar" que de dia (não se afastando menos), como se concilia isso com o costume recomendado por Rav de se retirar de madrugada e ao anoitecer justamente para não precisar se afastar tanto — prática seguida também por Rava e Rabi Zeira, que buscavam lugares reservados especificamente à noite? A resolução reinterpreta a baraita: "no mesmo lugar" não significa a mesma localização física exata, mas o mesmo padrão de distância e discrição (quanto à exposição da nudez e à postura sentada), permitindo escolher, à noite, um lugar diferente, desde que igualmente resguardado.
Disse (amar) Rav Ashi: mesmo que (afilu) digas (teima) "no mesmo lugar (bamakom)" literalmente, a baraita não (lo) era necessária (nitzrechah) senão (ela) quanto ao canto (lekeren zavit) (um canto próximo, usado de dia; à noite, permanece obrigatório retirar-se ali, e não em local mais exposto).
"Quanto ao canto" — se (im) há (yesh) um canto (keren zavit) próximo (samuch), precisa (tzarich) se recolher (lehistalek) ali (sham) de noite (balailah) tanto quanto (keveyom) de dia (bayom), e não (velo) se retire (yifaneh) a céu aberto (begalui) (mesmo que a escuridão pareça oferecer disfarce suficiente).
Rav Ashi propõe uma segunda resolução, sem reinterpretar "no mesmo lugar": a baraita, ao exigir o mesmo lugar de dia e de noite, referia-se apenas ao caso específico de haver um canto reservado próximo — nesse caso, deve-se continuar usando o canto também à noite, e não relaxar aproveitando a escuridão para se expor a céu aberto.
A coisa (gufa) em si (retomando integralmente o ensinamento citado antes): disse (amar) Rav Yehuda em nome de (amar) Rav: sempre (leolam) deve acostumar (yanhig) a pessoa (adam) a si mesma (et atzmo) de manhã (shacharit) e à noite (vearvit), para que (kedei shelo) não precise (yehei tzarich) se afastar (lehitrachek).
Seguindo o padrão editorial talmúdico de "gufa" (a coisa em si), a Guemará retoma, agora como ponto de partida para uma nova discussão, o ensinamento de Rav Yehuda em nome de Rav já citado de passagem na seção anterior: o costume de se retirar regularmente de manhã e à noite evita a necessidade de se afastar em excesso ao longo do dia.
Ensinou-se (tanya) também (nami) assim (hachi), diz (omer) Ben Azzai: madruga (hashkem) e sai (vatzei), anoitece (haarev) e sai (vatzei), para que (kedei shelo) não te afastes (titrachek). Apalpa (mashmesh) e senta (vashev), e não (veal) sentes (teshev) e depois apalpes (utemashmesh), pois (shekol) todo aquele que senta (hayoshev) e só depois apalpa (umemashmesh) — mesmo que (afilu) façam (osin) feitiços (keshafim) na Espanha (beaspamya), vêm (bain) sobre ele (alav).
"Apalpa" — com um caco (betzeror) ou uma lasca (bekisam) para abrir (liftoach) os orifícios (nekavim), como dissemos (kedeamrinan) no tratado (bemasechet) Shabat (82a). Outra explicação (lashon acher): apalpa (mashmesh) o assento (hamoshav), para que (shelo) não fique sujo (yehei melochlach) (verifica se o local está limpo antes de sentar); e a primeira explicação (halashon harishon) é a mais adequada (hagun), pois (dei) se assim fosse a segunda, para que (lamah li) precisaria mencionar o perigo por causa dos feitiços (mishum keshafim)? Que se conclua (teifok li) o motivo apenas da sujeira, já que (keivan) já se sentou (sheyashav), suas roupas (begadav) já estariam sujas (melochlachim), e de que adiantaria (mah yoil) apalpar depois (mishmusho)?
Ben Azzai reforça, em nome próprio, o costume de madrugar e anoitecer para não precisar se afastar em excesso — confirmando o ensinamento de Rav Yehuda em nome de Rav —, e acrescenta uma segunda instrução prática: apalpar o local (removendo obstruções ou verificando limpeza) antes de sentar, nunca depois. Segundo Rashi, a explicação preferida é que o apalpar serve para desobstruir os orifícios do corpo antes do ato, de modo que fazê-lo apenas depois de sentado expõe a pessoa a um risco espiritual sério — o de ser alvo de feitiçaria, mesmo praticada à distância, na longínqua Espanha.
E se (vei) esqueceu (inshi) e já sentou (veyativ) e depois (veachar kach) apalpou (mashmesh), qual (mai) é o seu remédio (takanteih)? Enquanto (ki) está de pé (kaei), diga (leima) assim (hachi): "não (la) a mim (li), não (la) a mim (li); não (la) tachim nem (vela) tachtim (nomes de feitiços); não (la) estes (hanei) nem (vela) aqueles (mehanei); não (la) feitiços (charshei) de feiticeiro (decharasha) nem (vela) feitiços (charshei) de feiticeira (decharashta)".
"Não a mim, não a mim" — não (lo) podereis (tuchlu) prevalecer contra mim (li). "Não tachim nem tachtim" — estes (hem) são nomes (shemot) de feitiços (hakeshafim) feitos (haasuyim) por meio de (al yedei) necessidades (tachtoniyot) (feitiços associados a essa função corporal). "Não estes nem aqueles" — nem (lo) todos (kulan) nem (velo) parte deles (miktzatan). "Não feitiços de feiticeiro nem feitiços de feiticeira" — e não (velo) feitiçarias (michshafot) de feiticeiro (michashef) homem (zachar), nem (velo) feitiçarias (michshafot) de feiticeira (michashefah) mulher (nekevah). Outra explicação (lashon acher): "não estes nem aqueles" — não (lo) terão êxito (yitzlach) nem (velo) surtirão efeito (yoil) mais (od) as feitiçarias (michshafot).
O daf se encerra com o remédio prático para quem se esqueceu de apalpar antes de sentar: uma fórmula em aramaico, recitada de pé, que repele nominalmente diversas categorias de feitiçaria — genérica, específica por nome, praticada por homem ou por mulher — encerrando, com esta proteção verbal, toda a sequência de ensinamentos sobre pudor, precaução e proteção espiritual associados ao banheiro que ocupou este daf inteiro.