O daf abre concluindo o relato de Chananiá, sobrinho de Rabi Yehoshua: os discípulos enviados transmitem o ultimato final dos sábios da Terra de Israel — que se conforme, ou o povo suba a um monte, erija um altar e proclame publicamente não ter parte no D'us de Israel —, o que provoca o choro imediato de todo o povo, e a Guemará explica por que tamanho rigor era necessário ("pois de Sião sairá a Torá"), e por que os discípulos podiam reverter as decisões de Chananiá de impuro para puro, apesar da regra geral que o proíbe. Segue-se a longa e célebre baraita sobre o "vinhedo" de Yavne — a academia onde os sábios se sentavam em fileiras —, na qual Rabi Yehuda, Rabi Yitzchak, Rabi Avahu, Rabi Nechemia, Rabi Yossei e Rabi Eliezer ben Rabi Yossei HaGelili expõem, em honra à Torá e aos anfitriões, uma série de homilias: a tenda de reunião de Moshé fora do acampamento como argumento a fortiori para os sábios que viajam para estudar Torá; o diálogo entre D'us e Moshé sobre mostrar rosto alegre na halachá e devolver a tenda a seu lugar; "este dia vos tornastes povo" como ensinamento de que a Torá é querida a cada dia como no Sinai, e a gravidade de perder a recitação do Shemá numa só noite; a leitura de "hasket" como "formai grupos" para estudar Torá em companhia, e como "cala-te e depois discute"; as parábolas do leite que se torna manteiga, da ira do mestre que ensina a distinguir sangue puro de impuro, e do humilhar-se nas palavras de Torá que leva à exaltação; e, por fim, as homilias sobre Yitro, os egípcios e a arca de D'us na casa de Oved Edom, todas concluindo, a fortiori, a grandeza da recompensa de quem hospeda um sábio em sua casa.
E ademais dizei (imru) a nossos irmãos (leacheinu) que estão (sheba) na diáspora (bagolah): se (im) ouvirem (shomin) e Chananiá se conformar — bem (mutav); e se (veim) não (lav), subam (yaalu) a um monte (lehar), Achiá construirá (yivneh) um altar (mizbeach), Chananiá tocará (yenagen) a lira (bechinor), e todos (vecholam) negarão (vikapru) a D'us, e dirão (veyomeru): não têm (ein lahem) parte (chelek) no D'us (beelokei) de Israel (yisrael) (ultimato final: se Chananiá não ceder, os sábios de Israel proclamarão publicamente que a comunidade da diáspora, ao seguir um calendário ilegítimo, se separou do povo).
"E dizei a nossos irmãos que estão na diáspora" — para que (shelo) não lhe deem ouvidos (yishmeu lo). "Subam a um monte" — a um (leechad) dos montes (heharim), para se conduzirem (lehitnaheg) segundo os costumes (bechukot) das nações (haamim), construindo (livnot) altares pagãos (bamot). "Achiá construirá um altar" — era homem (adam) grande (gadol) e chefe (rosh) dos filhos (livnei) da diáspora (hagolah). "Chananiá" — é (hu) Chananiá, irmão (achi) de Rabi Yehoshua. "Tocará a lira" — diante da (lifnei) plataforma (habamah), porque (lefi) Chananiá era levita (levi), conforme (kedatnan) ensinamos (datnan) no tratado Arachin (11b): houve um caso (maaseh) em que Rav Yehoshua ben Chananiá foi (shehalach) ajudar (lesayea) Rav Yochanan ben Gudgada a fechar (bahagafat) as portas (delatot); disse-lhe (amar lo): retrocede (chazor becha), pois (she) tu és (atah) dos cantores (min hameshorerim) e eu (vaani) sou dos porteiros (min hashoarim) (cada levita servia apenas em sua função própria).
Chegamos ao desfecho do relato aberto em 63a: os dois discípulos revelam o teor completo da mensagem que os sábios da Terra de Israel os incumbiram de transmitir — não apenas a excomunhão pessoal de Chananiá, mas um ultimato dirigido a toda a comunidade da diáspora, ameaçando com uma ruptura religiosa pública e irreversível caso persistissem em seguir seu calendário ilegítimo.
Imediatamente (miyad) irrompeu (gau) todo (kol) o povo (haam) em choro (bivchiyah), e disse (veamru): D'us nos livre (chas veshalom), temos (yesh lanu) parte (chelek) no D'us (beelokei) de Israel (yisrael) (o próprio povo, ao ouvir o ultimato, repudiou de imediato a possibilidade de secessão).
A mensagem surtiu o efeito desejado: o próprio povo da diáspora, ao ouvir a ameaça de ruptura, reagiu com choro imediato e reafirmou sua fidelidade ao D'us de Israel, revertendo assim a conduta de Chananiá sem necessidade de chegar ao extremo anunciado.
E por que (velamah) tudo isso (kol kach) este rigor extremo? Porque (mishum) foi dito (sheneemar): "pois (ki) de Sião (mitziyon) sairá (tetzei) a Torá (torah), e a palavra (udvar) do Eterno (Hashem) de Jerusalém (miyerushalayim)" (Isaías 2:3 — a autoridade sobre a Torá e o calendário pertence exclusivamente à Terra de Israel).
A Guemará justifica a severidade extraordinária empregada contra Chananiá: a fonte bíblica de Isaías estabelece que a autoridade última sobre a Torá — e, por extensão, sobre a fixação do calendário — deve emanar de Sião e Jerusalém, e não de qualquer outro lugar, ainda que habitado por grandes sábios.
Concedido (bishlama) que se entenda ele (hu) declarar puro (metaher), e eles (vehem) declararem impuro (metamin) — por rigor (lechumra) (revertendo para a posição mais estrita, o que é sempre permitido); mas (ela) ele (hu) declarar impuro (metamei) e eles (vehem) declararem puro (metaharin), como (heichi) se dá (havei) isso, sendo mais leniente? E não (veha) se ensinou (tanya): um sábio (chacham) que (she) declarou impuro (timei) — seu colega (chaveiro) não tem (ein) permissão (rashai) para declarar puro (letaher); proibiu (asar) — seu colega (chaveiro) não tem (ein) permissão (rashai) para permitir (lehatir)! Eles entenderam (kasavri) que era necessário agir assim para que (ki heichi) não (dela) se deixassem arrastar (nigreru) atrás dele (batreih) (medida excepcional, para não legitimar sua autoridade).
A Guemará examina uma dificuldade técnica no próprio relato: reverter uma proibição para permissão contraria a regra geral de que um colega não pode anular a decisão de outro sábio; a resposta é que, dada a gravidade da situação — a usurpação de autoridade por Chananiá —, os discípulos entenderam que era necessário contradizê-lo sistematicamente, mesmo em sentido leniente, precisamente para que o povo não se deixasse arrastar por sua influência.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): quando (keshe) nossos mestres (rabotenu) entraram (nichnesu) no vinhedo (lakerem) (a academia), em Yavne (beyavneh), estavam (hayu) ali (sham) Rabi Yehuda, Rabi Yossei, Rabi Nechemia e Rabi Eliezer, filho (beno) de Rabi Yossei, o Galileu. Todos (kulam) começaram (patchu) em honra (bichvod) ao anfitrião (achsanya), e expuseram (vedarshu).
"Ao vinhedo" — em referência a (al shem) que (shehayu) se sentavam (yoshvim) em fileiras (shurot shurot), como (ke) este (zeh) vinhedo (kerem) plantado (hanatua) em fileiras (shurot shurot). "Em honra ao anfitrião" — referindo-se aos que recebem (machnisei) hóspedes (orchim) em suas casas (babatim).
A Guemará encerra o relato de Chananiá e abre a longa baraita final do daf, transmitindo uma reunião de sábios na academia de Yavne — chamada "vinhedo" por sua disposição em fileiras — onde cada um, por gratidão, abriu seu discurso homenageando os anfitriões locais que os hospedavam.
Abriu (patach) Rabi Yehuda, o principal (rosh) dos oradores (hamedabrim) em todo (bechol) lugar (makom), em honra (bichvod) à Torá (torah), e expôs (vedarash): "e Moshé tomava (yikach) a tenda (et haohel) e a estendia (venatah) para si fora (michutz) do acampamento (lamachaneh)" (Êxodo 33:7). E não é (vahalo) este um argumento (devarim) a fortiori (kal vachomer)? Se (mah) a arca (aron) do Eterno (Hashem), que (shelo) não estava distante (hayah meruchak) senão (ela) doze mil (sheneim assar mil) côvados, a Torá (hatorah) disse (amrah) "e era (vehayah) que todo (kol) o que buscasse (mevakesh) o Eterno (Hashem) saía (yetzei) à Tenda (el ohel) do Encontro (moed)" (mesmo versículo) — os sábios (talmidei chachamim) que vão (sheholchim) de cidade (meir) em cidade (laIr) e de país (umimedinah) em país (limedinah) para aprender (lilmod) Torá (torah), quanto mais (al achat kamah vechamah) merecem ser chamados buscadores do Eterno!
"O principal dos oradores" — no tratado Shabat se explica isso (mefaresh lah), no capítulo Bameh Madlikin (33b). "Doze mil" — três (shalosh) parasangas (parsaot): o acampamento (machaneh) de Israel (yisrael), de Beit HaYeshimot até Avel HaShitim, media três (telata) parasangas (parsei). "A Torá disse etc." — isto é (kelomar): chamou-o (kerao) o versículo (hakatuv) "buscador (mevakesh) do Eterno (Hashem)".
Rabi Yehuda, o principal orador da época, abre a série de homilias com o versículo sobre a tenda de reunião que Moshé montou fora do acampamento, construindo um argumento a fortiori: se quem ia até a arca — a apenas doze mil côvados de distância — já era chamado "buscador do Eterno", tanto mais os sábios que percorrem cidades e países inteiros para estudar Torá merecem esse título.
"E falava (vedibbeir) o Eterno (Hashem) a Moshé face (panim) a face (el panim)" (Êxodo 33:11), disse (amar) Rabi Yitzchak: disse-lhe (amar lo) o Santo, bendito seja (hakadosh baruch hu), a Moshé: Moshé, eu (ani) e tu (veatah) mostraremos rosto alegre (nasbir panim) na halachá (bahalachah) (a quem vier estudá-la). Há (ika) quem diga (deamri) que assim (kach) lhe disse (amar lo) o Santo, bendito seja (hakadosh baruch hu), a Moshé: assim como (keshem she) eu (ani) te (lecha) mostrei (hisbarti) rosto alegre (panim), assim (kach) tu (atah) mostra (hasber) rosto alegre (panim) a Israel (leyisrael), e devolve (vehachazer) a tenda (haohel) a seu lugar (limkomo) (no meio do acampamento).
"Assim como eu te mostrei rosto alegre, também tu mostra rosto alegre" — e é isto (vehainu) que (de) está escrito (dichtiv): "face a face (panim befanim)".
Rabi Yitzchak interpreta a expressão "face a face" como uma exortação de D'us a Moshé — e, por extensão, a todo mestre — para receber com semblante alegre quem vem estudar a halachá, e a devolver a tenda de reunião ao meio do acampamento, tornando o ensino da Torá novamente acessível a todo o povo.
"E voltava (veshav) ao acampamento (el hamachaneh)" etc. (continuação do mesmo versículo), disse (amar) Rabi Avahu: disse-lhe (amar lo) o Santo, bendito seja (hakadosh baruch hu), a Moshé: agora (achshav) dirão (yomeru): o mestre (harav) com raiva (bekhaas) e o discípulo (vetalmid) com raiva (bekhaas), Israel (yisrael) — o que (mah) será (tehei) deles (aleihem)? Se (im) tu devolves (machazir) a tenda (haohel) a seu lugar (limkomo) — bem (mutav); e se (veim) não (lav) — Yehoshua bin Nun, teu discípulo (talmidecha), servirá (mesharet) em teu lugar (tachteicha).
"O mestre com raiva" — contra eles (aleihem), por causa do (mishum) episódio (maaseh) do bezerro (haegel) (D'us, com o bezerro de ouro). "E o discípulo com raiva" — e também (vegam) tu (atah) lhes mostras (mareh lahem) raiva (kaas), ao teres afastado (sherichakta) tua tenda (ahalcha) do acampamento (mimachaneh) (Moshé, com Israel). "Se tu devolves a tenda a seu lugar" — assim se lê (garsinan).
Rabi Avahu explica que D'us alertou Moshé sobre o perigo de o mestre (D'us) e o discípulo (Moshé) demonstrarem raiva simultaneamente contra o mesmo povo, deixando Israel sem apoio; por isso, D'us exige que Moshé devolva a tenda ao acampamento, sob pena de ser substituído por Yehoshua bin Nun.
E é isto (vehainu) que (de) está escrito (dichtiv): "e voltava (veshav) ao acampamento (el hamachaneh)" (Moshé de fato obedeceu e devolveu a tenda). Disse (amar) Rava: apesar disso (af al pi chen), não (lo) saiu (yatza) a coisa (hadavar) em vão (levatalah) (o que fora dito sobre Yehoshua), pois foi dito (sheneemar): "e seu servo (umesharto), Yehoshua bin Nun, jovem (naar), não se apartava (lo yamish) do meio (mitoch) da tenda (haohel)" (mesmo versículo — Yehoshua permaneceu como servo dedicado, cumprindo-se assim a promessa, ainda que não pela via da substituição imediata).
"E é isto que está escrito: e voltava ao acampamento" — devolve (hashev) a tenda (haohel) ao acampamento (lamachaneh), e se (veim) não (lav), teu servo (mesharetcha) Yehoshua bin Nun, jovem (naar), não se apartará (lo yamish) de dentro dela (mitochah), e ele (sheyeshamesh) servirá em teu lugar (tachteicha). E apesar de que (veaf al pi) ele a devolveu (sheheshivo), depois que (leachar she) o Santo, bendito seja (hakadosh baruch hu), se aplacou (shenitratzah) para com Israel (leyisrael) e o Tabernáculo (vehukam hamishkan) foi erguido (hukam), não (lo) saiu (yatza) a coisa (davar) em vão (levatalah). Não lemos (lo garsinan) "e seu servo (umesharto), Yehoshua etc." (como cláusula à parte, mas ligada ao que precede).
Rava observa que, ainda que Moshé tenha obedecido e devolvido a tenda ao acampamento uma vez apaziguada a ira Divina, a promessa a respeito de Yehoshua não ficou sem cumprimento: ele permaneceu, de fato, como o servo fiel que nunca se apartava da tenda, prenunciando seu papel futuro como sucessor de Moshé.
E ainda (veod) abriu (patach) Rabi Yehuda em honra (bichvod) à Torá (torah), e expôs (vedarash): "cala-te (hasket) e ouve (ushma), Israel (yisrael); neste (hazeh) dia (hayom) vos tornastes (nihyeita) povo (leam)" (Deuteronômio 27:9). E acaso (vechi) naquele (oto) dia (hayom) foi dada (nitnah) a Torá (torah) a Israel (leyisrael)? E não (vahalo) era aquele (oto) dia (yom) o fim (sof) de quarenta (arbaim) anos (shanah) de peregrinação, e não o dia da entrega no Sinai! Mas (ela) o versículo vem para te ensinar (lelamedcha) que (she) a Torá (torah) é querida (chavivah) a seus estudantes (al lomdeha) a cada (bechol) dia (yom vayom) como (kayom) no dia (sheyom) em que foi dada (nitnah) do Monte (mehar) Sinai (sinai).
Rabi Yehuda traz uma segunda homilia, extraída das palavras finais de Moshé antes de sua morte, no fim dos quarenta anos: embora o versículo pareça descrever a entrega da Torá no Sinai, ele foi dito décadas depois, ensinando que a Torá deve ser recebida com o mesmo entusiasmo a cada dia, como se fosse recém-entregue.
Disse (amar) Rabi Tanchum, filho (breih) de Rabi Chiyá, homem (ish) de Kfar Ako: sabe disso (teda) — pois eis que (sheharei) a pessoa (adam) lê (korei) a leitura (kriat) do Shemá (shema) pela manhã (shacharit) e à noite (vearvit), e uma noite (veerev echad) não (eino) lê (korei) — parece (domeh) como quem (kemi) nunca (shelo) leu (kara) a leitura (kriat) do Shemá (shema) jamais (meolam) (cada leitura vale por si mesma, sem que a de ontem compense a de hoje).
Rabi Tanchum confirma o princípio anterior com um exemplo prático: assim como a Torá deve ser querida a cada dia como no Sinai, a leitura do Shemá também não se acumula — quem deixa de recitá-la uma única noite é considerado como se nunca a tivesse recitado em toda a vida, pois cada momento exige seu próprio cumprimento pleno.
"Cala-te (hasket)" — lido como "formai (asu) grupos (kitot kitot) e ocupai-vos (visku) da Torá (batorah)". Porque (lefi) a Torá (hatorah) não (ein) se adquire (nikneit) senão (ela) em companhia (bachavurah). Conforme (kid) Rabi Yossei, filho de Rabi Chanina, pois disse (deamar) Rabi Yossei, filho de Rabi Chanina: o que está escrito (mai dichtiv): "espada (cherev) sobre os solitários (el habadim), e se tornarão tolos (venoalu)" (Jeremias 50:36)? Espada (cherev) sobre os inimigos (al sonehem) dos sábios (talmidei chachamim) que se sentam (sheyoshvim) a sós (bad bevad) e se ocupam (veoskim) da Torá (batorah) (eufemismo: refere-se aos próprios sábios solitários, não a seus inimigos). E não (velo) só isso (od), mas (ela) se tornam tolos (shemitapshim), está escrito (ketiv) aqui (hacha) "e se tornarão tolos (venoalu)", e está escrito (uchtiv) ali (hatam) "porque (asher) agimos tolamente (noalnu)" (Números 12:11, dito por Aharon). E não (velo) só isso (od), mas (ela) pecam (shechotim), pois foi dito (sheneemar) "e porque (vaasher) pecamos (chatanu)" (mesmo versículo).
"Cala-te" — "formai (asu) grupos (kitot kitot)". Interpreta (darish) "has (has)" como (kemo) "fazei (asu)".
A Guemará oferece uma leitura homilética da palavra incomum "hasket", decompondo-a em "as" (fazer) e "kat" (grupo): a Torá deve ser estudada em companhia, e não isoladamente; Rabi Yossei, filho de Rabi Chanina, reforça isso com um versículo de Jeremias que, lido como referência velada aos próprios sábios solitários, atribui-lhes três consequências crescentes: tolice, e depois pecado.
Se quiseres (ibaeit), diz (eima): a mesma prova é extraída daqui (mehacha): "tornaram-se tolos (noalu) os príncipes (sarei) de Tzoan (tzoan)" (Isaías 19:13 — fonte alternativa e mais direta para o sentido de "noalu" como tolice, sem depender do contexto de Números).
A Guemará propõe uma fonte alternativa, mais simples, para o significado de "noalu" como "tolice", extraída diretamente de Isaías, sem necessidade da conexão indireta com o episódio de Miriam em Números.
Outra (davar) explicação (acher): "cala-te (hasket) e ouve (ushma), Israel (yisrael)" — quebrai-vos (katetu) a vós mesmos (atzmechem) sobre (al) as palavras (divrei) de Torá (torah). Conforme (kid) disse (amar) Reish Lakish, pois disse (deamar) Reish Lakish: de onde (minayin) que (she) as palavras (divrei) de Torá (torah) não (ein) se mantêm (mitkaimin) senão (ela) em quem (bemi) mata (memit) a si mesmo (atzmo) por elas (aleha) — pois foi dito (sheneemar): "esta (zot) é a Torá (hatorah): quando um homem (adam ki) morrer (yamut) numa tenda (beohel)" (Números 19:14 — dedicação total ao estudo, "morrendo" na tenda da Torá).
"Quebrai-vos a vós mesmos" — e interpretam (darshei) também (nami) "has (has)" como (kemo) "fazer (aseh)": fazei-vos (asu atzmechem) quebrados (ketutim), para vos afligirdes (lehitztaer) pelas palavras (al divrei) de Torá (torah). "Esta é a Torá" — onde (heichan) se encontra (metzuyah) a Torá no homem (beadam)? Que (she) morra (yamut) nas tendas (beoholei) da Torá (torah).
Uma segunda leitura homilética de "hasket" enfatiza o esforço extremo e o sofrimento necessário para reter os ensinamentos de Torá, apoiada em Reish Lakish, que ensina — a partir da lei da purificação na tenda de um morto — que a Torá só permanece em quem se dedica a ela com total abnegação, como quem "morre" na tenda de estudo.
Outra (davar) explicação (acher): "cala-te (hasket) e ouve (ushma), Israel (yisrael)" — cala-te (has), e depois (veachar kach) quebra (katet) (analisa e questiona). Conforme (kid) Rava, pois disse (deamar) Rava: sempre (leolam) estude (yilmod) a pessoa (adam) Torá (torah), e depois (veachar kach) pondere (yehegeh) (primeiro aprender o texto tal como se recebe, depois refletir e questionar).
"Cala-te, e depois quebra" — silencia (shetok), como (kemo) "e Calev fez calar (vayahas kalev)" (Números 13:30): silencia (shetok) e escuta atento (vehaazen) ao teu ensinamento (lishmuatcha), até que (ad sheteheh) se torne fluente (shegurah) em tua boca (befich), ainda que (veaf al pi) não (sheeinah) esteja assentada (meyushevet) em ti (lecha), e depois (veachar kach) quebra-a (katetenah) — questiona (vehakshah) sobre ela (aleha) o que (mah) tiveres (sheyesh lecha) a questionar (lehakshot), e responde (vetaretz) as respostas (teruztin) até que (ad sheteheh) se assente (mityashevet) em ti (lecha). "Pondere" — examine (yeayen).
Uma terceira leitura de "hasket" propõe uma ordem pedagógica: primeiro receber o ensinamento em silêncio, memorizando-o mesmo sem compreendê-lo plenamente, e só depois submetê-lo à análise crítica — princípio que Rava expressa como "aprender primeiro, ponderar depois".
Disseram (amri) na escola (devei) de Rabi Yanai: o que está escrito (mai dichtiv): "pois (ki) o espremer (mitz) do leite (chalav) produz (yotzi) manteiga (chemah), e o espremer (umitz) do nariz (af) produz (yotzi) sangue (dam), e o espremer (umitz) das narinas (apayim) produz (yotzi) contenda (riv)" (Provérbios 30:33)?
A Guemará introduz um versículo de Provérbios com três imagens de "espremer", que servirão de base para uma série de três homilias sucessivas sobre o esforço no estudo, a paciência diante da repreensão do mestre, e o desenvolvimento do discernimento jurídico.
Em quem (bemi) tu encontras (atah motzei) a manteiga (chemah) da Torá (torah)? Em quem (bemi) vomita (mekiy) o leite (chalav) que (sheyanak) mamou (yanak) do seio (mishdei) de sua mãe (imo) por ela (aleha) (dedica-se ao estudo com o esforço total de todo o seu corpo, "expelindo" até o próprio leite materno).
"O espremer do leite produz manteiga" — o que expele (hamotzi) o leite (et hechalav) que (shematzatz) chupou (matzatz) do seio (mishdei) de sua mãe (imo) pelas palavras (al divrei) de Torá (torah) — manteiga (chemah) ela é (hi) para ele (lo).
A primeira imagem — o leite que se transforma em manteiga pelo esforço de agitá-lo — é aplicada a quem se dedica ao estudo da Torá com dedicação física e mental extrema, "espremendo" de si até a energia mais primária de sua existência.
"E o espremer (umitz) do nariz (af) produz (yotzi) sangue (dam)" — todo (kol) discípulo (talmid) com quem (she) seu mestre (rabo) se irrita (koes alav) pela primeira vez (paam rishonah) e ele se cala (veshotek) — merece (zocheh) distinguir (lehavchin) entre sangue (dam) impuro (tamei) a sangue (dam) puro (tahor).
"E o espremer do nariz" — o que suga (hamotzetz) a ira (kaas) de seu mestre (rabo) e a suporta (vesovlo), extrairá (yotzi) as leis (hilchot) de sangue (dam) em correspondência a elas (leumatam).
A segunda imagem transforma a raiva ("af", que também significa nariz) do mestre em recompensa: quem suporta em silêncio a primeira repreensão do mestre é recompensado com a capacidade de discernir corretamente entre sangue puro e impuro, um dos ramos mais delicados da halachá.
"E o espremer (umitz) das narinas (apayim) produz (yotzi) contenda (riv)" — todo (kol) discípulo (talmid) com quem (she) seu mestre (rabo) se irrita (koes alav) pela primeira (paam rishonah) e segunda vez (ushniyah) e ele se cala (veshotek) — merece (zocheh) distinguir (lehavchin) entre leis (dinei) monetárias (mamonot) a leis (dinei) capitais (nefashot). Como ensinamos (ditnan): Rabi Yishmael diz (omer): quem quiser (harotzeh) tornar-se sábio (sheyitchakem) — ocupe-se (yaasok) de leis (dinei) monetárias (mamonot), pois não há (sheein) a ti (lecha) disciplina (miktzoa) na Torá (batorah) maior (yoter) que elas (meihem), pois (shehen) são como (kemaayan) fonte (maayan) que jorra (novea) (sempre gerando novos raciocínios).
"Como ensinamos" — pois (she) as leis (dinei) monetárias (mamonot) são profundas (amukim), e quem quiser (veharotzeh) tornar-se sábio (sheyitchakem) ocupe-se (yaasok) de leis (dinei) monetárias (mamonot), pois não há (sheein) disciplina (miktzoa) na Torá (batorah) maior (gadol) que elas (meihem).
A terceira imagem eleva ainda mais a recompensa: quem suporta a repreensão do mestre por duas vezes consecutivas ganha a capacidade de discernir entre casos monetários e casos capitais, sendo os primeiros — segundo Rabi Yishmael — a disciplina mais profunda e fecunda de toda a Torá, sempre gerando novas conclusões como uma fonte que jorra.
Disse (amar) Rabi Shmuel bar Nachmani: o que está escrito (mai dichtiv): "se (im) agiste tolamente (navalta) exaltando-te (behitnasei), e se (veim) planejaste (zamota), mão (yad) à boca (lefeh)" (Provérbios 30:32)? Todo (kol) o que se humilha (hamenabel) a si mesmo (atzmo) nas palavras (al divrei) de Torá (torah) (perguntando sem vergonha, mesmo quando sua ignorância é exposta — no fim (sofo) se exalta (lehitnasei). E se (veim) se amordaçou (zamam) por vergonha, calando-se — terá mão (yad) à boca (lefeh) (ficará sem resposta quando questionado).
"Quem se humilha a si mesmo" — que (she) pergunta (shoel) a seu mestre (lerabo) todas (kol) as suas dúvidas (sfekotav), ainda que (veaf al pi) haja entre elas (sheyesh bahen) algumas de que (she) seus colegas (chavereiv) zombam (maligim) dele (alav). "E se te amordaçaste" — que (she) vedaste (satamta) tua boca (picha) de perguntar (mishol); a expressão (lashon) "zamam (zamam)" é como o anel (tabaat) da correia (retzuah) que (she) se enfia (tochavin) no focinho (bechotem) de um animal (behemah) cujos hábitos (iskei) são ruins (raim), e o colocam (venotnim oto) em seus lábios (bisfateha) para costurá-los juntos (letofram yachad) e vedá-los (velisotman); teu fim (sofcha) será (shetiten) dar mão (yad) à boca (lefeh) quando (keshe) te perguntarem (yishalucha) e não (velo) souberes (teda) responder (lehashiv).
Rabi Shmuel bar Nachmani conclui a série sobre a paciência do estudante com um versículo que contrasta dois caminhos: quem se rebaixa perguntando sem vergonha, mesmo arriscando-se ao escárnio, acaba exaltado pelo conhecimento adquirido; quem se cala por orgulho ou vergonha acaba mudo, sem resposta, quando questionado.
Abriu (patach) Rabi Nechemia em honra (bichvod) ao anfitrião (achsanya), e expôs (vedarash): o que está escrito (mai dichtiv): "e disse (vayomer) Shaul ao Quenita (hakeini): ide (lechu), apartai-vos (suru), descei (redu) do meio (mitoch) dos amalequitas (amaleki), para que eu não (pen) vos destrua (osifcha) com eles (imo), pois (veatah) fizeste (asitah) bondade (chesed) com todos (im kol) os filhos (benei) de Israel (yisrael)" (Primeiro Livro de Samuel 15:6)? E não é (vahalo) este um argumento a fortiori (devarim kal vachomer): se (mah) Yitro, que (shelo) só (ela) aproximou (kerav) a Moshé por sua própria (atzmo) honra (lichvod) — assim (kach) foi recompensado por sua descendência; quem hospeda (hameareach) um sábio (talmid chacham) em sua casa (betoch beito), e o alimenta (umaachilo), e lhe dá de beber (umashkehu), e o beneficia (umehanehu) com seus bens (minechasav) sem interesse próprio — quanto mais (al achat kamah vechamah)!
"Fizeste bondade" — que (she) os alimentou (heechilam), pois foi dito (sheneemar): "e veio (vayavo) Aharon e todos (vechol) os anciãos (ziknei) de Israel (yisrael) para comer (leechol) pão (lechem)" etc. (Êxodo 18:12).
Rabi Nechemia retoma o costume de honrar os anfitriões com uma homilia baseada na poupança dos quenitas — descendentes de Yitro — na guerra contra Amalek, por mérito de sua ancestralidade: se Yitro, que recebeu Moshé apenas visando sua própria honra, mereceu tal proteção para seus descendentes séculos depois, quanto mais será recompensado quem hospeda um sábio com genuína generosidade.
Abriu (patach) Rabi Yossei em honra (bichvod) ao anfitrião (achsanya), e expôs (vedarash): "não (lo) abominarás (tetaev) o edomita (adomi), pois (ki) teu irmão (achicha) é ele (hu); não (lo) abominarás (tetaev) o egípcio (mitzri), pois (ki) estrangeiro (ger) foste (hayita) em sua terra (vearetzo)" (Deuteronômio 23:8), e não é (vahalo) este um argumento a fortiori (devarim kal vachomer): se (mah) os egípcios (mitzrim), que (shelo) só (ela) aproximaram (keirvu) Israel (et yisrael) para seu próprio (atzman) proveito (letzorech), pois foi dito (sheneemar): "e se (veim) sabes (yadata) que há (veyesh) entre eles (bam) homens (anshei) capazes (chayil), os porás (vesamtam) como chefes (sarei) do meu gado (mikneh al asher li)" (Gênesis 47:6, palavras de Faraó a Yossef) — assim (kach) foram recompensados; quem hospeda (hameareach) um sábio (talmid chacham) em sua casa (betoch beito), e o alimenta (umaachilo), e lhe dá de beber (umashkehu), e o beneficia (umehanehu) com seus bens (minechasav) sem interesse próprio — quanto mais (al achat kamah vechamah)!
Rabi Yossei traz uma segunda homilia paralela, sobre a proibição de abominar o egípcio: se os egípcios, que só se aproximaram de Israel visando seu próprio benefício (buscando administradores capazes para o gado de Faraó), mereceram que seus descendentes fossem poupados de abominação por Israel, quanto mais será recompensado quem hospeda um sábio genuinamente, sem cálculo de proveito próprio.
Abriu (patach) Rabi Eliezer, filho (beno) de Rabi Yossei, o Galileu, em honra (bichvod) ao anfitrião (achsanya), e expôs (vedarash): "e abençoou (vayvarech) o Eterno (Hashem) a Oved Edom, o gitita (hagiti), por causa da (baavur) arca (aron) de D'us (haelokim)" (Segundo Livro de Samuel 6:12), e não é (vahalo) este um argumento a fortiori (devarim kal vachomer): se (mah) a arca (aron), que (shelo) não comia (achal) nem bebia (veshatah), mas (ela) só varria (kibed) e polvilhava (veribetz) diante dela (lefanav) Oved Edom — assim (kach) ele foi recompensado; quem hospeda (hameareach) um sábio (talmid chacham) em sua casa (betoch beito), e o alimenta (umaachilo), e lhe dá de beber (umashkehu), e o beneficia (umehanehu) com seus bens (minechasav) — quanto mais (al achat kamah vechamah)!
Rabi Eliezer, filho de Rabi Yossei, o Galileu, encerra a série de homilias com o exemplo mais forte: a própria arca de D'us, que não comia nem bebia — recebendo de Oved Edom apenas os cuidados de limpeza do lugar onde repousava —, ainda assim trouxe-lhe bênção; quanto mais será abençoado quem verdadeiramente alimenta e sustenta um sábio de carne e osso em sua própria casa.
Qual (mai) foi ela (hi), a bênção (berachah) com que o abençoou (sheberecho)? Disse (amar) Rav Yehuda bar Zevida: esta (zo) é a sogra (chamot) e suas oito (ushmoneh) noras (kaloteha) (a esposa de Oved Edom e as esposas de seus oito filhos), que (sheyaldu) deram à luz (yaldu) seis (shishah) de cada vez (shishah), num só (becheres echad) ventre (keres) (cada uma delas gerou sêxtuplos).
A Guemará conclui o daf identificando a bênção concreta recebida por Oved Edom: uma fecundidade extraordinária, com sua esposa e as oito esposas de seus filhos dando à luz sêxtuplos, encerrando com esta imagem admirável a longa série de homilias sobre a honra devida à Torá, a seus estudiosos e a quem os hospeda.