A Guemará prossegue a série de ensinos de Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon bar Yochai: Avraham foi o primeiro a chamar D'us de "Adon" (Senhor), e Leá, a primeira a agradecer a D'us; um excurso etimológico mostra como os nomes de Reuven e Rut anteciparam seu caráter e destino. Segue-se o ensino de que a má criação dentro de casa é pior que a guerra de Gog e Magog, a permissão — e seus limites — de provocar os ímpios neste mundo, o valor de fixar um lugar para a própria oração, e o encerramento com o episódio de Rav Nachman explicando a Rabi Yitzchak por que não comparecia à sinagoga para rezar, citando o ensino de que servir a Torá vale mais que estudá-la.
Disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: desde o dia em que o Santo, Bendito Seja, criou o mundo, não houve homem que chamasse o Santo, Bendito Seja, de "Adon" (Senhor), até que veio Avraham e O chamou de Senhor, como está dito: "e disse: Senhor D'us, como saberei que a herdarei?" (Gênesis 15:8).
"Adonai Elohim" — está escrito com álef e dálet (isto é, com o Nome que se lê "Adonai", indicando senhorio, e não o Tetragrama).
A Guemará abre um novo bloco de ensinos de Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon bar Yochai, no mesmo estilo homilético usado em 7a. Aqui, o mérito de Avraham é destacado por um detalhe filológico: em toda a história humana até então, ninguém havia se dirigido a D'us com o título "Adon" — termo de senhorio e autoridade —, até que Avraham o fez ao questionar como saberia que herdaria a terra. Rashi confirma que o texto traz a grafia que indica esse título de senhorio, e não o Tetragrama.
Disse Rav: também Daniel não foi respondido senão por causa de Avraham, como está dito: "e agora, ouve, nosso D'us, a oração de Teu servo e as suas súplicas, e faze resplandecer a Tua face sobre o Teu santuário desolado, por causa do Senhor" (Daniel 9:17) — "por Tua causa" deveria ter dito.
Antes, (o versículo diz) "por causa de Avraham, que Te chamou de Senhor".
Rav estende o mérito do título "Adon" através dos séculos: Daniel, ao suplicar por Jerusalém, usa a expressão "por causa do Senhor" (lemaan Adonai) em vez de "por Tua causa" — uma escolha lexical estranha que a Guemará resolve identificando "Adonai" ali não como referência direta a D'us, mas como alusão a Avraham, o primeiro a usar esse título. O mérito de Avraham, portanto, ecoa até a oração de Daniel no exílio babilônico.
E disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: de onde (se prova) que não se deve aplacar uma pessoa no momento de sua ira? Como está dito: "Minha face irá, e te darei descanso" (Êxodo 33:14).
A mesma norma de etiqueta já ensinada em 7a — não tentar aplacar alguém enquanto ainda está irado, provada pela resposta de D'us a Moshé — é aqui repetida, mas agora atribuída à cadeia de transmissão de Rabi Shimon bar Yochai em vez de Rabi Yosei, integrando-se à série de ensinos que a Guemará está desenrolando neste daf.
E disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: desde o dia em que o Santo, Bendito Seja, criou o Seu mundo, não houve pessoa que agradecesse ao Santo, Bendito Seja, até que veio Leá e Lhe agradeceu, como está dito: "desta vez agradecerei a D'us" (Gênesis 29:35).
"Desta vez agradecerei a D'us" — porque ela viu por inspiração divina que Jacó estabeleceria doze tribos, e que ele teria quatro esposas; assim, quando deu à luz um quarto filho, agradeceu por sua porção, que ultrapassou a conta que lhe cabia proporcionalmente.
Um paralelo estrutural ao movimento anterior sobre Avraham: assim como ele foi o primeiro a chamar D'us de "Senhor", Leá foi a primeira pessoa na história a expressar gratidão explícita a D'us, ao nomear seu quarto filho, Yehudá. Rashi explica, com base em tradição, por que precisamente o quarto filho provocou esse agradecimento: Leá sabia por inspiração profética que as doze tribos se dividiriam entre quatro matriarcas, cabendo a cada uma, proporcionalmente, três filhos; ao dar à luz o quarto, ela reconheceu ter recebido mais do que sua parte justa.
Reuven. Disse Rabi Elazar: disse Leá: vejam a diferença entre meu filho e o filho de meu sogro (Esaú). Pois quanto ao filho de meu sogro, ainda que por vontade própria tenha vendido sua primogenitura a Jacó, como está escrito: "e vendeu sua primogenitura a Jacó" (Gênesis 25:33), vejam o que está escrito sobre ele: "e Esaú odiou a Jacó" (Gênesis 27:41).
E está escrito: "e disse: não é justamente chamado seu nome Jacó? Pois já me enganou duas vezes" etc. (Gênesis 27:36).
E quanto ao meu filho (Reuven), ainda que Yosef tenha tomado dele a primogenitura contra sua vontade, como está escrito: "e por ter profanado o leito de seu pai, sua primogenitura foi dada aos filhos de Yosef" (I Crônicas 5:1), mesmo assim ele não teve inveja dele, como está escrito: "e ouviu Reuven, e o livrou de suas mãos" (Gênesis 37:21).
"Vejam a diferença entre meu filho e o filho de meu sogro" — ela deu-lhe o nome em vista do futuro, como diremos adiante, que o nome é causa (do caráter e destino da pessoa).
Rabi Elazar interpreta o nome "Reuven" (que ele lê como contendo a raiz "ver" — re'u, "vejam") como a própria declaração profética de Leá no momento do nascimento: um convite para contrastar o caráter de seu filho com o de Esaú, filho de seu sogro Yitzchak. Esaú, apesar de ter vendido sua primogenitura voluntariamente, guardou ódio profundo de Jacó por ela; Reuven, ainda que tenha perdido sua primogenitura contra a própria vontade (transferida aos filhos de Yosef como punição por um ato seu), não guardou rancor de Yosef — pelo contrário, foi ele quem tentou salvá-lo das mãos dos irmãos que queriam matá-lo.
Rut. O que significa "Rut"? Disse Rabi Yochanan: que ela mereceu, e saiu dela Davi, que saciou (rivahu) o Santo, Bendito Seja, com cânticos e louvores.
"Rut" — a moabita; visto que (a Guemará) trata de interpretações de nomes, menciona-a aqui.
A Guemará prossegue o exercício de encontrar significado profético nos nomes próprios, agora com Rut, a moabita, ancestral do Rei Davi. Rabi Yochanan liga o nome "Rut" à raiz que evoca "saciar" ou "regar" (ravah), pois dela descenderia Davi, que "saciaria" a D'us com seus Salmos — cânticos e louvores compostos ao longo de sua vida.
De onde sabemos que o nome é causa (do destino da pessoa)? Disse Rabi Eliezer: pois diz o versículo: "vinde, vede as obras de D'us, que pôs assolações (shamot) na terra" (Salmos 46:9); não leias "shamot" (assolações), mas "shemot" (nomes).
A Guemará fundamenta, com uma leitura alternativa de vogais no mesmo texto consonantal, o princípio subjacente aos dois movimentos anteriores: os nomes não são arbitrários, mas causam ou anunciam o destino e o caráter de quem os carrega. O versículo de Salmos, lido originalmente como referência às "assolações" que D'us impõe na terra, é relido como testemunho de que D'us "pôs nomes" na terra — isto é, determinou destinos através dos nomes dados às pessoas.
E disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: é mais dura a má criação dentro da casa de um homem do que a guerra de Gog e Magog, como está dito: "salmo de Davi, quando fugia de Absalão, seu filho" (Salmos 3:1), e está escrito logo depois: "D'us, quão numerosos são meus adversários, muitos se levantam contra mim" (Salmos 3:2). Já a respeito da guerra de Gog e Magog está escrito: "por que se agitam as nações, e os povos tramam em vão?" (Salmos 2:1) — mas "quão numerosos são meus adversários" não está escrito ali.
Rabi Yochanan compara a intensidade da linguagem usada por Davi em dois salmos distintos: o que descreve sua fuga do próprio filho Absalão emprega expressões de angústia pessoal e numerosa oposição ("quão numerosos são meus adversários"), ausentes do salmo que descreve a ameaça cósmica e escatológica de Gog e Magog. A conclusão é que a dor de uma criação malograda dentro do próprio lar supera, em intensidade subjetiva, até mesmo a guerra apocalíptica das nações contra Israel.
"Salmo de Davi, quando fugia de Absalão, seu filho" — "salmo de Davi"?! "Lamento de Davi" deveria ter dito!
Disse Rabi Shimon ben Avishalom: a que se compara essa questão? A um homem contra quem foi emitida uma nota de dívida. Antes de pagá-la, estava triste; depois de pagá-la, alegrou-se.
Assim também Davi: quando o Santo, Bendito Seja, lhe disse: "eis que levantarei sobre ti o mal desde a tua própria casa" (II Samuel 12:11), ficou triste, pensando: talvez seja um escravo ou um mamzer, que não terá piedade de mim. Quando viu que era Absalão (seu próprio filho), alegrou-se. Por isso disse "salmo".
A Guemará questiona a própria escolha lexical do título do salmo: por que "salmo" (termo de louvor) e não "lamento", diante de uma fuga tão dolorosa? Rabi Shimon ben Avishalom resolve com uma parábola sobre uma dívida: o sofrimento antecipado de uma punição desconhecida é pior do que a própria punição, uma vez identificada e circunscrita. Davi temia, após a profecia de Natan, que o "mal desde sua própria casa" viesse de um escravo ou de um filho ilegítimo — figuras sem laço afetivo genuíno com ele —, e alegrou-se, paradoxalmente, ao descobrir que era Absalão, seu próprio filho legítimo, ainda que isso significasse guerra e fuga.
E disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: é permitido provocar os ímpios neste mundo, como está dito: "os que abandonam a Torá louvam o ímpio, mas os que guardam a Torá se irritam (yitgaru) contra eles" (Provérbios 28:4).
Foi ensinado também assim numa baraita: Rabi Dostai ben Rabi Matun diz: é permitido provocar os ímpios neste mundo, como está dito: "os que abandonam a Torá louvam o ímpio..." etc. E se alguém te sussurrar para dizer: mas não está escrito "não te irrites com os malfeitores, não tenhas inveja dos que praticam a injustiça" (Salmos 37:1)? Dize-lhe: quem tem o coração inquieto (por seus próprios pecados) é quem diz isso (para se justificar). Antes, (o versículo significa): "não te irrites com os malfeitores" — para seres como os malfeitores; "não tenhas inveja dos que praticam injustiça" — para seres como os que praticam injustiça.
"Quem tem o coração inquieto" — aquele que teme por transgressões que já cometeu. "Diz isso" — interpretando "não te irrites com os malfeitores" como "não brigues com eles"; mas não é assim; antes, (significa) "não te irrites com os malfeitores" — a ponto de te deixares provocar por seus feitos, dizendo: "farei assim também eu".
Rabi Yochanan estabelece um princípio surpreendente: é permitido — e, pela leitura de Provérbios, até louvável — provocar e confrontar os ímpios neste mundo, ao contrário da atitude passiva que se poderia esperar. Uma baraita paralela, em nome de Rabi Dostai ben Rabi Matun, antecipa a objeção óbvia de um versículo de Salmos que parece dizer o oposto ("não te irrites com os malfeitores"), e a resolve por reinterpretação: aquele versículo não proíbe confrontar os ímpios, mas sim imitá-los ou invejar seus métodos. Quem invoca o versículo para evitar confronto é suspeito, segundo a Guemará, de ter consciência pesada por seus próprios pecados.
E diz (o versículo): "não tenha teu coração inveja dos pecadores, mas sim do temor de D'us, todo o dia" (Provérbios 23:17).
"E diz: não tenha teu coração inveja dos pecadores, mas sim do temor de D'us todo o dia" — seria possível dizer "não brigues com os ímpios, mas sim com os temerosos de D'us"; mas forçosamente (o sentido correto é): "não tenha teu coração inveja" para agir como eles.
Uma segunda prova escriturística reforça a leitura anterior: o versículo de Provérbios não proíbe confrontar os pecadores, mas alerta contra a inveja de seus métodos ou sucesso aparente — a única inveja legítima é a do temor a D'us, que deve ocupar o coração o dia inteiro.
Mas é assim?! Não disse Rabi Yitzchak: se viste um ímpio a quem a hora sorri (que prospera), não o provoques, como está dito: "seus caminhos prosperam em todo o tempo" (Salmos 10:5). E não só isso, mas também que sai absolvido no julgamento, como está dito: "Teus juízos estão longe, acima dele" (Salmos 10:5). E não só isso, mas também que vê a queda de seus adversários, como está dito: "ele sopra sobre todos os seus adversários" (Salmos 10:5)!
"Yachilu" — prosperam; palavra semelhante em "por isso não permanecerá o seu bem" (Jó 20:21). "Teus juízos estão longe, acima dele" — Teus julgamentos são afastados, distantes dele. "Ele sopra sobre eles" — com seu sopro ele os afasta como palha.
A Guemará levanta uma objeção direta a partir de um ensino de Rabi Yitzchak, aparentemente contraditório: diante de um ímpio a quem "a hora sorri" — que desfruta de prosperidade, sucesso no julgamento, e triunfo sobre seus inimigos —, não se deve provocá-lo, sob pena de sair prejudicado no confronto. Três provas sucessivas do mesmo versículo de Salmos sustentam essa cautela, contrastando com a permissão geral de confrontar os ímpios estabelecida nos movimentos anteriores.
Não é difícil: este (ensino de cautela) refere-se a assuntos pessoais (do próprio confrontador); aquele (a permissão de provocar) refere-se a assuntos celestiais (em defesa da honra de D'us e da Torá).
A primeira resolução da contradição distingue o motivo do confronto: quando a provocação nasce de uma ofensa ou disputa pessoal contra o próprio confrontador, o ímpio próspero deve ser evitado, pois a "hora lhe sorri" e ele provavelmente prevalecerá; mas quando o confronto é por causa da honra Divina ou da Torá, é permitido e recomendado, independentemente da prosperidade momentânea do ímpio.
E, se quiseres, dize: ambos (os ensinos) tratam de assuntos celestiais, e não é difícil: este (a cautela) trata de um ímpio a quem a hora sorri; aquele (a permissão) trata de um ímpio a quem a hora não sorri.
Uma segunda resolução alternativa descarta a distinção entre assuntos pessoais e celestiais, propondo em vez disso um critério baseado exclusivamente na condição do próprio ímpio: quando a "hora lhe sorri" (está em ascensão e sucesso), é prudente evitar confrontá-lo; quando não lhe sorri (está em declínio), é permitido e seguro provocá-lo.
E, se quiseres, dize: ambos tratam de um ímpio a quem a hora sorri, e não é difícil: este (a cautela) refere-se a um justo completo (que deve evitar o confronto por prudência); aquele (a permissão) refere-se a um justo incompleto. Pois disse Rav Huna: o que significa o que está escrito: "por que olhas para os traidores, e te calas quando o ímpio devora o que é mais justo do que ele?" (Habacuque 1:13)? Acaso o ímpio devora o justo? Não está escrito: "D'us não o abandonará em sua mão" (Salmos 37:33), e está escrito: "nenhum mal sucederá ao justo" (Provérbios 12:21)? Antes, (o versículo significa): aquele que é "mais justo do que ele" (isto é, apenas relativamente justo), ele devora; um justo completo, não devora.
A terceira e última resolução recorre à tipologia do justo completo e incompleto, já introduzida em 7a a propósito de Moshé. Rav Huna resolve uma aparente contradição em Habacuque — que parece afirmar que o ímpio devora o justo, contra a garantia bíblica de que D'us nunca abandona o justo — distinguindo entre o justo "mais justo do que ele" (isto é, apenas relativamente superior ao ímpio, um justo incompleto) e o justo completo: apenas o primeiro pode ser "devorado", nunca o segundo.
E, se quiseres, dize: quando a hora sorri (ao ímpio), a situação é diferente (de modo geral, exigindo maior cautela, sem necessidade das distinções anteriores).
Uma quarta e última resolução, mais sucinta, encerra a sequência de respostas possíveis à contradição: basta reconhecer que a prosperidade momentânea do ímpio ("a hora que lhe sorri") constitui, por si só, uma circunstância especial que justifica cautela redobrada, sem necessidade de recorrer às distinções mais elaboradas propostas anteriormente.
E disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: todo aquele que fixa um lugar para sua oração, seus inimigos caem diante dele, como está dito: "e designarei um lugar para o Meu povo Israel, e o plantarei, e ele habitará em seu (próprio) lugar, e não mais se perturbará, e os filhos da iniquidade não continuarão a afligi-lo como no princípio" (II Samuel 7:10).
"E designarei um lugar" — o final do versículo diz: "e os filhos da iniquidade não continuarão a afligi-lo".
A Guemará retorna ao tema da oração com um novo ensino de Rabi Yochanan: fixar um lugar habitual para a própria oração traz, como recompensa, a queda dos inimigos diante de quem ora. A prova vem de uma promessa Divina a Israel através de Natan — um "lugar designado" onde o povo habitará sem mais ser afligido pelos "filhos da iniquidade" —, lida aqui não apenas como promessa territorial, mas como paradigma da estabilidade que a oração fixa proporciona ao indivíduo.
Rav Huna contrapõe: está escrito "afligi-lo" (em Samuel), e está escrito "aniquilá-lo" (na passagem paralela de Crônicas).
No princípio, (o decreto era) "afligi-lo"; mas no final, (tornou-se) "aniquilá-lo".
"Está escrito 'afligi-lo'" — no Livro de Samuel. "E está escrito 'aniquilá-lo'" — em Crônicas (I Crônicas 17:9). "No princípio" — quando o Templo foi construído, foi construído com a condição de que os inimigos não mais afligissem Israel. "Mas no final" — quando pecaram, foi decretado sobre eles aflição, e sua oração os protege da aniquilação total.
Rav Huna nota uma discrepância textual entre as duas versões paralelas da mesma promessa profética — "afligi-lo" em Samuel, "aniquilá-lo" em Crônicas — e resolve com uma leitura histórica: a promessa original, quando o Templo foi edificado, era de completa ausência de aflição; mas após o pecado de Israel, o decreto endureceu para "aniquilação", e é justamente a fixação de um lugar de oração — o tema deste bloco — que impede que a aflição se converta em aniquilação total.
E disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: maior é o serviço (prático) da Torá do que seu estudo, como está dito: "aqui está Elisha ben Shafat, que derramava água sobre as mãos de Eliyahu" (II Reis 3:11). Não está dito "estudava", mas "derramava (água)" — isso ensina que maior é o (seu) serviço do que o (seu) estudo.
O último ensino da série de Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon bar Yochai neste daf valoriza o serviço prático e pessoal a um mestre da Torá acima do próprio estudo formal de seus ensinamentos. A prova vem de como o profeta Elisha é identificado — não por ter estudado sob Eliyahu, mas por "derramar água sobre suas mãos", um ato de serviço humilde e cotidiano — sugerindo que a proximidade e o serviço ao mestre transmitem uma dimensão da Torá que o estudo isolado não alcança.
Disse-lhe Rabi Yitzchak a Rav Nachman: por que motivo o mestre não vem à sinagoga rezar? Disse-lhe: não posso (não tenho forças). Disse-lhe: que reúnam para o mestre dez homens, e que reze (em casa, com um quórum trazido até ele). Disse-lhe: é trabalhoso demais para mim (impor esse esforço aos outros). E que o mestre diga ao emissário da congregação que, no momento em que a congregação estiver rezando, venha e avise ao mestre (para que reze junto, mesmo à distância).
"Não posso" — minhas forças estão enfraquecidas.
O daf se encerra com um episódio pessoal que ilustra na prática o ensino anterior sobre o valor da oração comunitária e do lugar fixo: Rabi Yitzchak questiona Rav Nachman sobre sua ausência da sinagoga, e este explica sua fraqueza física. Diante da sugestão de reunir um quórum em sua própria casa — recusada por ser trabalhosa demais para os outros —, a solução proposta é que o emissário da congregação o avise no exato momento em que a assembleia reza, permitindo-lhe alinhar sua oração pessoal, ainda que fisicamente ausente, ao momento comunitário. Rav Nachman explica a Rabi Yitzchak, no início do daf seguinte, que essa sincronia decorre do ensino de Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon bar Yochai sobre o valor da oração no "momento de favor" da congregação — elo que o daf 7b deixa em aberto, a ser resolvido em 8a.