A Guemará explica por que Rav Nachman, apesar de rezar em casa por fraqueza física, ainda assim se sincroniza com a congregação: existe um "momento de favor" na oração comunitária que não se repete em particular. Seguem-se ensinos sobre a gravidade de ter sinagoga na cidade e não frequentá-la, o costume babilônico de chegar cedo e sair tarde da sinagoga, uma cadeia de sete interpretações homiléticas da expressão "eit metzo" (esposa, Torá, morte, sepultura, banheiro), o valor da halachá estudada em qualquer lugar após a destruição do Templo, o costume de Rabi Ami e Rabi Assi de rezar onde estudavam, o valor de viver perto do próprio mestre, e o encerramento com regras sobre quando se pode interromper a leitura da Torá e a recomendação de completar semanalmente a parashá com a congregação.
O que significa o que está escrito: "e eu, minha oração é a Ti, D'us, num momento de favor" (Salmos 69:14)? Quando é o "momento de favor"? No momento em que a congregação reza.
"Momento de favor" — logo, há um momento que é de favor (Divino especial).
Este daf abre respondendo à pergunta implícita deixada em aberto ao final de 7b: por que Rav Nachman, incapaz de comparecer à sinagoga, ainda assim pedia para ser avisado do momento exato em que a congregação rezava. A resposta é este ensino: o versículo de Davi em Salmos fala de um "momento de favor" específico para a oração — identificado como precisamente o horário em que a congregação reza junto —, de modo que mesmo rezando sozinho em casa, alinhar-se a esse horário confere à oração individual parte do mérito da oração coletiva.
Rabi Yosei ben Rabi Chanina disse (que a prova vem) daqui: "assim disse D'us: num momento de favor Te respondi" (Isaías 49:8).
Uma segunda fonte escriturística, independente da primeira, reforça a mesma ideia de que existe um "momento de favor" designado para a resposta Divina à oração.
Rabi Acha ben Rabi Chanina disse (que a prova vem) daqui: "eis que D'us é poderoso e não despreza" (Jó 36:5); e está escrito: "resgatou em paz minha alma da batalha contra mim, pois muitos estavam comigo" (Salmos 55:19).
"É poderoso e não despreza" — a oração dos muitos Ele não despreza. "Da batalha contra mim" — das guerras que vinham contra mim. "Pois muitos estavam comigo" — que rezavam junto comigo.
Rabi Acha ben Rabi Chanina traz uma terceira prova, agora combinando dois versículos: D'us, sendo poderoso, "não despreza" — e Rashi especifica que se trata da oração da multidão —, e o versículo de Davi em Salmos atesta que ele foi resgatado precisamente porque "muitos estavam comigo", isto é, rezavam ao seu lado.
Foi ensinado também assim numa baraita: Rabi Natan diz: de onde (se prova) que o Santo, Bendito Seja, não despreza a oração dos muitos? Como está dito: "eis que D'us é poderoso e não despreza"; e está escrito: "resgatou em paz minha alma da batalha contra mim" etc. Disse o Santo, Bendito Seja: todo aquele que se ocupa da Torá, de atos de bondade, e reza com a congregação — Eu lhe considero como se tivesse Me resgatado, a Mim e a Meus filhos, dentre as nações do mundo.
"Resgatou em paz" — refere-se a quem se ocupa de assuntos de paz, isto é, a Torá, como está escrito: "e todos os seus caminhos são paz" (Provérbios 3:17); e também os atos de bondade são igualmente (caminhos de) paz, pois, ao praticar bondade corporalmente com seu próximo, este reconhece que é amado por ele, e chegam à fraternidade e à paz.
A baraita de Rabi Natan eleva a afirmação anterior a uma promessa extraordinária: quem combina três práticas — estudo da Torá, atos de bondade e oração comunitária — é considerado por D'us como tendo, pessoalmente, resgatado tanto a Ele quanto "a Seus filhos" (Israel) das nações do mundo. Rashi conecta a palavra "paz" do versículo à Torá (cujos caminhos são chamados de paz) e aos atos de bondade, que geram vínculos de afeto e fraternidade entre as pessoas.
Disse Reish Lakish: todo aquele que tem sinagoga em sua cidade e não entra ali para rezar é chamado "vizinho mau", como está dito: "assim disse D'us contra todos os Meus vizinhos maus, que tocam na herança que Eu dei em herança ao Meu povo Israel" (Jeremias 12:14). E não só isso, mas também causa exílio para si e para seus filhos, como está dito: "eis que os arrancarei de sua terra, e a casa de Judá arrancarei do meio deles" (Jeremias 12:14).
"Eis que os arrancarei de sua terra" — é o final do (mesmo) versículo.
Reish Lakish transfere o duro epíteto bíblico de "vizinho mau" — originalmente dirigido às nações vizinhas que "tocam" cobiçosamente a herança de Israel — para o judeu que, tendo sinagoga disponível em sua própria cidade, opta por não frequentá-la. A pena para tal atitude, extraída do mesmo versículo, é o próprio exílio, tanto para o indivíduo quanto para seus descendentes — medida por medida com o "arrancar" mencionado no texto.
Disseram a Rabi Yochanan: há velhos na Babilônia. Espantou-se, e disse: "para que se multipliquem vossos dias e os dias de vossos filhos sobre a terra" (Deuteronômio 11:21) está escrito — mas fora da Terra (de Israel), não (haveria essa promessa de longevidade)? Quando lhe disseram que eles chegavam cedo e saíam tarde da sinagoga, disse: isso é o que os beneficiou.
"Chegavam cedo" — pela manhã. "Saíam tarde" — à noite; isto é, permaneciam longo tempo na sinagoga.
Rabi Yochanan, surpreso ao ouvir que havia pessoas idosas vivendo na Babilônia — já que a promessa de longevidade em Deuteronômio parece condicionada à vida "sobre a terra" (de Israel) —, encontra a explicação assim que lhe informam que os babilônios tinham o costume de chegar cedo pela manhã e permanecer até tarde da noite na sinagoga. Esse hábito de permanência prolongada no espaço sagrado é identificado como a causa de sua longevidade, mesmo fora da Terra Prometida.
Pois disse Rabi Yehoshua ben Levi a seus filhos: cheguem cedo e saiam tarde, e entrem na sinagoga, para que prolonguem a vida. Disse Rabi Acha ben Rabi Chanina: qual é o versículo? "Feliz o homem que Me escuta, vigiando às Minhas portas dia após dia, guardando os umbrais de Minhas entradas" (Provérbios 8:34); e está escrito logo depois: "pois quem Me encontra, encontra a vida" (Provérbios 8:35).
O ensino de Rabi Yehoshua ben Levi aos próprios filhos confirma e generaliza a lição extraída do costume babilônico: chegar cedo e sair tarde da sinagoga prolonga a vida. Rabi Acha ben Rabi Chanina ancora esse conselho num versículo de Provérbios que descreve a felicidade de quem "vigia às portas" de D'us diariamente — associando a sinagoga metaforicamente às "portas" e "umbrais" mencionados — e cuja recompensa, no versículo seguinte, é literalmente "encontrar a vida".
Disse Rav Chisda: sempre deve o homem entrar dois portais na sinagoga (antes de rezar). "Dois portais", ocorre-te (pensar assim, literalmente)?! Mas dize: a distância equivalente a dois portais, e só então reze.
"A medida de dois portais" — deve entrar para dentro (o suficiente), para não se sentar próximo à entrada, pois isso pareceria como se estar na sinagoga lhe fosse um peso, pronto para sair assim que possível, junto à porta.
Rav Chisda ensina uma norma prática de comportamento na sinagoga: a pessoa deve se afastar da entrada por uma distância equivalente à largura de dois portais antes de começar a rezar. A Guemará corrige a leitura literal de "dois portais" (que soaria como um trajeto absurdamente específico), esclarecendo que se trata de uma medida de distância. Rashi explica o motivo: sentar-se perto da porta transmite a impressão de impaciência ou de estar ali por obrigação, pronto para uma saída rápida.
"Por isto rezará todo piedoso a Ti, num tempo de se achar (eit metzo)" (Salmos 32:6). Disse Rabi Chanina: "num tempo de se achar" refere-se à esposa, como está dito: "quem acha esposa, acha o bem" (Provérbios 18:22).
"Rezará... num tempo de se achar" — rezará para que essas coisas lhe sejam disponíveis quando precisar delas.
A Guemará inicia uma série de sete interpretações homiléticas para a expressão enigmática "eit metzo" (literalmente, "tempo de se achar/encontrar") de Salmos 32:6. Rashi explica o princípio geral por trás de toda a série: o versículo ensina que a pessoa deve rezar para que as coisas necessárias — aqui, uma esposa adequada — estejam disponíveis a ela no momento certo. A primeira interpretação, de Rabi Chanina, identifica "eit metzo" com encontrar esposa, citando o versículo paralelo de Provérbios que declara ser esse "achado" um bem.
No Ocidente (Terra de Israel), quando um homem se casava, diziam-lhe assim: "matza" (achou) ou "motzé" (acha, no sentido de "encontra amargura")? "Matza" (achou o bem), como está escrito: "quem acha esposa, acha o bem, e obtém favor de D'us" (Provérbios 18:22); "motzé" (acha amargura), como está escrito: "e eu acho mais amarga que a morte a mulher..." etc. (Eclesiastes 7:26).
A Guemará relata um costume da Terra de Israel: ao celebrar um casamento, perguntava-se jocosamente se o noivo era do tipo "matza" (que "achou" o bem, conforme Provérbios) ou "motzé" (que "acha" amargura, conforme Eclesiastes) — um jogo de palavras que reconhece, com humor, que nem todo casamento resulta em bênção.
Rabi Natan diz: "num tempo de se achar" refere-se à Torá, como está dito: "pois quem Me encontra, encontra a vida" etc. (Provérbios 8:35).
Rabi Natan propõe uma segunda interpretação: "eit metzo" refere-se ao "achado" da Torá, retomando o mesmo versículo de Provérbios já citado na unidade 7 sobre a recompensa de quem "vigia às portas" de D'us.
Rav Nachman bar Yitzchak disse: "num tempo de se achar" refere-se à morte, como está dito: "e de D'us, o Senhor, são as saídas (totzaot) para a morte" (Salmos 68:21).
"Num tempo de se achar" refere-se à morte — que se deve rezar para morrer de uma morte boa e tranquila.
A terceira interpretação, de Rav Nachman bar Yitzchak, associa "eit metzo" à própria morte, com base na palavra "totzaot" (saídas) de Salmos, foneticamente aparentada à raiz de "metzo". Rashi esclarece que o sentido da oração, aqui, é pedir uma morte boa e serena — tema que a próxima unidade desenvolve em detalhe.
Foi ensinado também assim numa baraita: novecentas e três espécies de morte foram criadas no mundo, como está dito: "e de D'us, o Senhor, são as saídas (totzaot) para a morte" — "totzaot", em guematria (valor numérico das letras), equivale a esse número. A mais dura de todas é a askará (difteria/sufocamento); a mais suave de todas é o "beijo" (morte súbita e indolor). A askará é comparável a um espinho preso num tufo de lã puxado por trás para fora (que arranca a lã junto); e há os que dizem: como cordas presas na garganta. O "beijo" é comparável a puxar um fio de cabelo do leite.
"Askará" — "estrangulamento" em francês antigo; (uma dor) no interior do corpo. "Como um espinho num tufo de lã puxado por trás" — como os ramos de espinheiros emaranhados na tosquia de lã, quando alguém os arranca à força e joga para trás, sendo impossível que a lã não se arranque junto. "Como cordas na garganta" — o oceano tem lugares onde não se pode usar ferro (pregos), e por isso unem-se as tábuas do navio por meio de cordas e cavilhas enfiadas em seus orifícios, cravadas à força por serem mais grossas que a medida do orifício. "Pitorei" — cordas, que se traduz (no Targum) como "e franjas de cordas" (I Reis 6:18), amarras. "Na garganta" — o orifício redondo como a garganta. "Como puxar um fio de cabelo do leite" — como quando se puxa um fio de cabelo de dentro do leite (sem resistência alguma).
Uma baraita amplia dramaticamente a interpretação anterior, calculando por guematria (o valor numérico da palavra "totzaot") que existem 903 tipos de morte. Entre os extremos, a mais dolorosa é a askará, comparada por Rashi a um espinho arrancado à força de um tufo de lã, ou a cordas grossas forçadas por um orifício estreito; a mais suave é a "morte por beijo", comparada à facilidade de puxar um fio de cabelo de dentro do leite — sem qualquer atrito ou dor.
Rabi Yochanan disse: "num tempo de se achar" refere-se à sepultura. Disse Rabi Chanina: qual é o versículo? "Os que se alegram até o júbilo, exultam quando encontram um sepulcro" (Jó 3:22). Disse Rabá bar Rav Sheila: é isso que as pessoas dizem: que o homem peça misericórdia (que haja) paz até mesmo na última pá de terra.
"Paz até a última pá de terra" — que tenha paz todos os dias de sua vida, e mesmo no dia de seu sepultamento, até o lançar da última porção de terra que cobre sua sepultura. "Zivula" — "pá" em francês antigo.
A quarta interpretação, de Rabi Yochanan, identifica "eit metzo" com o momento de encontrar sepultura — citando um versículo de Jó sobre a exultação de "encontrar um sepulcro". Rabá bar Rav Sheila conclui com um ditado popular: deve-se pedir que a paz acompanhe a pessoa até a última pá de terra lançada sobre sua sepultura, reforçando que mesmo o ato final do sepultamento deve ser envolto em tranquilidade e ausência de sofrimento.
Mar Zutra disse: "num tempo de se achar" refere-se à privada (banheiro disponível). Diziam no Ocidente (Terra de Israel): esta (interpretação) de Mar Zutra é preferível a todas as outras.
"Num tempo de se achar refere-se à privada" — que a pessoa habite em lugar onde haja privada próxima a ela; pois a terra da Babilônia era um solo saturado de água, e não se podiam cavar escavações ali, sendo necessário sair aos campos e afastar-se muito.
A quinta e última interpretação registrada, de Mar Zutra, identifica "eit metzo" com a disponibilidade de uma privada próxima — considerada, segundo os sábios da Terra de Israel, a mais valiosa de todas as interpretações. Rashi explica o contexto prático: o solo saturado de água da Babilônia dificultava a escavação de latrinas, obrigando as pessoas a se afastarem muito até os campos, tornando a disponibilidade de um local próximo uma verdadeira bênção a ser pedida em oração.
Disse-lhe Rava a Rafram bar Papa: que nos diga o mestre daqueles belos ensinamentos que dizias em nome de Rav Chisda a respeito de assuntos da sinagoga.
A Guemará introduz um novo bloco de ensinos sobre a sinagoga através de um pedido direto de Rava a Rafram bar Papa, que havia transmitido anteriormente ditos valiosos de Rav Chisda sobre o tema.
Disse-lhe: assim disse Rav Chisda: o que significa o que está escrito: "D'us ama os portões de Sião mais do que todas as moradas de Jacó" (Salmos 87:2)? D'us ama os portões que se distinguem (metzuyanim) pela halachá, mais do que as sinagogas e as casas de estudo.
"Os que se distinguem" — (relacionado a) "sinal" e reunião pública (de estudo).
Rafram bar Papa transmite o ensino de Rav Chisda: o versículo de Salmos, que fala do amor de D'us pelos "portões de Sião" acima de "todas as moradas de Jacó" (isto é, das sinagogas comuns), é lido como referência aos locais onde se ensina e se distingue a halachá — lugares de estudo prático da lei, preferidos por D'us até mesmo às sinagogas e casas de estudo genéricas.
E é isso que disse Rabi Chiya bar Ami em nome de Ula: desde o dia em que o Templo foi destruído, o Santo, Bendito Seja, não tem em Seu mundo senão as quatro amot (côvados) da halachá apenas.
A Guemará conecta o ensino anterior a um dito célebre de Rabi Chiya bar Ami em nome de Ula: após a destruição do Templo, o único espaço que resta a D'us "em Seu mundo" — no sentido de manifestação privilegiada de Sua presença — é o espaço mínimo ocupado por quem estuda e pratica a halachá, medido pelas quatro amot tradicionalmente associadas ao espaço pessoal de um indivíduo.
E disse Abaye: no princípio, eu estudava dentro de casa e rezava na sinagoga. Quando ouvi o que disse Rabi Chiya bar Ami em nome de Ula — desde o dia em que o Templo foi destruído, o Santo, Bendito Seja, não tem em Seu mundo senão as quatro amot da halachá apenas —, passei a rezar apenas onde estudava.
Abaye ilustra na própria prática o impacto do ensino de Ula: ao compreender que a presença Divina privilegiada, após a destruição do Templo, se concentra no espaço do estudo da halachá, ele abandonou o costume de rezar na sinagoga separadamente de onde estudava, passando a rezar no próprio local de estudo.
Rabi Ami e Rabi Assi, ainda que houvesse treze sinagogas em Tiberíades, não rezavam senão entre as colunas, onde estudavam.
"Entre as colunas" — pois a casa de estudo estava construída sobre elas, por cima.
Um exemplo histórico confirma o costume de Abaye em escala ainda maior: apesar de Tiberíades ter treze sinagogas disponíveis, Rabi Ami e Rabi Assi preferiam rezar precisamente no espaço físico — "entre as colunas" — onde estudavam, priorizando o local do estudo da halachá sobre a multiplicidade de sinagogas convencionais.
E disse Rabi Chiya bar Ami em nome de Ula: maior é aquele que desfruta do fruto de seu próprio trabalho do que o temente aos céus. Pois quanto ao temente aos céus está escrito: "feliz o homem que teme a D'us" (Salmos 112:1); e quanto ao que desfruta de seu próprio trabalho está escrito: "quando comeres do trabalho de tuas mãos, feliz és tu, e bem estará contigo" (Salmos 128:2). "Feliz és tu" — neste mundo; "e bem estará contigo" — no mundo vindouro; ao passo que, quanto ao temente aos céus, "e bem estará contigo" não está escrito a seu respeito.
Rabi Chiya bar Ami traz mais um ensino em nome de Ula, agora sobre o valor do trabalho: quem desfruta do fruto de seu próprio esforço recebe, segundo o versículo de Salmos 128, uma dupla bênção — "feliz és tu" (recompensa neste mundo) e "bem estará contigo" (recompensa no mundo vindouro) —, enquanto o versículo sobre o temente aos céus (Salmos 112:1) menciona apenas a primeira expressão, sem a segunda, sugerindo uma superioridade daquele cuja piedade se expressa através do trabalho produtivo e independente.
E disse Rabi Chiya bar Ami em nome de Ula: sempre deve o homem morar no lugar de seu mestre, pois enquanto Shimi ben Gueira estava vivo, Shlomo não desposou a filha de Faraó.
"Enquanto Shimi ben Gueira estava vivo etc." — pois, próximo à narração da morte de Shimi, está escrito: "e Shlomo aparentou-se por casamento com Faraó" (I Reis 3:1).
Um terceiro ensino de Ula, sobre um tema diferente, recomenda que a pessoa sempre resida próxima a seu mestre, extraindo a prova do próprio Rei Shlomo: enquanto Shimi ben Gueira (seu mestre, segundo a tradição) estava vivo, ele não ousou desposar a filha de Faraó — sinal do efeito refreador da proximidade de um mestre —, e a Escritura menciona esse casamento logo após relatar a morte de Shimi.
Mas não foi ensinado numa baraita: não deve morar (perto de seu mestre)!
A Guemará levanta de imediato uma objeção a partir de uma baraita que parece dizer exatamente o oposto: que não se deve morar no mesmo lugar que o próprio mestre.
Não é difícil: este (ensino, que recomenda morar perto) refere-se a quem se submete a ele (ao mestre, aceitando sua repreensão); aquele (que desaconselha) refere-se a quem não se submete a ele.
"Este, que se submete a ele" — se o discípulo é submisso ao seu mestre, a ponto de aceitar sua repreensão, deve morar junto dele; mas, se não, é melhor afastar-se dele, para que peque por erro involuntário, e não deliberadamente (por se ressentir das repreensões constantes).
A Guemará resolve a contradição distinguindo o temperamento do discípulo: quem aceita de bom grado a repreensão de seu mestre deve morar perto dele, beneficiando-se da correção constante; mas quem não suporta ser repreendido deve se afastar, pois o atrito constante poderia levá-lo a transgredir deliberadamente por ressentimento, em vez de errar apenas involuntariamente.
Disse Rav Huna bar Yehuda, disse Rabi Menachem, disse Rabi Ami: o que significa o que está escrito: "e os que abandonam a D'us serão consumidos" (Isaías 1:28)? Refere-se a quem deixa o Sefer Torá (aberto, durante a leitura pública) e sai.
A Guemará passa a um novo tema: a conduta correta durante a leitura pública da Torá. Este primeiro ensino qualifica severamente quem sai da sinagoga deixando o Sefer Torá aberto (sem que outra pessoa continue a leitura ou o cuide) como incluído entre "os que abandonam D'us", segundo o duro versículo de Isaías.
Rabi Avahu saía (da sinagoga, quando precisava) entre um homem (leitor da Torá) e outro.
Rabi Avahu demonstra na prática a norma implícita no ensino anterior: se for necessário sair durante a leitura pública da Torá, o momento apropriado é entre a chamada de um leitor e a do seguinte — nunca no meio da leitura de uma pessoa, com o rolo aberto e sem supervisão adequada.
Perguntou Rav Papa: e entre um versículo e outro (dentro da leitura de um mesmo leitor), qual é a lei?
Rav Papa levanta uma dúvida mais refinada: será também permitido sair no intervalo entre dois versículos consecutivos, dentro da leitura do mesmo leitor, e não apenas na transição entre leitores diferentes?
Teiku (a questão permanece sem resolução).
A dúvida de Rav Papa permanece sem solução na Guemará, marcada pelo termo técnico teiku, reservado às questões que a tradição talmúdica deixa formalmente em aberto.
Rav Sheshet virava o rosto e estudava (sua própria matéria, durante a leitura pública da Torá). Disse: nós (fazemos) o nosso, e eles (fazem) o deles.
"Virava o rosto e estudava" — sua Mishná, enquanto liam no Sefer Torá.
Rav Sheshet, sendo cego (segundo tradições sobre sua vida), virava-se durante a leitura pública da Torá para se concentrar em seu próprio estudo (a Mishná), justificando sua conduta com a declaração de que cada atividade — a leitura pública da congregação e seu estudo pessoal — tinha valor próprio e independente, sem que uma prejudicasse a outra.
Disse Rav Huna bar Yehuda, disse Rabi Ami: sempre deve o homem completar suas porções semanais (da Torá) junto com a congregação: duas vezes o texto (hebraico) e uma vez o Targum (a tradução aramaica).
"Complete suas porções" — de cada Shabat, respectivamente.
O daf se encerra com um ensino de grande alcance prático e duradouro: todo indivíduo deve acompanhar semanalmente a leitura pública da Torá completando, em particular, a porção (parashá) correspondente àquele Shabat, lendo o texto hebraico duas vezes e sua tradução aramaica (o Targum) uma vez — o costume que ficaria conhecido como "shnayim mikra ve-echad targum", ainda praticado até hoje.