O daf abre concluindo a refutação da última prova de 18b sobre o conhecimento dos mortos, e passa a uma severa advertência contra falar mal dos falecidos, ilustrada por um episódio grotesco envolvendo Mar Shmuel. Segue-se o ensinamento de Rabi Yehoshua ben Levi sobre cair na Guehinom por depreciar sábios após seu féretro, e a busca, com a ajuda de Rabi Elazar, dos vinte e quatro lugares em que o tribunal excomunga por honra do mestre — dos quais são localizados três na Mishná (o zelo pela lavagem das mãos, a maledicência após o féretro de sábios, e a arrogância diante do Céu, ilustrados por Akavia ben Mahalalel, Elazar ben Chanoch e Choni HaMe'agel) e mais um em baraita, o caso de Teodos de Roma. A Guemará então encontra, no episódio do forno de Achnai, um precedente de excomunhão fora da própria Mishná, antes de abrir a nova Mishná do Perek Guimel sobre os carregadores do féretro e seus substitutos — isentos ou obrigados ao Shemá conforme a necessidade de carregar — e sobre os que sepultaram o morto e retornam, discutindo quando ainda podem começar a leitura do Shemá antes da fila de condolências, e a oração humilde do enlutado, com a ressalva de Abaié contra abrir a boca para o Satã.
A Guemará retoma a prova final trazida em 18b, do versículo em que D-us ordena a Moshé que "diga" aos patriarcas que o juramento fora cumprido: e se te viesse à mente que os mortos não sabem, quando D-us lhes dissesse algo por meio de Moshé, de que adiantaria essa mensagem? Conclui-se, portanto, que eles sabem, confirmando definitivamente a retratação de Rabi Yonatan. Mas então, se já sabem, por que seria necessário dizer-lhes por meio de Moshé, e não bastaria que soubessem por si mesmos? Responde-se: para atribuir o mérito desse anúncio a Moshé (honrando-o como o mensageiro que traz a boa notícia do cumprimento do juramento, mesmo que os patriarcas já pudessem sabê-lo por outros meios).
O daf abre completando o raciocínio iniciado no fim de 18b: se os patriarcas já falecidos não tivessem qualquer capacidade de saber o que se passa entre os vivos, a ordem divina para que Moshé lhes "dissesse" que o juramento da terra fora cumprido para seus filhos seria um gesto vazio, sem sentido algum. Disso se conclui, de modo definitivo, que os mortos sabem — encerrando a longa sequência de provas e refutações a favor da posição final de Rabi Yonatan. A Guemará então antecipa uma objeção óbvia: se os patriarcas já sabiam, por que seria necessário que Moshé lhes contasse? A resposta preserva o propósito da mensagem não como transmissão de informação nova, mas como uma honra concedida a Moshé, que é designado mensageiro de uma notícia auspiciosa.
Disse Rabi Yitschak: todo aquele que fala mal por detrás do morto (depreciando-o depois de sua morte) é como se falasse mal por detrás da pedra (pois o morto não pode se defender, e a maledicência recai sobre um ser indefeso, tal como falar mal de um objeto inanimado). Há quem diga que a razão é que os mortos não sabem do que se fala deles, e há quem diga que eles sabem, mas não se importam (por já terem transcendido as preocupações mundanas).
"Quem fala mal por detrás do morto" — isto é, em depreciação do morto, depois de sua morte.
A Guemará muda de tema, ainda dentro do campo temático da relação entre vivos e mortos, para tratar da severa proibição de depreciar os falecidos. Rabi Yitschak compara quem fala mal do morto a quem fala mal de uma pedra — uma imagem que evoca tanto a incapacidade do morto de se defender quanto sua total insensibilidade, ao menos aparente, à opinião alheia. Duas explicações são oferecidas para essa comparação: segundo uma, os mortos simplesmente não têm conhecimento do que se fala deles; segundo outra, eles sabem, mas, tendo transcendido as vaidades da vida terrena, não se afetam mais por críticas ou elogios.
Objeta-se: é mesmo assim que o morto não se importa? Mas não disse Rav Papa: certa pessoa contou algo depreciativo por detrás da morte de Mar Shmuel, e então caiu um caniço pesado do teto, e rasgou lhe a caixa que continha seu cérebro (fraturando-lhe o crânio como punição imediata)! Responde-se: diferente é o erudito da Torá, pois o Santo, Bendito Seja, reclama sua própria honra (a honra ultrajada do sábio é tratada por D-us como Sua própria honra, provocando punição direta, ainda que, para pessoas comuns, o morto de fato não se importe ou não saiba).
"Caniço do teto" — um caniço grande e pesado caiu do teto. "Telalá" — teto. "Caixa de seu cérebro" — o receptáculo em que o cérebro está guardado.
A Guemará traz uma objeção contundente à ideia de que os mortos não se importam com o que se fala deles: o caso relatado por Rav Papa, em que alguém falou mal do falecido Mar Shmuel e foi imediatamente atingido por um caniço que caiu do teto, fraturando-lhe o crânio — uma punição direta e violenta. A resolução distingue o caso comum do caso do erudito da Torá: para o sábio, a ofensa póstuma não é tolerada, pois D-us mesmo assume a defesa de sua honra, tratando-a como Sua própria honra ultrajada, o que provoca retribuição imediata — mesmo que, para o morto comum, a regra de indiferença ou desconhecimento permaneça válida.
Disse Rabi Yehoshua ben Levi: todo aquele que fala mal depois do féretro dos estudiosos, discípulos dos sábios (depreciando-os no cortejo fúnebre ou logo após) cai na Guehinom, como está dito: "e os que torcem seus caminhos tortuosos, o Eterno os conduzirá com os que praticam a iniquidade; paz sobre Israel" (Salmos 125:5). Mesmo no tempo em que há paz sobre Israel, "o Eterno os conduzirá com os que praticam a iniquidade" (aqueles que torcem seus caminhos — interpretados como os que falam mal do sábio falecido — são levados ao castigo mesmo em tempos de paz geral).
"E os que torcem seus caminhos tortuosos" — antes deste versículo está escrito: "faze o bem, Eterno, aos bons" (Salmos 125:4), e a ele se segue este outro: "e os que torcem seus caminhos tortuosos" — referindo-se a os que fazem pender suas culpas mais que seus méritos, inclinando-os para o lado da culpa. "O Eterno os conduzirá com os que praticam a iniquidade" — isto é, os conduzirá à Guehinom.
Um novo ensinamento, de Rabi Yehoshua ben Levi, intensifica a proibição de falar mal dos falecidos ao restringi-la especificamente aos estudiosos da Torá: quem fala mal atrás do féretro de um talmid chacham incorre em queda na Guehinom. A prova é extraída de um versículo dos Salmos que fala dos que "torcem seus caminhos tortuosos" — lidos como referência a quem inclina o julgamento moral para o lado da culpa —, e que são conduzidos ao castigo junto com os praticantes de iniquidade, mesmo em épocas de paz geral para Israel, sublinhando a gravidade singular dessa transgressão específica.
Ensinou-se numa baraita na escola de Rabi Yishmael: se viste um estudioso, discípulo dos sábios, que transgrediu algum pecado à noite, não suspeites dele de dia, pois talvez tenha feito arrependimento (teshuvá). Objeta-se: "talvez" te viria à mente dizer, como se houvesse dúvida? Não pode ser assim, pois isso implicaria em ainda suspeitar dele; antes, deve-se presumir que certamente fez arrependimento. E isto vale apenas em matérias que dizem respeito ao seu próprio corpo (pecados entre o homem e D-us); mas em matéria de dinheiro (uma dívida ou roubo) — a presunção de arrependimento só se aplica até que ele efetivamente devolva o valor ao seu dono (pois o arrependimento verdadeiro em matéria monetária exige a restituição concreta, não bastando o remorso interior).
Uma baraita da escola de Rabi Yishmael introduz um princípio de benefício da dúvida em favor dos estudiosos da Torá: quem vê um sábio transgredir à noite não deve suspeitar dele durante o dia, pois deve presumir — não como mera possibilidade, mas como certeza — que ele já se arrependeu. A Guemará precisa esse princípio: ele se aplica plenamente a transgressões pessoais, mas em questões monetárias a presunção de arrependimento só vale depois da efetiva restituição, já que aí o arrependimento exige reparação concreta, e não apenas remorso.
E disse Rabi Yehoshua ben Levi: em vinte e quatro lugares o tribunal excomunga por ofensa à honra do mestre, e todos eles ensinamos em nossa Mishná (estão contidos, de algum modo, na Mishná, embora não explicitamente rotulados como "excomunhão"). Disse-lhe Rabi Elazar: onde estão eles? Disse-lhe: quando encontrares (vai procurar por ti mesmo).
Rabi Yehoshua ben Levi enuncia uma afirmação enigmática: existem vinte e quatro casos em que o tribunal rabínico aplica a excomunhão por ofensa à honra de um mestre, e todos eles estariam, de algum modo, contidos na Mishná — ainda que não explicitamente identificados como tais. Quando Rabi Elazar pede que ele indique onde estão esses casos, recebe uma resposta deliberadamente evasiva, convidando-o a procurar por si mesmo, o que dá início à busca detalhada que ocupa as próximas seções do daf.
Rabi Elazar saiu, investigou a fundo, e encontrou três casos: aquele que desdenha da lavagem das mãos (antes de comer pão), e aquele que fala mal depois do féretro dos estudiosos, discípulos dos sábios, e aquele que se ensoberbece perante o Céu.
Rabi Elazar aceita o desafio e, após cuidadosa investigação da Mishná, localiza três dos vinte e quatro casos anunciados: o desprezo pela lavagem ritual das mãos, a maledicência atrás do féretro de sábios (retomando o tema imediatamente anterior) e a arrogância diante do Céu. As três seções seguintes identificam, com precisão, os episódios mishnaicos concretos por trás de cada uma dessas categorias.
"Aquele que fala mal depois do féretro dos estudiosos, discípulos dos sábios" — qual é o caso concreto que ilustra isso na Mishná? Pois formulamos numa Mishná: ele (certo sábio anônimo) costumava dizer: não se dá a beber as águas amargas da sotá nem à convertida, nem à escrava liberta. Mas os sábios dizem: dá-se. E disseram-lhe: aconteceu com Karkemit, uma escrava liberta em Jerusalém, e Shemaiá e Avtalyon deram-lhe a beber essas águas! E ele lhes disse: foi apenas por semelhança simbólica que lhe deram a beber, e não por obrigação legal real — e por essa afronta à memória e à honra desses dois grandes sábios, excomungaram-no, e ele morreu em sua excomunhão, e o tribunal apedrejou seu caixão (em sinal do castigo póstumo por sua excomunhão).
"Ele costumava dizer" — trata-se de Akavia ben Mahalalel, no tratado Eduyot. "Não se dá a beber" — isto é, se seu marido a advertiu por ciúme e ela se ocultou (com outro homem, tornando-se sotá suspeita). "Nem à convertida" — pois a expressão "dos filhos de Israel" está dita na parashá da sotá (Bamidbar 5), excluindo assim a esposa de um convertido e de um escravo liberto. "Karkemit" — assim era seu nome, ou era chamada por seu lugar de origem. "Por semelhança lhe deram a beber" — porque eram semelhantes a ela, pois Shemaiá e Avtalyon eram descendentes de Sancheriv (também de origem estrangeira convertida), como dizemos em Guitin, no capítulo "Hanizakin" (Guitin 57b).
O primeiro dos três casos identificados por Rabi Elazar remonta a uma disputa mishnaica (Eduyot) sobre se as águas amargas da sotá podem ser dadas a uma convertida ou a uma escrava liberta. Um sábio anônimo — identificado por Rashi como Akavia ben Mahalalel — sustentava que não, e foi confrontado com o precedente histórico de Karkemit, uma escrava liberta a quem os grandes sábios Shemaiá e Avtalyon, eles mesmos descendentes de convertidos (segundo a tradição, de Sancheriv), haviam dado a beber essas águas. Sua resposta desdenhosa — de que fora apenas um gesto simbólico, sem base legal real — foi entendida como uma afronta à honra desses dois mestres, falecidos, e lhe valeu a excomunhão; ele morreu ainda excomungado, e o tribunal, como sinal do castigo, apedrejou seu caixão.
"E aquele que desdenha da lavagem das mãos" — qual é o caso? Pois formulamos numa Mishná, disse Rabi Yehudá: D-us nos livre de dizer que Akavia ben Mahalalel foi excomungado, pois não há ninguém que tenha feito o pátio do Templo se fechar por causa de sua morte, entre todo homem em Israel, tão grande em sabedoria, em pureza e em temor do pecado, quanto Akavia ben Mahalalel (sua estatura espiritual era demais reconhecida para que fosse excomungado). Mas então, a quem excomungaram? A Elazar ben Chanoch, que desdenhou da lavagem das mãos. E quando ele morreu, o tribunal enviou mensageiros e colocaram uma grande pedra sobre seu caixão, para te ensinar que todo aquele que é excomungado e morre em sua excomunhão — o tribunal apedreja seu caixão.
"Rabi Yehudá" — discorda da opinião anterior, segundo a qual foi ensinado que excomungaram Akavia. "Pois não há o pátio se fechar" — no quinto capítulo do tratado Pessachim (64b, ensina-se que os portões do pátio se fechavam quando se abatiam os cordeiros pascais de cada grupo, pois o cordeiro pascal era abatido em três grupos sucessivos). "Entre todo homem em Israel" — isto é, quando o pátio se fechava sobre eles, ou seja, quando ficava repleto de ponta a ponta, não havia entre todos eles homem tão importante em sabedoria e temor do pecado quanto Akavia. "Elazar ben Chanoch, que desdenhou" — a expressão original significa depreciou, e isto também configura ofensa à honra do mestre, pois ele transgrediu, segundo a opinião de quem decretou a obrigatoriedade sobre a lavagem das mãos.
A investigação de Rabi Elazar identifica o segundo caso a partir de um esclarecimento importante trazido por Rabi Yehudá em outra Mishná: contrariamente ao que se poderia supor do episódio anterior, não foi Akavia ben Mahalalel quem foi excomungado — sua estatura de sabedoria, pureza e temor ao pecado era conhecida e reconhecida por todo o povo, a ponto de servir como padrão de comparação para a lotação do pátio do Templo durante o abate do cordeiro pascal. O verdadeiro excomungado foi Elazar ben Chanoch, que desdenhara publicamente da obrigatoriedade da lavagem ritual das mãos — decreto instituído pelos próprios sábios, cuja honra ele assim desrespeitou. Como no caso anterior, ele morreu em excomunhão, e seu caixão foi marcado com uma grande pedra, estabelecendo o precedente de que o tribunal apedreja o caixão de quem morre excomungado.
"Aquele que se ensoberbece perante o Céu" — qual é o caso? Pois formulamos numa Mishná: enviou-lhe Shimon ben Shetach a Choni HaMe'agel (o "Traçador de Círculos", famoso por suas orações eficazes por chuva): precisas ser excomungado, e se não fosses Choni (quem és), eu decretaria sobre ti a excomunhão; mas que farei, se te comportas com mimo diante do Onipresente, e Ele faz por ti tua vontade, como um filho que se comporta com mimo diante de seu pai, e ele faz por ele sua vontade? E sobre ti diz o versículo: "alegre-se teu pai e tua mãe, e regozije-se aquela que te deu à luz" (Provérbios 23:25 — dito, aqui, ironicamente, sobre a familiaridade excessiva de Choni com D-us).
O terceiro caso é o célebre episódio de Choni HaMe'agel, cuja extraordinária eficácia em orações por chuva — a ponto de literalmente exigir e obter respostas de D-us, como se fosse um direito adquirido — levou Shimon ben Shetach a repreendê-lo com ironia mordaz. A repreensão reconhece que Choni merecia, tecnicamente, ser excomungado por sua ousadia perante o Céu, mas isenta-o dessa pena unicamente por conta de sua identidade excepcional, comparando-o a um filho tão mimado que consegue tudo o que quer do pai — uma imagem ambígua que mistura admiração e crítica sutil à familiaridade excessiva com o Divino.
Pergunta-se: e não há mais nenhum caso além destes três? Mas há o que ensinou Rav Yossef numa baraita: Teodos, homem de Roma, instituiu o costume entre os filhos de Roma de lhes dar de comer cabritos assados inteiros nas noites de Pessach (em imitação ao cordeiro pascal, embora fora de Jerusalém e sem estar consagrado). Enviou-lhe Shimon ben Shetach: se não fosses Teodos (quem és), eu decretaria sobre ti a excomunhão, pois fazes Israel comer coisas consagradas fora de seu devido lugar, imitando indevidamente o sacrifício pascal.
A Guemará questiona se os três casos encontrados esgotam a lista, e traz um quarto exemplo, desta vez de uma baraita e não da própria Mishná: Teodos de Roma, que instituíra entre os judeus romanos o costume de assar e comer cabritos inteiros na noite de Pessach, em clara imitação ao cordeiro pascal — prática problemática por sugerir, fora do Templo, uma equivalência com o sacrifício consagrado. Também aqui Shimon ben Shetach reconhece que a pena tecnicamente cabível seria a excomunhão, isentando Teodos apenas por sua estatura pessoal, no mesmo padrão retórico do caso de Choni.
Objeta-se: "em nossa Mishná" é o que dizíamos que Rabi Yehoshua ben Levi afirmara — ou seja, que os vinte e quatro casos estariam na própria Mishná. Mas este caso de Teodos está numa baraita (e não na Mishná propriamente dita, não podendo, portanto, contar entre os vinte e quatro).
A Guemará rejeita a inclusão do caso de Teodos entre os vinte e quatro, com base numa objeção formal: Rabi Yehoshua ben Levi havia especificado que todos os casos estariam contidos "em nossa Mishná", mas o episódio de Teodos provém de uma baraita — uma fonte tanaítica externa à Mishná redigida por Rabi Yehudá HaNassi — e por isso não se qualifica.
Pergunta-se: e na Mishná não há mais nenhum outro caso? Mas há isto que formulamos numa Mishná: se alguém o cortou (o forno de barro) em anéis (segmentos), e colocou areia entre um anel e outro (recompondo-o com uma camada isolante de areia entre as peças), Rabi Eliezer considera o forno puro (por já não ser mais, tecnicamente, um utensílio de barro contínuo, e portanto insuscetível de impureza), e os sábios consideram o impuro. E este é o forno de Achnai (cujo nome se tornou proverbial pela intensidade da disputa).
"Cortou-o em anéis" — trata-se de um forno de barro que é feito como um utensílio móvel, sendo originalmente de argila, e o oleiro o endurece no forno de cozimento como os demais potes; e se se contaminou, a Escritura exigiu sua demolição; e se o demoliram deste modo — que o cortaram ao redor, todo, em segmentos circulares como anéis, e depois voltaram a uni-lo com argila misturada com areia entre um anel e outro —, Rabi Eliezer o considera puro para sempre, pois já não é mais como um utensílio de barro que não foi requeimado no forno de cozimento como peça única, e os sábios o consideram impuro. "Como Achnai" — como esta serpente que se enrola em círculo (o nome do forno alude à disputa que "cercou" o caso de argumentos, tal como a serpente se enrola).
A Guemará traz mais um candidato para completar a lista, desta vez efetivamente extraído da Mishná: o célebre caso do forno de Achnai, envolvendo uma disputa técnica sobre pureza ritual — se um forno de barro cortado em segmentos e remontado com areia entre as partes permanece suscetível à impureza. Rabi Eliezer, isoladamente, sustentava que não, contra a opinião da maioria dos sábios. O nome "Achnai" é explicado por Rashi como alusão a uma serpente que se enrola em círculo, sugerindo o modo como a controvérsia "cercou" o forno com argumentos.
O que significa "Achnai"? Disse Rav Yehudá em nome de Shmuel: ensina que as leis halájicas o cercaram, a esse forno, como faz esta serpente (que se enrola completamente ao redor de seu objeto), e assim o declararam impuro (prevalecendo, ao final, a opinião dos sábios sobre a de Rabi Eliezer).
A Guemará esclarece a etimologia do nome incomum do forno: "Achnai" evoca a imagem de uma serpente (achna, em aramaico) que se enrola completamente ao redor de seu alvo, numa alusão ao modo como os argumentos halájicos "cercaram" o forno de todos os lados, culminando na declaração de sua impureza pela maioria dos sábios, contra o voto isolado de Rabi Eliezer.
E foi ensinado numa baraita: naquele dia (em que se decidiu contra Rabi Eliezer), trouxeram todos os objetos declarados puros que Rabi Eliezer havia purificado (com base em sua opinião sobre esse tipo de forno), e os queimaram diante dele (em sinal simbólico de que sua opinião fora rejeitada e todos aqueles objetos eram, na verdade, impuros), e ao final o abençoaram (reconhecendo, apesar de tudo, sua grandeza e dignidade).
"Todas as purezas" — objetos que foram feitos em contato com este forno, ou que tocaram em seu espaço interno, e Rabi Eliezer os declarava puros, e eles (os sábios) os queimaram. "E o abençoaram" — porque ele muito insistiu em discordar nesta questão, como dizemos em Bava Metzia, no capítulo "HaZahav" (Bava Metzia 59b — onde se narra a extensa disputa e suas graves consequências).
A baraita revela o desfecho dramático da controvérsia do forno de Achnai: tendo os sábios decidido contra Rabi Eliezer, eles levaram a cabo a consequência prática de sua decisão, queimando publicamente, diante do próprio Rabi Eliezer, todos os objetos que ele declarara puros com base em sua opinião — um gesto de reafirmação da autoridade da maioria, mas também de humilhação pessoal. Ainda assim, ao final, reconheceram sua grandeza abençoando-o, um gesto que suaviza, ainda que minimamente, a tensão do episódio, cujas consequências mais amplas (incluindo a excomunhão do próprio Rabi Eliezer) são narradas com mais detalhe em Bava Metzia 59b.
Mesmo assim (apesar de o episódio do forno de Achnai constar da Mishná), o termo "excomunhão" não formulamos explicitamente na Mishná a seu respeito (a Mishná relata apenas a disputa legal, não menciona ali a excomunhão de Rabi Eliezer). Mas então, onde encontramos de fato os "vinte e quatro lugares"? Responde-se: Rabi Yehoshua ben Levi compara um caso a outro (mesmo quando a Mishná não menciona explicitamente a palavra "excomunhão", ele identifica, por analogia, o princípio subjacente de ofensa à honra do mestre), e Rabi Elazar não compara um caso a outro (exige menção explícita, e por isso encontrou apenas três casos claros).
"O termo excomunhão na Mishná não formulamos" — pois isto de que "o abençoaram" está numa baraita que o ensina. "Compara um caso a outro" — isto é, em todo lugar em que Rabi Yehoshua ben Levi viu na Mishná que um sábio isolado discordou dos muitos numa grande controvérsia, ou que um dos sábios falou duramente contra outro maior que ele, diz: que caberia aqui excomunhão.
A Guemará conclui esta sugya reconhecendo uma dificuldade metodológica final: mesmo o caso do forno de Achnai, apesar de estar na Mishná, não menciona ali a palavra "excomunhão" — esse detalhe vem apenas da baraita paralela. A questão de onde exatamente se encontram, então, os vinte e quatro lugares prometidos por Rabi Yehoshua ben Levi é respondida com uma distinção metodológica entre os dois sábios: Rabi Yehoshua ben Levi trabalha por analogia, identificando o princípio de "ofensa à honra do mestre" em qualquer disputa mishnaica que envolva um sábio isolado contra a maioria, ou linguagem dura contra um mestre maior — mesmo sem menção explícita à excomunhão —, enquanto Rabi Elazar exige que o próprio termo apareça de modo claro, limitando sua busca aos três casos que encontrou.
Os carregadores do féretro, e seus substitutos, e os substitutos de seus substitutos (todos os que participam, direta ou indiretamente, do transporte do falecido): os que caminham diante do féretro, e os que caminham depois do féretro — aqueles de quem o féretro tem necessidade (os que efetivamente carregam ou estão prestes a fazê-lo em rodízio) estão isentos (da leitura do Shemá); e aqueles de quem o féretro não tem necessidade (os que apenas acompanham, sem função de carregar) ficam obrigados. Estes e aqueles (tanto os isentos quanto os obrigados quanto ao Shemá) estão isentos da Amidá (pois todos estão ocupados com o cortejo, sem condições de recitá-la com a devida concentração). Sepultaram o morto e retornaram: se podem começar e terminar a leitura do Shemá antes de chegarem à fila de condolências, que comecem; e se não, que não comecem. Os que estão de pé na fila: os de dentro (vistos pelos enlutados) estão isentos, e os de fora ficam obrigados.
Ensinaram os sábios numa baraita: não se retira o morto (para o funeral) perto do horário da leitura do Shemá. Mas se já começaram o cortejo, não se interrompe. Objeta-se: é mesmo assim que não se retira perto desse horário? Mas Rav Yossef foi retirado para seu funeral perto do horário da leitura do Shemá! Responde-se: pessoa importante é diferente (para um sábio de grande estatura, o funeral não pode ser adiado, e por isso se procede mesmo perto do horário, apesar da regra geral).
A Guemará começa a comentar a nova Mishná com uma baraita relacionada, que restringe o horário em que se pode iniciar um funeral: não se deve retirar o morto para o sepultamento muito próximo do horário obrigatório da leitura do Shemá, embora, uma vez iniciado o cortejo, não se deva interrompê-lo. Uma objeção prática é levantada a partir do próprio funeral de Rav Yossef, realizado precisamente nesse horário restrito — resolvida com a distinção de que, para uma pessoa de grande importância, cujo funeral exige participação ampla e não pode sofrer atrasos logísticos, a regra geral não se aplica.
A Mishná falou de "os que caminham diante do féretro" e "os que caminham depois do féretro". A respeito disso, ensinaram os sábios numa baraita: os que se ocupam do elogio fúnebre — no momento em que o morto está deitado diante deles (ainda não sepultado, durante o próprio elogio) — vão se retirando discretamente, um a um, e leem o Shemá individualmente, para não interromper a cerimônia coletiva. Quando o morto não está deitado diante deles (já sepultado, na fase seguinte de consolação), eles ficam sentados e leem juntos, e o próprio enlutado fica sentado e permanece em silêncio (sem participar da leitura do Shemá, absorto em seu luto). Eles ficam de pé e rezam a Amidá, e ele (o enlutado) fica de pé e justifica sobre si o Divino julgamento, e diz: "Soberano dos mundos, muito pequei diante de Ti, e não me cobraste a devida punição por sequer um em mil de meus pecados; seja de Tua vontade, Eterno nosso D-us, que Tu feches nossas brechas e as brechas de todo o Teu povo, a Casa de Israel, com misericórdia".
"O morto não está deitado diante deles" — trata-se de quando o morto está em outra casa, e eles o elogiam ali (neste outro local); e há quem explique que ele apenas está colocado para o lado (fora da vista direta, mas ainda no mesmo recinto). "E ele fica sentado e permanece em silêncio" — refere-se ao enlutado.
A Guemará esclarece os termos técnicos da Mishná — "diante do féretro" e "depois do féretro" — através de uma baraita que distingue duas fases do processo fúnebre. Durante o próprio elogio, com o corpo ainda presente diante da assembleia, os participantes leem o Shemá discretamente, saindo um a um para não perturbar a solenidade coletiva. Já numa fase posterior, sem o corpo à vista, todos podem ler juntos, sentados — mas o enlutado, distinto de todos os demais, permanece em silêncio, sem participar da leitura, absorto em seu próprio luto, e quando os demais se levantam para a Amidá, ele também se levanta, mas não para orar por suas necessidades: em vez disso, recita uma tocante justificação do julgamento divino, reconhecendo que seus pecados mereceriam punição muito mais severa do que a perda que sofreu, e suplicando que D-us feche as "brechas" — as perdas e sofrimentos — de todo o povo de Israel.
Disse Abaié: não convém a uma pessoa dizer assim (a fórmula "não me cobraste sequer um em mil", pois isso pode ser mal interpretado ou trazer consequências indesejadas), pois disse Rabi Shimon ben Lakish, e assim também ensinou uma baraita em nome de Rabi Yossei: nunca abra o homem sua boca para o Satã (evitando mencionar, mesmo em tom de humildade, possibilidades negativas que poderiam se materializar por essa própria menção).
Abaié introduz uma reserva importante quanto à fórmula de humildade citada na baraita anterior: embora bem-intencionada, a afirmação de que D-us não cobrou "sequer um em mil" dos pecados do enlutado é desaconselhável, pois sugere, ainda que retoricamente, a possibilidade de punições piores por vir. O princípio invocado — não abrir a boca para o Satã — reflete uma sensibilidade talmúdica recorrente: evitar verbalizar cenários negativos, mesmo hipotéticos, por temor de que a própria menção lhes dê alguma forma de eficácia ou lhes atraia atenção indesejada.
E disse Rav Yossef: qual é o versículo que prova o princípio de não abrir a boca para o Satã? O versículo em que o próprio povo, comparando-se com exagero autodepreciativo, diz: "quase como Sodoma fomos" (Yeshaiáhu 1:9 — uma comparação excessivamente severa, feita pelo próprio povo contra si mesmo). O que lhes respondeu o profeta em seguida? "Ouvi a palavra do Eterno, chefes de Sodoma" (Yeshaiáhu 1:10 — usando o mesmo termo depreciativo que eles mesmos haviam empregado, tomando-os literalmente pela palavra que abriram diante do acusador).
Rav Yossef fornece a prova bíblica do princípio de Abaié: quando o povo de Israel, em Yeshaiáhu, compara-se a si mesmo com Sodoma em tom de autocrítica exagerada, o profeta responde chamando-os, no versículo imediatamente seguinte, de "chefes de Sodoma" — usando literalmente contra eles a mesma comparação severa que eles próprios haviam introduzido. Isto demonstra concretamente o perigo de "abrir a boca para o Satã": a própria menção retórica de um mal, mesmo em discurso de humildade ou autocrítica, corre o risco de ser tomada ao pé da letra e se voltar contra quem a pronunciou.
A Mishná ensinou: "sepultaram o morto e retornaram, etc." Explica-se, restritivamente: se podem começar e terminar a leitura de toda ela (o Shemá inteiro), sim, que comecem; mas se podem terminar apenas um capítulo, ou um único versículo (sem tempo para o restante) — não devem começar, pois uma leitura fragmentada seria pior do que não ler.
A Guemará abre a análise da Mishná sobre os que retornam do sepultamento com uma leitura restritiva de sua condição: "se podem começar e terminar" é entendido como exigindo a conclusão de toda a leitura do Shemá — não bastando completar apenas um capítulo ou mesmo um único versículo antes de serem interrompidos pela chegada da fila de condolências. Essa leitura será imediatamente desafiada pela baraita seguinte.
E contrapõe-se uma baraita paralela: sepultaram o morto e retornaram — se podem começar e terminar, mesmo que seja apenas um capítulo, ou um único versículo, que comecem!
A Guemará traz uma baraita que parece contradizer diretamente a leitura restritiva anterior: segundo ela, basta poder completar mesmo uma unidade parcial da leitura — um único capítulo ou um único versículo — para que se deva começar, sem exigir a conclusão de todo o Shemá. Essa aparente contradição entre a Mishná e a baraita paralela suscita a resolução harmonizadora que fecha o daf.
Resolve-se a contradição: também assim quer dizer a própria Mishná: se podem começar e terminar, mesmo que seja apenas um capítulo, ou mesmo um único versículo, antes que cheguem à fila de condolências, que comecem; e se não (se nem sequer um versículo completo puderem terminar a tempo), não comecem.
O daf se encerra com a harmonização entre a Mishná e a baraita: não há, de fato, contradição real entre elas, pois a própria Mishná já pretendia dizer o mesmo que a baraita — que basta poder concluir mesmo uma unidade parcial da leitura, seja um capítulo ou um único versículo, desde que completa antes de se atingir a fila de condolências, para que se deva começar; caso contrário, mesmo essa unidade mínima não valeria a pena iniciar, e não se deve começar de forma alguma. Esta resolução fecha, por ora, a análise da primeira cláusula da nova Mishná, cuja discussão prossegue no daf seguinte.
Trilha comparada: A nova Mishná sobre os carregadores do féretro e sobre os que sepultaram o morto e retornam corresponde, no Talmud Yerushalmi, Berachot, Perek Guimel, Halachá 2, já traduzida neste site — que trata da mesma Mishná "sepultaram o morto e retornaram", com a fila interna e externa, a baraita sobre não retirar o morto perto do horário do Shemá, e as regras do elogio fúnebre.
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