O daf abre com a baraita central de tashlumin: quem se esqueceu de rezar Minchá em véspera de Shabat compensa à noite com duas orações, dizendo Havdalá apenas na primeira; e quem se esqueceu de Minchá em pleno Shabat compensa no fim de semana com duas orações de dia de semana, também com Havdalá só na primeira. Uma objeção quase invalida essa regra da "primeira que não subiu", mas é resolvida com dificuldade. A Guemará então entra na grande disputa sobre a origem das três orações diárias — se foram instituídas pelos patriarcas Avraham, Yitzchak e Yaacov, ou se foram fixadas pelos sábios correspondendo aos sacrifícios diários do Templo —, trazendo baraitot de apoio a cada lado, com as fontes bíblicas de cada patriarca e a correspondência detalhada de cada horário de oração ao respectivo sacrifício, incluindo os limites de Minchá Guedolá e Minchá Ketaná. O daf fecha com duas dúvidas técnicas não resolvidas: se Rabi Yehuda, ao falar de "pelag haminchá", refere-se ao primeiro ou ao último pelag; e se a expressão "até" em sua opinião inclui o próprio limite ou não.
Ensinaram os sábios numa baraita, aplicando o princípio de tashlumin recém-estabelecido a um caso concreto e prático: quem se esqueceu e não rezou a Amidá de Minchá em véspera de Shabat, reza na noite de Shabat duas vezes (a Amidá regular da noite de Shabat, e em seguida a compensação pela Minchá perdida, ambas no texto da oração de Shabat). Quem se esqueceu e não rezou a Amidá de Minchá em Shabat propriamente dito, reza no final de Shabat duas vezes de dia de semana (a Amidá regular de Arvit de dia de semana, e a compensação, ambas no texto comum, já que a Minchá perdida era de Shabat mas a compensação ocorre depois de Shabat ter terminado). Em ambos os casos, ao rezar a primeira das duas orações, a pessoa faz Havdalá (a bênção "Atá Chonantanu" ou o cálice de separação, conforme o caso) na primeira oração, pois é ela que corresponde à oração atual, do momento presente, na qual normalmente se insere a Havdalá, e não faz Havdalá na segunda (a de compensação, pois não há razão para repeti-la). E se fez Havdalá na segunda e não fez na primeira (invertendo a ordem correta), a segunda lhe é válida (cumprindo por ela a obrigação da oração atual, do momento presente, já que continha a Havdalá que lhe é própria), a primeira não lhe é válida (como compensação, pois lhe faltou a Havdalá, e não se pode inverter a ordem).
"Faz Havdalá na primeira" — a primeira vez que reza é por causa da oração de agora (a Amidá regular do momento presente); por isso diz nela a Havdalá, na bênção "Chonen HaDaat" (que concede o conhecimento); e a segunda é por causa da compensação da oração de Shabat (perdida); por isso não faz Havdalá nela. "A segunda lhe é válida" — por causa da oração do final de Shabat (a oração regular do momento presente), e a primeira não lhe é válida (como a compensação de Shabat), pois ela não vale nada para esse fim, já que não se deve antecipar uma oração cujo tempo já passou a uma oração cujo tempo é agora (isto é, a compensação deve vir depois da oração do momento presente, nunca antes); e a segunda também não lhe é válida como compensação para a de Shabat, visto que, fazendo Havdalá nela, revelou sua intenção de que ela não é a compensação de Shabat, e ela será contada apenas como a oração regular de Arvit de dia de semana.
Esta baraita aplica o princípio geral de tashlumin (compensação de oração perdida rezando a Amidá duas vezes na oração seguinte), estabelecido no fim do daf anterior, a dois casos concretos envolvendo Shabat: quem perdeu a Minchá de véspera de Shabat compensa à noite de Shabat; quem perdeu a Minchá do próprio Shabat compensa no fim de semana, já em dia de semana. A regra prática central é a ordem: a primeira das duas orações representa sempre a obrigação do momento presente, e por isso é nela que se insere a Havdalá (a bênção de separação entre o sagrado e o comum); a segunda, sendo a compensação, não leva Havdalá. Se a ordem for invertida, a lógica se inverte também: a oração que contém a Havdalá passa a ser considerada a do momento presente, e a outra — sem Havdalá — não pode mais servir de compensação válida, pois ficaria sem qualquer conteúdo que a identifique com a oração perdida de Shabat.
Pergunta a Guemará, examinando a implicação da última cláusula da baraita: isso quer dizer que, já que não fez Havdalá na primeira oração (a do momento presente, que deveria contê-la), essa oração é como se a pessoa não tivesse rezado de modo algum, e a fazem repetir (isto é, a omissão da Havdalá, quando ela é devida, invalida por completo a Amidá, obrigando a pessoa a repeti-la inteira)?
A Guemará extrai da baraita uma implicação de peso: se, ao inverter a ordem, a primeira oração (que deveria ter tido a Havdalá) acaba sem valor como oração do momento presente, isso pareceria significar que a ausência da Havdalá, quando devida, é defeito suficiente para invalidar toda a Amidá — like se a pessoa simplesmente não tivesse rezado —, exigindo repetição total. Esta é uma afirmação forte que a Guemará passará a questionar a partir de uma fonte paralela.
E a Guemará contrapõe uma baraita a esta implicação: quem se esqueceu e não mencionou a menção das forças das chuvas ("que faz descer o orvalho e a chuva") na bênção da ressurreição dos mortos (a segunda bênção da Amidá), e não mencionou o pedido de chuva na bênção dos anos (a nona bênção, "Bareich Aleinu") — fazem-no repetir a Amidá inteira, pois essas são omissões que invalidam a oração. Mas a Havdalá omitida na bênção "Chonen HaDaat" ("concede o conhecimento", a quarta bênção da Amidá dos dias de semana, onde normalmente se insere a Havdalá no fim de Shabat), não o fazem repetir a oração por essa omissão, porque pode dizê-la ainda sobre o cálice de vinho, mais tarde, fora da Amidá — mostrando que a ausência de Havdalá na Amidá NÃO é defeito grave o bastante para exigir repetição, ao contrário do que sugeriria a baraita anterior sobre tashlumin! Conclui a Guemará, sem encontrar solução satisfatória: é difícil (a contradição permanece sem resposta explícita neste ponto).
A Guemará traz uma baraita conhecida (também citada em outros lugares do tratado) que estabelece uma hierarquia clara de gravidade entre omissões na Amidá: esquecer a menção das chuvas ou o pedido de chuva são erros que invalidam a oração, exigindo repetição integral; já esquecer a Havdalá na bênção "Chonen HaDaat" não invalida nada, precisamente porque a Havdalá pode ainda ser recitada separadamente sobre o cálice de vinho. Isso contradiz diretamente a implicação extraída da baraita de tashlumin, segundo a qual a ausência de Havdalá tornaria a oração "como se não tivesse sido rezada". A Guemará reconhece a dificuldade sem resolvê-la nesta passagem, deixando-a como "kashiá" — uma contradição não solucionada.
A Guemará abre agora uma nova questão, deixando de lado a dificuldade anterior: disse-se entre os amoraim uma disputa fundamental sobre a origem histórica das três orações diárias: Rabi Yossei, filho de Rabi Chanina, disse: os patriarcas instituíram as orações (cada um dos três patriarcas — Avraham, Yitzchak e Yaacov — instituiu uma das três orações diárias). Rabi Yehoshua ben Levi disse: correspondendo aos sacrifícios diários (os tamidim, oferecidos continuamente no Templo) as instituíram (os sábios posteriores, tomando os horários dos sacrifícios como modelo para os horários das orações).
"Os patriarcas instituíram-nas" — conforme se ensina na baraita trazida logo a seguir. "Correspondendo aos tamidim as instituíram" — isto é, foram os homens da Grande Assembleia que as instituíram, tomando por modelo os horários dos sacrifícios diários.
Abre-se aqui uma das disputas mais conhecidas do tratado, sobre a origem histórica e conceitual das três orações diárias (Shacharit, Minchá e Arvit). Rabi Yossei bar Rabi Chanina defende que cada patriarca instituiu uma oração, num ato de piedade pessoal muito anterior ao Templo. Rabi Yehoshua ben Levi defende que as orações foram formalmente instituídas pelos sábios (os homens da Grande Assembleia, segundo Rashi) já em época posterior, tomando os horários dos sacrifícios diários do Templo como modelo estrutural. Esta disputa não é meramente histórica: ela afeta questões práticas, como a existência ou não de uma oração de Mussaf correspondente aos patriarcas, e os limites horários de cada oração, discutidos nas próximas unidades.
Ensinou-se numa baraita conforme Rabi Yossei bar Rabi Chanina, e ensinou-se noutra baraita conforme Rabi Yehoshua ben Levi (ambas as posições têm apoio em fontes tanaíticas). Ensinou-se conforme Rabi Yossei bar Rabi Chanina: Avraham instituiu a oração da manhã (Shacharit), pois se diz (Gênesis 19:27): "e madrugou Avraham pela manhã ao lugar onde ele estivera de pé (diante de D'us)"; e "de pé" (amidá) não é senão uma expressão para oração, pois se diz (Salmos 106:30): "e se pôs de pé Pinchas e orou (vaifalel)" (mostrando que "estar de pé" é sinônimo bíblico de rezar).
A Guemará confirma que ambas as opiniões amoraicas encontram apoio em fontes tanaíticas próprias, e passa a citar a primeira dessas baraitot, que sustenta a posição de Rabi Yossei bar Rabi Chanina detalhando a fonte bíblica para cada patriarca. Avraham é identificado como o instituidor da oração matinal a partir do versículo que o descreve retornando, de manhã cedo, ao lugar onde "estivera de pé" diante de D'us no dia anterior (intercedendo por Sodoma) — e a palavra "amidá" (ficar de pé) é interpretada, por analogia com o episódio de Pinchas, como termo técnico para a oração.
Yitzchak instituiu a oração da tarde (Minchá), pois se diz (Gênesis 24:63): "e saiu Yitzchak a meditar (lassuach) no campo, ao entardecer (lifnot arev)"; e "meditação" (sichá) não é senão uma expressão para oração, pois se diz (Salmos 102:1): "oração de um pobre homem, quando desfalece, e derrama diante do Eterno sua meditação (sicho)".
A baraita continua com Yitzchak, associado à oração da tarde a partir do versículo que o descreve saindo ao campo "para meditar" ao entardecer — palavra hebraica (sichá) que, por analogia com o versículo dos Salmos sobre o "pobre homem" que "derrama sua sichá" diante de D'us, é entendida como termo técnico para oração de súplica.
Yaacov instituiu a oração da noite (Arvit), pois se diz (Gênesis 28:11): "e chegou (vaifga) ao lugar, e passou ali a noite"; e "chegada" (pguiá) não é senão uma expressão para oração, pois se diz (Jeremias 7:16): "e tu não ores por este povo, e não levantes por eles clamor nem oração, e não me chegues (al tifga bi, isto é, não intercedas por eles diante de Mim)".
Fecha-se a baraita com Yaacov, associado à oração noturna a partir do versículo que o descreve "chegando" a um lugar e ali pernoitando (em seu caminho para Charan) — palavra hebraica (pguiá) que, por analogia com o versículo de Jeremias, no qual D'us proíbe o profeta de "chegar" a Ele em intercessão pelo povo, é entendida como termo técnico para oração intercessória. Com isso, completa-se a atribuição das três orações diárias aos três patriarcas, sustentando a posição de Rabi Yossei bar Rabi Chanina.
E ensinou-se noutra baraita conforme Rabi Yehoshua ben Levi: por que os sábios disseram que a oração da manhã vale até meio-dia? Pois eis que o tamid da manhã (o sacrifício contínuo matinal, oferecido diariamente no Templo) é oferecido continuadamente, podendo ser oferecido até meio-dia (daí o horário limite da oração corresponder ao do sacrifício). E Rabi Yehuda diz: até quatro horas (do dia), pois eis que o tamid da manhã é oferecido, segundo sua opinião, apenas até quatro horas.
"Rabi Yehuda" — entende ele que o tamid da manhã não é oferecido senão até quatro horas (do dia, e por isso a oração matinal, correspondendo a ele, também tem esse limite mais restrito).
A Guemará traz agora a baraita que sustenta a posição de Rabi Yehoshua ben Levi, explicando os próprios limites horários da mishná (já vistos em 26a) pela correspondência direta com os horários dos sacrifícios diários. O limite geral de meio-dia para a oração matinal corresponde ao limite geral do sacrifício tamid da manhã; e o limite mais restrito de Rabi Yehuda, de quatro horas, corresponde à opinião paralela de que o tamid matinal só podia ser oferecido até essa hora mais cedo. Esta correspondência ponto a ponto é a evidência central para a tese de que as orações foram estruturadas com base no calendário sacrificial.
E por que os sábios disseram que a oração da tarde vale até o entardecer? Pois eis que o tamid "entre as tardes" (bein ha'arbayim, o sacrifício contínuo vespertino) é oferecido continuadamente, podendo ser oferecido até o entardecer. Rabi Yehuda diz: até pelag haminchá, pois eis que o tamid "entre as tardes" é oferecido, segundo sua opinião, até pelag haminchá.
Continua a correspondência: o limite geral de "entardecer" para a oração da tarde corresponde ao limite geral do sacrifício tamid vespertino; o limite mais restrito de Rabi Yehuda, "pelag haminchá", corresponde à opinião paralela de que esse mesmo tamid vespertino só podia ser oferecido até esse ponto intermediário da tarde.
E por que os sábios disseram que a oração da noite não tem horário fixo (kevá, isto é, não possui um limite rígido definido, ao contrário das duas orações diurnas)? Pois eis que os membros dos animais sacrificados e as gorduras que não se consumiram no altar ainda à tarde (por permanecerem incompletamente queimados até o pôr do sol), continuam sendo oferecidos (consumidos pelo fogo do altar) durante toda a noite (sem um limite fixo, o que explica por que a oração noturna, correspondente, também carece de limite rígido).
"Membros" — referem-se aos membros das ofertas queimadas por inteiro (olot). "E gorduras" — referem-se às gorduras dos demais sacrifícios (cujo sangue já foi aspergido no altar antes do pôr do sol; tais membros e gorduras continuam sendo oferecidos (queimados no altar) durante toda a noite; e correspondendo a eles instituíram a oração da noite (sem limite fixo, refletindo esse processo contínuo).
A baraita explica também a ausência de limite fixo na oração noturna: no serviço do Templo, os membros de ofertas queimadas por inteiro e as porções de gordura de outros sacrifícios cujo sangue já fora aspergido antes do pôr do sol continuavam a ser consumidos pelo fogo do altar ao longo de toda a noite, sem um horário de corte definido. Sendo a oração noturna correspondente a esse processo contínuo, ela também não recebeu um limite horário rígido, ao contrário das duas orações diurnas, atreladas aos horários mais precisos dos sacrifícios tamid.
E por que os sábios disseram que a oração de mussafim vale o dia todo? Pois eis que o sacrifício de mussafim é oferecido (pode ser oferecido) o dia todo. Rabi Yehuda diz: até sete horas (do dia), pois eis que o sacrifício de mussaf é oferecido, segundo sua opinião, até sete horas.
Completa-se a correspondência para a quarta oração: o limite geral do "dia todo" para a oração de Mussaf corresponde ao limite geral do sacrifício adicional de Mussaf no Templo; o limite mais restrito de Rabi Yehuda, sete horas, corresponde à opinião paralela sobre o próprio sacrifício. Com esta última correspondência, a baraita demonstra, ponto a ponto, que os quatro horários de oração da mishná refletem exatamente os horários dos respectivos sacrifícios — base textual completa para a posição de Rabi Yehoshua ben Levi.
E qual é Minchá Guedolá ("a Minchá maior", isto é, o início mais cedo em que se pode oferecer o sacrifício vespertino)? De seis horas e meia do dia em diante. E qual é Minchá Ketaná ("a Minchá menor", o início mais próximo do fim do dia)? De nove horas e meia do dia em diante.
"Minchá Guedolá" — se alguém vem antecipar a oferenda do tamid "entre as tardes" (bein ha'arbayim), não pode antecipá-lo antes de seis horas e meia, pois quanto a "entre as tardes" está escrito (referindo-se ao momento) em que as sombras da tarde começam a se estender, isto é, quando o sol começa a inclinar-se para o poente, o que ocorre a partir de seis horas e meia em diante; pois disse o mestre: "meio-dia e meia hora, e depois meio de sete horas, o sol permanece sobre a cabeça de toda pessoa, no meio do firmamento (ainda no ponto mais alto, sem inclinar-se visivelmente)". "Minchá Ketaná" — o horário habitual do tamid "entre as tardes", todos os dias, é de nove horas e meia em diante, conforme ensinamos no tratado Pessachim, no capítulo "Tamid Nishchat": era abatido às oito horas e meia, e oferecido às nove e meia; e ali se explica a razão desse horário habitual.
A baraita fecha esta seção com as definições técnicas de dois marcos horários relativos ao sacrifício vespertino e, por extensão, à oração de Minchá: "Minchá Guedolá" é o horário mais cedo teoricamente possível para oferecer o tamid vespertino — seis horas e meia do dia, quando o sol começa a inclinar visivelmente para o poente; "Minchá Ketaná" é o horário habitual e mais comum na prática do Templo — nove horas e meia, meia hora depois do abate ocorrido às oito e meia, conforme detalhado no tratado Pessachim. Estas duas medidas tornam-se, na prática halachica posterior, os dois limites entre os quais se recomenda rezar a Amidá de Minchá.
Teve-se a dúvida na academia: Rabi Yehuda, quando falou de "pelag haminchá" como limite da oração da tarde, disse pelag (a metade) da primeira Minchá (Guedolá, isto é, a metade do intervalo entre seis horas e meia e o fim do dia), ou disse pelag da última Minchá (Ketaná, isto é, a metade do intervalo entre nove horas e meia e o fim do dia)? Responde a Guemará: vem e ouve a solução, pois ensinou-se numa baraita: Rabi Yehuda diz: pelag da última Minchá disseram (referindo-se à metade do intervalo a partir de Minchá Ketaná, isto é, nove horas e meia), e ela (esse ponto exato) é onze horas do dia menos um quarto (de hora).
"Pelag da última Minchá" — divide as duas horas e meia restantes do dia (entre nove horas e meia, início de Minchá Ketaná, e as doze horas do fim do dia), e encontrarás que o pelag (a metade) da última Minchá é de onze horas menos um quarto em diante (isto é, uma hora e um quarto antes do fim do dia).
A Guemará levanta uma dúvida técnica sobre a expressão "pelag haminchá" usada por Rabi Yehuda como limite da oração da tarde: refere-se à metade do intervalo entre Minchá Guedolá (seis horas e meia) e o fim do dia, ou à metade do intervalo entre Minchá Ketaná (nove horas e meia) e o fim do dia? A dúvida é resolvida por uma baraita explícita: Rabi Yehuda mesmo esclarece que se refere ao pelag da "última" Minchá, calculado dividindo ao meio as duas horas e meia finais do dia (de nove e meia até doze), resultando no ponto de onze horas menos um quarto — ou seja, uma hora e um quarto antes do pôr do sol, o horário de "pelag haminchá" tal como conhecido na prática halachica.
Pergunta a Guemará, retomando a grande disputa: já que estas baraitot recém-citadas (sobre os horários correspondentes aos sacrifícios) parecem sustentar exclusivamente Rabi Yehoshua ben Levi, digamos que seja isto uma refutação de Rabi Yossei bar Rabi Chanina (que defendia a origem patriarcal)? Responde a Guemará: poderia dizer-te Rabi Yossei bar Rabi Chanina: na verdade, digo-te que os patriarcas instituíram as orações (mantendo minha posição original), mas os sábios posteriores apenas as apoiaram (deram suporte adicional, ligando-as) nos sacrifícios (fixando seus horários exatos por analogia aos sacrifícios, sem que isso signifique que os sacrifícios sejam a origem primária das próprias orações). Pois, se não disseres assim (isto é, se insistires que a origem é exclusivamente sacrificial), a oração de mussaf, segundo Rabi Yossei bar Rabi Chanina, quem a instituiu (visto que não há um quarto patriarca a quem atribuí-la, e ele certamente concorda que a oração de Mussaf existe)? Antes (a conclusão correta é): os patriarcas instituíram as três orações diárias, e os sábios apenas as apoiaram nos sacrifícios (fixando seus horários e acrescentando, eles mesmos, a oração de Mussaf correspondente ao sacrifício adicional, que não tem paralelo patriarcal).
"Pois, se não disseres assim" — isto é, que Rabi Yossei bar Rabi Chanina concorda que os sábios as apoiaram nos sacrifícios (além de sua origem patriarcal). "A oração dos mussafim, quem a instituiu" — segundo Rabi Yossei bar Rabi Chanina, se ele insistisse que somente os patriarcas fixaram as orações, sem qualquer intervenção posterior dos sábios; antes, por força da lógica, os sábios as apoiaram nos sacrifícios, e quando examinaram o caso dos mussafim e não encontraram nenhuma oração correspondente a ele (instituída pelos patriarcas), levantaram-se eles mesmos e a instituíram.
A Guemará resolve a aparente contradição entre a posição de Rabi Yossei bar Rabi Chanina e as baraitot que ligam os horários das orações aos sacrifícios: não se trata de teorias mutuamente exclusivas. Rabi Yossei bar Rabi Chanina pode perfeitamente concordar que os sábios usaram os horários dos sacrifícios como apoio técnico para fixar os horários exatos das orações, sem que isso signifique que os sacrifícios sejam a origem primária das próprias orações — essa origem remonta aos patriarcas. A prova decisiva é a oração de Mussaf: não havendo um quarto patriarca, sua existência só se explica pela iniciativa direta dos sábios, que a instituíram precisamente para corresponder ao sacrifício adicional que não tinha paralelo nas orações patriarcais herdadas.
A Guemará retorna ao texto da mishná: "Rabi Yehuda diz: até quatro horas". Teve-se a dúvida na academia: a palavra "até" inclui o próprio limite mencionado, ou talvez "até" não inclua o próprio limite, mas apenas o que vem antes dele?! Tenta-se resolver: vem e ouve: "Rabi Yehuda diz: até pelag haminchá" (o limite paralelo para Minchá). Se disseres, está bem, que "até" não inclui o próprio limite — então eis a diferença que há entre Rabi Yehuda e os sábios (pois, para os sábios, o limite geral vai até o entardecer inclusive; para Rabi Yehuda, o limite mais restrito de pelag haminchá exclui esse próprio ponto, sendo genuinamente mais estrito); mas se disseres que "até" inclui o próprio limite, então Rabi Yehuda — a discussão permanece em aberto, e o daf termina aqui, sem que a Guemará conclua explicitamente a implicação desta segunda alternativa.
"'Até' inclui" o próprio limite — é precisamente quanto a Rabi Yehuda que a Guemará pergunta isto, pois, quanto aos sábios (a opinião geral da mishná), é claro que a palavra "até" não inclui o próprio limite (isto é, o prazo geral realmente termina antes do entardecer propriamente dito, sem incluí-lo).
O daf fecha com uma última dúvida técnica, que ficará sem resolução explícita nesta passagem: quando a mishná emprega a palavra "até" (ad) para descrever os limites horários das orações — "até quatro horas", segundo Rabi Yehuda —, essa palavra inclui o próprio momento mencionado como ainda válido, ou o exclui, valendo apenas até o instante imediatamente anterior? A Guemará tenta testar a questão a partir do paralelo de "pelag haminchá": se "até" exclui o próprio limite, então a diferença entre Rabi Yehuda e os sábios quanto ao prazo de Minchá é genuína e mensurável (o sábios incluem o entardecer, Rabi Yehuda exclui até mesmo pelag haminchá). A segunda alternativa — "até" incluindo o limite — é apenas esboçada quando o texto do daf se interrompe, e sua análise completa segue no início do daf seguinte.
O Talmud Yerushalmi, na Mishná 4:1 e seguintes de Berachot, trata da mesma abertura do capítulo sobre os horários das orações — e, ao final da série de mishnayot, das orações pessoais dos sábios e de temas afins ao redor da Amidá.
Ver também no Talmud Yerushalmi 4:1 →