O daf continua diretamente o episódio de Mar bar Ravina, que trouxe um copo precioso e o quebrou diante dos sábios demasiadamente alegres em seu casamento, entristecendo-os — origem do costume de quebrar um copo sob a chupá. Segue o mesmo gesto por Rav Ashi, e a canção fúnebre de Rav Hamnuna Zuti, culminando na proibição de Rabi Shimon bar Yochai de encher a boca de riso neste mundo. Vem então a nova Mishná: não se reza a partir de juízo nem de dúvida de lei, mas de halachá decisiva — exemplificada pelas leis de Rabi Zeira, Rav Hoshaya e Rav Huna. A Guemará lista os estados que impedem a oração (tristeza, preguiça, riso, conversa, leviandade, futilidades) e a norma de despedir-se de um amigo apenas com palavra de Torá, ilustrada pelo costume de Rabi Akiva e pelo episódio de Rav Kahana e Rav Shimi bar Ashi sobre as palmeiras da Babilônia. Fecha o daf com a baraita da direção do coração na oração, o costume de rezar em casa com janelas, e a longa baraita halachica sobre os horários, a direção, o volume de voz e a ordem da oração a partir dos versículos de Daniel, Davi, Chaná e Shlomo, culminando na extensa exposição de Rav Hamnuna sobre os detalhes da oração de Chaná, que se conclui em 31b.
Continuando o relato iniciado ao final de 30b — Mar, filho de Ravina, fez um casamento para seu filho, e viu que os sábios estavam muito alegres — trouxe um copo precioso, de quatrocentos zuz (de vidro branco fino, de grande valor), e o quebrou diante deles, e ficaram entristecidos (restabelecendo, assim, o elemento de tremor exigido mesmo em meio à alegria de uma festa de casamento).
"Copo precioso" — copo de vidro branco.
Este episódio, que conclui o relato aberto no final do daf anterior, é a fonte talmúdica do costume, ainda hoje praticado, de quebrar um copo sob a chupá: Mar, filho de Ravina, ao ver a alegria dos sábios ultrapassar a medida devida, quebrou deliberadamente um copo de grande valor diante deles, introduzindo um momento de tristeza que restaurava o equilíbrio entre alegria e temor ensinado ao final de 30b.
Rav Ashi fez um casamento para seu filho, e viu que os sábios estavam muito alegres. Trouxe um copo de vidro branco, e o quebrou diante deles, e ficaram entristecidos (episódio paralelo ao de Mar bar Ravina, confirmando que o gesto se tornou prática recorrente entre os sábios).
A repetição do mesmo gesto por Rav Ashi, geração depois de Mar bar Ravina, mostra que quebrar um copo precioso diante da alegria excessiva dos convidados não foi um ato isolado, mas um costume estabelecido entre os sábios para lembrar, mesmo nos momentos de maior júbilo, o temor devido.
Disseram-lhe os sábios a Rav Hamnuna Zuti nas bodas de Mar, filho de Ravina: cante para nós, mestre. Disse-lhes: ai de nós, que morreremos! Ai de nós, que morreremos! Disseram-lhe: e nós, o que responderemos depois de ti (qual é o refrão que devemos cantar)? Disse-lhes: onde estão a Torá e a mitzvá que nos protegem (do julgamento do Guehinom)?
"Cante para nós, mestre" — isto é, uma canção. "Onde estão a Torá e a mitzvá que nos protegem" — onde está a Torá com que nos ocupamos, e onde estão as mitzvot que cumprimos, que nos protejam do julgamento do Guehinom.
Convidado a entoar uma canção festiva, Rav Hamnuna Zuti responde com um refrão fúnebre sobre a mortalidade e o juízo futuro, e, questionado sobre o que os demais deveriam responder em coro, ensina que só a Torá e as mitzvot podem proteger a pessoa desse julgamento — nova expressão do mesmo princípio de temperar a alegria com temor.
Disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: é proibido ao homem encher sua boca de riso neste mundo (enquanto durar o exílio), como está dito: "então se encherá de riso nossa boca, e nossa língua de louvor" (Tehilim 126:2). Quando será isso? No tempo em que "dirão entre as nações: grandes coisas fez o Eterno com estes" (Tehilim 126:2, isto é, na era da redenção futura, e não antes). Disseram sobre Reish Lakish que em toda a sua vida nunca encheu sua boca de riso neste mundo, desde que ouviu isso de Rabi Yochanan, seu mestre.
Encadeando-se ao tema anterior, esta terceira tradição eleva o princípio a uma regra permanente e não apenas ocasional: enquanto Israel estiver no exílio, ninguém deveria rir com plenitude total, reservando essa alegria completa para a era messiânica; Reish Lakish é apresentado como quem levou esse ensinamento à prática mais rigorosa.
Ensinaram os sábios (numa baraita): não se põe de pé para rezar a partir de juízo (um caso de julgamento em discussão), nem a partir de matéria de lei (uma questão halachica ainda em análise), senão a partir de halachá decisiva (já resolvida, sem necessidade de reflexão adicional).
"Halachá decisiva" — que não precisa de reflexão, para que não fique pensando nela durante sua oração.
Prosseguindo o tema da concentração devida na oração, a nova baraita ensina que a mente deve estar livre de qualquer questão jurídica ainda em aberto antes de começar a rezar; apenas o estudo de uma lei já fixada e decidida — que não exige mais raciocínio — é compatível com o estado de recolhimento exigido.
E como é uma halachá decisiva (a Guemará pede um exemplo concreto)?
Disse Abaye: como este caso de Rabi Zeira, que disse: as filhas de Israel foram rigorosas consigo mesmas, que mesmo vendo uma gota de sangue (fora dos dias de sua menstruação regular) do tamanho de um grão de mostarda, sentam-se por causa dela sete dias limpos (tratando-a como se fosse "zavá", ainda que a Torá exigisse isso apenas para quem visse sangue por três dias seguidos).
"Senta-se por causa dela sete dias limpos" — além daquele dia em que cessa de ver sangue; e a Torá só exigiu sete dias limpos para a "zavá", como está dito: "e se ficar pura de seu fluxo" (Vayikrá 15:28), e não há "zavá" senão quem vê sangue três dias seguidos dentro dos onze dias entre uma menstruação e outra.
Abaye traz como exemplo de "halachá decisiva" a estringência costumeira aceita por todas as filhas de Israel quanto à pureza menstrual — uma lei tão firmemente estabelecida na prática que não exige qualquer novo raciocínio, apenas sua aplicação direta.
Rava disse: como este caso de Rav Hoshaya, que disse: um homem pode dar um jeito (lícito) com sua produção e recolhê-la em casa com sua palha (antes de debulhá-la, ainda misturada), para que seu animal coma dela livremente, e fique isenta do dízimo (pois a obrigação bíblica do dízimo só se fixa quando o grão é "visto pela face da casa" já debulhado).
"E a recolhe" — em casa. "Com sua palha" — antes de aventá-la, pois não se obriga no dízimo por lei da Torá senão pela visão da face da casa e depois de alisada na eira; mas antes de alisada, a visão da face da casa não a fixa para o dízimo, pois, quanto a terumá e dízimo, está escrito "grão, primícia de teu grão" (Devarim 18:4), e isso é o alisamento; por isso, quando a recolhe em casa antes de alisada, não se fixa para o dízimo por lei da Torá, e foram os sábios que proibiram o consumo fixo de algo cuja obra não terminou, mas o consumo ocasional não proibiram; e o alimento do animal é ocasional, como aprendemos em Massechet Peá: dá-se de comer ao animal, à fera e à ave até alisar; por isso seu animal come e fica isento, mas ele mesmo está proibido do consumo fixo.
Rava propõe um segundo exemplo de "halachá decisiva", desta vez das leis de dízimo: um artifício lícito e já bem estabelecido que permite alimentar o animal sem incorrer na obrigação do dízimo, por a produção ainda não ter passado pelo processo que a fixa como sujeita a essa obrigação.
E se quiseres, diga: como este caso de Rav Huna, que disse, disse Rabi Ze'eira: quem sangra um animal consagrado (retirando-lhe sangue por sangria, sem que isso seja parte de seu abate ritual), é proibido de tirar proveito desse sangue, e há transgressão de "meilá" (uso indevido de bens sagrados) nele.
"É proibido tirar proveito, e há 'meilá' nele" — e ainda que estabelecemos que não há 'meilá' quanto ao sangue (do abate ritual), aprendemos isso de versículos em Massechet Ioma e em Shechitat Chulin: isso vale quando abatidos no pátio do Templo, pois pode-se dizer "eu o dei a vós sobre o altar para expiar" (Vayikrá 17:11) — para expiar te dei, e não para 'meilá'; mas quanto ao sangue de sangria há 'meilá', isto é, se tirou proveito, traz um sacrifício de 'meilá'. E esses casos são halachot decisivas, sem perguntas nem respostas, que exijam reflexão sobre eles.
Uma terceira alternativa de exemplo, das leis de consagração do Templo, encerra a busca por casos de "halachá decisiva": em todos os três exemplos trazidos — pureza menstrual, dízimo e "meilá" —, trata-se de leis já fixadas e sem controvérsia pendente, adequadas a serem lembradas antes da oração sem desviar a mente para uma análise ainda em aberto.
Os sábios agem conforme a Mishná (entrando na oração a partir de "gravidade de cabeça", segundo a Mishná de 30b); Rav Ashi age conforme a baraita (entrando na oração a partir de uma halachá decisiva, segundo a baraita recém-ensinada).
"Conforme a Mishná" — a partir de gravidade de cabeça. "Conforme a baraita" — a partir de halachá decisiva.
A Guemará observa que, na prática, os sábios em geral seguiam o costume descrito na Mishná — um período de recolhimento silencioso —, enquanto Rav Ashi preferia estudar uma halachá já decidida imediatamente antes de rezar, mostrando que as duas práticas coexistiam como caminhos válidos para alcançar o mesmo estado de concentração.
Ensinaram os sábios (numa nova baraita): não se põe de pé para rezar nem a partir de tristeza, nem de preguiça, nem de riso, nem de conversa (frívola), nem de leviandade de cabeça, nem de palavras vãs, senão a partir de alegria de mitzvá (uma alegria ligada a algo sagrado).
"Conversa" — zombaria. "A partir de leviandade de cabeça" — o oposto de gravidade de cabeça, a partir de arrogância de coração e insolência. "Senão a partir de alegria" — como palavras de consolo da Torá, tais como as que ficam junto à redenção do Egito, ou junto ao Tehilá LeDavid (Ashrei), que é de louvor e consolo, como "a vontade dos que O temem fará; guarda o Eterno a todos os que O amam" (Tehilim 145:19-20), e como os versículos dispostos na oração de Arvit, "pois não abandonará o Eterno o Seu povo" (Tehilim 94:14) e semelhantes.
Esta baraita amplia a lista de estados mentais incompatíveis com o início da oração, opondo-lhes uma única disposição adequada — a alegria de mitzvá —, que Rashi identifica com as passagens de louvor e consolo lidas nas liturgias que precedem a Amidá, como o Ashrei e certos versículos da Arvit.
E do mesmo modo, não se despeça um homem de seu amigo nem a partir de conversa, nem de riso, nem de leviandade de cabeça, nem de palavras vãs, senão a partir de palavra de lei (um ensinamento de Torá, o último assunto tratado antes da despedida) — pois assim encontramos nos primeiros profetas, que terminavam suas palavras (suas profecias de repreensão) com palavras de louvor e consolo.
Estendendo o princípio da oração à convivência social comum, a baraita ensina que também a despedida entre amigos deve encerrar-se com uma palavra de Torá, e não com frivolidade, tomando como modelo os profetas bíblicos, que sempre concluíam suas mensagens, mesmo as mais duras, com palavras de esperança e consolo.
E assim ensinou Mari, filho do filho de Rav Huna, filho de Rabi Yirmeya bar Abba: não se despeça um homem de seu amigo senão a partir de palavra de lei, pois, por meio disso, se lembra dele (pois cada vez que revisitar aquele ensinamento, recordar-se-á de quem lho disse por último).
Uma segunda formulação da mesma norma acrescenta a razão prática: encerrar o encontro com uma palavra de Torá faz com que, no futuro, ao lembrar-se daquele ensinamento, a pessoa se lembre também de quem lho ensinou, fortalecendo o vínculo entre os amigos.
Como este caso de Rav Kahana, que acompanhou Rav Shimi bar Ashi de Pum Nahara até Bei Tzeniata da Babilônia. Quando chegaram lá, disse-lhe: mestre, é verdade o que dizem as pessoas, que essas palmeiras (tzeniata) da Babilônia estão ali desde Adão, o primeiro homem, até agora?
"Acompanhou-o" — foi com ele pelo caminho, escoltando-o. "Tzeniata" — palmeiras.
Como ilustração viva da norma recém-ensinada, a Guemará narra um episódio em que Rav Kahana, ao se despedir de seu mestre no fim de uma longa jornada, aproveita o momento para lhe apresentar uma questão de Torá — sobre uma tradição popular a respeito da antiguidade das palmeiras da Babilônia — em vez de simplesmente partir.
Disse-lhe (Rav Shimi bar Ashi): lembraste-me algo de Rabi Yossei ben Rabi Chanina, que disse: o que significa o que está escrito: "numa terra em que homem nenhum passou, e onde pessoa nenhuma habitou" (Yirmeyahu 2:6)? Ora, se não passou, como habitou (há aparente contradição no próprio versículo)? Antes, o versículo vem para te dizer: toda terra que Adão, o primeiro homem, decretou para habitação, foi habitada; e toda terra que Adão, o primeiro homem, não decretou para habitação, não foi habitada (logo, "não passou" refere-se a Adão, e "não habitou" a qualquer outro ser humano; e o fato de essas palmeiras específicas terem sobrevivido tantos milênios prende-se, talvez, a esse mesmo decreto original).
"Lembraste-me algo etc." — e isto que dizem que as palmeiras estão ali desde os dias de Adão, o primeiro homem, é porque ele decretou sobre aquele lugar que fosse habitado por palmeiras.
Rav Shimi bar Ashi responde à pergunta de seu discípulo não diretamente, mas trazendo um ensinamento de Torá que Rashi liga à própria questão: assim como certas terras foram destinadas por decreto de Adão à habitação humana, outras — como o local dessas palmeiras — foram por ele destinadas a esse tipo de vegetação, explicando a tradição popular sobre sua antiguidade extraordinária.
Rav Mordechai acompanhou Rav Shimi bar Ashi de Hagronia até Bei Keifei; e alguns dizem, até Bei Dura (um segundo episódio semelhante, indicando que era costume acompanhar o mestre por longas distâncias, aproveitando o percurso para o estudo).
Este breve relato paralelo reforça, por meio de outro discípulo do mesmo Rav Shimi bar Ashi, o costume de escoltar o mestre por trechos longos do caminho, prática que, como visto no episódio anterior, servia de ocasião para trocas de ensinamentos de Torá antes da despedida.
Ensinaram os sábios: quem reza precisa dirigir seu coração aos céus. Abba Shaul diz: sinal disso é o versículo: "prepararás o coração deles, atenderá o Teu ouvido" (Tehilim 10:17 — primeiro se prepara o coração, e só então o ouvido divino atende).
"Se prepararás o coração deles" — então "atenderá o Teu ouvido".
Volta-se ao tema central do perek — a direção correta do coração na oração — com uma baraita que ancora o requisito num versículo dos Salmos, entendido por Abba Shaul como prova de que a preparação interior do coração precede e condiciona a resposta divina.
Foi ensinado, disse Rabi Yehuda: assim era o costume de Rabi Akiva — quando rezava com a congregação, abreviava a Amidá e subia (terminava rapidamente), por causa do incômodo que causaria à congregação de esperar por ele; e quando rezava por si mesmo, um homem o deixava rezando num canto, e ao voltar o encontrava ainda rezando em outro canto (pois se movia de um lugar a outro ao longo da oração). E tudo isso por quê? Por causa das inclinações e prostrações (que fazia repetidamente, com tanta intensidade e movimento).
O costume de Rabi Akiva ilustra o equilíbrio entre a consideração pela congregação — abreviando quando rezava em público — e a entrega total à concentração pessoal quando rezava sozinho, ao ponto de suas numerosas inclinações e prostrações o levarem, fisicamente, de um canto ao outro do recinto.
Disse Rabi Chiya bar Abba: sempre reze o homem numa casa que tenha janelas, como está dito, sobre Daniel: "e havia janelas abertas para ele em seu quarto superior, voltadas para Jerusalém etc." (Daniel 6:11).
Toma-se o exemplo de Daniel, que orava num quarto com janelas voltadas para Jerusalém, como fonte do costume de rezar em ambiente com janelas — talvez por lembrarem a presença do mundo exterior e a direção da oração, talvez pela luz que favorece a concentração.
Poder-se-ia pensar que se reze o dia todo (sem limite de horários) — já foi explicado por Daniel: "e três vezes ao dia ele se ajoelhava sobre seus joelhos, orava e agradecia diante de seu D'us, como fazia antes disso" (Daniel 6:11 — fixando, assim, o número de três orações diárias).
"Três vezes" — Shachar, Minchá e Arvit.
Inicia-se aqui uma sequência de derivações no estilo "poder-se-ia pensar... já foi explicado", cada uma refutando uma suposição exagerada com uma fonte bíblica precisa; a primeira fixa, a partir de Daniel, que a oração deve ocorrer três vezes ao dia, e não continuamente.
Poder-se-ia pensar que isso (o costume de rezar três vezes ao dia) começou apenas desde que Daniel veio ao exílio (como uma prática nova, adotada só na Babilônia) — já foi dito: "que fazia assim desde antes disso" (Daniel 6:11, mostrando que já era seu costume antes do exílio, e portanto não era uma inovação daquele momento).
"Poder-se-ia pensar que desde que veio ao exílio começou" — que esta oração começou (huchalá), como "foi iniciada", mas antes disso não era seu costume fazer assim.
A segunda derivação refuta a hipótese de que a prática de três orações diárias fosse exclusiva da condição de exilado, mostrando, pelo próprio versículo, que Daniel já a observava antes de ser levado à Babilônia.
Poder-se-ia pensar que se reze para qualquer direção que se queira — o versículo ensina: "em direção a Jerusalém" (Daniel 6:11, fixando a direção da oração).
A terceira derivação estabelece que a oração deve ter uma direção fixa — voltada para Jerusalém —, e não uma orientação arbitrária, retomando o tema já desenvolvido em 30a sobre os círculos concêntricos de direção até o Santo dos Santos.
Poder-se-ia pensar que se incluam as três orações de uma só vez (rezando todas juntas, num único momento do dia) — já foi explicado por Davi, como está escrito: "à tarde, e pela manhã, e ao meio-dia, meditarei e gemerei, e Ele ouvirá minha voz" (Tehilim 55:18, indicando três momentos distintos, não um só).
"Poder-se-ia pensar que se incluam" — essas três orações, numa única hora.
A quarta derivação, agora a partir de um versículo de Davi, exclui a possibilidade de reunir as três orações diárias num só momento, exigindo que sejam ditas separadamente, em seus respectivos horários.
Poder-se-ia pensar que se faça ouvir sua voz na oração — já foi explicado por Chaná, como está dito: "e Chaná falava em seu coração, apenas seus lábios se moviam, e sua voz não se ouvia" (Shmuel I 1:13, fixando que a Amidá deve ser rezada em silêncio, apenas com os lábios).
A quinta derivação estabelece, a partir do modelo de Chaná, que a oração deve ser pronunciada em voz baixa, apenas movendo os lábios, sem que a voz se faça ouvir — norma que introduz a extensa série final sobre a oração de Chaná.
Poder-se-ia pensar que se peçam as próprias necessidades e depois se reze (a Amidá propriamente dita) — já foi explicado por Shlomo, como está dito: "para ouvir a súplica (rená) e a oração (tefilá)" (Melachim I 8:28). "Rená" — essa palavra refere-se à oração (a Amidá em si); "tefilá" — essa palavra refere-se ao pedido (das necessidades pessoais, que vem depois — logo, primeiro a oração, depois o pedido, e não o contrário). Não se diz palavra de pedido depois da bênção "Emet VeYatziv" (isto é, entre a Guerulá e a Amidá). Mas depois de concluída a Amidá (na bênção de "Shomea Tefilá"), mesmo como a ordem do vidui de Yom Kipur, pode-se dizer.
"Poder-se-ia pensar que peça suas necessidades" — como as bênçãos de "Atá Chonen" até "Shomea Tefilá", e depois rezasse as três primeiras bênçãos, que são de louvor. "Rená" — refere-se à oração de louvor. "Pedido" — o pedido de suas necessidades. "Depois de Emet VeYatziv" — isto é, antes das três primeiras bênçãos da Amidá.
A sexta e última derivação desta série fixa a ordem interna da própria Amidá: primeiro vêm as três bênçãos de louvor, depois os pedidos pessoais nas bênçãos intermediárias, sendo proibido inserir pedidos entre a bênção da Guerulá ("Emet VeYatziv") e o início da Amidá, mas permitido acrescentá-los livremente, mesmo em extensão comparável ao vidui de Yom Kipur, na bênção final de "Shomea Tefilá".
Foi dito também, concordando com a conclusão anterior: disse Rav Chiya bar Ashi, disse Rav: ainda que disseram que se pedem as necessidades em "Shomea Tefilá" (dentro da própria bênção), se quiser dizer seus pedidos depois de concluída sua oração (depois de "Elokai Netzor", ao final da Amidá), mesmo como a ordem de Yom Kipur, pode dizer.
Uma tradição paralela, transmitida por Rav, confirma e reforça a conclusão anterior: mesmo tendo um lugar próprio dentro da Amidá para os pedidos pessoais, nada impede que se acrescentem pedidos adicionais, ainda mais extensos, depois de toda a oração já concluída.
Disse Rav Hamnuna: quantas halachot poderosas há para se aprender destes versículos de Chaná (Shmuel I 1:13-14, retomando o mesmo relato para dele extrair leis adicionais)! "E Chaná falava em seu coração" — daqui se aprende que quem reza precisa dirigir seu coração. "Apenas seus lábios se moviam" — daqui, que quem reza deve articular as palavras com seus lábios (não bastando pensá-las apenas mentalmente). "E sua voz não se ouvia" — daqui, que é proibido elevar a voz na oração. "E Eli a considerou bêbada" (pois seus lábios se moviam sem som algum) — daqui, que o bêbado está proibido de rezar.
Rav Hamnuna extrai de um único relato bíblico — a oração silenciosa de Chaná diante do sacerdote Eli — quatro leis fundamentais da Amidá: a exigência de intenção do coração, a obrigação de mover os lábios, a proibição de elevar a voz, e a proibição de o embriagado rezar; esta última introduz o episódio seguinte, que se conclui já em 31b.
"E disse-lhe Eli: até quando ficarás bêbada? Afasta de ti o teu vinho" (Shmuel I 1:14 — a repreensão de Eli a Chaná, que ele supunha embriagada). Disse Rabi Elazar: daqui se aprende que quem vê em seu amigo algo impróprio, deve repreendê-lo (a conclusão exata dessa derivação, e a resposta de Chaná a Eli, prosseguem no início de 31b).
O daf termina em pleno desenvolvimento do episódio de Eli e Chaná: Rabi Elazar começa a extrair da repreensão de Eli a norma de que se deve advertir quem pratica algo impróprio, mas a formulação completa dessa lei, bem como a réplica de Chaná — "não, meu senhor" — e a defesa de Ulá quanto à legitimidade da resposta dela a Eli, são tratadas já no início de 31b.
O Talmud Yerushalmi, Berachot 5:1, trata na mesma halachá tanto da proibição de rezar a partir de dúvida de lei quanto da norma de não se despedir de um amigo senão com palavra de Torá — os dois temas centrais das unidades 5 a 13 deste daf.
Ver também no Talmud Yerushalmi 5:1 →