Dando prosseguimento à discussão sobre o princípio de Rav e Shmuel encerrada ao final de 36b, o daf explica por que eram necessárias as duas formulações "tudo que contém" e "tudo que é" das cinco espécies de grão: a segunda vem excluir arroz e painço, que mesmo em seu estado puro não recebem "borê minê mezonot". Uma baraita objeta a partir do caso do pão de arroz e de painço, tratados como "maasê kedera"; a objeção é resolvida atribuindo essa baraita a Rabi Yochanan ben Nuri, que considera o arroz uma espécie de grão — posição rejeitada pelos sábios, cuja opinião prevalece e refuta definitivamente a posição de Rav e Shmuel quanto ao arroz. Seguem-se as halachot sobre o trigo e o arroz mastigados crus, moídos, assados e cozidos, com suas respectivas bênçãos iniciais e finais, uma disputa Rabi Yehudá/sábios sobre a bênção do trigo cru, e a disputa Rabán Gamliel/sábios sobre se as sete espécies recebem três bênçãos finais completas ou uma bênção única "meên shalosh". O daf conclui com o episódio de Rabán Gamliel e os anciãos reclinados numa sala alta em Jericó, comendo tâmaras, e a ousadia de Rabi Akivá ao abençoar sozinho conforme sua própria opinião.
Prosseguindo a análise das duas formulações do princípio de Rav e Shmuel, iniciada ao final de 36a: e a formulação "tudo que é das cinco espécies" isto é o que vem nos ensinar — pois, se a tradição nos tivesse ensinado apenas "tudo que contém", eu diria: tudo que contém algo das cinco espécies de grão, mesmo em mistura, recebe a bênção — assim, sim; mas arroz e painço (dochan), mesmo quando misturados com as cinco espécies, não a receberiam, pois eles entram na mistura apenas por meio de mistura e não são eles mesmos uma das cinco espécies; mas quando existem em sua própria essência (puros, sem mistura), diríamos que até arroz e painço também se abençoa sobre eles "que cria tipos de sustento" — pois, tomados por si sós, não haveria razão para excluí-los. Por isso a tradição também nos ensina a formulação "tudo que é das cinco espécies" — ou seja, é sobre tudo que é constituído das cinco espécies de grão que se abençoa "que cria tipos de sustento", excluindo arroz e painço, que, mesmo existindo em sua própria essência, não se abençoa sobre eles "que cria tipos de sustento" — pois arroz e painço nunca se contam entre as cinco espécies de grão, seja puros, seja em mistura.
"Nos ensina a formulação 'tudo que é'" — pois, ainda que o alimento seja todo de um único tipo de grão, sem mistura, precisamos que ele seja das cinco espécies de grão; e, se não for, não se abençoa sobre ele "que cria tipos de sustento". "Arroz" — mil (em francês antigo). "Painço" — panitz (em francês antigo, o milho-miúdo).
A Guemará explica a razão de ambas as formulações do princípio de Rav e Shmuel: a formulação "tudo que contém" ensina que basta a presença de uma das cinco espécies numa mistura para manter a bênção "borê minê mezonot"; a formulação complementar "tudo que é" vem esclarecer que essa bênção pertence exclusivamente às cinco espécies de trigo, cevada e afins — excluindo definitivamente arroz e painço, que jamais recebem "borê minê mezonot", puros ou misturados, pois nunca se contam entre as cinco espécies de grão.
Mas é mesmo assim que não se abençoa sobre arroz e painço "que cria tipos de sustento"? Mas não foi ensinado numa baraita: trouxeram diante dele pão de arroz e pão de painço — abençoa-se sobre ele a bênção de início e fim como a de maasê kedera (preparado de panela, feito das cinco espécies)? E quanto ao maasê kedera foi ensinado noutra baraita: no início, abençoa-se sobre ele "que cria tipos de sustento", e no fim, abençoa-se sobre ele uma bênção única, semelhante às três bênçãos do bircat hamazon — logo, também o pão de arroz e de painço receberiam "borê minê mezonot" no início, contradizendo a conclusão anterior de que arroz e painço nunca recebem essa bênção!
"Como o maasê kedera" — isto é, a mesma bênção que se abençoa sobre o preparado de panela das cinco espécies. "Uma bênção única, semelhante às três" — ao final deste perek (daf 44a) a Guemará a explica: "sobre o sustento (mechayá) e sobre..." etc.
Objeção direta à conclusão anterior: uma baraita ensina que o pão feito de arroz ou de painço recebe as mesmas bênçãos — inicial e final — que o "maasê kedera" (preparado de panela das cinco espécies), o que inclui "borê minê mezonot" no início. Isso pareceria contradizer a exclusão categórica de arroz e painço da bênção "borê minê mezonot" estabelecida na unidade anterior.
A Guemará resolve: o pão de arroz e de painço é abençoado como o maasê kedera, mas não totalmente como o maasê kedera — a baraita quer dizer apenas que se abençoam ambos com bênção de início e fim, mas não quer dizer que recebem exatamente as mesmas fórmulas como as do maasê kedera; pois, quanto ao maasê kedera (das cinco espécies): no início, "que cria tipos de sustento", e no fim, bênção semelhante às três; ao passo que aqui (pão de arroz e painço): no início, abençoa-se sobre ele "que tudo veio a ser por Sua palavra", e no fim, "que cria muitas almas com suas necessidades, e falta a elas, por tudo o que criaste".
Resolução da objeção: a baraita não afirma que o pão de arroz recebe exatamente as mesmas fórmulas de bênção do maasê kedera, mas apenas que ambos compartilham a estrutura de duas bênçãos, uma inicial e uma final — em vez de bênção única. As fórmulas específicas diferem: o maasê kedera recebe "borê minê mezonot" e a bênção "meên shalosh"; o pão de arroz e painço recebe a bênção genérica "shehacol" no início e "borê nefashot" no final, como qualquer alimento comum — preservando, assim, a exclusão de arroz e painço da bênção "borê minê mezonot".
Mas o arroz não é ele mesmo, segundo outra baraita, considerado um dos tipos de maasê kedera pleno, das cinco espécies — o que contradiria toda a distinção que acabamos de fazer? E não foi ensinado numa baraita: estes são o maasê kedera: chilca, targuis, sólet (farinha fina), zariz e arsan (diferentes graus de trituração do trigo), e arroz — incluindo explicitamente o arroz entre os preparados de panela plenos, com "borê minê mezonot" no início, contradizendo a exclusão categórica do arroz estabelecida acima!
"Mas o arroz não é maasê kedera" — pois na resolução anterior tu o tiras da categoria de maasê kedera pleno para lhe atribuir outra bênção. "Estes são o maasê kedera" — para efeito de bênção. "Chilca, targuis, zariz e arsan" — a Guemará os explica em Moed Katan (13b). "Chilca" — trigo quebrado no pilão, um grão partido em dois. "Targuis" — um grão partido em três. "Zariz" — um grão partido em quatro. "Arsan" — um grão partido em cinco.
Nova objeção, agora a partir de uma lista de preparados classificados como "maasê kedera" pleno — que recebem "borê minê mezonot" no início — na qual o arroz aparece explicitamente ao lado de diferentes graus de trituração do trigo, contradizendo a resolução anterior que atribuía ao pão de arroz apenas a bênção genérica "shehacol".
Esta baraita, que inclui o arroz entre os preparados de panela plenos, de quem é a opinião? É de Rabi Yochanan ben Nuri, pois foi ensinado numa baraita: Rabi Yochanan ben Nuri diz: o arroz é uma espécie de grão (dagan), e são os transgressores obrigados por seu leveduramento (chimutz) a caret (como no caso do chametz de Pêssach), e a pessoa cumpre com ele sua obrigação (de comer matzá) em Pêssach — pois, para ele, o arroz é considerado plenamente uma das cinco espécies de grão. Mas os sábios discordam dele e não o consideram assim.
"Esta, de quem é" — esta baraita que ensina que o arroz é como o maasê kedera pleno é a opinião de Rabi Yochanan ben Nuri.
A Guemará resolve a contradição atribuindo a baraita que inclui o arroz entre os preparados plenos a uma opinião individual e minoritária: Rabi Yochanan ben Nuri, que sozinho considera o arroz uma verdadeira espécie de grão (dagan) — a ponto de aplicar-lhe as leis de chametz na Páscoa e permitir que cumpra a obrigação de matzá. Os sábios, cuja opinião prevalece na halachá, discordam, mantendo a exclusão do arroz das cinco espécies para todos os efeitos, inclusive a bênção "borê minê mezonot".
Mas os sábios realmente não discordam dele quanto ao arroz?! Mas não foi ensinado numa baraita, que parece atribuir aos sábios uma posição intermediária: quem mastiga (kosês, come cru) o trigo abençoa sobre ele "que cria o fruto da terra" — pois, cru, não é considerado pão nem preparado de panela. Moeu-o, assou-o e cozinhou-o (transformando-o em pão e depois recozinhando-o): enquanto as fatias permanecem íntegras (não se dissolveram no cozimento), no início abençoa-se sobre ele "que faz sair o pão da terra", e no fim abençoa-se sobre ele três bênçãos completas do bircat hamazon — pois mantém pleno status de pão. Se as fatias não permanecem íntegras (dissolveram-se), no início abençoa-se sobre ele "que cria tipos de sustento", e no fim abençoa-se sobre ele uma bênção única, semelhante às três — pois perdeu o status pleno de pão, mas mantém o de preparado das cinco espécies.
Esta é a versão correta do texto: "mas os sábios não discordam? E não foi ensinado" etc. — e não se lê a palavra "vehilchata" ("e a halachá é"), pois essa expressão, quando aparece antes, é acréscimo das Halachot Guedolot (obra pós-talmúdica). "Quem mastiga" — o grão tal como está, cru. "Assou-o e cozinhou-o" — depois de assá-lo no forno e fazê-lo pão, voltou a cozinhá-lo em água. "As fatias permanecem" — isto é, não se dissolveram em seu cozimento. "Uma bênção única, semelhante às três" — a bênção que menciona "sobre o sustento e sobre o alimento"; ao final deste perek (daf 44a) a Guemará a explica.
Nova objeção, desta vez sobre o próprio trigo (não o arroz): uma baraita detalha as bênçãas do trigo em seus diferentes estados de preparo — cru (borê perí haadamá), transformado em pão e recozido com fatias íntegras (hamotzí e três bênçãos completas), ou com fatias dissolvidas (borê minê mezonot e a bênção única "meên shalosh"). Rashi nota que a leitura correta do texto talmúdico não inclui a palavra "vehilchata" nesse ponto, corrigindo uma inserção posterior das Halachot Guedolot.
A mesma baraita continua, agora tratando do arroz: quem mastiga o arroz cru abençoa sobre ele "que cria o fruto da terra"; moeu-o, assou-o e cozinhou-o, ainda que as fatias permaneçam íntegras, no início abençoa-se sobre ele "que cria tipos de sustento", e no fim abençoa-se sobre ele uma bênção única, semelhante às três — nunca alcançando, portanto, o status pleno de pão com três bênçãos completas, mesmo com fatias íntegras — pois o arroz nunca é considerado pão pleno, ao contrário do trigo.
A baraita conclui, quanto ao arroz: mesmo assado e cozido como pão, com fatias íntegras — o que no trigo garantiria "hamotzí" e três bênçãos completas —, o arroz jamais ultrapassa "borê minê mezonot" no início e a bênção única "meên shalosh" no fim. Isso mostra que, mesmo para esta baraita (atribuível aos sábios, e não a Rabi Yochanan ben Nuri), o arroz recebe "borê minê mezonot" ao menos quando preparado — parecendo, à primeira vista, contradizer a exclusão total do arroz estabelecida nas unidades 1 e 2.
De quem é a opinião de esta baraita, sobre o arroz preparado com fatias íntegras receber apenas "mezonot" e não "hamotzí"? Se dirás que é a opinião de Rabi Yochanan ben Nuri, que diz que o arroz é espécie de grão (dagan), então "que faz sair o pão da terra" e três bênçãos completas ele deveria exigir que se abençoasse — pois, sendo espécie de grão plena, o arroz feito em pão com fatias íntegras equivaleria ao trigo em pão; logo, esta baraita não pode ser de Rabi Yochanan ben Nuri!
A Guemará testa a hipótese de que a baraita sobre o arroz (unidade 7) seria também de Rabi Yochanan ben Nuri, e a rejeita: se para ele o arroz é uma verdadeira espécie de grão, o pão de arroz com fatias íntegras deveria receber exatamente o mesmo tratamento do pão de trigo — "hamotzí" e três bênçãos completas — e não apenas "borê minê mezonot" e a bênção única.
Mas então, não é a opinião dos sábios — que mesmo excluindo o arroz das cinco espécies para efeito de chametz e matzá, ainda assim lhe atribuem "borê minê mezonot" ao ser preparado, e portanto isto é refutação da posição de Rav e Shmuel — que haviam afirmado que arroz, mesmo puro, jamais recebe "borê minê mezonot"!
"Mas então, não é a opinião dos sábios" — e a baraita ensina que se abençoa "que cria tipos de sustento" sobre o arroz preparado, e é refutação de Rav e Shmuel.
Por eliminação, a baraita sobre o arroz só pode refletir a posição dos sábios — que excluem o arroz das cinco espécies para efeitos de chametz/matzá, mas ainda assim reconhecem "borê minê mezonot" para o arroz preparado (moído, assado, cozido). Isso contradiz diretamente a posição de Rav e Shmuel, para quem arroz jamais recebe essa bênção, mesmo em seu estado mais puro.
Refutação — a Guemará conclui que, de fato, a posição de Rav e Shmuel quanto à exclusão total do arroz da bênção "borê minê mezonot" está refutada por esta baraita, e a halachá segue a baraita: o arroz preparado recebe "borê minê mezonot", ainda que não seja considerado uma das cinco espécies de grão para os demais efeitos, como chametz e matzá.
A Guemará aceita a conclusão como refutação definitiva (teyuvta) da posição de Rav e Shmuel apresentada em 36b: o arroz, mesmo não sendo uma das cinco espécies de grão para fins de chametz e matzá, recebe "borê minê mezonot" quando preparado (moído, assado, cozido) — distinguindo-se, porém, do trigo, por nunca alcançar o pleno status de pão com "hamotzí" e três bênçãos completas.
Disse o mestre (citando a baraita acima): quem mastiga o trigo abençoa sobre ele "que cria o fruto da terra". Mas não foi ensinado noutra baraita que se abençoa "que cria tipos de semente (zeraim)" sobre o trigo cru! Não é difícil — a contradição se resolve: esta (a baraita com "borê perí haadamá") é a opinião dos sábios, e aquela (a baraita com "borê minê zeraim") é a opinião de Rabi Yehudá — pois ensinamos numa Mishná (adiante, 40a): e sobre os vegetais diz-se "que cria o fruto da terra"; Rabi Yehudá diz: "que cria tipos de erva (dshaim)" — pois Rabi Yehudá sustenta que cada tipo de planta deve receber uma fórmula própria e mais específica, ao passo que os sábios usam a fórmula genérica para todas elas.
"Esta é a opinião de Rabi Yehudá" etc. — o fato de a baraita ensinar "que cria tipos de semente" é a opinião de Rabi Yehudá, que ensina que para cada tipo de planta há uma fórmula própria de bênção, como se explica adiante neste perek (Berachot 40a) segundo sua opinião; por isso, para os vegetais, "que cria tipos de erva", e para o trigo, que é da categoria de semente, "que cria tipos de semente"; mas para os sábios, tanto sementes quanto vegetais recebem "borê perí haadamá", e não precisamos de uma fórmula própria para cada tipo.
A Guemará resolve mais uma aparente contradição sobre a bênção do trigo cru: a fórmula genérica "borê perí haadamá" reflete a posição dos sábios, enquanto "borê minê zeraim" reflete a posição individual de Rabi Yehudá, que — consistente com sua abordagem às bênçãos dos vegetais, expressa numa Mishná adiante em 40a — exige uma fórmula distinta para cada categoria de planta, em vez da fórmula única e genérica adotada pelos sábios.
Disse o mestre (retomando a baraita da unidade 7): quem mastiga o arroz abençoa sobre ele "que cria o fruto da terra". Moeu-o, assou-o e cozinhou-o, ainda que as fatias permaneçam íntegras, no início abençoa-se sobre ele "que cria tipos de sustento", e no fim uma bênção única, semelhante às três. Mas não foi ensinado noutra baraita, referente ao arroz preparado, "e no fim, nada" — isto é, nenhuma bênção final é exigida! Disse Rav Sheshet: não é difícil — a contradição se resolve: esta (a baraita com a bênção única "meên shalosh") é a opinião de Rabán Gamliel — aplicada aqui de modo inverso, pois na realidade a exigência de bênção final para o arroz é a opinião dos sábios, e aquela (a baraita "e no fim nada") é a opinião de Rabán Gamliel ele mesmo, para quem apenas as sete espécies recebem bênção final — mas o arroz, que não é uma das sete espécies, ficaria isento; pois foi ensinado numa baraita: esta é a regra geral: tudo que é das sete espécies (shivat haminim, os sete frutos e grãos com que a Terra de Israel é louvada), Rabán Gamliel diz que recebe três bênçãos completas do bircat hamazon, e os sábios dizem que recebe apenas uma bênção única, semelhante às três.
"E nada" — isto é, o arroz não requer nenhuma das bênçãos dos frutos da Terra de Israel (a bênção única "meên shalosh"), mas apenas "que cria muitas almas", como qualquer coisa que não seja das sete espécies.
Nova disputa: se o arroz preparado (não sendo uma das sete espécies pelas quais a Terra de Israel é louvada) recebe alguma bênção final, ou nenhuma. Rav Sheshet resolve identificando a raiz da disputa na controvérsia geral entre Rabán Gamliel e os sábios sobre as sete espécies: para Rabán Gamliel, apenas as sete espécies recebem bênção após comê-las (três completas, segundo ele) — daí a baraita "e no fim nada" para o arroz, que não é uma delas; para os sábios, mesmo o que não é das sete espécies, mas contém alguma das cinco espécies de grão preparadas, recebe ao menos a bênção única "meên shalosh" — daí a baraita anterior.
E houve um caso concreto, ilustrando esta disputa, com Rabán Gamliel e os anciãos, que estavam reclinados numa sala alta (aliyá) em Jericó, e trouxeram diante deles tâmaras (kotavot), e comeram, e Rabán Gamliel deu permissão a Rabi Akivá para abençoar em nome de todos, após a refeição.
"Kotavot" — são as tâmaras, e são o "mel" mencionado entre as sete espécies (Devarim 8:8), pois o mel escorre das tâmaras.
A Guemará traz um episódio histórico concreto para ilustrar a disputa sobre a bênção final das sete espécies: Rabán Gamliel e um grupo de sábios estavam reunidos numa sala alta em Jericó (cidade famosa por suas tamareiras) e comeram tâmaras — um dos sete frutos, correspondente ao "mel" da Terra de Israel mencionado em Devarim 8:8. Ao final, Rabán Gamliel convidou Rabi Akivá a liderar a bênção.
Apressou-se (kafatz) e abençoou Rabi Akivá uma bênção única, semelhante às três — seguindo a opinião dos sábios, e não a de Rabán Gamliel, que exigia três bênçãos completas. Disse-lhe Rabán Gamliel: Akivá, até quando meterás tua cabeça voluntariamente entre a disputa — arriscando-te a decidir contra a opinião de teu próprio mestre! Disse-lhe Rabi Akivá: nosso mestre, ainda que tu digas assim (três bênçãos) e teus colegas (os demais sábios) digam assim (uma bênção única), tu mesmo nos ensinaste, nosso mestre: quando há disputa entre um indivíduo e a maioria, a halachá é conforme a maioria — e por isso me apressei a seguir a opinião da maioria dos sábios, e não a tua opinião individual, mesmo sendo tu meu mestre.
"Apressou-se e abençoou" — depois de comerem, referindo-se à bênção final após a refeição.
O episódio culmina na ousadia de Rabi Akivá, que abençoa segundo a posição da maioria dos sábios (bênção única "meên shalosh") em vez de seguir a posição de seu próprio mestre, Rabán Gamliel (três bênçãos completas), presente na sala. Repreendido por "meter a cabeça na disputa", Rabi Akivá defende-se citando o próprio princípio ensinado por Rabán Gamliel: em disputa entre um indivíduo e a maioria, a halachá segue a maioria — mesmo quando o indivíduo é o mestre. O caso demonstra na prática a halachá conforme os sábios quanto à bênção das sete espécies, tema que o daf seguinte continuará a desenvolver.
Rabi Yehudá diz em seu nome (transmitindo uma tradição em nome de Rabán Gamliel): tudo que é das sete espécies — a frase é interrompida aqui ao final do daf, e sua continuação, com a formulação exata da tradição de Rabi Yehudá em nome de Rabán Gamliel, prossegue no início de 37b.
"Em seu nome" — isto é, em nome de Rabán Gamliel.
O daf termina em suspensão, com Rabi Yehudá prestes a transmitir, em nome de Rabán Gamliel, mais uma formulação sobre a bênção das sete espécies — completando o quadro de opiniões sobre o tema que ocupou a segunda metade deste daf. A continuação da frase, e o desenvolvimento dessa tradição, seguem no início de Berachot 37b.
A disputa sobre a exclusão do arroz e do painço da bênção "borê minê mezonot", e as regras sobre trigo e cereais mastigados crus, moídos ou cozidos, retomam o mesmo eixo temático já discutido em Yerushalmi Berachot 6:1, que trata das bênçãos sobre pão e cereais; o episódio de Rabán Gamliel, os anciãos e Rabi Akivá em Jericó não tem paralelo direto localizado nessa seção do Yerushalmi.
Ver Yerushalmi Berachot 6:1 →