Continuando a baraita interrompida ao final de 37a, o daf completa a formulação de Rabi Yehudá em nome de Rabán Gamliel sobre as bênçãos finais das sete espécies, do grão que não virou pão e do pão que não é nem grão nem espécie — com nova tentativa de identificar a opinião subjacente, uma contradição interna entre duas posições atribuídas aos sábios, e a emenda final do texto quanto ao arroz. Segue-se a disputa de Rava sobre o mingau de farinha e mel (chavitz) preparado por camponeses e na cidade de Mechoza, e sua reconsideração final unificando a bênção "borê minê mezonot" com base no princípio de Rav e Shmuel. Rav Yosef traz o critério do pedaço de pão do tamanho de azeitona (kezait) a partir da prática das oferendas de farinha (minchot) em Jerusalém, desafiado por Abaie com a baraita da escola de Rabi Yishmael e com a baraita sobre chametz e matzá — desafio resolvido em duas tentativas sucessivas, até a conclusão final de Rav Sheshet e Rava: mesmo sem pedaços do tamanho de azeitona, basta a aparência de pão para exigir "hamotzí". O daf fecha com três halachot independentes sobre isenção de chalá: terokanin (segundo Rabi Yochanan), teritá (segundo Abaie) e pão feito para o tempero cutach — esta última interrompida ao final do daf, com a baraita de Rabi Chiya sobre a prova das próprias ações.
Continuando a baraita interrompida ao final de 37a — "Rabi Yehudá diz em seu nome: tudo que é das sete espécies..." —, eis a formulação completa: tudo que é das sete espécies, mas não é espécie de grão (dagan) — isto é, um dos outros frutos das sete espécies, como uva, figo, romã, azeite e tâmara —, ou que é espécie de grão (trigo ou cevada) e não foi feito pão dele, há disputa entre Rabán Gamliel e os sábios: Rabán Gamliel diz que se recitam três bênçãos completas do bircat hamazon, e os sábios dizem que se recita apenas uma bênção única ("meên shalosh"). E tudo que não é nem das sete espécies nem espécie de grão, como pão de arroz e painço — Rabán Gamliel diz que se recita uma bênção única, semelhante às três, e os sábios dizem que não se recita nada — apenas "borê nefashot", como sobre qualquer outro alimento comum.
"E que não é espécie de grão" — pois, quanto à espécie de grão, há distinção: se dela se fez pão, todos concordam que se precisa, depois de comê-lo, de três bênçãos completas. "Ou" — isto ensina que mesmo se o alimento é espécie de grão, mas dele não se fez pão, ainda assim nestes dois casos discordam Rabán Gamliel e os sábios.
A baraita completa apresenta um quadro sistemático de quatro categorias, conforme a combinação de "ser espécie de grão" e "ter sido feito pão": (1) pão pleno das sete espécies — três bênçãos completas para todos; (2) fruto das sete espécies que não é grão, ou grão que não virou pão — disputa Rabán Gamliel (três bênçãos)/sábios (bênção única); (3) o que não é nem das sete espécies nem espécie de grão, como pão de arroz e painço — disputa Rabán Gamliel (bênção única)/sábios (nenhuma bênção especial, apenas "borê nefashot"). Se a tosefta anterior (unidade 12 de 37a) atribuía ao pão de arroz a bênção única "meên shalosh", ela reflete, portanto, a versão de Rabi Yehudá da opinião de Rabán Gamliel — não a dos sábios.
A Guemará questiona a conclusão da unidade anterior: como estabeleceste a tosefta (que atribui ao pão de arroz a bênção única)? Conforme Rabán Gamliel? Mas então há uma dificuldade — diz o final da primeira seção desta mesma Mishná (que trata do trigo mastigado, moído, assado e cozido, em 37a): se as fatias não permanecem íntegras, no início abençoa-se sobre ela "que cria tipos de sustento", e no fim abençoa-se sobre ela uma bênção única, semelhante às três. De quem é esta opinião: se é a de Rabán Gamliel, agora, se sobre tâmaras (kotavot) e sêmola (daysa, mingau de trigo triturado) disse Rabán Gamliel que se recitam três bênçãos completas — mesmo quando não é pão pleno —, quando as fatias de pão de trigo não permanecem íntegras (dissolvidas no cozimento), seria necessário dizê-lo?! Certamente também aí ele exigiria três bênçãos completas, e não apenas a bênção única — logo esta parte da Mishná não pode ser de Rabán Gamliel.
"Como estabeleceste" — refere-se àquela tosefta mencionada acima, que ensina "e no fim, uma bênção única, semelhante às três". "Conforme Rabán Gamliel — diz o final da primeira seção" — pois aquela Mishná (a de 37a) que ensina sobre "quem mastiga o trigo" tem sua primeira parte, e ensina em seu final "se as fatias não permanecem" etc. "Agora" — mesmo sobre mero mingau disse Rabán Gamliel na Mishná última (a baraita da unidade 1 acima): "ou que é espécie de grão e não foi feito pão, disputa" — e ele exige três bênçãos completas depois dele. "As fatias não permanecem" — isto é, pois no início o preparado era pão de verdade. "Seria necessário dizê-lo" — e quando se dissolveu, seria ele pior que mingau a ponto de merecer bênção inferior à do mingau?
A Guemará levanta uma dificuldade interna: se a tosefta que atribui ao pão de arroz a bênção única "meên shalosh" seguisse a opinião de Rabán Gamliel, então a passagem paralela sobre o pão de trigo cujas fatias se dissolveram no cozimento (unidade 6 de 37a) também deveria seguir Rabán Gamliel — mas, segundo ele, mesmo o mero mingau de tâmaras ou sêmola (que nunca foi pão) exige três bênçãos completas; a fortiori, pão de trigo que começou como pão pleno e apenas se dissolveu no recozimento não poderia merecer menos que isso.
Mas então é claramente a opinião dos sábios que a passagem sobre o trigo dissolvido reflete — pois, para eles, uma vez perdido o status pleno de pão, basta a bênção única, mesmo tendo sido pão de verdade no início. Se assim é, porém, surge uma nova dificuldade: haveria contradição dos sábios contra outra posição dos sábios — pois a tosefta da unidade 1, que atribui ao pão de arroz e painço a ausência total de bênção final ("e nada"), também é dos sábios; mas outra tosefta, citada em 37a, atribuía ao arroz preparado a bênção única "meên shalosh" — e ambas não podem ser dos sábios ao mesmo tempo! A Guemará responde: antes, de fato, é opinião dos sábios em ambos os casos, sem contradição real — apenas é preciso corrigir o texto, e ensina, quanto ao arroz preparado (na baraita de 37a): "e no fim, não se abençoa sobre ele nada" — emendando o texto daquela baraita para concordar com esta, e eliminando assim a bênção única "meên shalosh" que antes lhe fora atribuída.
"Mas então, não é a opinião dos sábios" — pois eles dizem, quanto ao mingau, que se recita apenas uma bênção única, e este pão de trigo, uma vez dissolvido, também não é pão de verdade e se equipara ao mingau. "E a halachá é" — nota de Rashi: não se lê essa expressão aqui.
A Guemará resolve a contradição emendando o texto da baraita sobre o arroz preparado (citada em 37a, unidade 7): em vez de atribuir-lhe a bênção única "meên shalosh", o texto correto deveria dizer que o arroz preparado não recebe bênção final alguma — alinhando-se, assim, com a posição consistente dos sábios de que apenas as sete espécies (e o pão de trigo, mesmo dissolvido, que já foi pão pleno) merecem bênção final especial, ao passo que o arroz, jamais sendo espécie de grão nem uma das sete espécies, permanece na categoria de "borê nefashot" simples.
Passando às bênçãos sobre um preparado específico de farinha e mel, disse Rava: este riheta (mingau ou papa cozida) dos camponeses (chaklaei), nos quais se aumenta (mafshi) a farinha, abençoa-se sobre ele "que cria tipos de sustento". Qual é a razão? Porque a farinha fina (semida) é o ingrediente principal da mistura. O mesmo preparado feito em Mechoza (cidade grande), no qual não se aumenta a farinha, abençoa-se sobre ele "que tudo veio a ser por Sua palavra" (bênção genérica para alimentos que não se enquadram em categoria própria). Qual é a razão? Porque o mel (duvsha) é o ingrediente principal ali. E depois disso reconsiderou Rava e disse: tanto este quanto aquele preparado recebem "que cria tipos de sustento" — pois isto segue o princípio de Rav e Shmuel, que ambos disseram: tudo que contém algo das cinco espécies de grão, abençoa-se sobre ele "que cria tipos de sustento" — e, uma vez que ambos os preparados contêm farinha de trigo, ainda que em proporção menor num deles, basta essa presença para determinar "borê minê mezonot" em ambos os casos, independentemente de qual ingrediente predomine.
"Riheta" — é o chavitz kedera (preparado cozido em panela, já mencionado em 36b). "Camponeses (chaklaei)" — habitantes de aldeia. "Nos quais se aumenta a farinha" — isto é, multiplicam nele a quantidade de farinha. "De Mechoza" — habitantes de cidade (grande, onde o mel era mais abundante e valorizado que a farinha).
Rava inicialmente distinguia a bênção do mingau de farinha e mel conforme a proporção dos ingredientes: quando a farinha predomina (costume rural), "borê minê mezonot"; quando o mel predomina (costume da cidade de Mechoza), a bênção genérica "shehacol". Ao reconsiderar, Rava unifica a halachá aplicando diretamente o princípio geral de Rav e Shmuel, já estabelecido em 37a: a mera presença de uma das cinco espécies de grão na mistura basta para determinar "borê minê mezonot", independentemente de qual ingrediente seja quantitativamente principal.
Disse Rav Yosef: este chavitza (preparado feito de pão esfarelado e recozido) que contém migalhas (perurin) do tamanho de uma azeitona (kezait), no início abençoa-se sobre ele "que faz sair o pão da terra", e no fim abençoa-se sobre ele três bênçãos completas — pois migalhas desse tamanho ainda mantêm o pleno status de pão. O que não contém migalhas do tamanho de uma azeitona, no início abençoa-se sobre ele "que cria tipos de sustento", e no fim abençoa-se uma bênção única, semelhante às três — pois, sem pedaços desse tamanho mínimo, o preparado perde o status pleno de pão, ainda que continue sendo feito das cinco espécies.
"Chavitza" — semelhante ao shelanikok (em francês antigo, um tipo de sopa ou papa), no qual se esfarela pão dentro da panela (alfás).
Rav Yosef estabelece o critério decisivo para determinar se um preparado de pão esfarelado mantém o status pleno de pão (exigindo "hamotzí" e três bênçãos completas) ou desce à categoria de preparado de panela (exigindo apenas "borê minê mezonot" e a bênção única): a presença ou ausência de pedaços do tamanho mínimo de uma azeitona (kezait). Esse critério retoma e refina a distinção entre "fatias íntegras" e "fatias dissolvidas" já vista em 37a, agora com uma medida objetiva.
Disse Rav Yosef: de onde eu digo o critério de a migalha do tamanho de azeitona bastar para "hamotzí"? Pois foi ensinado numa baraita: estava um sacerdote de pé e oferecendo minchot (oferendas de farinha) em Jerusalém — ao fazê-lo pela primeira vez, quando já não o fizera há muito tempo, ele diz: "bendito és Tu que nos deste vida, nos sustentaste e nos fizeste chegar a este tempo (shehecheyanu)". Ao tomá-las (as minchot já assadas) para comê-las, abençoa "que faz sair o pão da terra". E foi ensinado sobre isso numa baraita complementar: e todas elas (as minchot), ele as parte (potet) em pedaços do tamanho de uma azeitona — antes de fazer a kematzá (o punhado ritual) — provando que sobre migalhas do tamanho de azeitona se abençoa "hamotzí", mesmo não sendo um pão inteiro.
"De onde eu digo isto" — isto é, de onde se prova que sobre migalhas do tamanho de azeitona se abençoa "hamotzí". "Estava" — um israelita de pé. "E oferecendo minchot" — e a entregava ao sacerdote para oferecê-la. "Diz: bendito que nos deste vida" — se não trouxe minchot há muitos dias. "Ao tomá-las para comê-las" — refere-se ao sacerdote. "E foi ensinado sobre isso" — isto é, foi ensinado sobre as minchot: a minchat machavat e a minchat marcheshet (tipos de oferenda de farinha assada em frigideira ou panela), que se oferecem já assadas. "E todas elas ele as parte" — isto é, ele as fatia antes da kematzá (o punhado ritual) e as transforma em pedaços do tamanho de azeitonas, como está escrito: "parte-a em pedaços" (Vaicrá 2:6) — provando, assim, que sobre pedaços do tamanho de azeitona se abençoa "hamotzí".
Rav Yosef fundamenta seu critério (unidade 5) numa baraita sobre o procedimento das oferendas de farinha (minchot) no Templo: o sacerdote que as recebia para comer abençoava "hamotzí" sobre elas, e uma baraita complementar especifica que essas minchot eram partidas em pedaços do tamanho de azeitona antes do ritual da kematzá — demonstrando que mesmo pedaços (e não um pão inteiro) do tamanho mínimo de azeitona bastam para exigir a bênção plena de pão.
Disse-lhe Abaie a Rav Yosef, desafiando sua prova: mas, se assim é que a partição em migalhas não prejudica o status de pão, então segundo o tanna da escola de Rabi Yishmael, que diz que, quanto às minchot assadas em frigideira ou panela, ele as tritura (porchan) até devolvê-las à sua forma de farinha fina (soltan, isto é, esmigalhando-as completamente, muito além do tamanho de azeitona), também diríamos que não seria necessário abençoar "que faz sair o pão da terra" sobre elas, pois já não teriam nem a aparência de migalhas de pão?! E se dirás que sim (que de fato, segundo essa opinião, não se abençoaria "hamotzí"), mas não foi ensinado numa baraita, quanto a essas mesmas minchot trituradas: recolheu de todas elas o suficiente para completar o tamanho de uma azeitona e as comeu — se é oferenda de chametz (como a toda-hachodá, cujo chametz seria proibido em Pêssach), o transgressor é punido com caret se as comer em Pêssach; e se é oferenda de matzá, a pessoa cumpre com ela sua obrigação de comer matzá em Pêssach — o que prova que essas migalhas trituradas continuam sendo consideradas pão pleno para efeitos de chametz e matzá, e portanto também deveriam exigir "hamotzí"!
"Ele as tritura (porchan)" — refere-se às minchot assadas na frigideira (machavat) e na panela (marcheshet), trituradas antes da kematzá, até devolvê-las à sua farinha fina. "Também diríamos isto" — isto é, que esta opinião discorda daquilo que a baraita anterior ensinava, que se abençoa "hamotzí" sobre migalhas do tamanho de azeitona. "Mas não foi ensinado: recolheu de todas elas" — isto é, dos pedaços das minchot. "Do tamanho de azeitona etc." — e, do fato de dizer a baraita que cumpre sua obrigação com ela em Pêssach por comer matzá — que é preceito positivo, como está escrito "à noite comereis matzot" (Shemot 12:18), e ali se requer pão de verdade, como está escrito a respeito dela "pão de aflição (lechem oni)" (Devarim 16:3) — logo é pão de verdade, e portanto abençoa-se "hamotzí"; e esta Mishná (baraita) forçosamente é a opinião de Rabi Yishmael, pois ensina "recolheu de todas elas o suficiente para o tamanho de azeitona" — o que prova que a baraita trata de pedaços menores individualmente que o tamanho de azeitona (reunidos de vários deles até completar essa medida).
Abaie desafia a prova de Rav Yosef com uma opinião mais radical (a escola de Rabi Yishmael), segundo a qual as minchot assadas eram trituradas até virarem novamente farinha fina — muito além de meras migalhas do tamanho de azeitona. Se a aparência de pão fosse necessária para "hamotzí", essa farinha triturada não deveria exigi-lo; mas uma baraita afirma que, mesmo reunindo fragmentos menores até completar o tamanho de azeitona, o status de chametz ou matzá pleno se mantém (com as consequências de caret ou cumprimento do preceito) — o que sugere que a bênção "hamotzí" também deveria se aplicar, contradizendo a suposição de que a trituração extrema anularia o status de pão.
A Guemará tenta responder ao desafio de Abaie: aqui, na baraita sobre chametz e matzá, tratamos de um caso em que a pessoa reuniu os fragmentos e as amassou (erasan) juntas numa massa única — e por isso o resultado voltou a ter status pleno de pão, ainda que originalmente triturado além do tamanho de azeitona; mas na questão de "hamotzí" sobre a mincha triturada e não reamassada, de fato não se abençoaria "hamotzí". A Guemará objeta: se é assim que a baraita trata de fragmentos reamassados, diz o final dessa mesma baraita: e desde que as comeu (sheachalan) no tempo que se leva para comer meio pão (kedei achilat peras, medida de tempo para a contagem de comer um kezait) — usando o plural "as comeu", referindo-se aos fragmentos separados; e se a baraita trata de quando a pessoa as amassou juntas numa só massa, este termo "que as comeu" (no plural), "que o comeu" (sheacalo, no singular, referindo-se à massa única) seria necessário dizer — e não "que as comeu"; logo, a baraita não pode estar tratando de fragmentos reamassados!
"Quando as amassou (erasan)" — quando voltou a sová-las juntas e voltou a assá-las (reconstituindo-as em pão único); "ersan" é expressão relacionada a "vossas massas (arisotechem)" (Bamidbar 15:20). "E desde que as comeu no tempo que leva para comer meio pão" — isto é, que não demorasse, desde que começou a comer a medida de uma azeitona até terminar de comer toda a medida exigida, mais do que o tempo que leva para comer meio pão de oito ovos de tamanho — sendo sua metade quatro ovos, que é a medida que serve para unir fragmentos separados na contagem de uma única medida de comida; e se demorasse mais, os fragmentos não se somariam na contagem, e seria como quem come meia azeitona hoje e meia azeitona amanhã, caso em que não há obrigação de caret se é chametz. "E se fosse o caso de quando as amassou, 'e que o comeu'" — no singular, seria necessário dizer.
A primeira tentativa de resolução propõe que a baraita sobre chametz e matzá trata de fragmentos que foram reamassados numa massa única, recuperando assim o status pleno de pão. Mas a Guemará rejeita essa leitura por uma evidência lexical: o final da mesma baraita fala em "que as comeu" (plural), pressupondo fragmentos ainda separados comidos dentro do tempo-limite para união de medida (kedei achilat peras) — se fossem reamassados numa massa única, o texto deveria usar o singular "que o comeu".
Antes (rejeitada a primeira resolução), a Guemará propõe uma segunda: aqui, na baraita sobre chametz e matzá, tratamos de um caso em que os fragmentos vieram de um pão grande já formado e íntegro — pois fragmentos originados de um pão grande retêm o status pleno de pão mesmo depois de esfarelados, diferentemente da farinha triturada da mincha, que nunca chegou a ser pão inteiro antes de ser reduzida a fragmentos menores que o tamanho de azeitona; por isso a baraita sobre chametz e matzá não contradiz a posição de que a mincha triturada abaixo do tamanho de azeitona não exige "hamotzí".
"Aqui tratamos" — e de fato é um caso em que a pessoa não reamassou os fragmentos, como tu disseste no início; e o que a baraita ensina que o fragmento se considera plenamente pão é quando ele vem de um pão grande e resta dele algo que não se fatiou por completo ainda; mas, se o pão inteiro se fatiou por completo em pedaços, os fragmentos menores que o tamanho de azeitona não se consideram pão pleno, e não abençoamos "hamotzí" sobre eles isoladamente, nem se cumpre com eles a obrigação de matzá em Pêssach.
A segunda resolução distingue conforme a origem do fragmento: se ele provém de um pão grande ainda não totalmente fatiado, retém o pleno status de pão (exigindo "hamotzí" e valendo para matzá), mesmo sendo menor que o tamanho de azeitona; mas, uma vez que o pão inteiro é completamente reduzido a fragmentos individuais menores que esse tamanho, cada fragmento isolado perde o status pleno de pão. Isso explicaria por que a mincha assada e triturada em farinha (que nunca foi um "pão grande" íntegro) não geraria fragmentos com pleno status de pão, resolvendo a objeção de Abaie sem contradizer a baraita de chametz e matzá.
Após todas essas tentativas de prova e refutação, a Guemará pergunta: qual conclusão foi alcançada sobre este assunto? Disse Rav Sheshet: este chavitza, ainda que não tenha nele migalhas do tamanho de uma azeitona, abençoa-se sobre ele "que faz sair o pão da terra" — revertendo, portanto, o critério original de Rav Yosef, e afirmando que mesmo sem pedaços do tamanho de azeitona basta a origem do preparado em pão de verdade para manter "hamotzí". Disse Rava: e isto é dito apenas quando ainda há sobre ele algo da aparência (torita) de pão — isto é, quando o preparado, mesmo esfarelado, ainda se assemelha visualmente a pão, e não se dissolveu por completo numa papa uniforme.
"Aparência (torita) de pão" — isto é, o aspecto e o modo de ver do pão ainda reconhecíveis no preparado.
A conclusão final da sugya sobre o chavitza estabelece um critério distinto do de Rav Yosef (unidade 5): não é o tamanho mínimo de azeitona nas migalhas que determina "hamotzí", mas sim a aparência geral de pão (torita denahama) do preparado. Rav Sheshet afirma que, mesmo sem pedaços daquele tamanho, "hamotzí" se mantém; Rava qualifica isso exigindo que o preparado ainda pareça pão, e não se tenha dissolvido numa massa irreconhecível — caso em que desceria à categoria de "borê minê mezonot" e bênção única.
A Guemará passa a outro assunto ligado à halachá do pão: a obrigação de separar chalá (a porção devida ao sacerdote da massa de pão). Foi ensinado: terokanin (um tipo de preparado de farinha e água) são obrigados em chalá — isto é, têm o status halachico de pão para esse fim. E quando veio Ravin (subindo da Terra de Israel para a Babilônia, trazendo tradições de lá), disse Rabi Yochanan: terokanin são isentos de chalá — contradizendo a tradição anterior; a halachá segue esta última, mais recente e de fonte confiável. O que são terokanin? Disse Abaie: é uma mistura aguada de farinha e água assada numa cavidade (kuva) na terra (dear'a, isto é, um buraco escavado no chão do forno) — não sendo considerada pão de verdade, e por isso isenta de chalá.
"Uma cavidade (kuva) na terra" — a pessoa faz um espaço vazio (chalal) no forno (kirá) e coloca dentro dele água e farinha, como se faz numa panela (alfás).
Última seção do daf, dedicada às leis de chalá aplicadas a diferentes preparados de farinha e água. A primeira halachá, sobre terokanin, apresenta uma contradição entre uma tradição mais antiga (obrigados em chalá) e a tradição trazida por Ravin em nome de Rabi Yochanan (isentos) — prevalecendo esta última, pois se trata de um preparado aguado assado diretamente numa cavidade no chão do forno, sem forma própria de pão.
E disse Abaie: teritá (outro preparado de farinha) é isenta de chalá. O que é teritá? Há quem diga: é massa amassada (gvil) e fervida (meratach), derramada ainda líquida sobre o forno quente; e há quem diga: é pão da Índia (hindeka, massa enrolada num espeto e untada com óleo ou ovo antes de assar); e há quem diga: é pão feito especialmente para cutach (um tempero ou molho babilônico, feito assando o pão de modo incomum para que fermente em excesso e sirva de ingrediente ao cutach).
"Massa amassada e fervida (gvil meratach)" — coloca-se farinha e água num recipiente e mexe-se com uma colher, e derrama-se a mistura sobre o forno quando ele está aquecido (nesseket). "Pão da Índia (hindeka)" — massa que se assa num espeto e se unta continuamente com óleo, ou com água de ovos e óleo. "Pão feito para cutach" — não se assa no forno, mas ao sol.
Segunda halachá sobre chalá: a teritá, outro preparado que não recebe forma nem cozimento de pão convencional (seja derramada líquida sobre o forno, assada em espeto untado como pão indiano, seja assada ao sol para uso no tempero cutach), é isenta da obrigação de separar chalá, por não se enquadrar na categoria halachica de pão pleno.
Ensinou Rabi Chiya numa baraita, confirmando a última das três opiniões sobre teritá: pão feito para cutach é isento de chalá. Mas não foi ensinado noutra baraita que esse mesmo pão é obrigado em chalá — contradição direta! A Guemará resolve: a contradição não é real, pois ali (na baraita que o obriga), conforme se ensinou a razão explicitamente naquela mesma fonte, trata-se de outro caso: Rabi Yehudá diz: suas ações o comprovam a respeito dele — isto é, a forma como o pão é preparado revela sua finalidade real, distinguindo entre um pão realmente destinado ao cutach (isento) e um que, por seu modo de preparo, se revela destinado ao consumo comum (obrigado). Se as fez... — o texto do daf é aqui interrompido, e a continuação, especificando exatamente que ações comprovam qual finalidade, prossegue no início de Berachot 38a.
O daf termina, mais uma vez, em suspensão no meio de uma baraita: Rabi Yehudá está prestes a especificar quais ações no preparo do pão comprovam se ele foi realmente destinado ao tempero cutach (isento de chalá) ou não (obrigado) — a frase "se as fez..." é interrompida, e sua continuação segue no início de Berachot 38a. Esta última sugya sobre chalá é de natureza técnica e halachica, sem relação direta com o tema de bênçãos que dominou o restante do daf.
A disputa sobre as bênçãos finais para grãos e frutos que não são pão pleno, e as regras sobre a aparência de pão exigida para "hamotzí", dão continuidade ao mesmo eixo temático de Yerushalmi Berachot 6:1, sobre as bênçãos do pão e dos cereais; as leis finais sobre terokanin, teritá e pão de cutach pertencem propriamente ao âmbito de Massechet Chalá, e não têm paralelo direto localizado no Yerushalmi Berachot.
Ver Yerushalmi Berachot 6:1 →