Completando o episódio interrompido ao final de 38a, o daf traz a réplica do bar Rav Zevid — que "motzí" já ensina a razão gramatical e a halachá conforme os sábios, e dizer apenas "hamotzí" nada acrescentaria — e a fixação final da halachá: diz-se "hamotzí lechem min haaretz", conforme os sábios. A partir da nova Mishná sobre a bênção dos vegetais, o daf desenvolve a extensa sugya dos vegetais cozidos (shlakot): a leitura analógica com o pão, os ensinamentos contraditórios que Rav Chisda e Rav Nachman transmitem em nome de Rav e Shmuel, a harmonização de "eu digo" por tipo de vegetal (repolho, acelga e abóbora versus alho-poró e alho), a disputa entre Rabi Chiyá bar Abá e Rabi Binyamin bar Yefet sobre o que realmente disse Rabi Yochanan, a demolição por Rabi Zeira da autoridade de Rabi Binyamin diante de Rabi Chiyá, o caso do tremoço fervido sete vezes, a prova da bênção final a partir da azeitona salgada que Rabi Yochanan comeu, a objeção de Rav Yitschac bar Shmuel a partir da mishná de maror na Páscoa (resolvida pela distinção entre sabor de maror e status de bênção), e o daf termina em suspenso com a pergunta de Rabi Yirmeyá a Rabi Zeira sobre como Rabi Yochanan abençoava a azeitona salgada já sem caroço.
Completando a frase de Rabi Zeira interrompida ao final de 38a — "ora, se tivesse dito 'hamotzí'..." —, eis a continuação: ele nos ensinaria a razão gramatical da disputa entre os sábios e Rabi Nechemiá, e nos ensinaria que a halachá é conforme os sábios — pois, ao escolher "hamotzí", revelaria conhecer que essa é a fórmula halachicamente correta, e por que o é. Mas, dizendo ele apenas "motzí" (sem o artigo), o que isso nos ensina de proveitoso — visto que, segundo Rava em 38a, ninguém discorda que "motzí" tem sentido de passado, e portanto essa forma não revela nenhuma posição na disputa? E de fato, ele mesmo é quem fez isso deliberadamente, para se excluir a si próprio da controvérsia — dizendo "motzí" precisamente porque essa forma neutra é aceita por todos, evitando declarar-se a favor de um lado ou de outro, e assim demonstrando, na verdade, sofisticação e prudência, e não ignorância.
"Nos ensinaria a razão" — isto é, nos ensinaria a explicação do versículo, tal como o explicamos, e aprenderíamos sua explicação a partir da própria escolha de palavra. "E nos ensinaria a halachá conforme os sábios" — pois nos revelaria que "hamotzí" tem o sentido de ação já concluída. "O que nos ensina ele, dizendo apenas 'motzí'?" — nada, pois todos concordam quanto a essa forma.
A Guemará resolve a decepção de Rabi Zeira (ao final de 38a) mostrando que o bar Rav Zevid não errou por ignorância, mas agiu com prudência calculada: como "motzí" é aceito por todos (segundo Rava, em 38a, unidade 14), ao recitá-lo ele evitou tomar partido na disputa entre os sábios e Rabi Nechemiá, ainda que essa escolha, por não revelar nenhuma posição, também não ensine nada de novo a quem o ouve — daí a ambiguidade da avaliação de sua erudição.
E a halachá é: "que faz sair (hamotzí) o pão da terra" — com o artigo "ha", pois seguimos a opinião dos sábios, que dizem que essa forma tem o sentido de ação já concluída no passado (afek mashma) — encerrando definitivamente, a favor dos sábios, a disputa gramatical desenvolvida ao longo de 38a.
Com esta fixação halachica, encerra-se a sugya de "hamotzí" versus "motzí": a fórmula correta e obrigatória para a bênção do pão é "hamotzí lechem min haaretz", conforme os sábios — a mesma fórmula que a nova Mishná de 38a (unidade 14) já registrara como a primeira opinião. A Guemará passa agora à segunda cláusula dessa Mishná, sobre a bênção dos vegetais.
"E sobre os vegetais (yerakot) diz-se 'borê pri ha'adamá' etc." — citando a próxima cláusula da nova Mishná, imediatamente após a fórmula do pão. A Guemará observa: ensina-se "vegetais" logo após e por analogia (dumia) ao pão — sendo mencionados na mesma Mishná, em sequência direta: assim como o pão é aquele que foi transformado por meio do fogo (isto é, passou por cozimento, deixando de ser grão cru), também os vegetais de que fala essa cláusula são aqueles que foram transformados por meio do fogo (isto é, cozidos, e não crus). Disse Ravnai em nome de Abaie: isso quer dizer que sobre vegetais cozidos (shelakot) abençoa-se "que cria o fruto da terra" — a mesma bênção que sobre os vegetais crus, sem alteração pelo cozimento. De onde se prova isso? Do fato de se ensinar "vegetais" por analogia ao pão — e, assim como o pão, mesmo transformado pelo fogo, mantém sua bênção própria de "hamotzí", também o vegetal, mesmo cozido, mantém sua bênção própria de "borê pri ha'adamá".
"Também os vegetais que foram transformados etc." — e, ainda assim, eles permanecem em seu próprio estado original, e abençoa-se sobre eles "que cria o fruto da terra". "Shelakot" — designa qualquer vegetal cozido (shalúk).
Abre-se aqui a extensa sugya sobre a bênção dos vegetais cozidos (shelakot), que ocupará o restante do daf. A primeira posição, de Abaie (transmitida por Ravnai), estabelece por analogia textual com o pão que o cozimento não altera a bênção do vegetal: assim como o pão cozido (assado) mantém "hamotzí", o vegetal cozido mantém "borê pri ha'adamá" — princípio que logo será contestado por tradições contraditórias atribuídas a Rav e Shmuel.
Ensinou Rav Chisda em nome de nosso mestre — e quem é ele? Rav: vegetais cozidos (shelakot), abençoa-se sobre eles "que cria o fruto da terra" — concordando com a posição de Abaie na unidade anterior. E nossos mestres que descem (imigram) da Terra de Israel (para a Babilônia, trazendo consigo os ensinamentos de lá) — e quem é ele? Ulá, em nome de Rabi Yochanan — disseram: vegetais cozidos, abençoa-se sobre eles "que tudo veio a ser por Sua palavra" — contradizendo diretamente Rav Chisda. E eu (Rav Chisda, buscando harmonizar as duas tradições) digo: tudo vegetal cujo estado inicial (quando cru) é "que cria o fruto da terra" — se o cozinhou (shelako), a bênção passa a ser "que tudo veio a ser por Sua palavra" — pois o cozimento o rebaixa; e tudo vegetal cujo estado inicial (quando cru) é "que tudo veio a ser por Sua palavra" (por não ser comumente comido cru) — se o cozinhou, a bênção passa a ser "que cria o fruto da terra" — pois o cozimento é seu modo próprio e principal de consumo, elevando-o à bênção plena.
"Ensinou Rav Chisda" — assim. "Em nome de nosso mestre" — Rav. "Vegetais cozidos, diz-se 'que cria o fruto da terra', e nossos mestres etc." — e quem são eles? Ulá, que disse em nome de Rabi Yochanan: "shehacol" — eis a questão em controvérsia. "E eu digo" — Rav Chisda fala assim para conciliar as palavras de ambos, que na verdade não discordam: há vegetais que recebem "borê pri ha'adamá", e há outros que recebem "shehacol". "Tudo" — isto é, todo vegetal comido cru, cujo estado inicial é "borê pri ha'adamá" — se o cozinhou, isso o tirou (afkeiha) de seu próprio estado, para pior (ligeruta), e por isso abençoa "shehacol"; e mais adiante a Guemará o situa com exemplos concretos em alho-poró e alho. "E tudo" — isto é, todo vegetal que não costuma ser comido cru — de modo que se o comesse cru, abençoaria "shehacol". "Se o cozinhou" — e o cozimento o trouxe ao seu modo próprio de consumo, que é o principal de seu fruto, e abençoa "que cria o fruto da terra".
Rav Chisda harmoniza as tradições contraditórias sobre a bênção dos vegetais cozidos com um critério baseado no modo natural de consumo de cada espécie: vegetais normalmente comidos crus (recebendo "borê pri ha'adamá" no seu estado natural) são rebaixados a "shehacol" quando cozidos, pois o cozimento os afasta de sua forma própria; vegetais normalmente não comidos crus (recebendo apenas "shehacol" quando crus) são elevados a "borê pri ha'adamá" quando cozidos, pois o cozimento é seu modo principal e pleno de consumo.
A Guemará questiona a harmonização de Rav Chisda, buscando exemplos concretos: está bem quanto à segunda metade da regra — tudo cujo estado inicial é "que tudo veio a ser por Sua palavra" e que, cozido (shelako), recebe "que cria o fruto da terra" — encontra-se isso exemplificado em repolho, e acelga, e abóbora (kara, todos vegetais que, crus, não são comumente comidos, mas cozidos tornam-se alimento pleno); mas quanto à primeira metade — tudo cujo estado inicial é "que cria o fruto da terra" e que, cozido, recebe apenas "shehacol" — onde se encontra isso exemplificado? Disse Rav Nachman bar Yitschac: encontra-se isso em alhos (tumei) e em alhos-porós (karatei — vegetais comumente comidos crus, mas que o cozimento deteriora, rebaixando sua bênção).
A Guemará testa a regra de Rav Chisda com exemplos reais: repolho, acelga e abóbora ilustram facilmente a elevação de "shehacol" (cru) para "borê pri ha'adamá" (cozido), mas o caso inverso — rebaixamento de "borê pri ha'adamá" para "shehacol" pelo cozimento — exigia um exemplo mais específico, fornecido por Rav Nachman bar Yitschac: alho e alho-poró, comumente comidos crus com bênção plena, mas cujo cozimento os deteriora a ponto de merecerem apenas a bênção genérica.
Ensinou Rav Nachman em nome de nosso mestre — e quem é ele? Shmuel: vegetais cozidos, abençoa-se sobre eles "que cria o fruto da terra" — repetindo, com outra dupla de transmissores, a mesma posição da unidade 4. E nossos colegas (chaverenu, termo usado por Rav Nachman por respeito, distinto de "rabotenu" usado por Rav Chisda) que descem da Terra de Israel — e quem é ele? Ulá, em nome de Rabi Yochanan — disseram: vegetais cozidos, abençoa-se sobre eles "que tudo veio a ser por Sua palavra" — a mesma contradição de antes, agora atribuída a Shmuel versus Rabi Yochanan.
"Ensinou Rav Nachman" — assim. "Em nome de nosso mestre" — Shmuel. "Vegetais cozidos, abençoa-se 'que cria o fruto da terra', e nossos colegas etc." — Rav Nachman, sendo pessoa de alta posição, por respeito não chama Ulá de "nosso mestre" (rabotenu, como fizera Rav Chisda), mas apenas de "nosso colega". "Disse 'vegetais cozidos, shehacol', e eu digo" — a Guemará antecipa que Rav Nachman também harmonizará como Rav Chisda, mas de outra forma: que Shmuel e Rabi Yochanan discordam, na verdade, na disputa entre Rabi Meir e Rabi Yossei quanto a todos os tipos de vegetais em geral, e as palavras de Shmuel e as palavras de Rabi Yochanan aplicam-se a todos os tipos de vegetais, discordando um do outro por completo: Shmuel segue a opinião de Rabi Meir, que diz que o vegetal cozido permanece em seu próprio estado original, e Rabi Yochanan segue a opinião de Rabi Yossei — isto é, na visão de Rav Nachman, não há harmonização por tipo de vegetal, mas discordância genuína e total entre as duas fontes.
Diferentemente de Rav Chisda (unidade 4), que harmonizara a contradição distinguindo vegetais por tipo, a interpretação de Rav Nachman (segundo Rashi) entende que a disputa entre Shmuel e Rabi Yochanan é genuína e completa, refletindo a disputa tannaítica entre Rabi Meir e Rabi Yossei sobre a mishná de maror citada mais adiante (unidade 7): Shmuel segue Rabi Meir (o cozimento não altera o status do vegetal), e Rabi Yochanan segue Rabi Yossei (o cozimento o transforma).
E eu (Rav Nachman) digo que a disputa entre Shmuel e Rabi Yochanan é, na verdade, uma disputa tannaítica já ensinada (shenuiá) anteriormente, quanto a outro contexto. Pois foi ensinado numa baraita, quanto à matzá de Pêssach: cumpre-se com ela a obrigação de comer matzá com o wafer (rakik) embebido em água e com o wafer cozido que não se desfez por completo — palavras de Rabi Meir (que considera o cozimento incapaz de retirar o status de "pão" do wafer, desde que ainda reconhecível); e Rabi Yossei diz: cumpre-se a obrigação com o wafer embebido, mas não com o cozido, ainda que não se tenha desfeito por completo — pois, para Rabi Yossei, o próprio ato de cozinhar, independentemente do resultado final, já retira o status original do alimento.
"Cumpre-se a obrigação com o wafer embebido" — em água, quanto à obrigação de comer matzá da mitzvá em Pêssach, e ainda se lhe chama "pão de aflição" (lechem oni). "Mas não com o cozido" — pois este já não se chama mais pão propriamente, tendo perdido esse status pelo próprio cozimento.
Rav Nachman ancora a disputa Shmuel/Rabi Yochanan na baraita tannaítica sobre a matzá de Pêssach: Rabi Meir sustenta que o cozimento, por si só, não retira o status original do pão (desde que reconhecível), correspondendo a Shmuel quanto aos vegetais cozidos; Rabi Yossei sustenta que o próprio ato de cozinhar já retira esse status, independentemente do resultado, correspondendo a Rabi Yochanan. A Guemará examinará a seguir se essa correspondência resiste ao exame.
A Guemará rejeita a correspondência proposta na unidade anterior: mas não é assim, de fato (a comparação não se sustenta), pois todo o mundo concorda que vegetais cozidos em geral abençoa-se sobre eles "que cria o fruto da terra" — sem discordância real entre Shmuel e Rabi Yochanan quanto à bênção. E até aqui Rabi Yossei ali (na baraita da matzá) não disse que o cozido não cumpre a obrigação senão porque exigimos ali, especificamente, sabor de matzá (taam matzá), e o wafer cozido não tem esse sabor característico, por ter sido alterado pelo cozimento; mas aqui (quanto à mera bênção sobre vegetais cozidos, sem a exigência específica do sabor de matzá), mesmo Rabi Yossei concorda que a bênção "borê pri ha'adamá" se aplica normalmente.
"Mesmo Rabi Yossei concorda" — que, quanto à bênção, o vegetal cozido permanece em seu próprio estado original.
A Guemará refuta a tentativa de Rav Nachman (unidade 7) de ancorar a disputa Shmuel/Rabi Yochanan na disputa Rabi Meir/Rabi Yossei: a exigência de "sabor de matzá" na baraita de Pêssach é um requisito técnico específico daquele contexto, não uma afirmação geral sobre o efeito do cozimento na bênção. Quanto à bênção propriamente dita, todos concordam que vegetais cozidos mantêm "borê pri ha'adamá" — deixando, portanto, sem resolução clara a contradição entre as tradições atribuídas a Rabi Yochanan (que ora diz "borê pri ha'adamá", ora "shehacol"), tema que a sugya retomará nas próximas unidades.
A Guemará traz agora as tradições diretas sobre o que realmente disse Rabi Yochanan, sem intermediário de Ulá: disse Rabi Chiyá bar Abá em nome de Rabi Yochanan: vegetais cozidos, abençoa-se sobre eles "que cria o fruto da terra". E Rabi Binyamin bar Yefet também em nome de Rabi Yochanan disse o oposto: vegetais cozidos, abençoa-se sobre eles "que tudo veio a ser por Sua palavra". Disse Rav Nachman bar Yitschac (comentando essa contradição direta entre dois transmissores do mesmo Rabi Yochanan): Ulá (que antes transmitira "shehacol" em nome de Rabi Yochanan, unidades 4 e 6) fixou e consolidou seu erro (shibushtei) conforme Rabi Binyamin bar Yefet — isto é, Ulá absorveu de Rabi Binyamin uma versão incorreta do ensinamento de Rabi Yochanan, e a repetiu como se fosse certa.
"Disse Rav Nachman: Ulá fixou seu erro conforme Rabi Binyamin" — Ulá, que disse em nome de Rabi Yochanan, acima, "shehacol", aprendeu isso de Rabi Binyamin e fixou seu erro conforme Rabi Binyamin, até que essa versão se cravou em seu coração, e agora a diz na casa de estudo em nome de Rabi Yochanan — sem perceber que herdou um erro de transmissão.
Rav Nachman bar Yitschac resolve a contradição entre as duas tradições de Ulá (que citara Rabi Yochanan dizendo "shehacol") e de Rabi Chiyá bar Abá (que cita o mesmo Rabi Yochanan dizendo "borê pri ha'adamá") ao afirmar que Ulá simplesmente errou, tendo absorvido uma transmissão incorreta de Rabi Binyamin bar Yefet — preparando o terreno para a defesa mais elaborada de Rabi Chiyá bar Abá como fonte confiável, na unidade seguinte.
Ficou surpreso (tahei bah) Rabi Zeira com a comparação proposta na unidade anterior: e que relação de comparação há entre Rabi Binyamin bar Yefet e Rabi Chiyá bar Abá — como se pode sequer colocar os dois no mesmo patamar de confiabilidade? Rabi Chiyá bar Abá é preciso (dayek) e aprende bem (gamar) a tradição oral (shemaata) de Rabi Yochanan, seu mestre, e Rabi Binyamin bar Yefet não é preciso da mesma forma. E mais: Rabi Chiyá bar Abá, a cada trinta dias, revisa (mahdar) seu estudo diante de Rabi Yochanan, seu mestre (para garantir que memorizou corretamente), e Rabi Binyamin bar Yefet não faz essa revisão. E mais: além disso e além daquilo (bar min din uvar min din — além dessas duas razões qualitativas), há uma prova concreta: aquele tremoço (turmesa) que cozinharam sete vezes numa panela (para retirar seu amargor) e depois o comem como sobremesa (kinuach seudá, ao final da refeição) — certa vez vieram e perguntaram a Rabi Yochanan diretamente sobre sua bênção, e ele lhes disse: abençoa-se sobre ele "que cria o fruto da terra" — confirmando, por testemunho direto e não por transmissão de terceiros, que a posição verdadeira de Rabi Yochanan é a de Rabi Chiyá bar Abá, e não a de Rabi Binyamin.
"Ficou surpreso Rabi Zeira" — com esta controvérsia que foi mencionada na casa de estudo: e que sentido há em mencionar as palavras de Rabi Binyamin ao lado das palavras de Rabi Chiyá bar Abá como se fossem uma controvérsia de igual peso na casa de estudo? Pois Rabi Binyamin não é digno de discordar dele, sendo inferior em precisão. "Além disso e além daquilo" — além destas duas provas que mencionei, de que Rabi Binyamin não é comparável a Rabi Chiyá, temos ainda outra prova de que Rabi Yochanan nunca disse, em toda sua vida, que vegetais cozidos recebem "shehacol". "E disse-lhes 'que cria o fruto da terra'" — o que prova que, apesar de tê-lo cozido, o tremoço permanece em seu próprio estado original.
Rabi Zeira rejeita com veemência a ideia de tratar Rabi Binyamin bar Yefet como fonte igualmente confiável a Rabi Chiyá bar Abá, apresentando três argumentos crescentes: a precisão intelectual superior de Rabi Chiyá, sua prática de revisão periódica de seu aprendizado diante do próprio Rabi Yochanan, e — decisivamente — um caso real e testemunhado em que os próprios alunos perguntaram a Rabi Yochanan sobre a bênção do tremoço cozido sete vezes, e ele respondeu "borê pri ha'adamá", confirmando definitivamente que essa era sua opinião verdadeira.
E mais, disse Rabi Chiyá bar Abá (trazendo uma segunda prova, agora de sua própria experiência): eu vi Rabi Yochanan comer uma azeitona salgada (zayit maliach, conservada em sal por tempo suficiente para ser considerada "cozida" pelo calor da salga), e abençoou sobre ela no início e no fim (isto é, recitou tanto a bênção de antes quanto a de depois de comer). Se dizes: está bem, concordando que vegetais cozidos permanecem em seu próprio estado original (isto é, a azeitona salgada mantém o pleno status de fruto da árvore) — no início ele abençoa sobre ela "que cria o fruto da árvore", e no final abençoa sobre ela uma bênção "semelhante às três (meen shalosh, a bênção resumida do Birkat Hamazon para os sete frutos, aplicável aqui por ser fruto de árvore em quantidade suficiente)" — tudo se explica perfeitamente. Mas se dizes que vegetais cozidos não permanecem em seu próprio estado original (isto é, a salga/cozimento a rebaixaria a mero "shehacol"), está bem quanto ao início — ele abençoa sobre ela "que tudo veio a ser por Sua palavra" (a bênção genérica cabível a qualquer alimento, incluindo os rebaixados) — mas, no final, o que abençoa ele — pois não existe bênção final específica para itens de bênção inicial "shehacol", restando a pergunta em aberto?
"Que comeu uma azeitona salgada" — que estivera salgada por vários dias, e estabelecemos (em Pêssachim 76a) que o alimento salgado tem o mesmo status que o fervido — e por isso essa azeitona é tratada como "cozida" para os fins desta discussão.
Rabi Chiyá bar Abá traz uma segunda prova, de testemunho pessoal: viu Rabi Yochanan recitar tanto a bênção inicial quanto a final sobre uma azeitona salgada (equiparada a cozida, pois salga prolongada equivale a cozimento, conforme Pêssachim 76a). Isso só faz sentido se a azeitona salgada mantiver seu status pleno de fruto da árvore — pois só assim existe uma bênção final apropriada ("meen shalosh"); se a salga a rebaixasse a "shehacol", não haveria bênção final correspondente a recitar, deixando a prática de Rabi Yochanan sem explicação.
A Guemará propõe uma possível resposta à dificuldade da unidade anterior: talvez a bênção final recitada por Rabi Yochanan tenha sido, de fato, "que cria numerosas almas (nefashot rabot) e suas faltas (chesronan, isto é, as necessidades que lhes faltam), sobre tudo o que criou" — a bênção genérica "borê nefashot", recitada após qualquer alimento ou bebida que não se enquadre nas categorias das bênçãos finais específicas (as três completas, ou o "meen shalosh"), e portanto perfeitamente aplicável mesmo que a azeitona salgada tivesse sido rebaixada a "shehacol".
Esta resposta neutraliza a prova de Rabi Chiyá bar Abá (unidade 11): mesmo que se sustente que vegetais (e frutos) cozidos ou salgados não mantêm seu status original, a bênção final "borê nefashot" — cabível a qualquer alimento de bênção inicial "shehacol" — explicaria perfeitamente a prática observada de Rabi Yochanan, sem exigir que a azeitona salgada retivesse o pleno status de fruto da árvore. A questão entre as duas posições permanece, portanto, sem solução definitiva a partir desse caso.
Objetou Rav Yitschac bar Shmuel contra a posição de que vegetais cozidos mantêm seu status original, a partir de uma baraita sobre maror: vegetais com os quais a pessoa cumpre sua obrigação de comer erva amarga na Páscoa — cumpre-se a obrigação com eles e com seu caule (kelach), mas não se estiverem em conserva (kevushin), nem cozidos (shelukin), nem fervidos (mevushalin) em água fervente. E se subisse ao teu pensamento (que os vegetais cozidos) permanecem em seu próprio estado original — como sustenta Rabi Chiyá bar Abá em nome de Rabi Yochanan —, os vegetais cozidos, por que razão não cumprem a obrigação de maror? Deveriam cumpri-la, já que continuam sendo o mesmo vegetal original!
"Mas não se estiverem em conserva" — esta baraita, a respeito dos vegetais de maror, é ensinada no capítulo "Kol Sha'á" (Pêssachim 39a), para dizer que não se cumpre a obrigação com eles se estiverem cozidos, quanto ao maror — o que prova que não permanecem em seu próprio estado original. "Shaluk (cozido)" — é um grau de cozimento mais desfeito (nimoach) do que mevushal (fervido).
Rav Yitschac bar Shmuel traz uma objeção direta e textual: a baraita sobre os vegetais aptos para maror na Páscoa (citada também em Pêssachim 39a) exclui explicitamente vegetais em conserva, cozidos ou fervidos — o que pareceria provar que o cozimento de fato retira o status original do vegetal, contradizendo a posição de Rabi Chiyá bar Abá em nome de Rabi Yochanan segundo a qual vegetais cozidos mantêm plenamente sua bênção original.
A Guemará responde à objeção com a mesma distinção já usada na unidade 8: ali (quanto à obrigação de maror) é diferente, pois exigimos especificamente sabor de maror (taam maror), e o vegetal cozido não o tem mais, tendo o cozimento alterado seu sabor característico amargo — mas isso nada tem a ver com seu status geral quanto à bênção, no qual permanece pleno.
"Pois exigimos sabor de maror, e não há" — mas quanto à bênção, o nome de fruto ainda recai sobre ele plenamente, apesar do cozimento ter alterado seu sabor.
A Guemará resolve a objeção com a mesma distinção já aplicada na unidade 8 à baraita da matzá: a exigência de "sabor de maror" é um requisito técnico específico da mitzvá de Pêssach, que se perde com o cozimento — mas isso não afeta o status geral do vegetal quanto à bênção, no qual permanece pleno "borê pri ha'adamá". Assim se reafirma, pela segunda vez no daf, a posição de que vegetais cozidos mantêm sua bênção original.
Encerrando o daf com uma nova pergunta, que retoma o caso da azeitona salgada da unidade 11: perguntou-lhe Rabi Yirmeyá a Rabi Zeira: Rabi Yochanan, como ele abençoa sobre azeitona salgada — com "borê pri ha'etz", como se fosse ainda azeitona plena, ou de outro modo? Já que se lhe tirou (shekila) o caroço (gar'inei, pois a azeitona salgada e conservada geralmente tem o caroço removido) — talvez, sem o caroço, ela já não seja mais considerada uma azeitona completa e reconhecível, mas apenas polpa, exigindo talvez outra bênção...
O daf termina em suspensão: a pergunta de Rabi Yirmeyá — se a remoção do caroço da azeitona salgada afeta sua bênção, por deixar de ser reconhecível como fruto inteiro — fica sem resposta registrada aqui. A frase é interrompida no meio, e sua continuação, com a resposta de Rabi Zeira, prossegue no início de Berachot 39a. Este é o segundo caso consecutivo, entre 38a e 38b, em que o daf se encerra no meio de um episódio ou pergunta, prática recorrente na edição impressa do Talmud Bavli.
A extensa sugya sobre a bênção dos vegetais cozidos (shelakot) corresponde de modo direto a Yerushalmi Berachot 6:1, unidades 6-7, onde a mesma disputa Rav/Shmuel sobre vegetal cozido em água, e a mesma disputa entre Rabi Chiyá bar Vá e Rabi Binyamin bar Yefet sobre a posição real de Rabi Yochanan, são discutidas com estrutura quase idêntica — incluindo o mesmo caso do tremoço cozido usado como prova, e a mesma harmonização final de que a azeitona, por costume de ser comida crua, mantém sua bênção mesmo em conserva.
Ver Yerushalmi Berachot 6:1 →