Resolvendo a pergunta em suspenso ao final de 38b, Rabi Zeira responde que falta apenas o volume do caroço, não seu sabor essencial — pois a azeitona levada perante Rabi Yochanan era grande o bastante para restar o tamanho de azeitona médio mesmo sem o caroço. Segue-se o caso dos dois discípulos diante de Bar Kappara, que abençoaram primeiro as galinhas em vez do repolho e do dormeskin, gerando a repreensão de Bar Kappara e uma discussão sobre se a disputa reflete posições tanaíticas quanto à precedência de "chavivin" (o que é querido) sobre "pirá" (o que é fruto propriamente dito). O daf prossegue com uma série de tradições práticas de diferentes casas de estudo — Rav Huná, Rav Yehudá, Rav Kahana — sobre nabos cortados em pedaços grandes ou pequenos, o cozido de acelga com pouca farinha versus o de nabo com mais farinha, os benefícios medicinais do cozido de acelga segundo Rav Chisda e Abaie, a bênção sobre a água de cozimento de vegetais segundo Rav Papa, a dúvida sobre a água de endro resolvida por uma baraita sobre o sábado, e conclui com a disputa entre Rav Chiyá bar Ashi e Rabi Chiyá, e a réplica de Rava, sobre a bênção do pão seco em pedaços dentro de uma travessa.
Eis a resposta de Rabi Zeira à pergunta de Rabi Yirmeyá, interrompida ao final de 38b, sobre como Rabi Yochanan abençoava a azeitona salgada já sem caroço: faltou-lhe a ela, com a remoção do caroço, apenas o volume (shiurá) — isto é, a azeitona diminuiu de tamanho, mas não deixou de ser reconhecida como o mesmo fruto, e por isso a bênção permanece a mesma; o problema seria apenas se, com a remoção do caroço, restasse menos do que a medida mínima exigida para a bênção.
"Faltou-lhe o volume" — e, quanto à bênção dos frutos da terra, a Torá escreveu o termo "comer" (achilá), e o mínimo de comer é do tamanho de uma azeitona (kezayit) — de modo que, se a remoção do caroço reduzisse a polpa restante abaixo desse volume mínimo, a azeitona já não seria mais objeto de bênção plena.
A resposta de Rabi Zeira esclarece que a dúvida de Rabi Yirmeyá não era sobre o status da azeitona sem caroço quanto ao tipo de bênção, mas sobre se ela ainda atingiria o volume mínimo exigido (kezayit) para merecer bênção — pois a Torá vincula a obrigação de bênção ao ato de "comer" na medida de uma azeitona. A unidade seguinte explica por que, no caso da azeitona de Rabi Yochanan, isso não era problema.
Disse-lhe Rabi Zeira, explicando sua resposta anterior a Rabi Yirmeyá: pensas que exigimos uma medida de azeitona grande como referência mínima? Exigimos apenas azeitona média (beinoni) como medida-padrão — e essa medida ainda havia, mesmo sem o caroço; e aquela azeitona que trouxeram perante Rabi Yochanan era azeitona grande, de modo que, ainda que lhe tivessem tirado o caroço, sobrava-lhe ainda o volume mínimo exigido — pois, sendo originalmente grande, sua polpa restante, mesmo sem o caroço, ainda superava a medida de uma azeitona média.
Rabi Zeira dissolve a dúvida ao esclarecer a referência da medida: a exigência de "kezayit" não se refere a uma azeitona grande, mas a uma azeitona de tamanho médio. Como a azeitona salgada que Rabi Yochanan comia era originalmente grande, mesmo após a remoção do caroço sua polpa remanescente ainda excedia essa medida-padrão — resolvendo, portanto, definitivamente a questão suspensa desde o final de 38b, sem contradizer a posição de que vegetais (e frutos) cozidos ou salgados mantêm sua bênção original.
A Guemará traz a fonte da medida-padrão mencionada: pois foi ensinado numa mishná: a azeitona de que falaram como medida-padrão não é pequena, nem grande, mas média — e essa é a azeitona chamada "egori". E disse Rabi Abahu: não é "egori" seu nome, mas "avroti" é seu nome, e alguns dizem que "simrosi" é seu nome. E por que se chama ela "egori" — porque seu azeite está armazenado (agur) dentro dela — isto é, não absorvido na polpa a ponto de se dispersar, mas concentrado e pronto para sair quando prensada.
"A azeitona de que falaram" — quanto à medida mínima exigida de todas as obrigações de comer. "Seu azeite está armazenado dentro dela" — pronto e disponível para sair dela, pois não fica absorvido no fruto como o suco de maçãs e amoras, mas permanece armazenado, como o suco das uvas antes de serem espremidas.
Esta unidade documenta a fonte tanaítica da medida "kezayit" usada por Rabi Zeira: uma mishná definindo a azeitona-padrão como nem pequena nem grande, mas média, com um nome próprio ("egori", segundo uma opinião, ou "avroti"/"simrosi", segundo Rabi Abahu) que remete à concentração de azeite em seu interior, pronta para ser extraída — encerrando a sugya da azeitona salgada iniciada em 38b.
Retomando a discussão sobre a bênção dos vegetais cozidos, a Guemará propõe: digamos que a disputa entre Rabi Chiyá bar Abá e Rabi Binyamin bar Yefet quanto à posição de Rabi Yochanan é como uma disputa tanaítica já registrada: pois havia dois discípulos que estavam sentados diante de Bar Kappara. Trouxeram diante dele repolho, e dormeskin (ameixas ou outra hortaliça cozida), e galinhas (pargiot). Bar Kappara deu permissão a um deles para abençoar e assim eximir a todos com sua bênção, e ele de imediato saltou (kafatz) e abençoou as galinhas primeiro, antes do repolho e do dormeskin. Seu colega zombou dele por essa escolha. Bar Kappara ficou irado com essa zombaria e disse: não estou irado com o que abençoou, mas estou irado com o que zombou. Se teu colega parece a alguém como quem nunca provou sabor de carne em toda sua vida — e por isso lhe é mais querida —, tu, por que zombaste dele? Mas então Bar Kappara voltou atrás e disse: não estou irado com o que zombou, mas estou irado com o que abençoou. E disse: se sabedoria não há aqui (nele), ao menos idade avançada não há aqui (nele, para que se justificasse tal precedência por costume ou hábito de vida)?! — isto é, sendo jovem e sem grande erudição, não tinha ele motivo especial para preferir a carne ao vegetal, e deveria ter seguido a ordem mais óbvia.
"Dormeskin" — também eles são vegetais cozidos (shelakot) de uma erva chamada "akdalshit" em francês antigo, como vi explicado no comentário a Bavá Kamá de Rabino Yitschac bar Yehudá; mas aqui ele explicou "pronsh" (ameixas), e assim também eu ouvi aqui e também em Bavá Kamá (capítulo dez, folha 116b, sob o nome de) "pronsh"; mas não é possível sustentar essa explicação de ameixas, pois, se assim fosse, sua bênção seria "borê pri ha'etz" (sendo fruto de árvore), e como então o discípulo se anteciparia e abençoaria as galinhas, cuja bênção é "shehacol", e elas não são consideradas alimentos importantes o suficiente para justificar tal precedência, conforme se explicará adiante — por isso prefiro a explicação de erva cozida, cuja bênção é apenas "borê pri ha'adamá", tornando compreensível a disputa. "Pargiot" — carne de ave, chamada "pertiz" em francês antigo. "Que nunca provou sabor de carne" — de modo que a carne se tornasse querida para ele. "Idade avançada não há aqui" — Bar Kappara censurou-o dizendo: acaso não sou eu idoso? E ele deveria ter me perguntado sobre qual dos alimentos abençoaria, para eximir os demais tipos; e estas coisas — as galinhas, o repolho, o dormeskin — não vêm para acompanhar o pão como parte da refeição comum, mas vêm independentemente da refeição (shelo mechamat hasseudá), e dizemos mais adiante (Berachot 41b) que tais alimentos exigem bênção antes de si próprios, e o pão não os isenta.
A Guemará traz este episódio como possível fonte tanaítica para a disputa Rabi Chiyá bar Abá/Rabi Binyamin bar Yefet sobre a bênção dos vegetais cozidos. Bar Kappara, ao repreender o discípulo que zombara, revela ambiguidade: primeiro parece aceitar que a carne poderia legitimamente vir antes por ser mais "querida" (chavivin) a quem não a provava com frequência, depois reconsidera e censura o próprio discípulo que abençoara as galinhas primeiro, por faltar-lhe tanto sabedoria quanto idade que justificassem tal precedência sobre o vegetal cozido.
Foi ensinado numa versão adicional deste relato: e nenhum dos dois discípulos passou a noite seguinte em sua posição original (shenatan) — isto é, ambos, após a repreensão de Bar Kappara, reconsideraram e mudaram de opinião antes do dia seguinte, não mantendo obstinadamente suas posições iniciais.
Este acréscimo esclarece que a disputa entre os dois discípulos não ficou congelada: ambos revisaram sua posição diante da correção do mestre, o que prepara a Guemará para perguntar, na unidade seguinte, qual seria exatamente o fundamento teórico de sua discordância original.
A Guemará propõe interpretar a disputa dos dois discípulos como refletindo a mesma controvérsia sobre vegetais cozidos: acaso não é nisto que discordavam: que o que abençoou as galinhas primeiro entendia que vegetais cozidos e galinhas têm ambos a mesma bênção, "que tudo veio a ser por Sua palavra" (sendo, portanto, equivalentes quanto ao tipo de bênção); portanto, sendo iguais nesse aspecto, o querido (chaviv) — isto é, a carne, mais apreciada — é preferível na ordem da bênção; e o que zombou dele entendia que vegetais cozidos têm a bênção "que cria o fruto da terra", e galinhas têm a bênção "que tudo veio a ser por Sua palavra" — sendo, portanto, diferentes; portanto o vegetal, tendo a bênção do fruto (pirá), é preferível por sua bênção mais específica e completa, superior à genérica "shehacol" das galinhas?
"Que o que abençoou entendia que vegetais cozidos etc." — isto é, entendia que repolho e dormeskin têm bênção "shehacol" igual à das galinhas, pois, sobre coisa cujo crescimento não é da terra propriamente, como carne, ovos e peixes, ensinou-se na Mishná "shehacol" (unidade 14 de 38a); e, uma vez que suas bênçãos são iguais, o querido (a carne) é preferível. "E o que zombou entendia que vegetais cozidos têm a bênção 'borê pri ha'adamá'" — pois é uma bênção importante em si mesma, própria de coisas consideradas importantes, e por isso ele deveria tê-la antecipado.
A Guemará propõe que a disputa entre os dois discípulos de Bar Kappara reproduz exatamente a controvérsia central do daf anterior sobre a bênção dos vegetais cozidos: se estes recebem "shehacol" (equiparando-os às galinhas, e abrindo espaço para a preferência subjetiva pelo alimento mais querido) ou "borê pri ha'adamá" (tornando-os objetivamente superiores em bênção, e portanto merecedores de precedência).
A Guemará rejeita essa leitura: não é assim, de fato, pois todo o mundo concorda que vegetais cozidos e galinhas têm igualmente a bênção "que tudo veio a ser por Sua palavra" — sem relação alguma com a disputa sobre a bênção dos vegetais cozidos discutida em 38b; e aqui discordavam nesta outra consideração (sevará): um mestre entende que o querido é preferível na ordem de precedência da bênção, e o outro mestre entende que o repolho é preferível, pois nutre (zayen) mais o corpo, e por isso merece precedência mesmo tendo a mesma bênção que a carne.
"O repolho é preferível, pois nutre" — pois foi ensinado mais adiante (Berachot 44b): repolho serve para alimento substancial, e acelgas servem para fins de remédio — sendo, portanto, o repolho um alimento mais nutritivo e substancioso, o que lhe conferiria precedência por essa razão prática, independentemente da bênção.
A Guemará afasta a interpretação anterior e esclarece que este episódio não tem relação com a disputa sobre a bênção dos vegetais cozidos — pois todos concordam que repolho, dormeskin e galinhas recebem igualmente "shehacol" (não sendo, portanto, fonte tanaítica para aquela controvérsia). A discordância real entre os dois discípulos era sobre o critério de precedência quando as bênçãos são idênticas: se prevalece o alimento mais querido/apreciado (chaviv) ou o mais nutritivo (zan), critério este último apoiado na baraita de Berachot 44b sobre as propriedades do repolho.
Disse Rabi Zeira: quando estávamos na casa (bei) de Rav Huná, ele nos dizia: estas cabeças (gargelidei) de nabo (lifta) — se as cortaram (parminhu) em corte grande (prima rabá), a bênção é "que cria o fruto da terra"; se as cortaram em corte pequeno (prima zuta), a bênção é "que tudo veio a ser por Sua palavra" — pois o corte excessivamente miúdo as reduz a mero tempero, perdendo o status de vegetal principal. E quando viemos à casa de Rav Yehudá, ele nos dizia: um modo de corte e outro, ambos recebem a bênção "que cria o fruto da terra"; e o fato de as cortarem mais miudamente é apenas para que seu sabor adoce (nimtik) — servindo apenas ao paladar, sem rebaixar seu status de vegetal principal.
"Cabeças de nabo" — isto é, cabeças de nabos. "As cortaram" — do termo francês antigo "menuisier", no sentido de picar vegetais. "Corte pequeno" — isso é um rebaixamento (gerituta), e o nabo, nesse caso, permanece com status equivalente ao de quando comido cru — isto é, rebaixado à condição de tempero, e não de vegetal principal.
Este é o primeiro de uma série de relatos práticos de Rabi Zeira (e depois de Rav Ashi) sobre costumes observados em diferentes casas de estudo quanto à bênção de vegetais preparados de formas específicas. Rav Huná distinguia pelo tamanho do corte (grande mantém "borê pri ha'adamá", pequeno rebaixa a "shehacol", pois vira mero tempero); Rav Yehudá discordava, sustentando que o corte miúdo serve apenas para adoçar o sabor durante o cozimento, sem alterar o status do nabo como vegetal principal.
Disse Rav Ashi: quando estávamos na casa de Rav Kahana, ele nos dizia: cozido (tavshilá) de acelga (silka), no qual não se põe muita (mafshu) farinha (kimchá) — a bênção é "que cria o fruto da terra"; cozido de nabo, no qual se põe farinha em maior (tefei) quantidade — a bênção é "que cria tipos de alimento" (borê minei mezonot) — pois a farinha, sendo abundante, torna-se o elemento principal do prato. E depois ele voltou atrás e disse: um caso e outro, ambos recebem a bênção "que cria o fruto da terra"; e o fato de se pôr (shadei) nele (no cozido de nabo) mais farinha é apenas para a farinha grudar (ledavkei) em geral — isto é, serve apenas como espessante, mantendo o nabo como elemento principal do prato, sem que a farinha assuma o papel central.
Paralelo ao caso anterior, Rav Kahana também revê sua posição: inicialmente distinguia entre o cozido de acelga (pouca farinha, mantém "borê pri ha'adamá") e o de nabo (mais farinha, tornando-se "borê minei mezonot", como um prato de cereal), mas depois conclui que, em ambos os casos, a farinha serve apenas de espessante para dar liga ao prato, e o vegetal continua sendo o componente principal, mantendo sua bênção original em ambos os casos.
Disse Rav Chisda: o cozido de acelgas (teradin) é bom para o coração, e bom para os olhos, e tanto mais para os intestinos (livnei mea'ayim) — trazendo benefício geral à saúde. Disse Abaie (qualificando essa afirmação): e isso só se aplica quando o cozido está sentado à beira (abei) do fogo (tafei) por tempo suficiente e faz o som de "toch toch" (o borbulhar característico do cozimento prolongado e completo).
"À beira do tafei" — sobre o local de assentamento (shefitá) da panela no fogo. "E faz 'toch toch'" — isto é, que está cozido e muito desfeito (nimoach), e o som de sua fervura se ouve como o som de "toch toch".
Esta unidade traz uma observação medicinal de Rav Chisda sobre os benefícios do cozido de acelga bem cozido, qualificada por Abaie: os benefícios à saúde só se aplicam quando o cozimento é longo e completo, a ponto de a panela produzir o característico som borbulhante que indica que o vegetal está totalmente desfeito.
Disse Rav Papa: é óbvio para mim que a água (maya) de acelga (o caldo do cozimento) é como acelga — tendo a mesma bênção do vegetal, "borê pri ha'adamá", e a água de nabo é como nabo, e a água de todos os vegetais cozidos é como todos os vegetais cozidos — o caldo de cozimento herda sempre a bênção do vegetal que lhe deu origem. Perguntou Rav Papa (levantando um caso de dúvida): e a água de cozimento de endro (shivta), o que é sua bênção? Isto é: fazem-na (põem o endro na panela) para adoçar (matukei) o sabor de outro alimento — sendo, portanto, mero tempero, sem bênção própria de vegetal, ou a põem para o próprio endro tirar (le'aborei) o mau cheiro (zuhamá) de si mesmo — sendo, nesse caso, o próprio endro o alimento principal, comestível e digno de bênção plena?
"Água de acelga" — isto é, o caldo do cozido de acelgas. "Como acelga" — quanto à bênção. "De endro" — um vegetal do qual se põe um pouco na panela apenas para adoçar outros ingredientes, e não para comê-lo por si mesmo, chamado "anet" em francês antigo. "Fazem-na para adoçar o sabor" — e, se assim for, então abençoa-se sobre as águas de seu cozido apenas "borê pri ha'adamá" — pergunta esta que permanece em aberto até a próxima unidade, que a resolve.
Rav Papa estabelece o princípio geral de que a água de cozimento de vegetais recebe a mesma bênção do vegetal cozido, mas levanta uma dúvida específica sobre o endro: por ser usado em pequena quantidade apenas como tempero (e não como alimento principal), não fica claro se sua função é adoçar outros sabores (caso em que sua água teria bênção derivada e menor) ou eliminar mau cheiro de si mesmo enquanto alimento principal (caso em que teria bênção plena). A dúvida é resolvida na unidade seguinte.
A Guemará responde à dúvida da unidade anterior: venha e ouça uma prova de outra fonte: o endro (shevet), desde que deu seu sabor na panela (isto é, uma vez cumprida sua função de temperar), não há nele mais lei de teruma (mesmo que originalmente fosse teruma, perde essa condição, sendo já como madeira descartável), e ele não torna mais impuro por impureza de alimentos (pois já não é mais considerado alimento). Aprende-se disso que o fazem o põem na panela para adoçar o sabor de outros alimentos, e não para ser comido por si mesmo — pois, se fosse alimento principal, continuaria sujeito às leis de teruma e impureza mesmo após o cozimento. Conclui a Guemará: aprende-se de fato disso — resolvendo definitivamente a dúvida de Rav Papa: a água de cozimento do endro tem apenas a bênção derivada de tempero, e não a bênção plena de vegetal principal.
"O endro não há nele" — isto é, no talo dele, depois que o puseram na panela e depois o retiraram, não há mais nele a proibição de teruma, pois já se tornou como mera madeira; e, do fato de se ensinar que isso ocorre já "desde que deu sabor", aprende-se disso que o endro é feito e usado para dar sabor a outros alimentos, e não para ser ele mesmo comido.
A Guemará resolve a dúvida de Rav Papa citando uma halachá sobre teruma e pureza ritual: o fato de o endro perder toda relevância legal (como se fosse mera madeira) assim que cumpre sua função de temperar prova que sua função é exclusivamente aromatizante, e não alimentar. Consequentemente, a água de seu cozimento recebe apenas a bênção correspondente a tempero, não a bênção plena de vegetal principal como acelga ou nabo.
Encerrando o daf com um novo tópico, sobre a bênção do pão: disse Rav Chiyá bar Ashi: sobre pão seco (tzenumá) que foi posto de molho e está numa travessa (ke'ará), abençoa-se sobre ele "hamotzí" (a bênção completa do pão, como se fosse pão inteiro). E isso discorda da posição de Rabi Chiyá, que disse: é preciso que a bênção termine (shetichle) junto com o pão — isto é, que, ao proferir a última palavra da bênção "hamotzí", a pessoa já esteja com a fatia de pão partida e pronta na mão, e não ainda inteira ou apenas parcialmente partida, para que a bênção e o ato de partir o pão se completem exatamente ao mesmo tempo.
"Pão seco" — pão ressecado que se pôs numa travessa para ficar de molho, e assim também se chamam as migalhas secas e finas (tzenumot dakot). "É preciso que a bênção termine" — isto é, a bênção de "hamotzí" deve terminar junto com o partir (prisat) do pedaço (perusá) a partir do pão; e este pão seco na travessa já está partido (parus) e assim permanece — não havendo mais um ato de partir a se completar junto com a palavra final da bênção, o que, segundo Rabi Chiyá, invalidaria a recitação de "hamotzí" sobre ele.
Encerrando o daf com um novo debate sobre a bênção do pão, Rav Chiyá bar Ashi permite recitar "hamotzí" sobre pão seco (já em pedaços, colocado de molho numa travessa), enquanto Rabi Chiyá exige que o ato físico de partir o pão coincida exatamente com o término da bênção — requisito que o pão já partido, por definição, não pode satisfazer. A Guemará examinará essa objeção na unidade seguinte, com a réplica de Rava.
Objetou Rava contra a posição de Rabi Chiyá: em que é diferente o pão seco, que sobre ele Rabi Chiyá diria que não se abençoa "hamotzí" — porque, quando a bênção termina, termina sobre um pedaço (perusá) já partido e não sobre o ato de partir? Também sobre o pão inteiro, no modo costumeiro de abençoar, quando ele termina a bênção, termina igualmente sobre um pedaço — pois também ali a pessoa já partiu o pão fisicamente antes de concluir a última palavra da bênção, de modo que, ao final, o objeto diante dela já é um pedaço, e não mais o pão inteiro; logo, não há diferença real entre os dois casos, e a objeção de Rava permanece para ser resolvida na continuação, em 39b.
"Sobre um pedaço termina" — uma vez que disseste que a bênção deve terminar com o partir do pedaço, pergunta Rava: que importância há nisso, e que diferença real isso traz — se, ao final, tanto no pão inteiro quanto no pão seco, o que resta nas mãos ao término da bênção é sempre um pedaço já separado?.
Rava desafia a distinção de Rabi Chiyá com uma objeção lógica: se o critério é que a bênção deve terminar exatamente quando o pedaço é separado do pão, isso ocorre igualmente tanto no pão seco quanto no pão inteiro — em ambos os casos, ao se concluir a última palavra de "hamotzí", o que se tem nas mãos já é um pedaço partido. A objeção fica em aberto ao final do daf, e sua resposta prossegue no início de Berachot 39b.
Não foi identificada correspondência direta e específica no Yerushalmi Berachot já traduzido (1:1–9:5) para os episódios próprios deste daf — o caso de Bar Kappara e os dois discípulos, as tradições práticas de Bei Rav Huná/Rav Yehudá/Rav Kahana sobre nabo e acelga, a dúvida sobre a água de endro, e a disputa sobre o pão seco na travessa — que são material exclusivo da Guemará babilônica.
Ver Yerushalmi Berachot 6:1 →