Continuando diretamente de 39a, Rava responde à sua própria objeção contra Rabi Chiyá: a regra correta é abençoar primeiro sobre o pão inteiro e só depois parti-lo, de modo que a bênção nunca precisa "terminar" exatamente sobre o ato de partir. A halachá se fixa conforme Rava. Segue-se uma disputa relacionada entre Rav Huná e Rabi Yochanan sobre se, havendo pedaços e pães inteiros à mesa, abençoa-se sobre os pedaços ou sobre o inteiro — comparada a um debate tanaítico sobre teruma de cebola grande ou pequena, e resolvida pela distinção entre haver ou não um cohen presente. Rav Nachman bar Yitzchak descreve o costume do temente a D'us que satisfaz as duas opiniões, ilustrado por Mar filho de Ravina e por uma baraita que reconcilia as posições, seguida da halachá de Rav Papa sobre a matzá de Pêssach e do ensinamento de Rabi Abá sobre as duas massas de Shabat. O daf fecha com os costumes práticos de Rav Kahana e Rabi Zeira ao partir o pão da refeição de Shabat, e a bênção de Rav Ami e Rav Assi sobre o pão que serviu ao eruv.
Respondendo à sua própria objeção contra Rabi Chiyá, deixada em aberto ao final de 39a: mas (elá) disse Rava: a prática correta é que a pessoa abençoa a bênção completa de "hamotzí" sobre o pão ainda inteiro, e só depois disso parte (botzêa) o pedaço.
"Mas disse Rava: abençoa-se e depois se parte" — isto é, termina-se toda a bênção e só depois disso se separa o pedaço (perusá), pois assim a bênção termina sobre o pão ainda inteiro — e não há, portanto, necessidade alguma de que o ato de partir coincida com a última palavra da bênção, o que torna sem efeito a objeção de Rava contra Rabi Chiyá formulada ao final de 39a.
Rava resolve sua própria objeção invertendo a ordem: em vez de exigir que a bênção termine exatamente no momento em que o pedaço se separa (posição de Rabi Chiyá), ele estabelece que se recita e conclui toda a bênção sobre o pão ainda inteiro, e somente depois se parte um pedaço para comer. Dessa forma, a bênção nunca precisa coincidir com o ato de partir, e a distinção entre pão seco (já partido) e pão inteiro deixa de ser relevante.
A Guemará relata a prática efetiva das duas opiniões: os sábios de Neharde'a agiam conforme Rabi Chiyá, e os demais rabanan agiam conforme Rava. Disse Ravina: minha mãe me disse: teu pai agia conforme Rabi Chiyá, que disse Rabi Chiyá: é preciso que a bênção termine junto com o pão (isto é, exatamente no momento de partir o pedaço); e os rabanan agiam conforme Rava. Conclui a Guemará: e a halachá é conforme Rava, que disse: abençoa-se primeiro e depois disso se parte o pão.
A Guemará documenta que, na prática, as duas opiniões coexistiam — os sábios de Neharde'a seguiam Rabi Chiyá, e os demais seguiam Rava, incluindo o próprio pai de Ravina, segundo relato de sua mãe. Mas a conclusão halachica final é decisiva a favor de Rava: abençoa-se sobre o pão inteiro e só depois se parte, prática que se tornou a norma.
Passando a um novo tema, relacionado à precedência entre pão inteiro e em pedaços: foi dito (itmar — introduzindo uma disputa amoraítica): trouxeram diante deles pedaços (petitin) e pães inteiros (shelemin) na mesma refeição. Disse Rav Huná: abençoa-se sobre os pedaços, e essa bênção desobriga também os pães inteiros. E Rabi Yochanan disse: pão inteiro é o cumprimento da mitzvá da melhor forma (min hamuvchar) — e por isso deve-se preferir abençoar sobre o inteiro. Mas havendo pedaço (perusá) de pão de trigo e pão inteiro de cevada, opinião de todos é que se abençoa sobre o pedaço de trigo, e essa bênção desobriga também o pão inteiro de cevada — pois, nesse caso, a superioridade da qualidade do trigo prevalece sobre a integridade do pão de cevada.
"Pedaços e pães inteiros — disse Rav Huná" — se quiser, abençoa sobre os pedaços; e, se os pedaços forem maiores e de melhor qualidade do que os pães inteiros, é preciso abençoar sobre eles de qualquer forma.
A disputa entre Rav Huná e Rabi Yochanan diz respeito à precedência, ao abençoar o pão, entre pedaços já partidos e pão inteiro: Rav Huná permite abençoar livremente sobre os pedaços, enquanto Rabi Yochanan prefere o pão inteiro por ser a forma mais completa e honrosa de cumprir a mitzvá. Ambos concordam, porém, que a qualidade superior do pão (trigo sobre cevada) tem precedência sobre a mera integridade física do pão.
Disse Rabi Yirmeya bar Abá: essa disputa entre Rav Huná e Rabi Yochanan é como uma disputa tanaítica (ketanaei): foi ensinado que separa-se teruma a partir de cebola pequena inteira, mas não a partir de metade de cebola grande (embora a metade da grande possa ser maior em quantidade). Rabi Yehudá diz: não é assim, mas sim separa-se teruma a partir de metade da cebola grande. Pergunta a Guemará: acaso não é que nisto discordam: que um Sábio (mar) entende que o mais significativo (chashuv) é preferível — logo, a metade da cebola grande, de melhor qualidade, tem precedência, e o outro Sábio entende que o inteiro (shalem) é preferível — logo, a cebola pequena inteira tem precedência sobre a metade da grande?
"É como uma disputa tanaítica" — isto que disseste sobre pedaço de pão de trigo e pão inteiro de cevada, a saber, que a qualidade superior prevalece, é também objeto de disputa tanaítica. "Mas não a partir de metade de cebola grande" — ainda que haja nela (na metade da grande) mais volume do que na pequena inteira.
Rabi Yirmeya bar Abá propõe que a disputa amoraítica entre Rav Huná e Rabi Yochanan reflete uma disputa tanaítica preexistente sobre as leis de teruma: se, ao separar a porção sacerdotal de cebolas, prefere-se uma unidade pequena mas inteira, ou uma porção maior e de melhor qualidade mas que é apenas metade de uma cebola grande. A pergunta retórica sugere que o critério em jogo é o mesmo: "o mais significativo" versus "o inteiro".
A Guemará rejeita a comparação simples e distingue: onde há cohen presente, pronto para receber a teruma de imediato, todos os tanaítas não discordam que o significativo é preferível (pois será consumido logo pelo cohen, não havendo risco de deterioração). Quando discordam é onde não há cohen presente. Pois foi ensinado numa mishná: em todo lugar onde há cohen, separa-se a teruma do produto melhor (hayafê); e em todo lugar onde não há cohen, separa-se a teruma do que se conserva (hamitkayem) — isto é, do que dura mais tempo sem estragar, até que um cohen o receba. Rabi Yehudá diz: não se separa a teruma senão do produto melhor — em qualquer caso, havendo ou não cohen presente.
"Onde há cohen" — e o israelita lhe dá a teruma de imediato. "Onde não há cohen" — o israelita precisa guardá-la (yatzniêno) até encontrar um cohen a quem entregá-la, e por isso a escolhe entre o que dura mais, pois metade de cebola grande não se conserva tão bem quanto uma pequena inteira.
A Guemará resolve a comparação: quando há um cohen presente para receber a teruma imediatamente, todos concordam que se separa do produto de melhor qualidade, mesmo que seja apenas metade de um item grande. A disputa tanaítica só existe quando não há cohen presente — nesse caso, o primeiro tanna prioriza o que se conserva bem (uma unidade pequena, mas inteira), enquanto Rabi Yehudá insiste sempre na melhor qualidade, independentemente da durabilidade. Esse mesmo critério de "presença ou ausência do destinatário imediato" explica, por analogia, a disputa entre Rav Huná e Rabi Yochanan sobre pão.
Voltando à disputa entre Rabi Yochanan e Rav Huná sobre pedaços e pão inteiro: disse Rav Nachman bar Yitzchak: e o temente (yerê) a D'us (shamáyim) sai a cumprir seu dever pelas mãos das duas opiniões (satisfaz ambas ao mesmo tempo). E quem é ele? Mar filho de Ravina, pois Mar filho de Ravina colocava um pedaço (perusá) dentro do pão inteiro (shelemá) e partia os dois juntos — cumprindo, assim, tanto a opinião de que se abençoa sobre o inteiro, quanto a de que se abençoa sobre o pedaço.
"Sai a cumprir seu dever pelas mãos das duas opiniões" — pelas mãos da disputa de Rav Huná e Rabi Yochanan. "Coloca o pedaço debaixo do pão inteiro e parte" — e assim as duas peças se encontram em sua mão, e ele parte ou de ambas, ou apenas do pão inteiro — de modo que a bênção recai sobre ambos ao mesmo tempo.
Rav Nachman bar Yitzchak descreve uma prática que reconcilia as duas opiniões: Mar filho de Ravina colocava um pedaço de pão junto (debaixo ou dentro) do pão inteiro e partia ambos ao mesmo tempo, de modo que sua bênção recaísse simultaneamente sobre o pedaço (satisfazendo Rav Huná) e sobre o pão inteiro (satisfazendo Rabi Yochanan) — a solução do "temente a D'us" que cumpre as duas visões sem contradição.
Confirmando essa prática com uma baraita: ensinou um tanna diante de Rav Nachman bar Yitzchak: coloca-se o pedaço (perusá) dentro do pão inteiro, parte-se os dois juntos e abençoa-se. Disse-lhe Rav Nachman: qual é teu nome? Respondeu-lhe: Shalmán. Disse-lhe Rav Nachman, fazendo um trocadilho com o nome: paz (shalom) és tu, e completo (shelemá) é teu estudo, a mishná que recitaste, pois puseste paz (shalom) entre os discípulos — por teres reconciliado, com esta baraita, as opiniões divergentes de Rav Huná e Rabi Yochanan.
Uma baraita independente confirma exatamente a prática atribuída a Mar filho de Ravina: colocar o pedaço dentro do pão inteiro e parti-los juntos, abençoando em seguida. Rav Nachman bar Yitzchak elogia o tanna que a recitou com um jogo de palavras sobre seu nome, Shalmán — ligado a "shalom" (paz) e "shelemá" (completo/inteiro) — por ter trazido uma solução que reconcilia as duas opiniões em disputa.
Aplicando esse princípio a um caso específico: disse Rav Papa: todos concordam quanto à matzá de Pêssach, que se coloca o pedaço (perusá) dentro do pão inteiro (shelemá) e se parte ambos juntos, sem discordância alguma entre as opiniões. Qual é o motivo? Está escrito: "pão da aflição (lechem oni)" (Devarim 16:3) — e é costume dos pobres comer seu pão em pedaços, não inteiro; por isso, na matzá de Pêssach, convém que o pedaço partido também esteja presente e visível.
"'Pão da aflição' está escrito" — e o costume do pobre é comer seu pão em pedaço; por isso é preciso que a pessoa, ao abençoar na noite de Pêssach, pareça estar partindo a partir do pedaço — e não apenas do pão inteiro, para que a bênção evoque visualmente a condição de pobreza e aflição que a matzá representa.
Rav Papa estabelece um caso em que não há disputa: na noite de Pêssach, todos concordam que se deve colocar o pedaço dentro do pão inteiro e parti-los juntos, pois a Torá chama a matzá de "pão da aflição" — e o costume dos pobres é comer pão já partido. Por isso, mesmo quem normalmente prefere abençoar sobre pão inteiro reconhece que a matzá de Pêssach deve evocar visivelmente essa pobreza, exigindo a presença do pedaço partido.
Trazendo outra halachá relacionada ao partir do pão nas festividades: disse Rabi Abá: e em Shabat a pessoa é obrigada a partir o pão da refeição sobre duas massas (kikarot) — isto é, tendo diante de si dois pães completos. Qual é o motivo? Está escrito: "pão dobrado (lechem mishnê)" (Shemot 16:22 — referindo-se à porção dupla de maná recolhida na sexta-feira para o Shabat; em memória disso, as refeições de Shabat se apoiam sobre dois pães).
Rabi Abá estabelece a obrigação, ainda hoje observada, de ter dois pães completos (lechem mishnê) nas refeições de Shabat, derivada do relato do maná no deserto: na sexta-feira caía uma porção dupla, para que não fosse necessário recolher no Shabat. As duas massas de Shabat comemoram esse "pão dobrado".
Sobre o modo prático de partir as duas massas: disse Rav Ashi: eu vi Rav Kahana, que tomava as duas massas e partia apenas uma delas — segurando a segunda inteira ao lado, para cumprir "pão dobrado" sem precisar parti-las ambas. Rabi Zeira partia de uma só vez, no início da refeição, um pedaço grande, suficiente para toda a refeição (sheiruta) do Shabat. Disse-lhe Ravina a Rav Ashi a respeito do costume de Rabi Zeira: mas isso não parece gulodice (raavtanuta) — partir de uma vez um pedaço tão grande? Disse-lhe Rav Ashi: já que ele não faz assim todo outro dia, e agora (no Shabat) faz assim, não parece gulodice, mas sim honra especial à refeição de Shabat.
"Partia toda a refeição" — isto é, cortava um pedaço grande, que lhe bastava para toda a refeição inteira de Shabat.
A Guemará relata dois costumes distintos de amoraítas ao cumprir "lechem mishnê": Rav Kahana segurava as duas massas mas partia apenas uma, enquanto Rabi Zeira cortava de uma só vez um pedaço grande o bastante para toda a refeição de Shabat. Diante da objeção de que isso pareceria gula, Rav Ashi explica que o caráter excepcional do dia (Shabat, e não um costume diário) remove qualquer aparência de voracidade, transformando o gesto em honra à refeição festiva.
Encerrando o daf com um relato relacionado às refeições de Shabat: Rav Amí e Rav Assí, quando lhes chegava à mão o pão (riftá) que havia servido para o eruv (eruv chatzerot, o pão usado na véspera para unir os quintais em torno de um domínio comum), abençoavam sobre ele: "hamotzí lechem min haáretz" (o texto completo da bênção do pão, usando-o na própria refeição). Diziam eles, explicando esse costume: já que se fez com ele este pão uma mitzvá (a mitzvá do eruv), façamos com ele também outra mitzvá (a mitzvá de comer pão e abençoar sobre ele na refeição, aproveitando o mesmo pão para duas mitzvot sucessivas).
"O pão do eruv" — isto é, o pão com o qual se fez, na véspera, o eruv de chatzerot (a mistura de quintais que permite carregar objetos no Shabat entre as casas de um mesmo pátio).
Encerrando o daf, a Guemará relata o costume de Rav Amí e Rav Assí de reaproveitar, na própria refeição de Shabat, o pão que havia servido para constituir o eruv de chatzerot na véspera — explicando que, tendo já cumprido uma mitzvá, é louvável fazer com o mesmo objeto uma segunda mitzvá, nesse caso a bênção e o consumo do pão na refeição.
Correspondência real com o Yerushalmi já traduzido: em Berachot 6:1 (beat 9), Rabi Chiyá ensina ali exatamente a posição espelhada à sua própria citada no Bavli — "não se abençoa sobre o pão senão no momento em que se o parte" —, com a consequência prática de que, se o pão redondo não chega a se partir na mão antes do fim da bênção, é preciso abençoar de novo. É o mesmo eixo de debate que Rava resolve aqui em 39b ao inverter a ordem (abençoar e só depois partir). Os demais temas deste daf — pedaços versus pão inteiro, o paralelo com teruma de cebola, o costume de Mar filho de Ravina, a matzá de Pêssach, as duas massas de Shabat, e os episódios de Rav Kahana, Rabi Zeira, Rav Amí e Rav Assí — são material exclusivo da Guemará babilônica, sem paralelo direto no Yerushalmi já traduzido.
Ver Yerushalmi Berachot 6:1 →