O daf abre com uma nova Mishná sobre a regra de "principal e acessório": quando trazem salgado antes, acompanhado de pão, abençoa-se sobre o salgado, que desobriga o pão. A Guemará esclarece esse caso incomum com os fartos frutos de Ginossar, contando o apetite voraz dos discípulos de Rabi Yochanan e as fabulosas riquezas do reino de Yanai Hamélech — a cidade de peixe salgado, a árvore de pombos e a cidade de Gufnit com seus oitenta pares de irmãos sacerdotes casados com oitenta pares de irmãs sacerdotisas —, fechando com o ensinamento de que toda refeição sem sal ou sem molho não é uma verdadeira refeição. Uma segunda Mishná trata da bênção final sobre os "sete tipos" — uvas, figos e romãs —, com a disputa entre Rabán Gamliel (três bênçãos completas) e os sábios (uma bênção resumida, "mêen shalosh"), e as posições de Rabi Akivá sobre alimento simples que sustenta e sobre a bênção da água. A Guemará busca a fonte bíblica de Rabán Gamliel, resolve a objeção dos sábios, distingue a bênção intermediária de "borê minê mezonot" para os cinco tipos de grão da bênção final "mêen shalosh", cita o texto integral dessa bênção resumida — tanto para frutos da árvore quanto para os cinco grãos —, e fecha com a discussão de como selar corretamente essa bênção, indo e voltando entre Rav Chisdá e Rabi Yochanan, até a conciliação final de Rav Amram.
Matni (Mishná): trouxeram (hevi'u) diante dele (lefanav) salgado (maliach) primeiro (techilá) e pão (pat) com ele (imo) — abençoa (mevarech) sobre o salgado e desobriga (poter) o pão, pois (she) o pão lhe é acessório (tefelá lo). Esta (zeh) é a regra (hakelal): tudo (kol) o que é principal (ikar), e com ele (veimo) um acessório (tefelá) — abençoa sobre o principal (haikar) e desobriga o acessório (hatefelá).
Uma nova Mishná abre com o princípio geral de "principal e acessório" nas bênçãos: quando um alimento secundário acompanha o principal — aqui, pão trazido junto com um prato salgado — abençoa-se apenas sobre o principal, e essa bênção desobriga também o acessório, formulando-se a regra geral que vale para qualquer combinação semelhante de alimentos.
Guemará: e existe (mi ika) algo (midei) em que (dehavei) o salgado seja o principal e o pão seja o acessório — pois, em regra geral, o pão é sempre o alimento principal de uma refeição, e o que o acompanha é secundário; como, então, poderia o salgado tornar-se o principal e o pão o acessório? Disse Rav Achá filho de Rav Avirá em nome de Rav Ashi: sobre os que comem (beochlei) frutos (peirot) de Ginossar se ensinou (shanu) — isto é, a Mishná refere-se a um caso excepcional, o dos que se banqueteiam com os fartos e deliciosos frutos da região do lago de Ginossar (o Mar da Galileia), que comem tanto desses frutos que estes se tornam, para eles, o alimento principal, relegando o pão a mero acompanhamento.
"Salgado" — qualquer (kol) coisa (davar) salgada (maluach). "Frutos de Ginossar" — frutos da terra (eretz) do mar (yam) de Kineret, mais importantes (chashuvim) do que (min) o pão (hapat).
A Guemará questiona o pressuposto da Mishná: normalmente é o pão que é considerado o alimento principal de uma refeição. Rav Achá bar Avirá em nome de Rav Ashi explica que o caso da Mishná se refere aos frutos da região de Ginossar (o lago da Galileia), tão saborosos e apreciados que, para quem os come, tornam-se eles próprios o alimento principal, relegando o pão trazido junto a mero acessório.
Disse Rabá bar bar Chaná: quando (ki) íamos (hava azlinan) atrás (batreih) de Rabi Yochanan para comer (lemechal) frutos de Ginossar, quando (ki havinan) éramos cem (bei meá) — tomávamos (menaktinan leih) para cada um (lechol chad vechad) dez e dez (assará assará) (frutos); e quando (vechi havinan) éramos dez (bei assará), tomávamos para cada um cem e cem (meá meá) — isto é, a porção coletiva de frutos era fixa; quanto menos pessoas, mais cada uma recebia. E cada (vechol) cem (meá) deles (minayhu) cabia (hava machzik lehu) num cesto (tzaná) de três (bar telatá) seá, e cada um os comia (vaachel lehu), e jurava (umishtabá) que não (dela) havia provado (teim) "ziuná" (entretenimento, ou coisa de mero prazer, não alimento propriamente). "Ziuná" viria à tua mente (salka dateich)?! (objeção do editor da Guemará: como poderia alguém jurar não ter comido "entretenimento" referindo-se a uma quantidade tão vasta de frutos que de fato o sustentou?) Mas (elá) diga-se (eimá) "mezoná" (sustento, alimento propriamente dito — ou seja, jurava que apesar de ter comido tantos frutos, eles não lhe serviram de verdadeiro sustento, e ainda precisava comer pão).
"Ziuná" — sugere (mashma) algo (midei) que (devar) não é alimento (achilá) (um entretenimento, não sustento). "Mezoná" — coisa (davar) que sustenta (hasoed).
Rabá bar bar Chaná ilustra, com um relato vívido, a fartura e o sabor extraordinário dos frutos de Ginossar: a quantidade distribuída por pessoa era inversamente proporcional ao número de participantes, e mesmo comendo cem frutos — o suficiente para encher um cesto de três seá — cada um jurava não ter, com isso, verdadeiramente se alimentado, precisando ainda de pão para se sustentar de fato. A Guemará corrige o texto da expressão usada no juramento, de "entretenimento" para "sustento", esclarecendo o sentido pretendido.
Rabi Abahu comia (achel) até (ad) que (dehavá) um mosquito (dudvá) escorregava (sharek leih) de sua testa (meapoteih) — isto é, seu rosto ficava tão brilhante e untuoso do suco dos frutos que um mosquito nele pousado escorregaria. E Rav Ami e Rav Assi comiam até (ad) que (dintur) seus cabelos (mazayhu) caíam (caiam) — tamanho o esforço da mastigação prolongada. Rabi Shimon ben Lakish comia até (ad) enlouquecer (demarid) — sua mente ficava perturbada pelo excesso. E dizia (veamar) a eles (lehu) Rabi Yochanan que fossem à casa (bei) do Nassi (o patriarca, que possuía pomares de Ginossar), e Rabi Yehudá Nessiá lhes enviava (hava meshader leih) multidões (baloshei) de servos, carregados de frutos, atrás deles (abatreih), e traziam (umaitei leih) para sua casa (leveiteih) — isto é, Rabi Yochanan, já idoso e sem poder ir pessoalmente colher, mandava seus alunos, e o patriarca lhes enviava fartas quantidades para levar até a casa de Rabi Yochanan.
"Que um mosquito escorregava de sua testa" — pois (she) o mosquito (hazevuv) escorrega (machlik) de sua testa (mimitzcho), pois, do brilho (mitoch tzahalut) do rosto (panim), sua carne (besaro) fica escorregadia (machlik). "Até enlouquecer" — sua mente (daato) ficava perturbada (mitrefet). "Baloshei" — multidões (ochlusei) de pessoas (bnei adam).
A Guemará prossegue a descrição hiperbólica do apetite dos sábios pelos frutos de Ginossar: o rosto brilhante e untuoso de Rabi Abahu, a mastigação exaustiva de Rav Ami e Rav Assi, a mente perturbada de Reish Lakish pelo excesso, e o costume de Rabi Yochanan, já sem poder colher pessoalmente, de mandar seus discípulos à casa do patriarca, que lhes enviava multidões carregadas de frutos até sua residência.
Quando (ki) chegou (atá) Rav Dimi (da Terra de Israel para a Babilônia), disse: uma cidade (ir achat) tinha (hayetá lo) Yanai Hamélech no Monte (behar) do Rei (hamélech), da qual (mimena) se retiravam (hayu motzim) sessenta (shishim) miríades (ribo) de tigelas (siflei) de peixe salgado (tarit) para os que cortavam (lekotzetzei) figos (teenim) (trabalhadores contratados para a colheita de figos, alimentados com essa fartura), de véspera (meerev) de sábado (shabat) a véspera de sábado — isto é, a cada semana.
"Tigelas de peixe salgado" — tigelas (seflim) cheias (mele'im) de pedaços (chatichot) de peixe (dag) cortado (chatuch), que chamam (shekorin) "atum (tuniná)". "Para os que cortavam figos" — para alimento (lemaachal) dos trabalhadores (poalim) que cortavam (shekotztzim) figos, e eram tantos (merubim) que (ad) todas estas (kol elu) tigelas eram necessárias (tzerichin) a eles para alimento.
Rav Dimi, ao subir da Terra de Israel para a Babilônia, relata mais uma tradição de fartura e riqueza extraordinárias: uma única cidade no domínio do rei hasmoneu Yanai fornecia, semanalmente, sessenta miríades de tigelas de peixe salgado apenas para alimentar os numerosos trabalhadores contratados para a colheita de figos.
Quando chegou Ravin, disse: uma árvore (ilan echad) tinha Yanai Hamélech no Monte do Rei, da qual (mimenu) desciam (hayu moridim) quarenta (arbaim) seá de pombinhos (gozalot) de três (mishalosh) ninhadas (berechot) por mês (bechodesh). Quando chegou Rabi Yitzchak, disse: uma cidade havia (hayetá) na Terra de Israel, e Gufnit era seu nome (shemá), na qual (bah) havia (hayu) oitenta (shemonim) pares (zugot) de irmãos (achim) sacerdotes (kohanim), casados (nessuim) a oitenta pares de irmãs (achayot) sacerdotisas (kohanot) (isto é, filhas de sacerdotes). E investigaram (uvadeku) os sábios (rabanan) desde (missura) Sura até (vead) Neharde'a (as duas grandes cidades de estudo na Babilônia, isto é, em toda a região), e não encontraram (velo ashkechu) caso semelhante, exceto (bar) as filhas (benatei) de Rav Chisdá, que (dehavu) eram casadas (nessivan) com Rami bar Chamá e com Mar Ukvá bar Chamá (dois irmãos). E apesar de (veaf al gav) que (de) elas (inhi) eram (havu) sacerdotisas (kohanata), eles (inhu) não eram (lo havu) sacerdotes (kohanei) — isto é, mesmo esse caso não é uma correspondência perfeita, pois faltava o elemento de ambos os cônjuges serem descendentes de sacerdotes.
"Ninhadas (berechot)" — "covas (kovaiash)" em língua estrangeira (bilaaz). "De três ninhadas por mês" — três (shalosh) vezes (pe'amim) por mês desciam (moridim) dele (mimenu) assim (kach). "Oitenta pares de irmãos" — dois (shnayim) a dois (shnayim) irmãos (achim) eram (hayu) todos (kulam), e assim (vechen) suas esposas (nesheihem) (também eram, entre si, pares de irmãs).
A cadeia de tradições sobre a fartura da Terra de Israel prossegue com Ravin, relatando uma árvore da qual se colhiam mensalmente quarenta seá de pombinhos, e com Rabi Yitzchak, relatando a cidade de Gufnit, célebre por seus oitenta pares de irmãos sacerdotes casados com oitenta pares de irmãs sacerdotisas — um fenômeno tão extraordinário que os sábios da Babilônia, ao investigarem, só encontraram um caso parcialmente semelhante (as filhas de Rav Chisdá, casadas com os irmãos Rami bar Chamá e Mar Ukvá bar Chamá), ainda que incompleto, pois os maridos não eram eles mesmos sacerdotes.
Disse Rav: toda (kol) refeição (seudá) que (she) não tem (ein bah) sal (melach), não é (einá) verdadeira refeição. Disse Rabi Chiyá bar Abá em nome de Rabi Yochanan: toda refeição que não tem molho (serif), não é verdadeira refeição.
"Serif" — um guisado (tavshil) úmido (lach) que tem (sheyesh bo) caldo (marak), como (kemo) "sorve-o (shorfá) vivo (chayá)" (expressão que atesta o sentido líquido, "sorvível", da raiz).
Como fecho desta unidade sobre alimentos e refeições, dois ensinamentos afirmam requisitos mínimos para que uma refeição mereça esse nome: segundo Rav, é indispensável o sal; segundo Rabi Yochanan, é indispensável algum tipo de guisado ou molho úmido — ambos sublinhando que uma refeição digna desse nome exige mais do que apenas pão seco.
Matni (nova Mishná): comeu (achal) uvas (anavim), figos (teenim) e romãs (rimonim) — abençoa (mevarech) depois deles (achareihem) três (shalosh) bênçãos (berachot) (a Birkat Hamazon completa, com todas as suas partes), palavras (divrei) de Rabán Gamliel. E os sábios (vachachamim) dizem: uma (achat) bênção que resume (meen) as três — uma bênção mais curta, que reúne o conteúdo essencial das três bênçãos completas. Rabi Akivá diz: mesmo que (afilu) comeu (achal) apenas legumes cozidos (shelek), e for (vehu) seu sustento (mezono) (isto é, se alimentou disso e não de outra coisa) — abençoa sobre eles (alav) três bênçãos (a Birkat Hamazon completa, mesmo tratando-se de simples legumes, pois desde que sirvam de sustento efetivo, geram a mesma obrigação que os sete tipos). Quem bebe (hashoteh) água (mayim) por sede (litzmao) — abençoa "Shehakol nihyá bidvaro" (que tudo veio a ser por Sua palavra — a bênção genérica, antes de beber). Rabi Tarfon diz (quanto à bênção posterior à água): "Borê nefashot rabot vechesronan" (que cria muitas almas e suas carências).
"Abençoa depois deles três bênçãos" — Rabán Gamliel segue (letaame) sua própria linha de raciocínio, pois disse (deamar) acima (leil), neste (befirkin) perek (Berachot 37a): tudo (kol) o que é (shehu) dos sete (mizayin) tipos (haminin) (mencionados no versículo sobre a Terra de Israel), abençoa depois dele três bênçãos. "Mesmo que comeu legumes cozidos" — de vegetal (shel yerek). "E for seu sustento" — que (she) se apoiou (samach) nele (alav) para alimento (lemazon). "E suas carências" — as necessidades (tzorchei) de sua provisão (sipukan).
Uma segunda Mishná neste daf introduz uma disputa central sobre a bênção posterior aos alimentos que não são pão: quem come uvas, figos e romãs (representantes das "sete espécies" da Terra de Israel) deve, segundo Rabán Gamliel, recitar a Birkat Hamazon completa em três partes, ao passo que os sábios exigem apenas uma bênção resumida, "mêen shalosh". Rabi Akivá estende essa mesma obrigação de três bênçãos mesmo a alimentos simples como legumes cozidos, desde que sirvam de sustento efetivo. A Mishná fecha com as bênçãos sobre a água: "shehakol" antes de beber por sede, e a fórmula "borê nefashot" depois, segundo Rabi Tarfon.
Guemará: qual (mai) é o motivo (taamá) de Rabán Gamliel? Pois está escrito (dichtiv): "terra (eretz) de trigo (chitá) e cevada (usserorá) etc." (Devarim 8:8 — o versículo que enumera as sete espécies pelas quais a Terra de Israel é louvada), e está escrito: "terra na qual não (lo) com escassez (vemiskenut) comerás (tochal) nela pão (lechem) etc." (Devarim 8:9), e está escrito: "e comerás (veachaltá) e te fartarás (vessavata) e abençoarás (uverachtá) o Eterno teu D-us" (Devarim 8:10 — o versículo-fonte da própria obrigação de recitar o Birkat Hamazon) — a proximidade desses três versículos sucessivos, o primeiro enumerando as sete espécies, o segundo mencionando "pão" e o terceiro ordenando a bênção, é o que fundamenta, para Rabán Gamliel, que também sobre as sete espécies (não apenas sobre o pão) se recita a bênção completa de três partes.
A Guemará busca a base bíblica da posição de Rabán Gamliel: os três versículos consecutivos de Devarim — o primeiro elogiando a Terra de Israel por suas sete espécies (trigo, cevada e as demais), o segundo mencionando especificamente "pão", e o terceiro ordenando "comerás, te fartarás e abençoarás" — são lidos em conjunto, de modo que a obrigação da bênção completa, prescrita a propósito do pão, se estende também às sete espécies mencionadas no primeiro versículo da mesma sequência.
E os sábios (que discordam de Rabán Gamliel, respondem que) "terra (eretz)" (no início do versículo seguinte, "terra na qual...") interrompe (hifsik) o assunto (hainyan) — isto é, esse novo "terra" inicia um novo tópico, separando o versículo das sete espécies do versículo sobre o pão e a bênção, de modo que não se pode concluir que a obrigação de três bênçãos se estenda às sete espécies. Mas também (namei) para Rabán Gamliel, "terra" interrompe o assunto! (objeção: se a palavra "terra" de fato separa os tópicos, como pôde Rabán Gamliel usar esses versículos como prova unificada?) Aquele (hahu) uso da palavra "terra" lhe era necessário (mibei leih) para excluir (lemaotei) quem mastiga (hakoses) o trigo (hachitá) cru, sem prepará-lo como pão — isto é, Rabán Gamliel concorda que "terra" introduz uma nuance, mas não para separar totalmente os assuntos; antes, serve para ensinar que a bênção sobre pão exige que o grão tenha sido processado em alimento propriamente dito, e não apenas mastigado cru.
"'Terra' interrompe o assunto" — e não (velo) se refere (kai) "e abençoarás" senão (elá) ao pão (lechem) que lhe é próximo (sesamuch leih) no texto. "E para Rabán Gamliel, aquele" — uso da palavra "interrupção" veio (atá) para explicar (leparoshei) o "trigo" (chitá) escrito (dichtiv) no primeiro versículo (bekará kama), e para excluir (ulemaotei) que, se (sheim) o mastigou (kessasá) tal como está (kemot sheí) (cru), isso não (ein zo) está incluído (bichlal) na obrigação de bênção, a menos que (ela im ken) tenha feito dele (assaá) pão (lechem).
A Guemará resolve a objeção: os sábios entendem que a palavra "terra", que reabre o segundo versículo, separa-o do primeiro, quebrando o elo que ligaria as sete espécies à obrigação de três bênçãos. Rabán Gamliel concorda que essa palavra tem função interpretativa, mas não para separar completamente os tópicos — antes, ela serve para esclarecer que a menção do "trigo" no primeiro versículo só se refere ao trigo transformado em alimento propriamente dito (como pão), não ao grão cru mastigado tal como está.
Disse Rabi Yaacov bar Idi em nome de Rabi Chanina: tudo (kol) o que é (shehu) dos cinco (machamesh) tipos (haminin) (de grão — trigo, cevada, centeio, aveia e espelta), no início (bateilá) — abençoa-se sobre ele "Borê minê mezonot" (que cria espécies de sustento), e no final (ulevasof) — uma bênção que resume (meen) as três.
"Os cinco tipos" — todos (kulam) são espécie (min) de grão (dagan): trigo (chitin), cevada (seorin), espelta (kusmin), aveia (shibolet shual) e centeio (shifon); espelta é espécie de trigo, aveia e centeio são espécie de cevada. "Abençoa-se sobre ele 'Borê minê mezonot'" — se (im) o transformou (assao) em guisado (tavshil) (não em pão propriamente).
Rabi Yaacov bar Idi em nome de Rabi Chanina esclarece a fórmula própria dos cinco tipos de grão quando preparados de modo diferente do pão (por exemplo, como guisado): a bênção inicial é "borê minê mezonot", e a bênção final é a mesma "mêen shalosh" resumida, aplicada aos sete tipos.
Disse Rabá bar Mari em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: tudo o que é dos sete (shivat) tipos (haminin) (trigo, cevada, uva, figo, romã, azeite de oliva e tâmara — os produtos pelos quais a Terra de Israel é louvada), no início — abençoa-se "Borê perí haetz" (para os frutos da árvore entre eles), e no final — uma bênção que resume as três.
Um ensinamento paralelo, agora de Rabi Yehoshua ben Levi, fixa a fórmula para os sete tipos (as cinco espécies de grão mais uva, figo, romã, oliva e tâmara, mas focando aqui nos frutos da árvore propriamente ditos): a bênção inicial é "borê perí haetz", e a final, novamente, a "mêen shalosh" resumida — confirmando que essa bênção final resumida é a fórmula comum tanto aos cinco grãos quanto aos frutos das sete espécies.
Disse-lhe Abaiê a Rav Dimi: o que (mai) é (nihu) isso, "uma bênção que resume as três"? Disse-lhe: para (a) frutos (peirei) da árvore (deetz): "sobre (al) a árvore (haetz) e sobre o fruto (perí) da árvore, e sobre a produção (tenuvat) do campo (hasadeh), e sobre a terra (eretz) desejável (chemdá), boa (tová) e ampla (urchavá) que (she) deste em herança (hinchaltá) a nossos pais (laavoteinu), para comer (leechol) de seu fruto (mipiryá) e nos fartarmos (velisboa) de sua bondade (mituvá). Tem misericórdia (rachem), Eterno nosso D-us, de Israel (Yisrael) Teu povo (amecha), e de Jerusalém (Yerushalayim) Tua cidade (irecha), e de Teu santuário (mikdashecha), e de Teu altar (mizbechecha). E reconstruirás (vetivneh) Jerusalém, cidade (ir) de Tua santidade (kodshecha), prontamente (bimherá) em nossos dias (beyameinu). E nos faz subir (vehaalenu) a ela (letochá), e nos alegra (vessamechenu) nela (bah). Pois (ki) Tu és (atá) bom (tov) e fazes bem (umetiv) a todos (lakol)".
"Para frutos da árvore: 'sobre a árvore e sobre o fruto da árvore, e sobre a terra desejável, boa e ampla'" — sobre ambas (atartaihu) as menções, "árvore" e "terra", se refere (kai) todo (kulá) o resto do texto (ad sofá) até o fim — isto é, toda a continuação da bênção aplica-se igualmente a ambas as formulações.
Abaiê pergunta a Rav Dimi o texto exato da bênção resumida "mêen shalosh", e recebe a resposta com o texto integral, na versão para frutos da árvore: uma bênção que agradece pela árvore e seu fruto, pela terra de Israel e sua fartura, suplica misericórdia por Israel, Jerusalém, o santuário e o altar, pede a reconstrução de Jerusalém, e fecha louvando a D'us como quem "é bom e faz bem a todos" — condensando em uma única bênção os temas centrais das três bênçãos completas da Birkat Hamazon.
Para (de) os cinco tipos: "sobre (al) o sustento (hamichyá) e sobre a provisão (hakalkalá), e sobre a produção do campo etc." (o mesmo texto, adaptado, substituindo "árvore e fruto da árvore" por "sustento e provisão"). E sela (vechotem): "sobre a terra (haaretz) e sobre o sustento (hamichyá)" (a conclusão final da bênção, adaptada aos grãos).
A Guemará fornece a variante do texto da bênção resumida para os cinco tipos de grão: em vez de "sobre a árvore e sobre o fruto da árvore", diz-se "sobre o sustento e sobre a provisão", com o restante do texto seguindo igual, e a conclusão final adaptada para "sobre a terra e sobre o sustento" (em vez de "sobre a terra e sobre os frutos", usada para os frutos da árvore).
Com que (bemai) se sela (michtam chatem) a conclusão desta bênção resumida — isto é, deve-se selar com uma fórmula fixa de "bendito... que faz tal coisa", como nas demais bênçãos, ou basta a formulação simples "sobre a terra e sobre o fruto"? Quando chegou Rav Dimi, disse: Rav selava (chatem) em Rosh Chodesh (quando a bênção do mês novo se insere na Amidá) "Baruch mekadesh Yisrael verashei chodashim" (bendito o que santifica Israel e as luas novas — uma fórmula plena, iniciada por "bendito"). Aqui (hacha), o que (mai) se deve dizer — isto é, deve-se também aqui, na bênção resumida, selar com uma fórmula plena iniciada por "bendito"?
"Rav selava em Rosh Chodesh, etc." — apesar de (af al gav) que (de) se assemelha (damya) a duas (letartei) menções em uma só selagem (Israel e as luas novas). "Aqui, o que fazer?" — será que (mi) selamos (mechatminan) com duas (betartei) menções deste (kehai) tipo (gavna), como (kegon) "sobre a terra e sobre os frutos", e não (velo) seria (havyá) uma selagem (chatimá) com duas menções distintas propriamente (mamash), como (kedimefaresh) se explica isso no Perek Shloshá SheAchlu (Berachot 49a)?
Surge a dúvida sobre a forma correta de encerrar a bênção resumida: deve ela terminar com uma fórmula plena de bênção, iniciada por "bendito", como ocorre na bênção do Rosh Chodesh (que combina duas menções, "Israel" e "as luas novas", numa única selagem)? A pergunta busca saber se um modelo semelhante de dupla menção seria válido também aqui, mencionando tanto a terra quanto os frutos.
Rav Chisdá disse: "sobre a terra e sobre seus frutos (peiroteha)" (com sufixo possessivo, referindo-se à terra em geral). E Rabi Yochanan disse: "sobre a terra e sobre os frutos (haperot)" (com artigo definido, sem sufixo possessivo). Disse Rav Amram: e não discordam (pligi) de fato, essas duas versões: isto (ha) é para nós (lan) (na Babilônia, fora da Terra de Israel, onde se diz "seus frutos", pois não comemos os frutos específicos da Terra de Israel), e isto é para eles (lehu) (na Terra de Israel, onde se diz "os frutos", referindo-se aos frutos daquela terra que ali de fato se comem).
A Guemará traz duas versões da fórmula de selagem, atribuídas a Rav Chisdá e a Rabi Yochanan, que parecem discordar sobre um detalhe gramatical mínimo. Rav Amram harmoniza as duas, propondo que ambas são corretas, cada uma adequada a seu contexto geográfico: a versão com sufixo possessivo ("seus frutos") é apropriada à Babilônia, onde não se comem os frutos da própria Terra de Israel, e a versão com artigo definido ("os frutos") é apropriada à Terra de Israel, onde a bênção se refere aos frutos que ali mesmo se colhem e consomem.
Objetou (matkif lah) Rav Nachman bar Yitzchak: eles (inhu) comem (achli), e nós (vaanan) abençoamos (mevarchin)?! (objeção à harmonização anterior: se são eles, na Terra de Israel, que de fato comem os frutos daquela terra, por que seríamos nós, na Babilônia, a usar a fórmula com artigo definido "os frutos", como se fossem nossos, enquanto eles usariam a forma possessiva mais distante? A lógica deveria ser o oposto). Mas (elá) inverta-se (eifoch) a atribuição: Rav Chisdá disse "sobre a terra e sobre os frutos (haperot)", Rabi Yochanan disse "sobre a terra e sobre seus frutos (peiroteha)" — corrigindo a atribuição anterior, de modo que a fórmula com artigo definido, mais próxima e direta, seja a de Rav Chisdá na Babilônia (referindo-se aos frutos que ali estão à mão), e a fórmula possessiva, mais distanciada, seja a de Rabi Yochanan na Terra de Israel.
"Isto é para nós, e isto é para eles" — Rav Chisdá era da Babilônia (miBavel), e na Babilônia selam (chatmei) "sobre a terra e sobre seus frutos"; e Rabi Yochanan, da Terra de Israel (meEretz Yisrael), e ali (vehatam) selam "sobre os frutos". "E nós abençoamos" — "sobre seus frutos" refere-se apenas (lechuda) à Terra de Israel, e nós (vaanan) não comemos (lo achlinan) deles (minaihu), e ainda assim abençoaríamos sobre eles como se fossem nossos — o que não faz sentido.
O daf se encerra com a objeção final de Rav Nachman bar Yitzchak, que inverte as atribuições da harmonização de Rav Amram: não faz sentido que os da Babilônia, que não comem os frutos específicos da Terra de Israel, usem a fórmula possessiva "seus frutos" como se fossem próprios; antes, a lógica exige o oposto — que Rav Chisdá, na Babilônia, diga "os frutos" (fórmula mais genérica, sobre frutos em geral), e que Rabi Yochanan, na Terra de Israel, diga "seus frutos" (referindo-se especificamente aos frutos daquela terra que ali se comem por direito próprio). A sugya sobre a fórmula da bênção resumida fecha nesta correção final, sem prosseguir à conclusão prática, que será retomada adiante.
Ver no Yerushalmi: a Mishná de abertura deste daf — salgado e pão, "o principal desobriga o acessório" — é a mesma Mishná já comentada em Yerushalmi Berachot 6:7.
Ver Yerushalmi Berachot 6:7 →