O daf prossegue a discussão sobre bênças finais que não se enquadram nas três categorias fixas: Rav Yitzchak bar Avdimi, Rabi Yitzchak e Rav Papa disputam quais alimentos — ovo e carnes, verduras, água — recebem "shehakol" antes e "borê nefashot" depois, com os costumes práticos de Mar Zutra, Rav Shimi bar Ashi e Rav Ashi, testados contra a Mishná de Nidá e contra o costume dos sábios da Terra de Israel de abençoar após certas mitzvot. Segue-se o ensinamento de que o ovo é a medida-padrão de todo alimento do tamanho de um ovo, e o esclarecimento de que os "legumes cozidos" de Rabi Akivá referem-se ao talo do repolho. O núcleo do daf é a extensa baraita de máximas de saúde — o baço bom para os dentes mas ruim para os intestinos, o alho-poró o oposto, toda verdura crua que empalidece o rosto, todo animal pequeno que atrofia, toda carne junto à alma que revive a alma, o repolho para alimento e a acelga para cura, e o ai da casa por onde passa o nabo —, com os remédios e objeções de Rav Yitzchak, Rav Chisdá, Rav Papa, Rav Achá bar Yaacov e do próprio Rava, incluindo o episódio de Amemar, Mar Zutra e Rav Ashi discutindo se é proibido conversar depois de comer verdura crua antes de quatro horas. O daf fecha com a baraita do peixinho salgado que, em certos dias após a salga, pode matar, e com a retomada, em aberto, da Mishná da água bebida por sede.
Disse Rav Yitzchak bar Avdimi em nome de nosso mestre (Rav): sobre o ovo (beiá) e sobre os tipos (minei) de carne (kufra), no início (batchilá) abençoa (mevarech) "Shehakol", e ao final (ulevasof) "Borê nefashot rabot etc." — isto é, mesmo não se tratando de um dos sete tipos, nem de pão ou grãos, esses alimentos ainda assim merecem uma bênção final própria, não apenas a inicial. Mas (aval) verdura (yarka), não (lo) — não recebe bênção final, apenas "shehakol" antes. E Rabi Yitzchak disse: mesmo (afilu) verdura recebe bênção final, mas (aval) água (maya), não. E Rav Papa disse: mesmo (afilu) água recebe bênção final — três posições progressivamente mais abrangentes sobre o que exige "borê nefashot" depois de consumido.
"Kufra" — todos (kol) os tipos (minei) de carne (basar). "Mas verdura, não" — não precisa (tzarich) de bênção depois dela.
Abre-se aqui uma nova unidade sobre a bênção final "borê nefashot" — a fórmula devida a alimentos que não se enquadram nem no Birkat Hamazon nem no "mêen shalosh". Três amoraítas discordam progressivamente sobre seu alcance: Rav Yitzchak bar Avdimi limita-a a ovo e carnes; Rabi Yitzchak estende-a a verduras; Rav Papa estende-a até à própria água.
Mar Zutra procedia (aved) como Rav Yitzchak bar Avdimi, e Rav Shimi bar Ashi procedia como Rabi Yitzchak. E teu sinal (vessimanach) para memorizar quem segue quem: um (chad) como (kitrei) dois (trei), e dois como um — Mar Zutra, mencionado sozinho (sem nome do pai), segue a opinião de Rav Yitzchak bar Avdimi, mencionado com dois nomes; e Rav Shimi bar Ashi, mencionado com dois nomes, segue a opinião de Rabi Yitzchak, mencionado sozinho.
"Um como dois" — Mar Zutra, que foi mencionado aqui sozinho (yachid), sem (belo) o nome de seu pai, procede como Rav Yitzchak bar Avdimi, que foi mencionado com seu nome e o nome de seu pai. "E dois como um" — Mar filho de Rav Ashi, que foi mencionado com seu nome e o nome de seu pai, procede como Rabi Yitzchak, que foi mencionado sozinho (yachid).
A Guemará registra a prática seguida por dois amoraítas posteriores e fornece um sinal mnemônico invertido — quem é citado com um só nome segue a opinião de quem é citado com dois, e vice-versa — para ajudar a lembrar corretamente qual amoraíta seguiu qual opinião.
Disse Rav Ashi: eu (ana), na vez (zimná) em que (dechi) me lembro (midcharna), procedo (avidna) como (kechulhu) todos eles — isto é, quando se recorda, Rav Ashi abençoa "borê nefashot" também sobre a água, cumprindo a opinião mais abrangente, a de Rav Papa, incluindo com ela as demais.
"Como todos eles" — mesmo (af) como Rav Papa (a opinião mais abrangente, que inclui a água).
Rav Ashi conclui a série adotando, quando se lembra, a posição mais ampla — a de Rav Papa —, que inclui a água entre os líquidos e alimentos que exigem "borê nefashot" depois de consumidos.
Aprendemos (tenan) (numa Mishná de Massechet Nidá, 51b): tudo (kol) o que requer (taun) bênção depois de si (leachrav) — requer bênção antes de si (lefanav), e há (veyesh) o que requer bênção antes de si, e não requer bênção depois de si. Está bem (bishlamá) para Rav Yitzchak bar Avdimi, para excluir (leapokei) a verdura (que requer bênção antes, "shehakol", mas não depois). Para Rabi Yitzchak, para excluir a água (que, para ele, requer bênção antes mas não depois); mas (elá) para Rav Papa, para excluir o quê (lefapokei mai) — já que, segundo ele, tudo o que requer bênção antes requer também bênção depois, o que resta para essa cláusula da Mishná excluir?
"Tudo o que requer bênção" — é uma Mishná (mishná hi) em Massechet Nidá. "Para excluir a verdura" — e com maior razão (vechol shecken) a água (maya).
A Guemará testa as três opiniões contra uma Mishná de Massechet Nidá, que reconhece a existência de alimentos que requerem bênção apenas antes, não depois. Essa cláusula explica-se facilmente para Rav Yitzchak bar Avdimi (referindo-se à verdura) e para Rabi Yitzchak (referindo-se à água), mas coloca em dificuldade a posição de Rav Papa, para quem tudo que exige bênção antes exige também depois — restando saber a que essa cláusula se refere segundo ele.
Para excluir (leapokei) as mitzvot (mitzvot) — isto é, as mitzvot como tefilin, tzitzit e o shofar requerem uma bênção antes de cumpri-las, mas não requerem bênção alguma depois.
"Para excluir as mitzvot" — não (ein) se abençoa (mevarchin) quando (kshe) se retiram (mesalkin) os tefilin e o tzitzit, nem depois (veachar) do toque (tekiat) do shofar e do lulav.
A resposta de Rav Papa (ou de quem sustenta sua posição): a cláusula da Mishná de Nidá refere-se às mitzvot em geral — tefilin, tzitzit, shofar, lulav — que exigem bênção ao serem cumpridas, mas não exigem bênção alguma ao serem concluídas ou removidas.
E para (velivnei) os filhos do Ocidente (maarva) (a Terra de Israel, que tinham o costume de abençoar também ao retirar os tefilin), que (deватар) depois de (dimsalkei) retirarem seus tefilin (tefileihu) abençoam (mevarchei): "que nos santificou (kideshanu) com Seus mandamentos (bemitzvotav) e nos ordenou (vetzivanu) guardar (lishmor) Seus decretos (chukav)" — para excluir o quê — já que eles, ao contrário da Babilônia, abençoam mesmo depois de uma mitzvá, o que resta para a cláusula da Mishná de Nidá excluir, segundo seu costume?
A Guemará levanta uma dificuldade adicional a partir do costume dos sábios da Terra de Israel, que recitavam uma bênção mesmo depois de retirar os tefilin — o que tornaria ainda mais difícil identificar a que a cláusula da Mishná de Nidá se refere, segundo esse costume.
Para excluir (leapokei) os aromas (reichanei) — isto é, mesmo para os filhos do Ocidente, os aromas (bosamim) requerem bênção antes de cheirá-los, mas não depois.
A resposta final: mesmo segundo o costume da Terra de Israel, que abençoa após certas mitzvot, os perfumes e aromas continuam sendo o exemplo claro de algo que exige bênção apenas antes, nunca depois — encerrando essa breve digressão sobre a Mishná de Nidá.
Disse Rabi Yanai em nome de Rabi: tudo (kol) o que é do tamanho (kebeitzá) de um ovo (beitzá) — um ovo é melhor (tová) do que ele (mimenu) — isto é, o valor nutritivo de um ovo supera o de qualquer outro alimento na mesma quantidade. Quando chegou Ravin, disse: melhor (tavá) um ovo (beitá) cru (megulgeltá) do que (mishitá) seis (shitá) medidas (kaisei) de sêmola (sultá). Quando chegou Rav Dimi, disse: melhor um ovo cru do que seis medidas de sêmola, assado (mitvitá) (o ovo) do que quatro (mearba), cozido (mevushaltá) (o ovo) — tudo que é do tamanho de um ovo, um ovo é melhor do que ele, exceto (levar) a carne (mibisrá) — isto é, quanto ao ovo cozido, retoma-se o ensinamento geral de Rabi Yanai; a única exceção é a carne, que, em igual quantidade, é mais nutritiva do que o ovo.
"Tudo o que é do tamanho de um ovo" — não há (ein lecha) tipo (min) de alimento (maachal) na medida (shiur) de um ovo que (shelo) não seja (tehe) o ovo melhor (tová) para o corpo (laguf) do que ele. "Megulgeltá" — assada (tzeluyá), úmida (lachá) e mole (rachá), que (she) se sorve (shorfin) ela. "Megulgeltá do que seis" — melhor do que seis (kaisei) medidas. "Kaisei" — medidas (midot) que comportam (machzikot) um log (log). "Metvitá" — assada (tzeluyá) firme (kashá), melhor do que quatro (kaisei). "Mevushaltá" — na água (bemayim); subiu (alá) e voltou ao geral: disse Rabi Yanai: tudo o que é do tamanho de um ovo, um ovo é melhor do que ele.
Uma nova unidade traz três formulações progressivamente mais detalhadas do valor nutricional do ovo: Rabi Yanai enuncia o princípio geral (o ovo supera, na mesma medida, qualquer outro alimento); Ravin especifica que o ovo cru vale mais que seis medidas de sêmola; e Rav Dimi refina ainda mais, distinguindo o ovo cru (seis medidas), o assado (quatro) e o cozido (retomando o princípio geral), com a única exceção da carne, mais nutritiva que o ovo em igual quantidade.
"Rabi Akivá diz: mesmo (afilu) que comeu (achal) legumes cozidos (shelek) etc." — e existe (umi ika) algo (midei) em que (dehavei) legumes cozidos sejam sustento (mezonei) — isto é, como poderia um simples vegetal cozido servir de alimento principal a ponto de exigir a Birkat Hamazon completa? Disse Rav Ashi: sobre o talo (kelach) de (shel) repolho (keruv) se ensinou (shanu) — isto é, a Mishná refere-se especificamente ao talo do repolho, que era, para alguns, de fato o alimento principal, conforme se ensinará adiante que "repolho é para alimento".
"Sobre o talo de repolho se ensinou" — pois (she) ele é sustento (mazon), pois (de) se ensina (tanya) adiante (lekaman): repolho é para alimento (lemazon).
A Guemará questiona a posição de Rabi Akivá sobre legumes cozidos servirem de sustento principal, e Rav Ashi esclarece que ela se refere especificamente ao talo do repolho — antecipando o ensinamento, que virá logo adiante na baraita, de que o repolho de fato serve de alimento substancial.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): o baço (techol) é bom (yafeh) para os dentes (hashinaim) e ruim (kashe) para os intestinos (livnei meayim). Os alhos-porós (kreishin) são ruins (kashin) para os dentes e bons (yafin) para os intestinos. Toda (kol) verdura (yarak) crua (chai) empalidece (morik) (o rosto de quem a come); e todo (vechol) animal pequeno (katan) atrofia (maktin) (o corpo de quem o come); e toda (vechol) alma (nefesh) (animal comido inteiro) revive (meshiv) a alma (hanefesh) (de quem a come); e tudo (vechol) próximo (karov) à alma (a carne junto ao pescoço, próxima ao local da vida) revive a alma. Repolho (keruv) para alimento (lemazon), e acelga (teradin) para cura (lirfuá). Ai (oi) dele à casa (labait) por onde (she) o nabo (halefet) passa (overet) em seu interior (betocho) — isto é, a casa onde se serve nabo como alimento principal está em maus lençóis, por ser alimento pobre e insatisfatório.
"Kreishin" — alho-poró (karti). "Toda verdura crua empalidece" — retira (notel) a aparência (toar) do rosto (hapanim). "Todo pequeno" — que (shelo) não cresceu (gadal) todo (kol) o necessário (tzorko), e adiante (lekaman) se explica (mefaresh) quanto é todo o necessário. "Toda alma" — coisa (davar) viva (chai) comida (hanechal) inteira (shalem), como (kegon) peixinhos (dagim ketanim) que cresceram todo o necessário. "O próximo à alma" — quem come (haochel) do animal (min habehemá) no local (bamakom) de sua vitalidade (chayuta), e adiante se explica isso. "Ai da casa" — refere-se ao ventre (hakeres) de quem come (haochel) nabo (lefet).
Uma extensa baraita de máximas de saúde alimentar reúne sete ditos concisos e algo enigmáticos, cada um a ser esclarecido pela Guemará nas seções seguintes: o baço e o alho-poró têm efeitos opostos sobre dentes e intestinos; verdura crua empalidece; animal pequeno demais atrofia; comer um animal inteiro, ou a carne próxima à área vital, revigora; o repolho serve de alimento e a acelga de remédio; e o nabo, alimento pobre, é motivo de infortúnio para a casa que dele depende.
Disse o mestre (mar): o baço é bom para os dentes e ruim para os intestinos. Qual (mai) é seu remédio (takanteih)? Que o mastigue (nilasseih) e o cuspa (venishdeih) — isto é, para aproveitar o benefício aos dentes sem sofrer o dano aos intestinos, deve-se mastigar bem o baço, sem engoli-lo.
"Que o mastigue" — que o mastigue (koseso) e o lance fora (mashlicho).
A Guemará retoma a primeira máxima da baraita e propõe seu remédio: mastigar bem o baço, aproveitando o benefício para os dentes, e cuspi-lo em seguida, evitando o dano aos intestinos.
Os alhos-porós são ruins para os dentes e bons para os intestinos. Qual é seu remédio? Que os cozinhe (lishlekinhu) bem (demais) e os engula (nivleinhu) — isto é, cozinhando-os por completo até ficarem bem moles, evita-se o dano aos dentes ao mastigá-los, e engole-se inteiros, obtendo apenas o benefício aos intestinos.
"Que os cozinhe bem" — na panela (bikderá), muito (harbeh), para que (shelo) não precise (yitztarech) mastigá-los (lechosso) com os dentes (beshinav).
De forma simétrica ao remédio anterior, cozinhando bem os alhos-porós até que fiquem macios o suficiente para serem engolidos sem mastigação, evita-se o dano aos dentes e aproveita-se apenas o benefício aos intestinos.
"Toda verdura crua empalidece" — disse Rabi Yitzchak: refere-se à primeira (rishoná) refeição (seudá) de depois (shel achar) de uma sangria (hakazá) — isto é, o efeito empalidecedor da verdura crua se manifesta especificamente quando o corpo já está enfraquecido pela sangria recente.
Rabi Yitzchak restringe o alcance da máxima sobre a verdura crua empalidecer: ela se aplica sobretudo à primeira refeição tomada logo após uma sangria, quando o corpo já está debilitado.
E disse Rabi Yitzchak: todo (kol) o que come (haochel) verdura (yarak) antes (kodem) de quatro (arba) horas (shaot) é proibido (assur) de conversar (lesaper) a partir dele (heimenu) — isto é, é proibido conversar com essa pessoa logo depois. Qual (mai) o motivo (taamá)? Por causa (mishum) do odor (reicha). E disse Rabi Yitzchak: é proibido ao homem (leadam) que (sheyochal) coma verdura crua (chai) antes de quatro horas.
"Antes de quatro horas" — pois (she) não é (eino) o horário (zman) de refeição (seudá), e o odor (hareiach) é forte (kashe) para as pessoas (livnei adam) que conversam (hamesaprim) com ele antes (kodem) da hora normal de comer (achilá), pois o corpo (haguf) está vazio (reikan).
Dois ensinamentos de Rabi Yitzchak, aparentemente redundantes, tratam de comer verdura antes das quatro horas do dia (fora do horário normal de refeição): o primeiro proíbe conversar logo depois, por causa do odor mais forte nesse horário, quando o corpo está em jejum; o segundo, formulado de modo distinto, proíbe a própria ação de comer verdura crua nesse horário — distinção que será explorada no episódio seguinte.
Amemar, Mar Zutra e Rav Ashi estavam (havu) sentados (yatvei); trouxeram (aiyto) diante deles (kamaiyhu) verdura crua antes de quatro horas. Amemar e Rav Ashi comeram (achul), e Mar Zutra não comeu (lo achal). Disseram-lhe (amaru leih): qual (mai) é tua opinião (daatach)? Será porque (deamar) disse Rabi Yitzchak: todo o que come verdura antes de quatro horas é proibido de conversar a partir dele, por causa do odor? Mas (vehá) nós (anan) estamos comendo (deka achlinan) e conversando (vekamishtaeit) contigo (bahadan) — isto é, se o problema fosse apenas o odor ao conversar, isso não deveria impedi-lo de comer, já que nós comemos e continuamos falando normalmente.
Um episódio prático ilustra a distinção implícita entre os dois ensinamentos de Rabi Yitzchak: Amemar e Rav Ashi comem a verdura crua fora de hora sem problema, enquanto Mar Zutra se recusa, levando os colegas a perguntarem se ele teme o problema do odor ao conversar — o que não faria sentido, já que eles próprios comem e conversam normalmente.
Disse-lhes (amar lehu): eu (ana) sustento (sevirá li) como (keidach) a outra opinião de Rabi Yitzchak — não a que se refere apenas à proibição de conversar, mas a segunda, mais ampla. Pois (de) disse Rabi Yitzchak: é proibido ao homem que coma verdura crua antes de quatro horas — isto é, Mar Zutra entende que existe uma proibição autônoma e mais abrangente de comer verdura crua nesse horário, independente da questão de conversar depois.
"Como a outra opinião de Rabi Yitzchak eu sustento" — mas (aval) "é proibido conversar" não (lo) sustento (sevirá li) — isto é, ele não teme o odor ao conversar, mas sim considera a própria ingestão da verdura crua fora de hora proibida por si só.
Mar Zutra esclarece que segue a segunda formulação de Rabi Yitzchak — a proibição direta de comer verdura crua antes de quatro horas —, e não a primeira, que trata apenas do problema de conversar por causa do odor; por isso, seu comportamento é consistente mesmo continuando a conversar com os colegas que comeram.
"Todo pequeno atrofia" — disse Rav Chisdá: mesmo (afilu) um cabrito (gadya) que vale (bar) um zuz (zuza) — isto é, mesmo um cabrito gordo e caro, se ainda pequeno, atrofia quem o come. E não dissemos (velo amaran) isso senão (ela) quando (de) não tem (leit beih) um quarto (riva) de crescimento normal, mas (aval) se (it) tem (beih) um quarto de crescimento — não há (leit lan) problema (bah) nisso.
"Que vale um zuz" — isto é, gordo (shamen) e bom (tov), que vale (shaveh) um zuz. "Que não tem um quarto" — que (shelo) não cresceu (gadal) até (ad) seu quarto (reviit shelo), como (kegon) um cordeiro (taleh) — um quarto do carneiro (eil); um cabrito (gdi) — um quarto do bode (sair) adulto (gadol); e assim (vechen) qualquer coisa (kol davar).
Rav Chisdá esclarece o alcance da máxima sobre animais pequenos que atrofiam quem os come: mesmo um cabrito caro e gordo pode atrofiar, se ainda não atingiu ao menos um quarto do crescimento típico de um adulto da mesma espécie; atingido esse quarto, já não há problema em comê-lo.
"Toda alma revive a alma" — disse Rav Papa: mesmo (afilu) peixinhos (gildanei) das águas (dvei) dos juncos (gilei) — isto é, mesmo os menores dos peixinhos, encontrados entre os juncos dos pântanos, comidos inteiros, produzem o efeito revigorante mencionado na baraita.
"Peixinhos das águas dos juncos" — peixes (dagim) muito (meod) pequenos (ketanim), encontrados (metzuim) entre (bein) os juncos (hakanim) no pântano (baagam), e não é (ein) seu costume (darkan) crescer (ligdol) mais (yoter); mas (aval) peixe (dag) pequeno (katan) de espécie (mimin) de peixe grande (gadol) e que não cresceu (gadal) um quarto (rova) — este (zeh) é o "pequeno atrofia".
Rav Papa esclarece que mesmo os menores peixinhos, próprios das águas entre os juncos e naturalmente pequenos (não filhotes de espécie maior ainda em crescimento), servem plenamente ao efeito revigorante de "toda alma revive a alma" — distinguindo-os dos peixes pequenos que são, na verdade, filhotes imaturos de espécie maior, aos quais se aplicaria a máxima anterior sobre atrofiar.
"Tudo próximo à alma revive a alma" — disse Rav Achá bar Yaacov: o pescoço (unká). Disse-lhe Rava a seu servo (leshamaeih): quando (ki) me trouxeres (maytit li) um pedaço (umtzá) de carne (devisrá), esforça-te (terach) e traze-me (veaiyti li) de onde (meheicha) está próximo (dimkarav) ao local (levei) de "Baruch" — isto é, próximo à área do abate ritual, ao lado do pescoço, onde se recita a bênção do shechitá.
"Unká" — o pescoço (tzavar), local (makom) do abate (beit hashechitá), e próximo (samuch) ao coração (halev) e aos intestinos (hameayim). "Ao local de Baruch" — ao local (lamakom) onde (sheberchu) se abençoou ali sobre o abate (hashechitá).
Rav Achá bar Yaacov identifica o "próximo à alma" da baraita com a região do pescoço, próxima ao coração e aos intestinos, sede da vitalidade do animal; e Rava instrui seu servo a trazer-lhe especificamente a carne dessa região, próxima ao local do abate ritual, por seu efeito revigorante superior.
"Repolho para alimento, e acelga para cura" — repolho para alimento sim (in), e para cura (lirfuá) não (lo)? Mas (vehá) foi ensinado (tanya): seis (shishá) coisas (devarim) curam (merapin) o doente (hacholeh) de sua doença (mecholyo), e sua cura (urefuatan) é verdadeira cura (refuá), e estas (veelu) são elas (hen): repolho (keruv), acelga (uteradin), água (umei) de cozimento de sísin (sisin), mel (devash), o estômago (keivá) (do animal), o útero (heret) e a membrana (yoteret) do fígado (hakaved) — isto é, o repolho aparece nessa lista de seis remédios eficazes, contradizendo a afirmação da baraita anterior de que ele serve apenas de alimento, não de cura! Mas (ela) diga-se (eimá): "repolho também (af) para alimento" — isto é, corrige-se o texto da baraita: o repolho não serve apenas de cura, mas também de alimento, sendo eficaz para ambos os fins, e a formulação original não pretendia excluir seu valor medicinal.
"Água de sísin" — um guisado (tavshil) de "poliol" (erva aromática, poejo). "E o heret" — "valdirá" (em língua estrangeira), onde (she) a cria (havlad) se forma (notzar) nele. "A membrana do fígado" — o diafragma (tarpasha) do fígado (dechavda), que chamam (shekorin) "aivrash".
A Guemará confronta a afirmação da baraita de que o repolho serve apenas para alimento (implicando que a acelga é que serve para cura) com outra baraita, que lista o repolho entre seis remédios genuínos para doentes — e resolve a contradição corrigindo o texto: o repolho serve tanto para alimento quanto, adicionalmente, para cura.
"Ai da casa por onde passa o nabo" — é assim (ini)?! (objeção) Mas não (vehá) disse (amar) Rava a seu servo (leshamaeih): quando (ki) vires (chazeit) nabo (lifta) no mercado (beshuka), não (lo) me digas (teima li): "com que (bemai) embrulharei (karechat) o pão (riftá)" — isto é, Rava dizia ao servo que, ao ver nabo à venda, comprasse-o sem sequer perguntar, pois iria querer comê-lo com pão de qualquer forma; contradizendo, assim, a máxima negativa da baraita!
A Guemará objeta à máxima de que uma casa que serve nabo está em maus lençóis, trazendo o próprio exemplo de Rava, que instruía seu servo a comprar nabo sempre que o visse à venda, sem hesitação — sinal de que, ao contrário, ele o apreciava como alimento saboroso.
Disse Abaie: a máxima refere-se ao nabo preparado sem (mibli) carne (basar) — isto é, o nabo por si só, sem ser cozido junto com carne, é que é prejudicial; cozido com carne, é benéfico. E Rava disse: sem (mibli) vinho (yayin) — isto é, o problema é comer o nabo sem beber vinho depois. Foi dito (itmar) (uma tradição paralela): Rav disse: sem carne. E Shmuel disse: sem lenha (etzim) — isto é, sem cozinhá-lo suficientemente com bastante lenha. E Rabi Yochanan disse: sem vinho.
"Sem carne" — ela (hi) é forte (kashá) (prejudicial), mas (aval) quando (kshe) a cozinha (mevashlah) com (im) carne (basar) gorda (shamen), enfraquece (matish) sua força (kocha) (prejudicial). "Sem vinho" — quando (kshe) não (ein) bebe (shoteh) depois (achareha) vinho (yayin). "Sem lenha" — pois (she) não (eino) a cozinha (sholkah) muito (harbeh).
A Guemará responde à objeção reinterpretando a máxima negativa sobre o nabo: ele só é prejudicial quando preparado ou consumido de forma inadequada — sem cozinhá-lo com carne (Abaie/Rav), sem cozinhá-lo o suficiente com bastante lenha (Shmuel), ou sem beber vinho depois de comê-lo (Rava/Rabi Yochanan) —, mas devidamente preparado ou acompanhado, torna-se um alimento apreciado, como o próprio Rava demonstrava ao mandar comprá-lo no mercado.
Disse-lhe (amar leih) Rava a Rav Papa: fabricante de bebidas (sudani)! Nós (anan) quebramos (tavrinan lah) a força do nabo com carne e vinho (bevisra vechamra); vós (atun), que (dela) não tendes muito (nefish lechu) vinho (chamra), com que (bemai) a quebrais (tavritu lah)? Disse-lhe: com lenha (betzivei), como (ki ha) fazia a esposa (deveitehu) de Rav Papa: depois (batar) de cozinhá-lo (dimvashlá lah), ela quebra (tavrá lah) sua força com oitenta (bitmanan) feixes (ufei) persas (parsiyata) de lenha — isto é, cozinhava-o com quantidade extraordinária de combustível.
"Sudani" — dono (baal) de cerveja (shechar) de tâmaras (temarim); e Rav Papa era vendedor (mocher) de cerveja (shechar), e por isso (vehu) é chamado (nikra) "sudani". "Que não tendes muito vinho" — pois (she) bebedores (shotei) de cerveja (shechar) sois (atem) vós. "Com que a quebrais" — a força (kocho) do nabo (lefet). "Feixes persas" — pedaços (bekiot) grandes (gedolot) de lenha (etzim), com que (hayetá) queimava (sorefet) debaixo (tachat) da panela (kederat) do nabo.
Rava provoca Rav Papa, vendedor de cerveja de tâmaras na Babilônia, onde o vinho era escasso, perguntando como neutralizavam ali o efeito prejudicial do nabo sem recorrer ao vinho; Rav Papa responde que se compensava com grandes quantidades de lenha no cozimento, como fazia sua própria esposa, que usava até oitenta feixes de lenha persa para preparar o prato.
Ensinaram os sábios: peixe (dag) pequeno (katan) salgado (maliach) às vezes (peamim) mata (memit) no sétimo (beshivá) dia depois de salgado, no décimo sétimo (beshivá assar), ou no vigésimo sétimo (beesrim veshivá). E há quem diga (veamri lah): no vigésimo terceiro (beesrim veshloshá). E não dissemos (velo amaran) isso senão (ela) quando (bemitvei) não (velo) foi bem assado (mitvei); mas (aval) se foi bem assado (mitvei shapir) — não há (leit lan) problema (bah) nisso. E o que não foi bem assado, não dissemos isso senão quando (dela) não bebeu (shatá) depois dele (batreih) cerveja (shichrá); mas se bebeu (shatá) depois dele cerveja — não há problema nisso — isto é, o perigo se aplica apenas ao peixe pequeno salgado mal assado e consumido sem cerveja depois; em qualquer dessas duas condições sendo satisfeita, o perigo desaparece.
"Às vezes mata" — e estes (veelu) são (hen): no dia (beyom) de sete (shivá) dias (yamim) de sua salga (lemelichato), ou no dia de dezessete (shivá assar), ou no dia de vinte e sete (shivá veesrim).
Uma última baraita, encerrando o tema dos ditos de saúde alimentar deste daf, adverte sobre o perigo do peixe pequeno salgado em certos dias específicos após sua salga — sétimo, décimo sétimo e vigésimo sétimo (ou vigésimo terceiro) —, ressalvando que esse perigo só existe se o peixe não foi bem assado e não foi seguido de cerveja; satisfeita qualquer uma dessas duas condições de segurança, o risco desaparece.
"E quem bebe (hashoteh) água (mayim) por sua sede (litzmao) etc." (retomando a Mishná já citada em 44a, que ensina que quem bebe água por sede abençoa "shehakol") — para excluir (leapokei) o quê (mai) — isto é, essa cláusula da Mishná parece redundante, pois já se sabe que toda bebida requer "shehakol"; o que ela vem, então, esclarecer ou excluir? Disse Rav Idi bar Avin: para excluir (leapokei) aquele a quem (lemán)... — a resposta continua diretamente no início do próximo daf (45a): "a quem um pedaço de carne sufocou", referindo-se a quem bebe água não por sede comum, mas para se livrar de um pedaço de comida entalado na garganta, caso em que a bênção não é "shehakol", pois a água ali serve de remédio, não de bebida propriamente.
O daf se encerra em suspenso, retomando a Mishná sobre a água bebida por sede e abrindo uma nova pergunta — para que caso específico essa cláusula vem excluir — cuja resposta de Rav Idi bar Avin é cortada pela divisão entre os dafim, e prossegue no início de 45a: trata-se de excluir quem bebe água não por sede, mas para desafogar um pedaço de carne entalado na garganta, caso em que não se aplica a bênção comum de "shehakol".
Ver no Yerushalmi: a retomada, no fim deste daf, da Mishná sobre a água bebida por sede ("shehakol"/"borê nefashot rabot") é a mesma Mishná comentada, com sua sugia própria sobre a fórmula da água, em Yerushalmi Berachot 6:8.
Ver Yerushalmi Berachot 6:8 →